gemeos

Este é um argumento que sempre aparece nos debates sobre o aborto.

Após a fecundação do óvulo pelo espermatozoide, surge um novo indivíduo, um embrião unicelular chamado ovo ou zigoto. Na quase totalidade das vezes, o zigoto desenvolve-se passando pelas fases de mórula, blástula, gástrula etc… rumo a um indivíduo humano adulto. Mas em um em cada 250 zigotos que se desenvolvem[1], ocorre a gemelação monozigótica ou univitelina, ou seja, o embrião primitivo sofre uma espécie de “divisão” e dá origem a dois ou mais indivíduos humanos. Ora, argumenta Josef Donceel, “uma pessoa humana não se divide em duas ou mais pessoas”[2]. Logo, segundo ele, o zigoto não poderia ser uma pessoa humana. Não teria uma alma racional e espiritual.

Esse argumento foi usado insistentemente (e quase obsessivamente) por Norman Ford, a fim de negar a tese da criação e infusão da alma racional no momento da fecundação do óvulo pelo espermatozoide (tese da animação imediata): “Quando o zigoto forma gêmeos, cessa a continuidade do mesmo indivíduo. Como indivíduo ontológico, o zigoto não pode considerar-se idêntico a nenhum dos dois gêmeos que se formam por efeito do seu desenvolvimento”[3].

Essa conclusão Ford estende a quaisquer das duas células (blastômeros) originárias da primeira mitose do zigoto, haja ou não gemelação: “o zigoto não sobrevive à primeira divisão mitótica, independentemente do fato de que depois haja ou não uma divisão gemelar”[4].

A primeira mitose seria então, uma espécie de suicídio, de cujo cadáver emergiriam dois novos indivíduos sem continuidade com o primeiro. Essa ideia, porém, suscita dificuldades:

1. Em que momento o zigoto “morre” e os dois blastômeros passam a “viver”?

2. Quem controla o processo da mitose: o zigoto moribundo ou os blastômeros recém-chamados à vida?

3. Onde estão os sinais de descontinuidade semelhantes ao “big bang” da fertilização?[5]

A primeira mitose é realmente uma “divisão” do zigoto?

Angelo Serra, ao descrever sucintamente o desenvolvimento embrionário humano, fala da fusão dos gametas, mas evita falar em “divisão” do zigoto. Diz que do zigoto se forma uma segunda célula:

O primeiro evento na formação de um novo indivíduo humano é a fusão de duas células altamente especializadas e programadas, o óvulo e o espermatozoide, através do processo de fertilização. A célula que dele resulta no próprio momento da fusão é chamada “zigoto” e com ela inicia o desenvolvimento embrionário de um novo ser humano. Nela se desenvolvem de modo altamente coordenado processos diversos que em 15-20 horas levam à formação de uma segunda célula[6].

Quem melhor rebate o argumento de Ford, porém, é John Billings, aquele que, com sua esposa Evelyn Billings, sistematizou o célebre método de regulação da procriação baseado na observação do muco cervical. Vejamos como ele rebate Ford:

Na divisão celular a célula não quebra nem seu material genético é ‘compartilhado’; o DNA dos cromossomas produz uma réplica de si e essa réplica é dada, junto com uma porção do citoplasma, para a nova célula. A célula original não deixou de existir absolutamente[7].

É assim que Billings responde ao argumento de que “o zigoto não sobrevive à primeira divisão mitótica”. Mas então parece que é impróprio falar de “divisão” celular. Melhor seria talvez dizer “replicação” celular, ou seja, a produção de uma célula (réplica) a partir de outra célula (original). Vejamos agora como Billings explica a formação de gêmeos.

Se o citoplasma doado é tal que faça a nova célula totipotente, ela pode desenvolver-se como um gêmeo, ou mesmo, de igual maneira, produzir mais pessoas geneticamente idênticas. Novamente, as células progenitoras não cessam de existir. Com o tempo a formação de um outro indivíduo não é mais possível; as células adaptam-se a seus específicos papéis quando o crescimento e o desenvolvimento prosseguem. A identidade do zigoto como um ser humano, uma pessoa humana que continua a existir, nunca foi comprometida[8].

O momento da criação da alma racional

Ordinariamente a geração humana se dá pela fusão dos dois gametas. A criação e infusão da alma humana ocorrem no instante em que os gametas deixam de existir enquanto tais e surge um novo indivíduo humano. Esse instante está contido no evento da penetração espermática.

A gemelação monozigótica é um modo excepcional (assexuado) de geração humana. Em tal caso, a criação da alma se dá no momento em que uma parte se separa do embrião primitivo e torna-se um novo indivíduo humano.

Conclui-se daí que dois gêmeos univitelinos não são “irmãos” entre si. Um deles (não sabemos qual) é pai (ou mãe) do outro. O gêmeo pai (ou mãe) teve origem no momento da fecundação. O gêmeo filho (ou filha) originou-se no momento em que se separou do gêmeo pai (ou mãe).

Anápolis, 9 de junho de 2016.

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz

Presidente do Pró-Vida de Anápolis

[1] Cf. Angelo SERRA, “Quando è iniziata la mia vita?”, La Civiltà Cattolica, 4 (1989), p. 581.
[2] Joseph DONCEEL, “Immediate animation and delayed hominization”, Theological Studies 31/1 (1970), p. 98.
[3] Norman FORD, Quando comincio io? Il concepimento nella storia, nella filosofia e nella scienza, Baldini & Castoldi, Milano 1997, p. 184-185 (tradução italiana de When did I begin? Conception of the human individual in history, philosophy and science, Cambridge University Press, Cambridge 1988).
[4] Ibid., p. 324.
[5] No momento da fusão dos gametas (fertilização) há vários sinais que indicam descontinuidade ou salto: a “onda de cálcio” no citoplasma do zigoto, a “reação cortical” para evitar a penetração de novos espermatozoides, a expulsão do segundo glóbulo polar, a formação dos pronúcleos e a duplicação do DNA.
[6] Angelo SERRA, “Quando è iniziata…”, p. 576. O destaque é meu.
[7] J. BILLINGS, “When did I begin”, Anthropotes, 5/1 (1989), p. 126.
[8] Ibid.

 

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Cientistas norte-americanos registraram “fogos de artifício” sendo gerados do encontro do espermatozoide com o óvulo.

A vida humana começa com um clarão de luz, no momento em que o espermatozoide encontra o óvulo. Foi o que cientistas da Northwestern University, em Chicago, nos Estados Unidos, mostraram pela primeira vez, capturando em vídeo os incríveis “fogos de artifício”.

Em reportagem do The Telegraph, os pesquisadores explicam que uma explosão de pequenas faíscas irrompe do óvulo no exato momento da concepção. Cientistas já viram o fenômeno em outros animais, mas é a primeira vez que se comprova que isso também acontece com os humanos.

O brilho ocorre porque quando o espermatozoide se insere no óvulo ocorre um súbito aumento de cálcio que desencadeia a liberação de zinco. Quando o zinco é solto, prende-se a pequenas moléculas que emitem uma fluorescência que pode ser captada por câmeras microscópicas.

 

Flash de luz emitido no momento em que o óvulo se encontra com o espermatozoide. (crédiro: Northwestern University)
Flash de luz emitido no momento em que o óvulo se encontra com o espermatozoide. (crédito: Northwestern University)

 

Não se trata apenas de um incrível espetáculo, que destaca o momento em que uma nova vida começa, como também o tamanho do brilho pode ser usado para determinar a qualidade do óvulo fertilizado.

Os pesquisadores reportaram que alguns óvulos brilham mais do que outros e isso se relaciona com a sua maior propensão a gerar um bebê saudável. “Foi memorável”, disse Teresa Woodruff, uma das autoras do estudo, ao jornal britânico. “Descobrimos as faíscas de zinco há apenas cinco anos em camundongos. Ver o mesmo acontecer em óvulos humanos foi de tirar o fôlego”.

“Toda a biologia começa na fecundação, mas ainda assim não sabemos quase nada sobre os eventos que acontecem na fecundação humana”, disse Woodruff.

No experimento, os cientistas usaram enzimas de espermatozoides em vez dos próprios espermatozoides para ver o que acontece no momento da concepção.

Leia também –  Quais são as bases biológicas que definem o início da vida humana?

                            O que a ciência diz sobre o início da vida humana?

O estudo foi publicado em 26 de abril na revista Scientific Reports.

Assista a um vídeo sobre a descoberta da Northwestern University:

 

 

Com informações de The Telegraph.

 

Fonte: http://www.semprefamilia.com.br/

feto

Na primeira parte deste artigo vimos que o fato de que a vida começa com a fecundação é uma certeza para a Biologia. No encontro do óvulo com o espermatozóide, se inicia uma nova vida, um novo programa de desenvolvimento. A escolha de outra data para o início da vida é arbitrária e sem sentido biológico.

Alguns argumentam que o embrião não é um ser humano antes de 5 a 7 dias, quando então se ligaria ao útero da mãe (nidação) e que sua morte não seria um aborto, já que ainda não houve ligação ao organismo materno. Mas a nidação é apenas um processo através do qual o embrião passará a receber alimento da mãe.

Nos primeiros dias, enquanto o embrião ainda não se implantou no útero materno, se alimenta daquilo que encontra no óvulo que foi fecundado, enquanto já passa por processos de desenvolvimento que lhe deixarão apto a realizar a nidação, ou seja, o embrião já está ativo. No momento posterior, se implanta para ser alimentado pelo corpo da mulher.

Assim, desde os primeiros momentos esse embrião já é tem uma identidade própria e já está ativo e se desenvolvendo. Não é uma massa de carne amorfa no corpo da mãe, nem é um outro animal qualquer. O que ele pode ser? Apenas um ser humano, já distinto, apenas ainda em formação.

Outros dizem que se o embrião implantado ainda pode se dividir em dois, então não temos certeza da sua identidade. Mas o momento da cisão, no caso de gêmeos, não deve modificar a identidade ontológica do ser humano. Há um indivíduo que dá origem a um outro indivíduo, sendo que ambos continuam sua existência do início: para o primeiro iniciada com a fecundação, para o outro qualquer dia depois, até o final de seu processo vital. Então temos o dobro das razões para defendê-los porque são dois embriões.

Outra afirmação sustenta que até os 15 dias ainda não se formaram os sinais daquilo que vai ser o cérebro. Mas sabemos que o cérebro se desenvolve não por ação da mãe, mas através dos genes que estão dentro do embrião desde o primeiro momento da fecundação. É possível garantir que ele não sente dor? E, se não sentir, isto justificaria matá-lo?

É possível identificar os movimentos do coração do embrião na primeira semana de atraso menstrual. Com vinte dias de existência já tem o sistema nervoso delineado. Na idade gestacional de sete semanas, ou seja, com o atraso de três semanas da primeira menstruação, já é possível gravar um eletrocardiograma e o embrião já tem movimentos e gesticulação espontâneos. Com nove semanas, embora pese três gramas, o embrião já pode ter o seu eletro encefalograma registrado.

Há, ainda, quem diga que dada a grande incidência de abortos espontâneos nas duas primeiras semanas da gravidez não haveria que se falar em vida neste período! Ora, a interrupção desta vida, isto é, um episódio de morte quer seja ele prematuro ou tardio não descaracteriza o fato que esta vida ocorreu. Seria o mesmo que dizer que não somos pessoas humanas porque um dia iremos morrer! Fatalidades ocorrem diariamente na vida das pessoas, seja nas nossas vidas, seja na vida intra-uterina. Essas fatalidades podem acabar em desventuras passageiras e remediáveis ou, ainda, irremediáveis, como a morte para todos nós e o aborto para a o feto. Isso jamais poderia nos desprover da condição de seres vivos e humanos.
Em todos esses argumentos existe uma discussão não a respeito da distinção da existência do embrião como um ser vivo distinto, pois a distinção entre a identidade materna e a identidade do embrião é universal no mundo biológico. O que se discute, ainda que implicitamente, é se essa vida é “humana”, isso é compartilha de todos os atributos de um indivíduo humano já independente.

O primeiro grupo de argumentos se baseia no pressuposto que essa identidade só seria “humana” a partir do momento em que se mostrasse claramente viável, por estar implantado no útero, por ter menores chances de morrer, por não poder mais se dividir em dois indivíduos, etc. O segundo grupo de argumentos (o desenvolvimento neurológico), já caracteriza a “humanidade” a partir de sua potência. É humano quem pode fazer alguma coisa.

Inicialmente, deve-se notar que esses dois tipos de argumento fogem totalmente da questão biológica. Se perguntarmos para um analista forense se um material biológico (ossos, restos de sangue ou outros tecidos) é “humano”, ele utilizará, para dar sua resposta, evidências de natureza bioquímica ou anatômica, decorrentes de um patrimônio genético reconhecido como “humano”. Assim, a “humanidade” – biologicamente constituída – é genética e não depende da viabilidade ou potência do organismo.
A questão que temos pela frente é, portanto, de índole ética e social. Devemos (ou queremos) reconhecer a “humanidade” em um ser que não tenha sua viabilidade e sua potência garantidas?

É preciso saber por qual motivo, ao longo de nossa história, passou-se a reconhecer o atributo de “humanidade” desde a fecundação, independentemente da viabilidade e da potência que aquele ser viria a demonstrar. Veremos que o problema está na garantia da universalidade da norma.

Em sociedades tribais e mesmo entre os povos que estão na origem da civilização ocidental, existe freqüentemente a dupla permissão para o aborto e o infanticídio. Essa dupla permissão é uma decorrência óbvia do princípio da continuidade da vida. O nascimento, ainda que se trate do evento por excelência de uma vida, não rompe o processo contínuo da vida. Assim, se era permitido abortar em determinadas condições, também é permitido praticar o infanticídio dos recém-nascidos nessas mesmas condições.
Essa, contudo, era a mesma lógica que legitimava a escravidão, a discriminação sexual e racial, a exclusão política dos pobres, etc. A pessoa só era dotada de direitos quando satisfazia certas condições.

A universalização do conceito de pessoa, o reconhecimento dos direitos humanos de todos, implica que não existam limites ou condições para que alguém seja pessoa. Isso vale tanto para os nascidos quanto para os ainda não-nascidos.

Por tudo isso, a sociedade até poderá assumir um critério de “humanidade” que se baseie na potencia e viabilidade do organismo, porém não poderá negar que essa opção (1) contraria o dado biológico, que caracteriza o “humano” por seus atributos genéticos e por sua expressão orgânica; (2) traz o perigo do casuísmo e da própria negação da dignidade da pessoa e da universalidade dos direitos humanos.

Prof. Dalton Luiz de Paula Ramos é professor titular de Bioética da Universidade de São Paulo, membro da equipe de assessores de bioética de CNBB e da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa/CNS/MS, membro correspondente da Pontifícia Academia para a Vida, do Vaticano, coordenador do Projeto Ciências da Vida do Núcleo Fé e Cultura da PUC/SP

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Na última semana, pesquisadores chineses editaram, pela primeira vez, genes de embriões humanos. A prática levanta questões éticas fundamentais. A principal: é seguro criar mutantes cujas sequências genéticas são selecionadas em laboratório e, assim, desafiar a natureza?

Em um laboratório de cidade chinesa de Guangzhou foram criados os primeiros embriões humanos geneticamente modificados. Em tubos de ensaio, pesquisadores da Universidade Sun Yeat-sen manipularam o DNA das células para apagar o gene da beta talassemia, doença hereditária que origina anemias graves e pode ser fatal. É a primeira vez na história que a ciência intervém nas próximas gerações humanas de modo tão rápido e direto. Os chineses mostraram ao mundo que, em poucos anos, teremos o poder de modificar nossa espécie de maneira irreversível – para o bem ou para o mal. O que fará com que a interferência humana supere de vez o processo natural de seleção natural. Não seria mais a natureza, mas os cientistas, que definiria como viriam a ser as futuras gerações de animais, plantas e indivíduos.

O estudo com os detalhes do experimento, publicado em 18 de abril na obscura revista Protein & Cell, revelou que apenas uma mínima fração dos embriões foi bem-sucedida na manipulação. O resultado foi um “mosaico genético”, ou seja, o DNA apresentou várias alterações que não as visadas pelos cientistas. Para esses primeiros estágios das células, isso pode ser mortal. No entanto, de acordo com os especialistas, esse é um obstáculo que está prestes a ser superado. Com o avanço das pesquisas e da tecnologia, a técnica será aperfeiçoada a ponto de possibilitar a edição completa dos genes em embriões humanos.

Esse é mais um indício de que vivemos um momento crucial para o que alguns cientistas chamam de Antropoceno, a era em que as ações humanas são responsáveis pela alteração do planeta. Outra prova recente: na última semana, cientistas da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, inseriram o DNA do mamute em células vivas de um elefante, tornando muito próxima a volta do animal que foi, naturalmente, extinto. O experimento dos cientistas chineses sugere que, em um futuro próximo, além de intervir em espécies de animais e vegetais e escolher indiretamente algumas características interessantes para nossa permanência no globo, atuaremos de maneira certeira e definitiva na seleção natural humana. A questão é se antes superaremos as discussões éticas relativas à prática e se estamos preparados para suas consequências.

É uma nova era para a biomedicina. Só que ainda não se sabe se o esforço humano em controlar seu destino genético causará benefícios ou danos”, definiu o biomédico americano George Daley, da Universidade Harvard.

Fetinhos

Quanto mais se pesquisa, mais se percebe como a vida humana, desde o momento da concepção, é rica e detalhada. Por isso, é importante iniciar frisando, como aspecto metodológico, que para ter uma visão mais precisa da realidade é necessário que tenhamos acesso ao máximo de informações, de elementos daquela realidade.

A Genética e a Embriologia, por exemplo, são ciências muito complexas. Os cientistas que delas se ocupam precisam se aprimorar em inúmeros aspectos de sua área de conhecimento para que possam ter uma visão mais clara desta realidade. Ora, o público leigo não necessariamente tem esta clareza até que seja informado pelos que se dedicam a estes temas. Enquanto não tem esta clareza pode, de boa fé, se deixar levar por informações parciais, sendo induzido a erros de interpretação.

Uma nova vida humana, a partir dos conhecimentos da Genética, começa no exato momento da fecundação, ainda que se empregue diferentes terminologias para caracterizar os vários estágios do desenvolvimento, tais como zigoto, embrião. No momento da fecundação, cria-se um patrimônio genético diferente daquele do pai e da mãe. São 23 cromossomos com informações genéticas do pai, outros 23 com informações da mãe, formando um novo conjunto de 23 pares de cromossomos, que se combinam criando uma realidade que logicamente não pode ser considerada igual a nenhuma das anteriores. Portanto, a identidade dessa nova vida se cria já naquele exato momento.

A Biologia Comparada também nos demonstra esse fato. Ao longo da evolução, a reprodução sexuada sempre gerou novos organismos, diferentes dos pais. Nos organismos aquáticos, com fecundação externa, isso é claro. Ninguém pensaria que um alevino de peixe ou um girino de sapo é parte do corpo de sua mãe. Sua alteridade é evidente. Mas seu “status” embriológico é comparável ao de um feto humano.

E o que os estudiosos de Embriologia poderiam nos dizer sobre o embrião? Um elemento importante é que ao embrião não se pode dispensar o tratamento conferido a uma entidade biológica qualquer. Ele não é um simples aglomerado de células, porque o comportamento dessas primeiras células embrionárias, chamadas embrião, é totalmente diferente do comportamento de outras células agrupadas.

Pensemos, por exemplo, nas culturas de células. Basicamente, lhes é oferecido um ambiente protegido onde possam dispor dos alimentos necessários. Nestas condições de suporte de vida, esta cultura de células permanecerá como tal enquanto os recursos tecnológicos o permitirem. E já há pesquisadores conseguindo que estas culturas se viabilizem por muitos anos.

Fazendo o paralelo com um embrião, se lhe for oferecido condições de proteção, acolhida e alimentação necessárias, vai se desenvolver como um processo contínuo (desde a fecundação até a morte, seja ela aos dois dias, seja aos cem anos), coordenado (auto-suficiente no próprio projeto) e progressivo (as várias etapas de desenvolvimento se sucedem sem interrupção).

Esse é um conhecimento que nós todos temos, a partir da experiência da vida humana: estamos refletindo sobre algo que diz respeito ao nosso próprio ser. Podemos constatar essas categorias a partir do momento em que, independentemente do nosso conhecimento científico, elas se tornam evidentes: é a mesma evolução da vida que continua, desde o parto da criança que se transforma em adolescente, adulto, idoso: um início e um fim.

Precisamos nos ajudar a olhar a realidade com clareza e coragem, para poder fazer as escolhas também nós como pessoas humanas, no sentido pleno do termo, conhecendo o que estamos fazendo e o porque, qual a finalidade. Com certeza estamos todos perplexos, principalmente quem está na “linha de frente”, diante das situações de miséria que se perpetuam e do poder com que a biotecnologia nos dotou. O que fazer? Para tentar passos que nos levem, como sociedade, a nos aproximarmos da meta, antes de tudo é preciso ter clareza sobre qual é a meta.

Se a complexidade é tamanha, não se pode pensar em resolver a situação agindo só em um fator, por exemplo, eliminando a parte mais frágil. Talvez nenhum de nós tenha a resposta na ponta da língua, de como resolver, mas podemos nos ajudar no caminho: aconteça o que acontecer, a meta é o direito de cada pessoa humana à vida, e a uma vida que tenha beleza e sentido, mesmo na dor e na dificuldade.

Leia aqui a parte 2 deste artigo

Prof. Dr. Dalton Luiz de Paula Ramos é professor tutular de Bioética da USP, membro da equipe de assessores de bioética de CNBB e da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa/CNS/MS, membro correspondente da Pontifícia Academia para a Vida, do Vaticano, coordenador do Projeto Ciências da Vida do Núcleo Fé e Cultura da PUC/SP.

Audrey-Proveta-blog

Audrey Kermalvezen, advogada francesa, descobriu a verdade sobre si depois de casar-se com outro “filho da fecundação in vitro”. Em entrevista exclusiva, ela conta o medo que ela e seu marido têm em comum: os dois podem ser filhos do mesmo pai.

Perceber, desde criança e quase inconscientemente, que há algo de errado; descobrir que não “está tudo bem” nascer em um laboratório e de uma pessoa diferente daquela que te criou; ficar com raiva e, depois, perceber que a responsabilidade não é só dos próprios genitores, mas de todo um sistema; sofrer e, então, reagir, entrando na luta contra isso. É essa a história que fez Audrey Kermalvezen, uma advogada francesa de 33 anos, tornar-se uma das paladinas da luta contra a fecundação heteróloga e o anonimato dos chamados “doadores” de gametas.

Concebida em proveta. Kermalvezen é membro da associação Procréation médicalement anonyme (“Procriação medicamente anônima”). “Estamos aqui mais para testemunhar o quanto é difícil sermos gerados assim que para lutar por descobrir as nossas origens“, ela explica. A advogada usa o plural porque a sua história começa quando já era casada com um homem concebido em proveta, como ela. Ele, todavia, sabia desde criança que tinha nascido por fertilização heteróloga. Acaso? “Bem – continua a advogada –, quando eu era pequena não sabia de nada, mas sempre sonhava com um homem que chegava e me levava embora. Perguntava continuamente aos meus genitores se eles tinham me adotado. Com 23 anos, escolhi especializar-me em direito bioético, mesmo não sabendo ainda nada da minha história”. Em suma, tudo parecia empurrar Kermalvezen para o mundo da proveta.

A revelação. Mais tarde, em 2009, tendo completos 29 anos, os genitores da moça decidiram revelar, a ela e ao irmão, então com 32 anos, que ambos tinham sido concebidos em laboratório, com o esperma de um desconhecido. “Meu irmão se sentiu aliviado” porque sempre tinha desconfiado haver “qualquer coisa que não batia” entre ele e a sua família. Ao contrário, a reação de Kermalvezen foi de “raiva” contra os seus genitores, pelo fato de haverem mentido para eles, mesmo tendo compreendido, depois, “que não eram só eles os responsáveis pelo segredo, mas também os médicos criaram todas as condições para mantê-lo, escolhendo um doador que se assemelhava ao meu pai e dizendo a ele e a minha mãe para não nos contarem nada”.

“Nosso medo”. Para a advogada, todavia, a dor veio duplicada. “Com o meu marido eu divido um receio: o de sermos nascidos do mesmo genitor”, razão pela qual ele está tão engajado na batalha para ter acesso às suas origens. “Ele e suas duas irmãs sempre souberam que tinham sido concebidos por um doador de esperma, mas esperavam que os seus genitores lhes dessem as informações sobre a identidade do seu pai, uma vez que completassem os 18 anos. Mas isso não aconteceu: eles não tiveram acesso a nenhuma notícia a respeito”.

“Eles se recusam a responder-me”. Como foi concebida em 1979, a norma francesa que, desde 1994, estabelece a obrigação do anonimato para o doador, não é um problema. “É meu direito contatar o ‘doador’ e eles perguntam se ele quer permanecer anônimo ou não. Se disser que não quer me revelar a sua identidade, respeitarei a decisão”, ela explica. De uma coisa, porém, Kermalvezen não abre mão: “A lei protege só a identidade, mas a justiça francesa estabelece, ao menos, que não pode esconder se o meu irmão ou o meu marido e eu fomos concebidos do esperma do mesmo homem. Mesmo assim, eles se recusam a responder-me.”

“Não há nenhum remédio”. Kermalvezen conta a sua história no livro Mes origines, une affaire d’Etat (Max Milo), lançado em 2014. Infelizmente, é difícil para um filho de proveta reivindicar um direito quando a lei, permitindo a fecundação assistida, sempre joga o direito do não nascido para o segundo plano em relação àquele do adulto. “Esse é o problema pelo qual eles não nos respondem”, conclui. “Eis por que nós não estamos aqui, antes de tudo, para conhecer as nossas origens, mas para testemunhar o quanto é duro nascer assim”. Porque, para todo esse sofrimento, “não há nenhum remédio”.

Fonte: Tempi.it |

 

 

estacao_ciencia

Diante de assuntos polêmicos que envolvem a moral e os costumes, uma argumentação comum contra os cristãos é a falta de rigor científico em suas afirmações, como se religião e ciência fossem rivais e não o contrário.

Em vista disso, estamos postando algumas (dentre muitas) citações de artigos e livros científicos com autores respeitados e que afirmam a verdade sobre o início da vida humana: ELA COMEÇA NA CONCEPÇÃO!

 

“O desenvolvimento do embrião começa no estágio 1 quando o espermatozoide fertiliza um ovócito e juntos eles formam o zigoto”

Marjorie A. – Life Before Birth, 2ª edição. Página 31. 1996.

 

O desenvolvimento humano começa com a união dos gametas masculino e feminino durante o processo conhecido como fertilização (concepção). A fertilização é uma sequência de eventos que começa com o contato do esperma com um ovócito secundário (óvulo) e termina com a fusão de um espermatozoide com um óvulo, e a mistura de seus cromossomos que formam uma nova célula. Esse óvulo fertilizado, conhecido como zigoto, é uma grande célula diploide que é o início, ou “primordium”, da vida humana“.

Keith L. Moore –  Essentials of Human Embriology. Página 2. 1988.

 

Embrião: o organismo em desenvolvimento desde a hora da fertilização até que significante diferenciação ocorra, quando o organismo se torna um feto

Cloning Human Beings, Report and recommendations of the national bioethics advisory comission. Apêndice 2. 1997.

 

Embrião: o organismo em seu mais cedo estágio de desenvolvimento, começa na concepção e vai até o segundo mês no útero“.

Dox, Ida G. “The harper Collins Illustrated Medical Dictionary. Pág. 146. 1993.

 

O desenvolvimento humano começa na fertilização, um processo onde duas células altamente especializadas, o espermatozoide e o óvulo, se unem pra dar origem a um novo organismo: o zigoto“.

Langman, Jan. “Medical Embriology”. 3ª edição. Página 3. 1975.

 

Embrião: o indivíduo em desenvolvimento devido a união das células reprodutoras de um homem e de uma mulher, que se caracteriza por virar um organismo separado: o zigoto. No momento em que o zigoto é formado, uma nova vida começa“.

Considine, Douglas. “Van Nostrand’s Scientific Encyclopedia”. 5ª edição. Pág. 943. 1976.

 

O desenvolvimento do humano começa com a fertilização, um processo onde o espermatozoide do homem e o óvulo da mulher se unem pra dar origem a um novo organismo: o zigoto“.

Sadler, T.W. “Langman’s Medical Embryology”, 7ª edição, pág. 3. 1995.

 

A vida é um processo contínuo, mas a fertilização é um marco crítico porque, sob circunstâncias ordinárias, um novo e geneticamente diferente humano é formado. A combinação de 23 cromossomos presentes em cada célula que participa da fertilização formam os 46 cromossomos que definem a existência de um ser. Depois elas se unem, formando o genoma“.

O’Rahilly, Ronan e Moller, Fabiola. “Human Embryology & Teratology”. 2ª edição. pág.8.

 

Mais referências aqui, caso queira

 

É vida / Não é vida.
Logo, temos 50% de chances de acertar em nossa decisão, caso queiramos fazer a coisa certa.
VOCÊ APROVARIA UMA LEI QUE TEM 50% DE CHANCES DE PERMITIR ASSASSINATOS?

 

Seja prudente!

 

Fonte: http://www.princeton.edu/~prolife/articles/embryoquotes2.html

 

etica abortista

Os argumentos pela vida não são apenas religiosos

Por padre John Flynn, L.C.

Os defensores do direito ao aborto costumam criticar os que apoiam a vida por supostamente tentar impor suas crenças religiosas aos demais. Ainda que a religião proporcione ao debates sólidos argumentos, estes não são apenas religiosos, como destaca um livro de recente publicação.

Christopher Kaczor, em ‘The Ethics of Abortion: Women’s Rights, Human Life and the Question of Justice’ (A Ética do Aborto: Direitos das Mulheres, Vida Humana e a Questão da Justiça) (Editora Routledge), toma uma postura filosófica perante o aborto e explica por que não é justificável.

Um dos pontos chave que Kaczor enfrenta é: quando se começa a ser pessoa. Alguns defensores do aborto sustentam que se pode distinguir os humanos das pessoas. Um exemplo dado é o de Mary Anne Warren, que oferece critérios para se levar em conta antes de dizer de alguém que ele é uma pessoa.

Ela propõe que as pessoas têm consciência dos objetos e dos acontecimentos e a capacidade de sentir dor. Têm também a força da razão e a capacidade para atividade auto-motivada, junto à capacidade de comunicação.

Como resposta a tais argumentos, Kaczor assinala que, usando tais critérios, seria difícil sustentar razões contra o infaticídio, posto que um bebê recém-nascido não cumpre tais critérios.

Por outro lado, não deixamos de ser pessoas quando estamos dormindo ou sedados em uma operação cirúrgica, ainda que nesses momentos não sejamos conscientes nem estejamos em movimento. De igual forma, quem sofre de demência ou os deficientes não satisfazem os critérios de Warren para ser pessoas.

Uma questão de lugar

Outro posicionamento para justificar o aborto é o que se baseia na localização, quer dizer, se se está fora ou dentro do útero. Kaczor afirma que a pessoa vai muito além da simples localização. Se admitimos este argumento, segue-se que, quando há uma fecundação artificial fora do útero, o novo ser teria o status de pessoa, mas logo o perderia quando fosse implantado, voltando a ganhá-lo quando saísse do útero.

Há também casos de cirurgia fetal aberta, procedimento em que o feto humano é extraído do útero. Se determinarmos o ser pessoa por uma existência fora do útero, nos veríamos na inverossímil situação de que em tais casos o feto é uma ‘não-pessoa’, que depois passa a ser ‘pessoa’, para depois voltar a ser ‘não pessoa’, já que retorna ao útero, para depois tornar-se ‘pessoa’, quando nascer.

Excluindo portanto a localização como critério para ser considerado pessoa, Kaczor discute a questão de se a condição de pessoa se estabelece em algum ponto entre a concepção e o nascimento. Ele observa que a viabilidade, quer dizer, se o feto no útero é potencialmente capaz de viver fora do ventre materno, era citada pelo Supremo Tribunal dos EUA no processo ‘Roe v. Wade’ como um modo de determinar se os fetos humanos merecem alguma proteção legal.

Contudo, segundo Kaczor, esta postura tem seus problemas. Por exemplo, os gêmeos unidos dependem em ocasiões um do outro para viver e, ainda assim, ambos são considerados pessoas.

A viabilidade também estabelece um problema, porque nos países ricos, com avançados cuidados médicos, os fetos se tornam viáveis antes que nos países pobres. E os fetos femininos são viáveis antes que os masculinos. As diferenças de sexo e de riqueza deveriam influir em quem é pessoa ou não?

Outra ideia é considerar que a capacidade de sofrer dor ou desfrutar do prazer é o que poderia marcar o começo do direito à vida, continua Kaczor. Isso tampouco é suficiente, pois exclui os que estão sob anestesia ou em coma. Ademais, alguns animais têm esta capacidade.

Ética ‘gradual’

A resposta pró-abortista às críticas anteriores adota a forma do ponto de vista ‘gradual’. Kaczor explica que isso consiste em sustentar que o direito à vida aumenta em força de modo gradual conforme se desenvolve a gravidez, e quanto mais similar um feto é de uma pessoa como nós, maior proteção deveria ter.

No entanto, Kaczor observa que há uma diferença entre o direito à vida e o restante dos direitos. Há restrições de idade para votar, dirigir ou ser eleito para um cargo público. Isso acontece porque o direito em questão exige uma capacidade para assumir as responsabilidades implicadas.

Pelo contrário, o direito à vida não contém implicitamente nenhuma responsabilidade e, por isso mesmo, pode ser desfrutado sem ter em conta a idade ou as capacidades mentais.

Outro problema da postura ‘gradual’ é que o desenvolvimento humano não termina com o nascimento. Se o status moral se vincula ao desenvolvimento psicológico, matar alguém de 14 anos iria requerer uma justificativa maior que matar um de 6.

Kaczor afirma que o erro desses argumentos nos leva à conclusão de que, se não há diferenças eticamente relevantes entre os seres humanos em suas diversas etapas de desenvolvimento que faça com que alguém não seja uma ‘pessoa’, a dignidade e o valor de uma pessoa não começa depois de seu nascimento, nem em momento algum de sua gestação. Todo ser humano é também uma pessoa humana.

A história nos apresenta muitos exemplos da necessidade de respeitar todo ser humano como pessoa portadora de dignidade. Kaczor argumenta que em teria ninguém atualmente, ao menos no Ocidente, defenderia a escravidão, a misoginia ou o antissemitismo.

A pessoa começa com a concepção?

Segundo Kaczor, essa questão não é a princípio moral, mas científica. Ele cita textos científicos e médicos que afirmam que com a concepção há o início de nova vida humana e uma mudança fundamental com a criação de um ser com 46 cromossomos.

Após a fecundação não há presença de nenhum agente exterior que mude o organismo recém-concebido em algo que seja diferente. Pelo contrário, o embrião humano se auto-desenvolve para futuras etapas.

“Fazendo uma analogia, o embrião humano não é um mero modelo detalhado da casa que se construirá, mas uma casa minúscula que se faz cada vez maior e mais complexa, através de seu auto-desenvolvimento ativo para a maturidade”, esclarece o autor.

Após isso, os últimos capítulos do livro analisam alguns argumentos utilizados pelos defensores do aborto. Examina-os um por um, mostrando suas debilidades.

Por exemplo, tem-se sustentado que, posto que nas primeiras etapas há a possibilidade de que haja uma divisão em dois irmãos, o embrião não é um ser humano individual. Kaczor rebate isso dizendo que, ainda que se possa dividir em dois seres, isso não significa que não seja um ser individual.

Ele comenta que a maioria das plantas pode dar lugar a mais plantas individuais, mas isso não significa que uma planta não possa ser uma planta individual e diferente.

O autor analisa também alguns casos difíceis como as gravidezes resultado de violação ou incesto. A personalidade do feto, insiste Kaczor, não depende da forma como foi concebido. “És o que és, sem importar as circunstâncias de tua concepção e nascimento”, afirma.

O livro de Kaczor, como uma argumentação sólida, contém muitos raciocínios cuidadosamente elaborados, o que o torna uma valiosa fonte de inspiração para os que lutam por defender a vida humana.

Fonte: zenit.org

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Aqueles que são favoráveis ao aborto, ao uso de “pílulas do dia seguinte”, uso de células tronco embrionárias para fins terapêuticos, etc., se esforçam para impor à população o conceito de “pré-embrião”, como se o ser humano só passasse a existir após um certo número de dias após a sua concepção. Acontece que a ciência, cada dia mais, deixa claro que não existe o “pré- embrião”.

Mais de 200 cientistas e professores universitários espanhóis tornaram público, em 11 dez 2006,  um Manifesto discordando com alguns dos conteúdos do Projeto de Lei de Pesquisa em Biomedicina, que se debaterá na próxima quinta-feira no Congresso dos Deputados da Espanha. (Zenit. org – Valência, 11 dez 06)

O Manifesto é acima de tudo contra o perigoso e sútil conceito de “pré embrião” e foi  promovido por Luis Franco Vera, da Real Academia de Ciências Exatas, Físicas e Naturais e catedrático de Bioquímica e Biologia Molecular da Universidade de Valência, e foi firmado por 14 acadêmicos, dois cientistas premiados com o Prêmio Jaime I, 39 catedráticos universitários e mais de 150 pesquisadores e professores.

Os pesquisadores afirmam que «desde um ponto de vista estritamente científico, não têm sentido as distinções semânticas como a que se introduz ao chamar pré-embrião o embrião obtido por fecundação in vitro».

Sabemos que este conceito de “pré-embrião” é uma maneira mascarada de se tentar legitimar a manipulação de embriões em experiências genéticas, geração e uso de células tronco embrionárias, aborto, “pílula do dia seguinte” e outras coisas que não se coadunam  com a dignidade do ser humano.

Os cientistas afirmaram no Manifesto que há dados que tornam “inadmissível desde um ponto biológico identificar o embrião como uma simples massa de células, nem sequer nos dias anteriores à sua implantação”, e que o embrião é «um organismo individual da espécie “Homo sapiens”, certamente em estado incipiente de desenvolvimento, mas não por isso merecedor de um estatuto biológico distinto do adulto».

Ainda sobre o uso terapêutico de células-tronco embrionárias, os pesquisadores querem evitar a «criação de falsas esperanças no seu uso», já que «essas células não deram lugar até agora a aplicações realmente terapêuticas em seres humanos». Eles afirmam que «a elevada taxa de proliferação das células embrionárias provoca, em mais de 60% dos animais em que se implantam, a aparição de tumores». Isto quer dizer que até agora o uso dessas células tronco embrionárias não deram resultado favorável.

Por outro lado os cientistas que assinaram o Manifesto, acreditam no emprego das células-tronco de origem adulta, que «deram lugar já ao tratamento de mais de 70 patologias humanas de diversos tipos e são numerosos os protocolos de experimentação clínica em andamento, com resultados promissores em muitos casos». Dizem eles que «são 544 os protocolos que utilizam células-tronco adultas, não se apresentou nenhum com células de origem embrionária».

Assim, esses mais de 200 cientistas espanhóis desmascaram a mentira que é necessário usar células tronco embrionárias para fins terapêuticos. Contra fatos não há argumentos.

Eles ainda fazem «um chamado para que a discussão científica seja levada a cabo com ânimo aberto, de modo que, baseando-se em argumentos científicos, cada um possa emitir retamente um juízo ético sobre os diversos modos de atuar na pesquisa biomédica».

Entre os cientistas que assinaram o Manifesto figuram, entre outros, o professor Eduardo Primo Yúfera, Premio Jaime I; os acadêmicos Ramón Llamas, Adriano García Loygorri, Carlos Sánchez del Rio, Pedro Jiménez Guerra, Guillermo e Víctor Jiménez; os catedráticos em Bioquímica Concepción Abad, Eduardo Arilla, Eduardo García Peregrín, Ignácio Núñez de Castro, Esteban Santiago e José M. Vega; os catedráticos de Biologia Celular José Manuel García Verdugo, Antonio Pellín e Ricardo Paniagua; os catedráticos de Fisiología José M. Estrela e José Viña; os catedráticos de Química Orgânica Ramón Mestres e José María Marinas; o de Histologia, Amando Peydró; o de Anatomia e Embriologia Humana Francisco Sánchez do Campo; o de Genética, Nicolás Jouve da Barreda; e o catedrático de Patología Cirúrgica, Carlos Vara.

A ciência já comprovou cabalmente que o ser humano passa a existir desde a sua concepção e por isso, a Igreja afirma que sua vida, a partir deste instante, é inviolável; e qualquer ofensa à sua integridade é grave injuria ao ser humano mais indefeso.
O conhecido e famoso Dr. Jérôme Lejeune (1926-1994), médico geneticista e pediatra francês, que descobriu a causa genética da Síndrome de Down em 1958, dedicou-se integralmente ao tratamento das doenças genéticas que atingem as crianças. Durante o período em que foi chefe da unidade de Citogenética do Hospital Necker – Enfants Malades, em Paris, sua equipe estudou mais de 30.000 casos de doenças genéticas e tratou de mais de 9.000 pacientes com doenças que afetam a inteligência. Recebeu diversos prêmios acadêmicos e doutorados “honoris causa”, sempre garantiu que a vida humana começa na concepção.

O Dr. Jérôme afirma que «A célula original do ser humano é semelhante ao gravador com a fita. Mal o mecanismo se põe em funcionamento, a vida humana desenvolve-se de acordo com o seu próprio programa, e se o nosso organismo é efetivamente um aglomerado de matéria animado por uma natureza humana, isso se deve a esta informação primitiva, e somente a ela. O fato de o ser humano dever desenvolver-se no seio do organismo materno durante os seus nove primeiros meses não modifica em nada este fato. Para a mais estrita análise biológica, o princípio do ser remonta à fecundação, e toda a existência, desde as primeiras divisões celulares até à morte, não é senão a ampliação do tema originário.”

“A primeira célula que se divide ativamente, esse primeiro conglomerado celular em incessante organização, a pequena mórula que vai aninhar-se na parede uterina – será já um ser humano diferente da sua mãe? Sim. Não somente a sua individualidade genética já está estabelecida, como acabamos de ver, mas este minúsculo embrião, no sexto ou sétimo dia da sua vida, com um tamanho de um milímetro e meio apenas, é já capaz de presidir ao seu próprio destino. É ele, e somente ele, quem por uma mensagem química estimula o funcionamento do corpo amarelo do ovário e suspende o ciclo menstrual da sua mãe. Obriga assim a mãe a protegê-lo; faz já dela o que quer, e continuará a fazê-lo daí por diante.” (Fonte: “Laissez le vivre”, Éd. Pierre Lethielleux, Paris, 1975, pp. 17-29)

Ninguém pode desmentir essa afirmação científica. O ser humano começa no primeiro instante de sua concepção.

Prof. Felipe Aquino

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É bom e normal desejar filhos. Mas… a qualquer custo?

Um em cada seis casais sofrem de infertilidade. Meu marido e eu nascemos em famílias grandes, com muitos irmãos, sobrinhos e sobrinhas. Jamais imaginamos que enfrentaríamos a infertilidade. Aliás, durante os nossos três anos de namoro, discutimos cada possível problema que poderíamos enfrentar: como lidar com finanças conjuntas, como equilibrar família e carreira, como gerenciar conflitos de personalidade, como lavar a louça… Pensamos em tudo, menos no que acabou virando o maior desafio do nosso casamento.

Pois é. E, por isso, nós entendemos muito bem o quanto um diagnóstico inesperado de infertilidade pode ser devastador.

Alice Domar, uma pesquisadora médica de Harvard, relata: “A maioria das mulheres inférteis afirma que a infertilidade é a experiência mais desoladora da sua vida. Mulheres inférteis apresentam níveis de ansiedade e depressão equivalentes aos de mulheres com câncer, aids ou doenças cardíacas”.

Diante desse panorama, procedimentos como a fertilização in vitro (FIV) aparentemente oferecem uma esperança real para quem desesperadamente deseja ter filhos. Neste procedimento, a mulher toma hormônios para estimular os ovários a produzirem muitos óvulos em um único ciclo. Os óvulos maduros são removidos através de aspiração transvaginal (o que é feito sob sedação) ou mesmo mediante cirurgia laparoscópica. Os espermatozoides são coletados do homem, geralmente, através da masturbação. O médico, em seguida, submerge cada óvulo no sêmen, na tentativa de criar embriões. Quando a fecundação ocorre, um ou mais embriões são transferidos para o útero da mulher, na esperança de que ao menos um se implante com sucesso.

A propósito, o que é um “embrião”?

Um embrião é o novo ser que se forma a partir da junção de espermatozoide e óvulo. É uma pessoa humana completamente nova, em estágio muito inicial de desenvolvimento. No ambiente e circunstâncias adequadas, o embrião continuará crescendo: de feto para recém-nascido, bebê, criança, adolescente, até, se sobreviver ao turbilhão da puberdade e do ensino médio, se transformar em adulto. Um embrião, grosso modo, é simplesmente uma pessoa muito, muito jovem.

A maioria das pessoas acha difícil acreditar que possa haver implicações morais e éticas num procedimento médico realizado para atender o natural e bom desejo de ter um filho. Eu tive que explicar a inúmeros amigos e familiares por que optamos por não usar a FIV.

Compartilho, assim, dez coisas que aprendi sobre a FIV (fertilização in vitro) que podem levar alguns casais a repensar esta alternativa:

1. A FIV foge à nossa noção consolidada de paternidade.

A maneira tradicional de gerar bebês envolve a união física de um homem e de uma mulher. Já a FIV, mesmo na sua versão mais básica, envolve outras pessoas nesse ato de criação: médicos e técnicos que recolhem os óvulos e o esperma, os fertilizam em laboratório e os transferem para o corpo da mulher. E ainda podem entrar em cena outros atores: a doadora de óvulos, a “barriga solidária”, o doador de esperma, as crianças concebidas a partir do esperma congelado e armazenado de pais falecidos, as tecnologias envolvendo três conjuntos de DNA que parecem vindas do Admirável Mundo Novo… Talvez nada disso incomode você, mas pode confundir e perturbar as crianças concebidas por FIV: a ciência social sugere que as crianças concebidas a partir da doação de óvulos ou de sêmen relatam crises de identidade e de origem, além de serem mais propensas à depressão e ao abuso de substâncias tóxicas.

2. A FIV é uma forma de eugenia.

Falando de “Admirável Mundo Novo”, a célebre obra de Aldous Husley, já temos versões da “sala de fertilização” e da “sala de engarrafamento”. Será que próxima seria a “sala de predestinação social”? Por que indago isso? Porque, para aumentar as chances de sucesso, a FIV adota procedimentos de diagnóstico e triagem voltados a gerar o “melhor” bebê. No sêmen colhido, por exemplo, são isolados os espermatozoides mais saudáveis e rápidos ou selecionados os que permitem escolher o sexo do bebê. Os óvulos podem ser rastreados para evitar anomalias cromossômicas. E as clínicas de FIV podem usar o diagnóstico genético pré-implantação (DGPI) para detectar condições genéticas e mutações cromossômicas (ou mesmo “traços indesejados”, como o simples fato de o embrião ser uma menina!). Na DGPI, uma ou mais células são removidas do embrião em desenvolvimento e avaliadas a fim de se descobrir alguma característica “indesejável”. Só os embriões “saudáveis” serão usados. Isso pode ser tentador se você está tentando engravidar desesperadamente e quer otimizar as chances de ter um bebê saudável. Mas, ao fazer isso, você estará eliminando bebês “indesejados” na busca de um filho “perfeito”. Acontece que, quando triamos seres humanos adultos, seja com base em deficiência física, em sexo ou em raça, chamamos isso de eugenia…

3. Não conhecemos os efeitos da FIV na saúde das crianças no longo prazo.

A FIV tem sido usada desde 1978. Mais de 5 milhões de crianças nasceram com esse método. Mas não conhecemos plenamente os efeitos da FIV no longo prazo, nem os efeitos dos seus procedimentos de triagem na saúde das crianças. Um estudo apresentado à Academia Americana de Pediatria sugere que há um aumento do risco de defeitos congênitos em crianças nascidas por FIV. Outros riscos associados com a FIV incluem maiores taxas de prematuridade e baixo peso ao nascer.

4. Apesar das promessas, a FIV não é tão bem sucedida assim.

Em 2012, segundo a Sociedade de Reprodução Assistida [dos EUA], só 35,9% dos ciclos de FIV resultaram em gravidez e apenas 29,4% dos ciclos resultaram em nascimento. As taxas de sucesso variam de acordo com a idade da mulher e se os embriões utilizados são descongelados ou frescos.

5. Há um excedente de meio milhão de embriões congelados só nos EUA.

Para aumentar as chances de sucesso, vários embriões (uma dúzia, por exemplo) são criados em cada ciclo de FIV, mas não é seguro nem eficaz transferi-los de uma só vez para a mulher. O resultado é que centenas de milhares de embriões “não usados” acabam “sobrando”. Os casais se perguntam o que fazer com seus embriões “extras”. Só nos Estados Unidos, estima-se que 500 mil embriões estão em criopreservação, aguardando uma decisão final: essa decisão pode ser o uso para implantação (seja na mãe, seja em outra mulher que deseja engravidar mediante a “adoção de embriões”), mas também pode ser o uso em pesquisas científicas ou a destruição.

6. A FIV implica um notável descaso pela vida humana.

O número de embriões que não sobrevivem aos processos de seleção ou de implantação e o dilema dos embriões congelados excedentes indicam claramente que a FIV envolve muito “desperdício embrionário”. Dado o índice de perda de vidas inerente à FIV (rotule-as de “embrionárias” ou do que você bem entender), deveríamos refletir melhor se devemos destruir intencionalmente tantas vidas a fim de criar uma vida ao nosso gosto.

7. A FIV, às vezes, envolve aborto e destruição intencional da vida humana.

Quando vários embriões são criados e transferidos para a mulher, acontece algumas vezes de se implantarem com sucesso mais embriões do que a quantidade segura e desejada. “A redução seletiva” é a técnica usada para diminuir os problemas associados com embriões múltiplos. É isso mesmo: esse eufemismo significa que o médico seleciona um ou mais fetos, saudáveis, já em desenvolvimento, ​​para serem destruídos.

8. A FIV é arriscada para a mãe.

O procedimento obriga a mãe (ou a doadora dos óvulos) a se submeter a um processo de estimulação hormonal para produzir múltiplos óvulos para fertilização. Há riscos como a síndrome da hiperestimulação ovariana e complicações do procedimento de retirada de óvulo. Além disso, devido à maior probabilidade de nascimentos múltiplos, a FIV implica taxas mais altas de complicações na gravidez.

9. A FIV não é um tratamento para a infertilidade.

Uma mulher saudável é normalmente capaz de conceber e ter um filho. Se ela não pode, é provável que haja algo errado ela, médica ou fisicamente. Uma série de condições específicas dessa mulher pode ser diagnosticada e tratada. A FIV não vai ajudar a resolver a infertilidade, porque o seu foco exclusivo é gerar bebês, e não restaurar a fertilidade, nem permitir futuras gestações saudáveis​​, nem prevenir abortos espontâneos, nem ajudar a mulher a garantir benefícios para a sua saúde no longo prazo (quer ela engravide ou não).

10. A FIV reduz mulheres e crianças a objetos.

As mulheres são tratadas como meios para “se obter” uma criança, e não como pessoas integrais. E a criança é tratada como “um produto” a ser conseguido. A indústria multibilionária da FIV combina os piores aspectos da tecnologia e da mentalidade consumista e tem como presa o desejo muito natural (e bom) de ter filhos. Ela também coisifica as mulheres que são exploradas para doar seus óvulos “saudáveis” ou atraídas para ser “barrigas solidárias”. E a criança “produzida” por FIV é coisificada desde a concepção como uma mercadoria intercambiável e até descartável, em vez de ser vista e amada como uma pessoa humana única.

Se a fertilização in vitro preocupa você, como preocupa a nós, quais são as suas opções?

Os casais que enfrentam a infertilidade têm alternativas melhores que a FIV. A Na ProTechnology, por exemplo, considera a infertilidade a partir de uma perspectiva holística e se concentra em diagnosticar e tratar os problemas subjacentes de saúde da mulher (e do homem) que podem estar causando a infertilidade. Bônus: essa abordagem tem uma taxa de sucesso maior do que a fertilização in vitro.
E há, é claro, outras maneiras de se construir uma família, como a adoção, que não envolve o desrespeito imprudente ou intencional da vida humana.

Mas se você já esgotou os tratamentos médicos e acha que a adoção não é para você? E se a fertilização in vitro é a sua última esperança de conceber e ter um filho?

Pode ser difícil de aceitar que isso não vá acontecer… Mas, se você escolher mesmo assim tentar um filho através da fertilização in vitro, é necessário se perguntar a que custo.

Fonte: Aleteia