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11 fatos sobre as bizarras imposições a venerar retratos e estátuas, entregar-lhes flores, considerá-los divinos e salvá-los de incêndios.

Com a Coreia do Norte ocupando cada vez mais espaço nos telejornais e nos sites de notícias devido às ameaças de ataque nuclear do ditador Kim Jong-Un contra os Estados Unidos, volta à tona, em vários meios de comunicação, a brutal realidade a que é submetida a população desse país, forçada a idolatrar os seus ditadores como se fossem deuses, ao mesmo tempo em que toda e qualquer outra forma de religião é violentamente perseguida.

Elencamos abaixo alguns dados que esboçam o atual panorama “religioso” da Coreia do Norte, um país oficialmente ateu, mas que, na prática, é obrigado a cultuar o ditador, o pai dele e, principalmente, o avô e fundador do país, Kim Il-Sung.

É muito significativo recordar que Pyongyang, a capital da Coreia do Norte, já foi conhecida como “Jerusalém do Oriente” por conta do intenso e sólido crescimento do cristianismo na região a partir do século XIX. As atuais duas Coreias ainda estavam unidas naquela época. No início do século XX, quando a península coreana caiu sob o domínio do Japão, os cristãos tiveram papel de primeira grandeza nos movimentos de independência. Mas, com a separação entre norte e sul, piorou dramaticamente, na Coreia do Norte, a situação dos cristãos – e dos crentes de quaisquer outras religiões que não sejam esse culto personalista a Kim Il-Sung e à sua dinastia.

1 – O próprio Kim Il-Sung, fundador da Coreia do Norte e avô do atual ditador Kim Jong-Un, nasceu de família cristã, mas passou a perseguir o cristianismo para garantir o próprio poder absoluto. Com o apoio da União Soviética, ele seguiu o modelo ateísta impositivo dos regimes comunistas e proibiu todas as religiões, fechando igrejas e templos e destruindo livros sagrados.

2 – Em 1955, Kim Il-Sung começou a impor aos norte-coreanos uma ideologia chamada “juche“, que consiste num culto a ele próprio e que exige fidelidade irrestrita e até mesmo alguns rituais. Na prática, a juche funciona como uma religião em que o próprio Kim Il-Sung é um deus a ser adorado.

3 – Kim Il-Sung é apresentado e reverenciado até hoje, mesmo depois de morto, como o “Eterno Presidente” da Coreia do Norte.

4 – Venerado à força como um ser divino e infalível, ele conta com nada menos que 40.000 estátuas em sua homenagem, espalhadas por todo o país e às quais a população é obrigada a oferecer flores no início de cada ano.

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5 – Aliás, a contagem dos anos, na Coreia do Norte, parte justamente do nascimento de Kim Il-Sung. 2017, por lá, é o juche 106, porque esta seria a idade do fundador caso ele estivesse vivo hoje em dia.

6 – De acordo com as versões oficiais da “história”, que fazem as vezes de “escritura sagrada” para a população supostamente ateia, um arco-íris duplo pintou os céus e uma nova estrela foi registrada no universo no dia em que nasceu Kim Jong-Il, o filho de Kim Il-Sung, em 1942.

7 – É obrigatório que todas as residências norte-coreanas exibam na sua sala um quadro com a foto de Kim Il-Sung e do seu filho Kim Jong-Il. Além de estarem expostos em local privilegiado, esses retratos devem estar sempre perfeitamente limpos. Para fiscalizar o cumprimento deste “mandamento”, é frequente que a polícia invada as casas sem mais nem menos.

8 – O livro “Persecuted“, de Paul Marshall, Lela Gilbert e Nina Shea (2013) aborda a perseguição contra os cristãos em todo o mundo na época atual. Entre os depoimentos registrados, o texto traz o de um refugiado norte-coreano que testemunha o seguinte sobre os tais retratos dos ditadores: “Se um edifício pegar foto, as pessoas têm que demonstrar a sua fidelidade correndo para salvar os retratos antes de qualquer outra coisa” – inclusive antes de salvarem a si próprias.

9 – Se um norte-coreano é flagrado com uma Bíblia ou cultuando qualquer divindade, o regime o manda, no melhor dos casos, para um campo de trabalhos forçados; no pior dos casos, o “transgressor” é simplesmente condenado à morte. Os familiares, além disso, podem ser castigados durante nada menos que três gerações.

10 – Mesmo assim, como sempre aconteceu desde os primórdios da fé em Cristo, os cristãos na Coreia do Norte vivem a fé clandestinamente e rezam às escondidas, seja individualmente, seja com pequenos grupos, no geral compostos por familiares. Estas informações são confirmadas por cristãos que conseguiram escapar da brutal ditadura norte-coreana, como é o caso dos que dão o seu testemunho no seguinte vídeo da organização Open Doors, ao final desse artigo.

11 – Recentemente, o atual ditador Kim Jong-Un proibiu a celebração do Natal e mandou celebrar o nascimento da sua avó (!) Ele simplesmente substituiu o nascimento de Jesus pelo da “Sagrada Mãe da Revolução”.

Aleteia

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“Produzimos alimento para a alma”, resume à agência Lusa Qiu Zhonghui, presidente da empresa Amity Printing, fundada em 1987, com o objetivo de responder à procura interna de bíblias, depois da destruição em massa de exemplares durante a Revolução Cultural (1966-76).

Na maior fábrica de bíblias do mundo, na costa leste da China, as sagradas escrituras são impressas por operários fardados de azul, em mais de uma centena de línguas.

Pequim e a Santa Sé não têm relações diplomáticas e as manifestações católicas na China são apenas permitidas no âmbito da Associação Patriótica Chinesa, a igreja aprovada pelo Governo e independente do Vaticano.

Convictamente ateu e marxista, o Partido Comunista Chinês (PCC) proíbe os seus membros – mais de 80 milhões – de seguir qualquer religião, enquanto apela aos católicos do país para aderirem ao “socialismo com características chinesas” e funcionarem “independentemente” de forças externas.

A tradição antirreligiosa do país remonta à Revolução Cultural, uma radical campanha política de massas lançada pelo fundador da China comunista, Mao Zedong durante a qual “queimaram-se muitos livros, incluindo bíblias”, explica Qiu Zhonghui.

Na época, todos os chineses tinham que ler diariamente o ‘Livro Vermelho’ – um manual de educação política com as citações de Mao, que ultrapassou os 5.000 milhões de exemplares.

Após a morte do líder comunista, “as igrejas começaram progressivamente a reabrir, mas o problema que surgiu então foi: não havia bíblias”, lembra Qiu Zhonghui.

Desde 2003, a Amity Printing Co. começou também a produzir para o mercado externo e, das treze milhões de bíblias impressas pela empresa no ano passado, nove milhões foram para exportação.

Só em África, onde outrora Mao Zedong inspirou dezenas de movimentos comunistas, Qiu calcula que “entre 65% e 70% das bíblias foram impressas” pela Amity.

Nas instalações da fábrica, a cadência das máquinas é acompanhada pelo trabalho manual de centenas de operários, que completam a encadernação, fazem controlo de qualidade e empacotam as bíblias.

Toneladas de cópias das sagradas escrituras, em dezenas de línguas – do árabe ao português -, estão ordenadas em paletes, prontas a embarcar.

À entrada, um ecrã vai atualizando, ao ritmo de uma por segundo, o número de bíblias impressas desde a abertura da fábrica – no início de abril, superava já os 160 milhões de exemplares.

Para alguns operários, o contacto com Deus na linha de montagem resultou mesmo na conversão à fé cristã.

Xiao Sheng, de 47 anos, começou a trabalhar na fábrica em 2008. Hoje, vai à missa todos os domingos.

“A sociedade precisa de crer em Deus”, diz a operária, referindo-se aos “fenómenos negativos”, nomeadamente “a corrupção entre os funcionários do partido [comunista]”, gerados pelo trepidante crescimento económico da China nos últimos trinta anos.

O marido de Xiao é membro do PCC, não foi batizado e diz ser ateu, mas vai à igreja com a esposa e gosta de a ouvir a ler a bíblia.

“Não é crente, mas também não rejeita” os ensinamentos de Deus, explica Xiao.

O budismo, que chegou à China oriundo da India, continua a ser dominante, mas o cristianismo é a religião que mais tem crescido no país.

Oficialmente, o número de cristãos na China continental rondará os 24 milhões, o que não chega a 2% da população. A Academia Chinesa de Ciências Sociais estima que haja cerca de 130 milhões de cristãos ligados às chamadas “igrejas clandestinas”.

A acompanhar o ‘boom’ do número de crentes, a Amity inaugurou em 2008 novas instalações, com capacidade para imprimir 18 milhões de bíblias por ano.

“Precisamos de duas décadas para chegar ao marco das 50 milhões de impressões”, recorda Qiu. “Mas atingimos as 100 milhões em apenas cinco anos”.

Mundo ao minuto.

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O ritual com o qual Cuba celebra a morte de Fidel Castro é a demonstração plástica de que o comunismo não é política, mas religião. Os nove dias de luto nacional (nove como os dias de novenas, inspirados nos nove dias de oração dos Apóstolos e de Maria entre a Ascensão e Pentecostes), as cinzas levadas em procissão por todo o país (como as estátuas da Virgem Maria peregrinas transportadas em rotas pré-determinadas), a abertura de um mausoléu ao público onde será possível visitar os restos mortais do defunto (verdadeiro santuário onde ativistas cubanos e internacionais rogarão a Fidel para que cuide de seus entes queridos, como acontece em Predappio no túmulo de Mussolini) são a cópia precisa de um culto religioso.

Discute-se se Castro foi um ditador mais cruel ou mais benéfico, mas tal discussão se desloca de um ponto de partida redutivo: antes mesmo de ditador, o líder máximo foi o chefe institucional de um sistema totalitário. E sistemas totalitários nada mais são do que a versão secularizada das religiões. Como toda religião, precisa de um cabeça visível no qual coincidem autoridade e carisma e que é oferecido para a veneração dos fiéis. De modo que o totalitarismo dos últimos dois séculos necessita que as massas se dediquem ao culto idólatra do líder, no qual colocam a sua fé e por quem estejam dispostos a morrer.

Fidel, como outros tiranos dos últimos 90 anos, gozou do consenso das grandes massas porque uma vez perdida a fé na religião transcendente, as massas têm necessidade de um ídolo no qual derramar sua devoção religiosa. Com Fidel Castro, morreu o papa do comunismo. Mas, como diz Alonso Muñoz Perez, enquanto com a morte do papa segue-se um conclave, o papa comunista escolhe para si o seu sucessor.

FratresInUnum.com:

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Fidel Castro, formado em instituições educativas jesuítas, rejeitou a Igreja Católica após a Revolução Cubana de 1959 e, por duas décadas, não reuniu com os bispos. Mas depois ele concedeu uma longa entrevista a um frade brasileiro, Frei Betto, e a partir de então deu-se uma proximidade maior entre a Igreja e o Estado cubano – assim como passou haver sinais tentadores de que Fidel estivesse buscando reconciliar-se com sua fé católica.

Quando Frei Betto conheceu Fidel Castro em 1980 na capital nicaraguense de Manágua, os dois tiveram uma longa conversa sobre a liberdade religiosa em Cuba. Esta conversa levou à escrita de um famoso livro, que ajudou a pavimentar o caminho para uma reaproximação entre Igreja e o Estado e, por fim, a visita do Papa João Paulo II.

O livro revelou a complexa relação de Fidel com a religião católica de sua infância, em Cuba da década de 1940, onde, quando criança, estudou com padres jesuítas espanhóis em uma escola privada de elite numa cidade ao sul da ilha, Santiago.

Frei Betto, dominicano simpatizante da Teologia da Libertação e da Revolução Cubana, disse a Fidel em Manágua que o seu Estado comunista tinha, na verdade, três opções: ele poderia ser hostil à Igreja Católica – caso em que ele simplesmente estaria favorecendo o embargo americano imposto ao país –, ele poderia ser indiferente à Igreja ou poderia postar-se em diálogo com as igrejas e outras religiões.

Fidel Castro aceitou que a terceira opção era a certa, e admitiu que não se encontrava com um bispo católico havia 16 anos. Embora o governo revolucionário nunca tivesse rompido com a Santa Sé, ele era, com efeito, um Estado confessional – oficialmente ateu.

No decurso da década de 1980, o líder conduziu lentamente a Revolução em direção ao reconhecimento da presença da Igreja Católica em Cuba, reunindo-se com bispos e permitindo, senão a liberdade religiosa, pelo menos a liberdade de culto.

Quando Frei Betto em 1985 publicou Fidel e a religião, só em Cuba vendeu 1,3 milhão de exemplares e ajudou a estabelecer um novo diálogo sobre a fé na ilha.
O livro revelava que Fidel fora profundamente marcado por uma infância católica e que havia sido criado por uma mãe fervorosa que rezava diariamente e acendia velas aos santos, bem como por tios e tias igualmente devotos.

Aos cinco anos, Fidel foi enviado a Santiago de Cuba por seu pai distante, onde estudou em uma escola dos Irmãos de La Salle (os irmãos lassalistas) e, mais tarde, com jesuítas espanhóis no prestigioso Colégio de Dolores, onde morou e que se tornou para ele numa espécie de família substituta. “Eram pessoas que tinham um grande interesse em seus alunos, em seu caráter e comportamento”, disse Fidel ao Frei Betto. “Eram rigorosos e exigentes”.

A Fidel Castro os jesuítas – pessoas “incomparavelmente superioras”, como ele os descreveu – ensinaram a ter fibra, disciplina e compromisso, traços que mais tarde lhe serviriam bem na Serra Maestra, a cordilheira que durante anos foi usada como base guerrilheira para a preparação à revolução que acabaria por derrubar o ditador Fulgencio Batista.

O livro de Frei Betto mostrou que o rompimento dele com a Igreja era essencialmente de ordem política. Ele considerava a Igreja Católica dos anos 40 e 50 uma instituição socialmente ‘reacionária’ que defendia a ordem social vigente e que, aos olhos de Fidel, tolerava e justificava as grandes desigualdades e injustiças de sua época.

Contudo, os guerrilheiros que ele liderou na década de 1950 não eram, na maioria, ateus: eles até mesmo tinham um capelão, designado pelo bispo para batizar os bebês nascidos em Sierra Maestra e para enterrar os revolucionários mortos. (O Papa João XXIII inclusive autorizou o capelão, Guillermo Sardiña, a usar uma batina verde-oliva.)

Mas na medida em que a revolução se tornava ateia e comunista, e na medida em que o clero se voltava contra ela, na política binária de Fidel a Igreja era inimiga da revolução. Muito embora, como mais tarde ele insistiria, a revolução nunca fora (diferentemente, digamos, no México) antirreligiosa e nenhum sacerdote fora morto pelo Estado comunista, a repressão impingida foi brutal.

Em 1961, Fidel teve fechada sua antiga escola e os jesuítas foram expulsos do país. O clero foi reduzido a apenas 200 em toda a ilha, e frequentar a missa passou a ser visto como um ato subversivo.

A entrevista de Frei Betto paira constantemente sobre a questão da ruptura de Fidel com o catolicismo, e implicitamente indaga sobre se ele teria sido um revolucionário anticlerical caso tivesse tido a sua formação católica após o Concílio Vaticano II e [após a Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano] de Medellín.

Essa pergunta nunca fica, na verdade, respondida. Mas Frei Betto demonstra um Fidel que com uma visão de Igreja essencialmente da década 1950; traz também a animação dele para com os desenvolvimentos ocorridos desde a década seguinte, sobretudo com a tentativa de aproximação da análise social marxista com o Evangelho em alguns ambientes de Teologia da Libertação.

A publicação de Fidel e a religião ajudou a superar parcialmente a profunda hostilidade entre católicos e marxistas, e fez com que os próprios cubanos iniciassem um diálogo sobre fé e revolução.

Após da queda da União Soviética, a Constituição de 1992 declarava que Cuba não era mais oficialmente um Estado ateu e a liberdade de culto foi restaurada. Nas terríveis dificuldades que se seguiram à perda de 5 bilhões de dólares em subsídios soviéticos – ironicamente os cubanos chamam isto de “o período especial” –, a Igreja tornou-se novamente uma presença significativa; o número de clérigos dobrou de tamanho.

Embora Fidel tivesse mantido a Igreja, como todas as instituições da ilha, sob forte controle (os seminários e as casas religiosas em Cuba contavam com grandes parcelas de informantes do governo), ele aos poucos veio a considerá-la um parceiro, em vez de inimiga. Porém jamais se livrou da suspeita de ser o catolicismo um rival, um organismo socialmente conservador com ambições políticas que precisavam ser mantidas em xeque.

Um desenvolvimento importante ocorreu na visita de João Paulo II em janeiro de 1998, pontífice que exortou Cuba a abrir-se ao mundo e vice-versa, pedindo democracia e direitos humanos ao mesmo tempo criticando duramente o embargo americano.

Em sua biografia papal intitulada “Testemunho de esperança: a biografia do Papa João Paulo II” [Bertrand Editora],  George Weigel lembra que Fidel, nesta visita, “combinou uma deferência marcante para com o papa juntamente com uma propaganda política antiamericana contínua”, ao mesmo tempo parecendo a alguns observadores “como um homem que queria, de alguma forma, ir ao confessionário, à única pessoa no mundo a quem seu ego lhe permitiria se confessar”.

A visita foi acompanhada por gestos significativos como a libertação de 100 prisioneiros e a restauração do Natal como feriado. Mas a visita fez inicialmente pouca diferença nas relações entre a Igreja e o Estado. Foi só em 2002 que o regime finalmente convidou os 13 bispos da ilha para conversar.

Depois disso, as conversas entre a Igreja e o Estado tornaram-se muito mais fluidas e foram aceleradas a partir de 2008 com Raúl Castro. Aos poucos, a Igreja emergia como o maior agente da sociedade civil e o principal provedor social não estatal em Cuba, conquistando uma autonomia significativa apesar de controles rígidos.

Em tudo isso, a fé pessoal de Fidel permaneceu um mistério. No entanto, abundavam rumores quanto a uma reaproximação do líder com a religião que recebera na infância.

Nas vésperas da visita do Papa Bento XVI, houve rumores de que Fidel estaria procurando um retorno à Igreja. O jornal La Repubblica citou uma figura de alto escalão do Vaticano segundo o qual Fidel estava no final de suas forças e que “neste último período ele se aproximou mais da religião e de Deus”.

O jornal também citou a filha de Castro, Alina, que pareceu confirmar a informação. “Fidel se aproximou mais da religião: ele redescobriu Jesus no fim de sua vida. Isso não me surpreende porque o pai foi criado pelos jesuítas”.

Se Fidel recebeu Bento XVI em 2012, nunca foi tornado público, e não houve rumores de uma conversão quando Francisco encontrou-se com o adoentado Fidel de 89 anos em 2015 durante 40 minutos, num momento informal em que ambos claramente desfrutaram o momento – a julgar pelas fotos divulgadas pelo filho de Fidel, Alex.

Os presentes que o papa deu almejaram claramente ajudar a El Comandante a fazer as pazes com o seu passado. Enquanto o líder cubano deu a Francisco um exemplar de sua entrevista ao Frei Betto, Fidel e a religião, o papa deu a Fidel vários livros, inclusive alguns escritos pelo padre italiano Alessandro Pronzato, cujo primeiro livro (de 1965) intitula-se “As fronteiras da misericórdia”.

O papa também lhe deu um livro e um CD de homilias do padre jesuíta Amando Llorente, sacerdote espanhol que lecionou a Fidel Castro na infância na década de 1940 e que permaneceu em contato com ele mesmo depois de este ter deixado a escola. Llorente estava entre os que Fidel expulsara em 1961, e que, de Miami, revelou certa vez que o líder cubano havia dito que era um pai substituto.

Esse lado mais bondoso e vulnerável de Fidel – o filho solitário que sentia a falta do pai, que se voltava para a piedade de sua mãe enquanto dirigia-se para política revolucionária – raramente foi visto em público, mas talvez Francisco o tenha percebido.

Os presentes do papa eram textos adequados, pode-se dizer, para um homem que olhava em retrospectiva uma vida e uma carreira política caracterizadas por um gênio carismático, mas carente de misericórdia, especialmente para com aqueles que foram vistos como seus opositores.

O progresso da alma de Fidel desde então está, em geral, envolto em mistério, exceto por um artigo tentador – para não dizer divagante – que ele escrevera recentemente para o Granma, jornal comunista oficial de Cuba.

Intitulado “O destino incerto da espécie humana”, o artigo de 9 de outubro observa como “há muito mais qualidades nos princípios religiosos do que os que são unicamente políticos” e que também “muitas das obras artísticas mais inspiradas nasceram de mãos de pessoas religiosas”. Ao notar que as grandes realizações da ciência não excluem teorias do Deus que cria o universo, o artigo de Fidel reconhece a importância das religiões para a humanidade.

O texto mostra pelo menos que a religião era um tema que perpassava seus pensamentos nestes últimos momentos de sua vida.

Ele conclui dizendo que conhece bastante sobre Jesus Cristo pelo que lhe ensinaram as escolas jesuítas e lassalistas, e de como se lembra das histórias bíblicas de Adão e Eva, da Noé e a Arca, bem como “do maná que caía do céu quando pela seca ou outras causas havia escassez de alimentos”.

Eis uma história interessante a se pontuar na Bíblia, sendo um exemplo onde as necessidades do povo não foram satisfeitas pelo livre mercado nem pelo planejamento central socialista, mas pela providência de um criador benigno.

Ele acrescenta: “Tratarei de transmitir em outro momento mais algumas ideias sobre este singular problema”.

Ele jamais tentou, e a fé de suas horas finais irá provavelmente permanecer, para sempre, um mistério.

Austen Ivereigh, doutor em filosofia pela Universidade de Oxford, publicado por Crux, 26-11-2016.

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De acordo com reportagens publicadas nas imprensas tcheca e chinesa, 60 migrantes do país asiático que alegam ser cristãos de denominações diferentes, todos tementes de retornarem para casa, pediram asilo político. Este é o maior pedido feito por um grupo de refugiados chineses na história tcheca.

Somos obrigados a dizer estas pessoas “alegam” serem cristãs porque reportagens publicadas na imprensa chinesa lançaram dúvidas sobre se os requerentes de asilo são realmente o que afirmam, sugerindo que, na verdade, são apenas imigrantes ilegais usando a religião como pretexto. Funcionários da embaixada chinesa em Praga estariam trabalhando para esclarecer a situação.

Os 60 migrantes estão sendo mantidos em dois centros de detenção tchecos e, de acordo com uma reportagem de uma rádio de Praga, eles estão sob uma proteção excepcionalmente pesada.

Mesmo que estas 60 pessoas não venham a ser cristãs de verdade, ainda sim é revelador o fato de que escolheram o cristianismo como a razão para requerer asilo. Isso sugere que, quando muitos chineses pensam em “perseguição” hoje, pensam na minoria de cristãos que cresce rapidamente no país.

Em grande parte, o problema dos cristãos na China não é a violência terrorista, não é ódio religioso clássico. Pelo contrário, é a dinâmica de um regime autoritário, em que algumas autoridades enxergam os cristãos com desconfiança – por causa de suas supostas ligações com o Ocidente, pela resistência ao controle estatal e pela preocupação sobre se a lealdade destas pessoas está voltada ao seu país ou ao seu credo.

Consequentemente, muitos cristãos chineses viver constantemente com medo em decorrência da vigilância, do assédio e da intimidação que sofrem e, em casos extremos, até de prisão e tortura.

Até o momento em que escrevo este texto, há pelo menos um bispo católico na Chinaainda definhando numa prisão estadual. O número era de dois prelados, até que o bispo de 94 anos Dom Cosmas Shi Enxiang morreu atrás das grades em fevereiro de 2015 depois de passar a metade de sua vida em prisões ou em campos de trabalho forçado.

No dia 30 de julho, o bispo de 93 anos Dom Vincenzo Huang Shoucheng, da Diocese de Xiapu, também morreu. Ele não estava na prisão quando faleceu, mas no curso de sua vida ele passou 35 anos ou preso, ou em trabalho forçado ou em prisão domiciliar. Um comunicado do Vaticano elogiou o seu “testemunho heroico de fé, de fidelidade incondicional ao Sucessor de Pedro e sua profunda comunhão com a Igreja universal”.

No entanto, um outro prelado chinês, Dom Thaddeus Ma Daqin, permanece sob prisão domiciliar e está sujeito a um monitoramento pelos serviços de segurança no desempenho de suas funções episcopais.

Eles se unem a vários padres e religiosos, assim como a dezenas de pastores protestantes e fiéis leigos de todas as denominações que estão ou presos ou que foram soltos sob a condição cooperarem.

Em certa medida, os cristãos na China são vítimas de seu próprio sucesso. Eles têm crescido tão rapidamente que as autoridades estatais muitas vezes ficam preocupadas.

No momento da tomada de poder por parte do Partido Comunista em 1949, havia cerca de 900 mil protestantes no país. Hoje, o Centro de Estudos do Cristianismo Mundial (Center for the Study of Global Christianity) estima que existam 111 milhões de cristãos na China, com aproximadamente 90% protestante (em sua maioria pentecostal). Isso faria a China ser o terceiro maior país cristão na terra, atrás apenas dos Estados Unidos e do Brasil.

De acordo com o centro de estudos citado, ocorrem 10 mil conversões a cada dia.

Os burocratas chineses são espertos, e já aprenderam com o passar dos anos que, sempre que possível, é inteligente evitar a criação de novos mártires. O principal modo que eles usam para tentar controlar esta presença cristã crescente é trazendo junto de si as lideranças.

“Eles oferecem diversões, viagens, até mesmo o acesso a uma carreira política”, disse o padre italiano Gianni Criveller, destacado pesquisador católico na China. “Aqueles que entram no jogo são recompensados com ofertas substanciais”.

Quando a oferta não funciona, no entanto, o Estado mostra-se disposto a punir.

Em 2011, o jornalista chinês e poeta dissidente Liao Yiwu, que não é cristão mas que admira o comprometimento com a liberdade de expressão demonstrado por muitos cristãos chineses, publicou o livro “God is Red”, que documenta as lutas da Igreja local.

Entre outras coisas, Yiwu conta a história de uma freira de 100 anos de idade que sofreu décadas de espancamentos, fome e trabalho forçado, mas que não recuou do pedido para que governo devolvesse as terras apreendidas da Igreja Católica em sua diocese.

Certamente, nem todos no governo chinês veem negativamente a minoria cristã no país. Alguns analistas acreditam que existem pessoas no regime que, na verdade, incentivam o crescimento do cristianismo, especialmente em sua forma protestante, com base na ideia de que, com ele, venha também uma ética de trabalho ao estilo ocidental – o que é bom para os negócios.

Mesmo assim, permanece o fato de que a China é um lugar perigoso para os cristãos, como ilustram estes os 60 migrantes na República Tcheca.

A reação tcheca igualmente ilustra uma outra dura verdade: a de que é difícil fazer pressão contra a China dada a sua enorme influência econômica.

O presidente da República Tcheca Miloš Zeman tem buscado reencetar as relações com Pequim, concentrando-se menos em questões políticas e mais nos negócios. Nos últimos dois anos ele esteve duas em visita ao país, e o investimento chinês está crescendo rapidamente, com a recente compra de uma grande cervejaria tcheca e aquisição do mais bem-sucedido clube de futebol do país sendo dois A longa e rica história da evangelização chinesa bons exemplos.

Nesse sentido, a imprensa local do país europeu tem especulado que vai ser difícil a Zeman aceitar o pedido de asilo, independentemente de qual seja a verdadeira história por trás destas 60 pessoas.

Saber a resposta certa para uma situação como essa não é fácil – em parte porque sempre há o risco de que muita pressão externa ou provocação poderia, na verdade, tornar piores as coisas para os cristãos e outras minorias em solo chinês.

O que se sabe, no entanto, é que este caso confirma uma verdade essencial: enquanto o mundo volta-se para o Médio Oriente e para o genocídio contra cristãos e outras minorias nas mãos do Estado Islâmico, dificilmente o Islã radical é a única força a alimentar a perseguição aos cristãos.

Os cristãos também enfrentam dificuldades em um número impressionante noutras regiões e contextos, fazendo da “guerra contra os cristãos” atual – uma guerra que é travada por uma variedade de razões e em uma variedade ambientes – um conflito verdadeiramente mundial.

John L. Allen Jr,- Crux

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Um órgão governamental na província central de Guizhou, China, anunciou que vai cancelar a ajuda financeira dos cidadãos que frequentam as atividades da igreja. É a mais nova tentativa de interromper o crescimento do cristianismo no país, segundo a China Aid. No mês passado o alvo foram as crianças.

O “benefício” é uma espécie de ajuda de custo dada pelo governo, especialmente para os mais velhos, já que o sistema de aposentadoria no país é bastante deficiente. Para as famílias mais pobres é uma importante complementação de renda.

Mou, membro da uma igreja da região, disse: “[As autoridades] Anunciaram que a partir de julho os cristãos não poderiam mais ter os benefícios nem qualquer seguro de velhice… Agora, [o Partido Comunista] pediu ao governo das cidades e aldeias que os crentes se registrem, assinando um compromisso que, se eles se reuniram novamente, o auxilio seria cortado”.

Esse tipo de pressão não é nova e já foi implantada anteriormente. Zhang Shucai, membro de uma das igrejas afetadas revela que seus pais, que são cristãos e já idosos, tiveram seus benefícios cancelados por não terem desistido de continuar frequentando a igrejas.

Ele explica que a maioria dos fiéis que foram punidos pelo governo não sabem como    defender seus direitos. O regime chinês é comunista e tudo passa pelo governo. O temor agora é que essa lei passe a valer em todo o país.

Comunistas querem o fim da igreja

Durante décadas a perseguição contra os cristãos não ocorria de forma tão intensa na China, país governado pelo Partido Comunista desde 1949. Na década de 1970, Pequim anunciou que desistiria de tentar erradicar a religião organizada. Mas desde que Xi Jinping passou a ser presidente, tem defendido que “todos os esforços devem ser feitos para incorporar religiões à sociedade socialista”.

Ano passado, ele anunciou que seu Partido, que continua sendo o único oficial, irá restringir a participação de pessoas “viciadas em religião”, numa alusão específica aos cristãos.

Sob sua orientação, centenas de igrejas  foram fechadas, seus líderes interrogados e ameaçados, além da retirada à força de cruzes de mais de 1.800 igrejas. A perseguição contra os cristãos na China cresceu 700% na última década.

A China Aid, missão evangélica que acompanhar a luta pela liberdade religiosa no país mais populoso do mundo, acredita que apesar do agravamento da situação, há esperança. “Vemos com grande esperança o rápido crescimento do movimento de igrejas subterrâneas em toda a China e acreditamos firmemente que o amor e a justiça de Deus acabarão por encher a vasta extensão desta nação”.

Oficialmente, existem hoje cerca de 100 milhões de cristãos no país mais populoso do mundo. Estudiosos acreditam que o número pode ser 3 vezes maior. Ao mesmo tempo, os membros do Partido Comunista Chinês totalizam 86,7 milhões, sendo que a maioria é comunista só de nome.

G Notícias

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As Missas de Natal de duas paróquias de uma Diocese vietnamita não puderam celebrar o Natal por causa das restrições impostas pelas autoridades comunistas locais, segundo denunciou a AsiaNews. Este fato deixou ao menos oito mil fiéis católicos sem a possibilidade de celebrar o culto divino na Solenidade, o que constitui uma clara violação da liberdade religiosa e as leis locais.

A primeira paróquia afetada foi a de Dak Lak, na municipalidade de Dak Mon, que conta com ao menos cinco mil fiéis católicos. A segunda é a de Xe Dang, na vila de Kon Pia, no distrito Tumoron, onde mais de três mil pessoas haviam se reunido para as celebrações religiosas.

A justificativa dada pelas autoridades comunistas é o veto realizado previamente aos dois sacerdotes destas paróquias. Os membros do Comitê do povo local, de orientação comunista, enviaram uma carta ao Bispo no qual se convidava ao prelado para registrar e a realizar um pedido por escrito para todas as eucaristias futuras, assim como para enviar novos sacerdotes em substituição dos que catalogaram como “não gratos”.

O Padre Dominique Tran Van Vu, Vigário paroquial de Dak Lak, confirmou a agência que “as autoridades evitaram que os sacerdotes celebrassem a Eucaristia de Natal nessas áreas remotas e montanhosas”. O sacerdote denunciou que o governo local bloqueou as liturgias por considerar aos sacerdotes como “não gratos” e por não contar com uma aprovação prévia para a cerimônia. “Para o governo não temos um status legal na sociedade e então não poderíamos celebrar e teríamos que deixar todas nossas funções”, denunciou o Padre Van Vu.

Os fiéis locais denunciaram que as autoridades evitaram que os sacerdotes presidissem as Eucaristias e portanto violentaram a Constituição e as leis locais que em teoria protegem a liberdade religiosa. Da mesma maneira consideraram o fato como uma violação de seus direitos humanos. Nesta mesma as autoridades chegaram a ameaçar com a demolição 22 capelas empregadas para a oração e o culto dos crentes. (GPE/EPC)

Fonte: gaudiumpress.org

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O Cristianismo está experimentando um crescimento disparado na República Popular da China — tão rápido que o país comunista de 1,35 bilhão de habitantes será o país mais cristão do mundo em 15 anos, de acordo com a reportagem “China on course to become ‘world’s most Christian nation’ within 15 years” (China no curso para se tornar a “nação mais cristã do mundo” dentro de 15 anos) do jornal inglês The Telegraph.

A China é oficialmente considerada ateísta, mas um número cada vez maior de chineses está buscando respostas no Cristianismo — querendo conhecer a vida e os ensinamentos de Jesus Cristo.

Claro que quando se fala em China e Cristianismo, o primeiro pensamento durante décadas sempre foram as chamadas igrejas subterrâneas — cristãos que se reuniam em esconderijos para adorar Jesus Cristo por um medo justificado de perseguição, prisão, tortura e morte. Mas o quadro está mudando. No domingo de Páscoa passado, uma mega-igreja no país comunista estava lotada com 5 mil pessoas para o culto. O prédio de 11 milhões de dólares tem o dobro da capacidade da Abadia de Westminster em Londres, considerada uma das grandes igrejas no Ocidente pós-cristão.

“É maravilhoso ser um seguidor de Jesus Cristo,” Jin Hongxin, de 40 anos, que estava no culto da mega-igreja, disse ao The Telegraph. “Se todas as pessoas na China cressem em Jesus então não mais precisaríamos de delegacias de polícia. Não haveria mais pessoas ruins e portanto não mais crimes.”

A fome espiritual dos chineses está indo na direção certa: o Evangelho.

A reportagem do The Telegraph diz que as congregações cristãs estão crescendo rapidamente desde a morte do ditador comunista Mao Tse Tung em 1976, quando terminou a terrível Revolução Cultural.

“Mao achava que conseguiria eliminar a religião. Ele achava que havia conseguido fazer isso. É irônico — os comunistas não conseguiram. Eles de fato fracassaram completamente,” Fenggang Yang, professor de sociologia na Universidade Purdue e autor do livro “China: Survival and Revival under Communist Rule” (Religião na China: Sobrevivência e Reavivamento sob Governo Comunista), disse ao The Telegraph. “Pelos meus cálculos, a China está destinada a se tornar o maior país cristão do mundo muito em breve. Em menos de uma geração. Muitas pessoas não estão preparadas para essa mudança dramática.”

A população evangélica chinesa, que era apenas um milhão em 1949, já ultrapassou as populações evangélicas de países mais comumente associados com o crescimento evangélico acelerado. Em 2010, havia mais de 58 milhões de evangélicos na China, em comparação com 40 milhões no Brasil e 36 milhões na África do Sul.

O professor Yang crê que o número de cristãos chineses alcançará 160 milhões em 2025, passando na frente até mesmo dos Estados Unidos, que tinham 159 milhões de protestantes em 2010, mas cujas congregações estão em declínio.

Em 2030, a população cristã total da China, inclusive católicos, ultrapassará 247 milhões, colocando-a acima do México, Brasil e Estados Unidos como a maior população cristã do mundo.

Todo esse crescimento é, em grande parte, motivado pelo incessante e crescente interesse dos chineses pela pessoa de Jesus Cristo.

Um estudo publicado no começo deste mês revelou que Jesus Cristo é mais popular no Weibo, a versão chinesa do Twitter, do que o ditador comunista Mao.

De acordo com esse estudo, o atual governante comunista chinês, Xi Jinping, recebeu 4 milhões de menções no Weibo, mesmo com todos os jornais estatais escrevendo sobre ele diariamente.

Mas o nome “Jesus,” que não é mencionado nos jornais estatais, deu mais de 18 milhões de menções no Weibo.

O quadro de crescimento explosivo do Cristianismo na China levou Tom Phillips, autor da reportagem no The Telegraph, à seguinte conclusão: tudo está pronto para a China se tornar o país mais cristão do mundo.

Em reação à reportagem inglesa, a revista Charisma, que é a maior publicação pentecostal do mundo, perguntou: “Será que isso é verdade? E se for, o que isso diz acerca dos Estados Unidos da América? Será que a China está indo para Cristo numa época em que os EUA estão abandonando o Cristianismo?”

A pergunta que eu acrescento é: Por quanto tempo o comunismo poderá sobreviver numa nação onde o Cristianismo não para de crescer? Por quanto tempo uma nação conseguirá sobreviver sem cair numa ditadura quando sua população cristã não para de diminuir?

Revista Charisma, NewsMax e The Telegraph.

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O papa Francisco chegou  a Cuba, em sua primeira visita como pontífice à ilha – e a terceira de um papa em menos de 18 anos. Mas para a Igreja católica no país, sobreviver aos anos mais radicais da Revolução Cubana foi uma difícil tarefa.

Quando, em 1959, Fidel Castro e seus combatentes entraram vitoriosos em Havana, imagens de igrejas incendiadas e católicos perseguidos na Espanha da Segunda República (1931-1939) se instalaram rapidamente na mente de alguns dos fiéis na ilha.

Com menor ou menor identificação com o castrismo, os religiosos concordam que este foi o antecedente inicial da relação tortuosa entre a revolução e os católicos cubanos.

Talvez por isso, Cuba é o único país, além do Brasil, a ser visitado pelos três últimos papas

A Revolução Cubana não tinha o fim do catolicismo como um de seus objetivos políticos, mas o rumo socialista tomado pelo país nos primeiros anos da década de 60 tensionou a relação com todo o mundo religioso.

Esta tensão duraria mais de duas décadas, até os últimos anos da década de 1980, e teria um de seus momentos mais significativos em 1976, quando a nova constituição cubana declarou o caráter ateu da ilha.

O texto constitucional declarava o Estado cubano como: “socialista, que baseia sua atividade e educa seu povo na concepção científica materialista do universo”.

“A presença da igreja foi difícil nos anos cinzentos. Os primeiros anos da Revolução foram de confronto e desconfiança”, diz o bispo cubano José Conrado, sacerdote conhecido por suas críticas ao governo da ilha.

Segundo ele, a Igreja católica “ficou reduzida ao mínimo” neste período.

“Leigos e padres abandonaram o país. A Igreja espanhola os convocou, por temer uma onda de perseguições e a possível proibição da religião”, afirma.

Em entrevista à BBC Mundo, serviço em espanhol da BBC, Conrado disse que, em seus primeiros anos como padre, trabalhou em populações de 80 ou 90 mil pessoas “onde apenas quatro crianças assistiam às aulas de catequese”.

“Não tínhamos nem 100 pessoas nas igrejas”, relembra.

Anos depois, Castro explicaria a Frei Betto porque o ateísmo foi estabelecido como política de Estado na ilha. O assunto foi abordado no livro Fidel e Religião, publicado em 1985: “O que nós estávamos exigindo era a adesão plena ao marxismo-leninismo. Acreditávamos que qualquer pessoa que se unisse ao partido aceitaria a política do partido e a doutrina em todos os aspectos”, disse o líder cubano.

Ser católico em 1970

Mercedes tem 72 anos e trabalhou como contadora até aposentar-se.

Agora atende uma paróquia e participa ativamente da Igreja católica cubana, mas, quando jovem, diz que “teve muito trabalho” para praticar a religião.

“Fui chamada muitas vezes por ser católica, a ponto de deixar a universidade. Era angustiante. Toda vez que algo acontecia, suspeitavam dos católicos”, diz à BBC, afirmando que nunca participou de nenhuma atividade contra a Revolução.

“Eu simplesmente defendia minha fé.”

Nas praças e igrejas de Havana não é difícil encontrar cubanos como Mercedes, dispostos a contar histórias do período mais intolerante da Revolução. 

“O nó do conflito partiu de uma incompreensão sobre o que significava a Igreja e também sobre a influência de fatores externos como o embargo americano ou a crise dos mísseis (em outubro de 1962). Tudo isso criou um clima desfavorável e até hostil (entre a Igreja católica e o governo)”, disse o bispo de Havana Juan de Dios Hernández.

Em 1971, a Arquidiocese de Havana registrou apenas sete mil batismos em toda a capital cubana, de acordo com o livro Despertar religioso, de Enrique Pérez Oliva.

O número quadruplicou em 1989, quando a ilha atravessava o chamado processo de abertura à religiosidade.

Estudos como o Relatório Internacional de Liberdade Religiosa e a pesquisa anual do instituto de pesquisa americano Pew dizem que entre 59 e 63% dos cubanos se identificam como cristãos.

Já o mais recente anuário estatístico do Vaticano afirma que em Cuba, um país de mais de 11 milhões de habitantes, 59,66% são católicos.

O anuário de 2001 dizia que 55,26% eram católicos e o de 1990, 41,21%.

Há cada vez menos momentos difíceis. O Estado cubano aprendeu lenta e gradualmente o papel da Igreja de semear Jesus Cristo no coração das pessoas que se prestem a isso”, afirma o bispo Hernández.

José Conrado e Frei Betto, apesar de suas diferenças, também dizem que a mudança dos “anos cinzentos” para o momento atual foi “um longo processo”.

Mais de quatro décadas depois dos tempos em que só quatro crianças iam a suas aulas de catequese, Conrado diz que “a sobrevivência da Igreja católica em Cuba foi heroica”.

“Em 1992 fomos para a rua, nos reencontrarmos e conversarmos de porta em porta. Se cumpriam os 500 anos da evangelização (do continente americano)”, relembra.

Também em 1992, Cuba modificou sua constituição e deixou o ateísmo como política oficial para transformar-se em um Estado laico.

Além disso, o “período especial” de escassez e de limitações após a queda da União Soviética e em meio ao embargo americano estava em um de seus momentos mais críticos.

Conrado diz que o papel das igrejas foi muito importante naquele momento. “Recuperamos a presença em campo, voltaram as multidões. Era um momento difícil, em que faltavam muitas coisas, e a Igreja colaborou muito para atravessá-lo.”

Fazendo um balanço, Frei Betto afirma que houve “bastante” mudança desde os primeiros anos da Revolução até agora.

“Mudou muito, especialmente em relação às liberdade religiosas. Com a queda do muro de Berlim e a desaparição da União Soviética, Cuba ficou mais cubana, reassumindo sua identidade martiana (relativa ao político e pensador cubano José Martí), cristã, de sincretismo religioso. Fidel concordou e mudou a constituição do país e os estatutos do Partido Comunista, agora ambos oficialmente laico”, diz.

“O povo de Cuba é essencialmente religioso, cristão sem ser majoritariamente católico, e recebe os papas com muito entusiasmo.”

BBC Brasil

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De inimigo a aliado: antes da visita do papa Francisco, Vaticano é celebrado como mediador na reaproximação entre Havana e Washington. Mas a Santa Sé também deve se atentar às mudanças, não apenas o governo cubano.

Mesmo antes de o papa Francisco pisar em solo cubano neste sábado (18/09), o saldo de sua viagem é impressionante: devido a sua visita, o governo de Cuba pretende liberar 3.522 prisioneiros. Isso é mais do que somando as duas visitas de pontífices anteriores – Bento 16, em 2012, e João Paulo 2º, em 1998.

Mas não é o suficiente. Após a retomada das relações diplomáticas entre os antigos arqui-inimigos Cuba e Estados Unidos, há agora sinais concretos de uma espécie de “reconhecimento à mediação papal”. De acordo com a agência de notícias do Vaticano (Fides), autoridades cubanas concederam pela primeira vez desde 1959 a aprovação para a construção de uma igreja em Havana.

A aproximação católica, no entanto, não impede a perseguição de dissidentes. Em 10 de setembro, cerca de cem ativistas foram presos em Santiago de Cuba, no extremo leste do país. Eles queriam depositar uma carta ao papa Francisco no santuário de peregrinação de El Cobre. Três dias depois, foi decretada a prisão de aproximadamente 40 membros do grupo de defesa dos direitos humanos Damas de Branco.

Perdão em massa e repressão política – as contradições pertencem ao dia a dia da ilha comunista. A Igreja Católica e seus membros foram perseguidos por décadas. O medo segue tão enraizado, que muitos fiéis ainda evitam discussões públicas.

Êxodo de fiéis

“Em 1961, o governo declarou a Igreja Católica inimiga número um de Estado”, relembra Cecília Silva*, uma trabalhadora comunitária de Havana. “Somente através da mistura de santos católicos com divindades afro-cubanas, os locais eclesiásticos de peregrinação se mantiveram vivos.”

Depois da Revolução de 1959, aproximadamente 300 mil católicos e 30 mil protestantes deixaram a ilha. Dois anos depois, restavam apenas 250 sacerdotes e membros de ordens religiosas. Todas as escolas e hospitais católicos foram estatizados. Cristãos eram tidos como contrarrevolucionários.

Mas os cubanos não abdicaram de sua fé. Eles batizavam seus filhos secretamente, rezavam para os santos religiosamente compatíveis. A figura do Santo Lázaro, por exemplo, corresponde à divindade africana da medicina, Obaluaiyê. E a Nossa Senhora da Caridade do Cobre, padroeira de Cuba, é adorada também como a Afrodite do panteão afro-cubano.

Após a queda do Muro de Berlim, Fidel Castro mudou a Constituição cubana, em 1992, e iniciou a transformação de Cuba de um Estado ateu para um Estado laico. Desde então, católicos podem se tornar membros do Partido Comunista, e comunistas podem se declarar católicos.

Em 2012, durante a visita do papa Bento 16, o irmão de Fidel e novo líder cubano, Raúl Castro, reinstituiu a Sexta-feira Santa como feriado nacional. A aproximação gradual entre antiquados revolucionários comunistas e líderes da Igreja Católica culminou na jogada diplomática do papa Francisco, que, enfim, quebrou o gelo entre Washington e Havana.

Concorrência para os católicos

A aproximação com os Estados Unidos, porém, também resultará num apoio mais intensificado da comunidade eclesiástica americana aos correligionários na ilha. Protestantes e pentecostais são, atualmente, uma minoria. No “mercado religioso” de Cuba, isso significa uma concorrência à dominante Igreja Católica.

“A calma acabou. Em Cuba pode ocorrer um latino-americanização religiosa”, prevê o diretor da Missão Evangélica na Alemanha e chefe do departamento latino-americano da organização, Christoph Anders. Assim como no resto da região, afirma, Cuba também pode sofrer uma expansão evangélica com igrejas pentecostais.

Será que João Paulo 2º previu essas consequências quando pronunciou as célebres palavras em sua chegada a Cuba, em 21 de janeiro de 1998, que se tornaram a frase símbolo da mudança? “Que Cuba se abra para mundo, e o mundo se abra para Cuba.”

Com o aumento da liberdade religiosa, muitos cubanos carregam agora também a esperança de mais abertura política e liberdade de expressão. A revista digital Convivencia, fundada em 2008 pelo intelectual católico Dagoberto Valdés Hernández, vê a Igreja como pioneira nas mudanças na ilha.

“A real liberdade religiosa não se limita a realizar cultos religiosos”, escreve a Convivencia em editorial. “A Igreja precisa ter acesso aos meios de comunicação e poder se envolver política e socialmente, para, assim, implementar o ensino social católico. Ela [a Igreja] é mediadora e sinal de esperança no caminho [de Cuba] para um Estado de Direito.”

Fonte: Deutsche Welle

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O Papa Francisco enviou uma mensagem ao povo cubano, a dois dias de sua chegada à ilha caribenha. O vídeo de pouco mais de quatro minutos foi exibido na TV estatal cubana que, pela primeira vez, reproduziu a mensagem de um Pontífice.

“Jesus os têm ao coração”, afirmou o Papa ao dizer que tinha uma mensagem muito simples, porém importante e necessária. “ou visita-los para compartilhar a fé e a esperança, para que nos fortaleçamos mutuamente no caminho de Jesus”.

Francisco agradeceu às orações com as quais o povo cubano tem se preparado para a Viagem Apostólica, dizendo que chega como “missionário da misericórdia e da ternura de Deus”. Aqui, o Papa faz um convite para que todos sejam missionários “deste amor infinito de Deus”.

Por fim, o Pontífice disse que será somente mais um peregrino no Santuário de Nossa Senhora do Cobre, “como um filho que deseja chegar à casa da Mãe”. E à Padroeira de Cuba confiou esta sua 10ª Viagem Apostólica assim como todo o povo cubano.

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O governo de Cuba concedeu indulto a 3.522 presos, o maior número desde a revolução de 1959, como gesto de boa vontade pela visita do Papa Francisco à ilha, informa o jornal oficial Granma

“O Conselho de Estado da República de Cuba (principal órgão do governo), por ocasião da visita de Sua Santidade, o Papa Francisco, e assim como aconteceu quando nos visitaram os Sumos Pontífices João Paulo II e Bento XVI, acordou indultar 3.522 sancionados, levando em consideração a natureza dos fatos pelos quais foram condenados, seu comportamento na prisão, o tempo de cumprimento da sanção e razões de saúde”, afirma o jornal.

“Entre os indultados se destacam pessoas com mais de 60 anos de idade, jovens com menos de 20 anos sem antecedentes penais, enfermos crônicos, mulheres, vários que se aproximavam do prazo estabelecido para a liberdade condicional no ano de 2016 (…), assim como estrangeiros, desde que o país de origem garanta a repatriação”, completa o Granma.

“Esta decisão se tornará efetiva ao fim de 72 horas”.

Em 28 de dezembro de 2011, o governo de Raúl Castro anunciou o indulto de 2.991 presos pela visita do papa Bento XVI (que aconteceu em março de 2012), 10 vezes mais que o número de pessoas libertadas por Fidel Castro um mês depois da visita de João Paulo II, em janeiro de 1998.

Esta havia sido a maior libertação de detentos desde a revolução de 1959, que levou ao poder Fidel Castro, que foi substituído por razões de saúde pelo irmão Raúl em 2006.

Em janeiro deste ano, como gesto de boa vontade após a histórica aproximação com os Estados Unidos anunciada em 17 de dezembro de 2014, o governo comunista cubano indultou 53 detentos que Washington considerava “presos políticos”.

Da France Press

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A Lituânia é um dos muitos países que permaneceram durante cinco décadas debaixo dos punhos de ferro da União Soviética. E um local concreto da norte da Lituânia sofreu com especial intensidade a força dos punhos de ferro da ideologia soviética, marcada pelo absolutismo antirreligioso.  

Trata-se de uma simples colina, situada nos arredores da cidade de Siauliai. No século XIX, ainda sob o Império Russo, a população lituana se revoltou contra o czar porque ele impedia que as famílias da região prestassem tributo aos seus entes queridos já falecidos. O povo então plantou cruzes na colina em memória dos seus mortos.

Na década de 1960, a KGB decretou o fim dessa prática. Em abril de 1961, o número de cruzes na colina já era muito grande: além da memória dos familiares falecidos, os lituanos honravam, através delas, seus concidadãos deportados para a Sibéria por ordem de Stálin. Os soviéticos queimaram as cruzes de madeira e destruíram as de metal e as de pedra. Não sobrou nenhuma cruz intacta.

No dia seguinte, porém, a colina estava novamente cheia de cruzes: à noite, os cristãos as repunham. A União Soviética destruiu o lugar várias vezes, mas os católicos da Lituânia não renunciavam a demonstrar a sua fé nem sequer com a presença do exército vermelho.

O governo bloqueou os acessos à colina e chegou até a lançar falsos alertas de epidemias na região. Os lituanos não se entregaram: toda vez que as cruzes eram destruídas ou retiradas, eles voltavam a erguê-las.

Em 1979, um sacerdote corajoso convocou uma procissão da sua paróquia até a colina. A KGB não pôde fazer nada para impedir, porque percebeu que seria pior. Quando a União Soviética finalmente ruiu, a Colina das Cruzes já tinha mais de 100 mil crucifixos e ícones sacros.

Nos anos 1990, foi erguido ali um santuário que passou a atrair peregrinos do mundo inteiro. Um deles foi ninguém menos que o papa João Paulo II, que, em 1993, declarou:
“Depois dessa visita, parecia mais clara para todos nós a verdade expressada pelo Concílio Vaticano II: o homem não pode compreender profundamente a si mesmo sem Cristo e sem a sua cruz. A Colina das Cruzes é um testemunho eloquente disto e também uma advertência. A eloquência daquele santuário é universal: é uma palavra escrita na história da Europa do século XX”.

A Colina das Cruzes, que resistiu aos poderes tirânicos deste mundo, ainda está de pé.
Fonte: Site Padre Paulo Ricardo