É indiscutível que a maior vocação de um casal é ter filhos e educá-los! Os filhos são o maior dom na vida de um casal. Eles nos alegram, dão novo sentido a nossa vida, mudam nossas perspectivas, nos fazem mergulhar num profundo auto-conhecimento e elevam enormemente nossa capacidade de amar e sermos amados!

Mas filhos são dons que recebemos por meio de um ato próprio que nos foi dado por Deus para gerá-los. Não somos seus donos, mas somos responsáveis por sua chegada e esse discernimento passa pelo que chamamos de PATERNIDADE RESPONSÁVEL.

Quando ter filhos? Quantos filhos ter? Como fazer para manter o controle sobre isso sem agir de forma imoral? É o exercício da paternidade responsável que nos ajuda nessa vivência.

A encíclica Humanae Vitae diz o seguinte em seu parágrafo 10:
“Em relação às tendências do instinto e das paixões, a paternidade responsável significa o necessário domínio que a razão e a vontade devem exercer sobre elas.”

Como lidar com as paixões? Como colocar ordem em nossos instintos para que não nos tornemos escravos deles? É preciso ser LIVRE!

Como viver a liberdade diante de nossas paixões e sermos donos de nós mesmos?

Assista e entenda!

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Por Renato Varges

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Quantos filhos devemos ter? Quando ter? Se a decisão é espaçar um pouco os nascimentos, como fazer para viver a necessária e sadia vida sexual de forma lícita e moral, mas evitando a chegada de novos herdeiros?
Quando o assunto é filhos, entra em cena o que chamamos de PATERNIDADE RESPONSÁVEL. É por meio dela que o casal determina os meios e as ações que lançarão mão para decidir a respeito dos filhos, evitando a contracepção e as armadilhas da mentalidade contraceptiva.

 

 

Neste vídeo daremos início a uma sequência onde falaremos sobre a paternidade responsável e tudo aquilo que a envolve para que seja vivida corretamente pelo casal.

A encíclica Humanae Vitae começa sua explicação sobre a Paternidade responsável da seguinte maneira:

Sendo assim, o amor conjugal requer nos esposos uma consciência da sua missão de “paternidade responsável”, sobre a qual hoje tanto se insiste, e justificadamente, e que deve também ela ser compreendida com exatidão. De fato, ela deve ser considerada sob diversos aspectos legítimos e ligados entre si.Humanae Vitae, n.10

Por Renato Varges

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Quando nos casamos, sem dúvida queremos ser felizes e o matrimônio é, por excelência, um caminho de comprovada felicidade e realização para quem é chamado a vivê-lo. Fazer quem nós amamos feliz é um projeto de vida nobre e excelente.

Quando homem e mulher prometem mutuamente uma aliança de amor por toda vida, este compromisso é sacramentado diante de Deus e dos homens e os dois tornam-se UMA SÓ CARNE!

 

Mas, quando é que se consuma o SER UMA SÓ CARNE do casal? No ato conjugal! Ali os esposos se unem, afirmam, renovam, fortalecem e edificam o amor prometido no altar. No entanto, o amor de um casal, na sua expressão mais bela e elevada, realizada por meio do ato conjugal, não está apontado apenas um ou para outro, mas para os frutos desse amor e dessa união. O SER UMA SÓ CARNE DE UM CASAL se concretiza e se expressa na geração e educação dos filhos. Eles são o maior dom na vida de um casal.

A encíclica Humanae Vitae diz no parágrafo 9:
“O matrimônio e o amor conjugal estão por si mesmos ordenados para a procriação e educação dos filhos. Sem dúvida, os filhos são o dom mais excelente do matrimônio e contribuem grandemente para o bem dos pais”.

Neste vídeo explico por que os filhos são este dom tão maravilhoso e excelente. Falo também do sentido que os filhos dão ao matrimônio, à vida conjugal e motivo aos casais que não tenham medo de se abrir aos filhos, pois foi pra isso que se uniram em santo matrimônio!

 

Por Renato Varges
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Como viver o matrimônio sem saber seus reais objetivos? Quando sabemos a finalidade e o objetivo de uma coisa, não nos enganamos sobre a melhor forma como deve ser utilizada para que cumpra sua função. Não utilizamos para outra finalidade, nem destruímos querendo adaptar à outros objetivos.

Sobre os objetivos do matrimônio, a encíclica Humanae Vitae nos ensina que:

“Mediante a doação pessoal recíproca, que lhes é própria e exclusiva, os esposos tendem para a comunhão dos seus seres, em vista de um aperfeiçoamento mútuo pessoal, para colaborarem com Deus na geração e educação de novas vidas.”

  • Matrimônio é fundado no amor conjugal, portanto, na doação pessoal recíproca dos esposos. Esse é um ponto de partida essencial para quem deseja constituir uma família. Quem se propõe a viver a dois, deve crescer na alta vocação humana de doar-se por amor ao outro! Essa é a base da construção de um amor duradouro que não se deixa corromper e enferrujar pelo egoísmo, pelo individualismo, pela auto-centralização. A doação de si é o primeiro e mais importante para a comunhão dos esposos na vida matrimonial.
  • Quando vivemos nessa dinâmica oferta, de abertura ao outro e esquecimento de nós mesmos, cresce no casal e na vida dos esposos o aperfeiçoamento pessoal mútuo, ou seja, a santidade pessoal e familiar. Se engana quem pensa que o casamento é uma instituição natural, voltada apenas para o cumprimento de funções biológicas e de papeis sociais. Matrimônio e família são realidades queridas por Deus e que apontam para o Céu, para a eternidade, para a realização do Homem e da Mulher integralmente em suas mais altas aspirações.
  • A geração e a educação dos filhos são uma continuidade, uma extensão, uma obvia consequência do casal que se dispõe a amar sem medidas. O SER UMA SÓ CARNE se cumpre e realiza no ato conjugal do casal, que é o ápice da expressão amorosa do casal, da mútua doação e acolhimento dos esposos que foi prometido no altar. Este amor sem reservas, sem fechamento, sem egoísmo, sem restrições é logicamente expresso no ato conjugal vivido desta mesma forma – ABERTO A VIDA! Os filhos são dons, frutos do amor e não intrusos que vem de fora para usurpar do casal seu conforto e suas benesses. A geração é só o primeiro passo para o início da formação e educação dos filhos, tarefa nobre e prioritária do casal.

 

Por Renato Varges

Quem é o homem? Qual a sua origem e seu destino? Qual o sentido da vida humana?

Perguntas tão importantes não podem ser respondidas de forma superficial, nem a partir de uma visão utilitarista e materialista do homem! Diante de questões tão decisivas é preciso ter uma visão integral do homem, olhar para suas verdadeiras aspirações e anseios. Sendo o homem um ser de natureza material e espiritual, olhá-lo apenas a partir de uma dessas duas dimensões é reduzi-lo e comprometê-lo em suas mais altas aspirações à felicidade.

Na origem da natureza humana uma sábia e essencial opção do Criador – FAZÊ-LO HOMEM E MULHER PARA VIVEREM NUMA UMA SÓ CARNE!

Isso não é um detalhe! Isso não é acidental, nem opcional! É uma escolha de Deus que aponta seu desígnio de amor para nossa natureza. Deus nos fez para o casamento! Em primeiro lugar para um casamento eterno com Ele, as núpcias do Cordeiro do Apocalipse, e para que compreendêssemos essa vocação altíssima, Deus nos criou vocacionados a um outro casamento, o casamento de Gênesis, de ordem natural, elevado em Cristo à sacramento entre os batizados. Não podemos ignorar que Deus inscreveu em nossa alma a esponsalidade, a inclinação à comunhão de vida, ESSA É UMA BELEZA QUE SÓ ENCONTRAMOS NO AMOR HUMANO! O casamento da terra aponta para o casamento do Céu e de certa forma é uma prefiguração dele.

Por que isso é tão importante? Simples… porque se não entendemos esse plano, essa analogia, faremos do casamento algo infinitamente mais baixo e mais rasteiro, mais mundano e superficial, mais natural e menos edificante do que ele é chamado a ser na sua origem.

O Papa Paulo VI, muito corajosamente, escreveu em 1968, uma encíclica magnífica e absurdamente importante para casados e não casados! Ela se chama Humanae Vitae e fala sobre a Vida Humana e o Controle da Natalidade. Diz o Papa:

O problema da natalidade, como de resto qualquer outro problema que diga respeito à vida humana, deve ser considerado numa perspectiva que transcenda as vistas parciais – sejam elas de ordem biológica, psicológica, demográfica ou sociológica – à luz da visão integral do homem e da sua vocação, não só natural e terrena, mas também sobrenatural e eterna.“(Humanae Vitae, n.7)

O Papa começa o documento falando sobre a origem do amor conjugal, do amor de um casal e revela coisas maravilhosas…

Esse é o primeiro de uma série de publicações e vídeos sobre esse documento tão importante!

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Por Renato Varges

530O Corpo tem regras e a Teologia do Corpo nos ajuda nessa compreensão. Não podemos usar o nosso corpo da forma que bem entendermos como se fossemos nós os donos e os juízes daquilo que é bom ou mal. Não temos liberdade para isso, pois existem uma ordem e uma finalidade intrínseca em nosso corpo que aponta para sua realização. Nosso corpo foi feito para amar e somente buscando o cumprimento desta finalidade seremos verdadeiramente felizes.

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As roupas são comuns a todas as culturas, mesmo nas mais rudimentares. A Teologia do Corpo de João Paulo II mergulha nas Sagradas Escrituras e nos ajuda a entender que nós passamos a usar roupas quando o amor entre homem e mulher, ferido pelo pecado original, perde a pureza e um passa a querer fazer do outro um escravo, um objeto.As roupas, então, tornam-se uma proteção contra um amor doente.

Mas não perdemos a esperança, Cristo redimiu nossa sexualidade. Mesmo feridos pelo pecado, sabemos que, quanto maior o amor entre duas pessoas, menor a ameaça, menor é a vergonha, maior a liberdade, mais livre a pessoa se torna para expor a sua intimidade sem se sentir ameaçada.

No vídeo abaixo isso é explicado de forma ainda mais bela, assista.

Stop_gender-abuse

Grupo de médicos dos EUA emite declaração explicando, cientificamente, por que ideologia de gênero é nociva para as crianças.

Uma associação de pediatras dos Estados Unidos declarou, no último dia 21 de março, através de seu site na Internet, que “a ideologia de gênero é nociva às crianças” e que “todos nascemos com um sexo biológico”, sendo os fatos, e não uma ideologia, que determinam a realidade.

A declaração da American College of Pediatricians expõe 8 razões para os “educadores e legisladores rejeitarem todas as políticas que condicionem as crianças a aceitarem” a teoria de gênero. A iniciativa dos médicos se soma a inúmeras outras, provindas das mais diversas áreas de informação, para conter o que o Papa Francisco chamou de “colonização ideológica”. Em 2010, por exemplo, um importante documentário conseguiu desmontar, pelo menos em parte, a estrutura universitária que financiava essa ideologia na Noruega. O programa trouxe o parecer de vários especialistas, dos mais diversos campos científicos, que expuseram a farsa da teoria de gênero.

Agora, a medicina vem respaldar mais uma vez a verdade sobre a família.

A íntegra da nota escrita pelos pediatras norte-americanos pode ser lida a seguir.

A Associação Americana de Pediatras urge educadores e legisladores a rejeitarem todas as políticas que condicionem as crianças a aceitarem como normal uma vida de personificação química e cirúrgica do sexo oposto. Fatos, não ideologia, determinam a realidade.

1. A sexualidade humana é um traço biológico binário objetivo: “XY” e “XX” são marcadores genéticos de saúde, não de um distúrbio. A norma para o design humano é ser concebido ou como macho ou como fêmea. A sexualidade humana é binária por design, com o óbvio propósito da reprodução e florescimento de nossa espécie. Esse princípio é auto-evidente. Os transtornos extremamente raros de diferenciação sexual (DDSs) — inclusive, mas não apenas, a feminização testicular e hiperplasia adrenal congênita — são todos desvios medicamente identificáveis da norma binária sexual, e são justamente reconhecidos como distúrbios do design humano. Indivíduos com DDSs não constituem um terceiro sexo.

2. Ninguém nasce com um gênero. Todos nascem com um sexo biológico. Gênero (uma consciência e percepção de si mesmo como homem ou mulher) é um conceito sociológico e psicológico, não um conceito biológico objetivo. Ninguém nasce com uma consciência de si mesmo como masculino ou feminino; essa consciência se desenvolve ao longo do tempo e, como todos os processos de desenvolvimento, pode ser descarrilada por percepções subjetivas, relacionamentos e experiências adversas da criança, desde a infância. Pessoas que se identificam como “se sentindo do sexo oposto” ou “em algum lugar entre os dois sexos” não compreendem um terceiro sexo. Elas permanecem homens biológicos ou mulheres biológicas.

3. A crença de uma pessoa, que ele ou ela é algo que não é, trata-se, na melhor das hipóteses, de um sinal de pensamento confuso. Quando um menino biologicamente saudável acredita que é uma menina, ou uma menina biologicamente saudável acredita que é um menino, um problema psicológico objetivo existe, que está na mente, não no corpo, e deve ser tratado como tal. Essas crianças sofrem de disforia de gênero (DG). Disforia de gênero, anteriormente chamada de transtorno de identidade de gênero (TIG), é um transtorno mental reconhecido pela mais recente edição do Manual de Diagnóstico e Estatística da Associação Psiquiátrica Americana (DSM-V). As teorias psicodinâmicas e sociais de DG/TIG nunca foram refutadas.

4. A puberdade não é uma doença e hormônios que bloqueiam a puberdade podem ser perigosos. Reversíveis ou não, hormônios que bloqueiam a puberdade induzem a um estado doentio — a ausência de puberdade — e inibem o crescimento e a fertilidade em uma criança até então biologicamente saudável.

5. De acordo com o DSM-V, cerca de 98% de meninos e 88% de meninas confusas com o próprio gênero aceitam seu sexo biológico depois de passarem naturalmente pela puberdade.

6. Crianças que usam bloqueadores da puberdade para personificar o sexo oposto vão requerer hormônios do outro sexo no fim da adolescência. Esses hormônios (testosterona e estrogênio) estão associados com riscos à saúde, inclusive, mas não apenas, aumento da pressão arterial, formação de coágulos sanguíneos, acidente vascular cerebral e câncer.

7. Taxas de suicídio são vinte vezes maiores entre adultos que usam hormônios do sexo oposto e se submetem à cirurgia de mudança de sexo, mesmo na Suécia, que está entre os países mais afirmativos em relação aos LGBQT. Que pessoa compassiva e razoável seria capaz de condenar jovens crianças a este destino, sabendo que após a puberdade cerca de 88% das meninas e 98% dos meninos vão acabar aceitando a realidade e atingindo um estado de saúde física e mental?

8. Condicionar crianças a acreditar que uma vida inteira de personificação química e cirúrgica do sexo oposto é normal e saudável, é abuso infantil. Endossar discordância de gênero como normal através da rede pública de educação e de políticas legais irá confundir as crianças e os pais, levando mais crianças a serem apresentadas às “clínicas de gênero”, onde lhes serão dados medicamentos bloqueadores da puberdade. Isso, por sua vez, praticamente garante que eles vão “escolher” uma vida inteira de hormônios cancerígenos e tóxicos do sexo oposto, além de levar em conta a possibilidade da mutilação cirúrgica desnecessária de partes saudáveis do seu corpo quando forem jovens adultos.

Michelle A. Cretella, M.D.
Presidente da Associação Americana de Pediatras

Quentin Van Meter, M.D.
Vice-Presidente da Associação Americana de Pediatras
Endocrinologista Pediátrico

Paul McHugh, M.D.
Professor Universitário de Psiquiatria da Universidade Johns Hopkins Medical School, detentor de medalha de distinguidos serviços prestados e ex-psiquiatra-chefe do Johns Hopkins Hospital

corpo

“Deus modelou o homem com as próprias mãos (…) e imprimiu na carne modelada sua própria forma, de modo que até o que fosse visível tivesse a forma divina”. CIC § 704

“Teologia do Corpo” é o título que papa João Paulo II deu ao primeiro grande projeto de ensino de seu pontificado. Em 129 pequenas palestras, pronunciadas entre setembro de 1979 e novembro de 1984, ofereceu à Igreja e ao mundo uma valiosa reflexão bíblica sobre o sentido da corporeidade humana, em especial sobre a sexualidade e o desejo erótico.

O teólogo católico George Weigel descreve esta teologia do corpo como “uma das mais ousadas reconfigurações da teologia católica dos últimos tempos” (…), “algo como uma bomba-relógio teológica, programada para detonar com dramáticas consequências (…) talvez no século 21″. Esta visão nova do amor sexual “apenas começou a tocar a teologia da Igreja, a pregação e a educação religiosa”. Quando, porém, ela se impuser plenamente – prenuncia Weigel- “produzirá um dramático desenvolvimento no modo de pensar, virtualmente, sobre todos os temas importantes do Credo” (WH pp. 336, 343, 853).

DEUS, SEXO E SENTIDO DA VIDA

Por que a reflexão do Papa sobre o amor sexual iria afetar “todos os ternas importantes do Credo?” Porque sexo não é apenas sexo. A maneira corno entendemos e expressamos nossa sexualidade revela as nossas convicções mais profundas sobre quem somos, quem é Deus, o significado do amor, da organização da sociedade e até do universo. Por isso a teologia do corpo de João Paulo II representa muito mais que urna reflexão sobre o sexo e o amor conjugal. Através da objetiva do matrimônio e da união “numa só carne” dos cônjuges – diz o Papa -, descobrimos “o sentido de toda existência, o sentido da vida” (29/10/1980)1.

E o sentido da vida, segundo Cristo, é amar como ele ama (cf. Jo 15,12). Uma das intuições mais importantes do Papa é o de ter Deus gravado esta vocação de amar como ele ama em nossos corpos, ao nos criar homem e mulher e chamando-nos a ser “uma só carne” (d. Gn 2, 24). Muito mais que uma simples nota de rodapé da vida cristã, a maneira como entendemos o corpo e o relacionamento sexual “abarca toda a Bíblia” (13.01.1982). Ela nos imerge na “perspectiva de todo o Evangelho, de todo o ensinamento, de toda a missão de Cristo” (03.12.1980).

A missão de Cristo é restaurar a ordem do amor num mundo seriamente corrompido pelo pecado. E, corno sempre, a união dos sexos encontra-se na base da humana “ordem do amor”. Portanto, o que aprendemos na teologia do corpo apresentada pelo Papa é muito “importante para o matrimônio e a vocação cristã dos esposos e das esposas”. Não obstante, “é igualmente essencial e valioso para a compreensão do homem em geral: para a compreensão fundamental de si mesmo e da sua existência no mundo” (15.12.1982).

Não admira que tenhamos tanto interesse pelo sexo. A união do homem com a mulher é um “grande mistério” que nos leva – se não nos desviarmos do caminho em nossa jornada exploratória – ao âmago do plano de Deus em relação ao universo (cf. Ef 5, 31-32).

O CRISTIANISMO NÃO REJEITA O CORPO

Na área da religião, as pessoas estão habituadas com a ênfase no campo espiritual. Daqui porque muitos sentem-se até desconfortáveis diante do relevo que às vezes se dá ao corpo. Mas, para João Paulo II, esta é uma separação artificial. O espírito, claro, tem prioridade sobre a matéria. No entanto, o Catecismo da Igreja Católica ensina que” sendo o homem um ser ao mesmo tempo corporal e espiritual, exprime e percebe as realidades espirituais através de sinais e de símbolos materiais” (n. 1146).

Como criaturas corporais que somos, esta é, em certo sentido, a única via pela qual nos é dado experimentar o mundo espiritual: no mundo físico e através dele, em nosso corpo e através dele. Deus, ao assumir um corpo na Encarnação, é justamente aqui que, com toda a humildade, se encontra conosco, isto é, em nosso estado físico e humano.

Tragicamente, muitos cristãos crescem pensando que seus corpos (especialmente sua sexualidade) são obstáculos inerentes à vida espiritual. Acham que a doutrina cristã considera a alma como “boa”, e o corpo como” ruim”. Ora, esta maneira de pensar está longe da autêntica perspectiva cristã! A ideia de o corpo ser mau é uma heresia (um erro aberrante, explicitamente condenado pela Igreja) conhecida com o nome de Maniqueísmo.

A denominação vem de Mani ou Maniqueu, criador de uma seita baseada num dualismo, em que corpo e alma estão engajados numa luta sem tréguas entre si. Segundo eles, o corpo e tudo o que fosse ligado à sexualidade devia ser condenado como fonte de mal. Nós, entretanto, como cristãos, cremos que tudo quanto Deus criou é “muito bom”, conforme nos garante a Bíblia (d. Gn 1,31). João Paulo II resumiu assim a distinção essencial: se a mentalidade maniqueísta considera o corpo e a sexualidade um “antivalor”, o cristianismo ensina que eles “constituem um ‘valor que nunca chegaremos a apreciar suficientemente’” (22.10.1980).

Noutras palavras, se o Maniqueísmo afirma que “o corpo é mau”, o Cristianismo responde que, ao contrário, ele “é tão bom que somos incapazes de avaliar toda a sua bondade”.

Então, o problema da nossa cultura saturada de sexo não é propriamente a supervalorização do corpo e do sexo. O problema está em termos falhado na compreensão de quanto o corpo e o sexo são realmente valiosos. O cristianismo não rejeita o corpo! Numa espécie de “ode à carne”, o Catecismo proclama: ”’A carne é o eixo da salvação’. Cremos em Deus que é o criador da carne. Cremos na Palavra feita carne para redimir a carne. Cremos na ressurreição da carne, na consumação da criação e na redenção da carne” (CIC 1015, ênfase do autor).

A SACRAMENTALIDADE DO CORPO

A fé católica – se o leitor ainda não se deu conta – é uma religião bem carnal, sensual. Encontramos Deus mais intimamente através de nossos sentidos corporais e de “tudo” o que constitui o mundo material: banhando o corpo com água, no batismo; ungindo-o com óleo no batismo, na crisma, nas ordens sagradas, na unção dos enfermos; comendo o corpo de Cristo e bebendo seu sangue na Eucaristia; impondo as mãos nas ordens sagradas e na unção dos enfermos; declarando os pecados com nossa boca na confissão, e unindo indissoluvelmente o homem com a mulher em “uma só carne”, no matrimônio.

De que melhor maneira podemos descrever o “grande mistério” dos sacramentos senão dizendo que eles são os meios materiais, através dos quais alcançamos os tesouros espirituais de Deus? Nos sacramentos, o espírito e a matéria como que “se beijam”. O céu e a terra se abraçam numa união sem fim.

O próprio corpo humano, em certo sentido, é um “sacramento”. Usamos aqui a palavra num sentido mais amplo e mais antigo que aquele que estamos habituados a ouvir. Mais do que referir-se aos sete sinais da graça instituídos por Cristo, João Paulo II, ao falar no corpo como um “sacramento”, quer dizer que ele é um sinal que torna visível o mistério invisível de Deus. Nós não podemos ver Deus, que é puro espírito. No entanto, o cristianismo é a religião do Deus que se manifesta. Deus quer revelar-se a nós. Ele quer tornar visível a todos o seu ministério espiritual invisível, de forma a podermos “vê-lo”. Como faz isto?

Quem de nós não experimentou ainda um profundo sentimento de pasmo, de admiração, ao contemplar uma noite estrelada, ou um magnífico pôr-do-sol, ou a delicadeza de uma flor? Em tais momentos estamos, de certo modo, “contemplando a Deus”. Ou, mais exatamente, vendo seu reflexo. Sim, porque “a beleza da criação reflete a beleza infinita do Criador” (CIC n. 341). E, contudo, quem é a coroa da criação? Quem, com mais eloquência que as outras criaturas de Deus, “fala” na beleza divina? A resposta é: o homem e a mulher e o seu chamado a uma comunhão fecunda. “Deus criou o ser humano à sua imagem. À imagem de Deus o criou. Homem e mulher ele os criou. Deus os abençoou e disse: ‘Sede fecundos e multiplicai-vos’” (…) (Gn 1,27-28).

1 As citações tiradas da “Teologia do Corpo” de João Paulo II são indicadas pela data em que foi proferida a palestra.

West, Christopher. Teologia do Corpo para principiantes, Uma introdução básica à Revolução Sexual por João Paulo II.Trad. Cláudio A. Cassola. Ed.Myrian: Porto Alegre,2008.