Um amigo perguntou, dia desses, se o Papa era como o STF da Igreja Católica. A analogia na qual ele estava pensando era a seguinte: assim como é o Supremo Tribunal Federal quem diz definitivamente o que é constitucional e o que não é constitucional dentro da ordem jurídica brasileira, seria, na Igreja Católica, o Papa quem por último diria o que é ortodoxo e o que é herético dentro da Doutrina Católica. Assim como o STF diz o que é que a Constituição diz, o Papa seria aquele que diz o que é que a Revelação diz.

O Direito me parece fortemente tributário da Teologia, sem dúvidas, e é possível — mais até, é fácil — encontrar diversos paralelos entre os juristas e os teólogos. Não obstante, penso que é preciso ressaltar as diferenças entre um acórdão do STF e uma bula papal, a despeito de a metáfora acima parecer sedutora. Ou melhor, é preciso enfatizar, por todas, uma única diferença crucial e insuperável entre as duas esferas: o direito é essencialmente mutável, a doutrina não pode mudar jamais.

Isso porque o direito deve se adaptar às peculiaridades (obviamente, apenas àquelas legítimas) dos diversos tempos e lugares, dos usos e dos costumes dos homens. Com a doutrina acontece exatamente o contrário: são os homens que devem se adaptar a ela, às suas consequências e suas exigências. Daí porque é legítimo (mais até, é perfeitamente razoável, é até esperado) que um Tribunal modifique o seu entendimento a respeito de determinada norma jurídica levando em conta as transformações sociais, ao passo em que a Igreja não pode mudar jamais um jota da lei de Deus mesmo que uma centena de cidades dos homens sejam edificadas sobre os escombros da Cidade de Deus.

Sim, é claro que existe um direito natural imutável do qual o direito positivo deriva — ou ao menos deve derivar. Ainda assim a lei humana pode (e, em muitos casos, até deve) mudar. É o que ensina Santo Tomás (Summa, I-IIae, q. 97, a. 1): conquanto a lei natural não mude nunca, deve a lei positiva mudar por um duplo motivo. Primeiro, porque a razão humana é imperfeita e, portanto, as leis por ela ditadas podem ser sempre aperfeiçoadas a fim de que correspondam melhor aos ditames do direito natural. E, segundo, porque mudam naturalmente as condições dos homens, e a estes «convêm coisas diversas segundo as suas diversas condições» (id. ibid, Resp.).

O Papa (ou, melhor dizendo, o Magistério da Igreja) é infalível em determinadas condições, e aquilo que é verdadeiro não pode simplesmente passar a ser falso depois: o aprofundamento da Revelação no curso da história da Igreja, que existe, só pode ser integrativo e não superativo. Isso quer dizer que coisas distintas podem vir a se acumular no corpo doutrinário e moral da Igreja Católica, mas aquilo que era doutrinariamente certo não pode passar um dia a ser incerto, e aquilo que era moralmente ilícito não pode passar a ser lícito nem vice-versa. Com o direito é diferente, as diversas teses jurídicas podem (e em alguns casos até devem) se superar umas às outras, inclusive eivando de ilicitude aquilo que em outros tempos era perfeitamente jurídico, e isso é completamente natural. Não dá para estabelecer nenhuma comparação entre o ordenamento jurídico e o magistério eclesiástico desconhecendo essas coisas.

Certamente não faltará entre meus interlocutores quem me interpele sobre os juros, ou a tortura ou a escravidão. A isso é preciso responder sucintamente, primeiro, que nenhuma dessas coisas é intrinsecamente má ( Não entendi porque não seriam más, especialmente a escravidão e a tortura. Talvez o tempo histórico amenize o julgamento da prática mas em essência me parecem más,sim! Nota do blogueiro); segundo, que em tempos passados determinadas condições dos homens, distintas das atuais, autorizaram-nas ou as vedaram, legitimamente; terceiro, que a consciência moral da humanidade encontra-se hoje em um patamar superior — quando menos de acúmulo de experiências históricas –, em melhores condições portanto de apreciar o que melhor convém à comunidade humana. Antes do ensino da Igreja, portanto, o que mudaram foram as condições dos homens; outrossim, o rol exíguo, restritíssimo destes exemplos históricos aponta antes para o caráter extraordinário do fenômeno do que para uma superabilidade essencial da moral católica que a pudesse tornar análoga ao direito humano.

Voltando à comparação entre o Magistério e o Judiciário, o maior problema com ela é o pressuposto que ela enseja: assim como o direito deve ser sempre revisto para melhor corresponder às mudanças sociais, então assim também o Magistério católico deveria (ao menos eventualmente) superar o seu ensino em atenção às modificações sofridas pela sociedade. Tal compreensão é falsa e ignora as sensíveis diferenças existentes entre a Igreja e o Direito secular, conforme exposto. E, por conta disso, a fim de evitar nefastas confusões, não convém traçar analogias entre os dois campos sem atentar criteriosamente para aquilo que é próprio de cada um.

Fonte original 

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O grande tesouro da Igreja Católica é a Eucaristia – o próprio Jesus disfarçado sob as aparências do pão e do vinho. Cremos que, como diz o Catecismo, No santíssimo sacramento da Eucaristia estão ‘contidos verdadeiramente, realmente e substancialmente o Corpo e o Sangue juntamente com a alma e a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo e, por conseguinte, o Cristo todo’”(CCC 1374).

Além disso, esta presença real de Cristo na Eucaristia não termina imediatamente quando o recebemos na hora da Comunhão. O Catecismo prossegue explicando como “a presença eucarística de Cristo começa no momento da consagração e perdura enquanto a espécie eucarística subsistir” (CCC 1377).

Mas o que significa quando recebemos a Comunhão em nossas bocas? Quanto tempo permanece a Presença Real de Jesus em nossos corpos?

Há uma história famosa da vida de São Filipe Néri que ajuda a responder a essa pergunta. Um dia, enquanto celebrava a Missa, um homem recebeu a Sagrada Comunhão e deixou a igreja mais cedo. O homem parecia não ter respeito pela Presença dentro dele e, assim, Filipe Néri decidiu usar esta oportunidade como um momento de ensino. Ele enviou dois coroinhas com velas acesas para seguir o homem fora da igreja.

Depois de um tempo andando pelas ruas de Roma, o homem se virou para ver os coroinhas que ainda o seguiam. Confuso, o homem voltou à igreja e perguntou a Filipe Néri por que ele tinha mandado os coroinhas atrás dele. São Filipe Néri respondeu dizendo: “Temos que prestar o devido respeito a Nosso Senhor, que você está levando com você. Como você se recusou a adorá-lo, mandei os dois acólitos para fazer isso”. O homem ficou atordoado com a resposta e resolveu, das próximas vezes, ficar mais consciente sobre presença de Deus dentro dele.

Considera-se que a espécie eucarística do pão permanece por cerca de 15 minutos em nós, após recebermos a Comunhão. Isso se baseia na biologia simples e reflete a afirmação do Catecismo de que a presença de Cristo “permanece enquanto persistir a espécie eucarística”.

É por isso que muitos santos recomendaram oferecer 15 minutos de oração depois de receber a Eucaristia, como uma ação de graças a Deus. Isso permite que a nossa alma saboreie a presença de Deus, e que nós tenhamos um verdadeiro encontro de “coração para coração” com Jesus.

Em nosso mundo corrido, muitas vezes é difícil permanecer na Igreja muito tempo depois da Missa. Mas isso não significa que não possamos pelo menos fazer uma breve oração de agradecimento. O ponto principal é que precisamos nos lembrar de que a presença de Jesus na Eucaristia permanece conosco por vários minutos e nos apresenta um momento especial, quando podemos comungar com o Senhor e sentir seu amor dentro de nós.

Se um dia você se esquecer disso, não se surpreenda se o seu pároco enviar coroinhas para seguir o seu carro quando você sair da Igreja logo depois de receber a Comunhão!

Philip Kosloski

Rocco

Entrevista com o filósofo Rocco Buttiglione, grande conhecedor do magistério de São João Paulo II: “A perspectiva de Francisco é perfeitamente tradicional. A novidade consiste em aplicar também ao pecado cometido pelos divorciados recasados as possíveis atenuantes previstas para todos os demais pecados assim como aparecem no Catecismode São Pio X”.
“A Amoris Laetitia implica riscos pastorais. Alguns poderão dizer que a consideram uma decisão pastoral equivocada, mas, por favor, deixemos de lado os tons apocalípticos e paremos de dizer que a doutrina sobre a indissolubilidade dos sacramentos está sendo questionada quando somos confrontados com uma escolha sobre a disciplina dos sacramentos, cujas bases foram lançadas pelo Papa João Paulo II”. O professor Rocco Buttiglione, filósofo, estudioso e grande conhecedor do magistério do Papa Wojtyla, ficou surpreso com algumas das críticas feitas à Exortação Pós-sinodal de Francisco.

O que pensa, em seu conjunto, da Exortação Amoris Laetitia?

Parece-me uma grande tentativa de dizer a palavra da fé no contexto do mundo de hoje. O que era também a grande preocupação de João Paulo II: o homem concreto, o homem existente, o homem da realidade, não aquele descrito nos livros ou que gostaríamos que fosse.

Que relação existe entre este documento de Francisco e o magistério do Papa Wojtyla?

No passado, a Igreja excomungava os divorciados recasados. Fazia-o por uma justa preocupação: não escandalizar ou não colocar em discussão a indissolubilidade do matrimônio. Mas então vivíamos em uma cristandade compacta. Podia-se supor que todos sabiam o que era o matrimônio, um sacramento no qual os esposos se tornam fiadores mútuos do amor de Deus, motivo pelo qual se te abandono, de alguma maneira, é como se Deus te abandonasse.

João Paulo II disse que os divorciados recasados não podem ser excomungados, recordando que existem fatores objetivos e subjetivos em qualquer pecado. Há pessoas que podem fazer alguma coisa errada, um mal, mas sem serem completamente responsáveis. E então o Papa Wojtyla abriu, convidando os divorciados a entrar na Igreja, acolhendo-os, batizando seus filhos, reintegrando-os na comunidade cristã.

Mas, sem readmiti-los à comunhão – é o n. 84 da Familiaris Consortio –, a menos que não voltassem ao cônjuge legítimo, que se separassem do novo cônjuge ou que vivessem a segunda união como irmão e irmã, ou seja, abstendo-se das relações sexuais.

E o que propõe agora a Amoris Laetitia?

Francisco dá um passo à frente nesta direção. Não diz que os divorciados recasados podem receber ou pretender a comunhão, Não! O divórcio é péssimo e não pode haver atos sexuais fora do matrimônio. Este ensinamento moral não mudou. O Papa diz que agora os divorciados recasados podem confessar-se, iniciar uma caminhada de discernimento com o sacerdote. E, como em qualquer confissão, com cada pecado, o sacerdote deve avaliar se existem todas as condições para que um pecado seja considerado pecado mortal.

Eu gostaria de recordar aos meus colegas que disseram palavras fortes contra a Amoris Laetitia, que São Pio X – que não era propriamente um Papa ‘modernista’ – em seu Catecismo dizia que o pecado mortal exige a matéria grave, mas também a plena advertência e o consenso deliberado, isto é, a plena liberdade para assumir completamente a responsabilidade do que fez.

Por que este aspecto é tão importante neste caso?

Porque hoje há muitos casos em que não existe essa plena advertência. Há massas enormes de batizados que não foram evangelizados. Alguém poderia dizer: “Mas, para estes casos existe o processo da nulidade matrimonial”. Sim, é verdade, embora fosse preciso recordar que em muitos lugares do mundo não é tão fácil ter acesso aos tribunais eclesiásticos, e depois nem sempre é tão fácil descobrir a verdade. Vivemos em um mundo de famílias feridas, de pessoas feridas, pessoas que podem encontrar-se em situações das quais não podem sair.

Devemos avaliar tudo e ajudá-las a sair da situação de pecado, iniciar uma caminhada, mas sem prejudicar os cônjuges que as acompanharam na segunda união e que, talvez, estiveram perto delas em um momento dramático de suas vidas: pensemos no caso de uma mãe com crianças pequenas abandonada pelo marido e que se uniu a um homem que se ocupou desses filhos. Estamos falando de questões que exigem um discernimento, delicadeza, grande humanidade, compaixão, acompanhar…

Com qual objetivo, professor?

A pergunta é: em qual momento desta caminhada o padre dará a comunhão? Quando considerar que existem as condições, sem automatismos ou atalhos, mas também sem fechar as portas na cara antes de ter avaliado seriamente as histórias pessoais. Esta é a ideia da Igreja hospital de campanha, que é tão importante para o Papa Francisco. Se estivéssemos no Hospital Naval Bethesda, onde tratam o Presidente dos Estados Unidos, o paciente sairia perfeitamente curado, após terem sido feitas todas as operações necessárias. No hospital de campanha começa-se a fechar as feridas.

Qual é a relação entre esta perspectiva e a tradição da Igreja?

Esta perspectiva é perfeitamente tradicional. A Amoris Laetitia diz: avaliemos as condições subjetivas também para o pecado daqueles que se divorciaram e vivem uma segunda união. É uma questão eminentemente pastoral. Recordo que dom Luigi Giussani dizia: “Deve-se julgar os atos, nunca as pessoas, porque isto cabe exclusivamente a Deus”. Somente a Deus, e um pouco ao confessor. Li análises dramáticas e inaceitáveis sobre o documento, e, em particular, sobre uma nota de rodapé.

Vai mudar alguma coisa com a Exortação Apostólica Amoris Laetitia?

Claro que muda! Mas não mudou nem a moral nem a doutrina sobre a indissolubilidade do matrimônio. Muda a disciplina pastoral da Igreja. Até ontem havia uma perseguição de absoluta culpabilidade sobre o pecado cometido pelos divorciados recasados. Agora, mesmo para este pecado avalia-se o aspecto subjetivo, assim como acontece com o homicídio, com a evasão fiscal, com a exploração dos operários, com todos os demais pecados que cometemos. O padre escuta e avalia inclusive as circunstâncias atenuantes. Estas circunstâncias podem mudar a natureza da situação? Não, o divórcio e a nova união seguem sendo um mal objetivamente. Estas circunstâncias mudam a responsabilidade do sujeito envolvido? Talvez sim. Devemos discernir.

A insistência no aspecto subjetivo poderia levar a uma forma de subjetivismo?

Não é subjetivismo. É a justa consideração da subjetividade humana. Quem ensinou isto foi Santo Tomás de Aquino: “fizeste uma coisa errada, mas nem sempre é possível atribuir a ti toda a responsabilidade”. No fundo, esta doutrina moral começa no Calvário, quando Jesus crucificado diz: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”.

Há quem diga que readmitir estas pessoas à eucaristia, apenas sob certas circunstâncias e depois de um percurso de discernimento, equivaleria a mudar a doutrina da Igreja. O que lhe parece?

Não é uma questão de doutrina. A doutrina continua sendo a que é em relação à consideração do que está mal e do que não está. Em vez disso, estamos falando da responsabilidade subjetiva e das eventuais circunstâncias atenuantes. Ao anunciar o Evangelho temos que nos perguntar o que devemos dizer antes e o que devemos dizer depois. Jesus não disse a João e André: “Primeiro observem os mandamentos”, mas “Vem e segue-me”.

Quando São Paulo subiu ao Areópago de Atenas estava com o coração cheio de raiva por todos os altares dedicados às diferentes divindades. Mas quando tomou a palavra disse aos atenienses: “Admiro sua religiosidade…”, e depois valorizou o altar dedicado ao Deus desconhecido, anunciando Jesus Cristo. Começa por aí. Chegará o momento de dizer que os outros altares devem ser retirados.

O Papa Francisco anuncia que Jesus ama a cada homem e a cada mulher, na situação em que se encontram, e que quer que cada homem e cada mulher possam salvar-se encontrando o abraço de sua misericórdia. Depois virão os mandamentos, mas não podemos permitir que um erro cometido na vida possa excluir alguém deste abraço.

No entanto, São João Paulo II combateu a ética da situação, que se baseia no aspecto subjetivo…

O que eu vejo em alguns daqueles que se opõem ao Papa é a vontade de estar somente do lado da objetividade. É verdade, como você recorda, que o Papa Wojtyla combateu a ética da situação, segundo a qual não há objetividade, mas apenas intenção subjetiva. Obviamente, não é assim: existe a natureza objetiva em um ato. Mas João Paulo II nunca pensou, longe disso, em eliminar a subjetividade.

Há situações de pecado das quais é difícil se desvencilhar. Vivemos em uma sociedade pansexualista, na qual existe a falta de consciência de certas evidências éticas. Para que certas verdades sejam assimiladas por todos é preciso ter paciência e requer-se o esforço de uma caminhada.

Há riscos? Claro! Alguém poderia pensar que o divórcio e a nova união já não são um mal; alguém que permaneceu fiel mesmo depois de ter se separado de seu cônjuge poderia pensar que se equivocou; outro mais poderia temer o risco de que as consciências se debilitem.

Há riscos pastorais, sem dúvida. Por isso é preciso acompanhar e explicar. Mas, trata-se de uma decisão pastoral. Alguém poderia considerá-la equivocada, mas, por favor, deixemos de lado os tons apocalípticos quando nos encontramos diante de uma decisão pastoral que tem a ver com a disciplina dos sacramentos e que faz parte de uma trajetória cujas premissas foram estabelecidas por João Paulo II.
Entrevista de Andrea Tornielli, publicada por Vatican Insider

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“O Papa se disse inclinado à possibilidade de promover pequenas mudanças na lei da Igreja, desde que – fez questão de afirmar – isso seja sempre o resultado de um discernimento profundo por parte das autoridades competentes.”

Que pensar?

Historicamente já houve diaconisas na Igreja Católica. Este estudo da Comissão Teológica Internacional coloca-as, pujantes, no Oriente, até ao século VIII! No Ocidente, já em pleno século XIII, as abadessas são ainda chamadas diaconisas. O costume antigo é incontestável. No que, contudo, ele consistia exatamente?

É o próprio Papa Francisco quem o responde. Ao ser perguntado recentemente sobre o assunto, Sua Santidade disse se lembrar de que o papel das chamadas “diaconisas”, na Igreja Primitiva, era ajudar no batismo das mulheres: por uma questão de pudor, eram as diaconisas que faziam a imersão das mulheres durante o batismo, ou a unção de corpo inteiro que fazia parte do mesmo Sacramento. E ainda: quando uma mulher dizia ser espancada pelo marido, era uma diaconisa quem se encarregava de verificar-lhe os hematomas para relatar ao bispo.

O que eram, portanto, essas “diaconisas”? O mais provável é que se tratasse de mulheres que pertenciam a uma espécie de ordem religiosa primitiva, especificamente voltada à prática de serviços litúrgicos auxiliares, que o pudor mandava não serem feitos por homens — como o ungir o corpo das catecúmenas ou segurar-lhes (e às suas vestes) durante a imersão do Batismo. Isso tanto é verdade que as diaconisas vão desaparecendo ao mesmo tempo em que desaparecem esses ritos: no segundo milênio, o título de “diaconisa” ainda conferido às abadessas é claramente um resquício de algo que já deixou de existir — e persiste então meramente como referência honorífica e analógica.

Foi isso que o Papa falou, e a leitura da história completa é muito útil para se prevenir contra os semeadores da confusão — que usam manchetes reducionistas para espalhar o escândalo entre o povo católico fiel. O Papa não está pensando em promover “pequenas mudanças na lei da Igreja” para reinstituir diaconisas (a frase entre aspas está em um outro momento da sua fala, que nada tem a ver com a questão histórica do diaconato das mulheres!), apenas se referiu ao assunto quando foi perguntado. Registre-se, aliás, que ele respondeu com um rigor e uma precisão muito maiores dos que os que costuma empregar em suas respostas improvisadas. Sob esse ponto de vista, portanto, não há nada que retocar aqui.

Aproveitemos, no entanto, a oportunidade para aprofundar um pouco mais o assunto, e façamos a pergunta que o Papa não fez, mas parece que o mundo está fazendo: será possível ordenar diaconisas?

Que não se possa ordenar mulheres para o presbiterato é já ponto pacífico, definido infalivelmente por São João Paulo II:

Portanto, para que seja excluída qualquer dúvida em assunto da máxima importância, que pertence à própria constituição divina da Igreja, em virtude do meu ministério de confirmar os irmãos (cfr Lc 22,32), declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja. (Ordinatio Sacerdotalis, 4).

Toda declaração dogmática precisa ser lida no interior dos seus limites. À primeira vista, portanto, a faculdade que a Igreja não tem, conforme S. João Paulo II, é a de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres (ordinationem sacerdotalem mulieribus conferendi), e não “qualquer” ordenação. Ou seja, a seguinte pergunta talvez se pudesse colocar: tudo bem que a Igreja não tenha a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres; mas e quanto aos diáconos, que, segundo a Lumen Gentium, recebem o sacramento «não em ordem ao sacerdócio mas ao ministério» (LG 29)? Também o serviço destes não se poderia conferir às mulheres? Tudo bem que não se lhes possa conferir ordenação sacerdotal; poder-se-ia, no entanto, conferir-lhes esta ordenação ministerial que é própria da diaconia?

É engraçado como a questão, nestes termos, parece não ter sido anteriormente posta. A (já citada) Ordinatio Sacerdotalis versa sobre “a ordenação sacerdotal reservada somente aos homens”; a Inter Insigniores, da década de 70, igualmente apenas aborda “a questão da admissão das mulheres ao sacerdócio ministerial”. Ora, é amplamente aceito que diácono não é sacerdote. Há, portanto, razão doutrinária para que não haja diaconisas?

O prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé entende que sim. Em entrevista publicada em 2002, Sua Eminência o Card. Müller disse o seguinte:

Q: É possível separar o diaconato de mulheres do sacerdócio das mulheres?

Müller: Não,  por causa da unidade do sacramento da Ordem, que foi sublinhada nas deliberações da Comissão Teológica; ela não pode ser medida com um critério diferente. Assim, seria uma discriminação real da mulher se ela fosse considerada como apta para o diaconato, mas não para o presbiterato ou episcopado.

A unidade do sacramento seria rasgada em sua raiz se o diaconato como ministério de serviço fosse contraposto ao presbiterato como ministério de governo, daí poderia se deduzir que a mulher, ao contrário do homem, tem uma maior afinidade para servir e por isso estaria apta para o diaconato, mas não para o presbiterato.

No entanto, o ministério apostólico é conjuntamente um ministério de serviço nos três graus em que ele é exercido.

Não vou me aprofundar nessa dicotomia entre serviço e governo (que, seguida, penso que poderia perfeitamente justificar o acesso das mulheres ao diaconato mas não ao presbiterato, em perfeita harmonia com a antropologia católica); em vez disso, penso que a referência à “unidade do sacramento da Ordem” é mais relevante aqui. Se existe um óbice doutrinário à ordenação de diaconisas, é na relação entre os três graus do Sacramento da Ordem que ele deve ser encontrado.

O diaconato é o primeiro grau do Sacramento da Ordem (cf. Lumen Gentium, 29, onde é dito que os diáconos são “fortalecidos com a graça sacramental”) e, embora exista como “degrau” autônomo desde o Vaticano II (que restabeleceu o diaconato permanente), consiste ainda assim em um caráter impresso vere et proprie pelo único Sacramento da Ordem que existe. O já referido estudo da Comissão Teológica Internacional conclui exatamente que a unidade deste Sacramento é um importante indicativo de que não se lhe possa conferir às mulheres nem mesmo sob o grau do diaconato; some-se a isso o fato de que as chamadas “diaconisas” na história da Igreja não guardavam paralelismo estrito com os diáconos, quer permanentes, quer transitórios, mas exerciam um serviço específico — oriundo de uma específica necessidade de ordem prática — que foi paulatinamente caindo em desuso e, hoje, não tem mais razão de ser.

Uma coisa, no entanto, é bastante curiosa aqui: se o diaconato não fosse um grau do Sacramento da Ordem, se fosse meramente uma função laical subalterna ao sacerdócio — como o acolitato e o leitorato –, então certamente não haveria nenhum problema (ao menos não de ordem doutrinária) para que fosse exercido por mulheres. Afinal, existem hoje, nas nossas missas, garotas no papel de coroinhas ou mulheres lendo as Epístolas; e isso, que se pode até chamar de altamente inconveniente, não recebe a pecha de herético nem mesmo pelos mais ferrenhos críticos das reformas pós-conciliares.

Se o diaconato não fosse um grau do Sacramento da Ordem, portanto, seria possível reinstituir o primitivo ministério das diaconisas como um serviço laical ao lado de tantos outros. Seria, aliás, até mais fácil explicar o fenômeno histórico: aquelas mulheres não foram nunca “ordenadas” e nem existe razão para se ter semelhante dúvida, porque o diaconato não importa ordenação. Resplandeceria com clareza a tradicional divisão católica entre o sacerdócio reservado aos homens e os serviços auxiliares do sacerdócio — entre os quais a diaconia — exercidos pelos cristãos leigos, quer homens, quer mulheres.

Mas o diaconato é um grau do Sacramento da Ordem… não é?

Quem disse? O Concílio de Trento não fechou a questão. Fala que a “hierarquia eclesiástica estabelecida por ordem de Deus (…) se compõe de bispos, presbíteros e ministros” (TrentoSessão XXIII (15-7-1563), 966 (Cân. 3)), mas inclui entre os ministros também o subdiácono, o acólito, o exorcista e o ostiário (id. ibid., 958 (Cap. 2)) — as chamadas ordens menores, as quais hoje ninguém considera como propriamente sacramentais. No séc. XVI S. Roberto Belarmino nos expõe o seguinte panorama:

R. Bellarmino ( 1621) descreve bem qual o status quaestionis nessa altura. Estabelece a sacramentalidade da ordem (vere ac proprie sacramentum novae legis) como princípio fundamental, admitido por todos os teólogos católicos e negado pelos heréticos (protestantes). Mais, no que respeita à sacramentalidade de cada uma das ordens, julga necessário fazer uma distinção, pois que, se há unanimidade quanto à sacramentalidade do presbiterado, ela não existe no respeitante ao conjunto das outras ordens.

Bellarmino declara-se claramente a favor da sacramentalidade do episcopado (ordinatio episcopalis sacramentum est vere ac proprie dictum), estando em desacordo com os antigos escolásticos que a negavam; e considera a sua afirmação uma assertio certissima, fundada na Escritura e na Tradição. Além disso, fala de um carácter episcopal distinto e superior ao carácter presbiteral.

Quanto à doutrina da sacramentalidade do diaconado, Bellarmino fê-la sua considerando-a muito provável; contudo, não a toma como uma certeza ex fide, pois não é possível deduzi-la com evidência nem da Escritura nem da Tradição nem de qualquer determinação explícita por parte da Igreja. (Comissão Teológica Internacional. “Diaconado – Evolução e perspectivas”. Cap. IV, III.)

Que o diaconato seja um Sacramento — i.e., seja realmente um grau da Ordem — não é possível, segundo S. Roberto Belarmino, deduzir “com evidência nem da Escritura nem da Tradição nem de qualquer determinação explícita por parte da Igreja”. Se hoje se afirma aberta e incontestavelmente que ele é, sim, um dos graus do Sacramento da Ordem, é majoritariamente por conta do Concílio Vaticano II, em cujos textos «(SC86; LG 20, 28, 29, 41; OE 17; CD 15; DV 25; AG 15, 16) pressupõe-se a sacramentalidade das suas duas modalidades (permanente e transitório)» (CTI, op. cit., Cap. IV, IV.). Não deixa de ser irônico, portanto, que o maior obstáculo à ordenação de diaconisas seja precisamente… a teologia pós-conciliar.

Em resumo, assim,

  • o Papa Francisco, respondendo a uma pergunta, apresentou um escorço histórico bastante abrangente e fiel sobre a presença de “diaconisas” na Igreja Primitiva;
  • só é possível “ordenar” diaconisas: i) se o diaconato não pertencer ao Sacramento da Ordem ou ii) se se estiver falando em “ordenação” de maneira analógica e imprópria (esta é a explicação mais aceita para as “diaconisas” da Igreja primitiva);
  • se o diaconato for mesmo o primeiro grau do Sacramento da Ordem e se houver uma unidade intrínseca neste Sacramento — «[o] Catecismo de 1983, nos cânones 1008/9, integra os diáconos nos sacri ministri, os quais são habilitados pela sua consagração a apascentar o povo de Deus e a executar pro suo quisque gradu as funções de ensinar, santificar e governar in persona Christi Capitis» (CTI, op. cit., Cap. VII, III, 3) –, então a vedação da Ordinatio Sacerdotalis à ordenação feminina se aplica também ao diaconato;
  • esse aprofundamento do diaconato como grau sacramental é majoritariamente pós-conciliar; e
  • já houve uma “Comissão” que estudou detalhadamente o assunto: foi a CTI em 2002, no relatório citado, que a meu ver já atende aos anseios expressos por Sua Santidade quando abordou o tema.

É o que cabe falar sobre o assunto.

Jorge Ferraz, Blogueiro católico.

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Tendo em conta a complexidade da teologia católica a respeito da natureza de Deus, a seguinte lista, baseada nas Sagradas Escrituras e no Magistério da Igreja, responde a 8 mentiras recorrentes que estão à espreita dos católicos no mundo atual.

1. “Cristo é insuficiente”

Não existem novas revelações e o cânon bíblico está fechado. Há muitas pessoas que querem “aumentar” os ensinamentos de Cristo sustentando que, como as Sagradas Escrituras foram “escritas há muito tempo”, estas deveriam ser “atualizadas”.

Videntes e impostores de todo tipo difundem suas supostas “habilidades proféticas” que, ao parecer, estão contra o que sabemos de Deus. Nada mais longe da verdade.

Se estas pessoas estão certas, por que o Espírito Santo dá a cada uma diferentes mensagens? Cristo e sua Igreja não precisam de nada dos seres humanos. A mensagem de Cristo é válida e autêntica ontem, hoje e sempre como afirma no livro dos Hebreus 13,8.

2. “Pode haver novas revelações do plano da salvação”

Não há e nunca poderão existir novas revelações para ser acrescentadas na economia da salvação. Algumas revelações privadas foram aprovadas pela piedade popular (por exemplo, Sagrado Coração, Nossa Senhora de Lourdes, a Divina Misericórdia) e outras não.

A chave é se estão de acordo com as revelações originais de Cristo nas Sagradas Escrituras. As pessoas se colocam em uma situação precária quando se atrevem a julgar não somente a Bíblia, como também a Deus e Sua Igreja, negando assim a Tradição e o magistério.

3. “Jesus nunca assegura ser Deus na Bíblia”

Cristo se refere a si mesmo como Deus cerca de 50 vezes nas Sagradas Escrituras.

Do mesmo modo, os Evangelhos mostram as reações de quem se opunha a Jesus depois de afirmar que Ele era Deus ou igual a Deus (por exemplo em Marcos 14,61-62).

Se Jesus nunca afirmou ser Deus, por que algumas pessoas se incomodaram tanto com Ele há 2000 anos até o ponto de crucificá-lo? Cristo foi condenado a morte porque o consideravam blasfemo ao referir-se a si mesmo como Deus.

4. “Todos somos filhos de Deus e, portanto, Ele deve amar tudo o que somos”

Sim. Deus criou todos nós. Deus ama todos. Todos somos seus filhos. Entretanto, Ele nos chama para Si mesmo em um espírito de amor e arrependimento, mas nem todo mundo está preparado e disposto a fazer esse tipo de compromisso.

Não podemos dizer que somos seus filhos e ao mesmo tempo nos negar em reconhecer nossa relação com nosso Pai Celestial. (1 João 3,10, Romanos 8,15, Efésios 2,1-16).

Deus é misericordioso, mas nem todos nós queremos ser perdoados, ou inclusive, pensamos que não fizemos nada que deve ser perdoado (1 João 1, 8).

5. “Todos adoramos o mesmo Deus”

Só existe um Deus único e verdadeiro porque Ele mesmo o afirmou (Deuteronômio 4,39, Isaías 43,11, 45,5), entretanto, nem todo mundo o reconhece. Cabe também destacar que nenhuma deidade pagã afirmou algo assim.

Apesar de parecer ser politicamente correto que todas as pessoas adoram o mesmo Deus, é teológica, histórica e antropologicamente incorreto. Fora da tradição judaico-cristã, as deidades são impotentes, caprichosas, comedidas, hedonistas, egoístas, tremendamente emocionais e tem pouca preocupação pelos assuntos humanos.

O Deus judaico-cristão é o amor mesmo. Nenhuma outra religião descreve sua deidade desta maneira.

6. “Todas as religiões são iguais”

Esta crença está ligada ao ponto anterior, e, portanto, é incorreta. Algumas religiões são violentamente a antítese de todas as demais expressões religiosas. Alguns requerem o sacrifício humano, condutas imorais, as quais são consideradas virtudes ou propõem “textos sagrados” que são ilógicos e contraditórios. É impossível sugerir que todas as religiões sejam iguais.

Cristo nos diz que Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida (João 14,6). O Deus judaico-cristão se apresentou ao seu povo e lhes ensina porque os ama (Atos 4,12). Nenhuma outra religião faz tais afirmações. A salvação só vem de Cristo e não de Maomé, Buda ou Joseph Smith. O culto lhe pertence por direito somente a Yahvé, que é o grande ‘EU SOU’ (Apocalipse 4,11).

Existem diferenças irredutíveis entre o cristianismo e o judaísmo como a encarnação, a paixão e a ressurreição. Podemos estender esta lista de incompatibilidades ao considerar as religiões pagãs. Entretanto, muitas exigências éticas através das religiões podem ser iguais ou pelo menos compatíveis. Esta não é uma coincidência estranha, pelo contrário, se o único Deus está chamando toda a humanidade, então sua marca será deixada sobre várias respostas ao chamado.

7. “Deus usa os homens como “ratos de laboratório”

Deus é onisciente e sabe o que vamos fazer. Ama nossa existência e não nos trata como se fôssemos “ratos de laboratório”.

Deus é amor (1 João 4, 8-16) e, portanto, nunca poderia nos torturar para ver “o que faríamos”. A tentação está dentro de nós mesmos e é nossa decisão seguir a lei de Deus ou rechaçá-la (Deuteronômio 30,19).

8. “A Eucaristia é um mero símbolo”

Esta é uma perniciosa heresia e é bastante frequente. Por que o pão e o vinho são oferecidos no altar por um sacerdote como Corpo e Sangue de Cristo? Porque Jesus o diz (Lucas 16).

De fato, revelou às pessoas que o acompanhavam na sinagoga de Cafarnaum e vários fizeram birra. Jesus perguntou aos seus discípulos se também queriam deixá-lo por fazer tal afirmação e Pedro respondeu: “Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna” (João 6,68).

Além do que Jesus disse, deve se considerar como os primeiros cristãos viam a Eucaristia. Para São Paulo, é uma celebração com a qual se anuncia e atualiza a morte do Senhor até a sua volta (1 Coríntios 11,26).

“Portanto, quem come o pão ou bebe o sangue do Senhor indignamente, será réu do corpo e sangue do Senhor. Por isso, cada um deve examinar-se, e comer deste modo o pão e beber do cálice. Porque quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe sua própria condenação” (1 Coríntios 11, 27-29).

A Didaquê ou instrução dos doze apóstolos reflete este sentimento: “Não permitam que comam ou bebam de sua Eucaristia, a exceção dos batizados em nome do Senhor, porque o Senhor falou: ‘Não deem o que é santo aos cães’” (Didaquê 9,5).

Originalmente publicado no National Catholic Register (https://www.ncregister.com/).

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Enquanto Jesus caminhava pela face da terra há aproximadamente dois milênios, a humanidade se dividia em três grupos com diferentes visões sobre ele. Alguns estavam convencidos de que Jesus era o Filho de Deus e então dirigiam-se a ele como “meu Senhor e meu Deus” (João 20.28). Outros consideravam as afirmações e ações de Jesus como atos de blasfêmia e “(…) procuravam matá-lo porque (…) dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus” (João 5.18). Porém um terceiro grupo pensava que Jesus era insano e deveria ser ignorado (João 10.20).
 
Muitos chamados “cristãos” da atualidade tentam adotar uma posição de compromisso e alegam que Jesus foi um homem bom – que foi até um homem perfeito – porém não era Deus. Adeptos de outras religiões, e até mesmo estudiosos. chegam a considerar que ele foi um homem bom, um grande Mestre, um “Iluminado”, um profeta. Considerações cuidadosas das afirmações e ações de Jesus, entretanto, excluem esta conclusão. As únicas possíveis explicações sobre Jesus são as três que foram propostas no primeiro século. Vejamos as possibilidades:
 

1. Jesus é quem alegou ser, o Filho de Deus, ou

2. Ele era louco e erroneamente se julgava Divino, ou

3. Ele foi o maior mentiroso que já existiu.

 
Consideremos as possibilidades à luz das ações e afirmações históricas de Jesus registradas nos Evangelhos.
 
As Afirmações de Jesus
 
Jesus não fez nenhuma tentativa de esconder suas afirmações de Divindade. Ele repetidamente afirmou que era o Filho de Deus (João 9.35-38; Mateus 16.16-20; etc). Os judeus da época de Jesus estavam certos de que esta era uma afirmação de igualdade a Deus (João 5.18), que Jesus julgava-se ser Deus. A própria linguagem de Jesus não deixou dúvidas, conforme ele aplicou a descrição “Eu Sou” para si próprio (João 8.24-58; veja Êxodo 3.13-14). Jesus claramente afirmou ser Deus!
 
O que faremos com as afirmações de Jesus? Se elas são verdadeiras, então Jesus é Divino. Se elas são falsas, então Jesus intencionalmente mentiu e foi assim um terrível farsante, ou ele era louco e foi iludido por si próprio a acreditar e antecipar o mito de sua própria Divindade. Não podemos considerar suas afirmações e menosprezá-lo como meramente um homem bom ou perfeito. Ou ele é um lunático, ou um mentiroso, ou o Senhor de todos!
 
As Ações de Jesus
 
As ações de Jesus na terra foram inteiramente consistentes em relação às suas afirmações de Divindade. Ele atuou, sem se justificar, como Deus encarnado! Ele proclamou a habilidade de perdoar os pecados (Mateus 9.2-6). Os judeus sabiam que qualquer mero homem que fizesse tal afirmação era um blasfemador. Jesus também aceitou adoração dos humanos, depois de dizer sem dúvida que adoração pertence somente a Deus (Mateus 4.10; 8.2; 9.18; João 9.38). Nas ações de Jesus ele afirmava ser Deus. Quando a meros homens ou anjos foram oferecidos tal adoração, eles apressavam-se à proibi-la (Atos 10.25-26; Apocalipse 22.8-9).
 
O que faremos com as ações de Jesus? Se ele foi um mero homem, certamente os judeus estavam certos em acusá-lo de blasfemar, por ter se apresentado como Deus. Não podemos atribuir suas ações a um simples homem e considerá-lo bom e perfeito. Jesus foi o Senhor, que afirmou ser, ou ele foi um mentiroso, ou um lunático.
 
Os Sinais de Jesus
 
Agora vamos para um verdadeiro teste das afirmações da Divindade de Jesus. Se ele realmente é Deus, criador e sustentador do universo, então seria razoável esperar que suas palavras fossem confirmadas com inegáveis demonstrações de poderes sobrenaturais. Os sinais, ou milagres, de Jesus preenchem um importante papel neste sentido. Os relatos do evangelho são cheios de detalhes de vários milagres os quais Jesus realizou. Estes milagres são claras e inegáveis demonstrações de poder. Jesus curou pessoas de evidentes enfermidades, ressuscitou os mortos, acalmou os mares, etc.
 
Até seus adversários não negaram a veracidade de seus milagres. Eles contestavam a fonte de seu poder (Mateus 12.22-28) e as autoritárias afirmações de que se podia perdoar pecados (Mateus 9.1-8). Eles criticaram porque Jesus curou nos sábados (João 9.13-16). Mas, não negavam a autenticidade de seus milagres! Jesus não é lunático, nem mentiroso e sim o que ele mesmo afirmava ser, Deus.
 
A Ressurreição de Jesus
 
O túmulo de Jesus foi encontrado vazio três dias após sua morte. Desde a época da morte de Jesus, existem duas explicações do sepulcro vazio. Uma é a explicação bíblica sobre qual a fé dos cristãos está  baseada em que Jesus ressuscitou dos mortos (1 Coríntios 15.3-4,14). A outra é aquela que foi tramada pelos mesmos homens que organizaram desonestamente a traição, julgamento e crucificação de Jesus. Os líderes religiosos subornaram os soldados para que disseram que o corpo de Jesus tinha sido roubado (Mateus 28.11-15). Note três falhas fatais desta explicação:
 
a) Foi comprovado que os sacerdotes mentiram.
b) O corpo nunca foi encontrado.
c) Os “ladrões de covas” (apóstolos) citados sofreram torturas terríveis e escolheram morrer porque não quiseram se retratar de sua afirmação que Jesus realmente ressuscitou. Homens morrem pelo que acreditam. É um absurdo afirmar que uma dúzia de homens estariam querendo morrer por uma mentira tão conhecida! A ressurreição apresenta-se como a máxima evidência da Divindade de Jesus.
 
Qual é a importância Disto?
 
Esses pequenos exemplos acima (as afirmações, as ações, os sinais, e a ressurreição de Jesus) servem meramente para apresentar a abundante evidência da Divindade de Jesus Cristo. Numa época em que a dúvida e a descrença estão em alta, toda pessoa que deseja seguir Jesus precisa cuidadosamente considerar o caso para com a Divindade de Cristo. Jesus mesmo declarou o significado deste tema quando ele disse: “Se não crerdes que Eu Sou, morrereis nos vossos pecados” (João 8.24). Você pode dizer, como o “duvidoso” Tomé disse, que Jesus Cristo é “meu Senhor e meu Deus” (João 20.28-31)? Sua resposta para esta questão é de eterno significado. Considere isto cuidadosamente.
 

Texto original de Denis Allan 

O Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Gerhard Müller, colocou um fim no debate sobre a situação dos divorciados em nova união dentro da Igreja e a possibilidade de que comunguem a partir de uma proposta dos bispos alemães durante o Sínodo da Família.

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Em uma entrevista concedida esta semana ao jornal Kölner Stadt-Anzeiger, de Colônia, a autoridade vaticana descartou que a Igreja possa reinterpretar os ensinamentos de Cristo sobre o matrimônio.

O Cardeal também negou que haja uma “batalha” dentro do Vaticano acerca deste tema e explicou que o Cardeal Walter Kasper – que promove há vários anos a comunhão para divorciados em nova união – já se retratou por ter usado uma metáfora que sugeria tal enfrentamento.

“Não é possível negociar o ensinamento de Jesus Cristo. E este ensinamento é, depois de tudo: o que Deus uniu, o homem não separa. Não pode haver nenhum compromisso nisto”, sublinhou o Cardeal Müller e logo esclareceu que não podemos “como seres humanos converter a clara palavra de Deus em algo vago. Uma sólida aproximação pastoral é o contrário da relativização das palavras de Cristo”.

A autoridade vaticana reiterou que para o Papa Francisco a situação dos divorciados em nova união na Igreja não se limita a comunhão, mas pede sua integração na vida eclesiástica, “cujo último passo pode constituir a comunhão, depois de um processo de conversão e arrependimento se cumprirem com pré-requisitos geralmente válidos”.

“Não é possível um segundo matrimônio ou um segundo esposo, enquanto viva o anterior, segundo a interpretação católica das palavras de Jesus”, indicou o Cardeal Müller e adicionou que “a Igreja não é capaz de dissolver ou suspender um matrimônio válido e verdadeiramente sacramental”.

Neste sentido, precisou que “o Papa e todos nós queremos evitar cuidadosamente que as pessoas se afastem da Igreja como comunidade de salvação. Existem outras formas – teologicamente válidas e legítimas – de participar da vida da Igreja. A comunhão com Deus e com a Igreja não está só constituída pela recepção oral da Eucaristia”.

O Prefeito foi questionado especificamente a respeito da proposta que os bispos alemães, liderados pelo Presidente do Episcopado, Cardeal Reinhard Marx, apresentaram no Sínodo da Família a fim de permitir que os divorciados em nova união comunguem “olhando cada caso” e segundo sua consciência.

O Cardeal Müller explicou que isto seria possível somente “quando os esposos – como o Papa João Pablo II recordou o permanentemente válido ensinamento da Igreja sobre o matrimônio em sua Exortação Apostólica “Familiaris Consortio” (1981) — vivem juntos como irmão e irmã”.

O entrevistador recordou à autoridade vaticana que o Cardeal Marx considera irreal esperar que os casais convivam em abstinência sexual. E o Cardeal Müller recordou que “isso foi o que também pensaram os apóstolos quando Jesus lhes explicou a indissolubilidade do matrimônio (Mt 19, 10). Mas, o que parece impossível para os seres humanos é possível pela graça de Deus”.

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É interessante constatar como cada vez mais pessoas rezam o terço, e não somente as católicas: também membros de outras confissões religiosas estão descobrindo a riqueza desta oração. E muitos devem sua conversão ao santo rosário.
 
No entanto, também existem os que não o rezam porque têm objeções. Então, aproveitando o mês de outubro, que é o mês dorosário, vale a pena responder a algumas dessas objeções:
 
1. O terço não está na Bíblia
 
Claro que está! Certamente, não como o conhecemos hoje, mas todas as orações do terço e os mistérios que meditamos têm sua origem na Bíblia. Não foi por acaso que o Papa João Paulo II chamou o terço de “compêndio do Evangelho”.
 
2. Onde a Bíblia diz que devemos rezar o terço?
 
A esta pergunta podemos responder com outra: onde a Bíblia diz que devemos fazer só o que a Bíblia diz? Desde sua origem, a comunidade cristã se guiou pela Sagrada Escritura, mas também pelos ensinamentos dos apóstolos (como pede a Bíblia).
 
E se você quer cumprir o que a Bíblia diz, lembre-se de que a Bíblia pede para meditar sobre a Palavra de Deus, orar e interceder uns pelos outros. E o terço é isso!
 
Não nos esqueçamos de que Maria disse que todas as gerações a chamariam de bem-aventurada. Como cumpre esta promessa de Maria quem não reza a Ela?
 
3. Maria foi uma mulher como todas, morreu e não ouve nossas orações
 
Consideremos estas 4 afirmações (irrefutáveis, dado que são bíblicas):
 
– Maria foi escolhida por Deus para ser a Mãe do seu Filho. Isso a torna superior a todas as mulheres.
 
– No Antigo Testamento, vemos a grande importância dada à mãe de um rei e seu poder de interceder por alguém diante de seu filho.
 
– O Senhor, que nos mandou honrar nossa mãe, sem dúvida honrou a sua. Como? Libertando-a da corrupção do pecado e da morte.
 
– Jesus disse que Deus não é um Deus de mortos, mas de vivos, porque todos vivem para Ele.
 
Estas afirmações permitem concluir que Maria, como Mãe do Filho de Deus, Mãe do Rei, está no céu, junto a Jesus, e Ele atende sua intercessão por nós.
 
4. O terço dá mais importância a Maria que a Jesus
 
Tudo no terço nos faz olhar para Jesus. Rezamos o Pai-Nosso, que Jesus nos ensinou. Nas Ave-Marias, nós o proclamamos “Bentito” e pedimos à sua Mãe que rogue por nós. Além disso, todos os mistérios estão relacionados à sua vida.
 
5. O terço é uma oração repetitiva, como as que Jesus condena
 
Jesus não condenou a repetitividade, mas o vazio das preces. Ele mesmo justificou um publicano que pedia perdão repetitivamente. Repetir as orações no terço equivale a repetir a alguém que você o ama, e não se cansa de dizer nem ouvir isso. A sequência de Ave-Marias acalma a alma e permite contemplar cada mistério.
 
6. É complicado rezar o terço
 
É fácil rezar o terço e é fácil aprender a rezá-lo. Há uma verdadeira abundância de folhetos explicativos e pessoas que boa vontade que podem lhe ensinar.
 
7. Rezar o terço é chato
 
Chato é rezar mecanicamente, pensando em outra coisa e esperando acabar logo. Se você aproveitar cada mistério para contemplar a cena e sobretudo para relacioná-la com o que você está vivendo, conversando sobre isso com Maria, então rezar oterço será fascinante, sempre atual, e você gostará mais dele, porque o renova constantemente.
 
Artigo publicado originalmente por Desde la Fe

Steve Ray é um católico convertido, vindo do protestantismo batista. Ele é uma das grandes vozes católicas nos EUA. Desde sua conversão, Steve entrou no discurso entre denominações para responder à questões sobre o catolicismo, sobretudo de protestantes.

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Ao deixar-se conduzir pela Igreja, santos de todos os séculos puderam descobrir suas vocações na prática da leitura orante das Sagradas Escrituras.
A prática da Lectio Divina é uma das devoções mais presentes na vida dos santos. Por meio da meditação das Sagradas Escrituras, eles foram capazes de encontrar a face de Jesus, que se revela a cada versículo lido. É por isso que, querendo esmiuçar o valor dos Textos Sacros, São Jerônimo dizia a seus fiéis: “A ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo” [1]. Quem se põe a escutar a Palavra, escuta, pois, a própria voz de Deus; faz como reza o salmista: “É tua face, Senhor, que eu procuro” (cf. Sl 27, 8-9).

Diferentemente do que acusam os protestantes, a Igreja sempre incentivou a leitura das páginas sagradas. Ao mesmo tempo, os santos padres nunca deixaram de insistir numa leitura dentro da «tradição viva de toda a Igreja». Essa preocupação se deve ao fato de que também a Bíblia, quando mal interpretada, pode conduzir o homem ao erro.

Que foram as tentações de Cristo no deserto senão “tentações bíblicas”? Desafiou Satanás: “Se és o Filho de Deus, lança-te abaixo, pois está escrito: ‘Ele deu a seus anjos ordens a teu respeito; eles te protegerão com as mãos’” (cf. Sl 90, 11). Quando se perde a dimensão eclesiológica das Sagradas Escrituras, perde-se, por conseguinte, o próprio sentido das Escrituras, pois não seria possível crer em suas palavras se a isso não nos levasse a autoridade da Igreja [2].

Assim se justifica a luta do Magistério contra a doutrina luterana da Sola Scriptura (Somente a Escritura). Trata-se de uma defesa do sentido autêntico da Bíblia, de uma defesa contra reducionismos baratos, manipulações desonestas, fundamentalismos agressivos, que, no mais das vezes, levam grande parte dos cristãos à perda da fé, como também muitos céticos e pagãos a recusarem os ensinamentos evangélicos. Por outro lado, a prática da Lectio Divina, isto é, a leitura das Sagradas Escrituras realizada sob a luz da Tradição, longe de induzir os fiéis a falsas devoções, abre-lhes um caminho seguro para o encontro com Cristo. Isso porque, como definiam os Padres, “a Sagrada Escritura está escrita no coração da Igreja, mais do que em instrumentos materiais” — «Sacra Scriptura principalius est in corde Ecclesiae quam in materialibus instrumentis scripta». A religião cristã não é a religião do livro mas da Palavra, que é Jesus. Essa Palavra, por sua vez, confiou seu depositum fidei, quer por meio do testemunho oral, quer por meio do testemunho escrito, à tutela de sua Igreja.

Santos de todos os séculos experimentaram essa verdade, descobrindo suas vocações no seio da Igreja orante e intérprete fiel da Revelação [3]:

[…] Certamente não é por acaso que as grandes espiritualidades, que marcaram a história da Igreja, nasceram de uma explícita referência à Escritura. Penso, por exemplo, em Santo Antão Abade, que se decide ao ouvir esta palavra de Cristo: «Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que possuíres, dá o dinheiro aos pobres, e terás um tesouro no céus; depois, vem e segue-Me» (Mt 19, 21).

IGUALMENTE SUGESTIVO É SÃO BASÍLIO MAGNO, QUANDO, NA SUA OBRA MORALIA, SE INTERROGA: «O QUE É PRÓPRIO DA FÉ? CERTEZA PLENA E SEGURA DA VERDADE DAS PALAVRAS INSPIRADAS POR DEUS. (…) O QUE É PRÓPRIO DO FIEL? COM TAL CERTEZA PLENA, CONFORMAR-SE COM O SIGNIFICADO DAS PALAVRAS DA ESCRITURA, SEM OUSAR TIRAR NEM ACRESCENTAR SEJA O QUE FOR». SÃO BENTO, NA SUA REGRA, REMETE PARA A ESCRITURA COMO «NORMA RETÍSSIMA PARA A VIDA DO HOMEM».

SÃO FRANCISCO DE ASSIS – ESCREVE TOMÁS DE CELANO – «AO OUVIR QUE OS DISCÍPULOS DE CRISTO NÃO DEVEM POSSUIR OURO, NEM PRATA, NEM DINHEIRO, NÃO DEVEM TRAZER ALFORGE, NEM PÃO, NEM CAJADO PARA O CAMINHO, NÃO DEVEM TER VÁRIOS PARES DE CALÇADO, NEM DUAS TÚNICAS, (…) LOGO EXCLAMOU, TRANSBORDANDO DE ESPÍRITO SANTO: COM TODO O CORAÇÃO ISTO QUERO, ISTO PEÇO, ISTO ANSEIO REALIZAR!»
Scott Hahn, ex-pastor protestante, também experimentou essa verdade, assim como os santos, quando se decidiu por uma escuta da Palavra de Deus, alicerçada na grande Tradição da Igreja. Em seu comovente testemunho de conversão à fé católica, ele e sua mulher, Kimberly Hahn, contam como foram surpreendidos pela fé bíblica da Igreja, sobretudo na Santa Missa [4]:

[…] Então, subitamente, compreendi que era ali o lugar da Bíblia. Aquele era o ambiente no qual esta preciosa herança de família devia ser lida, proclamada e explicada. Depois passamos à liturgia Eucarística, onde todas as minhas afirmações sobre a Aliança encontravam o seu lugar.
Hahn foi um ferrenho opositor do catolicismo durante anos. Como pastor de linha calvinista, ele pregava “que a Missa católica era o maior sacrilégio que um homem podia cometer” [5]. Essa convicção o motivava a converter o maior número de católicos possível, a fim de retirá-los da idolatria. Seus estudos teológicos, por conseguinte, tinham por objetivo principal refutar cada ensinamento católico, mormente a divina liturgia, a autoridade do papa e a devoção à Virgem Santíssima. Nada que a Igreja Católica ensinasse poderia ser considerado bíblico.

Em 1979, poucos meses após a visita de João Paulo II aos Estados Unidos, Kimberly Hahn apresentou ao marido o livro “Sexo e a aliança matrimonial”, de John Kippley, que versava sobre a moral católica e a contracepção. A coerência dos argumentos era tão eloquente, que o casal, embora não admitindo ainda a verdade católica, viu-se obrigado a abandonar os métodos anticoncepcionais. Esse foi o primeiro passo para a reviravolta. Scott Hahn descobrira uma nova maneira de enxergar a Aliança de Deus: ela não era apenas um contrato; Deus queria uma família.

Após o episódio, Scott Hahn deu início a um estudo para fundamentar biblicamente as teses da Sola Fide — doutrina protestante que nega o valor meritório das boas obras — e da Sola Scriptura. Ora, a Sola Fide e a Sola Scriptura são como que duas colunas do protestantismo. Toda a fé protestante tem como ponto de partida esses dois preceitos básicos. A sua fundamentação era, portanto, imprescindível para o pastor. Mas qual não foi sua surpresa ao descobrir que ambas as teses luteranas não possuíam nenhum respaldo das Sagradas Escrituras. De fato, a Igreja Católica estava certa! Com efeito, conforme Scott Hahn se aprofundava em seus estudos, um a um iam caindo os dogmas do protestantismo: a proibição do batismo de crianças, a negação das imagens, o repúdio ao culto mariano etc. Scott iniciava o caminho para a Igreja.

Scott Hanh converteu-se à Igreja Católica na páscoa de 1986, mesmo sob forte oposição de amigos e familiares. Anos mais tarde, seria a vez de sua mulher, Kimberly, buscar a comunhão com a Igreja de Cristo, pedindo o batismo e os demais sacramentos da iniciação cristã. Hoje, ambos ministram palestras em todo o mundo, a fim de esclarecer os fundamentos bíblicos da Igreja Católica, bem como a riqueza de sua liturgia. Graças à sua história de conversão, Scott é considerado o “Martinho Lutero às avessas”. Ele descobriu que também a Bíblia leva-nos a Roma.

Fonte: Catholicus

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…Nossa missão não é atacar a moral, o caráter e nem a ética da pessoa maçom, mas unicamente pontos filosóficos que são dogmas de vida para os maçons e que estes mesmo dogmas são contrários aos ensinamentos doutrinários Católicos.(…)

Quando um candidato a maçom ingressa na maçonaria ele é obrigado a fazer este juramento:

“Eu (cita o seu nome), juro e prometo, de minha livre vontade e por minha honra e pela minha fé, em presença do Grande Arquiteto do Universo e perante esta assembleia de maçons, solene e sinceramente, nunca revelar qualquer dos mistérios da maçonaria que me vão ser confiados, senão a um legítimo irmão ou em loja regularmente constituída; nunca os escrever, gravar, imprimir ou empregar outros meios pelos quais possa divulgá-los. Se violar este juramento, seja-me arrancada a língua, o pescoço cortado e meu corpo enterrado na areia do mar, onde o fluxo e o refluxo das ondas me mergulhem em perpétuo esquecimento, sendo declarado sacrilégio para com Deus e desonrado para os homens, Amém”.

REFERÊNCIA: (Ritual do Simbolismo Aprendiz Maçom, 2ª edição – Rito Escocês Antigo e Aceito, julho de 1979, pp. 51,54).

No primeiro grau da maçonaria o candidato admite que é profano, que está em trevas em busca de luz, pois a maçonaria afirma que todos os que não são maçons estão em trevas.

Isso não pode ser aplicado a um Católico, pois o mesmo através do batismo é uma nova criatura em Cristo Jesus.

Agora nos deteremos a pontos dogmáticos maçônicos que são inadmissíveis para um católico. Para isto, utilizaremos fontes maçônicas e colocaremos em contraste ao pensamento Católico.

A BÍBLIA:

“A bíblia para a maçonaria é apenas um livro sagrado, entre outros. A bíblia é uma metáfora da vontade divina”REFERENCIA: Nogueira filho, “MAÇONARIA, RELIGIÃO E SIMBOLISMO”.

Para a maçonaria tanto faz o Alcorão dos muçulmanos, o Gita dos hindus e etc. “É apenas um livro sagrado, entre outros”.  

A Igreja Católica diverge desse pensamento e diz que a Bíblia é a Palavra de Deus escrita.

DEUS:

O conceito de Deus para a maçonaria é sincrético, conforme Albert Pike no livro “Moral e Dogma”, e não de um Deus pessoal, como nós Católicos acreditamos.

Albert Pike é um dos mais renomados maçons. Poderíamos atribuir-lhe o epíteto de “Papa da maçonaria”, devido a sua tão grande influência.

Albert Pike diz: “Deus não é um ser absoluto”. REFERÊNCIA: Décimo quarto grau – Moral e Dogmas – p. 223.

Conforme o candidato maçom vai progredindo nos diversos níveis (graus) maçônicos, ele aprende um nome sincrético de Deus: JA-BUL-ON (JABULON).

JA = refere-se ao Deus Javé / BUL = refere-se ao deus pagão Baal / ON = refere-se ao deus sol egípcio. Ou seja, existe um sincretismo no conceito de Deus.

Para nós católicos, isso seria uma blasfêmia ao nome de Deus, sendo que seu nome estaria posto ao lado de dois deuses pagãos para ser adorado. Deuteronômio 6, 4: “O Senhor Deus é o único Senhor”

Respeitamos a crença daqueles que adoram estas divindades, mas enquanto Católicos convictos, não podemos aceitar!

Em Isaias 43, 10 o próprio Deus deixa claríssimo que não aceita compartilhar o seu nome com o nome de outros deuses.

Por tanto, fica claríssimo a divergência entre o Deus Católico e o Deus maçônico, sendo que para um, Deus, é um Deus Pessoal e zeloso, que não aprova outros deuses diante de si (Deus conforme o pensamento Católico); Enquanto o outro é um deus sincretista, que compartilha de várias “divindades”.

JESUS:

Albert Pike, mais uma vez em seu livro “Moral e Dogma, p. 541, explica o pensamento maçônico sobre Jesus: “Ousamos afirmar, aos sinceros cristãos, que Jesus de Nazaré, não foi nada mais do que um homem como nós. Sua estória é uma falsa personificação de uma lenda”.

ISTO É INADMISSÍVEL PARA UM CATÓLICO! Jesus é verdadeiro DEUS e verdadeiro homem! Não obstante, os maçons trata a vida de Cristo como fantasia, uma estória! ISSO É UMA BLASFÊMIA PARA COM A PESSOA E VIDA DE CRISTO!

Os maçons dizem que Jesus, Maomé, Buda e etc, são seres iluminados e são todos iguais. Ao chegar ao grau 33, o maçom torna-se como esses, “iluminados”.

Vejam o erro gravíssimo e inadmissível PARA UM CATÓLICO!

Outro grande maçom de renome, Manly P. Hall, grau 33, diz sobre Jesus: “O verdadeiro maçom não é limitado por credos. Ele percebe com a iluminação divina de sua Loja que, como um maçom, sua religião deve ser universal: Cristo, Buda ou Maomé, o nome pouco importa, pois ele reconhece só a luz e não o portador. Ele adora em todo santuário, dobra-se diante de cada altar, quer no templo, na mesquita ou na catedral, percebendo com sua compreensão mais genuína a unidade de toda a verdade espiritual”. REFERÊNCIA: Livro: As chaves perdidas da maçonaria, p. 65.

A isto, dito por Manly, não precisamos argumentar, pois é escandaloso para um Católico consciente não reconhecer tamanha gravidade.

É claríssimo que a maçonaria não aceita Jesus como Deus, sendo ele apenas um mestre da moralidade e eles não negam isso, basta que agora a pessoa que se diz Católico sair desse transe em que reina sua consciência.

Nós católicos cremos que Jesus é Deus e que não há salvação em outro nome.

Como então um Católico que se torna maçom, pode dá testemunho de cristão, sendo que para a maçonaria, Jesus não pode ser adorado e não é nada mais que um simples mestre?

PERGUNTEM A UM MAÇOM SE O GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO PODE SER AO MESMO TEMPO JESUS CRISTO?! ISSO É INADMISSÍVEL PARA A MAÇONARIA. ENTÃO, PORQUE NÃO SERIA INADMISSÍVEL PARA NÓS, CATÓLICOS?!

POR ISSO É QUE A SANTA IGREJA CONDENOU E CONTINUA CONDENANDO A MAÇONARIA, ATRAVÉS DO DOCUMENTO “DECLARAÇÃO SOBRE A MAÇONARIA”, QUE PODE SER LIDO DIRETO DO SITE DO VATICANO. (link abaixo).

http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_19831126_declaration-masonic_po.html

Fonte aqui

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Nestes primeiros dias de novembro, em que recordamos com mais intensidade os fiéis defuntos, católicos de todo o mundo oraram e homenagearam os seus entes queridos que já faleceram. Em meio às reflexões que esta época do ano desperta, surge com certa frequência uma indagação: como é que os católicos devem encarar a possibilidade da cremação?

A meu ver, há duas questões que devem ser consideradas a este respeito:

Em primeiro lugar, a Igreja permite a cremação?

E em segundo lugar, é uma alternativa adequada para os católicos homenagearem os seus entes queridos que já partiram?

A resposta para a primeira indagação é que a Igreja permite, sim, cremação, desde que as cinzas restantes sejam devidamente enterradas. Uma autorização de 1963, incluída no Código de Direito Canônico de 1983, especificou que a cremação é permitida sempre que não seja escolhida “por razões contrárias à doutrina cristã”. Os católicos falecidos podem ser cremados, portanto, sem que seja violada a lei da Igreja. No entanto, em vez de as suas cinzas serem lançadas ao mar ou mantidas dentro de uma urna em algum local da casa, os restos devem ser armazenados num recipiente respeitoso e em seguida enterrados, como no sepultamento tradicional.

Mas será que a cremação, mesmo sendo permitida, é mesmo a melhor opção para um católico? Será que ela é recomendável no contexto da nossa fé? Com base numa tradição católica mais ampla, parece ficar claro que a cremação é reservada para casos excepcionais, em que existem fortes razões práticas para que o corpo seja cremado (na maioria desses casos, para evitar a propagação de doenças infecciosas). Como nem a cremação nem o enterro constituem um sacramento, a importância da escolha é principalmente simbólica. Mas nós, como cristãos, devemos escolher o sepultamento, sempre que possível, como a maneira mais adequada de homenagear os nossos entes queridos em harmonia com a nossa fé.

Para começar, o próprio Jesus Cristo, nosso Senhor, foi sepultado antes de ressuscitar. Nós também seremos ressuscitados. É claro que Deus pode, na sua onipotência, ressuscitar uma pessoa cujos restos foram destruídos pelo fogo, mas o sepultamento expressa melhor a nossa esperança na graça redentora de Deus e a nossa expectativa da vida nova na eternidade.

Quando eu vou a um cemitério, fico imaginando que, debaixo da terra, as pessoas falecidas e sepultadas estão esperando para ser chamadas. Seus corpos, criados à imagem de Deus e cuja forma Ele mesmo se dignou a assumir ao encarnar-se, não são simplesmente descartados. Os corpos dos fiéis defuntos serão retomados de uma forma mais gloriosa ao serem ressuscitados. O enterro nos ajuda a apreciar melhor essas verdades da nossa fé e a nos sensibilizar para a morte de um jeito mais católico. É por isso que os primeiros cristãos insistiram na escolha do sepultamento dos seus mortos, embora este não fosse o costume do seu tempo; é por isso que o enterro foi consistentemente preferido ao longo de toda a história da cristandade, chegando a ser até obrigatório por lei, tanto religiosa quanto civil. Antes de 1963, o funeral católico não era permitido para os católicos que solicitavam a cremação. E mesmo depois de alterada esta lei, continua sendo “fervorosamente recomendado” que se opte pelo enterro em vez da cremação, porque o sepultamento é um costume mais adequado à nossa fé na ressurreição dos mortos.

A cremação, além do mais, tem fortes associações com o panteísmo, com o niilismo e com a rejeição pura e simples da matéria. Algumas religiões orientais ensinam que os mortos simplesmente deixam de existir como pessoas individuais; a cremação simboliza, assim, a desintegração do indivíduo como tal. Outros povos, como os antigos gregos e romanos, viam o corpo basicamente como um invólucro descartável. E outros grupos, sectários ou herméticos, chegaram a recomendar a cremação explicitamente como forma de negar a crença cristã na ressurreição.

Por que a cremação vem sendo escolhida com crescente frequência nas sociedades ocidentais de hoje? Algumas pessoas a procuram apenas por ser um jeito mais rápido de se livrar de um corpo (e, em alguns casos ou países, mais barato, considerando-se o dinheiro que seria gasto nos funerais, na compra de um terreno no cemitério e na construção e manutenção de um túmulo ou jazigo). Além disso, economiza-se espaço de terra. Já ouvi pessoas idosas usando estes argumentos para explicar o seu desejo de ser cremadas: na ânsia de aliviar os familiares do fardo econômico do funeral, elas acabam deixando de levar em conta outras necessidades, emocionais e espirituais, das pessoas que vão deixar para trás.

Eu, pessoalmente, acho um pouco desolador que as pessoas foquem mais nas facilidades e comodidades práticas do que no apreço pelos gestos de honra à memória dos falecidos e de fé na sua ressurreição. Talvez as pessoas que dão esse tipo de instrução à família nem sempre pensem que a própria família preferiria lhes oferecer um ritual que, em seu coração, os homenageasse melhor; além disso, o “fardo” ligado aos ritos de sepultamento, que, na verdade, é um “fardo” abençoado, poderia trazer mais conforto aos enlutados.

O apelo exercido pela cremação também nos diz algo sobre o “desenraizamento” das pessoas de hoje em dia. Os cristãos que mantiveram uma forte ligação com algum lugar especial do mundo normalmente querem ser enterrados nesse lugar. Hoje, no entanto, as pessoas mudam de endereço com muito mais frequência e podem sentir o desejo de ser literalmente “espalhadas aos ventos” depois da sua morte. Também é provável que as pessoas de hoje, que acham tão difícil disciplinar os apetites sensuais, se sintam especialmente atraídas pela ideia do “descarte” simbólico do próprio corpo, que seria considerado mais como um peso do que uma bênção para a alma; por isso, pareceria melhor livrar-se dele finalmente.

Como cristãos, nós sabemos que essas visões são errôneas, já que somos criaturas psicossomáticas, criadas por Deus como unidades de corpo e alma. Embora afetados pelo pecado original, os nossos corpos ainda conservam a sua bondade: eles são criados por Deus. Nossos corpos vão nos acompanhar, de uma forma aperfeiçoada, ao longo de toda a eternidade. E, como São Paulo disse aos coríntios, o último inimigo a ser destruído será a morte.

Na expectativa daquele dia, seria mais recomendável enterrarmos os nossos defuntos e alimentarmos a esperança nos bens que virão na eternidade.

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