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Há uma pequena história – ou estória (perdoem minha falta de referências) – que conta que em um campo de concentração, durante a Segunda Guerra, os nazistas penduraram na forca três judeus, dentre os quais uma criança, e obrigaram os demais prisioneiros, em fila indiana, a se defrontarem com a trágica cena. Diz-se que, a certa altura, um dos judeus, ao passar em frente à mórbida trindade, questionava em voz quase inaudível: “Por que, Deus? Deus, cadê você? Cadê?”. O sujeito atrás dele, que ouvia seu precário murmúrio, respondia-lhe mentalmente “Está aí, à sua frente! Deus está aqui!”, olhava para os mortos e pensava em voz alta “Deus está aqui”

Na mitologia cristã, o silêncio de Deus é relatado, entre outros, por Matheus (27,45), em que Jesus, pregado à cruz, vê-se diante da grande questão: “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?”. Na versão cristã do acontecimento, a resposta é a permanência de um sonoro silêncio. A quietude das catástrofes humanas, como uma espiral de dor e aprendizado, repete-se ao longo dos séculos.

O avanço do tempo, das sociedades e das tecnologias nos transportou à era secular, mas não nos livrou dos horrores coletivos, e o exemplo do nazismo é autoexplicativo. As sociedades pós-século XX passaram a se defrontar com as tragédias aéreas. Nesse curto espaço de poucas décadas são centenas, talvez até milhares de acidentes quase sempre fatais. O mais recente ocorreu na madrugada da terça-feira, 29-11-2016, em que 71 pessoas morreram, dentre elas quase a totalidade da equipe da Chapecoense e mais de 20 profissionais de imprensa. O evento,  às vésperas de uma final de campeonato continental, entra para a história como a maior tragédia do futebol de todos os tempos. Clubes do mundo inteiro prestaram suas homenagens ao time de Santa Catarina.

Diante do torpor do episódio, há toda sorte de clamores de familiares, de torcedores, de amigos, de colegas, mas todos eles convergem para a mesma e irrespondível pergunta de quase dois mil anos: “Por quê?”. Paulo Paixão, ex-preparador físico da Seleção Brasileira de futebol, teve a infelicidade de perder seu filho, Anderson Paixão, no acidente. Diante da notícia, com a serenidade de quem sabe que a totalidade da vida é inexplicável, disse. “Quis o bom Deus que eu passasse por isso mais uma vez”, resignou-se o pai ao comentar e testemunhar pela segunda vez a morte de um filho.

Para os cristãos, a primeira semana de advento (que é celebrado nos quatro domingos que antecedem o Natal) tem o significado da vigília, da necessidade de tentarmos compreender nosso tempo, onde estamos, quem somos. Não deixa de ser significativo que uma grande tragédia ocorra em tempos como estes, seja ela providência divina ou puro acaso. No fundo, isso não importa. São, no final das contas, chaves de leitura para um mesmo evento. Contudo, diante da intolerância nossa de cada dia, não é pouco ver unidos tantos milhares de torcedores adversários, cuja humanidade é convocada para confortarmos uns aos outros em um dos momentos de maior dor e consternação.

Diante do sofrimento, que possamos ser capazes de sentir a brisa leve de Deus em todas as coisas, inclusive nas grandes tragédias humanas, porque, como publicou em nota o clube Atletico Nacional da Colômbia, adversário da Chapecoense na final da Sulamericana de 2016, “hay que jugarse la vida entera por los sueños”, afinal, nunca são somente 90 minutos.

Força Chape! Estamos com vocês!

Ricardo Machado, Jornalista

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Tendo em conta a complexidade da teologia católica a respeito da natureza de Deus, a seguinte lista, baseada nas Sagradas Escrituras e no Magistério da Igreja, responde a 8 mentiras recorrentes que estão à espreita dos católicos no mundo atual.

1. “Cristo é insuficiente”

Não existem novas revelações e o cânon bíblico está fechado. Há muitas pessoas que querem “aumentar” os ensinamentos de Cristo sustentando que, como as Sagradas Escrituras foram “escritas há muito tempo”, estas deveriam ser “atualizadas”.

Videntes e impostores de todo tipo difundem suas supostas “habilidades proféticas” que, ao parecer, estão contra o que sabemos de Deus. Nada mais longe da verdade.

Se estas pessoas estão certas, por que o Espírito Santo dá a cada uma diferentes mensagens? Cristo e sua Igreja não precisam de nada dos seres humanos. A mensagem de Cristo é válida e autêntica ontem, hoje e sempre como afirma no livro dos Hebreus 13,8.

2. “Pode haver novas revelações do plano da salvação”

Não há e nunca poderão existir novas revelações para ser acrescentadas na economia da salvação. Algumas revelações privadas foram aprovadas pela piedade popular (por exemplo, Sagrado Coração, Nossa Senhora de Lourdes, a Divina Misericórdia) e outras não.

A chave é se estão de acordo com as revelações originais de Cristo nas Sagradas Escrituras. As pessoas se colocam em uma situação precária quando se atrevem a julgar não somente a Bíblia, como também a Deus e Sua Igreja, negando assim a Tradição e o magistério.

3. “Jesus nunca assegura ser Deus na Bíblia”

Cristo se refere a si mesmo como Deus cerca de 50 vezes nas Sagradas Escrituras.

Do mesmo modo, os Evangelhos mostram as reações de quem se opunha a Jesus depois de afirmar que Ele era Deus ou igual a Deus (por exemplo em Marcos 14,61-62).

Se Jesus nunca afirmou ser Deus, por que algumas pessoas se incomodaram tanto com Ele há 2000 anos até o ponto de crucificá-lo? Cristo foi condenado a morte porque o consideravam blasfemo ao referir-se a si mesmo como Deus.

4. “Todos somos filhos de Deus e, portanto, Ele deve amar tudo o que somos”

Sim. Deus criou todos nós. Deus ama todos. Todos somos seus filhos. Entretanto, Ele nos chama para Si mesmo em um espírito de amor e arrependimento, mas nem todo mundo está preparado e disposto a fazer esse tipo de compromisso.

Não podemos dizer que somos seus filhos e ao mesmo tempo nos negar em reconhecer nossa relação com nosso Pai Celestial. (1 João 3,10, Romanos 8,15, Efésios 2,1-16).

Deus é misericordioso, mas nem todos nós queremos ser perdoados, ou inclusive, pensamos que não fizemos nada que deve ser perdoado (1 João 1, 8).

5. “Todos adoramos o mesmo Deus”

Só existe um Deus único e verdadeiro porque Ele mesmo o afirmou (Deuteronômio 4,39, Isaías 43,11, 45,5), entretanto, nem todo mundo o reconhece. Cabe também destacar que nenhuma deidade pagã afirmou algo assim.

Apesar de parecer ser politicamente correto que todas as pessoas adoram o mesmo Deus, é teológica, histórica e antropologicamente incorreto. Fora da tradição judaico-cristã, as deidades são impotentes, caprichosas, comedidas, hedonistas, egoístas, tremendamente emocionais e tem pouca preocupação pelos assuntos humanos.

O Deus judaico-cristão é o amor mesmo. Nenhuma outra religião descreve sua deidade desta maneira.

6. “Todas as religiões são iguais”

Esta crença está ligada ao ponto anterior, e, portanto, é incorreta. Algumas religiões são violentamente a antítese de todas as demais expressões religiosas. Alguns requerem o sacrifício humano, condutas imorais, as quais são consideradas virtudes ou propõem “textos sagrados” que são ilógicos e contraditórios. É impossível sugerir que todas as religiões sejam iguais.

Cristo nos diz que Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida (João 14,6). O Deus judaico-cristão se apresentou ao seu povo e lhes ensina porque os ama (Atos 4,12). Nenhuma outra religião faz tais afirmações. A salvação só vem de Cristo e não de Maomé, Buda ou Joseph Smith. O culto lhe pertence por direito somente a Yahvé, que é o grande ‘EU SOU’ (Apocalipse 4,11).

Existem diferenças irredutíveis entre o cristianismo e o judaísmo como a encarnação, a paixão e a ressurreição. Podemos estender esta lista de incompatibilidades ao considerar as religiões pagãs. Entretanto, muitas exigências éticas através das religiões podem ser iguais ou pelo menos compatíveis. Esta não é uma coincidência estranha, pelo contrário, se o único Deus está chamando toda a humanidade, então sua marca será deixada sobre várias respostas ao chamado.

7. “Deus usa os homens como “ratos de laboratório”

Deus é onisciente e sabe o que vamos fazer. Ama nossa existência e não nos trata como se fôssemos “ratos de laboratório”.

Deus é amor (1 João 4, 8-16) e, portanto, nunca poderia nos torturar para ver “o que faríamos”. A tentação está dentro de nós mesmos e é nossa decisão seguir a lei de Deus ou rechaçá-la (Deuteronômio 30,19).

8. “A Eucaristia é um mero símbolo”

Esta é uma perniciosa heresia e é bastante frequente. Por que o pão e o vinho são oferecidos no altar por um sacerdote como Corpo e Sangue de Cristo? Porque Jesus o diz (Lucas 16).

De fato, revelou às pessoas que o acompanhavam na sinagoga de Cafarnaum e vários fizeram birra. Jesus perguntou aos seus discípulos se também queriam deixá-lo por fazer tal afirmação e Pedro respondeu: “Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna” (João 6,68).

Além do que Jesus disse, deve se considerar como os primeiros cristãos viam a Eucaristia. Para São Paulo, é uma celebração com a qual se anuncia e atualiza a morte do Senhor até a sua volta (1 Coríntios 11,26).

“Portanto, quem come o pão ou bebe o sangue do Senhor indignamente, será réu do corpo e sangue do Senhor. Por isso, cada um deve examinar-se, e comer deste modo o pão e beber do cálice. Porque quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe sua própria condenação” (1 Coríntios 11, 27-29).

A Didaquê ou instrução dos doze apóstolos reflete este sentimento: “Não permitam que comam ou bebam de sua Eucaristia, a exceção dos batizados em nome do Senhor, porque o Senhor falou: ‘Não deem o que é santo aos cães’” (Didaquê 9,5).

Originalmente publicado no National Catholic Register (https://www.ncregister.com/).

THE X-FILES: L-R: Guest star Annet Mahendru and Gillian Anderson. The next mind-bending chapter of THE X-FILES debuts with a special two-night event beginning Sunday, Jan. 24 (10:00-11:00 PM ET/7:00-8:00 PM PT), following the NFC CHAMPIONSHIP GAME, and continuing with its time period premiere on Monday, Jan. 25 (8:00-9:00 PM ET/PT). The thrilling, six-episode event series, helmed by creator/executive producer Chris Carter and starring David Duchovny and Gillian Anderson as FBI Agents FOX MULDER and DANA SCULLY, marks the momentous return of the Emmy Award- and Golden Globe-winning pop culture phenomenon, which remains one of the longest-running sci-fi series in network television history. (Photo by FOX via Getty Images)

Qualquer pessoa familiarizada com Arquivo X sabe qual personagem da série acredita verdadeiramente em Deus. O cartaz em seu escritório diz tudo.

“Eu quero acreditar”, lê-se no cartaz. Foi no escritório do agente do FBI Fox Mulder (interpretado por David Duchovny) que Arquivo X estreou na Fox em 1993. Mulder está de volta – estava no chão desta vez – onde ele e sua parceira de longa data Dana Scully (Gillian Anderson) retornaram neste 24 de janeiro.

Durante o longo e sempre tão estranho funcionamento da série, foi Mulder quem acreditou firmemente em tudo, desde as invasões alienígenas, monstros e conspirações governamentais. Tem sido sempre Mulder aquele que crê, e Scully puxa-o e força-o a olhar para os frios e duros fatos do caso investigado.

Scully tem sido sempre a voz da razão que equilibra a maluquice de Mulder. Uma médica qualificada e uma cientista dedicada, ela está disposta a recusar qualquer aspecto de fé cega.

Enquanto Mulder pode ser o motor que impulsiona Arquivo X, Scully tem servido como alma. Enquanto seus parceiros vão à frente, ela recua – questionando, considerando. Ela é o link entre o nosso mundo cotidiano e a fantasia da série. E é a fé católica de Scully uma das coisas que a motiva. Você poderia até argumentar que ela é uma substituta do criador do Arquivo X, Chris Carter.

“Eu cursei Física Teórica no Instituto Kavli na Universidade da Califórnia”, disse Carter ao The Guardian em 2008, antes do lançamento do filme do Arquivo X. “Muitos dos cientistas eram ateus, e pensei que era interessante porque eles estavam falando sobre algumas das mais belas ideias que eu já encontrei. Quer dizer, algo verdadeiramente poético. E pensei exatamente o oposto. Vi como a ciência tenta explicar Deus, enquanto eles vêem como a ciência tenta explicar a verdade. Já que pode ser a mesma coisa, acho que este filme é em alguns aspectos sobre isto: ciência e fé”.

Em uma entrevista a Salon em 2000, Carter disse que projetou Scully para ser um personagem religioso desde o início. “A coisa mais difícil de conciliar é ciência e religião”, ele disse. “Então, aquela cruz que ela usa, que estava lá desde o episódio piloto, é muito importante para uma personagem que está dividida entre seu caráter racional e seu lado espiritual”.

“A série é basicamente uma série religiosa”, Carter acrescentou. “É sobre a busca de Deus. Você sabe, ‘a verdade está lá fora’. Disso que se trata”.

Fãs de Scully que já muito apreciavam sua natureza espiritual não podem ver seus lados ciêntífico e espiritual como estando em guerra, tanto quanto estando em equilíbrio. Desde o tempo de Santo Agostinho, afinal de contas, os católicos há muito expressam um profundo apreço pela ciência e o conhecimento. Milagres são examinados e, às vezes, desmascarados, usando a ciência rigorosa e o estudo dos detalhes – algo que Scully provavelmente aprecia.

Mas ela, como a Igreja, por vezes, deixa a porta aberta para “possibilidades extremas”, como Mulder diria. No episódio da quinta temporada “All Souls”, Scully diz a um padre: “Por mais que eu tenha minha fé, padre, eu sou uma cientista, sou treinada para analisar evidências. Mas a ciência só nos ensina como, não por quê”. E conforme a série avançava, sua fé se torna cada vez uma parte mais integral de sua personagem.

Um bom exemplo pode ser encontrado no episódio da terceira temporada “Revelations”, onde ela e Mulder estão investigando o assassinato de falsos estigmatizados – pessoas fingindo feridas em suas mãos e pés para convencer seus seguidores de sua santidade. Mas durante o curso de sua investigação, eles também têm de proteger um menino especial que também exibe os estigmas e não parece estar fingindo.

Depois desse caso, Scully volta a se confessar depois de muitos anos. “Estou com medo”, ela admite, “que Deus esteja falando e ninguém esteja escutando”.

Mas em Arquivo X, assim como em nossa própria caminhada de fé, nem sempre tudo é claro e óbvio. Como Scully, a vida inclina-se entre fé e ciência.

Ao longo da terceira e quarta temporadas, por exemplo, Scully sofre de câncer – resultado da remoção de um microchip que havia sido misteriosamente implantado em seu pescoço. Mulder defende a instalação de um chip alienígena semelhante, na esperança de que isso irá remover a doença. Mas Scully também retorna à sua fé, orando com um padre que ela rejeitara anteriormente. Quando a doença desaparece – milagrosamente, alguns diriam – a razão para o seu desaparecimento é uma questão de conjectura, escreve Amy M. Donaldson em seu livro We Want to Believe: Faith and Gospel in the X-Files:

“Foi o chip que a curou? Ou foi um milagre, em resposta à sua oração? Como Mulder responde à pergunta do Diretor Assistente Skinner sobre esse ponto, ‘Eu não sei. Eu acho que nunca vamos saber’. Mas uma questão mais profunda é: e se fosse ambos… Se o chip é a cura, isso significa que não houve nenhuma intervenção divina? Ou o fato de que Mulder tenha encontrado o chip poderia ter sido uma resposta à oração?”

Os espectadores podem agora acompanhar a fé de Scully na Fox novamente. Ela está trabalhando em um hospital católico durante o primeiro episódio (“My Struggle”), e ela diz que está ajudando a fazer o “trabalho de Deus” – ajudando a criar cirurgicamente orelhas para crianças que nasceram sem elas. E no quarto episódio, “Home Again”, ela chora ao lado da cama de sua mãe que está morrendo. “Por favor, mamãe, não vá para casa ainda”, ela diz.

Scully não tem uma fé inabalável. Ao longo dos anos, ela sofreu. Ela questionou. Ela duvidou. E, no entanto, ao longo de tudo, seu anseio por uma verdade maior permanece – um desejo, eu acho, que é encontrado na maioria de nós. Ela quer acreditar. E nós também.

Paul Asay é crítico de cinema de Plugged In e escreve para uma variedade de sites e publicações, incluindo Time, The Washington Post e Beliefnet.com. Ele é autor ou co-autor de vários livros, incluindo Burning Bush 2.0: How Pop Culture Replaced the Prophet.

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Enquanto Jesus caminhava pela face da terra há aproximadamente dois milênios, a humanidade se dividia em três grupos com diferentes visões sobre ele. Alguns estavam convencidos de que Jesus era o Filho de Deus e então dirigiam-se a ele como “meu Senhor e meu Deus” (João 20.28). Outros consideravam as afirmações e ações de Jesus como atos de blasfêmia e “(…) procuravam matá-lo porque (…) dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus” (João 5.18). Porém um terceiro grupo pensava que Jesus era insano e deveria ser ignorado (João 10.20).
 
Muitos chamados “cristãos” da atualidade tentam adotar uma posição de compromisso e alegam que Jesus foi um homem bom – que foi até um homem perfeito – porém não era Deus. Adeptos de outras religiões, e até mesmo estudiosos. chegam a considerar que ele foi um homem bom, um grande Mestre, um “Iluminado”, um profeta. Considerações cuidadosas das afirmações e ações de Jesus, entretanto, excluem esta conclusão. As únicas possíveis explicações sobre Jesus são as três que foram propostas no primeiro século. Vejamos as possibilidades:
 

1. Jesus é quem alegou ser, o Filho de Deus, ou

2. Ele era louco e erroneamente se julgava Divino, ou

3. Ele foi o maior mentiroso que já existiu.

 
Consideremos as possibilidades à luz das ações e afirmações históricas de Jesus registradas nos Evangelhos.
 
As Afirmações de Jesus
 
Jesus não fez nenhuma tentativa de esconder suas afirmações de Divindade. Ele repetidamente afirmou que era o Filho de Deus (João 9.35-38; Mateus 16.16-20; etc). Os judeus da época de Jesus estavam certos de que esta era uma afirmação de igualdade a Deus (João 5.18), que Jesus julgava-se ser Deus. A própria linguagem de Jesus não deixou dúvidas, conforme ele aplicou a descrição “Eu Sou” para si próprio (João 8.24-58; veja Êxodo 3.13-14). Jesus claramente afirmou ser Deus!
 
O que faremos com as afirmações de Jesus? Se elas são verdadeiras, então Jesus é Divino. Se elas são falsas, então Jesus intencionalmente mentiu e foi assim um terrível farsante, ou ele era louco e foi iludido por si próprio a acreditar e antecipar o mito de sua própria Divindade. Não podemos considerar suas afirmações e menosprezá-lo como meramente um homem bom ou perfeito. Ou ele é um lunático, ou um mentiroso, ou o Senhor de todos!
 
As Ações de Jesus
 
As ações de Jesus na terra foram inteiramente consistentes em relação às suas afirmações de Divindade. Ele atuou, sem se justificar, como Deus encarnado! Ele proclamou a habilidade de perdoar os pecados (Mateus 9.2-6). Os judeus sabiam que qualquer mero homem que fizesse tal afirmação era um blasfemador. Jesus também aceitou adoração dos humanos, depois de dizer sem dúvida que adoração pertence somente a Deus (Mateus 4.10; 8.2; 9.18; João 9.38). Nas ações de Jesus ele afirmava ser Deus. Quando a meros homens ou anjos foram oferecidos tal adoração, eles apressavam-se à proibi-la (Atos 10.25-26; Apocalipse 22.8-9).
 
O que faremos com as ações de Jesus? Se ele foi um mero homem, certamente os judeus estavam certos em acusá-lo de blasfemar, por ter se apresentado como Deus. Não podemos atribuir suas ações a um simples homem e considerá-lo bom e perfeito. Jesus foi o Senhor, que afirmou ser, ou ele foi um mentiroso, ou um lunático.
 
Os Sinais de Jesus
 
Agora vamos para um verdadeiro teste das afirmações da Divindade de Jesus. Se ele realmente é Deus, criador e sustentador do universo, então seria razoável esperar que suas palavras fossem confirmadas com inegáveis demonstrações de poderes sobrenaturais. Os sinais, ou milagres, de Jesus preenchem um importante papel neste sentido. Os relatos do evangelho são cheios de detalhes de vários milagres os quais Jesus realizou. Estes milagres são claras e inegáveis demonstrações de poder. Jesus curou pessoas de evidentes enfermidades, ressuscitou os mortos, acalmou os mares, etc.
 
Até seus adversários não negaram a veracidade de seus milagres. Eles contestavam a fonte de seu poder (Mateus 12.22-28) e as autoritárias afirmações de que se podia perdoar pecados (Mateus 9.1-8). Eles criticaram porque Jesus curou nos sábados (João 9.13-16). Mas, não negavam a autenticidade de seus milagres! Jesus não é lunático, nem mentiroso e sim o que ele mesmo afirmava ser, Deus.
 
A Ressurreição de Jesus
 
O túmulo de Jesus foi encontrado vazio três dias após sua morte. Desde a época da morte de Jesus, existem duas explicações do sepulcro vazio. Uma é a explicação bíblica sobre qual a fé dos cristãos está  baseada em que Jesus ressuscitou dos mortos (1 Coríntios 15.3-4,14). A outra é aquela que foi tramada pelos mesmos homens que organizaram desonestamente a traição, julgamento e crucificação de Jesus. Os líderes religiosos subornaram os soldados para que disseram que o corpo de Jesus tinha sido roubado (Mateus 28.11-15). Note três falhas fatais desta explicação:
 
a) Foi comprovado que os sacerdotes mentiram.
b) O corpo nunca foi encontrado.
c) Os “ladrões de covas” (apóstolos) citados sofreram torturas terríveis e escolheram morrer porque não quiseram se retratar de sua afirmação que Jesus realmente ressuscitou. Homens morrem pelo que acreditam. É um absurdo afirmar que uma dúzia de homens estariam querendo morrer por uma mentira tão conhecida! A ressurreição apresenta-se como a máxima evidência da Divindade de Jesus.
 
Qual é a importância Disto?
 
Esses pequenos exemplos acima (as afirmações, as ações, os sinais, e a ressurreição de Jesus) servem meramente para apresentar a abundante evidência da Divindade de Jesus Cristo. Numa época em que a dúvida e a descrença estão em alta, toda pessoa que deseja seguir Jesus precisa cuidadosamente considerar o caso para com a Divindade de Cristo. Jesus mesmo declarou o significado deste tema quando ele disse: “Se não crerdes que Eu Sou, morrereis nos vossos pecados” (João 8.24). Você pode dizer, como o “duvidoso” Tomé disse, que Jesus Cristo é “meu Senhor e meu Deus” (João 20.28-31)? Sua resposta para esta questão é de eterno significado. Considere isto cuidadosamente.
 

Texto original de Denis Allan 

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Entrevista com Stefano Fontana, diretor do Observatório “Van Thuan”

– Para muitos jovens de hoje, a vocação é algo que diz respeito apenas aos que pretendem se tornar sacerdotes.

A aspiração por realizar no trabalho e na vida os próprios ideais e expectativas é contraposta pelo materialismo cru, pela sensação de que a única relação possível com a realidade é da velocidade supersônica com que se consomem relações, amizades, produtos, diversões.

Por outro lado, está cada vez mais distante a ideia de que, ao se decidir o futuro de cada um, opera um desígnio do Criador. Para explicar o sentido da vocação e da espera, Stefano Fontana, diretor do Observatório “Van Thuan” sobre a Doutrina Social da Igreja http://www.vanthuanobservatory.org/), publicou recentemente um ensaio intitulado “Palavra e comunidade política”.

No prefácio de seu livro, Fontana, que é também consultor do Conselho Pontifício Justiça e Paz, escreve que “a crise da vocação é muito preocupante”, porque inibe “a convivência: o acolhimento, a gratidão, a gratuidade”.

Falando sobre seu ensaio, Fontana explicou que “o objetivo deste livro é assinalar o caminho para uma inversão de tendências, porque o homem surdo para sua vocação não sabe mais para onde ir”.

– O que é a vocação?

Fontana: A vocação é um chamado, uma palavra que vem ao nosso encontro, pedindo por uma adesão. Ao comunicar-se, a vocação nos convida a construir nossa identidade. Na reposta ao sentido que a interpela nós nos construímos em nosso próprio sentido. Quando encontramos um sentido que não produzimos, estamos diante de um chamado, um apelo, uma vocação. A vocação é a manifestação do incondicionado.

– Em seu livro recentemente publicado, o senhor sustenta que a falta de vocação impede o desenvolvimento humano, limita a convivência social e política, penaliza toda a família e empenho solidário no trabalho e nas relações com os demais. Por quê?

Fontana: O fenômeno mais preocupante de nossos dias é o da crescente dificuldade de identificar nas coisas e em nossas vidas uma palavra dirigida a nós, um apelo.

O matrimônio e a família são vistos sempre como opções ou convenções, não como uma realidade contida numa proposta de sentido importante para nossa humanidade, uma beleza que nos atrai e apaixona. Em nossa própria natureza íntima é possível encontrar um discurso sobre como devemos ser, a indicação de um caminho a ser percorrido.

Ser homem e ser ainda um tal homem representam uma vocação diante do subjetivismo e de uma cultura que pretende englobar em si mesma a própria natureza? Muitos hoje não veem na identidade sexual uma vocação, mas uma escolha.

Toda nossa dimensão física recebe grande atenção na sociedade do bem-estar, mas como algo que deve ser moldado, planejado, desconstruído e reconstruído, exibido, mas não como uma vocação a ser valorizada. O pudor nasce da percepção de que o corpo é palavra, mas nossos corpos já não têm quase mais nada a dizer; a primeira e a última palavra a seu respeito presumimos encontrar nos cremes e nos comprimidos, nas academias e no bisturi, no silicone e nos chips.

Também o ambiente natural diante de nós – a natureza no sentido naturalista do termo – é visto prevalentemente como um conjunto de objetos funcionais. Já não é mais a “criação”, um discurso do Logos criador, palavra em atuação, uma mensagem a ser comunicada.

– Vivemos em uma sociedade onde a auto-exaltação do ego é cada vez mais exagerada. Parece que, para alcançar a felicidade, é necessário haver um poder total sobre a realidade e sobre as coisas, é necessário dispor das pessoas e de seus corpos, é necessário aderir a um pleno e total hedonismo. Seriam estes os motivos que levaram ao ofuscamento da vocação e ao desespero daqueles que não encontram mais um sentido para as próprias vidas?

Fontana: A crise na vocação é algo muito preocupante, também em termos sociais e políticos, uma vez que inibe três atitudes fundamentais para a convivência: o acolhimento, a gratidão e a gratuidade.

Em primeiro lugar, está o acolhimento. A crise demográfica que atinge hoje muitos países e os debilita moralmente e economicamente é devida a esta dificuldade cada vez mais disseminada em acolher. As leis sobre o “suicídio assistido” denunciam uma falta de acolhimento da própria vida.

O multiculturalismo e sua falência mostram que a tolerância indiferente não é verdadeiro acolhimento. Acolher o outro torna-se impossível se não formos capazes de acolher a nós mesmos e de viver, também nós, a experiência de sermos acolhidos.

Em segundo lugar está a gratidão. Se outras pessoas e experiências não nos tocam, jamais nos descobriremos em débito e não poderemos viver a gratidão. Nossa família, nossa cultura, nossa condição de homem ou mulher… tudo pode ser objeto de gratidão, se formos capazes de encontrar uma herança de palavras, um sentido desvelado que de algum modo nos orienta.

Há, por outro lado, a negação de tudo isso, a prontidão em nutrir vergonha e ódio por ter sofrido uma série de imposições e violências, quando não a prontidão em repudiar ou mesmo apostatar de si mesmo e do próprio passado. Mesmo nossa própria identidade pode não ser vivida com gratidão. O ocidente parece estar hoje  particularmente acometido desta síndrome da vergonha de si mesmo e da ingratidão.

Se não nos sentimos gratos para com aqueles que nos transmitiram determinados valores, não nos sentiremos na obrigação de transmiti-los às próximas gerações. A falta de gratidão rompe com a continuidade entre as gerações e é responsável pela atual “emergência educacional”.

Em terceiro está a gratuidade. A vocação nos é dada com um dom. Perder o sentido da vocação significa perder o senso de doação. Se meu passado, minha natureza e os outros nada me dizem, isto implica que quem estabelece seu significado sou eu, ou nós, se considerarmos as estruturas sociais e culturais.

Gratuito, portanto, é simplesmente tudo aquilo que é recebido como graça. A vocação comporta tudo isso, uma vez que não é uma palavra pronunciada por nós, mas uma palavra pronunciada através de nós. Portanto, uma palavra doada.

– Qual é a proposta do livro? De que modo a fé cristã e a Doutrina Social da Igreja podem resolver estes problemas enfrentados hoje pela humanidade?

Fontana: A palavra “vocação” ocorre ao menos vinte vezes na Caritas in Veritate de Bento XVI – se não contarmos os sinônimos. Se as coisas, as pessoas e acontecimentos nada nos dizem; se pensamos ser fruto de determinismos, então de fato nenhum acontecimento novo pode ocorrer, e permanecemos vítimas de nós mesmos.

Sem vocação o homem não sabe para onde ir, pois ser impelido detrás ao invés de ser atraído pelo que está à frente não o satisfaz. A fé cristã tem essa proposta de ser uma “amiga do homem”, de corresponder aos seus anseios. O mesmo pode ser dito a respeito da Doutrina Social da Igreja, que corresponde aos anseios do mundo, assim como a fé corresponde aos anseios da razão e a caridade aos anseios da justiça. É por esse motivo que a fé cristã não é algo acrescentado ao homem, mas algo que remete à sua própria constituição. A fé cristã é uma vocação, presente desde o início na forma de um anseio.

Zenit

O-socorro-de-Deus

Um novo estudo mostra que o cérebro humano é capaz de reconhecer a existência de Deus, mesmo se a pessoa nunca tenha sido ensinada sobre ele.

O doutor Shaheen E. Lakhan, diretor executivo da Global Neuroscience Initiative Foundation, falou sobre essas descobertas:

“Psicólogos e antropólogos consideram que crianças que crescessem em um regime de isolamento teriam algum conceito de Deus. Alguns atribuem isso ao nosso senso inato de detectar padrões no mundo (como discernir predadores ou presas na natureza), enquanto outros propagam a noção de um “supersentido’- tendência cognitiva para inferir que existem forças ocultas operando no mundo.

O assunto não é exatamente uma novidade. O doutor Andrew Newberg, pesquisador do que é chamado de “neuroteologia”, relata que, o cérebro de pessoas que fazem orações regularmente mostrou melhoras na função cerebral. Ele passou muitos anos dedicando-se a estudar isso e já escreveu um livro sobre suas descobertas. Newberg explica que uma pessoa que ora com frequência experimenta melhorias de cerca de 10 a 15% na sua saúde.

“Temos certeza que a meditação e a oração ajudam a reduzir a depressão, a ansiedade e a pressão arterial. Sua prática altera a fisiologia das pessoas e, na maioria dos casos, de maneira positiva. Isso certamente acontece, no momento [da oração]. Mas as pessoas também descobriram que muitos desses efeitos são permanentes”, disse o doutor.

Nos últimos anos, os neurocientistas têm analisado essa questão de um ângulo diferente. Eles tentam descobrir como a crença religiosa “ocorre” dentro da nossa cabeça. Eles tentaram localizar a área (ou áreas) do cérebro onde a espiritualidade se manifesta e estudar como a crença religiosa é influenciada pelo nosso processamento sensorial.

O assunto parece estar em alta. O episódio do programa “Brain Games” no canal de TV da National Geographic (NatGeo no Brasil) que vai ao ar neste domingo (21) chama-se “the God brain”.

Para falar do assunto, o apresentador Jason Silva foi até Jerusalém, cidade sagrada para as três principais religiões do mundo. O objetivo do programa é investigar o quanto seus moradores estão dispostos a abrir mão (ou não) de suas crenças.

 Charisma News

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A questão acima focaliza um aspecto do grave problema do mal existente no mundo.

 O assunto requer aplicação serena do raciocínio, isento de sentimentalismo superficial. É o que nos propomos fazer nos incisos que se seguem.

1. Que é o mal?

 Antes de analisar qualquer dos aspectos do problema, é imprescindível definir o que se entende propriamente por «mal».

Uma das mais frequentes causas de dificuldades no estudo da questão é a espontânea tendência que se tem, de conceber o mal como uma entidade positiva ou como um ser subsistente em si. Ora tal não se dá; o mal justamente não é algo de positivo, mas é negação ou ausência de ser e — note-se bem — ausência do ser devido ou do ser que deveria existir em tal determinado sujeito (é o que se chama propriamente carência).

Assim a falta de olhos no homem é um mal. pois a natureza humana inclui em suas notas constitutivas a potência visual; ao contrário, a ausência de asas na criatura humana não é um mal, pois a essência do homem não implica a faculdade de voar.

Caso a carência se dê na ordem física, ou seja, na linha da essência estática ou da estrutura característica de um ser, tem-se o mal físico (a cegueira, por exemplo). Se, porém, a carência se verifica na linha moral, isto é, na atividade de um ser consciente que, em vez de se encaminhar para seu autêntico Fim Supremo, se desvia deste, tem-se o mal moral ou o pecado (o furto, por exemplo).

Estas breves considerações sobre a essência do mal já são suficientes para que nos voltemos para a questão focalizada no cabeçalho deste artigo.

E os defeitos da natureza…?

A possibilidade de incorrer no mal ou de ser falho é inerente ao conceito de qualquer ser criado. Com efeito, quem diz «criatura», diz «ser que começou a existir, … ser, portanto, que existe transitória ou contingentemente, … ser que não se explica por si mesmo, mas que é explicado por outro, a saber, por Aquele que lhe deu inicio».

Sendo assim, entende-se que toda criatura, pelo fato mesmo de não possuir necessariamente o seu ser (ela não era, e veio a ser por obra de um agente que não é ela mesma), está sujeita a perder esse ser ou em parte (desvirtuando-se e definhando) ou totalmente (caindo na ruína e na morte). Uma criatura que, por sua natureza mesma, não fosse sujeita a falhar e perecer, seria uma contradição: seria simultaneamente volúvel, transitória, não tendo em si mesma a sua razão de ser (pelo fato de ser criatura), e imutável, absoluta (pelo fato de não poder perder o ser).

Vê-se assim que Deus jamais poderia ter feito uma criatura que não fosse naturalmente sujeita a decair e perecer (a infalibilidade, caso exista na criatura, é dom gratuito do Senhor); Deus não poderia ter feito outro Deus; o Absoluto não poderia ter produzido outro Absoluto.

 Positivamente, a mesma conclusão se poderia formular nos seguintes termos: ao conceber cada criatura, o Criador concebeu-a dotada de perfeições em grau limitado. Isto, longe de depor contra a perfeição do Criador, era, e é, algo de necessário, algo de inerente ao conceito mesmo de criatura.

O que caracteriza a obra do Ser Perfeito ou de Deus, é o fato de que, no seu setor próprio, cada uma das criaturas é harmoniosa, reunindo um conjunto de elementos bem concatenados entre si; todos os seres criados são limitados, mas nenhum é, por sua essência mesma, contraditório ou absurdo.

Assim a natureza do ferro é em si devidamente equilibrada para desempenhar as funções características deste metal; não se espere, porém, que uma barra de ferro cresça e se multiplique…!

A rosa representa um artefato do Criador no setor da flor; não se espere, porém, que raciocine…O homem, sim, é dotado da faculdade de raciocinar; ninguém, porém, exigirá que o homem, raciocinando, chegue a conhecer todos as segredos da natureza; somente uma inteligência é capaz de compreender tudo que existe: a inteligência do Ser Absoluto ou de Deus.

A limitação e a defectibilidade inerentes a cada criatura explicam até mesmo a existência de indivíduos monstros no mundo. Sim, o Criador, ao acompanhar com a sua Providência a história do gênero humano, não tolhe a atividade das criaturas; ao contrário, suscita-a. Suscitando-a, porém, não modifica a natureza das criaturas, isto é, não as torna infalíveis. Donde se segue que na história da natureza mesma podem acontecer, e de fato acontecem, casos de aberração ou deformidade (cegos, paralíticos, surdo-mudos de nascença, etc.); o processo de formação de uma criancinha, por exemplo, no seio materno supõe a ação de glândulas, hormônios, tecidos, etc. dotados de perfeição finita; ao se concatenarem, compreende-se que tais fatores possam desgastar-se, dando lugar a erros, que são os chamados «erros da natureza». Esses erros, cuja frequência é relativamente exígua, não encobrem a harmonia geral do universo nem depõem contra a perfeição de Deus, pois não ”são devidos ao Criador ou à Causa Primária, mas às criaturas ou às causas secundárias, que o Senhor Supremo se digna envolver no plano de administrar o mundo.

Uma analogia muito clara ilustra quanto acabamos de dizer:

Tenha-se em vista uma grande máquina sabiamente instalada numa oficina para fabricar determinados objetos. O seu funcionamento é automático; a pressão sobre um botão desencadeia uma corrente elétrica que põe em movimento rodas, engrenagens, alavancas, etc.; a matéria prima colocada na abertura da máquina sai do lado oposto pronta para o consumo… — Certamente uma sábia inteligência humana inventou tal aparelhagem; outra inteligência humana — a do operário técnico — desencadeia e observa atentamente o funcionamento da máquina. Da parte do inventor e do operador, pode haver todo o esmero profissional desejável; não obstante, é inevitável, no fim do processo, o aparecimento de objetos defeituosos ou monstruosos (uma folha de papel enrugada, em vez de lisa; páginas em branco na impressão de um livro, etc.). Tais falhas decorrem da deficiência natural do mecanismo (houve desajuste em alguma engrenagem ou começou a faltar óleo numa alavanca, desgastou-se uma peça…); cada um dos elementos do conjunto sendo defectível, é normal que um ou outro deixe de prestar sua função até mesmo quando menos se espere. Os “monstros” que procedam da máquina não desdizem a inteligência do inventor nem a do operador; acontece, porém, que nenhuma inteligência pode fabricar peças de metal, lona ou óleo totalmente isentos de desvirtuamento; quem conseguisse tal, já não estaria produzindo peças de metal nem lona nem óleo…

Ora algo de semelhante se dá no universo: a sabedoria do Criador concebeu e coordena as atividades de cada criatura em vista de uma harmonia de conjunto… Pois bem; a perfeição do Criador se manifesta não numa pretensa ausência de falhas dos seres criados (isto equivaleria a cancelar a atividade mesma desses seres); patenteia-se, antes, na arte grandiosa de tirar dos males um bem mais relevante, um bem muito reluzente, porque colocado sobre um fundo muito negro, um bem mais admirável porque obtido por meio (ou apesar) de toda a precariedade de instrumentos criados.

Flores que não murchem nem morram são flores artificiais, flores que não possuem perfume,… que são e não são… Será que a vantagem de não murchar, no caso, ainda é vantagem? O fato é que Deus não quis fazer flores artificiais; fê-las como as vemos na natureza, perecíveis, sim, mas perfumadas e fiéis às leis da vida; o Criador permite que as flores naturais morram, mas sabe utilizar essa própria morte das flores para produzir novos e maiores bens…Assim faz Ele também com os homens,… e com os males dos homens!

Dom Estevão Bittencourt

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A estrutura do universo é determinada por números muito precisos: a velocidade da luz, a constante gravitacional, a taxa de expansão do universo conduzida pela constante cosmológica, a distribuição de massa e energia, a constante de Planck, a razão entre as massas de elétrons e prótons, a constante de Hubble…

Trata-se das constantes e quantidades fundamentais do universo.

A ciência chegou à conclusão de que cada um desses números écuidadosamente ajustado a uma estreitíssima franja de valores precisos, fora da qual não haveria possibilidades de que a vida existisse. Essa restrita franja de valores dentro da qual a vida é possível é tão minúscula que, se qualquer um desses números fosse minimamente alterado, nenhum tipo de vida física interativa poderia existir em lugar algum.  

“O fato notável é que os valores desses números parecem ter sido muito precisamente ajustados para tornar possível o desenvolvimento da vida” ( Stephen Hawking, físico teórico, Diretor de Pesquisa no Centro de Cosmologia Teórica da Universidade de Cambridge).
Para este ajuste tão preciso do universo, existem três possíveis explicações:
– A necessidade física;
– O acaso;
– O desígnio inteligente.
Com este vídeo de 6 minutos da Reasonable Faith, legendado em português por Jonathan Silveira, da Tu Porém, você pode tirar as suas próprias conclusões sobre qual possibilidade faz mais sentido:
– Atribuir a existência finamente ajustada do universo a uma eventual necessidade física
– Atribuir a existência finamente ajustada do universo a uma incrível combinação de acasos acionada por coisa alguma a partir do nada;
– Ou atribuir a existência finamente ajustada do universo à ação de uma Inteligência criadora.
Fique à vontade para usar a sua razão!

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O texto foi escrito em 1925 destinado ao italiano Giovanni Giorgi, uma autoridade da época em eletromagnetismo

Carta em que Einstein diz que Deus criou mundo irá a leilão

A casa de leilões RR Auction, nos Estados Unidos, vai leiloar uma carta escrita por Albert Einstein onde ele afirma que “Deus criou o mundo com muita elegância e inteligência”.

A carta foi escrita em 12 de julho de 1925 para o italiano Giovanni Giorgi, conhecido naquela época como uma autoridade em eletromagnetismo.

Por ter morado na Itália quando tinha entre 15 e 16 anos, o físico alemão era fluente no idioma e mantinha uma boa relação com o país. O texto está todo em italiano e foi escrito no verso de um cartão postal assinado por “Suo Einstein” ou “Do seu Einstein”, em português.

Além de falar sobre a criação, Einstein falou ao seu amigo que não tinha dúvidas sobre a validade da teoria da relatividade. A RR Auction espera arrecadar ao menos US$ 55.000, aproximadamente R$ 156.332 com a carta.

Fonte:  Terra

imagesMilagre, coisa séria e rara

Milagre é um fato extraordinário, que não se explica por causas naturais, atribuído à intervenção sobrenatural de Deus, para o bem espiritual dos homens. Deus governa o mundo por leis físicas, químicas e biológicas por Ele criadas. Daí que as exceções a essas leis por sua intervenção – os milagres – sejam raras e extraordinárias. Em sua vida terrena, Jesus andou uma vez sobre as águas, mas não sempre; curou alguns cegos, paralíticos e leprosos, ressuscitou mortos, mas não todos. Ele usou de milagres para comprovar sua divindade e missão divina.

Uma religiosa italiana, irmã Luigina Traverso, que sofria de paralisia ciática meningocele lombar, foi curada “miraculosamente” em Lourdes, na França, “por intervenção extraordinária de Deus obtida pela intercessão de Nossa Senhora”, conforme reconheceu dom Alceste Catella, bispo de Casale Monferrato, diocese italiana onde reside a religiosa. Esta foi a 68.ª cura “sem explicação” de Lourdes oficialmente reconhecida. O bispo da diocese de Tarbes e Lourdes, dom Nicolas Brouwet, assim como o dr. Alessandro de Franciscis, presidente do Bureau des Constatations Médicales de Lourdes, apresentaram os fatos em uma conferência de imprensa.

O mais interessante é que essa cura ocorreu em 23 de julho de 1965 – há, portanto, mais de 47 anos -, mas só agora é que foi reconhecida pela Igreja.

Em Lourdes, onde Nossa Senhora apareceu a santa Bernadete, muitas pessoas são curadas. Para o exame e constatação dessas curas, criou-se o Bureau Médical de Lourdes, do qual participam médicos de todos os credos religiosos, inclusive ateus, e os documentos ficam à disposição dos especialistas de qualquer parte do mundo. Um processo para declaração de milagre feito no Bureau Médical de Lourdes leva pelo menos cinco anos, com várias instâncias a percorrer. Na primeira instância, são feitos exames médicos e psiquiátricos rigorosos; qualquer explicação natural da cura leva o caso a ser encerrado. Ademais, só se aceitam doenças orgânicas e não apenas funcionais. Espera-se um ano, antes de dar a comprovação da cura definitiva. Na segunda instância, o caso é reapresentado à discussão. Na terceira instância, um relator leva o caso à Comissão Médica Internacional, em Paris. Se o caso passar por esse crivo, declara-se que tal cura extraordinária não tem explicação na medicina, que o considera “milagre” e o entrega à Igreja para um processo canônico. Uma comissão, constituída pelo bispo do local onde mora a pessoa curada, examinará minuciosamente o caso sob todos os aspectos físicos e morais e os resultados médicos. Após todas as análises, o bispo confirmará, não só apenas com os olhos da ciência, mas também com os olhos da fé, o possível milagre.

Mais de 11 mil casos já passaram da terceira instância com a confirmação médico-científica de que não há explicação para tal cura. No entanto, até hoje, apenas 68 de todos esses casos (incluindo o da irmã Luigina) foram tidos como milagre pela quarta instância, ou seja, pela Igreja, que se mostra, nesses casos, mais rigorosa do que a própria medicina.

Autor: Dom Fernando Arêas Rifan, bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

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O Senhor Jesus se encontrou com os grupos mais diversos de pessoas, dos mais simples e machucados da sociedade até as altas autoridades que circulavam durante sua vida pública, pelos caminhos da Judeia e da Galileia. Muitos acorriam a ele com suas misérias e inquietações, buscando a força da mensagem libertadora do Evangelho e a cura das enfermidades. Tantos emergiam do meio da multidão para se fazerem seus discípulos. Outras pessoas observavam de longe os acontecimentos. Alguns grupos se aproximavam com questionamentos, alguns deles formulados como verdadeiras armadilhas, a fim de envolvê-lo em contradição. A sabedoria do Senhor lhes devolvia muitas das perguntas, remetendo sempre ao confronto vital com a verdade.

 Muito expressivo é o encontro com fariseus e herodianos (Cf. Mt 22, 15-21) a respeito do imposto devido ao Imperador. Pode-se imaginar o contexto do comprometedor diálogo que se travou, num ambiente em que a população vivia oprimida, pagando tributos a uma potência estrangeira, dinheiro que chegava a uma autoridade que se revestia de pretensos poderes divinos. A resposta de Jesus é muito conhecida: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus” (Mt 22, 21). Tal afirmação já foi indevidamente usada para separar fé e vida, negócios e devoção, quando o cerne da questão é justamente dar a Deus o que é de Deus. E a Deus pertence o coração humano e seu destino de vida e salvação.

A narrativa encontrada nas primeiras páginas da Bíblia indica justamente a convicção das pessoas de fé: “Façamos o ser humano à nossa imagem e segundo nossa semelhança” (Gn 1, 26). Somos criaturas de Deus, pensadas desde toda a eternidade para sermos felizes em comunhão com ele. Pertencer a Deus e dar-lhe o devido e primeiro lugar em nossa vida é condição para a realização e a felicidade. O dever do amor e da adoração a Deus é o primeiro dos mandamentos, a primeira condição para o pleno desenvolvimento de todas as potencialidades humanas.

Em todas as épocas da história se fizeram sentir o indiferentismo, o relativismo e o ateísmo. Uma de suas formas ganha o nome de laicismo, diferente da laicidade. Se a justa laicidade do Estado não assume como oficial qualquer religião, a Igreja Católica propugna um mútuo respeito pela autonomia de cada uma das instâncias, a civil e a religiosa. Ao Estado cabe assegurar o livre exercício das atividades espirituais, culturais e caritativas das pessoas de fé. Numa sociedade pluralista, a laicidade é lugar de comunhão e relacionamento entre diversas tradições espirituais e a nação. Sociedade laica não quer dizer sociedade ateia! Infelizmente, ensina o Compêndio da Doutrina Social da Igreja, permanecem, inclusive em sociedades democráticas, expressões de laicismo intolerante, que hostilizam qualquer forma de relevância política e cultural da fé, procurando desqualificar o empenho social e político dos cristãos, porque se reconhecem nas verdades ensinadas pela Igreja e obedecem ao dever moral de ser coerentes com a própria consciência; chega-se também e mais radicalmente a negar a própria ética natural. Esta negação, que prospecta uma condição de anarquia moral cuja consequência é a prepotência do mais forte sobre o mais fraco, não pode ser acolhida por nenhuma forma legítima de pluralismo, porque mina as próprias bases da convivência humana. Neste quadro, a marginalização do Cristianismo seria uma ameaça para os próprios fundamentos espirituais e culturais da civilização (Cf. Compêndio da Doutrina Social da Igreja, números 571 a 574).

Este laicismo, ideologia que pretende se impor no mundo ocidental, e cada vez mais no Brasil, como única admissível, tem livre trânsito na grande imprensa e deseja relegar a fé à esfera do privado e opondo-se à sua expressão pública (Cf. São João Paulo II, no dia 24 de janeiro de 2005). Em nome de tal ideologia se levantam os defensores das contradições correntes, como a defesa dos direitos dos animais a qualquer custo pelos mesmos partidários do aborto ou de eutanásia e da absoluta falta de princípios em assuntos de moral sexual. Podemos ampliar o horizonte, para identificar uma verdadeira cruzada que se espalha pelo mundo pela eliminação de todos os sinais religiosos em escolas ou outros espaços.

O Concílio Vaticano II, na Constituição sobre a Igreja no mundo Contemporâneo, Gaudium et Spes (Cf. número 36) já constatava que muitos parecem temer que a íntima ligação entre a atividade humana e a religião constitua um obstáculo para a autonomia dos homens, das sociedades ou das ciências. Se por autonomia das realidades terrenas se entende que as coisas criadas e as próprias sociedades têm leis e valores próprios, que o homem irá gradualmente descobrindo, utilizando e organizando, é perfeitamente legítimo exigir tal autonomia. Se, porém, com as palavras autonomia das realidades temporais se entende que as criaturas não dependem de Deus e que o homem pode usar delas sem ordená-las ao Criador, ninguém que acredite em Deus deixa de ver a falsidade de tais afirmações. Pois, sem o Criador, a criatura não subsiste. De resto, todas as pessoas de fé, de qualquer religião, sempre souberam ouvir a sua voz e manifestação na linguagem das criaturas. Antes, se se esquece Deus, a própria criatura se obscurece.

Vivemos uma grande batalha, na qual não nos é possível escolher, como cristãos, a não ser a dependência livre e realizadora de Deus e da força de sua Palavra. Os direitos de Deus se expressam magistralmente na palavra do Apóstolo: “Ninguém pode colocar outro alicerce diferente do que já está colocado: Jesus Cristo. Se então alguém edificar sobre esse alicerce com ouro, prata, pedras preciosas ou com madeira, feno, palha, a obra de cada um acabará sendo conhecida: o Dia a manifestará, pois ele se revela pelo fogo, e o fogo mostrará a qualidade da obra de cada um. Aquele cuja construção resistir ganhará o prêmio; aquele cuja obra for destruída perderá o prêmio – mas ele mesmo será salvo, como que através do fogo. Acaso não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá, pois o templo de Deus é santo, e esse templo sois vós. Vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus” (I Cor 3, 11-17).

Por Dom Alberto Taveira Corrêa

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“Será que o novo papa acredita na evolução?”, perguntou um artigo publicado logo após a eleição do papa Francisco pelo Colégio Cardinalício. A resposta, que pretendia causar surpresa, foi “sim”. E o autor ainda assegurou: “Os católicos, em grande parte, não enxergam o xis da questão”.

Por quê? Porque a Igreja reconhece a existência de um processo evolutivo (Santo Agostinho o sugeriu já no século V d.C.), mas também insiste em afirmar que “o envolvimento de Deus” nesse processo deve ser reconhecido. O darwinismo, por sua vez, afirma que a evolução acontece através da sobrevivência de variações genéticas aleatórias, sem a orientação de nenhum propósito ou desígnio superior. Os comentaristas populares concluem, portanto, que a Igreja Católica não enxerga o xis da questão no tocante à biologia moderna e que a evolução e a criação não podem ser compatíveis.

O ateu e o fundamentalista concordam no seguinte erro de interpretação: o cristão escolhe a crença em detrimento da biologia. É o que Nietzsche chamou de “julgamento realmente cristão da ciência”, ou seja, uma “posição secundária, nada definitiva”. Para o ateu, isto é motivo de repúdio ao cristianismo; para o fundamentalista, é motivo para repudiar a biologia moderna.

Mas é aqui que, em grande parte, os comentaristas populares, e não os católicos, não enxergam o xis da questão: a teologia católica nunca concordou com esse tal “julgamento cristão”!

Os argumentos favoráveis ao desígnio inteligente, populares em especial nos círculos protestantes, assumem que os argumentos teológicos só podem valer quando os biológicos falham, e que a aparência de que existe um propósito na natureza só pode ser explicada pela invocação de um Criador divino, não por um mecanismo científico.

Acontece que, da perspectiva católica, esta é uma falsa dicotomia. O problema não é que Darwin tenha se livrado do conceito de desígnio na natureza: o problema é que as pessoas começaram a acreditar que o desígnio vai ou racha com a ciência natural.

A suposição de que a evolução biológica não tem nenhum propósito ou desígnio não entra em conflito com a teologia, porque é uma resposta a uma questão científica, não teológica. Como Tomás de Aquino enfatizou, muito antes da Revolução Científica, a ciência natural e a teologia não são corpos de conhecimento concorrentes; são, antes, formas distintas e complementares de investigação.

“Por que existe a cadeira?”. Segundo Aristóteles, esta pergunta pode ser interpretada de quatro maneiras diferentes, equivalendo a “Quem fez a cadeira?”; “Para quê?”; “Qual é a natureza dela?” e “De que ela é feita?”.

Cada forma de fazer a pergunta corresponde a uma diferente causa. A palavra “causa”, em grego antigo (aitia), também significa “razão”: a razão pela qual. Confundi-las leva ao absurdo: quando alguém pergunta “Quem fez a cadeira?”, é inapropriado responder “Para sentar-se!”. Cada pergunta pede o seu próprio tipo de resposta. Uma explicação completa, pensava Aristóteles, envolve as quatro perguntas e as suas respectivas respostas.

Que as quatro causas originais possam ser mantidas no âmbito da ciência moderna é coisa controversa. O que Aristóteles chamou de “causa formal”, que corresponde à natureza metafísica de uma coisa, foi atacado no início do período moderno pelos escritos de filósofos como Locke e Hume. Eles achavam que a ciência moderna pode explicar de que uma coisa é feita e quais são as suas leis de governo sem precisar falar muito sobre naturezas metafísicas.

Tenham as causas formais sido banidas ou não da ciência, o que Aristóteles chamou de “causas finais” (“para quê?”) é uma questão muito mais duradoura, pelo menos no campo da biologia.

Galileu, Newton e outros cientistas tinham dispensado o “para quê?” nas questões da física. A ciência moderna parecia capaz de explicar o mundo físico em termos puramente “mecanicistas”, sem recorrer a noções não-científicas como “desígnio” ou “propósito”. Mas muitos resistiram à intrusão da ciência moderna em território biológico.

A razão é que as causas mecanicistas pareceram incapazes de explicar o propósito ou a finalidade (o desígnio) observável ​​na natureza biológica. Os “vitalistas” alegaram que isto se deveu ao fato de a vida ser algo metafisicamente único; mesmo Kant, que não defendia os argumentos tradicionais a respeito de Deus, sugeriu que a natureza biológica indica o desígnio de uma espécie de Criador.

Darwin provou que a ciência moderna pode explicar o desígnio mostrando que ele é ilusório: a complexidade que parece ser marca de um Criador é o resultado final de variações aleatórias durante um longo período de tempo. Assim, banidas da física, as “causas finais” que tinham se refugiado na biologia foram expulsas de lá também.

Mas banir as “causas finais” da ciência não é bani-las de toda forma de explicação. Elas podem continuar a prosperar no domínio metafísico, como de fato continuam.

Darwin só mostrou que a biologia, como oposta, por exemplo, à metafísica, à teologia ou à ética, deve dispensar as “causas finais” como a física fez nos tempos de Newton. Isto só libera os biólogos da necessidade de responder a perguntas sobre o finalismo, deixando-nos livres para ainda lidar com elas se assim quisermos.

O problema não é Darwin, mas a noção moderna de que a teologia só pode discutir o que a ciência não consegue explicar. Porque a ciência não conseguiu explicar a ordem biológica em certo período, as pessoas começaram a acreditar que a ordem biológica estava a salvo do avanço científico. Mas se você professa a sua religião a partir das lacunas do conhecimento científico, você inevitavelmente será esmagado quando essas lacunas se fecharem.

É melhor seguir Tomás de Aquino, que fez uma distinção de natureza entre questões teológicas e natural-científicas.

Tanto a teologia quanto a biologia moderna perguntam: “Por que há seres humanos?”. Mas elas entendem a questão de forma diferente. Para a biologia moderna, a pergunta significa: “Quais são as partes constituintes dos seres humanos?”, “Como e quando os seres humanos entraram em cena?”. E as respostas para essas perguntas (“células e genes” ou “variações genéticas aleatórias ao longo do tempo”) são o que Tomás de Aquino chamou de causas “secundárias”. São explicações mundanas de coisas na natureza, que podem invocar leis probabilísticas, seleção natural ou o que a teoria científica mais recente sugerir de melhor.

Mas a teologia pergunta por aquilo que Tomás de Aquino chama de causas “primárias”: “Qual é a fonte extramundana do ser?”, “Qual é o significado e o desígnio da criação?”. Nem os registros fósseis, nem a seleção natural respondem a tais questões. E não porque sejam ferramentas defeituosas, mas porque não são as ferramentas adequadas para esta tarefa. Confundir questões teológicas e científicas é cometer um erro de categoria.

O conceito teológico de criação não é um conceito científico. O Deus da teologia católica não é, como Agostinho enfatizou, a ignição da existência, mas a sua causa em sentido não-temporal e metafísico. Deus dá origem e sustenta a existência, inundando-a de sentido: tenha o homem vindo ou não do peixe, do macaco ou poeira das estrelas, e sejam ou não probabilísticas as leis que regem essa evolução.

São os ideólogos contemporâneos do cientificismo os que “não enxergam o xis da questão” no tocante à evolução. A evolução não refuta Deus, assim como o electromagnetismo não refuta a consciência moral. E o papa Francisco não é o primeiro a reconhecer isso.

Fonte: Aleteia