Essa interrogação e as variações e implicações que dela derivam são respondidas agora por uma nova pesquisa longa e precisa realizada pelo Pew Research Center, entre abril e agosto de 2017, e tornada pública no original em inglês nos últimos dias.

O Pew Research Center é um think tank estadunidense, com sede em Washington, que fornece informações sobre problemas sociais, opinião pública e tendências demográficas sobre os Estados Unidos e o mundo em geral. Realiza sondagens de opinião pública, pesquisas demográficas, análises de conteúdo das mídias e outras pesquisas no campo das ciências sociais empíricas.

O texto que aqui publicamos é uma síntese elaborada pelo próprio centro e é tirada de um relatório acompanhado no original por inúmeros gráficos ilustrativos.

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A Europa ocidental, berço do protestantismo e historicamente sede do catolicismo, tornou-se uma das regiões mais seculares do mundo. Embora a grande maioria dos adultos afirme que recebeu o batismo, hoje muitos deles não se definem como cristãos. 

Porém, na maioria dos casos, os adultos entrevistados se consideram cristãos de fato, mesmo que raramente frequentem a Igreja.

A pesquisa mostra que os cristãos não praticantes (como são definidas no relatório as pessoas que se declaram como cristãs, mas que participam nas funções religiosas apenas algumas vezes por ano) representam a cota mais ampla da população na região em questão.

Em todos os países, exceto na Itália, são mais numerosos do que os cristãos praticantes (ou seja, aqueles que participam das funções religiosas pelo menos uma vez por mês). Os cristãos não praticantes são mais numerosos do que aqueles que não se reconhecem em nenhuma religião (ou seja, pessoas que se identificam como ateias, agnósticas ou “de nenhuma religião em particular”) na maioria dos países incluídos na pesquisa.

Com a palavra, os dados

O estudo do Pew Research Center, realizado sobre mais de 24.000 entrevistas telefônicas com adultos selecionados aleatoriamente, incluindo cerca de 12.000 cristãos não praticantes, revela que a identidade cristã continua sendo uma marca significativa na Europa ocidental, mesmo entre aqueles que raramente frequentam a Igreja.

Não se trata simplesmente de uma identidade “nominal” sem relevância prática. Ao contrário, o ponto de vista dos cristãos não praticantes sobre a religião, a política e a cultura é muitas vezes diferente do dos cristãos praticantes e/ou adultos que não se reconhecem em nenhuma religião.

A identidade cristã na Europa ocidental, de fato, está associada a opiniões mais negativas em relação aos imigrantes e às minorias religiosas. No geral, aqueles que se professam cristãos, frequentam a igreja ou não, são mais propensos a expressar opiniões negativas contra os imigrantes, assim como aos muçulmanos e aos judeus, em comparação com aqueles que não se reconhecem em nenhuma religião.

Por exemplo, 63% dos cristãos praticantes na Itália afirmam que o Islã é fundamentalmente incompatível com a cultura e os valores italianos, opinião compartilhada por 51% dos cristãos não praticantes. Entre os adultos que não se reconhecem em nenhuma religião, ao contrário, a porcentagem de entrevistados que considera que o Islã é fundamentalmente incompatível com a cultura e os valores do próprio país é inferior (29%).

Na Europa, observa-se uma distribuição análoga em relação às limitações para o vestuário das mulheres muçulmanas em público: os cristãos são mais propensos do que as pessoas com “nenhuma religião” a afirmar que as mulheres muçulmanas deveriam poder não usar qualquer indumentária religiosa.

Os cristãos praticantes, os cristãos não praticantes e as pessoas que não se reconhecem em nenhuma religião também diferem em termos de atitude em relação ao nacionalismo.

Os cristãos não praticantes são menos propensos do que os cristãos praticantes a expressar pontos de vista nacionalistas. Porém, são mais propensos do que os entrevistados com “nenhuma religião” a afirmar que a própria cultura é superior às outras e que é necessário ter pais de um país para compartilhar sua identidade nacional (por exemplo, é necessário ter uma tradição familiar espanhola para ser realmente espanhóis).

Na Itália, por exemplo, a maioria dos cristãos praticantes (57%) concorda com a afirmação “os meus compatriotas não são perfeitos, mas a nossa cultura é superior às outras”. Esse percentual cai para 49% entre os cristãos não praticantes, mas, contudo, permanece superior aos 14% dos italianos adultos que não se reconhecem em nenhuma religião que compartilha esse ponto de vista.

Imigrantes e minorias

A pesquisa, que foi realizada após uma escalada dos fluxos migratórios dirigidos à Europa e provenientes de países de maioria muçulmana, fez muitas outras perguntas sobre a identidade nacional, o pluralismo religioso e a imigração.

A maioria dos europeus ocidentais se declara disposta a aceitar muçulmanos e judeus no seu bairro e na própria família, e, em grande parte, não concorda com as afirmações negativas sobre esses grupos. Além disso, no geral, o número de entrevistados que afirmam que os imigrantes são honestos e trabalham duro é maior do que os da opinião contrária.

No entanto, existe um modelo que emerge de modo claro e coerente: os cristãos, tanto praticantes quanto não praticantes, são mais propensos do que os adultos que não se reconhecem em nenhuma religião na Europa ocidental a expressar opiniões desfavoráveis em relação aos imigrantes e às minorias e pontos de vista nacionalistas.

Há também outros fatores que estão fora da identidade religiosa e que estão intimamente ligados a essas posições. Por exemplo, o nível de educação mais alto e o conhecimento direto de uma pessoa muçulmana tendem a se associar a uma maior abertura em relação à imigração e às minorias religiosas.

Além disso, a identificação com a direita política está fortemente conectada com posições anti-imigração. Dito isso, mesmo empregando técnicas estatísticas para levar em conta esses e muitos outros fatores, incluindo idade e sexo, os europeus ocidentais que se identificam como cristãos são mais inclinados a expressar sentimentos negativos sobre os imigrantes e sobre as minorias religiosas do que aqueles que não se reconhecem em nenhuma religião.

Pontos de divergência

Os cristãos não praticantes, os cristãos praticantes e os adultos que não se reconhecem em nenhuma religião mostram outros pontos divergência importantes nessa área geográfica:

– embora afirmando não acreditar em Deus “como descrito na Bíblia”, muitos cristãos não praticantes tendem a acreditar em algum outro poder superior ou força espiritual. Pelo contrário, a maioria dos cristãos praticantes afirmam acreditar na descrição bíblica de Deus. E uma clara maioria dos adultos que não se reconhecem em nenhuma religião não acredita em nenhum tipo de poder superior ou força espiritual no universo.

os cristãos não praticantes tendem a expressar posições mais positivas do que negativas em relação às Igrejas e a outras organizações religiosas, declarando que desempenham uma função socialmente útil, ajudando os pobres e fortalecendo os laços dentro das comunidades. Suas atitudes em relação às instituições religiosas não são favoráveis como as dos cristãos praticantes, mas, em comparação com os europeus que não se reconhecem em nenhuma religião, os cristãos não praticantes são mais propensos a afirmar que as Igrejas e as outras organizações religiosas contribuem positivamente com a sociedade.

– a grande maioria dos cristãos não praticantes, como aquela das pessoas que não se reconhecem em nenhuma religião na Europa ocidental, é favorável ao aborto legal e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Os cristãos praticantes são mais conservadores sobre essas questões, embora, dentro desse segmento, haja um apoio substancial (em alguns países, majoritário) ao aborto legal e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.

– quase todos os cristãos praticantes que são pais ou tutores de menores (com menos de 18 anos) afirmam criá-los de acordo com os princípios cristãos. Entre os cristãos não praticantes, um percentual ligeiramente inferior, que ainda representa a imensa maioria, afirma criar os próprios filhos como cristãos. Por outro lado, os pais que não se reconhecem em nenhuma religião geralmente criam seus filhos sem religião.

Esses são alguns dos principais resultados da nova pesquisa do Pew Research Center. O estudo, financiado pelo The Pew Charitable Trusts e pela John Templeton Foundation, faz parte de um projeto maior do Pew Research Center voltado a compreender a mudança religiosa e o seu impacto nas sociedades em todo o mundo.

Fonte: Settimana News

Vi na televisão um programa sobre a Chapada dos Veadeiros. Surpreso, fiquei sabendo de quantas pessoas vivem ali à espera de um contato com extraterrestres. Um desses devotos dos ETs vive numa verdadeira disciplina ascética, preparando-se para o encontro com os seres de outros planetas; é vegetariano, vive na pobreza e fez voto de castidade; chega mesmo a rezar para eles…

Como é louca a humanidade! Como é desorientada a nossa civilização ocidental! Primeiro, a partir do século XVIII, declaramos que o homem se tornara adulto e emancipado. Era necessário matar toda verdade religiosa e tudo quanto não coubesse na cachola miúda da razão humana. Assim, negou-se toda religião sobrenatural, toda revelação de Deus a Israel e inventou-se, no Ocidente, um deus distante, teórico, Arquiteto do Universo, distante, frio e inútil… Depois, nosso Ocidente negou Deus de vez: era preciso matar Deus – dizia-se – para que o homem vivesse de verdade. Assim, esta nossa civilização ocidental, colocou o homem no trono que pertence somente a Deus.

Esta razão endeusada e este homem no centro de tudo (na escola no ensinaram o absurdo que foi um ótimo negócio passar do teocentrismo medieval para o antropocentrismo do renascimento, como se o homem fosse Deus e Deus fosse apenas um detalhe…) levaram o Ocidente a duas guerras crudelíssimas, com mais 70 milhões de mortos… Depois das guerras (do nazismo em nome da razão, do fascismo em nome da racionalidade, do marxismo em nome da ciência e da história), veio a ressaca: não se crê mais em nada: nem no Deus revelado, nem na razão, nem nas instituições, nem nos grandes projetos…

Agora, não é mais o homem no centro; é somente o indivíduo, sozinho, fechado, egoísta, com uma ilusãozinha, uma moralzinha, um projetozinho, um deusinho segundo a sua imagem e semelhança medíocre e escrava de mil paixões…

No vazio de Deus, na negação do cristianismo, o Ocidente encontra-se perdido – alegremente perdido, bebadamente iludido e inconsciente de sua perdição! Procura-se desesperadamente encher o vazio existencial e encontrar um sentido para a vida no consumismo, no poder a qualquer custo, nas drogas, no endeusamento da natureza, no turismo desenfreado, nas seitas, na promiscuidade, na busca frenética pelo prazer e a autoafirmação… É assim: tire Deus, apague o Cristo da consciência do nosso Ocidente e fica somente o vazio, um homem infantilizado, presa das velhas práticas pré-cristãs…

Era para ser claro, palpável: sem Deus, o homem definha, o homem torna-se menos homem. Fomos, todos nós, feitos para o Infinito, para o Absolutamente Outro, o Eterno, e somente nessa abertura encontramos o Sentido, a Direção, o Eixo da nossa existência. O homem não é fruto da natureza; o homem é fruto do Autor na natureza, que nela impregna um desígnio, um sonho de amor: o homem é imagem de Deus, criado para Deus, com um coração que não se contenta com menos que Deus! Tire Deus e endeuse o que não é Deus; elimine o Deus verdadeiro e torne-se escravo de mil ídolos mentirosos!

O cristianismo, na Antiguidade, vencendo o paganismo, deu ao Ocidente a firmeza conceitual e a clareza de visão da vida e do mundo que permitiram o surgimento de uma civilização que tornou-se planetária. Esse Ocidente volta as costas para o Cristo e torna-se presa de todos os infantilismos e escravidões dos quais o cristianismo o havia libertado: desprezo pela vida humana, adoração infantilóide na natureza, falta de sentido para a existência, angústia, medo do sofrimento e da morte…

Que você, meu Amigo, tenha certeza: ainda haveremos de ver muita coisa! A tolice tem ares de sabedoria; a superstição tem pose de religião; a loucura tem fama de profunda lucidez…

Pobre homem, pobre Ocidente! Quanto precisamos de Deus; quantos temos necessidade daquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida!

Dom Henrique Soares da Costa

Bispo de Palmares, PE

Via Aleteia

O físico teórico Michio Kaku afirmou que ele encontrou evidências de que Deus existe em 2016, e seu raciocínio causou uma agitação na comunidade científica.

Ao responder a uma pergunta sobre o significado da vida e de Deus, Kaku disse que a maioria dos físicos acredita em um deus por causa do design do universo. O nosso é um universo de ordem, beleza, elegância e simplicidade.

Ele explicou que o universo não tinha que ser assim – poderia ter sido feio e caótico. Em suma, a ordem que vemos no universo é evidência de um Criador.
“Eu concluí que estamos em um mundo feito por regras criadas por uma inteligência”, disse o físico, de acordo com a Science World Report . “Acredite, tudo o que chamamos de acaso hoje não mais faz sentido. Para mim, é claro que existimos em um plano que é governado por regras que foram criadas, moldadas por uma inteligência universal e não por acaso “.

Kaku, um dos criadores e desenvolvedores da revolucionária Teoria das Cordas, chegou às suas conclusões com o que ele chama de semi raio primitivo de táquions, que são partículas teóricas que têm a capacidade de “desencadear” a matéria ou o espaço de vácuo entre as partículas, deixando tudo no universo livre de qualquer influência do universo circundante.

O físico explicou que Deus é como um matemático, que é semelhante ao que Albert Einstein acreditava.

Essa idéia não é nova para o Kaku. Em um artigo para Big Think , ele escreveu que sua Teoria das Cordas se baseava na idéia de que estamos “lendo a mente de Deus”.

Essas idéias, sem dúvida, farão explodir as cabeças ateias, porque as pessoas mais inteligentes aceitam que há um Deus, mas os ateístas parecerão tolos.!

Fonte: https://conservativetribune.com/physicist-bombshell-god-like/

Imagine que, no dia de Natal, alguém lhe entrega um presente em uma embalagem linda. Você abre com curiosidade e expectativa, não há nada dentro. Essa deve ser a sensação de quem escuta “The Atheist Christmas Album”, [O Álbum de Natal dos Ateus]. O CD lançado este ano, contém regravações de 12 famosas canções natalinas onde as letras foram mudadas para retirar todas as menções a Deus, Jesus e passagens bíblicas.

A cantora inglesa Tylean Polley, que teve essa ideia, diz que cresceu amando o Natal e as festividades de final e ano. Ela sempre cantava as músicas associadas à data. Porém, quando passou a se declarar ateia, nunca mais se sentiu confortável em cantar músicas religiosas, embora continuasse admirando as melodias.

A cada ano, o mercado lança diferentes álbuns com músicas de Natal. Em 2017, é possível adquirir esse onde “Noite Feliz” só fala sobre família e outras canções religiosas se tornaram ‘seculares’.

Polley disse que teve a ideia quando ouvia um CD de Natal com próprio filho e tentava ignorar as faixas que mencionavam Jesus ou Natal como lembrança do seu nascimento. Decidiu então gravar seu próprio álbum de canções clássicas, mas reformular as letras. Ela acredita que a iniciativa poderá agradar a pessoas que tem a mesma dificuldade.

Em um debate promovido por uma rádio inglesa entre Tylean Polley e o evangelista Glen Scrivener, a militante ateísta disse que Natal é “Apenas uma celebração. Vamos beber e comer e desfrutar da companhia uns dos outros”.

Mas Glen rebateu, lembrando que “Esse espírito festivo é decorrente de uma notícia maravilhosa, que a luz brilhava no meio da escuridão. Portanto, há um sentido maior”.

No entanto, Tylean defende que os ateus podem falar sobre alegria no Natal, não referindo-se a uma luz que vem do além, mas “que vem de dentro”, e demostrarem amor. “Para nós, ateus, as festas [de Natal] são apenas uma oportunidade de mostrarmos o quanto amamos nossas famílias e amigos”.

No final, ela não quis dizer como estão as vendas do álbum, que está disponível em CD e em formato digital. Ele pode ser ouvido aqui. 

Fonte: Premier

Na Coreia do Norte, um país onde “não há crentes”, apesar de um artigo na Constituição garantir a liberdade religiosa, nosso correspondente especial* conseguiu ir à Igreja de Changchung em Pyongyang. A Igreja não tem padre, bispo nem batismo.

A Toyota 4×4 entra no pátio e surge a igreja, sóbria, branca e marrom escuro. A fachada tem uma pequena roseta e uma janela retangular com uma cruz em cima. Dois funcionários aguardam, em clássicos ternos escuros.

No dia anterior, em resposta ao meu pedido, meu guia e acompanhante, Pal, havia ligado para seu assistente para organizar a visita à Igreja Católica de Changchung, na Coreia do Norte, localizada no coração de Pyongyang e construída em 1988.

Eu já tinha visitado dezenas de igrejas na China nos últimos anos, mas foi a primeira vez que vi uma Igreja Católica na Coreia do Norte. Pal confessou que também nunca tinha visitado uma Igreja Católica antes.

Após rápidas saudações, Kim Chol-Un, presidente da Associação dos Católicos na Coreia, apresentou-se, repetindo seu nome cristão: “Francisco, como o Papa.” O Vice-Presidente da Associação, Cha Julio, que é mais novo, abre a porta da igreja. “Por favor”, diz ele, convidando-nos.

Janelas amplas e sem pintura deixam a claridade entrar, iluminando a nave, os dois bancos de cerca de 12 lugares, o caminho da Cruz em ambos os lados e duas pinturas de Maria e José. O coro permanece na sombra, iluminado pela vela do Santíssimo Sacramento, perto do Tabernáculo.

Aqui, “150 a 200 pessoas vêm todo domingo pela manhã para rezar por 40 minutos”, diz Francisco.

“Temos uma cerimônia ritual aos domingos. Por outro lado, ninguém vem durante a semana. O senhor deveria vir no domingo, para conhecê-los”, acrescenta.

Kim Chol-Un explica que ele “preside” a oração. Mas quem são os fiéis?

“São os descendentes distantes dos católicos, e todos têm mais de 60 anos”, diz.

Eles se identificam como católicos?

“Sim, os nossos antepassados nos deixaram o conhecimento como legado”, responde Cha Julio, em inglês perfeito.

“Claro, somos católicos por nossos bisavós, e Pedro havia batizado nossos antepassados”, explica.

“Não há nenhum sacerdote aqui”, reconhece Francisco. “Nós somos autônomos e independentes. Mas os frequentadores foram batizados, caso contrário não poderiam vir”, diz ele.

Batizados por quem?

“Eles batizaram-se uns aos outros desde o início com Pedro”, diz Francisco.

Segundo ele, o Sacramento do batismo, portanto, foi transmitido naturalmente de geração em geração.

Mas como se explica a construção da única Igreja Católica do país, em 1988?

“Nosso líder, Kim Il-Sung, nos libertou do colonialismo japonês. Depois, em 1950, a guerra da Coreia destruiu todas as igrejas e os crentes espalharam-se praticamente por todo o lado”, explica Kim Chol-Un.

Ele não menciona que depois de tomar o poder em 1948, com apoio russo, o movimento de Kim Il-Sung foi de erradicar as religiões.

“Todas as igrejas foram destruídas. Cristãos, católicos e protestantes foram mortos ou enviados para campos”, diz um missionário ocidental que mora há décadas na Coreia do Sul e visitou muitas vezes a Igreja de Changchung.

“Na época, Pyongyang era chamada de Jerusalém do leste. Milhares de católicos moravam aqui. Porém, a cidade foi esvaziada de toda religiosidade. Os poucos missionários estrangeiros, os Maryknolls, foram expulsos e os católicos coreanos foram eliminados”, disse o missionário.

No início da guerra da Coreia, quando as tropas do Norte tomaram Seul em menos de dois dias, dezenas de padres, freiras e outros católicos foram feitos reféns e enviados para o norte, no que ficou conhecido como a “Marcha da Morte”.

“Havia também soldados estadunidenses no grupo, mas a maior parte deles morreu antes de chegar à fronteira com a China, onde foram libertados. Um padre das Missões de Paris sobreviveu, bem como uma freira carmelita francesa e uma irmã de São Paulo de Chartres”, diz o missionário.

Neste contexto histórico desprovido de misericórdia, não é fácil saber se os poucos “Católicos” que são hoje visíveis em Pyongyang foram escolhidos por sua filiação religiosa, mas é difícil acreditar nisso. O padre da Coreia do Sul considera-os “cidadãos escolhidos para realizar essa tarefa aos domingos e para mostrar ao mundo que existe liberdade de religião na Coreia do Norte. São funcionários públicos.”

Francisco, por sua vez, explica que foram eles que expressam o “desejo ardente” de ver uma igreja construída em 1988.

“Quando o governo foi notificado, o Presidente Kim Il-Sung doou terrenos, materiais e dinheiro para a construção”, afirmou.

Segundo Francisco, há 800 crentes em Pyongyang e 3.000 espalhados por toda a Coreia do Norte.

“Mesmo não tendo um padre, eles podem orar de forma independente, em pequenos grupos, em casa”, acrescenta.

Estas figuras circulam no exterior, sempre iguais, mas é impossível verificá-las.

Já as igrejas protestantes sul-coreanas, que são muito anticomunistas, defendem a ideia de uma presença cristã que é clandestina ou reprimida pelo regime.

“Talvez alguns foram batizados em Pequim”, diz o nosso missionário do Sul.

“Não sei. Eu mesmo pude celebrar [a missa] muitas vezes, mas nunca dei a comunhão. Não é possível se não for batizado. Além disso, eles se escondem de nós e não podemos falar com eles”, disse.

Ainda que não seja sacerdote nem diácono, Francisco, que é casado e tem dois filhos, nos garante que lidera os serviços de comunhão com Hóstias consagradas por bispos ou padres sul-coreanos que têm vindo em delegações oficiais com frequência nos últimos anos.

“Um padre estadunidense também vem celebrar a missa, às vezes”, comenta.

“Ele e os sul-coreanos deixam um pouco para nós às vezes, mas não temos mais”, explica.

Ao convidar-nos para entrar na sacristia, Kin Chol-Un orgulhosamente mostra uma foto do Papa João Paulo II recebendo um casal de norte-coreanos em Roma, na década de 80. Um pouco acima, há uma bela foto de um sorridente Papa Francisco, ao lado de uma imagem da Virgem Maria com os olhos puxados, doada por sacerdotes sul-coreanos.

Oficialmente, o Bispo da diocese de Pyongyang é o Arcebispo de Seul. Não há nenhum sacerdote em Pyongyang. Não há sinal ou testemunho de que uma “igreja subterrânea” possa ter sobrevivido às expulsões de 1948. Não há relações diplomáticas entre o Vaticano e a Coreia do Norte, nem qualquer diálogo como o que existe entre Roma e Pequim, onde a situação da Igreja também não é simples.

Francisco orgulhosamente exibe uma magnífica Bíblia (Antigo e Novo Testamento), “traduzida por pesquisadores da Universidade King Il-Sung”. Ele diz que há outra, traduzida pelos sul-coreanos, e outra em latim.

Como esses “crentes” ensinam o catecismo aos seus filhos?

“Não há nada para ensinar, e os jovens não gostam de vir no domingo, mas mantemos nossa igreja viva”, responde.

O fim do dia vem surgindo, lentamente. A visita chega ao fim, mas antes de sair, Francisco tira uma “caixa de coleta” para boas obras, na qual pode-se depositar alguns euros. Kim Chol-Un e Cha Julio fizeram seu trabalho.

Pal nem espera o carro arrancar e já começa a me bombardear com perguntas sobre o Papa, os cardeais, a Cúria Romana, os bispos, os sacerdotes, o batismo, a Bíblia, o catecismo, os sacramentos, os rituais, as regras e a legitimidade ou legalidade do funcionamento da Igreja de Pyongyang.

O jantar é uma longa discussão sobre a Igreja Católica universal, sua história milenar e como ela funciona. Nossas conversas continuam noite adentro…

A reportagem é de Dorian Malovic, publicada por La Croix International.

Parafraseando o título de um conhecido livro, poderíamos dizer que vivemos em uma época de “paixões mornas”. Não “tristes”, como as evocadas por Miguel Benasayag e Gérard Schmit no seu ensaio (publicado em 2004 pela editora Feltrinelli). Ao contrário: “desencantadas”. Interpretadas com realismo. Particularmente pelos jovens. Acostumados a projetar o futuro no seu olhar. E a orientar o nosso. Porque os jovens “são” o futuro. 

Essa é a imagem sugerida pela pesquisa do Observatório Demos-Coop, realizada nos últimos dias e proposta no jornal italiano La Repubblica.

Além disso, a sociedade e, sobretudo, os jovens se acostumaram com o clima de desconfiança que paira sobre nós. Há muitos anos já. Assim, eles o atravessam sem muito medo. Em particular, os “jovens-adultos” (de acordo com os demógrafos), a “geração do milênio”, segundo o Istat.

Em suma, aqueles que têm entre 25 e 36 anos e estão no meio da juventude e da idade adulta. E acumulam a insegurança de quem tem pela frente um futuro repleto de incógnitas e a segurança de quem começou a experimentar os problemas do futuro. É a metáfora de uma sociedade que não aceita envelhecer. Onde muitos, quase todos, gostariam de ficar “jovens para sempre”. Às custas de protelar ao infinito as incertezas dos adolescentes. 

É um aspecto que já observamos outras vezes no passado. Mas hoje ele se repropõe, de modo, se possível, mais marcante. A juventude, de acordo com os italianos, se alonga cada vez mais. Quanto mais os anos passam. 

Entre aqueles que não superam os 36 anos, a juventude acaba um pouco mais tarde: aos 42 anos. Depois, à medida que os anos passam, a juventude também se alonga. Até os 62 anos, para aqueles que superaram os 71 anos. A “geração da reconstrução”. 

Paralelamente, afasta-se também o limiar da velhice. Tanto que, de acordo com os mais idosos, perdão, os “menos jovens”, só nos tornamos “velhos” depois de completar os 80 anos. Não é uma novidade. A nostalgia da juventude leva a negar a velhice. E induz a aceitar ser velho… só depois da morte. 

Porém, todas as vezes eu me surpreendo. Não consigo me dar uma razão para isso. A velhice como desvalor: significa negar a importância da experiência. A maturidade. 

Por outro lado, a idade adulta se restringe cada vez mais. Assim, a nossa biografia se aproxima e opõe juventude e velhice. Uma ao lado da outra. E reduz a idade adulta a uma passagem rápida. Quase ocasional. “Tornar-se grande”, uma promessa esperada, quando eu era criança, hoje parece ser quase uma ameaça. No máximo, nos é concedida a condição de “adultos com reserva” (para citar um belo livro de Edmondo Berselli).

As fraturas geracionais, assim, parecem ser menos evidentes e menos marcadas do que antigamente. Eu mesmo, no fim dos anos 1990, definira os jovens como uma Generazione invisibile [Geração invisível] (Ed. Il Sole 24 Ore, 1999). Para enfatizar a progressiva marginalidade dos jovens, mas, ainda mais, a sua coerência com as orientações dos… adultos. Ou, melhor, dos pais. A tal ponto de não se captarem mais as suas distâncias. Ou seja: as especificidades geracionais. 

Por outro lado, os anos das contestações sociais, mas, antes ainda, familiares – dos filhos contra os pais – estavam longe. Depois, não se repropuseram mais. Ou, melhor: os pais, a família tornaram-se o pretexto que permite que os filhos conduzam a sua transição infinita para a idade adulta. Explica-se principalmente assim a importância atribuída pelos mais jovens às suas relações com a família. Mas, acima de tudo, à independência e à autonomia. Três em cada quatro, entre aqueles que têm até 24 anos, os consideram muito importantes. Em 2003, eram pouco mais de um em cada dois. Sinal evidente de que o apoio da família é necessário, mas, ao mesmo tempo, aumenta a demanda de independência. De crescer e de se autorrealizar. De se afirmar e de “fazer carreira”. Objetivo ambicionado por 41% dos mais jovens: quase 10 pontos a mais do que no início dos anos 2000. Uma esperança que, para ser realizada, os leva a olhar – e ir – para outros lugares.

Os mais jovens, junto com os jovens-adultos, os millennials, são a geração da rede, a geração mais globalizada. Acostumados a se comunicarem à distância. E a se orientarem para “outros lugares”, sustentados pelos pais. E pelos avós. Por isso, não conseguem fugir do sentimento de solidão, que paira sobre toda a sociedade. 

É claro, os jovens-mais-jovens são sustentados e ajudados por redes de amigos mais compactas. Mas os seus irmãos mais velhos, os jovens-adultos, a “geração do milênio”, sofrem mais do que os outros. Na pesquisa Demos-Coop, 39% deles, quase 4 em cada 10, admitem “sentir-se sozinhos”. Por outro lado, a internet e as mídias sociais permitem ficar sempre em contato com os outros. Os amigos. Mas é você, na frente da sua tela. Sozinho. Ou no meio dos outros. A comunicar. Sozinho. Com o seu smartphone.

Assim, as paixões não se tornam “tristes”, mas mais mornas. Porque as próprias “fés” empalidecem. E se perdem.

A política: não interessa mais a quase ninguém. Mesmo entre os mais jovens. Junto dos quais o percentual que considera importante a política não vai além dos 14%. Pouco acima da média geral. Estão longe os tempos da “contestação”. A própria “geração do compromisso” – de 1968 – parece desiludida. 

Elisa Lello, em uma pesquisa publicada há alguns anos, falou de uma Triste gioventù [Triste juventude] (Ed. Maggioli, 2015). Em suma, não há mais fé. Especialmente entre os mais jovens. Isso foi explicado por Franco Garelli, estudioso das religiões muito reconhecido, em um texto de título explícito: Piccoli atei crescono [Pequenos ateus crescem] (Ed. Il Mulino, 2016). 

A pesquisa Demos-Coop confirma isso, já que a religião é considerada importante apenas por 7% da “geração da rede”. Um quarto, em comparação com a população como um todo. Menos de um terço em relação a 2003.

Em outras palavras, “não há mais religião”. Especialmente entre os mais jovens. Assim, torna-se difícil sentir “paixões”. Quentes e até mesmo tristes. Prevalece o desencanto.

E as paixões esfriam. Tornam-se mornas. Porém, convém “crer” nos jovens. Porque, mesmo assim, mais do que todos os outros, eles “creem” na Europa. Porque são o nosso futuro. E, mais do que todos os outros, “creem” no futuro.

A opinião é do sociólogo e cientista político italiano Ilvo Diamanti, professor da Universidade de Urbino, em artigo publicado por La Repubblica,

secularização pode ser definida como o fenômeno por meio do qual a religião perde a predominância na determinação das atividades do dia a dia na vida social e cresce o número de pessoas que se declaram sem religião ou com desafeição às religiões institucionalizadas.

Nessa concepção, a América Latina e o Caribe (ALC) tem passado por um aumento da secularização, pois, além da menor dominação dos símbolos religiosos sobre as instituições, cresce o número de pessoas que se declaravam sem religião que, na média da região, estava em torno de 1% em 1970 e chegou a 8% em 2014.

O Uruguai é o país mais secularizado de todo o continente americano, com 37% da população se declarando sem religião, sendo 10% de ateus e 3% de agnósticos. A laicidade tem uma longa tradição no Uruguai. Em 1861, o governo nacionalizou os cemitérios em todo o país, rompendo o controle que existe pelas igrejas. Logo depois, o governo proibiu as igrejas de ter papel protagonista na educação pública ou emitir certificados de casamento. No século XX, uma nova constituição consagrou a separação entre religião e esfera pública.

O percentual de pessoas sem religião na República Dominicana e entre a população hispânica dos EUA ficou empatado em 18%. Em seguida aparece o Chile com 16% de pessoas sem religião, sendo 2% ateus e 3 agnósticos. El Salvador tinha 12% sem religião. A Argentina com 11% sem religião, sendo 4 ateus e 1% agnóstico. Honduras tinha 10% sem religião, sendo 1% de agnósticos. Costa Rica com 10% de sem religião e 1 agnóstico. Brasil com 8% sem religião e 1% agnóstico. O país menos secularizado era o Paraguai com somente 1% de pessoas sem religião.

No Brasil, o percentual de cristãos (católicos + evangélicos) caiu de 97%, segundo o censo demográfico de 1970, para 96% em 1980, para 92% em 1991, para 89% em 2000 e para 87% no último censo, do IBGE, de 2010. Concomitantemente, o percentual de pessoas que se declaram sem religião passou de 0,8% em 1970, 1,6% em 1980, 4,7% em 1991, 7,4% em 2000 e 8,0% em 2010.

As diversas pesquisas do Instituto Datafolha mostram um crescimento mais acelerado do percentual de pessoas sem religião no Brasil. Em agosto de 1994 havia 5% de pessoas sem religiões no país, passou para 7% em abril de 2014 e para 14% em dezembro de 2016.

Contudo, este número é muito diferenciado nos municípios. Por exemplo, a cidade de Chuí no Rio Grande do Sul, quase na divisa com o Uruguai, é onde o percentual de pessoas sem religião é a mais alta do país, conforme mostra a tabela abaixo. No ano 2000 havia 38,5% de pessoas sem religião em Chuí e este percentual passou para 54,2% em 2010.

Mas há outras cidades no Brasil com alto percentual de pessoas sem religião: Gaúcha do Norte, MT, com 40,1%, Álvaro de Carvalho, SP, com 38,4%, Roteiro, AL, com 38,3%, Barra de Santo Antônio, AL, com 35%.

O percentual de sem religião é maior entre os homens e os jovens que nasceram depois de 1980. Isto quer dizer que a tendência a uma maior secularização deve aumentar na medida em que estas gerações mais jovens envelheçam e o Brasil se torne um país mais plural em termos religiosos.

Além disto o Brasil está abaixo da média do Global Index of Religiosity and Atheism (2012) do WIN-Gallup International, que aponta uma média mundial de 23% para as pessoas que se declaram sem religião e de 13% para os que se declaram ateus. Portanto, o aumento da secularização da ALC está indo na direção de se aproximar da média mundial. Nos EUA o percentual de pessoas sem religião passou de 7% na década de 1990 para 23% em 2014.

Praticamente, em todos os países latino-americanos diminui o percentual de casamentos religiosos e cresce o percentual de casamentos consensuais e, também, o número de nascimentos fora do casamento legal. Por exemplo, segundo o IBGE, no Brasil o percentual de casamentos “civil e religioso” era de 63,8% em 1980 e caiu para 42,9% em 2010. O percentual de casamentos “só religioso” era de 8,1% em 1980 e caiu para 3,4% em 2010.

Mas como mostrou Peter Berger, o crescimento da secularização não se dá em função do fim das religiões, mas sim pelo crescimento do pluralismo.

A diversificação religiosa e o crescimento do Estado Laico fazem com que diversas instâncias da sociedade funcionem de acordo com a lógica da ciência e os critérios lógicos da racionalidade e não em termos de dogmas religiosos. Nesse sentido, na média da região, a América Latina e Caribe, mesmo com ampla predominância cristã, está cada vez mais plural e secularizada.

Referências:

ALVES, JED. Ventos secularizantes: ateus, agnósticos e pessoas sem religião no censo brasileiro de 2010, Ecodebate, RJ, 04/10/2015

ALVES, JED. Chuí: a capital brasileira dos sem religião, Ecodebate, RJ, 06/02/2013

Phil Zuckerman. The Godless Liberal Social Society, Facebook.

Phil Zuckerman. Society without God: What the Least Religious Nations Can Tell Us About Contentment, June, 2010 

PEW. Religion in Latin America. Widespread Change in a Historically Catholic Region, PEW, November 13, 2014 

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Quando se fala em ateísmo militante, talvez o primeiro nome que venha à mente é o de Richard Dawkins, cientista e autor de vários livros sobre a teoria da evolução, como O gene egoísta. Dawkins costuma ser odiado pela comunidade cristã pelos ataques proferidos contra as religiões. Mas eis que o próprio cientista reconhece que o ensino da religião é crucial para que as crianças entendam a história e a cultura.

O biólogo evolucionista e ateu assumido advertiu que era praticamente impossível estudar literatura inglesa sem conhecer os antecedentes do cristianismo. Falando no Festival de Ciências de Cheltenham, ele foi perguntado se os estudos religiosos deveriam ser abolidos nas escolas, com receios de que as crianças estivessem sofrendo lavagem cerebral.

“Eu não penso que a educação religiosa devesse ser abolida”, respondeu. E acrescentou: “Eu acho que é uma parte importante da nossa cultura saber sobre a Bíblia, afinal, muita literatura inglesa tem alusões à Bíblia, se você procurar no Oxford English Dictionary, você encontrará algo como o mesmo número de citações da Bíblia e de Shakespeare. É uma parte importante da nossa história. Tanto da história europeia é dominada por disputas entre religiões rivais e você não consegue entender a história, a menos que você conheça a história da religião cristã e as Cruzadas e assim por diante”.

“Eu não aboliria a educação religiosa, acho que eu a substituiria pela religião comparada e a história bíblica e história religiosa. A religião comparada é muito valiosa, em parte porque a criança descobre que há muitas religiões diferentes, não apenas a que elas foram criadas. Eles aprendem que são todas diferentes e que não podem estar todas certas, então talvez nenhuma delas esteja certa. O pensamento crítico é o que precisamos.

Dawkins, que estava promovendo seu novo livro Science In The Soul, também advertiu que o islamismo era a religião “mais malvada” do mundo e disse que os muçulmanos moderados eram as maiores vítimas da ideologia fanática. “É tentador dizer que todas as religiões são ruins, e eu digo que todas as religiões são ruins, mas é uma tentação pior dizer que todas as religiões são igualmente ruins porque elas não são”, acrescentou.

“Se você olhar para o impacto real que as diferentes religiões têm no mundo, é bastante evidente que, atualmente, a religião mais má do mundo tem que ser o Islã. É terrivelmente importante modificar isso, porque claro que isso não significa que todos os muçulmanos são maus, muito longe disso. Os muçulmanos individuais sofrem mais do Islã do que qualquer outra pessoa. Eles sofrem com a homofobia, a misoginia, a falta de alegria que é pregada pelo islamismo extremo, Isis e o regime iraniano”, disse.

“Então esse é um grande mal do mundo, temos que combatê-lo, mas não fazemos o que o Trump fez quando disse que todos os muçulmanos devem ser excluídos do país. Isso é draconiano, isso é iliberal, desumano e perverso. Eu sou contra o Islã, não menos por causa dos efeitos desagradáveis que tem sobre a vida dos muçulmanos”.

Numa época em que estado laico passou a ser confundindo com estado antirreligioso, que o multiculturalismo passou a significar que nenhuma cultura é melhor do que a outra, que poucos ocidentais demonstram coragem para defender o legado da civilização mais avançada que temos, é digno de nota e dá alguma esperança ver que um ateu militante como Dawkins saiu em defesa não só do ensino do cristianismo para preservar a cultura ocidental, como admitiu a inferioridade do Islã, que tem feito muito mal a milhões de fiéis mundo afora.

A Europa não será salva enquanto os próprios europeus cuspirem em suas raízes cristãs e abraçarem covardemente a islamização do continente. Até um ateu militante sabe disso!

Rodrigo Constantino

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O criador do Facebook, Mark Zuckerberg, anunciou que não é mais ateu, mas de fato vê a religião como “muito importante”.

No dia 25 de dezembro de 2016, Zuckerberg postou uma mensagem “Feliz Natal e Feliz Hanukkah” de sua família aos seus seguidores no Facebook, e nos comentários respondeu a uma pergunta sobre suas crenças pessoais.

Depois que ele postou o comentário, um usuário perguntou: “Mas você não é ateu?” Em resposta, o bilionário de 32 anos respondeu: “Não. Eu fui criado judeu e depois passei por um período em que questionei as coisas, mas agora acredito que a religião é muito importante“.
Quando outro usuário perguntou: “Mas por que o Facebook não notifica que é o aniversário de Jesus hoje ???” Zuckerberg brincou: “Você não é amigo de Jesus no Facebook?“, adicionando um emoji sorrindo com uma auréola.
Desde aquele dia, a resposta de Zuckerberg ao comentário ganhou milhares de likes.

De acordo com o The Atlantic , Zuckerberg foi criado em um lar judeu, mas já se identificou como um ateu em sua página no Facebook. No passado, ele também manifestou interesse no budismo.

No início deste ano, Zuckerberg e sua esposa, Priscilla Chan, encontraram-se com o Papa Francisco para discutir maneiras pelas quais a tecnologia poderia ajudar os pobres. Após a visita, Zuckerberg compartilhou nas mídias sociais sua admiração pela capacidade do Pontífice de se conectar com pessoas de diferentes fés, permanecendo fiel ao seu.

“Priscilla e eu tivemos a honra de encontrar o Papa Francisco no Vaticano. Nós dissemos a ele o quanto admiramos sua mensagem de misericórdia e ternura, e como ele encontrou novas maneiras de se comunicar com pessoas de toda a fé ao redor do mundo”, postou Zuckerberg no Facebook.

“Nós também discutimos a importância de conectar pessoas, especialmente em partes do mundo sem acesso à internet. Nós lhe mostramos um modelo de Aquila, nosso avião movido a energia solar que vai transmitir conectividade à internet para lugares que não têm. E nós compartilhamos nosso trabalho com a Iniciativa Chan Zuckerberg para ajudar pessoas de todo o mundo “, acrescentou.

“Foi uma reunião que nunca esqueceremos, você pode sentir seu calor e bondade, e como ele se importa muito em ajudar as pessoas”.

Apesar de suas opiniões religiosas diferentes, Zuckerberg elogiou Francisco em ocasiões precedentes também.

“Não importa a fé que você pratica, todos nós podemos ser inspirados pela humildade e compaixão do Papa Francisco. Estou ansioso por seguir o Papa – e vê-lo continuar a compartilhar sua mensagem de misericórdia, igualdade e justiça com o mundo”, escreveu Zuckerberg em março.

(via LigadoG)

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Pyongyang já foi o lar de mais cristãos que qualquer outra cidade coreana. Era até a sede episcopal da nação. Tudo mudou no início da década de 1950, quando as autoridades da então recém-separada Coreia do Norte decidiram suprimir oficialmente qualquer tipo de atividade cristã de culto.

Vários grupos de defesa dos direitos humanos estimam entre 50 mil e 70 mil o número de cristãos confinados à prisão ou a campos de concentração naquele país por simplesmente praticarem a sua fé.

Mesmo assim, não é de todo estranho, nesta época do ano, ver árvores de Natal em algumas lojas de luxo e restaurantes de Pyongyang, ainda que desprovidas de qualquer significado religioso.

Agora o ditador Kim Jong-Un deu mais um passo na proibição das celebrações de Natal na Coreia do Norte: ele ordenou que, na noite de 24 de dezembro deste ano, o povo comemorasse o nascimento da sua avó, Kim Jong-Suk, uma guerrilheira comunista que combateu os japoneses e se tornou a esposa do primeiro ditador do país, Kim Il Sung. Ela teria nascido na véspera de Natal de 1919.

Morta em 1949 e considerada a “Sagrada Mãe da Revolução”, Kim Jong-Suk recebe nestas datas a homenagem de muita gente que visita o seu túmulo.

Para ler mais sobre o assunto, confira matéria da Fox News (em inglês).

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Penn Jillette começou sua fama como parte do duo de mágicos Penn e Teller (Penn é o cara que fala). Ultimamente, porém, ele tem sido no centro das atenções como um apaixonado defensor do ateísmo, entre outras coisas.

O que torna essa história sincera tão intrigante.

Alguns anos atrás, Jillette registrou um pequeno vídeo sobre alguém que veio para falar com ele após um de seus shows de mágica. Disse que o indivíduo tinha sua idade e tinha participado em um dos atos como um membro da audiência.

O homem elogiou Jillette no show, então disse: “Eu trouxe isso para você”. O homem deu-lhe um pequeno livro. Era um Novo Testamento com os Salmos, algo que poderia caber no bolso de uma pessoa.

“Eu escrevi na frente”, disse o homem, “e eu queria que você tivesse isso”. O homem explicou que ele era um homem de negócios e não louco.

Jillette, movido pelo gesto do homem, lembrou: “Ele foi gentil, simpático e são, olhou-me nos olhos, falou comigo e depois me deu esta Bíblia”.

“Eu sempre disse,” Jillette explicou, “que não respeito as pessoas que não fazem proselitismo. Eu não respeito. Se você acredita que existe um céu e um inferno, e as pessoas poderiam ir para o inferno ou não ter a vida eterna ou o que quer que seja, e você acha que não vale a pena dizer isso porque isso lhe tornaria socialmente estranho.

“Quanto você tem que odiar alguém por não fazer proselitismo? Quanto você tem que odiar alguém por acreditar que a vida eterna é possível e não dizer isso às pessoas?”

Jillette, em seguida, ofereceu este exemplo para ilustrar o seu ponto: “Se eu acreditasse, sem dúvida, que um caminhão estava vindo em sua direção, e você não acreditasse que o caminhão estava indo para lhe atropelar, há um certo ponto que eu o abordo, e isso é mais importante do que isso. “

“Esse cara era muito bom. Ele era educado, honesto e sã, e se importava o suficiente comigo para fazer proselitismo e me dar uma Bíblia.”

Agora, Jillette ainda é um ateu, e ele queria deixar isso claro: “Eu sei que não há Deus, e uma pessoa educada que vive bem sua vida não muda isso.

“Mas eu vou te dizer, ele era um homem muito, muito, muito bom. E isso é realmente importante. E com esse tipo de bondade, é bom ter essa certa dose de desacordo.

“Eu ainda acho que a religião faz um monte de coisas ruins mas, cara, esse foi um bom homem que me deu esse livro. Era tudo o que eu queria dizer.

Naturalmente, Jillette tem toda a razão sobre a evangelização. Acreditamos realmente no Evangelho? E se crermos, nós amamos aqueles que nos rodeiam o suficiente para compartilhá-los com eles, mesmo que seja socialmente difícil?

Aqui está o vídeo completo de Jillette contando a história:

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Em uma conferência pronunciada no Vaticano, durante o encontro sobre “Ciência e Sustentabilidade”, organizado pela Pontifícia Academia das Ciências, Stephen W. Hawking, físico teórico e professor da Universidade de Cambridge, defendeu o legado científico do padre belga e professor de Física da Universidade Católica de Lovaina, Georges Lemaitre.

Para Hawking, Lemaitre é “o pai do Big Bang”.

A teoria do Big Bang propõe que o universo se encontrava inicialmente em um estado de grande densidade e após uma grande explosão teria entrado em um processo de expansão e esfriamento no qual nos encontraríamos atualmente.

Tradicionalmente, considerou que o pai desta teoria é o físico e astrônomo soviético de nacionalidade estadunidense George Gamow, cujos estudos e pesquisas dão contribuições essenciais para a explicação das origens do universo e da consolidação da teoria do Big Bang.

No entanto, Hawking precisou em sua palestra que “Georges Lemaitre foi o primeiro a propor um modelo no qual o universo teve um começo infinitamente denso. Assim, ele e não George Gamow é o pai do Big Bang”.

Em sua intervenção, o professor Hawking expôs diferentes conceitos e teorias relacionados à origem e natureza do universo, como as ondas gravitacionais, o multiverso ou as micro-ondas procedentes dos instantes anteriores ao Big Bang.

“A evidência científica para confirmar a ideia de que o universo estava, inicialmente, em um estado muito denso, surgiu em outubro de 1965, com a descoberta de um frágil fundo de micro-ondas em todo o espaço. A única explicação possível para este fundo de micro-ondas é que seja radiação procedente de um universo primigênio muito denso e quente. À medida que o universo se expandia, a radiação ia se esfriando, até que ficou o frágil remanescente que podemos detectar hoje”, disse.

Hawking, que se declarou publicamente ateu, viu-se envolvido em inúmeras polêmicas ao negar a existência de Deus e por argumentar que não é necessário recorrer a Deus para explicar a origem da existência.

Em declarações feitas em junho de 2015 ao jornal espanhol El Mundo, defendeu que “no passado, antes de entendermos a ciência, era lógico acreditar que Deus criou o Universo. Mas agora a ciência oferece uma explicação mais convincente”. “Não existe nenhum Deus. Sou ateu. A religião acredita nos milagres, mas estes não são compatíveis com a ciência”, destacou.

Apesar de suas posições contra a existência de Deus, o professor da Universidade de Cambridge já esteve no Vaticano em 2008 para participar de um congresso semelhante sobre a origem do universo e a evolução das espécies.

A reportagem é de Miguel Pérez Pichel e publicada por ACI Prensa, 26-11-2016. A tradução é de André Langer.

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Fidel Castro, formado em instituições educativas jesuítas, rejeitou a Igreja Católica após a Revolução Cubana de 1959 e, por duas décadas, não reuniu com os bispos. Mas depois ele concedeu uma longa entrevista a um frade brasileiro, Frei Betto, e a partir de então deu-se uma proximidade maior entre a Igreja e o Estado cubano – assim como passou haver sinais tentadores de que Fidel estivesse buscando reconciliar-se com sua fé católica.

Quando Frei Betto conheceu Fidel Castro em 1980 na capital nicaraguense de Manágua, os dois tiveram uma longa conversa sobre a liberdade religiosa em Cuba. Esta conversa levou à escrita de um famoso livro, que ajudou a pavimentar o caminho para uma reaproximação entre Igreja e o Estado e, por fim, a visita do Papa João Paulo II.

O livro revelou a complexa relação de Fidel com a religião católica de sua infância, em Cuba da década de 1940, onde, quando criança, estudou com padres jesuítas espanhóis em uma escola privada de elite numa cidade ao sul da ilha, Santiago.

Frei Betto, dominicano simpatizante da Teologia da Libertação e da Revolução Cubana, disse a Fidel em Manágua que o seu Estado comunista tinha, na verdade, três opções: ele poderia ser hostil à Igreja Católica – caso em que ele simplesmente estaria favorecendo o embargo americano imposto ao país –, ele poderia ser indiferente à Igreja ou poderia postar-se em diálogo com as igrejas e outras religiões.

Fidel Castro aceitou que a terceira opção era a certa, e admitiu que não se encontrava com um bispo católico havia 16 anos. Embora o governo revolucionário nunca tivesse rompido com a Santa Sé, ele era, com efeito, um Estado confessional – oficialmente ateu.

No decurso da década de 1980, o líder conduziu lentamente a Revolução em direção ao reconhecimento da presença da Igreja Católica em Cuba, reunindo-se com bispos e permitindo, senão a liberdade religiosa, pelo menos a liberdade de culto.

Quando Frei Betto em 1985 publicou Fidel e a religião, só em Cuba vendeu 1,3 milhão de exemplares e ajudou a estabelecer um novo diálogo sobre a fé na ilha.
O livro revelava que Fidel fora profundamente marcado por uma infância católica e que havia sido criado por uma mãe fervorosa que rezava diariamente e acendia velas aos santos, bem como por tios e tias igualmente devotos.

Aos cinco anos, Fidel foi enviado a Santiago de Cuba por seu pai distante, onde estudou em uma escola dos Irmãos de La Salle (os irmãos lassalistas) e, mais tarde, com jesuítas espanhóis no prestigioso Colégio de Dolores, onde morou e que se tornou para ele numa espécie de família substituta. “Eram pessoas que tinham um grande interesse em seus alunos, em seu caráter e comportamento”, disse Fidel ao Frei Betto. “Eram rigorosos e exigentes”.

A Fidel Castro os jesuítas – pessoas “incomparavelmente superioras”, como ele os descreveu – ensinaram a ter fibra, disciplina e compromisso, traços que mais tarde lhe serviriam bem na Serra Maestra, a cordilheira que durante anos foi usada como base guerrilheira para a preparação à revolução que acabaria por derrubar o ditador Fulgencio Batista.

O livro de Frei Betto mostrou que o rompimento dele com a Igreja era essencialmente de ordem política. Ele considerava a Igreja Católica dos anos 40 e 50 uma instituição socialmente ‘reacionária’ que defendia a ordem social vigente e que, aos olhos de Fidel, tolerava e justificava as grandes desigualdades e injustiças de sua época.

Contudo, os guerrilheiros que ele liderou na década de 1950 não eram, na maioria, ateus: eles até mesmo tinham um capelão, designado pelo bispo para batizar os bebês nascidos em Sierra Maestra e para enterrar os revolucionários mortos. (O Papa João XXIII inclusive autorizou o capelão, Guillermo Sardiña, a usar uma batina verde-oliva.)

Mas na medida em que a revolução se tornava ateia e comunista, e na medida em que o clero se voltava contra ela, na política binária de Fidel a Igreja era inimiga da revolução. Muito embora, como mais tarde ele insistiria, a revolução nunca fora (diferentemente, digamos, no México) antirreligiosa e nenhum sacerdote fora morto pelo Estado comunista, a repressão impingida foi brutal.

Em 1961, Fidel teve fechada sua antiga escola e os jesuítas foram expulsos do país. O clero foi reduzido a apenas 200 em toda a ilha, e frequentar a missa passou a ser visto como um ato subversivo.

A entrevista de Frei Betto paira constantemente sobre a questão da ruptura de Fidel com o catolicismo, e implicitamente indaga sobre se ele teria sido um revolucionário anticlerical caso tivesse tido a sua formação católica após o Concílio Vaticano II e [após a Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano] de Medellín.

Essa pergunta nunca fica, na verdade, respondida. Mas Frei Betto demonstra um Fidel que com uma visão de Igreja essencialmente da década 1950; traz também a animação dele para com os desenvolvimentos ocorridos desde a década seguinte, sobretudo com a tentativa de aproximação da análise social marxista com o Evangelho em alguns ambientes de Teologia da Libertação.

A publicação de Fidel e a religião ajudou a superar parcialmente a profunda hostilidade entre católicos e marxistas, e fez com que os próprios cubanos iniciassem um diálogo sobre fé e revolução.

Após da queda da União Soviética, a Constituição de 1992 declarava que Cuba não era mais oficialmente um Estado ateu e a liberdade de culto foi restaurada. Nas terríveis dificuldades que se seguiram à perda de 5 bilhões de dólares em subsídios soviéticos – ironicamente os cubanos chamam isto de “o período especial” –, a Igreja tornou-se novamente uma presença significativa; o número de clérigos dobrou de tamanho.

Embora Fidel tivesse mantido a Igreja, como todas as instituições da ilha, sob forte controle (os seminários e as casas religiosas em Cuba contavam com grandes parcelas de informantes do governo), ele aos poucos veio a considerá-la um parceiro, em vez de inimiga. Porém jamais se livrou da suspeita de ser o catolicismo um rival, um organismo socialmente conservador com ambições políticas que precisavam ser mantidas em xeque.

Um desenvolvimento importante ocorreu na visita de João Paulo II em janeiro de 1998, pontífice que exortou Cuba a abrir-se ao mundo e vice-versa, pedindo democracia e direitos humanos ao mesmo tempo criticando duramente o embargo americano.

Em sua biografia papal intitulada “Testemunho de esperança: a biografia do Papa João Paulo II” [Bertrand Editora],  George Weigel lembra que Fidel, nesta visita, “combinou uma deferência marcante para com o papa juntamente com uma propaganda política antiamericana contínua”, ao mesmo tempo parecendo a alguns observadores “como um homem que queria, de alguma forma, ir ao confessionário, à única pessoa no mundo a quem seu ego lhe permitiria se confessar”.

A visita foi acompanhada por gestos significativos como a libertação de 100 prisioneiros e a restauração do Natal como feriado. Mas a visita fez inicialmente pouca diferença nas relações entre a Igreja e o Estado. Foi só em 2002 que o regime finalmente convidou os 13 bispos da ilha para conversar.

Depois disso, as conversas entre a Igreja e o Estado tornaram-se muito mais fluidas e foram aceleradas a partir de 2008 com Raúl Castro. Aos poucos, a Igreja emergia como o maior agente da sociedade civil e o principal provedor social não estatal em Cuba, conquistando uma autonomia significativa apesar de controles rígidos.

Em tudo isso, a fé pessoal de Fidel permaneceu um mistério. No entanto, abundavam rumores quanto a uma reaproximação do líder com a religião que recebera na infância.

Nas vésperas da visita do Papa Bento XVI, houve rumores de que Fidel estaria procurando um retorno à Igreja. O jornal La Repubblica citou uma figura de alto escalão do Vaticano segundo o qual Fidel estava no final de suas forças e que “neste último período ele se aproximou mais da religião e de Deus”.

O jornal também citou a filha de Castro, Alina, que pareceu confirmar a informação. “Fidel se aproximou mais da religião: ele redescobriu Jesus no fim de sua vida. Isso não me surpreende porque o pai foi criado pelos jesuítas”.

Se Fidel recebeu Bento XVI em 2012, nunca foi tornado público, e não houve rumores de uma conversão quando Francisco encontrou-se com o adoentado Fidel de 89 anos em 2015 durante 40 minutos, num momento informal em que ambos claramente desfrutaram o momento – a julgar pelas fotos divulgadas pelo filho de Fidel, Alex.

Os presentes que o papa deu almejaram claramente ajudar a El Comandante a fazer as pazes com o seu passado. Enquanto o líder cubano deu a Francisco um exemplar de sua entrevista ao Frei Betto, Fidel e a religião, o papa deu a Fidel vários livros, inclusive alguns escritos pelo padre italiano Alessandro Pronzato, cujo primeiro livro (de 1965) intitula-se “As fronteiras da misericórdia”.

O papa também lhe deu um livro e um CD de homilias do padre jesuíta Amando Llorente, sacerdote espanhol que lecionou a Fidel Castro na infância na década de 1940 e que permaneceu em contato com ele mesmo depois de este ter deixado a escola. Llorente estava entre os que Fidel expulsara em 1961, e que, de Miami, revelou certa vez que o líder cubano havia dito que era um pai substituto.

Esse lado mais bondoso e vulnerável de Fidel – o filho solitário que sentia a falta do pai, que se voltava para a piedade de sua mãe enquanto dirigia-se para política revolucionária – raramente foi visto em público, mas talvez Francisco o tenha percebido.

Os presentes do papa eram textos adequados, pode-se dizer, para um homem que olhava em retrospectiva uma vida e uma carreira política caracterizadas por um gênio carismático, mas carente de misericórdia, especialmente para com aqueles que foram vistos como seus opositores.

O progresso da alma de Fidel desde então está, em geral, envolto em mistério, exceto por um artigo tentador – para não dizer divagante – que ele escrevera recentemente para o Granma, jornal comunista oficial de Cuba.

Intitulado “O destino incerto da espécie humana”, o artigo de 9 de outubro observa como “há muito mais qualidades nos princípios religiosos do que os que são unicamente políticos” e que também “muitas das obras artísticas mais inspiradas nasceram de mãos de pessoas religiosas”. Ao notar que as grandes realizações da ciência não excluem teorias do Deus que cria o universo, o artigo de Fidel reconhece a importância das religiões para a humanidade.

O texto mostra pelo menos que a religião era um tema que perpassava seus pensamentos nestes últimos momentos de sua vida.

Ele conclui dizendo que conhece bastante sobre Jesus Cristo pelo que lhe ensinaram as escolas jesuítas e lassalistas, e de como se lembra das histórias bíblicas de Adão e Eva, da Noé e a Arca, bem como “do maná que caía do céu quando pela seca ou outras causas havia escassez de alimentos”.

Eis uma história interessante a se pontuar na Bíblia, sendo um exemplo onde as necessidades do povo não foram satisfeitas pelo livre mercado nem pelo planejamento central socialista, mas pela providência de um criador benigno.

Ele acrescenta: “Tratarei de transmitir em outro momento mais algumas ideias sobre este singular problema”.

Ele jamais tentou, e a fé de suas horas finais irá provavelmente permanecer, para sempre, um mistério.

Austen Ivereigh, doutor em filosofia pela Universidade de Oxford, publicado por Crux, 26-11-2016.