Da Sicília até a Escandinávia: no velho continente secularizado centenas de edifícios sagrados do cristianismo mudam de função.

Tapetes em vez de genuflexórios. O árabe que ecoa em locais onde, por séculos, rezou-se em latim e italiano. E, pendurados nas paredes, não mais retratos de santos, mas relógios digitais que marcam a hora e a posição da Meca. Essa é a segunda vida da igreja de San Paolino dos jardineiros, no coração da antiga Palermo, a poucos passos da Catedral. A primeira igreja da italiana convertida em mesquita, em 1990, hoje não é apenas o centro do Islã na Sicília, mas também um exemplo para novas mesquitas que estão surgindo em toda a Europa no lugar de igrejas agora vazias, desconsagradas e abandonadas. ( Veja fotos abaixo da Mesquita de Palermo, uma ex Igreja católica.)

Escritórios nos lugares sagrados

Na Grã-Bretanha, Alemanha, França, Suécia, Bélgica e Holanda são cada vez mais numerosas as comunidades cristãs que preferem tornar rentáveis os espaços, cedendo a outra religião os lugares de culto religioso abandonados pela evasão dos fiéis e que acabam por se tronar pior do que inúteis, apenas caros. Porque entre a manutenção de uma igreja onde ninguém mais entra e vender, a segunda opção hoje, pelo menos na Europa do Norte, está se tornando de longe a favorita. Apenas na Frísia, no norte da Holanda, cerca de 250 das 720 igrejas fecharam suas portas e tornaram-se apartamentos, escritórios, restaurantes ou, em alguns casos, mesquitas.

No Reino Unido, em Manchester, Bradford, Londres e algumas pequenas cidades, quem arrematou as igrejas foram as comunidades islâmicas, em busca de um lugar para seus fiéis. Os preços, em um país que vende as casas por uma libra nas áreas mais depauperadas, embora sejam mantidos em segredo, parecem ser verdadeiras barganhas.

No Midlands são várias as negociações em curso em cidades de médio porte. Por outro lado, muito prosaicamente, como explica um estudioso do Alcorão de Marselha que prefere manter o anonimato, “mesmo para as religiões vale a lei do mercado, se as pessoas já não entram mais na queijaria, mas querem comer peixe, o queijeiro fecha e entre as mesmas quatro paredes abre seu negócio um peixeiro”. O peixeiro que tomou o lugar do queijeiro em Palermo está encravado entre os três principais mercados da cidade: Ballarò, Il Capo e Vucciria. Na fachada tem uma placa bastante discreta, com a simples inscrição “mesquita” em italiano e árabe. A separação com a rua é feita por um longo portão preto e um pequeno quintal cimentado. À direita na entrada, as prateleiras onde deixar os sapatos. No canto, uma enorme cortina verde separa os lados: é onde as mulheres podem rezar, mantidas rigorosamente longe dos olhares masculinos.

A atmosfera é estranha, como confirma o fundador da Ucoii (União das comunidades e organizações islâmicas na Itália) Hamza Piccardo: “Afinal estamos em todos os sentidos dentro de uma igreja barroca, embora modificada”. Mesmo o altar desapareceu. Se for deixada de lado a instalação-provocação de Christophe Buechel, que em 2015 transformou uma igreja em mesquita na Bienal de Veneza – provocando um enorme rebuliço animado por ameaças, guardas municipais fazendo o isolamento, empurrões, insultos e documentos oficiais enviados até aos tribunais – na Itália são apenas duas igrejas hoje oficialmente transformadas em mesquitas, essa de Palermo e a de Agrigento, inaugurada em março de 2015, onde antes funcionava uma igreja evangélica.

Mas é, sobretudo, na Alemanha que a tensão tem aumentado nos últimos anos pelo elevado número de mesquitas já construídas ou em construção, graças às ricas doações vindas da Turquia e dos países árabes. De acordo com o Zentralinstitut Islam-Archiv são mais de 100 mesquitas cujos locais já estão em funcionamento ou vão abrir em breve, enquanto as igrejas fechadas, apenas de 2000 a hoje, seriam mais de quinhentas, entre católicas e protestantes. As mesquitas de duas cidades importantes, como Duisburg e Hamburgo, surgiram justamente sobre as cinzas de duas igrejas e foram as detonadoras de duras polêmicas políticas e conflitos raciais.

Coletas para a compra

Daniel Abdin, diretor do centro islâmico Al Nour de Hamburgo viveu pessoalmente o desgastante trabalho da compra, em 2012, e depois da construção: “Todos tentaram atrapalhar as negociações, associações cristãs, partidos políticos e pessoas comuns. A verdade é que aquela igreja já estava fechada há dez anos, ninguém a frequentava. Tornou-se um bastião do cristianismo somente depois que nós a compramos”. Os mesmos mecanismos estão sendo repetidos na Bélgica. E o mesmo discurso vale para França e Suécia: a mesquita de Graulhet, aberta na década de 1980 e em condições de unir a malha social bem mais do que afrouxá-la, e a super coleta de três milhões da igreja de Nacka para construir ao lado do edifício cristão uma mesquita, são dois casos emblemáticos da coexistência pacífica. Mas não são suficientes para compensar situações explosivas em lugares com alto índice de risco, tais como Malmoe.

Ou Marselha, onde deflagrou-se um rumoroso caso político em torno da sinagoga no centro da cidade comprada e depois convertida em mesquita. Ela está localizada na rue Saint Dominique, bem próxima da estação de Saint-Charles, a maior da cidade, e ao lado do cartão postal do Vieux Port. O edifício, anônimo, poderia ser qualquer coisa. A indicar a existência de uma mesquita é apenas a palavra ‘Associação Islâmica Al Badr’. Nas quintas-feiras não se vê ninguém e é mais animada a loja em frente que vende roupas islâmicas e fidget spinner, o brinquedo do momento. Mas, nas sextas-feiras, o dia islâmico da oração, é um intenso vai-vem de homens e crianças todos arrumados, com roupas brancas e elegantes. Entre o pessoal de 20-30 anos o “uniforme” é o do time de futebol local, o Olympique de Marseille. O portão aberto permite entrever as obras em curso e um teto do qual pendem uma série de cabos que parece infinita. Foi aberta há pouco mais de um ano, mas ainda é um canteiro de obras. Porém, para os católicos e os judeus extremistas, a mesquita Al Badr é o início de uma colonização, uma invasão.

Al Badr é também o nome de uma associação fundada em 2009 em Marselha para uma série de objetivos nobres: organização de viagens para os lugares sagrados do Islã, cursos para alfabetização, atividades sociais e recreativas. Mas quem não a vê com bons olhos, aponta o dedo para outra de suas atividades bem menos divulgada: Al Badr, de fato, recolhe fundos para comprar igrejas e sinagogas no sul da França e ao mesmo tempo serve de contato para encontrar vendedores. Até agora, a mesquita da Rue Saint-Dominique é sua única aquisição: antes era a sinagoga Or Torah. Mas o rabino que a vendeu por 400 mil euros, não se arrependeu. Zvi Ammar, presidente do Consistório israelita de Marselha, lembra que os judeus que viviam perto da sinagoga já haviam todos se mudado para outros bairros da cidade: “A sinagoga estava vazia há anos, e é preciso lidar com as mudanças sociais. Os judeus em Marselha são cerca de 70.000, e os muçulmanos mais de 220.000. No gueto, a sinagoga está sempre lotada, aqui não tinha mais razão para existir. Passamos de uma centena de pessoas em oração na década de 1970, para menos de vinte pessoas para o Shabat”.

“Há espaço para todos”

Os homens do lado de fora da sinagoga que se tornou mesquita não gostam de falar dos fins de associação. Numa primeira abordagem todos se dizem membros, próximos ao imã. Mas assim que o discurso se volta para as ambições expansionistas da Al Badr, ninguém sabe nada. Ahmed, vestindo a camiseta do ídolo de futebol local André-Pierre Gignac, sonha com uma “mesquita cintilante, construída a partir do zero, sem um passado complicado. Mas lá de onde eu venho, costuma-se dizer que o que você tem é muitas vezes mais do que aquilo que você merece”.

O amigo Omar, argelino, jovem, impetuoso e à procura de emprego, defende Al Badr, mesmo repetindo várias vezes que não conhece bem os mecanismos: “Os muçulmanos aumentam na França, é normal ver crescer também o número de mesquitas. E o problema, até onde eu sei, não são os sacerdotes e os rabinos que não querem vender, mas é a arrecadação de fundos. Eu não ficaria surpreso se dentro de quatro ou cinco anos as igrejas convertidas em mesquitas fossem cinco ou dez apenas na Riviera Francesa. Mas não se trata de uma guerra para ocupar posições, é simplesmente o mundo que está mudando”. Enquanto isso, outras cidades importantes como Lille e Nantes encontram-se com minaretes lá onde antes apareciam os campanários. Berlim está vivenciando um caminho oposto com a abertura da House of One, um lugar onde cristãos, muçulmanos e judeus podem orar todos sob o mesmo teto.

Uma transformação gradual

Uma experiência que Mustafa Abderrahmane, imã da mesquita de Palermo, não vê com bons olhos: “Cada religião precisa ter o seu próprio espaço, sem rivalidades, mas sim tentando se abrir para os outros, organizando reuniões nas igrejas e mesquitas. Nós fazemos isso há anos, e isso funciona. É tudo uma questão de criar um ambiente positivo”. A convivência entre os moradores de Palermo e a igreja local é o menor dos problemas para o imã, “porque a Sicília é um lugar de misturas culturais, como mostra a sua história”. Apesar de ser testemunha direta de uma experiência bem sucedida e acertada, ele adverte os outros contra tentar replicar, neste momento, o modelo de Palermo: “Muitas pessoas envolvida com a política iriam explorar a construção de uma mesquita em vez de uma igreja. Somando o medo com os atentados e a desinformação sobre as atividades do Islã na Europa, não é sábio jogar gasolina sobre a fogueira neste momento”. Paradoxalmente o imã vez de defender a expansão do número de mesquitas é a favor de sua redução, pelo menos em Palermo: “Temos onze centros de oração diferentes na cidade, porque todo mundo quer dar voz a sua fatia de Islã, mas eu acho que isso é dispersivo para os fiéis e um enorme trabalho para a polícia que deve fazer os controles. É preciso uma maior centralização”. Em sua mesquita, quase duas centenas de pessoas se reúnem para as orações da sexta-feira. Mas se entrar na tarde quarta-feira, não passarão de duas ou três. Mohammed, um tunisiano, não tem nenhum problema em interromper a sua oração, explicando que “a mesquita Palermo é um grande presente, uma oportunidade para todos os muçulmanos”. Para ele, o fato de que ela tenha sido edificada sobre uma igreja “não é relevante”. “Hoje é um lugar onde nós nos reunimos para rezar, ontem outros fizeram o mesmo. Aqui há espaço suficiente para todos”.

A nova paisagem urbana de Palermo

Na verdade ninguém quer fechar a mesquita, ou devolvê-la à Igreja. Giuseppe Vitale, que agora tem mais de 70 anos e se define como um “católico praticante há gerações”, nem repara mais na mesquita, mesmo vivendo há pouca distância: “É parte da paisagem, tanto quanto uma igreja, uma árvore, um bar ou um carrinho que vende cachorro-quente”. A placa com a palavra mesquita na entrada, enegrecida pela fumaça, ajuda na mimetização com a paisagem.

Assumindo que sirva.

Tudo parece fácil, na opinião do Imã e dos moradores do bairro. Mas hoje na Itália, replicar o modelo Palermo parece realmente ter-se tornado impossível. O ano de 1990, data da inauguração, parece muito distante, bem mais do que os 27 anos mostrados pelo calendário. Os católicos extremistas prontos para montar barricadas, se existirem em Palermo, não se expõem. Talvez esperem que surja um Emil Cioran italiano para falar por eles. Na França, o filósofo existencialista romeno adotado pelos parisienses atualmente é citado sem parar, cada vez que se inicia um debate interreligioso devido a uma frase contida em uma sua correspondência com o erudito austríaco Wolfgang Kraus: “Os franceses não acordarão até que Notre-Dame seja transformada em mesquita”.

La Stampa, 11-12-2017

 

 

 

As filiais belgas da Cruz Vermelha receberam uma mensagem de e-mail enviada pelo Comitê Provincial de Liège pedindo que todos os crucifixos sejam retirados dos centros que essa organização internacional de ajuda possui no país.

André Rouffart, presidente da entidade em Verviers, confirma o fato:

“Eles nos pediram para respeitar os princípios da entidade (…) sem distinguir entre raças ou crenças religiosas”.

Rouffart afirmou que voluntários e outros membros da organização manifestaram descontentamento com a decisão, que consideram uma forma de censura. Um voluntário entrevistado pela rede belga RTL denunciou:

“Esta é a decadência da Bélgica. Substituímos o Natal pelas férias de inverno. O mercado natalino de Bruxelas agora se chama ‘Prazeres de Inverno’. As cruzes foram retiradas das casas da Cruz Vermelha e, especialmente, de Verviers, por causa de certa parcela da população”.

Ele se refere a pressões que estariam sendo exercidas por grupos muçulmanos.

As objeções islâmicas a símbolos da Cruz Vermelha que evocam o cristianismo não seriam novidade.

Em 1876, o Império Otomano se queixou de que a bandeira da Cruz Vermelha evocava raízes cristãs e, portanto, era ofensiva para os soldados muçulmanos. Diante disso, o movimento decidiu oficialmente promover a ideia de que a bandeira da Cruz Vermelha não evocava religião alguma, tratando-se da inversão das cores da bandeira da Suíça, país natal da entidade e referência de neutralidade. Mesmo assim, a cruz foi sendo substituída em países muçulmanos pelo símbolo islâmico da meia-lua (ou lua crescente) – no Irã, chegou a ser usado até 1980 o emblema persa do leão e do sol, ambos em cor vermelha, mas hoje o país também usa a meia-lua islâmica. O próprio nome da Cruz Vermelha, nessas nações, foi trocado para Crescente Vermelho.

É relevante observar que o nome e o símbolo islâmicos, mesmo sendo abertamente religiosos, não despertam crítica alguma. Só os símbolos cristãos é que podem ser criticados e combatidos, “em respeito à neutralidade e à liberdade religiosa“… E isso que a própria Cruz Vermelha afirma (questionavelmente, diga-se de passagem) que a cruz da sua bandeira não teve origens cristãs.

Em resumo: nos países muçulmanos, a Cruz Vermelha pode (e deve) suprimir a própria identidade para dar lugar a símbolos abertamente islâmicos. Já na Bélgica, uma terra do âmbito cristão que deu origem a essa organização filantrópica, o crucifixo deve ser retirado e escondido para não “ofender” os seguidores do islã, que, no país, somam 6% da população.

A democracia manda lembranças..e a contradição também.

Aleteia

Polônia não abrirá o comércio aos domingos para dedicar esse dia a Deus, ao descanso e a família. O Congresso deste país aprovou na semana passada proteger o domingo, para impedir que as lojas abram neste dia e assim defender o descanso dos trabalhadores e respeitar o dia do Senhor.

A proposta foi apresentada pelos sindicatos do país Europeu, a qual foi acolhida pelo partido de governo Lei e Justiça, que é de caráter conservador, e pela mesma Igreja Católica, que deu as boas-vindas a esta iniciativa que busca manter o domingo como dia sagrado. A Conferência Episcopal deste país, através de um comunicado, felicitou a iniciativa.

Esta medida irá se implementar de maneira paulatina até 2020 quando as compras dominicais não serão permitidas. No ano de 2018 somente poderão abrir nos primeiros e últimos domingos do mês; e em 2019 somente no último. Já para 2020 todos os domingos serão festivos para os trabalhadores. Somente se permitirá abrir no domingo anterior a festas como Natal ou Semana Santa, além disso no último domingo de janeiro, abril, junho e agosto. Esta medida não se aplicará para o comércio online, nem para as padarias.

A votação ocorreu na sexta-feira, 24 de novembro, tendo como resultado um número significativo da votação: 254 deputados a favor de fechar o comércio aos domingos, 156 contra e 23 que se abstiveram de votar.

Para que a iniciativa seja estabelecida definitivamente resta somente que o Senado Polonês a ratifique antes de que seja assinada pelo presidente Andrzej Duda.

Em outros países europeus, como a Alemanha, a Constituição protege o descanso dominical. Assim diz o artigo 139: “o domingo e os dias reconhecidos oficialmente ficarão protegidos por lei como dias de descanso laboral e de recolhimento espiritual”.

O que diz o Catecismo

O debate sobre o tema também está aberto atualmente em países como França e Espanha, mas não se chegou a uma decisão que favoreça o descanso dominical.

O Catecismo da Igreja Católica em seu número 2176, diz sobre o Domingo como Dia do Senhor: “A celebração do domingo cumpre a prescrição moral, inscrita no coração do homem, de ‘dar a Deus um culto exterior, visível, público e regular sob o signo de sua bondade universal aos homens” (São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 2-2, q. 122, a. 4). O culto dominical realiza o preceito moral da Antiga Aliança, cujo ritmo e espírito recolhe celebrando a cada semana ao Criador e Redentor de seu povo”.

O domingo é o dia por excelência para a celebração da Missa do Senhor. A este respeito o Catecismo assinala: “A celebração dominical do dia e da Missa do Senhor tem um papel principalíssimo na vida da Igreja. ‘O domingo, no qual se celebra o mistério pascal, por tradição apostólica, há de ser observado em toda a Igreja como festa primordial de preceito'”.

Gaudium Press

Susanne Pelger é uma ativista LGBT com muito reconhecimento na Suécia. Ela tem doutorado em genética e é professora de biologia e matemática na Universidade de Lund. Nas últimas semanas ela ficou no centro de um debate sobre a sexualização precoce de crianças.

O motivo foi seu polêmico livro sobre transexualidade direcionado para a primeira infância. Com o título de Hästen & Husse [O Cavalo e seu Pai], a obra de 31 páginas conta a história de um cavalo que deseja ser um cachorro e se comporta como tal. O dono do cavalo é um homem que se veste de mulher e usa maquiagem.

A autora diz que o objetivo do livro é ensinar às crianças o mais cedo possível que elas podem ser “o que elas quiserem”. Assim como um homem pode chegar do trabalho, tirar o terno, colocar um vestido e maquiagem, o cavalo pode se comportar como um cachorro, roendo ossos e perseguindo gatos.

Com a ampla distribuição nas pré-escolas do país, Pelger comemora o interesse de editoras europeias em traduzir a obra para outras línguas.

A Suécia é um país conhecido pela sua posição liberal sobre a ideologia de gênero. A posição de Pelger é que o tema deve ser tratado na pré-escola pois ela teria conhecido vários alunos que passaram por um “realinhamento sexual” com idade muito baixa. Ela diz que a maioria tinha vergonha por não se sentirem “ajustados à norma, o que cria um sentimento de solidão e insegurança”.

Cavalo quer ser cachorro – Hästen & Husse

Com o discurso militante afiado, a autora afirma que a orientação sexual não se limita à opção binária de “menino ou menina”. Para ela, não se trata de sexualização infantil pois ela não fala sobre a relação sexual em si. “O tema ainda há um grande tabu, é um campo minado”, avalia.

Aprovado pelo ministério da educação da Suécia, Pelger diz que somente as imagens normalmente já servem para uma discussão animada em sala de aula.

Ela leu o livro para algumas crianças e fazia perguntas do tipo “Um homem pode usar um vestido e pintar seus lábios?”, ao que as crianças geralmente respondiam “Sim”, afirma.

Conforme reportou recentemente a rede CNN, há um forte movimento na Suécia para se usar nas escolas o pronome neutro “hen” para todos os alunos, independentemente do seu sexo.

“Hen” é um novo pronome, que seria um meio-termo entre “han” (ele) e “hon” (ela). Ele é utilizado para fazer referência a uma pessoa sem revelar seu gênero, seja porque é desconhecido, porque a pessoa é transgênero ou porque quem fala ou escreve considera supérfluo referir-se ao gênero.

No Brasil já existem movimento que tentam popularizar o “e” em substituição aos tradicionais “o” para palavras masculinas e “a” para palavras femininas. Não é incomum encontrar-se textos que se referem a “todes”, “menines”, “queride”, “bonite” nas redes sociais e em textos que pretendem apresentar uma linguagem “inclusiva” por aqui também.

 Sputnik News   Via G Prime

Apesar dos esforços do governo em desassociar os imigrantes islâmicos da onda de violência na Alemanha, alguns jornais estão furando o bloqueio e reportando que pelo menos 200 ataques a igrejas na região da Baviera nos últimos dois anos. 

O The European relata que os danos são variados, indo de cruzes arrancadas das cúpulas – com machados ou serras – a imagens de Jesus e de santos sendo destruídas. Há relatos de invasão dos templos, tanto evangélicos quanto católicos, nas regiões de Längental, Sylvensteinstausee e Tirol. Em alguns locais cruzes expostas em lugares públicos, típicas da região, foram derrubadas. Em alguns casos, imagens de Jesus foram desfiguradas.

Na paróquia de St. Anton, em Passau, o padre Manuel Schlög lamenta que houve uma invasão durante a noite. Tudo que havia no altar foi jogado ao chão, peças de ouro roubadas e os vândalos tentaram atear fogo, mas felizmente não tiveram sucesso. Mais do que o dano, que custará algumas dezenas de milhares de euros, o líder da igreja lamenta: “Foi um ataque à nossa fé”.

A polícia não prendeu ninguém, pois nessa região rural da Alemanha não é comum que templos tenham sistemas de segurança. Segundo a imprensa, são os milhares de imigrantes muçulmanos que chegaram à região que estão tentando semear o medo na população.

Uma reportagem recente do jornal Express dá conta de que ataques a locais de culto cristão são uma ordem do Estado Islâmico aos seus simpatizantes.

G Prime

Na Suécia, a cúpula da Igreja também tem seu dia de eleições gerais. No domingo, 900 mil suecos foram às urnas para escolher os representantes da maior organização religiosa do país, a Igreja da Suécia, instituição protestante de confissão luterana. Foi o maior comparecimento na história das eleições da instituição desde 1950.

sistema eleitoral dessa instituição cristã é único no mundo. A cada quatro anos, os cidadãos filiados à igreja elegem uma espécie de Parlamento da Igreja Sueca(Svenska kyrkan), a que é a maior organização religiosa do país.

Esse Parlamento é composto tanto por representantes do clero como por leigos e tem o poder de decidir não só questões mundanas, como a reforma das paróquias e o valor de doações a países pobres, mas também assuntos de ordem teológica – a exemplo do casamento entre pessoas do mesmo sexo, aprovado pela Igreja Sueca em 2009.

“A Constituição sueca é clara: a Igreja deve ser democrática e aberta”, diz à BBC Brasil a pastora sueca Jenny Sjögren, chefe do Departamento de Teologia e Ecumenismo da Igreja da Suécia.

As eleições, contudo, estão atreladas à política tradicional. Representantes de três dos oito partidos políticos tradicionais do país disputaram o pleito, ao lado de grupos independentes. Os resultados preliminares indicam que o Partido Social-Democrata, nacionalista e anti-imigração, conquistou a maior parcela dos votos e aumentou sua participação na Igreja.

“Pode-se dizer que a Igreja da Suécia tem um sistema eleitoral único no mundo, no sentido de que todas as instâncias do poder decisório da instituição são eleitas de forma direta. Embora as igrejas protestantes de países como a Noruega realizem algum tipo de eleições, em geral os pleitos ocorrem apenas a nível paroquial. Já na Suécia, desde a virada do milênio o próprio Sínodo Geral, que pode ser definido como o Parlamento da Igreja Sueca, é eleito nas urnas”, acrescentou Sjögren, que se tornou padre há 17 anos: desde 1958, a Igreja da Suécia aceita a ordenação feminina.

Regras

Para participar das eleições – seja como eleitor, ou como candidato -, o cidadão deve ser membro da Igreja da Suécia. A idade mínima para votar é de 16 anos, e a partir de 18 anos é possível se candidatar ao pleito.

No total, 5,2 milhões de suecos têm direito a votar no país de cerca de 10 milhões de habitantes.

A eleição de bispos e arcebispos na Suécia também costuma ser realizada com a participação popular: 50 por cento do eleitorado deve ser composto por leigos.

“Em várias partes do mundo protestante, as eleições de bispos e arcebispos se dão através do voto tanto de clérigos como de leigos. Isto se dá por razões históricas, diz Jenny Sjögren.

Em 2013, a Suécia elegeu pela primeira vez uma mulher como ‘arcebispa’ – a até então bispa da cidade de Lund, Antje Jackelén.

Campanha Eleitoral

Na mídia sueca, a cobertura da campanha para as eleições gerais da Igreja segue, ainda que em menor dimensão, o figurino dos pleitos políticos. Nesta reta final da corrida eleitoral, candidatos leigos e religiosos duelam na TV e no rádio, jornais debatem as diferentes propostas, e os “partidos” – chamados de “grupos” – apresentam filmes de campanha publicitária. Nas ruas, cartazes e panfletos reforçam o clima de eleição.

Todo o processo das eleições eclesiásticas é muito semelhante ao processo eleitoral para o Parlamento, assim como as regras democráticas que regem o funcionamento das assembleias eleitas pelos membros da Igreja”, diz à BBC Brasil o membro da Igreja David Axelson Fisk, que participou do comitê organizador das primeiras eleições gerais, na virada do milênio.

“Até o ano 2000, a Igreja da Suécia realizava apenas eleições a nível paroquial, como ocorre em outros países protestantes. Mas quando a separação entre Igreja e Estado entrou em vigor, naquele ano, entendeu-se que a forma mais democrática de gerir a instituição deveria ser através de eleições gerais e diretas para todas as instâncias do poder eclesiástico”, observa Fisk.

As eleições da Igreja da Suécia são organizadas em três níveis, num único dia de votação: a nível local, os membros de cada uma das 2.225 paróquias do país elegem uma Assembléia da Paróquia (Kyrkofullmäktige). A nível regional, os eleitores das 13 dioceses escolhem a Assembléia da Diocese (Stiftsfullmäktige), com 81 representantes. E a nível nacional, é eleito o Sínodo Geral da Igreja da Suécia(Kyrkomötet) – a mais alta instância da instituição, composta por 251 integrantes.

arcebispa sueca é a representante da Igreja para eventos ecumênicos e conferências internacionais, mas a autoridade máxima de poder decisório da instituição é o Sínodo Geral. E pelas regras suecas, os bispos não fazem parte do Sínodo, embora devam estar presentes nas sessões do órgão.

“Os 13 bispos do país podem se pronunciar ou apresentar propostas nas sessões do Sínodo, mas não estão autorizados a votar”, esclarece Ewa Almqvist, do departamento de Comunicação da Igreja da Suécia. Por outro lado, segundo Jenny Sjögren, os bispos detêm influência no poderoso Comitê Doutrinário do Sínodo.

Em sua composição atual, 187 dos 251 assentos do Sínodo Geral são ocupados por representantes leigos. Entre os 64 clérigos da assembleia, estão 61 pastora e três diáconos. Os valores suecos da igualdade de gênero também se refletem na formação da assembleia nacional eleita no último pleito: são 124 mulheres e 127 homens, segundo dados fornecidos à BBC Brasil pela Igreja da Suécia.

Os representantes eleitos não ganham salário: recebem apenas compensação pelas horas que deixam de trabalhar em seus empregos regulares, a fim de exercer suas atividades do Sínodo. E em cumprimento às práticas suecas de transparência, as atividades e finanças da Igreja da Suécia também são disponibilizadas para a fiscalização pública.

Críticas

Um dos principais temas do debate da campanha eleitoral deste ano foi o questionamento sobre a participação política nas eleições da Igreja.
Embora as agremiações que concorrem ao voto não tenham a denominação de “partido”, o fato é que três dos oito partidos políticos tradicionais do país disputam o pleito com suas próprias legendas, ao lado de grupos independentes – o Partido Social-Democrata, o Partido do Centro e o Democratas da Suécia, de extrema-direita.

“Há diferentes pontos de vista, e o tema é complexo”, diz a padre sueca Jenny Sjögren.

“Um eleitor pouco familiarizado com as questões da Igreja, por exemplo, pode sentir-se mais seguro ao votar no candidato de um partido político com o qual ele tem afinidade. Este seria um lado positivo de se ter representantes de partidos políticos tradicionais na disputa. Por outro lado, muitos começam a questionar esse envolvimento político na igreja. Mas cada vez mais, surgem novos grupos independentes que não possuem conexão com partidos. Portanto, este é um processo em evolução”, ela ressalta.

Êxodo

Apesar do caro e complexo aparato democrático para a realização de eleições diretas nos três níveis decisórios da Igreja, o comparecimento às urnas tem sido relativamente baixo. Especialmente nestes novos tempos, em que a Igreja da Suécia enfrenta uma perda considerável de seu rebanho.

Nas últimas eleições gerais da Igreja, em 2013, apenas 700 mil pessoas votaram. O índice de comparecimento às urnas não costuma ultrapassar 15% do eleitorado – em claro contraste com o percentual registrado nas eleições políticas para o Parlamento sueco, que costuma girar em torno de 86%.

O êxodo têm preocupado as autoridades eclesiásticas. Em 2016, mais de 90 mil pessoas deixaram de ser membros da Igreja – praticamente o dobro do índice registrado no ano anterior. Segundo pesquisa conduzida pelo instituto sueco Norstat, o principal argumento dos fiéis que decidiram abandonar a instituição é franco: eles não acreditam em Deus.

A Igreja da Suécia abandonou a Igreja Católica Romana no século 16, quando aderiu à Reforma Protestante.

Na virada do milênio, quando a Suécia se tornou oficialmente um Estado laico, 82% dos suecos eram membros da Igreja da Suécia – mais por tradição, segundo muitos comentam, do que por uma real afirmação de fé. Atualmente, segundo os números oficiais, a instituição possui 6,1 milhões de membros (cerca de 62% da população). Mas cada vez mais, a tradição religiosa perde força neste país de descrentes.

Até meados da década de 90, os filhos de membros da Igreja da Suécia se tornavam automaticamente, ao nascer, também membros da instituição. Na era do Estado laico, a nova geração tende a desfazer esses tênues laços religiosos: hoje, pelos cálculos da agência central de estatísticas da Suécia (Statistiska centralbyrån), somente cinco por cento dos suecos costumam frequentar algum tipo de igreja.

Apenas 29% da população afirma ter alguma crença religiosa. E na hora de casar, um em cada três casais optam por uma cerimônia civil.

Fonte: BBC Brasil.

O próximo 31 de outubro se completarão 500 anos desde que Lutero afixou suas 95 teses na porta da igreja do castelo de Wittenberg. Era o início da Reforma Protestante que mudou o curso da história ocidental: do ponto de vista religioso, social, cultural e político. Seguiram-se décadas de guerras e séculos de divisões dentro do mundo cristão. Hoje, um estudo duplo – um na América e outro na Europa – do Pew Research Center registra que católicos e protestantes veem as suas crenças mais semelhantes do que diferentes. Em um mundo onde as divisões religiosas voltaram a se manifestar com toda a ênfase, é interessante notar que cinco séculos depois do cisma de Martinho Lutero diferenças permanecem, mas a tendência é por uma visão da religião e da vida convergentes.

Nos Estados Unidos, entre os protestantes, 57% considera que os dois credos são semelhantes, contra 41% que os considera diferentes. Entre os católicos, as percentagens são, respectivamente, 65 e 32.

Na Europa, a situação é mais complexa, mas não se desvia da tendência. Entre os protestantes europeus, os alemães caracterizam-se por serem aqueles que menos percebem a diferença: para 78% as duas religiões são semelhantes e apenas 19% as considera claramente diferentes.

Na Holanda, as opiniões dividem-se em 65% contra 28%, na Grã-Bretanha, 58 contra 37 e assim por diante, com uma predominância em todo lugar de quem vê mais pontos de compartilhamento do que de discordância. O mesmo vale para os católicos do Velho Continente, com exceção dos britânicos, onde 45 contra 41 veem mais divisão do que unidade.

Na Holanda, Áustria, Suíça e Alemanha, entre os católicos a percepção de semelhança é bastante evidente.

Na Itália, menos: 47% veem mais proximidades contra 41% que ressalta as divergências.

Ainda mais interessante é observar as opiniões sobre como obter a salvação eterna. De acordo com Lutero, somente por meio da fé. A maioria dos protestantes de hoje (com exceção dos noruegueses) considera que é alcançada através da combinação de fé e boas ações, que é substancialmente a posição tradicional da Igreja Católica.

Mas deve-se notar que na Europa, tanto entre os protestantes como entre os católicos, as pessoas praticantes são uma minoria: apenas 14% dos primeiros e o 8% dos segundos afirmam participar dos serviços religiosos pelo menos uma vez por semana. Cinco séculos depois, podemos dizer que, no Ocidente, as guerras religiosas acabaram.

Fonte: Corriere della Sera.

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Minha avó paterna costumava soltar frases inteiras em italiano quando conversava entusiasmadamente. Seus filhos nascidos nos Estados Unidos lhe recordavam: “Mamãe, você está na América. Nós não falamos mais essa língua“.

No álbum de família, minha avó faz parte de uma narrativa que começa com imigrantes empobrecidos e avança rapidamente para a imagem de um dos seus filhos erguendo um carro, de tão forte que era. Sua irmã aparece em pose de estrela, num modesto maiô. Há fotos de um casamento e, de repente, o álbum revela uma forte mudança para o lado irlandês, à medida que as culturas iam se misturando.

A mobilidade ascendente faz uma breve aparição antes do baque financeiro. Uma breve recuperação permite belas cerimônias de batismos, casamentos e primeiras comunhões antes de um segundo desastre, quase aniquilador. Depois, o álbum perde o seu significado. Deixa de haver uma história porque não há mais coerência: apenas imagens formais, geralmente seguindo a tendência da época. Um carro aqui, um bolo ali, a próxima casa acolá.

A narrativa terminou porque a família, em sua essência, terminou. A própria palavra “família” deixou de ter significado para muitos de nós.

Nós não falamos mais essa língua”.

No entanto, aqueles que conseguiram se manter ligados a esta palavra e à linguagem do amor em que ela se enraíza construíram novas narrativas, sanaram-se e fortaleceram-se no paradoxo do sacrifício e do serviço a algo que é maior que nós e que nos torna plenos, livres e suficientemente destemidos para não desprezar o antigo dialeto, mas reaprendê-lo e reabraçá-lo.

Estes pensamentos me surgiram depois de ler esta descrição da Casa da História Européia, que me parece um álbum de família incoerente e morto:

“Os andares dedicados às atrocidades do século XX, a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais, são particularmente impressionantes. O visitante chega a essa parte da exposição no escuro, sentindo-se desorientado. É uma experiência física do estado mental de quem atravessa a impressionante exposição da Casa sobre o Holocausto.

Após essas imagens agitadoras, o último andar é realmente decepcionante. Ele é reservado a uma visão geral das instituições da União Europeia, como o Parlamento Europeu, o Conselho Europeu e a Comissão Europeia (…) Mas o mais notável nessa Casa é que, para ela, é como se a religião não existisse na Europa – e não só na atualidade: é como se a religião nunca tivesse existido nem impactado a história do continente”.

Sem o reconhecimento da sua história espiritual, esse museu de Bruxelas está dizendo, em essência, “Nós não falamos mais essa língua. E não queremos nenhuma ligação com as nossas raízes”.

Se for isso mesmo, se a Europa estiver mesmo empenhada em eliminar a língua e a memória da fé, então a sua narrativa chegará a um final rápido, deliberado e sem glória. A Europa se sepultará no túmulo “sustentável” que ela própria já está cavando.

Elizabeth Scalia

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O hospital infantil britânico Great Ormond Street anunciou nesta que reavaliará novas possibilidades para tratar um bebê gravemente doente após as intervenções do papa Francisco e do presidente americano, Donald Trump.

O hospital londrino tinha previsto deixar de manter o bebê Charlie Gard vivo após uma decisão da Justiça contra à qual os pais se opuseram. Charlie tem 10 meses e sofre de uma doença genética rara e terminal.

“Dois hospitais internacionais e seus pesquisadores nos indicaram nas últimas 24 horas que havia novos elementos para o tratamento experimental que propuseram”, explicou o hospital em um comunicado.

“Consideramos, assim como os pais de Charlie, que é justo explorar esses elementos”, acrescentou.

O hospital disse que solicitou a um tribunal britânico “uma audiência sobre o caso de Charlie Gard à luz do anúncio de novos elementos relacionados a um possível tratamento de sua doença”. “Não é uma questão de dinheiro ou de recursos, trata-se unicamente do que é justo para Charlie”, acrescentou a instituição.

O hospital afirmou que os seus médicos “testaram todos os tratamentos médicos” e que outro tratamento “seria injustificável […] e prolongaria o sofrimento de Charlie”. “Nosso ponto de vista não mudou”, acrescentou.

“Acreditamos que seja justo contar com a opinião da Alta Corte sobre os supostos novos elementos”.

Em abril, um tribunal britânico afirmou que os médicos deveriam interromper o tratamento que mantinha Charlie Gard vivo – ele sofre de uma rara doença genética e seu cérebro está muito prejudicado.

O Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TDH) ratificou a decisão. Os pais do bebê de 10 meses lutam para que o seu filho possa receber tratamento nos Estados Unidos.

O tribunal decidiu que manter o bebê vivo somente prolongaria o seu sofrimento. A doença mitocondrial que o atinge deteriora os tecidos musculares.

O Papa Francisco deu o seu apoio aos pais do bebê em suas tentativas de transferir o menino, enquanto o presidente Trump ofereceu ajuda.

G1

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Descubra o que está por trás da sentença de morte do pequeno Charlie Gard, o bebê cuja vida e família foram simplesmente “atropeladas” pela decisão irrecorrível de um tribunal.

Está-se passando no Reino Unido um caso terrível, ao qual os jornais aqui, de forma geral, não deram um pingo de atenção. Mas eles deveriam. Porque, se olharmos bem de perto, podemos enxergar nele o nosso futuro, bem como o nosso presente.

Charlie Gard é um bebê de apenas 10 meses com uma doença rara chamada “síndrome de depleção do DNA mitocondrial”. Trata-se de uma condição genética gravíssima, que leva ao mal funcionamento dos órgãos, lesões cerebrais e outros sintomas. O hospital infantil Great Ormond Street, de Londres, sob cujos cuidados estava o garoto, declarou que não há mais nada a ser feito por ele e determinou que fossem desligados os aparelhos que o mantêm vivo. No parecer dos médicos, o menino deveria “morrer com dignidade”, mas os pais, Chris Gard e Connie Yates, definitivamente não estão de acordo.

Este é o ponto mais importante a ser entendido: os pais não estão insistindo para que Charlie se mantenha ligado aos aparelhos. O que eles querem é tirá-lo do hospital e levá-lo aos Estados Unidos para ser submetido a uma forma de terapia experimental, e que um médico norte-americano já concordou em ministrar à criança. Chris e Connie conseguiram levantar mais de 1,6 milhão de libras para financiar este último e desesperado esforço para salvar a vida de seu filho. Tudo o que eles precisavam do hospital britânico era a liberação da criança aos cuidados dos pais — o que não parece ser um pedido assim tão absurdo. Eles deixariam o país, então, e tentariam a sorte com este tratamento no exterior: mesmo que fosse pequena a chance de isso dar certo, seria sem dúvida melhor do que simplesmente ficar sentado, assistindo ao seu filho morrer.

É aqui, então, que as coisas se tornam verdadeiramente insanas e barbáricas. O hospital se recusou a entregar Charlie de volta aos seus pais. A questão foi parar na Justiça e, finalmente, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos acaba de proibir os pais de levarem o seu filho para receber tratamento nos Estados Unidos. De acordo com a sentença, é um “direito humano” de Charlie expirar na sua cama de hospital em Londres; os pais não estão autorizados a tentar salvar a sua vida; faz parte “de seu maior interesse” simplesmente morrer.

Na Europa, a “morte com dignidade” sobrepõe-se a todos os direitos.

Na Europa, uma mãe pode matar o seu filho, mas não pode mantê-lo vivo.

Mais uma vez, trata-se de algo barbárico.

Tenho ouvido muitas pessoas racionalizando essa decisão demente com o argumento de que “os médicos entendem melhor” sobre o assunto. Isso pode muito bem ser relevante e verdadeiro em situações nas quais os familiares tentam forçar os médicos a tratamentos que eles, como profissionais, sabem que não funcionarão. Mas não é isso o que está acontecendo aqui. A única coisa que esses pais estão tentando “forçar” os médicos a fazer é liberar o seu filho, a fim de que ele possa ser levado a médicos diferentes, em um país diferente. Os médicos podem até ser a autoridade final a respeito de que medidas eles pessoalmente tomariam, mas não são a autoridade final sobre a vida em si mesma. Uma coisa é eles dizerem: “Eu não farei este tratamento”; outra bem diferente é eles sentenciarem: “Vocês não estão autorizados a pedir este tratamento a ninguém. A criança deve morrer.” A primeira afirmativa é razoável; a segunda é bárbara e chama-se eutanásia.

Tenho visto algumas pessoas nas redes sociais qualificando o caso como “inimaginável” ou “incompreensível”. Trata-se certamente de algo terrível, mas infelizmente não foge à minha compreensão nem excede os limites de minha capacidade imaginativa. Esses tipos de casos são inevitáveis na Europa e, a menos que aconteça uma mudança drástica no curso das coisas, em breve se tornarão comuns também deste lado do Atlântico. Já está tudo sendo cuidadosamente delineado nesse sentido. Basta levar em consideração os dois seguintes fatores.

Primeiro, é isso o que acontece quando os direitos dos pais são subordinados ao Estado.

Esse caso trouxe à tona algumas questões de relevância máxima. Quem deve deter a palavra final sobre uma criança? Devem ser os seus pais, ou um grupo de médicos, juízes e burocratas? Se os pais não têm precedência em uma situação que envolva a vida e a morte, que direito eles possuem? Se eu não tenho poder de decisão quando a vida de meu filho está em jogo, que raio de poder, então, realmente me cabe?

Na Europa, é assim que as coisas têm funcionado: um pai pode até ter alguma “jurisdição” sobre as menores minúcias da vida diária de seus filhos, mas, quando se trata das grandes questões — como eles serão educados, como devem levar a vida, em que devem acreditar, quando devem morrer —, é cada vez mais da alçada do Estado determiná-las. Como diz um especialista em “ética médica” de Oxford, os direitos dos pais estão “no coração” das decisões médicas mais importantes, mas “tudo tem limites”. Chris e Connie aparentemente atingiram os “limites” de sua autoridade parental e, agora, devem resignar-se enquanto seu filho agoniza até a morte. São esses, observem bem, os tais “limites” a que querem constringir a família. Você é pai até um certo ponto, a partir do qual o relacionamento com seu filho não conta para absolutamente mais nada.

Segundo, é isso o que acontece quando a vida humana deixa de ser vista como algo sagrado.

Qual o problema em levar uma criança aos Estados Unidos para receber tratamento? Pode não funcionar, é claro, mas por que não tentar? Os pais conseguiram levantar dinheiro suficiente para pagar tudo, incluindo uma ambulância aérea para transportar o bebê até a unidade de tratamento. Ninguém está sendo excessivamente onerado aqui. Ninguém está sendo forçado a fazer algo que não queria fazer. Existe alguma coisa a perder?

Olha, respondeu o Tribunal, só não vale a pena o transtorno. Eles analisaram todas as variáveis, usando as suas várias formulações, e chegaram à conclusão de que não faz sentido passar por todo esse transtorno na pequena esperança de salvar a vida de um ser tão “insignificante”. Sim, eles usaram a desculpa de que a criança está “sofrendo” — e eu tenho certeza que está —, mas isso não justifica proibir os pais de esgotarem todas as opções possíveis para aliviar o sofrimento do seu filho. Morrer não é um plano de tratamento para o sofrimento. Morrer é morrer. É a destruição da vida. Todos nós vamos experimentar a morte um dia, mas a sua inevitabilidade não anula o valor e a dignidade da vida humana.

Tudo isso se resume, no fim das contas, ao fato de que os poderes vigentes não vêem o valor fundamental da vida. É por isso que você escuta essas pessoas falarem mais frequentemente da “dignidade” da morte do que da dignidade da vida. Eles defendem com unhas e dentes o “direito” de morrer, mas dão de ombros para — quando não militam contra — o direito à vida. As leis na Europa refletem essa ênfase na morte ao invés da vida: lá se matam as crianças nos ventres e, depois que nascem, a eutanásia espera por elas ( sejam doentes terminais ou não). Uma vez que o “direito de morrer” é colocado acima do direito à vida, a morte continua a ganhar terreno e a devorar cada vez mais pessoas. A morte é uma força destrutiva. A que pode mais ela conduzir, senão à aniquilação?

Nós na América não estamos tão mal a este ponto, mas chegaremos lá. Só nos Estados Unidos, já matamos centenas de milhares de crianças no ventre de suas mães, e frequentemente falamos com admiração de pessoas que tomaram a “corajosa” decisão de cometer suicídio. Também nós, em muitas situações, infelizmente colocamos a autoridade do Estado acima dos direitos dos pais. Nosso sistema educacional está construído sobre essa filosofia.

Por isso, eu repito, tudo já está sendo delineado. Prepare-se para o que há de vir. E reze por esses pais que estão perdendo a alma de seu filho para o Estado Leviatã.

Por Matt Walsh — The Blaze | Tradução e adaptação: Equipe CNP

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Uma pesquisa exclusiva Ifop para o jornal La Croix revela uma imagem muito positiva dos padres na sociedade francesa, em todas as categorias. A pesquisa também mostra que somente metade dos jovens entre 18 e 24 anos já teve contato com um padre.
Para a grande maioria dos franceses, o padre é “um homem de escuta”: são 83% dos entrevistados que dizem isso, 98% dos católicos praticantes e também 68% dos sem religião. Um verdadeiro plebiscito que causaria inveja a muitos políticos ou profissionais, médicos ou jornalistas, por exemplo…
Como faz regularmente desde 1993, La Croix quis pesquisar novamente a relação que os franceses têm com seus padres. Sua imagem é extraordinariamente positiva, “até mesmo surpreendentemente positiva”, reconhecem alguns padres que nós consultamos. Em época recente, difícil ou até mesmo terrível para a Igreja católica – diminuição das vocações sacerdotais, revelações em série de crimes ou de delitos sexuais cometidos por muitos deles – e após décadas de secularização massiva, poderíamos imaginá-la mais arruinada ou simplesmente empalidecida.
A imagem do padre continua surpreendentemente estável
À primeira vista, não é nada. 71% dos franceses (contra 67% em 1993) consideram o padre como alguém “próximo das outras pessoas”. Um de cada dois (isto é, 11 pontos a mais que há 24 anos) o julga mesmo “feliz, realizado”. Os franceses não hesitam em usar palavras de fé: 52% continuam a vê-los como “testemunhas de Deus sobre a terra”. Os qualificativos usados com mais frequência para designá-los vão na mesma linha: eles estão “disponíveis” para 76%, mas também são “dignos de confiança” (68%). “Esta imagem global é contrária ao que ouvimos em ambientes católicos”, relata o padre Jean Rouet, vigário-geral da diocese de Bordeaux. “Neste ambiente, o padre é, geralmente, considerado como inalcançável, pressionado e sobrecarregado pelo trabalho”.
A imagem do padre continua, portanto, surpreendentemente estável. Ele é julgado, às vezes, “aberto” e “moralizador” exatamente nas mesmas proporções. Enquanto os bispos estão lutando para manter a malha territorial da Igreja, os franceses estão convencidos de que caso a necessidade se apresentar, um padre estará disponível para eles, ao qual eles terão desejo de se confiar.
A Igreja não provoca “mais medo”
Perguntados sobre o impacto provocado pelas revelações dos atos de pedofilia cometidos pelos membros da Igreja católica, as sondagens reconhecem que elas não os deixaram incólumes: para dois de cada três franceses a imagem dos padres foi “afetada” por esses casos, chegando a 70% entre aqueles com idade entre 35 e 49 anos, ou seja, aqueles que estão em idade de ter filhos jovens. Mas os não praticantes são mais numerosos nesse caso do que os praticantes.

A fotografia é tão bonita que podemos nos perguntar: não se trata de uma imagem idílica? Esta é, em todo o caso, a hipótese de alguns especialistas. “A imagem e o papel do padre são consenso”, espanta-se a socióloga Céline Béraud. “Talvez seja porque esta figura não mais provoca debate porque se tornou uma figura distante?”
Para ela, esta representação positiva poderia ser a culminância última da secularização: privada da autoridade moral, a Igreja – e, portanto, o padre – não provoca “mais medo”. Diretor do Ifop, Jérôme Fourquet também se pergunta se não se deve ver nisso a explicação de uma espécie de erro de perspectiva: “Muitos franceses veem os padres como homens felizes, disponíveis. Visivelmente, eles não conhecem realmente sua vida, seu isolamento, suas dificuldades materiais, a dilatação geográfica das suas paróquias”.
Diferenças significativas conforme a idade dos entrevistados
No entanto, e esta é uma das principais lições deste estudo, são muitos os franceses que ainda têm “contato ao longo da sua vida” com um deles; mas esta proporção cai drasticamente entre os mais jovens. Enquanto 76% dos franceses, de todas as faixas etárias, respondem afirmativamente (31% em muitas ocasiões e 45% raramente), apenas um jovem de 18 a 24 anos sobre dois encontra-se nessa situação. A pesquisa “objetiva” isso de alguma maneira. E, pela primeira vez, o que os sociólogos e muitos pastores detectaram. Em muitas ocasiões, as respostas fazem aparecer diferenças significativas segundo a idade dos entrevistados.

Uma ruptura geracional problemática, destaca dom Jean-Marc Eychenne. O bispo de Pamiers (Ariège) relaciona diretamente a percepção dos padres pelos franceses com a questão das vocações presbiterais: “O despertar das vocações passa por uma possível identificação dos jovens com os padres. Ora, aqui sentimos bem que a imagem dos padres é mais negativa entre os mais jovens”. Outro possível freio, segundo ele, para a atração ao sacerdócio: o fato de que os padres são “úteis para a coesão social” apenas para 55% dos franceses.
De fato, a “utilidade social” dos padres aparece globalmente em queda: somente pouco mais da metade da população considera-nos como “úteis para a busca de sentido”. E o mesmo número estima (especialmente entre os ativos e dirigentes de empresas) que eles estão “distantes da realidade”. Esta procura “de eficácia e de compreensão rápida da realidade” não surpreende o padre Jean Rouet. “Os padres são muito pouco visíveis no trabalho de transformação social. Nós não “servimos” mais em nada: nós estamos muito menos presente na escola, nas colônias de férias…”, destaca, mais inquieto em ver as expectativas dos católicos praticantes sobre “a transformação dos valores”. “A vida cristã tem a tendência, nesta perspectiva, de ser reduzida a uma moral”.
——–
Metodologia. A pesquisa do Ifop para La Croix foi realizada com uma amostra de 2 mil pessoas, representativas da população francesa com idades acima dos 18 anos. A representatividade da amostra foi garantida pela metodologia das cotas (sexo, idade, profissão da pessoa entrevistada) após estratificação por região e tamanho de cidade. As entrevistas foram realizadas por meio de um questionário auto-administrado pela internet entre os dias 28 de abril e 03 de maio de 2017.
Número de padres diocesanos na França (dados da Conferência Episcopal da França). 11.908 contra 16.075 em 2005. Desse total, menos da metade dos padres ainda está na ativa: cerca de 5.800 em 2014; os demais estão aposentados.
Projeções

 A Igreja da França deverá ter menos de 4.300 padres diocesanos ativos em 2024. Os nascidos entre os anos 1940-1950 e ordenados logo após o Concílio, os padres da geração “baby boom”, estarão aposentados.
Ordenações.

Cerca de 100 novos padres foram ordenados em 2016. Cerca de 80 padres diocesanos e aproximadamente 20 membros de instituições religiosas. Em 2006, 135 padres foram ordenados.

A reportagem é de Loup Besmond de Senneville e Anne-Bénédicte Hoffner, publicada por La Croix, 02-06-2017.

 

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Jovens ‘fanáticos’que reivindicam a própria fé. Com orgulho, entenda-se. O Le Monde talvez seja um pouco depreciativo ao descrever o retorno ao religioso na França, onde o que era sagrado, nas últimas décadas, era a laïcité. Alguma coisa mudou. Quem diz isso são os indicadores numéricos, elaborações de estatísticas de autoridade e – acima de tudo – as massas de jovens que não têm escrúpulos ao exibirem símbolos da própria fé, que frequentam as igrejas e fazem peregrinações..

Que fique claro: trata-se sempre de uma minoria (criativa). Os jovens que se definem como crentes estão sempre abaixo dos 50% da população. Mas, entre os muito jovens (dos 18 aos 29 anos), os crentes sobem para 53%. Apenas nove anos atrás, eles eram 34%.

Um acréscimo necessário: não são apenas muçulmanos, já que 42% dos “crentes” são católicos. Uma bela mudança de curso, se considerarmos que, no fim do século passado, o cristianismo era dado como agonizante na terra das catedrais. Era a “grande era da pós-religião”, lembra o Le Monde: “Todas as pesquisas e as investigações afirmavam que as igrejas estavam vazias, que os jovens não acreditavam mais e que os pais não transmitiam (ou faziam isso muito pouco) aos seus filhos o patrimônio religioso. Dizia-se que o budismo e as filosofias Nova Era estavam substituindo o monoteísmo ocidental”.

Em suma, na aurora do novo milênio, olhava-se com temor para a profecia apócrifa de André Malraux, segundo a qual “o século XXI será espiritual ou não será”.

Vinte anos depois do oráculo sinistro, observa o jornal progressista francês, estamos “na ostentação” da própria fé. “Socorro, Jesus está voltando!”, era a manchete do Libération em novembro passado. Na televisão, os políticos exibiam cruzes no pescoço. Durante a campanha presidencial, mais de um candidato falou sobre a fé e sobre a sua educação cristã.

“Nos debates – informa o Le Monde – foi até invocada a revisão da lei de 1905 sobre a separação entre Igreja e Estado.” Sem falar, no fim da campanha, das visitas às catedrais (até em Reims, onde os reis eram ungidos). “Em um país onde não ser filiado a nenhuma religião é até banal demais, o fato de ser crente ou de reivindicar uma dimensão religiosa significa ser não conformista. Deus não está mais relegado à esfera privada”, ressalta a reportagem do jornal parisiense.

E não se trata apenas de sair às ruas, brandindo bandeiras cruzadas para reconquistar um espaço público aniquilado antes da revolução antropológica, social, histórica e política. Em suma, há mais coisas além da batalha contra o mariage pour tous.

Os jovens de hoje, aqueles que leem a página do Facebook do Abbé Grosjean e que consideram a exasperação laicista como um óvni e que organizam vigílias de oração noturna em algum santuário do país, não têm superestruturas sociológicas que dominaram as gerações anteriores, que cresceram a pão e laicidade exasperada, reduzindo o ser crente a ser algo pessoal, e a participação nos ritos, a uma espécie de hobby como o bridge ou o cinema d’essai.

“A relação dos jovens com a religião manifesta uma mudança de paradigma entre a religião e a modernidade”, disse o sociólogo das religiões Jean-Paul Willaime, acrescentando que “mais modernidade não significa menos religião”. Ao contrário, “na religião, busca-se uma dimensão relevante da própria personalidade, o modo de estar em uma sociedade que não é mais tão cheia de significado”.

Os jovens de hoje, “em comparação com a geração dos anos 1970 – continua Willaime – que foram ‘socializados religiosamente’, não têm uma atitude de rejeição da religião. Eles não têm uma educação para se rebelar contra. A fé os fascina, faz-lhes perguntas. E, se os jovens são mais religiosos, eles são mais engajados, mais visíveis, mais coerentes”. Em suma, reivindicando a própria pertença religiosa, eles “reivindicam a sua liberdade pessoal”.

Jornal Il Foglio

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O impacto da crescente presença muçulmana no mundo ocidental é um dos temas mais candentes da atualidade – e em torno dele se verificam todos os dias acaloradas discussões de diferentes vieses ideológicos.

Giulio Meotti, jornalista e editor cultural do periódico italiano Il Foglio, abordou o tema do ponto de vista de quem vive no meio do dilema que se impõe aos europeus. Em artigo para o Gatestone Institute, o jornalista registra a seguinte impressão dos seus conterrâneos captada por pesquisas recentes:

“Todos os cantos europeus veem sinais de fissuras. Ao que tudo indica, os jihadistas estão tomando de assalto a liberdade e as democracias seculares. Apreensões dominam o imaginário coletivo dos europeus. Um levantamento com dados de mais 10.000 entrevistados de dez países europeus revelou uma crescente oposição pública à imigração muçulmana. A Chatham House Royal Institute of International Affairs realizou uma pesquisa de opinião perguntando aos entrevistados, pela internet, o que eles achavam da afirmação de que ‘toda a migração futura de países, principalmente muçulmanos, deve ser interrompida’: nos 10 países europeus onde foram realizados os levantamentos, uma média de 55% dos entrevistados concordou com a afirmação”.

A grande mídia, segundo Meotti, “já questiona se a Europa teme mais os muçulmanos do que os Estados Unidos”, e, ainda no tocante à mídia, o editor italiano recorda a recente publicação de imagens de uma oração muçulmana em massa diante do Coliseu, um dos mais célebres monumentos da Itália e do planeta: “Ecoando a captura da grande civilização cristã de Bizâncio em Constantinopla, o pregador mais destacado do islã sunita, Yusuf al Qaradawi, declarou que chegará o dia em que Roma será islamizada“.

Citando o historiador David Engels, Meotti considera que a Europa vai encarar o mesmo destino da antiga República Romana: a guerra civil. E se pergunta:

“As civilizações morrem de fora para dentro ou de dentro para fora? O seu desaparecimento resulta de agressão externa (guerra, desastres naturais, epidemias) ou de erosão interna (decadência, incompetência, escolhas desastrosas)? No século passado, Arnold Toynbee ressaltou de forma resoluta: ‘as civilizações morrem se suicidando, não por assassinato’”.

Por toda a Europa, observa o jornalista,

“há sinais de tomada de poder. O número de estudantes muçulmanos já supera o de estudantes cristãos em mais de 30 escolas britânicas ligadas às igrejas. Uma escola primária anglicana já conta com 100% de estudantes muçulmanos. A Igreja da Inglaterra estima que cerca de 20 das suas escolas têm mais alunos muçulmanos do que cristãos e 15 escolas católicas romanas têm maioria muçulmana entre seus estudantes. Na Alemanha também há temores de um influxo muçulmano massivo no sistema escolar, a ponto de que alguns professores alemães estejam alertando abertamente contra a ameaça de uma ‘guetização’”.

Meotti prossegue anotando que a França registrou 34.000 nascimentos a menos no ano passado em comparação com 2014 e que o número de mulheres francesas que deram à luz atingiu o nível mais baixo em 40 anos. A baixa taxa de fertilidade tornou-se, para o jornalista, uma “praga em toda a Europa“: em 1995, apenas a Itália tinha mais pessoas acima de 65 anos do que abaixo de 15; hoje há 30 países nessa mesma situação – e até 2020 serão 35.

É significativo notar que a França teria uma taxa de natalidade ainda menor se não fosse pelas mulheres muçulmanas: “Com taxa de fertilidade de 3,5 filhos por mulher, os argelinos contribuem significativamente para o crescimento populacional da França“, de acordo com o demógrafo Gérard-François Dumont. Ele também cita a taxa de fertilidade de outras mulheres de origem muçulmana em terras francesas: 3,3 filhos no caso das marroquinas e tunisianas; 2,9 no caso das turcas.

É também por causa dos migrantes muçulmanos que as maternidades da Suécia estão hoje ocupadas: entre 2001 e 2014, foi registrado no país um aumento de 25% nos nascimentos. A percentagem de estrangeiros saltou de 4% na década de 1960 para 17% em 2015.

Em Milão, centro financeiro da Itália, o nome mais dado aos recém-nascidos é Maomé.

Situações similares acontecem em Londres, nas quatro maiores cidades da Holanda e em várias outras regiões da Europa, de Bruxelas a Marselha. “É o islã, não o cristianismo, que agora permeia a paisagem e a imaginação da Europa“, registra Meotti.

Enquanto isso, vários dos maiores líderes europeus simplesmente não têm filhos. É o caso da alemã Angela Merkel, da primeira-ministra britânica Theresa May e de um dos principais candidatos à presidência da França, Emmanuel Macron. Se os próprios líderes europeus não têm filhos e, portanto, não tem razões pessoais para se preocuparem com o futuro porque tudo termina com eles mesmos, é plausível que eles não entendam cabalmente os motivos de preocupação dos pais e mães europeus com a abertura indiscriminada das fronteiras do seu continente. A maior preocupação dos políticos parece ser sempre econômica e nunca familiar, conforme se vê nas palavras de Federica Mogherini, representante das relações exteriores da União Europeia: “Eu acredito que os europeus devem compreender que precisamos da migração para as nossas economias e para os nossos sistemas de bem-estar social. Com as tendências demográficas atuais, temos que ser sustentáveis“.

A Batalha de Poitiers, em 732, foi o marco final da primeira grande onda islâmica na Europa Ocidental. Se os cristãos não tivessem vencido, “talvez”, como assinalou Edward Gibbon, “a interpretação do alcorão seria agora lecionada nas escolas de Oxford e os seus púlpitos poderiam pregar a um povo circuncidado a santidade e a verdade da revelação de Maomé“. Giulio Meotti complementa com uma indagação: “Isso não soa familiar hoje em dia?“.

Os islamistas, recorda o editor italiano, levam a cultura e a história mais a sério do que os ocidentais. Recentemente, em Paris, um terrorista egípcio tentou atacar o grande museu do Louvre: ele planejava desfigurar a arte do museu por ser “um poderoso símbolo da cultura francesa“.

Giulio Meotti encerra o seu artigo propondo uma reflexão incômoda:

“Pense num extremista islâmico gritando ‘Allahu Akbar’ ao mesmo tempo em que desfigura a Mona Lisa. Esta é a tendência que precisamos começar a reverter”.

É uma discussão com a qual se pode concordar ou discordar. O que não se pode mais é evitá-la com base no dogma do politicamente correto.

Francisco Vêneto