chora

A primeira coisa que se deve investigar em um candidato, antes mesmo de sua atuação passada ou de suas promessas, é o partido político a que pertence. Dos 32 partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral, muitos são amorfos. Seus estatutos dizem pouco ou quase nada. Tais partidos não trazem ameaças aos cristãos que a ele se filiam. Há uns pouquíssimos partidos que se propõem explicitamente à defesa da vida humana e da família. E há, por fim, doze partidos que constituem um verdadeiro exército organizado contra os valores cristãos. São eles:

Partido dos Trabalhadores (PT) 13
Partido Comunista Brasileiro (PCB) 21
Partido Popular Socialista (PPS), sucessor do PCB 23
Partido Comunista do Brasil (PCdoB) 65
Partido da Causa Operária (PCO) 29
Partido Democrático Trabalhista (PDT) 12
Partido da Mobilização Nacional (PMN) 33
Partido Pátria Livre (PPL) 54
Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) 50
10º Partido Socialista Brasileiro (PSB) 40
11º Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) 16
12º Partido Verde (PV)[1] 43

Com exceção do PV, todos os partidos acima se declaram socialistas. Ora, como explica São João Paulo II, “o erro fundamental do socialismo é de caráter antropológico. De fato, ele considera cada homem simplesmente como um elemento e uma molécula do organismo social. […] O homem é reduzido a uma série de relações sociais, e desaparece o conceito de pessoa como sujeito autônomo de decisão moral[2] . O Concílio Vaticano II já havia ensinado que “o homem é a única criatura na terra que Deus quis por si mesma[3] .

O cristianismo vê na criança por nascer alguém que deve ser respeitado como pessoa e amado independentemente de sua “qualidade”, beleza ou utilidade. Há uma afinidade estreita entre o socialismo e a causa abortista.

Vejamos agora, brevemente, cada um dos doze partidos fatais:

1º) Partido dos Trabalhadores (PT) – n.º 13

No 3º Congresso do PT, ocorrido entre agosto e setembro de 2007, foi aprovada a resolução “Por um Brasil de mulheres e homens livres e iguais”, que inclui a “defesa da autodeterminação das mulheres, da descriminalização do aborto e regulamentação do atendimento a todos os casos no serviço público[4] . Todo candidato filiado ao PT é obrigado a acatar essa resolução. O Estatuto do PT põe como requisito para ser candidato pelo Partido “assinar e registrar em Cartório o ‘Compromisso Partidário do Candidato ou Candidata Petista’” (art. 140, c)[5] . Tal assinatura, diz o Estatuto, “indicará que o candidato ou candidata está previamente de acordo com as normas e resoluções do Partido, em relação tanto à campanha como ao exercício do mandato” (art. 140, §1º). Se o político contrariar uma resolução como essa, que apoia o aborto, “será passível de punição, que poderá ir da simples advertência até o desligamento do Partido com renúncia obrigatória ao mandato” (art. 140, §2º). Em 17 de setembro de 2009, dois deputados petistas (Luiz Bassuma e Henrique Afonso) foram punidos pelo Diretório Nacional. O motivo alegado é que eles “infringiram a ética-partidária ao ‘militarem’ contra resolução do 3º Congresso Nacional do PT a respeito da descriminalização do aborto[6] . Não deve causar espanto que o PT defenda o aborto, já que o artigo 1º de seu Estatuto põe como objetivo do Partido “construir o socialismo democrático”.

2º) Partido Comunista Brasileiro (PCB) – nº. 21

Os militantes do Partido Comunista Brasileiro são obrigados a aceitar “seu Estatuto e Programa[7] . São seus deveres “cumprir as deliberações partidárias, aplicar a linha política do Partido e difundir os ideais comunistas” (art. 11, a, Estatuto do PCB). O Programa Político do PCB defende como um dos “pontos iniciais de uma alternativa socialista para o Brasil” a “garantia do direito ao aborto[8] .

3º) Partido Popular Socialista (PPS) – nº. 23

É o sucessor do Partido Comunista Brasileiro. O PPS se declara “humanista, socialista e ambientalista” e pretende resgatar “a melhor tradição do pensamento marxista e do humanismo libertário[9] . A Coordenação de Mulheres do PPS, um órgão previsto no artigo 26 do Estatuto do Partido, repetidas vezes manifestou sua adesão à causa abortista. Uma delas foi a Nota pública sobre o aborto[10] , de 18/04/2007, em que se relata três vezes em que o PPS se havia manifestado publicamente em favor da legalização/descriminalização do aborto, por considerá-la uma “questão de saúde pública” e de “direito e autonomia das mulheres”. A Plataforma Política das Mulheres do PPS[11]  previa em 2009 a “legalização do aborto”, a “garantia de todas as formas de contracepção e interrupção da gravidez” e a “consolidação pelo SUS do serviço de aborto nos casos previstos em lei [?]”.

4º) Partido Comunista do Brasil (PCdoB) – nº. 65

Nas Resoluções da 2ª Conferência Nacional do PCdoB Sobre a Emancipação da Mulher[12]  realizada entre os dias 18 e 20 de maio de 2012 em Brasília, encontra-se o desafio de “desenvolver ações mais ofensivas à garantia do direito ao abortocomo questão de saúde pública” (p. 44, n. 76, k). Essas Resoluções foram ratificadas pelo Comitê Central, conforme prevê o Estatuto do PCdoB[13]  (art. 24, §2º). Portanto, são “válidas e obrigatórias para todo o Partido”.

5º) Partido da Causa Operária (PCO) – n.º 29

O Programa do Partido da Causa Operária (PCO)[14]  defende a “liberdade para a mulher decidir sobre seu corpo com a legalização do aborto e sua realização, em condições dignas, pela rede pública de saúde” (X.11).

Segundo o Estatuto do PCO[15] , os filiados têm o dever de “defender em todos os lugares e ocasiões o programa do partido” (art. 7, I). Se o “eleito pelo Partido para cargo executivo ou legislativo” agir contra “as deliberações, o Estatuto ou o Programado PCO”, será punido com “expulsão” e “cancelamento da filiação” (art. 30, §3º, b). Essa é a sanção que espera o político do PCO que lutar contra o aborto.

6º) Partido Democrático Trabalhista (PDT) – nº. 12

O Partido Democrático Trabalhista tem como objetivo é a “construção de uma sociedade democrática e socialista[16] . Ele “adota como símbolo a rosa vermelha” (art. 1º, § 2º), símbolo da Internacional Socialista.

O Movimento de Mulheres do PDT no item “Nossas Conquistas” diz: “… temos que continuar lutando para que se efetive a descriminalização do aborto, pois só as mulheres pobres serão banidas por sua prática, já que as com melhores condições podem fazê-lo sem necessidade do aparato estatal. A saúde integral é uma luta de todos nós e o aborto não é uma questão de polícia e sim de saúde pública[17] .

7º) Partido da Mobilização Nacional (PMN) – n.º 33

O Partido da Mobilização Nacional (PMN) […] “orientar-se-á por seu Manifesto, seu Programa e seus Estatutos e demais diretrizes de ação política, social e econômica, de conteúdo nacional, democrático e socialista[18] .

8º) Partido Pátria Livre (PPL) – n.º 54

O Partido Pátria Livre (PPL) “se orienta pelos princípios e pela teoria do socialismo científico[19] , como é chamado o socialismo de Marx e Engels.

9º) Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) – n.º 50

O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) tem por objetivo a “construção de umasociedade socialista[20] . Coerentemente com sua doutrina socialista, ele defende o direito ao aborto. Segundo resolução aprovada no 4º Congresso Nacional do Partido em 29/01/2014 denominada Conjuntura Nacional, “é tarefa do PSOL […] barrar o estatuto do nascituro [criança por nascer] e sua ‘bolsa estupro’, defendendo aautonomia das mulheres sobre seus corpos e os direitos sexuais e reprodutivos[21] . Qual o valor dessa resolução? Diz o Estatuto do PSOL: “As resoluções do Congresso representam a posição oficial do Partido e são válidas para todos os órgãos e filiados” (art. 36).

10º) Partido Socialista Brasileiro (PSB) – nº. 40

O Partido Socialista Brasileiro (PSB) tem por finalidade a “implantação da democracia e do socialismo no País[22] , com a “gradual e progressiva socialização dos meios de produção[23]  e a “abolição de todos os privilégios de classe” (Manifesto, VIII). Entre as reivindicações imediatas do Partido está a estatização da educação: “Plano nacional de educação que atenda à conveniência de transferir-se gradativamente o exercício desta ao Estado e de suprimir-se, progressivamente, o ensino particular de fins lucrativos[24]  . Note-se que o PSB é muito mais explícito que o PT em expor seus propósitos socialistas. Nem mesmo oculta seu desejo urgente de extinguir as instituições educativas não estatais (incluindo as religiosas), obrigando as crianças a se submeterem à ideologia do Estado.

11º) Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) – nº. 16

O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) “não prioriza as eleições, mas a ação direta como meio de transformar a realidade em que vivemos”. Através da luta e da revolução, defende a instalação de uma “ditadura do proletariado” sobre a burguesia[25] .

Seu candidato à Presidente da República, José Maria, promete “atender demandas democráticas históricas das mulheres como a legalização do aborto, e da juventude, como a legalização da maconha e descriminalização das drogas[26] .

12º) Partido Verde (PV) – n.º 43

O candidato filiado ao Partido Verde está comprometido a “respeitar e cumprir seu Programa e Estatuto[27] . É seu dever “obedecer ao Programa, ao Estatuto e às resoluções do Partido” (art. 11, I, Estatuto do PV).

Ora, este Programa, ao qual ele está obrigado a obedecer, defende:

a.       o aborto: “legalização da interrupção voluntária da gravidez[28] .

 Anápolis, 4 de setembro de 2014.

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz

Presidente do  Pró-Vida de Anápolis.


[1]  O PV não se declara socialista, mas em seu Programa defende o homossexualismo e a legalização do aborto (cf. http://pv.org.br/wp-content/uploads/2011/02/programa_web.pdf

  [2]  JOÃO PAULO II, Encíclica Centesimus annus, 1991, n. 13.

[3]  Concílio Vaticano II, Constituição Pastoral “Gaudium et Spes”, n. 24.

[4]  Resoluções do 3º Congresso do PT, p. 82. in: http://old.pt.org.br/arquivos/Resolucoesdo3oCongressoPT.pdf

 [5]  Partido dos Trabalhadores. Estatuto, art. 140, c in: http://old.pt.org.br/arquivos/ESTATUTO_PT_2012_-_VERSAO_FINAL_registrada.pdf
  [6]  DN suspende direitos partidários de Luiz Bassuma e Henrique Afonso. Notícias. 17 set. 2009, in:http://www.pt.org.br/portalpt/documentos/dn-suspende-direitos-partidarios-de-luiz-bassuma-e-henrique-afonso-254.html
  [7]  Partido Comunista Brasileiro. Estatuto, art. 6º in: http://pcb.org.br/portal/docs/estatuto230308.pdf
  [8]  Partido Comunista Brasileiro. Programa. ponto 21.18, in: https://docs.google.com/file/d/0B9OkSrCIvhFlWVh0eDM4dmlUQTk0M2tvLTFKVW9hZTlPbnFB/edit
  [16]  Partido Democrático Trabalhista. Estatuto, art. 1º, in: http://www.pdt.org.br/index.php/pdt/estatuto/do-partido/dos-objetivos
  [18]  Partido da Mobilização Nacional. Estatuto, art. 2º, in: http://pmn.org.br/estatuto.aspx
  [19]  Partido Pátria Livre. Estatuto, art. 3º, in: http://www.partidopatrialivre.org.br/Documentos/Estatuto.htm
  [20]  Partido Socialismo e Liberdade, Estatuto, art. 5º, in: http://www.psol50.org.br/site/paginas/39/estatuto
  [22]  Partido Socialista Brasileiro. Estatuto, art. 2º, in: http://www.psb40.org.br/downloads/estatuto.pdf
  [23]  Partido Socialista Brasileiro. Manifesto, VII, in: http://www.psb40.org.br/fixa.asp?det=1
  [24]  Partido Socialista Brasileiro. Manifesto, Reivindicações Imediatas, 9ª

 [25]  Cf. http://www.pstu.org.br/partido

  [26]  A disputa das eleições numa perspectiva revolucionária in: http://www.pstu.org.br/pstu16/20832
  [27]  Partido Verde. Estatuto, art. 5º, in: http://pv.org.br/wp-content/uploads/estatuto_pv.pdf

Fetinhos

Quanto mais se pesquisa, mais se percebe como a vida humana, desde o momento da concepção, é rica e detalhada. Por isso, é importante iniciar frisando, como aspecto metodológico, que para ter uma visão mais precisa da realidade é necessário que tenhamos acesso ao máximo de informações, de elementos daquela realidade.

A Genética e a Embriologia, por exemplo, são ciências muito complexas. Os cientistas que delas se ocupam precisam se aprimorar em inúmeros aspectos de sua área de conhecimento para que possam ter uma visão mais clara desta realidade. Ora, o público leigo não necessariamente tem esta clareza até que seja informado pelos que se dedicam a estes temas. Enquanto não tem esta clareza pode, de boa fé, se deixar levar por informações parciais, sendo induzido a erros de interpretação.

Uma nova vida humana, a partir dos conhecimentos da Genética, começa no exato momento da fecundação, ainda que se empregue diferentes terminologias para caracterizar os vários estágios do desenvolvimento, tais como zigoto, embrião. No momento da fecundação, cria-se um patrimônio genético diferente daquele do pai e da mãe. São 23 cromossomos com informações genéticas do pai, outros 23 com informações da mãe, formando um novo conjunto de 23 pares de cromossomos, que se combinam criando uma realidade que logicamente não pode ser considerada igual a nenhuma das anteriores. Portanto, a identidade dessa nova vida se cria já naquele exato momento.

A Biologia Comparada também nos demonstra esse fato. Ao longo da evolução, a reprodução sexuada sempre gerou novos organismos, diferentes dos pais. Nos organismos aquáticos, com fecundação externa, isso é claro. Ninguém pensaria que um alevino de peixe ou um girino de sapo é parte do corpo de sua mãe. Sua alteridade é evidente. Mas seu “status” embriológico é comparável ao de um feto humano.

E o que os estudiosos de Embriologia poderiam nos dizer sobre o embrião? Um elemento importante é que ao embrião não se pode dispensar o tratamento conferido a uma entidade biológica qualquer. Ele não é um simples aglomerado de células, porque o comportamento dessas primeiras células embrionárias, chamadas embrião, é totalmente diferente do comportamento de outras células agrupadas.

Pensemos, por exemplo, nas culturas de células. Basicamente, lhes é oferecido um ambiente protegido onde possam dispor dos alimentos necessários. Nestas condições de suporte de vida, esta cultura de células permanecerá como tal enquanto os recursos tecnológicos o permitirem. E já há pesquisadores conseguindo que estas culturas se viabilizem por muitos anos.

Fazendo o paralelo com um embrião, se lhe for oferecido condições de proteção, acolhida e alimentação necessárias, vai se desenvolver como um processo contínuo (desde a fecundação até a morte, seja ela aos dois dias, seja aos cem anos), coordenado (auto-suficiente no próprio projeto) e progressivo (as várias etapas de desenvolvimento se sucedem sem interrupção).

Esse é um conhecimento que nós todos temos, a partir da experiência da vida humana: estamos refletindo sobre algo que diz respeito ao nosso próprio ser. Podemos constatar essas categorias a partir do momento em que, independentemente do nosso conhecimento científico, elas se tornam evidentes: é a mesma evolução da vida que continua, desde o parto da criança que se transforma em adolescente, adulto, idoso: um início e um fim.

Precisamos nos ajudar a olhar a realidade com clareza e coragem, para poder fazer as escolhas também nós como pessoas humanas, no sentido pleno do termo, conhecendo o que estamos fazendo e o porque, qual a finalidade. Com certeza estamos todos perplexos, principalmente quem está na “linha de frente”, diante das situações de miséria que se perpetuam e do poder com que a biotecnologia nos dotou. O que fazer? Para tentar passos que nos levem, como sociedade, a nos aproximarmos da meta, antes de tudo é preciso ter clareza sobre qual é a meta.

Se a complexidade é tamanha, não se pode pensar em resolver a situação agindo só em um fator, por exemplo, eliminando a parte mais frágil. Talvez nenhum de nós tenha a resposta na ponta da língua, de como resolver, mas podemos nos ajudar no caminho: aconteça o que acontecer, a meta é o direito de cada pessoa humana à vida, e a uma vida que tenha beleza e sentido, mesmo na dor e na dificuldade.

Leia aqui a parte 2 deste artigo

Prof. Dr. Dalton Luiz de Paula Ramos é professor tutular de Bioética da USP, membro da equipe de assessores de bioética de CNBB e da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa/CNS/MS, membro correspondente da Pontifícia Academia para a Vida, do Vaticano, coordenador do Projeto Ciências da Vida do Núcleo Fé e Cultura da PUC/SP.

barriga

Por favor, socorra-me! Há algo estranho acontecendo comigo e com meu marido: queremos um filho! Sei que não é nada comum alguém querer um filho hoje em dia, por isso estou pedindo socorro. Ocorre que queremos um filho. Queremos dar a vida, dar à luz, pôr no mundo, como você quiser chamar, mas queremos um filho.

O mais espantoso é que queremos um filho não para nós mesmos, nem para nossa realização nem para nos sentirmos bem ou curtirmos a experiência de sermos pais. Queremos um filho por ele mesmo! Não é incrível?!? Não o queremos para ter uma experiência gratificante. Queremos um filho como uma pessoa única, por quem ele é, seja ele como for.

Não me entendo, devo estar ficando maluca, mas queremos um filho seja ele feio ou bonito, inteligente ou burro, alto ou baixo, verde, azul, marrom, branco, vermelho, amarelo, não importa. Queremos por ele mesmo, não por nós, entende? Isso me deixa preocupada. Sou diferente de todas. Acho que influenciei meu marido. Por favor, ajude-me!

A coisa é tão grave, que queremos um filho mesmo que seja anencéfalo, mesmo que seja fruto de um estupro, mesmo que seja Down, mesmo que não ouça, não veja, não ande, não fale… Sim, sei que é grave, mas queremos um filho por ele mesmo!!!

Do mais profundo de nós mesmos, sobe um grito: queremos um filho para amá-lo, para nos entregarmos a ele, para servi-lo em sua dependência e fragilidade, em sua vulnerabilidade inicial. Queremos, em Deus, dar a vida para que ele tenha vida, você entende? Sei que é insano, mas queremos seguir seu crescimento, seu desenvolvimento vida afora, queremos gerá-lo para Deus e para a humanidade, ainda que isso nos custe a saúde, a beleza, a vida. Estranho, mas queremos um filho não por nós, mas por ele mesmo, não para nosso prazer, mas para que ele seja quem Deus quer que ele seja e queremos colaborar para isso com todas as nossas forças, em meio a alegrias e dores.

Está vendo como é grave? A imagem de Deus segundo a qual fomos criados nos empurra a fazer a oferta de nós mesmos a um filho, me empurra a ser mãe de um filho por ele mesmo. É mais forte do que eu! Ajude-me, o que faço?

Não sei explicar direito, mas é como se a fecundidade que Deus pôs em nós fosse mais que biológica, semelhante à dos animais. É como se fosse… deixe-me ver… ahn… uma participação do poder criador de Deus que é Pai e não somente continuador … preservador de espécie, entende? Que horror! Estou tão doente que só de falar em ter filho para preservar a espécie, para continuar a família, me sinto mal! Ajude-me! Sou chamada a ser mãe como Deus é Pai e não como uma gata é mãe! É grave, já lhe disse! Não me negue sua ajuda!

Para agravar mais ainda meu caso, queremos um filho de nossas entranhas, gerado em um ato conjugal, um belo presente-surpresa de Deus que não só participa, mas governa nosso matrimônio! É, ainda tem essa: meu marido e eu casamos virgens. Sou casada sempre com o mesmo homem, e casada na Igreja, como se diz.

 

Por favor, não se espante demais! Tenho medo de que me abandone, de que desista de me ajudar, mas preciso ser verdadeira: minhas entranhas são raham, como dizem os hebreus. São entranhas para dar a vida… Não me olhe assim, por favor. Acho que errei quando mencionei os hebreus, mas é que eles são meus irmãos mais velhos… Perdão se tenho que mencionar João Paulo II, sei que lhe desagrado.

Posso continuar?

Queremos um filho que não seja programado em um consultório médico. Queremos um filho home made, que não seja manipulado em laboratório. Não queremos escolher a cor de seus olhos, de sua pele, de seus cabelinhos. Não queremos programar ou aprimorar seu DNA, queremo-lo como Deus o quiser, queremos estender as mãos para o céu e recebê-lo como um presente de Deus colocado por meu marido em minhas entranhas. As entranhas raham têm de participar, entende?

Perdoe-me. Sei que não estou sendo moderna, nem emancipada, nem dona do meu próprio filho, como se faz hoje em dia. Sei que estou fora da mentalidade e fora da lei. É exatamente por isso que peço ajuda. Estou diferente demais dos outros. Devo estar doente.

Não tomo anticoncepcionais, não uso DIU, não aplico compressas hormonais, não fico como histérica preocupada a contar dias para lá e para cá, meu marido não usa preservativos. Sei que é extraordinário, mas queremos um filho que venha como fruto de sabermos que nossa fecundidade humana é apenas parcial e que a verdadeira fecundidade vem de Deus e não queremos inverter isso. Deus vem primeiro com relação ao meu filho. Eu até já digo a Ele que é o nosso filho. Não é de preocupar? Queremos um filho que não nasça da vontade da carne, que controla tudo, que pretende ter nas mãos as rédeas da criação. Queremos um filho que nasça do Espírito e no Espírito seja educado para Deus.

Será que estou com aquela doença de quem tem mania de ser Deus? Porque, na verdade, queremos um filho por ele mesmo porque, como disse João Paulo II … ops, desculpe! Mencionei outra vez… Bem, como ele disse, Deus nos quis por nós mesmos, únicos aos seus olhos, dons Dele dados ao mundo pela mediação das leis biológicas e desejo dos nossos pais. Como é mesmo o nome desta enfermidade na qual a pessoa pensa que é Deus ou um santo qualquer? Será que é ela que nos aflige, que nos faz tão diferentes das outras pessoas?

Ocorre que queremos entrar na alegria e experimentar o riso de Sara, participando da alegria de Deus ao acolher um filho por ele mesmo, sabendo que todas as criaturas de Deus são boas, como diz Timóteo. Queremos um filho para viver com ele a experiência da fecundidade que transcende a fecundidade biológica. Queremos um filho para nos darmos a ele e para recebê-lo gratuitamente e, juntos a ele, ordenarmos nossa vida para o amor.

Queremos um filho para criá-lo juntos, na mesma casa, sob o mesmo teto, sob as mesmas alegrias e dores, com um monte de outros irmãos. (É isso mesmo, esqueci de mencionar que, para tornar meu estado ainda pior, queremos muitos, muitos filhos). Não queremos uma “produção independente” ou um fruto de “gravidez assistida”. Não o queremos para entregar para que outros criem. Queremos criá-lo! Queremos vê-lo tornar-se santo e dar a nossa vida para que isso realmente aconteça! Oh meu Deus, devo estar maluca!

Você vê a que ponto cheguei? Vê a que ponto me tornei esdrúxula com relação às outras mulheres? Vê o perigo que corro de não ser aceita, de não ser compreendida, de não ser considerada normal?

Você percebe a que ponto influenciei o meu marido a pensar como eu? Percebe como sou um perigo para a sociedade, para o progresso da ciência e para a saúde financeira dos laboratórios, clínicas de fertilização e hospitais? Vê como sou uma ameaça à eugenia disfarçada que estamos a praticar? Vê como sou perigosa para algumas idéias nazistas que se vêm espalhando sorrateiramente? Percebe como me tornei fora da lei do nosso país que, na prática, permite o aborto sob vários disfarces? Entende como sou um perigo para a modernidade relativista, hedonista, individualista? Então, você tem ou não como ajudar-me a não ser tão perigosa?

Você me acusa de irônica, de desrespeitosa, de insolente… seu olhar enche-se de ódio… Ei! … O que está fazendo? Por que esta seringa? Por que este vidro de veneno? … Vai injetá-lo em mim!… É a solução que encontrou?!? Sim, entendo. É preciso matar-me para eu não atrapalhar, não ameaçar, não estragar tudo planejado e gotejado nas consciências há tantas décadas. Sei que não tenho como correr daqui. As portas estão fechadas. Não há janelas. Só você, grande e forte, com a seringa mortífera na mão, nesta sala minúscula.

Você me segura com muita força. Estou imóvel. Sei que você vai me matar. Esta é a solução encontrada: matar. Matar sempre, matar de várias formas, matar sob vários disfarces. Sei que vai me matar. Deus perdoe. Mas, preciso dizer-lhe, esta doença que trago é tão perigosa, é tão poderosa que, quando se mata um portador, ela se espalha, misteriosamente, em milhares de outros. É o vírus que inocula os que se sabem amados por Deus. É bom você catalogá-lo e especificar sua ação antes de acabar comigo, pois não há como constatar sua presença através de exames. Guarde bem o nome em sua memória e digite-o assim que meu corpo cair sem o que você chama de vida. É o perigoso vírus do martírio.

Artigo baseado em texto de Georgette Blaquière
Em “Femmes sélon le Coeur de Dieu”, ed. Fayard

Maria Emmir Oquendo Nogueira

Cofundadora da Comunidade Católica Shalom

em “Entrelinhas” da Revista Shalom Maná
TT @emmiroquendo
Facebook/ mariaemmirnogueira
Coluna da Emmir – www.comshalom.org

bebe de proveta

Desde o nascimento do primeiro bebê de proveta na Inglaterra em 1978, experiências similares através de técnicas cada vez mais avançadas em todo o mundo resultaram em outros 29 mil bebês concebidos de maneira artificial, como parte uma “indústria” que começa a ser cada vez mais questionada por seus protagonistas.

A primeira. Louise Brown é a primeira bebê de proveta do mundo e nasceu como resultado das experiências do professor Robert Edwards e o doutor Patrick Steptoe, os pioneiros britânicos na técnica de unir um espermatozóide e um óvulo para obter um zigoto no laboratório e implantá-lo em um útero feminino. A técnica, alguns anos depois, deixaria de ser empregada somente para “ajudar os casais estéreis” para tornar-se um lucrativo negócio cada vez mais aperfeiçoado cientificamente.

Avanços? Enquanto na concepção natural centenas de milhões de espermatozóides tratam de entrar em um óvulo e finalmente só um – o mais apto – pode fecundá-lo, técnicas como a micro-injeção de esperma dão aos especialistas a faculdade de selecionar qual espermatozóide determinará os traços do bebê. O desenvolvimento desta técnica, que desde 1992 permite a fecundação em um microscópio através da injeção direta de um espermatozóide em um óvulo, fez com que hoje seja muito fácil obter embriões com características específicas embora muitas vidas se percam no caminho.

Se bem no começo os óvulos fecundados eram colocados rapidamente no útero feminino, a criotecnologia desenvolveu métodos para manter vivos os embriões congelando-os até que algum casal decida continuar com seu ciclo de vida. Entretanto, nem tudo é tão simples, pois muitas vezes os embriões não são reclamados por seus “donos” e estes devem ser “desfeitos”, quer dizer mortos.

Um drama. A seus vinte anos, Louise se sente “orgulhosa” de ter a distinção de ser a primeira bebê conseguida por inseminação artificial e afirma que desde os quatro anos – quando soube que era uma filha de proveta – se sente contente de que seus pais tenham recorrido a este métodos para gerá-la e quer tenham repetido a técnica com sua irmã mais nova, Natalie, agora com 16 anos. entretanto, o caso de Louise não se repete com freqüência entre os filhos de proveta, que costumam enfrentar um autêntico drama existencial ao saber sobre sua origem. Um destes é Margaret R. Brown, uma jovem e brilhante estudante de biologia gerada in vitro com a ajuda de um doador anônimo dos Estados Unidos.

Sua história. “Tenho um sonho recorrente: me vejo flutuando em no meio da escuridão enquanto giro cada vez mais rápido em uma região sem nome, fora do tempo, quase não terrenal. Fico angustiada e quero por os pés no chão. Mas não há nada sobre o que plantar os pés. Este é meu pesadelo: sou uma pessoa gerada por inseminação artificial com esperma de doador e nunca conhecerei metade de minha identidade”. Este é o testemunho com o qual Margaret comoveu ao mundo a alguns anos atrás.

O golpe. Após conhecer o modo como foi concebida, Margaret decidiu denunciar o trauma de ser filha de proveta. “Sinto raiva e confusão e me vem milhares de perguntas: De quem são os olhos que tenho? Quem pôs na cabeça de minha família a idéia de que minhas raízes biológicas não importavam? Não se pode negar a ninguém o direito de conhecer suas origens biológicas”.

A fecundação. É muito provável que o processo de fecundação de Margaret tenha começado igual aos outros, com a seleção do doador de esperma, que deve cumprir com as usuais características requeridas pelos virtuais clientes, quer dizer a cor dos olhos, a pele o cabelo.

Segundo afirmou Margaret, de acordo a suas próprias pesquisas, “normalmente são feitas várias provas com um doador diferente de cada vez, fato que torna praticamente impossível determinar quem é exatamente o pai biológico, ainda mais quando depois da doação são eliminados os registros”. Ao mesmo tempo, obtém-se vários óvulos da mãe e então realiza-se a fecundação artificial. “Geralmente são realizadas várias inseminações como se fosse uma espécie de loteria de fecundação para obter melhores resultados”, explica Margaret.

Bebê esquecido. Segundo Margaret, o problema radica em que “a inseminação artificial responde ao interesse da intimidade dos pais e do médico, em vez do interesse da criança… mas um filho não é uma mercadoria nem propriedade, é uma pessoa que tem seus próprios direitos”.

Não conta. Para Jacques Testart, o primeiro pesquisador francês a praticar uma inseminação artificial, este argumento nunca preocupou aos impulsores e empresários da fecundação in vitro, que souberam explorar o desejo de filhos em matrimônios estéreis ou mulheres solteiras para seus próprios interesses.

Há vários anos Testart se opõe rotundamente a estas práticas “porque não respeitam as normas morais e levam a tratar ao ser humano como uma mercadoria e não como uma pessoa”, algo que tristemente se comprova dia a dia a uma escala cada vez maior.

espermatozoide-humano-size-598

Cientistas britânicos afirmam ter criado espermatozóides a partir de células-tronco da medula óssea feminina – abrindo caminho para o fim da necessidade do pai na reprodução.

A experiência vem sendo desenvolvida por especialistas da Universidade de New Castle que, em abril do ano passado, anunciaram ter conseguido transformar células-tronco da medula óssea de homens  adultos em espermatozóides imaturos.

Em entrevista à última edição  da revista New Scientist, Karim Nayernia, um dos pesquisadores envolvidos no estudo, disse que agora os cientistas repetiram a experiência com células-tronco da medula óssea de mulheres, podendo “abrir caminho para a criação do espermatozóide feminino”.

No trabalho, ainda não publicado, Nayernia disse à New Scientist estar esperando a “permissão ética ” da universidade para dar continuidade ao trabalho, que consistiria em submeter os espermatozóides primitivos à meiose, um processo que permitiria a maturação do espermatozóide, tornando-o apto para a fertilização.

“Em princípio, eu acredito que isso seja cientificamente possível”, disse Nayernia.

O estudo, afirma a revista, poderia possibilitar que um dia, casais de lésbicas poderão ter filhos sem a necessidade de um homem, já que o espermatozóide de uma mulher  poderia fertilizar o óvulo da outra.

Fonte: http://portalsantoandreemfoco.com.br/

Nota do Blog Vida sem Dúvida:

É muito importante nos voltarmos para a verdade inscrita na natureza humana no que diz respeito aos aspectos presentes no ato conjugal. Não precisamos de grandes reflexões e análises rigorosas para concluirmos que a reprodução humana tem aspectos intrínsecos intocáveis. Substituir o papel do homem ou da mulher é ferir o cerne da reprodução e arrancar todo seu sentido. A fecundidade do ato conjugal está objetivamente ligada ao fato deste envolver macho e fêmea, cuja transmissão da vida foi confiada por Deus.

Nunca podemos esquecer que, “pela sua estrutura íntima, o ato conjugal, ao mesmo tempo que une profundamente os esposos, torna-os aptos para a geração de novas vidas, segundo leis inscritas no próprio ser do homem e da mulher. Salvaguardando estes dois aspectos essenciais, unitivo e procriador, o ato conjugal conserva integralmente o sentido de amor mútuo e verdadeiro e a sua ordenação para a altíssima vocação do homem para a paternidade… um ato de amor recíproco, que prejudique a disponibilidade para transmitir a vida que Deus Criador de todas as coisas nele inseriu segundo leis particulares, está em contradição com o desígnio constitutivo do casamento e com a vontade do Autor da vida humana. Usar deste dom divino, destruindo o seu significado e a sua finalidade, ainda que só parcialmente, é estar em contradição com a natureza do homem, bem como com a da mulher e da sua relação mais íntima; e, por conseguinte, é estar em contradição com o plano de Deus e com a sua vontade.” (Papa Paulo VI – Humanae Vitae n.12 e 13)

billings

Dra Evelyn Billings AM, de 94 anos de idade, é uma mulher inspiradora com uma longa lista de realizações. 64 anos junto com seu esposo, o Dr. John Billings — ela foi pioneira do Método de Ovulação Billings, a qual ensinou as mulheres, casais, estudantes de medicina e médicos desde a década de 50 em mais de 100 países — de fato, é o único método natural oficial para a regulação da fertilidade na China e foi exitosamente aprovado pela Organização Mundial da Saúde.

 

Também conta com o apoio da Igreja Católica, dada sua metodologia natural para a regulação da fertilidade. Dra. Billings junto com John, que conheceu em uma aula de anatomia enquanto estudava medicina na Universidade de Melbourne foram os médicos pioneiros do método de Ovulação Billings, e também criaram a nove filhos.

 

Leia partes da entrevista concedida em maio deste ano a jornalista Fiona Basile, do diário católico Kairos’s:

 

Olhando em retrospectiva sua vida, o que é que mais lhe surpreende?

 

“Me surpreendi pelo exito do método e do bem que pude fazer ajudando a John em seu trabalho. Ele me pediu que o ajudasse com as pacientes femininas porque este era um território estranho para ele como um homem casado, na realidade, simplesmente por ser homem. Eu sabia coisas que ele não sabia e ele sabia coisas que eu não sabia. Assim que éramos uma verdadeira equipe.”

 

Quais os principais desafios na aplicação e ensino do Método de Ovulação?

Do ponto de vista acadêmico, foi bastante sensível, não tivemos nenhuma oposição entre os estudantes de medicina; cooperavam muito bem. Creio que algumas mulheres estavam mais a favor do que contra da idéia e que estávamos justo nessa etapa da medicina na qual havia grande interesse nos avanços da tecnologia para o controle da fertilidade.

As pessoas confiavam muito na nova tecnologia, apesar de alguns pensarem que estávamos no caminho equivocado e que ficaríamos para traz neste campo. John também tinha muita oposição por parte dos obstetras e ginecologistas que estavam contra sua opinião de que o meio natural era o caminho correto e o melhor caminho a seguir para as mulheres. Porém ele não acreditava nisto simplesmente devido ao ensino da igreja, algumas pessoas entenderam mal, achando que tratava-se de um “método católico”, porém por trata-se de um método biológico. Portanto, pouco importava se o casal era Muçulmano, Hinduísta ou Budista: só queríamos que as mulheres conhecessem sobre si mesmas e que utilizassem este método natural de regulação da fertilidade para seu próprio benefício. Sentimos-nos muito satisfeitos quando as taxas de êxito e evidências falaram por si mesmas.

 

Por que você e Dr. John Billings fizeram este trabalho?

Éramos médicos — era nosso trabalho ver que as pessoas eram saudáveis e felizes. Dava-nos muita felicidade quando ajudávamos aos casais estressados ou que sofriam porque acreditavam que eram inférteis, talvez a mulher tivesse sofrido alguns danos como resultado do uso prévio de métodos tecnológicos, ou talvez simplesmente não entendessem os ciclos naturais do corpo feminino — e logo foram capazes de conceber usando Método de Ovulação. Foi simplesmente maravilhoso. Encantam-me os bebês.

 

Que papel tem a fé em sua vida e trabalho?

Quando me casei me converti de Anglicana para a Igreja Católica Romana. John acreditava que a Igreja Católica tinha a autoridade e a verdade, e nunca se deu por vencido. Não é que eu perdera muito — ao contrário, estava obtendo muito mais. Creio que a fé alimenta a família, é onde fazem e respondem as perguntas. Nestes tempos, encontramos com tantas pessoas que não tem fé. Não crêem que haja uma influência do amor no mundo. Não entendem o principio de amar que simplesmente é buscar o bem da outra pessoa. Agora se todos estiverem de acordo de que está é uma boa ideia e que faz com que o mundo seja um lugar melhor, —não haveria aborto, guerras e as pessoas amariam aos mais débeis, vulneráveis da comunidade.

 

Você e seu esposo se casaram faz 64 anos. Qual é o segredo para um bom matrimônio?

Tem que ser sensato e escolher bem desde o princípio, o matrimônio é uma coisa muito prática. Nem sempre tudo corre com o vento em popa, e algumas vezes, há tempos difíceis. Os votos matrimoniais indicam isto. Mas se realmente ama a uma pessoa, poderão superar tudo. Quando conheci John, ele era muito inteligente, muito amável e cavalheiro, todas essas coisas que realmente necessita uma mulher no homem que ela escolhe.Amar a outra pessoa é buscar seu bem e sua felicidade — isto resume o que eu penso.

 

Trabalhamos estreitamente com Fr. Maurice Catarinich, que sempre dizia: “Deus todo poderoso não deixaria a seu povo sem uma solução e, portanto são as diretivas da igreja a seguir porque são o que faz as pessoas serem felizes”. E nós acreditávamos nisto. Mas é inútil ensinar as pessoas como serem felizes se não lhes damos a verdade e a muitos jovens nesta época não lhes dão a verdade.

 

É necessário estar informado, valente e recordem que a procriação é a tarefa mais importante na vida e o amor é mais forte que o ódio.

 

Dra. Evelyn Billings AM, foi nomeada membro da ordem da Austrália em 1991 e Dama Comandante de São Gregório Magno em 2003. Publicou amplamente sobre o Método de Ovulação, incluindo o Método Billings: controle da fertilidade sem drogas ou dispositivos, que vendeu mais de um milhão de cópias em 22 idiomas. Os Drs. John e Evelyn Billings estabeleceram a Organização Mundial do Método de Ovulação Billings, que segue ensinando o Método de Ovulação em todo o mundo.

 

Para obter mais informações, consulte: www.woombinternational.org

fiv

É bom e normal desejar filhos. Mas… a qualquer custo?

Um em cada seis casais sofrem de infertilidade. Meu marido e eu nascemos em famílias grandes, com muitos irmãos, sobrinhos e sobrinhas. Jamais imaginamos que enfrentaríamos a infertilidade. Aliás, durante os nossos três anos de namoro, discutimos cada possível problema que poderíamos enfrentar: como lidar com finanças conjuntas, como equilibrar família e carreira, como gerenciar conflitos de personalidade, como lavar a louça… Pensamos em tudo, menos no que acabou virando o maior desafio do nosso casamento.

Pois é. E, por isso, nós entendemos muito bem o quanto um diagnóstico inesperado de infertilidade pode ser devastador.

Alice Domar, uma pesquisadora médica de Harvard, relata: “A maioria das mulheres inférteis afirma que a infertilidade é a experiência mais desoladora da sua vida. Mulheres inférteis apresentam níveis de ansiedade e depressão equivalentes aos de mulheres com câncer, aids ou doenças cardíacas”.

Diante desse panorama, procedimentos como a fertilização in vitro (FIV) aparentemente oferecem uma esperança real para quem desesperadamente deseja ter filhos. Neste procedimento, a mulher toma hormônios para estimular os ovários a produzirem muitos óvulos em um único ciclo. Os óvulos maduros são removidos através de aspiração transvaginal (o que é feito sob sedação) ou mesmo mediante cirurgia laparoscópica. Os espermatozoides são coletados do homem, geralmente, através da masturbação. O médico, em seguida, submerge cada óvulo no sêmen, na tentativa de criar embriões. Quando a fecundação ocorre, um ou mais embriões são transferidos para o útero da mulher, na esperança de que ao menos um se implante com sucesso.

A propósito, o que é um “embrião”?

Um embrião é o novo ser que se forma a partir da junção de espermatozoide e óvulo. É uma pessoa humana completamente nova, em estágio muito inicial de desenvolvimento. No ambiente e circunstâncias adequadas, o embrião continuará crescendo: de feto para recém-nascido, bebê, criança, adolescente, até, se sobreviver ao turbilhão da puberdade e do ensino médio, se transformar em adulto. Um embrião, grosso modo, é simplesmente uma pessoa muito, muito jovem.

A maioria das pessoas acha difícil acreditar que possa haver implicações morais e éticas num procedimento médico realizado para atender o natural e bom desejo de ter um filho. Eu tive que explicar a inúmeros amigos e familiares por que optamos por não usar a FIV.

Compartilho, assim, dez coisas que aprendi sobre a FIV (fertilização in vitro) que podem levar alguns casais a repensar esta alternativa:

1. A FIV foge à nossa noção consolidada de paternidade.

A maneira tradicional de gerar bebês envolve a união física de um homem e de uma mulher. Já a FIV, mesmo na sua versão mais básica, envolve outras pessoas nesse ato de criação: médicos e técnicos que recolhem os óvulos e o esperma, os fertilizam em laboratório e os transferem para o corpo da mulher. E ainda podem entrar em cena outros atores: a doadora de óvulos, a “barriga solidária”, o doador de esperma, as crianças concebidas a partir do esperma congelado e armazenado de pais falecidos, as tecnologias envolvendo três conjuntos de DNA que parecem vindas do Admirável Mundo Novo… Talvez nada disso incomode você, mas pode confundir e perturbar as crianças concebidas por FIV: a ciência social sugere que as crianças concebidas a partir da doação de óvulos ou de sêmen relatam crises de identidade e de origem, além de serem mais propensas à depressão e ao abuso de substâncias tóxicas.

2. A FIV é uma forma de eugenia.

Falando de “Admirável Mundo Novo”, a célebre obra de Aldous Husley, já temos versões da “sala de fertilização” e da “sala de engarrafamento”. Será que próxima seria a “sala de predestinação social”? Por que indago isso? Porque, para aumentar as chances de sucesso, a FIV adota procedimentos de diagnóstico e triagem voltados a gerar o “melhor” bebê. No sêmen colhido, por exemplo, são isolados os espermatozoides mais saudáveis e rápidos ou selecionados os que permitem escolher o sexo do bebê. Os óvulos podem ser rastreados para evitar anomalias cromossômicas. E as clínicas de FIV podem usar o diagnóstico genético pré-implantação (DGPI) para detectar condições genéticas e mutações cromossômicas (ou mesmo “traços indesejados”, como o simples fato de o embrião ser uma menina!). Na DGPI, uma ou mais células são removidas do embrião em desenvolvimento e avaliadas a fim de se descobrir alguma característica “indesejável”. Só os embriões “saudáveis” serão usados. Isso pode ser tentador se você está tentando engravidar desesperadamente e quer otimizar as chances de ter um bebê saudável. Mas, ao fazer isso, você estará eliminando bebês “indesejados” na busca de um filho “perfeito”. Acontece que, quando triamos seres humanos adultos, seja com base em deficiência física, em sexo ou em raça, chamamos isso de eugenia…

3. Não conhecemos os efeitos da FIV na saúde das crianças no longo prazo.

A FIV tem sido usada desde 1978. Mais de 5 milhões de crianças nasceram com esse método. Mas não conhecemos plenamente os efeitos da FIV no longo prazo, nem os efeitos dos seus procedimentos de triagem na saúde das crianças. Um estudo apresentado à Academia Americana de Pediatria sugere que há um aumento do risco de defeitos congênitos em crianças nascidas por FIV. Outros riscos associados com a FIV incluem maiores taxas de prematuridade e baixo peso ao nascer.

4. Apesar das promessas, a FIV não é tão bem sucedida assim.

Em 2012, segundo a Sociedade de Reprodução Assistida [dos EUA], só 35,9% dos ciclos de FIV resultaram em gravidez e apenas 29,4% dos ciclos resultaram em nascimento. As taxas de sucesso variam de acordo com a idade da mulher e se os embriões utilizados são descongelados ou frescos.

5. Há um excedente de meio milhão de embriões congelados só nos EUA.

Para aumentar as chances de sucesso, vários embriões (uma dúzia, por exemplo) são criados em cada ciclo de FIV, mas não é seguro nem eficaz transferi-los de uma só vez para a mulher. O resultado é que centenas de milhares de embriões “não usados” acabam “sobrando”. Os casais se perguntam o que fazer com seus embriões “extras”. Só nos Estados Unidos, estima-se que 500 mil embriões estão em criopreservação, aguardando uma decisão final: essa decisão pode ser o uso para implantação (seja na mãe, seja em outra mulher que deseja engravidar mediante a “adoção de embriões”), mas também pode ser o uso em pesquisas científicas ou a destruição.

6. A FIV implica um notável descaso pela vida humana.

O número de embriões que não sobrevivem aos processos de seleção ou de implantação e o dilema dos embriões congelados excedentes indicam claramente que a FIV envolve muito “desperdício embrionário”. Dado o índice de perda de vidas inerente à FIV (rotule-as de “embrionárias” ou do que você bem entender), deveríamos refletir melhor se devemos destruir intencionalmente tantas vidas a fim de criar uma vida ao nosso gosto.

7. A FIV, às vezes, envolve aborto e destruição intencional da vida humana.

Quando vários embriões são criados e transferidos para a mulher, acontece algumas vezes de se implantarem com sucesso mais embriões do que a quantidade segura e desejada. “A redução seletiva” é a técnica usada para diminuir os problemas associados com embriões múltiplos. É isso mesmo: esse eufemismo significa que o médico seleciona um ou mais fetos, saudáveis, já em desenvolvimento, ​​para serem destruídos.

8. A FIV é arriscada para a mãe.

O procedimento obriga a mãe (ou a doadora dos óvulos) a se submeter a um processo de estimulação hormonal para produzir múltiplos óvulos para fertilização. Há riscos como a síndrome da hiperestimulação ovariana e complicações do procedimento de retirada de óvulo. Além disso, devido à maior probabilidade de nascimentos múltiplos, a FIV implica taxas mais altas de complicações na gravidez.

9. A FIV não é um tratamento para a infertilidade.

Uma mulher saudável é normalmente capaz de conceber e ter um filho. Se ela não pode, é provável que haja algo errado ela, médica ou fisicamente. Uma série de condições específicas dessa mulher pode ser diagnosticada e tratada. A FIV não vai ajudar a resolver a infertilidade, porque o seu foco exclusivo é gerar bebês, e não restaurar a fertilidade, nem permitir futuras gestações saudáveis​​, nem prevenir abortos espontâneos, nem ajudar a mulher a garantir benefícios para a sua saúde no longo prazo (quer ela engravide ou não).

10. A FIV reduz mulheres e crianças a objetos.

As mulheres são tratadas como meios para “se obter” uma criança, e não como pessoas integrais. E a criança é tratada como “um produto” a ser conseguido. A indústria multibilionária da FIV combina os piores aspectos da tecnologia e da mentalidade consumista e tem como presa o desejo muito natural (e bom) de ter filhos. Ela também coisifica as mulheres que são exploradas para doar seus óvulos “saudáveis” ou atraídas para ser “barrigas solidárias”. E a criança “produzida” por FIV é coisificada desde a concepção como uma mercadoria intercambiável e até descartável, em vez de ser vista e amada como uma pessoa humana única.

Se a fertilização in vitro preocupa você, como preocupa a nós, quais são as suas opções?

Os casais que enfrentam a infertilidade têm alternativas melhores que a FIV. A Na ProTechnology, por exemplo, considera a infertilidade a partir de uma perspectiva holística e se concentra em diagnosticar e tratar os problemas subjacentes de saúde da mulher (e do homem) que podem estar causando a infertilidade. Bônus: essa abordagem tem uma taxa de sucesso maior do que a fertilização in vitro.
E há, é claro, outras maneiras de se construir uma família, como a adoção, que não envolve o desrespeito imprudente ou intencional da vida humana.

Mas se você já esgotou os tratamentos médicos e acha que a adoção não é para você? E se a fertilização in vitro é a sua última esperança de conceber e ter um filho?

Pode ser difícil de aceitar que isso não vá acontecer… Mas, se você escolher mesmo assim tentar um filho através da fertilização in vitro, é necessário se perguntar a que custo.

Fonte: Aleteia

genetica

Não se sabe quais genes tornam uma pessoa inteligente, mas acredita-se que 50 a 80% do QI de uma pessoa é determinado pela herança genética.

Uma empresa chinesa, a BGI, está abraçando essa ideia, em uma divisão chamada de genoma cognitivo, cuja tarefa é mapear os genes de gênios da matemática. Depois esses dados serão comparados com os da população em geral, isolando aqueles que geram pessoas inteligentes. Ao menos em tese.

Essa técnica poderia ser utilizada para prever a inteligência de um embrião. Uma divisão da BGI faz exatamente isso, testar embriões, ou fertilização in vitro. Isso permitiria que os pais escolhessem o espermatozoide mais esperto da turma, figurativamente.

Stephen Hsu, membro do laboratório da CGI, falou em entrevista à Wired:

A maioria das crianças têm o QI dentro de uma margem de 13 pontos da média do QI dos pais. Duas ou três em cada cem são muito inteligentes. Criar um grande número de embriões permitiria aumentar a probabilidade de gerar uma combinação espermatozoide-óvulo que gere um bebê muito inteligente.

Qualquer semelhança com a eugenia nazista não é mera coincidência, ao menos é o que pensam cientistas ocidentais. A preocupação é que esses dados sejam utilizados para discriminar grupos étnicos, como já aconteceu no passado. Na China no entanto, isso não parece ser um problema, e o governo já abraçou o projeto com financiamento.

Fonte: meiobit

Nota do Blog Vida sem Dúvida:

As consequências eticamente negativas deste tipo de abordagem tecnológica são incalculáveis! O processo de seleção embrionária em busca de embriões cada vez mais adequados às características desejadas pelos pais e a quantidade de seres humanos mortos por não se enquadrarem nos padrões determinados daria origem a uma dupla agressão à inviolabilidade da vida. Por um lado teríamos uma geração de pessoas nascidas cujas características e o patrimônio genético foram previamente selecionados como desejáveis e caso haja falha na escolha e/ou o indivíduo tenha algum distúrbio genético ou desenvolva uma doença tardia, a responsabilidade será dos pais e não uma casualidade natural fruto de um respeito ao processo reprodutivo. Do ponto de vista familiar, este tipo de manipulação pode ser amplamente comprometedor e desgastante. De quem será a culpa pela falha na seleção de características? E se os filhos não corresponderem ao esperado, serão eutanasiados para permitir aos pais uma nova chance sem ônus? E se os filhos sofrerem pelo excesso de expectativa sobre suas vidas, poderão processar seus pais pela manipulação imprópria e desautorizada de seu patrimônio genético?

Além disso, imaginemos a corrida por um “super-filho”, onde milhões e milhões serão gastos por genitores e laboratórios para a geração cada vez mais aprimorada de um ser humano supostamente perfeito. Isso seria catastrófico eticamente. Uma corrida por gênios infelizes e pressionados a dar resultados. A vida humana seria uma mercadoria à venda e valeria mais quanto maior fosse a qualidade de suas características. Laboratórios empenhados numa corrida tecnicista em vista da identificação e seleção de características cada vez mais específicas em vista da obtenção de seres humanos “padrão-ouro”.

Por outro lado, a quantidade de embriões gerados como material biológico experimental e imediatamente descartados por não se enquadrarem nos padrões escolhidos seria muito maior que a quantidade de embriões selecionados. Uma verdadeira fábrica de seres humanos, onde produziriam-se vidas para depois matá-las por não reunirem as características esperadas. É a nova versão do Holocausto!

filhos

Anthony Caruso, endocrinologista reprodutivo: da fecundação “in vitro” aos métodos naturais.

Anthony Caruso era um dos endocrinologistas mais prestigiados de Chicago (EUA). A felicidade dos casais que conseguiam conceber um filho graças ao seu trabalho, criando vida por meio da mistura de esperma e ovócitos em um laboratório, dava-lhe uma grande satisfação.

“Na primeira vez que vi como se produzia uma fecundação, comecei a chorar”, relatou em 2011 à EWTN (Eternal Word Television Network), uma rede mundial de televisão, rádio, serviços de internet e notícias católicas. Hoje, 18 anos depois de começar a praticar a fecundação “in vitro” (FIV), o Dr. Caruso é uma das poucas vozes dos EUA contra as técnicas de reprodução assistida.

Mas o que este médico descobriu, que o fez abandonar a prática que lhe deu tanto sucesso?

“Fazíamos uma festa anual pelos casais que tinham conseguido conceber um filho naquele ano”, contou o Dr. Caruso à revista Misión. Com o passar dos anos, a técnica ia melhorando e a prática “in vitro” se tornava mais eficiente, razão pela qual sua satisfação aumentava – até que algumas dúvidas começaram a surgir em sua consciência.

“Comecei a ver coisas muito estranhas: embriões pertencentes a uma mulher, que não tinham qualidade suficiente, eram transferidos por erro a outra mulher; e, em um dos casos, o embriologista perdeu alguns embriões durante seu transporte, sem que isso o preocupasse. Além disso, com o início do diagnóstico genético pré-implantatório (DGPI), os embriões que poderiam ter sido normais, mas eram classificados de forma imprecisa, estavam sendo destruídos bruscamente”, relatou.

Anthony é católico de nascimento, mas, por divergências com alguns ensinamentos da Igreja, deixou de praticar a religião. No entanto, a instrução sobre bioética, publicada pela Congregação para a Doutrina da Fé em 2008 (“Dignitas Personae”), ajudou-o a perceber melhor o desejo e a necessidade que estava sentido há anos de abandonar este campo.

A confirmação de que deveria proceder assim chegou quando o despediram da Universidade de Chicago, por pressões financeiras. Ao invés de assustar-se ou entristecer-se, Caruso sentiu grande paz. “Senti que a vontade de Deus estava se realizando”, contou.

Por outro lado, ele decidiu pedir demissão como diretor da Associação de Endocrinologia Reprodutiva de Chicago. “Meus colegas me olhavam como se eu tivesse enlouquecido, e muitos amigos me abandonaram”, recordou. Após renunciar ao seu trabalho, foi se confessar: “Reconciliar-me com a Igreja tornou aquele dia um dos mais bonitos da minha vida”, disse.

Caruso tenta agora que seu trabalho seja sempre segundo a vontade de Deus na clínica que acaba de abrir, Downers Grove O B/GYN, que oferece tratamento a casais inférteis usando métodos naturais, em consonância com a Igreja.

Objetivação dos filhos

Mas qual é o pano de fundo ético das técnicas de reprodução assistida? A “Dignitas Personae” ensina que elas são eticamente inaceitáveis, já que desassociam a procriação do contexto do ato conjugal.

A fecundação “in vitro” envolve, além disso, a produção massiva de embriões humanos e a morte de muitos deles. Isso transforma o filho em um instrumento. Caruso relatou que muitas pessoas, “ao chegarem à 24ª semana de gestação, sofrem complicações com sua gravidez, mas acabam dizendo: ‘Não tem problema, jogamos este fora’, porque podem voltar a começar”.

Em sua opinião, o problema radica na contínua secularização da cultura: “O que impera é a atitude do ‘quero tudo, quero agora, conheço o melhor caminho para a minha vida'”. Assim, os filhos se tornam um plano a mais na vida do casal. “Com os avanços na saúde reprodutiva, fazemos dos filhos um produto que pode ser comprado e vendido”, denunciou.

Também o preocupa como se concebe o casamento hoje, pois “já não é tanto a ideia de ‘nós nos amamos e nos doamos mutuamente dentro do plano de Deus’; dão mais importância ao bebê e menos ao relacionamento”. Dessa maneira, “a beleza do amor conjugal diminui, e vai desaparecer se não fizermos nada para evitar isso. Precisamos mostrar às pessoas que os filhos são um presente”, aconselhou.

(Artigo publicado originalmente no último número da revista  Misión)

Fonte: Aleteia

200508986-001

Um número cada vez maior de crianças e jovens, gerados em laboratórios, já não sabem quem são seus pais.

Eu gostaria de lhe perguntar: como você se sentiria se não conhecesse seu pai, ou se soubesse que você tem muitos outros meios-irmãos que também não conhece? Pois bem, isto hoje acontece e muito.Há muito tempo começaram a aparecer os frutos amargos dasfertilizações “in vitro” (FIV, bebê de proveta), desde o começo condenadas pela Igreja, que é “perita em humanidade”, como disse um dia Paulo VI.

Um número cada vez maior de crianças e jovens, gerados em laboratórios, já não sabem quem são seus pais, porque alguns países permitem que os homens sejam doadores anônimos de esperma para os programas de fecundação “in vitro” (FIV).

A Agência de notícias “Zenit.org” (14/12/06), relatou o caso triste da jovem Katrina Clark.

Em 17 de dezembro de 2006, o jornal americano “Washington Post” contou a história desta estudante da Universidade de Gallaudet, com 18 anos, que disse: «não sei nada da metade das minhas origens». Isto é muito triste, a pessoa não conhecer a sua história é algo frustrante e desumano, que pode ter profundas consequências psicológicas.

Clark foi concebida por meio de sêmen de um doador desconhecido, quando sua mãe tinha 32 anos e tinha medo de não conseguir ter uma família de outra forma. Clark denuncia que o debate sobre a fertilização “in vitro” tende a centrar-se nos adultos, sendo que muitas crianças, resultado da FIV, sofrem de problemas emocionais. Ela afirmou que: “É hipocrisia que os pais e os profissionais da medicina assumam que as raízes biológicas não terão importância para os “produtos” de seu serviço de crio-bancos, quando o que em primeiro lugar leva clientes a estes bancos é alcançar uma relação biológica”.

As investigações de Clark a levaram há pouco tempo a descobrir seu pai, mas muitas outras crianças FIV não têm a mesma sorte. Mas, mesmo que descubram quem são os seus pais, é triste saber que foram geradas fora de uma relação de amor entre eles, sendo que isto é o “ato fundante” da vida, para a Igreja. Não se pode dissociar o ato criador do ato de amor do casal. A Igreja ensina que:

“O ato fundante da existência dos filhos já não é um ato pelo qual duas pessoas se doam uma à outra, mas um ato que “remete a vida e a identidade do embrião para o poder dos médicos e biólogos, e instaura um domínio da técnica sobre a origem e a destinação da pessoa humana. Uma tal relação de dominação é por si contrária à dignidade e à igualdade que devem ser comuns aos pais e aos filhos” (Donum Vitae, II,741,5). “A procriação é moralmente privada de sua perfeição própria quando não é querida como o fruto do ato conjugal, isto é, do gesto específico da união dos esposos… Somente o respeito ao vínculo que existe entre os significados do ato conjugal e o respeito pela unidade do ser humano permite uma procriação de acordo com a dignidade da pessoa” (idem, II,4).

O jornal “Daily Telegraph”, da Austrália, também  publicou, em 27 de setembro de 2006, um artigo onde relata a situação de Justin Senk, do Colorado, EUA, que descobriu aos 15 anos que havia sido concebido “in vitro” de um doador anônimo. Senk investigou a sua origem e chegou à complicada conclusão que tinha quatro irmãos e irmãs que viviam em um raio de 25 quilômetros — com um total de cinco crianças nascidas de três mães que haviam se submetido a um tratamento de fertilidade na mesma clínica. A identidade do pai segue sendo desconhecida.

Não é preciso fazer um esforço de reflexão para entender que isto significa a total destruição da instituiçãofamiliar.

Outro caso narrado aconteceu em Virgínia, EUA, onde 11 mulheres tiveram filhos concebidos do esperma de um mesmo homem.  O “Daily Telegraph”, da Austrália.  Calcula que só 30% das crianças concebidas com esperma doado conhece a identidade de seu pai. Isto além de ser uma enorme injustiça e maldade com as crianças, é um fator terrível de destruição da família. E o que será da sociedade sem a família?

Em 11 de agosto, a “Associated Press” descrevia que se criou nos Estados Unidos um “web site”, “Donor Sibling Registry”, para ajudar a identificar aos nascidos com o esperma de um mesmo doador. O site foi criado por Wendy Kramer, para conseguir que seu filho Ryan, também concebido com esperma doado, encontrasse seus irmãos. Por meio dele, uma mãe, Michelle Jorgenson, descobriu que, além de ser pai de sua filha Cheyenne, o mesmo doador teve outros seis filhos, sendo que dois deles sofrem de autismo, e outros dois mostram sinais de disfunções sensoriais.

Segundo a “Associated Press” o site se converteu em um ponto de referência para quem busca informação sobre problemas de saúde perigosos.

Kramer afirma que: “Há pessoas em nosso site que buscam irmãos porque seus filhos têm problemas médicos, para assegurar-se, porque nem sequer diante de uma emergência medica os bancos de esperma permitirão algum contato, o que é frustrante”.

Vemos assim que outro mal das fertilizações “in vitro”, é que  podem gerar e propagar graves problemas de saúde.

No ano passado, o “New York Times” apresentava outro caso de um doador de esperma que transmitiu uma grave enfermidade genética a cinco filhos, nascidos para quatro casais. O artigo, publicado em 19 de maio, observava que não se sabe com exatidão de quantas crianças é pai. As crianças, todas de Michigan, carecem de um tipo de glóbulo branco, o neutrófilo. Isto significa que são muito vulneráveis às infecções e propensos à leucemia. As crianças têm 50% de chance de transmitir o problema genético a seus próprios filhos.

Cada vez há mais pressão para que se permita a utilização da FIV para mulheres solteiras. As clínicas de fertilização “in vitro”, por razões financeiras, pressionam os governos para que as dispense de ter que considerar a necessidade de um pai na hora de oferecer o tratamento, para poderem fazer a inseminação em lésbicas e mulheres solteiras.

Outra pressão acontece agora no sentido de se reconhecer legalmente nos casais do mesmo sexo a ambas as partes como «pais». É a supressão da necessidade de um pai, algo terrível para qualquer filho; é a mais ousada destruição da família.

O jornal “Telegraph”, de Londres, em 08 de outubro de 2006, afirmou que nos últimos anos aumentou de forma notável o número de mulheres solteiras que conceberam através da FIV. No ano passado, 156 mulheres lésbicas receberam tratamento nas clínicas de FIV, quando em 2000 só 36. O número de mulheres solteiras que receberam a FIV subiu de 215 para 536. É o que chamam de “produção independente”. Gera-se a criança, não mais como o fruto do amor de um casal que comprometeu a sua vida um com o outro até a morte, mas como um deleite para a mulher.

O Catecismo da Igreja ensina que o filho é um dom de Deus para o casal (§1652), mas não é um “direito” das pessoas:

“O filho não é algo devido, mas um dom. O “dom mais excelente do matrimônio” é uma pessoa humana. O filho não pode ser considerado como objeto de propriedade, a que conduziria o reconhecimento de um pretenso “direito ao filho”. Nesse campo, somente o filho possui verdadeiros direitos: o “de ser o fruto do ato específico do amor conjugal de seus pais, e também o direito de ser respeitado como pessoa desde o momento de sua concepção”. (§2378)

Começa também a haver uma pressão sobre os Parlamentos para aprovarem a inseminação para mulheres com mais de 40 anos. No ano passado, o médico italiano Severino Antinori ajudou uma mulher de 62 anos a ter um filho, como informou em 8 de julho o “Times”. Patrícia Rashbrook entrou no livro dos recordes como a mãe britânica mais velha. O jornal “The Guardian” informou em 8 maio 2006 , que ao ano nascem mais de 20 bebês de mulheres com mais de 50 anos. Quais serão as implicações futuras disso? Esta mulher tem um organismo adequado para gerar um filho? Será que a natureza errou?

Em 2002, o último ano do qual se tem dados, nas clínicas de fertilidade britânicas foram tratadas 96 mulheres que superavam os 50 anos. Uma quarta parte delas ficaram grávidas.

A Igreja Católica, infelizmente quase que sozinha, levanta a sua voz, em nome de Cristo, para dizer que tudo isto é um grave erro e que esta forma de conceber não é ética: “As técnicas que provocam uma dissociação da paternidade… são gravemente desonestas”, porque elas “lesam o direito da criança de nascer de um pai e de uma mãe conhecidos por ele e ligados entre si pelo matrimônio”. (Catecismo §2376).

Lamentavelmente, como acontece hoje em outras práticas imorais, como no aborto, quem sofre a consequência de tudo isto são as inocentes crianças.  É uma grande violência; é o desrespeito do forte contra o fraco, do adulto contra a criança. Isto ofende gravemente a Deus. É mais um sinal da franca decadência da civilização ocidental, porque rejeitou o Cristianismo que a modelou.

Fonte: Cléofas