Do convento para a televisão. Assim foram os últimos dias da Irmã Juliana Cruz, uma religiosa que pertence à ordem das Irmãs Dominicanas da Virgem do Rosário de Fátima de Porto Rico.

Apaixonada pela culinária de seu país, ela ficou famosa depois de participar do MasterChef Latino. A irmã não chegou à final da competição, mas a passagem pelo programa a motivou a lançar uma revista eletrônica que mistura culinária e evangelização.

“A revista ‘SisterChef‘ surge para atender a uma demanda de milhares de pessoas que me seguiram pelas redes sociais durante a minha participação no MasterChef Latino. Agora, eu terei a oportunidade de interagir e compartilhar com elas os meus temperos”, disse a religiosa. Os vídeos serão publicados no Facebook, Instagram, YouTube e Twitter.

O que nasceu primeiro, a religiosa dominicana ou a cozinheira?

IRMÃ JULIANA CRUZ, O. P.: A cozinheira, pois aprendi a cozinhar em casa. Desde criança, recebia instruções sobre como fazer as coisas de uma maneira única e perfeita. Foi em casa que meu pai e minha mãe me educaram e me formaram. Meus grandes mestres na cozinha também foram meus pais e minhas irmãs. Venho de uma família grande; os mais velhos iam ensinando os menores e assim por diante.

Por que decidiu se juntar às irmãs dominicanas?

Minha vocação religiosa surgiu da formação que recebi em casa. Madre Dominga Guzmán, fundadora da Congregação, dizia que a fé é semeada pelos pais nos corações dos filhos. Assim aconteceu comigo. Há 35 anos, algumas irmãs chegaram para trabalhar com algumas famílias em minha cidade e eu gostei deste estilo de vida, por isso decidi me juntar a elas.

Como é a vida no convento? A senhora também cozinha lá?

Cozinho quando eu posso. Mas, depois da minha participação no MasterChef, passei a cozinhar mais no convento.

A senhora ganhou fama nas redes sociais e nos meios de comunicação por causa do programa. Como chegou até lá e o que a experiência lhe ensinou?

Cheguei ao programa porque as irmãs me escolheram para representar a Congregação. Para mim, foi um grande compromisso, pois não era só a Irmã Juliana que estava lá, mas uma irmã dominicana de Fátima, uma religiosa. Por isso, sempre que tive a oportunidade, levei a mensagem de que há opções de vida na vida consagrada. A participação no MasterChef me levou a aprofundar ainda mais a minha fé e a minha vocação, reconhecendo as maravilhas de Deus em cada um de nós, já que, em Sua misericórdia, ele escolhe os instrumentos para levar Sua mensagem de salvação.
Naquela ocasião, ele me escolheu. Eu, que não sou das redes sociais e não amo os meios de comunicação. Mas estou aceitando minha opção de vida e esquecendo meus gostos pessoais para levar a mensagem que Deus quer que eu leve.

Como a senhora conseguiu conciliar a vida contemplativa com um reality show?

Sempre tive muito presente em mim que sou religiosa e que tinha que levar minha vida consagrada acima de tudo. Durante o programa, não tive oportunidade de viver minha vida comunitária. Mas sempre estive em silêncio e oração. No período do programa, me impus uma disciplina maior do que tenho no convento, já que assumi um compromisso que não me permitia luxos ou comodidade.

A senhora se imagina algum dia preparando um prato para o Papa Francisco? Tem alguma sugestão de cardápio?

Preparar um prato para o Papa Francisco? Morreria de emoção! O prato ficaria salgado, pois eu iria chorar o tempo todo… Mas, se eu tivesse esta oportunidade, sem dúvida recomendaria um prato porto-riquenho, uma boa sopa com carne de frango deste país para rejuvenescer e dar força física, já que o Santo Padre já tem a força do Espírito Santo com ele.

Aleteia

Um livro publicado recentemente nos Estados Unidos pretende mostrar uma realidade sobre a Igreja Católica pouco difundida. O título da obra já expõem a tese defendida: “Heroísmo e Gênio: de como os sacerdotes católicos ajudaram a construir – e podem ajudar a reconstruir – a civilização ocidental”.

“Durante este período, os sacerdotes católicos, somando-se a tantos homens de heroísmo e gênio em suas filas e também devido a suas posições de liderança, se converteram nos pioneiros e construtores insubstituíveis da cultura e da ordem sociopolítica cristã. ‘Heroísmo e Gênio’ apresenta alguns destes homens formidáveis”, diz na apresentação do livro.

O Padre William J. Slattery, autor do livro, ressalta o modo como a Igreja Católica construiu uma nova civilização inspirada pela Fé. “A construção e a conservação da civilização ocidental, em meio ao desgaste e terremotos culturais, é uma saga que se estende ao longo de mil e seiscentos anos”, explica na obra.

Segundo o professor da Universidade de Phoenix, Robert Curtis, esta perspectiva é surpreendente e profunda. “Em todos lugares que olhamos na história, desde os momentos de povoar regiões até os descobrimentos científicos, os momentos de conquista, os sacerdotes católicos estão ali: aplicando a razão, buscando as verdades menos conhecidas da criação de Deus e exigindo justiça”.

Após o colapso de Roma, o trabalho dos sacerdotes foi de suma importância para unificação cultural da Europa e a construção da civilização ocidental. Os sacerdotes ofereceram aos governos conceitos de dignidade humana e liberdade, além de desenvolver o conceito de cavalaria e ordens monásticas.

Os sacerdotes também praticaram e impulsionaram as artes, a música e a ciência, “sempre na vanguarda do desenvolvimento humano, sempre buscando revelar a criação de Deus”, comentou Curtis.

Dentre os sacerdotes famosos estão o Beato Fra Angélico, de enorme transcendência nas artes plásticas, o grande compositor Antônio Vivaldi e os cientistas Copérnico e George Lamaitre. São Tomás de Aquino e Santo Alberto Magno foram os sacerdotes que defenderam conceitos como, por exemplo, os direitos de propriedade individual.

O professor Curtis ressalta que “tudo isto é apenas a superfície do que os sacerdotes têm feito pela civilização ocidental. O que os sacerdotes podem fazer por nós hoje é conduzir-nos de volta a este mesmo caminho, recordando-nos que Deus nos fez quem somos e que se insistimos em fazê-lo sozinhos – como humanistas seculares – não teremos uma oportunidade”. (EPC)

Fonte: Gaudium Press

“Dar o melhor de si” é o nome do novo documento do Dicastério para os Leigos, Família e Vida do Vaticano, publicado no último dia 1 de Junho.

Apresentado pelo Cardeal Kevin Farrell, Prefeito do Dicastério, o documento, que é o primeiro na história da Igreja dedicado ao esporte, pretende ajudar atletas e equipes a entenderem a relação entre dar o melhor de si no esporte e também na fé cristã.

Padre Alexandre Awi Mello, Secretário do Dicastério para os Leigos, Família e a Vida, afirmou que documentos como esse, apresentado pelo Dicastério, são pontos de diálogo da Igreja com a sociedade. “A Igreja quer com este documento estimular a prática do esporte e os valores esportivos que estão também presentes no evangelho. O Papa Francisco dá tanta importância para o mundo do esporte, ele sempre manda mensagens para os esportistas, (…) por isso o documento recolhe todas essas informações não só do Papa, mas de todos os Papas anteriores, desde Pio X”, contou.

“Assim temos a possibilidade de ajudar o mundo do esporte a cultivar ainda mais os valores da Igreja, e a Igreja a estimular ainda mais a Pastoral do Esporte e todos aqueles que, no âmbito eclesial, trabalham com esportistas”, comentou o sacerdote.

Em carta divulgada pelo Vaticano, também nesta sexta-feira, 1, o Papa Francisco manifestou alegria em receber a notícia da publicação do documento que tem como título uma frase de sua autoria, dita aos jogadores de futebol e dirigentes do time “Villareal”, da Espanha, em fevereiro do ano passado, 2017.

O Santo Padre destacou na carta o importante papel da Igreja no mundo do esporte e como o esporte pode ser um instrumento de encontro, formação, missão e santificação. “A Igreja é chamada a ser sinal de Jesus Cristo no mundo, também através do esporte praticado em oratórios, paróquias, escolas e associações… Toda ocasião é boa para levar a mensagem de Cristo”, frisou.

Francisco aproveitou a oportunidade para retomar o chamado a santidade, tema de sua última exortação, Gaudete et exsultate. “Dar o melhor de si no esporte também é um chamado para aspirar à santidade. Durante o recente encontro com os jovens em preparação para o Sínodo dos Bispos, expressei a convicção de que todos os jovens presentes lá fisicamente ou através de redes sociais tinham o desejo e a esperança de dar o melhor de si mesmos. Usei a mesma expressão na recente Exortação Apostólica lembrando que o Senhor tem um modo único e específico de chamar a santidade para cada um de nós”, afirmou.

O pontífice prosseguiu citando a necessidade humana de aprofundar e estreitar a relação que existe entre o esporte e a vida: “O esforço para se superar em uma disciplina atlética também serve como um estímulo para sempre melhorar como pessoa em todos os aspectos da vida. Essa busca nos coloca no caminho que, com a graça de Deus, pode nos levar àquela plenitude de vida que chamamos de santidade”.

“O esporte é uma fonte muito rica de valores e virtudes que nos ajudam a melhorar como pessoas. Como o atleta durante o treinamento, a prática esportiva nos ajuda a dar o melhor de nós, a descobrir nossos limites sem medo e a lutar para melhorar a cada dia. Deste modo, todo cristão, na medida em que se santifica, torna-se mais frutífero para o mundo”, reforçou o Papa. O Santo Padre prosseguiu sua reflexão afirmando aos esportistas cristãos que a santidade deve ser um esporte vivo como meio de encontro, de formação, de personalidade, de testemunho e de proclamação da alegria de ser cristão.

“Que este documento produza frutos abundantes tanto no compromisso eclesial como no cuidado pastoral do esporte, como para além da esfera da Igreja. A todos os esportistas e agentes pastorais que se reconhecem na grande ‘equipe’ do Senhor Jesus”, peço-lhe que orem por mim”, concluiu Francisco.

Doutor Alexandre, escritor e coordenador geral do Movimento de Vida Cristã no Peru, comentou a publicação do documento e os efeitos positivos que ele causará em sociedade. “Esse ponto de encontro da sociedade, que é o esporte, (…) deve ser esse jogo limpo, de torcermos por um time, pela seleção, mas sempre priorizando o amor pelo próximo”. O escritor encerrou: “É um convite da Igreja para que vivamos esta unidade no corpo, na alma e no espírito”.

Fonte: Canção Nova

Essa interrogação e as variações e implicações que dela derivam são respondidas agora por uma nova pesquisa longa e precisa realizada pelo Pew Research Center, entre abril e agosto de 2017, e tornada pública no original em inglês nos últimos dias.

O Pew Research Center é um think tank estadunidense, com sede em Washington, que fornece informações sobre problemas sociais, opinião pública e tendências demográficas sobre os Estados Unidos e o mundo em geral. Realiza sondagens de opinião pública, pesquisas demográficas, análises de conteúdo das mídias e outras pesquisas no campo das ciências sociais empíricas.

O texto que aqui publicamos é uma síntese elaborada pelo próprio centro e é tirada de um relatório acompanhado no original por inúmeros gráficos ilustrativos.

****

A Europa ocidental, berço do protestantismo e historicamente sede do catolicismo, tornou-se uma das regiões mais seculares do mundo. Embora a grande maioria dos adultos afirme que recebeu o batismo, hoje muitos deles não se definem como cristãos. 

Porém, na maioria dos casos, os adultos entrevistados se consideram cristãos de fato, mesmo que raramente frequentem a Igreja.

A pesquisa mostra que os cristãos não praticantes (como são definidas no relatório as pessoas que se declaram como cristãs, mas que participam nas funções religiosas apenas algumas vezes por ano) representam a cota mais ampla da população na região em questão.

Em todos os países, exceto na Itália, são mais numerosos do que os cristãos praticantes (ou seja, aqueles que participam das funções religiosas pelo menos uma vez por mês). Os cristãos não praticantes são mais numerosos do que aqueles que não se reconhecem em nenhuma religião (ou seja, pessoas que se identificam como ateias, agnósticas ou “de nenhuma religião em particular”) na maioria dos países incluídos na pesquisa.

Com a palavra, os dados

O estudo do Pew Research Center, realizado sobre mais de 24.000 entrevistas telefônicas com adultos selecionados aleatoriamente, incluindo cerca de 12.000 cristãos não praticantes, revela que a identidade cristã continua sendo uma marca significativa na Europa ocidental, mesmo entre aqueles que raramente frequentam a Igreja.

Não se trata simplesmente de uma identidade “nominal” sem relevância prática. Ao contrário, o ponto de vista dos cristãos não praticantes sobre a religião, a política e a cultura é muitas vezes diferente do dos cristãos praticantes e/ou adultos que não se reconhecem em nenhuma religião.

A identidade cristã na Europa ocidental, de fato, está associada a opiniões mais negativas em relação aos imigrantes e às minorias religiosas. No geral, aqueles que se professam cristãos, frequentam a igreja ou não, são mais propensos a expressar opiniões negativas contra os imigrantes, assim como aos muçulmanos e aos judeus, em comparação com aqueles que não se reconhecem em nenhuma religião.

Por exemplo, 63% dos cristãos praticantes na Itália afirmam que o Islã é fundamentalmente incompatível com a cultura e os valores italianos, opinião compartilhada por 51% dos cristãos não praticantes. Entre os adultos que não se reconhecem em nenhuma religião, ao contrário, a porcentagem de entrevistados que considera que o Islã é fundamentalmente incompatível com a cultura e os valores do próprio país é inferior (29%).

Na Europa, observa-se uma distribuição análoga em relação às limitações para o vestuário das mulheres muçulmanas em público: os cristãos são mais propensos do que as pessoas com “nenhuma religião” a afirmar que as mulheres muçulmanas deveriam poder não usar qualquer indumentária religiosa.

Os cristãos praticantes, os cristãos não praticantes e as pessoas que não se reconhecem em nenhuma religião também diferem em termos de atitude em relação ao nacionalismo.

Os cristãos não praticantes são menos propensos do que os cristãos praticantes a expressar pontos de vista nacionalistas. Porém, são mais propensos do que os entrevistados com “nenhuma religião” a afirmar que a própria cultura é superior às outras e que é necessário ter pais de um país para compartilhar sua identidade nacional (por exemplo, é necessário ter uma tradição familiar espanhola para ser realmente espanhóis).

Na Itália, por exemplo, a maioria dos cristãos praticantes (57%) concorda com a afirmação “os meus compatriotas não são perfeitos, mas a nossa cultura é superior às outras”. Esse percentual cai para 49% entre os cristãos não praticantes, mas, contudo, permanece superior aos 14% dos italianos adultos que não se reconhecem em nenhuma religião que compartilha esse ponto de vista.

Imigrantes e minorias

A pesquisa, que foi realizada após uma escalada dos fluxos migratórios dirigidos à Europa e provenientes de países de maioria muçulmana, fez muitas outras perguntas sobre a identidade nacional, o pluralismo religioso e a imigração.

A maioria dos europeus ocidentais se declara disposta a aceitar muçulmanos e judeus no seu bairro e na própria família, e, em grande parte, não concorda com as afirmações negativas sobre esses grupos. Além disso, no geral, o número de entrevistados que afirmam que os imigrantes são honestos e trabalham duro é maior do que os da opinião contrária.

No entanto, existe um modelo que emerge de modo claro e coerente: os cristãos, tanto praticantes quanto não praticantes, são mais propensos do que os adultos que não se reconhecem em nenhuma religião na Europa ocidental a expressar opiniões desfavoráveis em relação aos imigrantes e às minorias e pontos de vista nacionalistas.

Há também outros fatores que estão fora da identidade religiosa e que estão intimamente ligados a essas posições. Por exemplo, o nível de educação mais alto e o conhecimento direto de uma pessoa muçulmana tendem a se associar a uma maior abertura em relação à imigração e às minorias religiosas.

Além disso, a identificação com a direita política está fortemente conectada com posições anti-imigração. Dito isso, mesmo empregando técnicas estatísticas para levar em conta esses e muitos outros fatores, incluindo idade e sexo, os europeus ocidentais que se identificam como cristãos são mais inclinados a expressar sentimentos negativos sobre os imigrantes e sobre as minorias religiosas do que aqueles que não se reconhecem em nenhuma religião.

Pontos de divergência

Os cristãos não praticantes, os cristãos praticantes e os adultos que não se reconhecem em nenhuma religião mostram outros pontos divergência importantes nessa área geográfica:

– embora afirmando não acreditar em Deus “como descrito na Bíblia”, muitos cristãos não praticantes tendem a acreditar em algum outro poder superior ou força espiritual. Pelo contrário, a maioria dos cristãos praticantes afirmam acreditar na descrição bíblica de Deus. E uma clara maioria dos adultos que não se reconhecem em nenhuma religião não acredita em nenhum tipo de poder superior ou força espiritual no universo.

os cristãos não praticantes tendem a expressar posições mais positivas do que negativas em relação às Igrejas e a outras organizações religiosas, declarando que desempenham uma função socialmente útil, ajudando os pobres e fortalecendo os laços dentro das comunidades. Suas atitudes em relação às instituições religiosas não são favoráveis como as dos cristãos praticantes, mas, em comparação com os europeus que não se reconhecem em nenhuma religião, os cristãos não praticantes são mais propensos a afirmar que as Igrejas e as outras organizações religiosas contribuem positivamente com a sociedade.

– a grande maioria dos cristãos não praticantes, como aquela das pessoas que não se reconhecem em nenhuma religião na Europa ocidental, é favorável ao aborto legal e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Os cristãos praticantes são mais conservadores sobre essas questões, embora, dentro desse segmento, haja um apoio substancial (em alguns países, majoritário) ao aborto legal e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.

– quase todos os cristãos praticantes que são pais ou tutores de menores (com menos de 18 anos) afirmam criá-los de acordo com os princípios cristãos. Entre os cristãos não praticantes, um percentual ligeiramente inferior, que ainda representa a imensa maioria, afirma criar os próprios filhos como cristãos. Por outro lado, os pais que não se reconhecem em nenhuma religião geralmente criam seus filhos sem religião.

Esses são alguns dos principais resultados da nova pesquisa do Pew Research Center. O estudo, financiado pelo The Pew Charitable Trusts e pela John Templeton Foundation, faz parte de um projeto maior do Pew Research Center voltado a compreender a mudança religiosa e o seu impacto nas sociedades em todo o mundo.

Fonte: Settimana News

O papa São João Paulo II afirmava que a Universidade católica tem em vista os “grandes problemas da sociedade”, estando em causa o “significado da investigação científica e da tecnologia, da convivência social, da cultura. Porém, mais profundamente ainda, está em causa o próprio significado do homem” (Alocução ao Congresso Internacional sobre as Universidades Católicas, no. 3).

Características da Escola superior católica

A Universidade católica deve-se deixar guiar por suas características identificadoras que são as que se seguem, conforme alguns pontos do documento sobre as universidades católicas, Ex Corde Ecclesiae, do papa São João Paulo II.

Conforme o documento, na Universidade católica,

1. a inspiração cristã deve orientar as pessoas e toda a comunidade universitária;

2. a reflexão sobre o conhecimento humano será iluminada pela fé católica;

3. estará presente a fidelidade ao pensamento cristão, conforme a Igreja o apresenta;

4. haverá a contribuição institucional à comunidade eclesial e à humanidade no caminho ‘rumo ao objetivo transcendente que dá significado à vida”;

5. a investigação deve objetivar a integração do conhecimento, o diálogo entre a fé e a razão, uma preocupação ética e uma perspectiva teológica;

6. os princípios, as atitudes e os ideais católicos são impregnadores e modeladores das “atividades universitárias de acordo com a natureza e a autonomia próprias de tais atividades”;

7. a teologia e a filosofia guiam os “estudiosos universitários” para a determinação da “relativa posição e o significado de cada uma das diversas disciplinas no quadro de um visão da pessoa humana e do mundo iluminada pelo Evangelho e, portanto, pela fé em Cristo, Logos, como centro da criação da história humana”;

8. o empenho da Universidade católica, na causa da verdade, é a sua forma de serviço “à dignidade do homem e à causa da Igreja”, distinguindo-se por “sua livre investigação de toda a verdade acerca da natureza, do homem e de Deus” (I, nos. 8, 13, 15, 14, 16, 4, 27);

9. a Universidade católica tem a obrigação de ser instrumento cada vez mais eficiente do progresso cultural, contribuindo para o estudo e solução dos graves problemas contemporâneos, “reservando especial atenção às suas dimensões éticas e religiosas” e deverá “ter a coragem de proclamar verdades incômodas, verdades que não lisonjeiam a opinião pública, mas que, no entanto são necessárias para salvaguardar o autêntico bem da sociedade”; ela contribuirá para “o diálogo ecumênico” e o “diálogo inter-religioso”.

10. A Universidade católica tem o dever de promover o diálogo entre “o pensamento cristão e as ciências modernas”, o que exige “pessoas particularmente preparadas em cada uma das disciplinas, que sejam dotadas também de adequada formação teológica e capazes de enfrentar as questões epistemológicas no plano das relações entre a fé e a razão”;

11. “o pesquisador cristão deve mostrar como a inteligência humana se enriquece da verdade superior, que deriva do Evangelho”, sendo que, segundo a sua especificidade, a Universidade católica, conforme o papa Paulo VI, “contribui para manifestar a superioridade do espírito, que nunca pode, sem o risco de perder-se, consentir em por-se a serviço de outra coisa que não seja a procura da verdade.” (I, nos. 29, 32, 47, 46);

12. os alunos das universidades e faculdades católicas descubram que “a fé e a razão colaboram para uma só verdade” e “se formem de fato como homens de grande saber, preparados para enfrentarem tarefas de maior responsabilidade na sociedade e para serem no mundo testemunhas da fé.” (Gravissimum Educationis, no. 10);

13. a Universidade católica “goza de autonomia institucional que é necessária para cumprir suas funções com eficácia, e garante aos seus membros a liberdade acadêmica na salvaguarda do indivíduo e da comunidade no âmbito das exigências da verdade e do bem comum.” (I, no. 12);

14. “Os Bispos têm a responsabilidade particular de promover as Universidades Católicas e, especialmente, de segui-las e assisti-las na sustentação e na consolidação da sua identidade católica também no confronto com as autoridades civis. Isto será obtido mais adequadamente, criando e mantendo relações estreitas, pessoais e pastorais, entre a Universidade e as Autoridades eclesiásticas, relações caracterizadas por confiança recíproca, colaboração e leal diálogo contínuo.

Embora não entrem diretamente no governo interno da Universidade, os Bispos “não devem ser considerados agentes externos, mas participantes da vida da Universidade Católica. (I, no. 28).

O Código de Direito Canônico prescreve que “Cabe à autoridade competente, de acordo com os estatutos, o dever de providenciar que nas universidades católicas sejam nomeados professores que sobressaiam, não só pela idoneidade científica e pedagógica, como também pela integridade da doutrina e probidade da vida, de modo que, faltando-lhe esses requisitos, sejam afastados do cargo, observando-se o modo de proceder determinado nos estatutos. As Conferências dos Bispos e os Bispos diocesanos interessados têm o dever e o direito de supervisionar para que nessas universidades se observem fielmente os princípios da doutrina católica.” (Cânon 810, pars. 1-2).

A Sagrada Congregação para a Educação Católica, por sua vez, afirma “que a natureza da revelação judeu-cristã é absolutamente incompatível com qualquer relativismo epistemológico, moral ou metafísico, com qualquer materialismo, panteísmo, imanentismo, subjetivismo ou ateísmo”. (O Ensino da Filosofia nos Seminários, p. 12).

É essencial à identidade institucional da Universidade católica o seu vínculo com a Igreja, originando desta relação a sua fidelidade à “mensagem cristã, o reconhecimento e a adesão à autoridade magisterial da Igreja em matéria de fé e moral”.

15. Os membros católicos da comunidade universitária são convocados à “fidelidade pessoal à Igreja, com tudo quanto isto comporta” e dos “membros não católicos, enfim, espera-se o respeito do caráter católico da instituição na qual prestam serviço, enquanto a Universidade, por seu lado, respeitará a sua liberdade religiosa.” A Igreja, porque aceita “a legítima autonomia da cultura humana e especialmente das ciências, reconhece a liberdade acadêmica de cada um dos estudiosos na disciplina da sua competência, de acordo com os princípios e os métodos da ciência, a que ela se refere, segundo as exigências da verdade e do bem comum.” (Ex Corde Ecclesiae, I, nos. 4, 27, 29).

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, no documento Diretrizes e normas para as Universidades Católicas segundo a Constituição apostólica “Ex Corde Ecclesiae” (Universidades Católicas), expressa que a Universidade católica constitui uma comunidade acadêmica que, com a inspiração na pessoa e na mensagem de Jesus Cristo e na fidelidade à Igreja, desenvolve refletida, sistemática e criticamente, o ensino, a pesquisa e a extensão e se consagra à evangelização e à formação integral de seus membros – alunos, professores e funcionários – bem como ao serviço qualificado do povo contribuindo para o aumento da cultura, a afirmação ética da solidariedade, a promoção da dignidade transcendente da pessoa humana e ajudando a Igreja em seu anúncio e serviço ao Reino de Deus. (Art. 4. Ex Corde Ecclesiae, I, nos. 5,12, 14, 15, 22-24, 30-32, 43, 48-49).

O documento da CNBB afirma que a Universidade católica tem como missão o serviço à humanidade e à Igreja e, para isto,

1. garanta, perene e institucionalmente, a mensagem de Cristo no universo científico e cultural, desenvolvendo o diálogo entre a razão e a fé, entre o Evangelho e a cultura;

2. contribua, conforme a própria identidade, para a solução dos graves problemas contemporâneos;

3. dedique-se, sem limites, à luz da inteligência e da Revelação, à investigação do universo e da sua relação essencial com Deus, verdade Suprema;

4. contribua para o aprofundamento do conhecimento e valor da pessoa humana;

5. esteja a serviço e ensino da verdade, fundamento da liberdade, justiça e dignidade humana;

6. crie condições para o diálogo ecumênico e inter-religioso. (Art. 5º.) As mesmas Diretrizes afirmam, ainda, que as universidades católicas devem;

7. distinguir-se pela excelência organizacional e pelo ensino, pesquisa e extensão, pela qualificação humana, profissional, acadêmica e religiosa da direção, professores e de outros cooperadores;

8. desenvolver um ambiente de amor fraterno e solidariedade, de mútuo respeito e de diálogo;

9. na sua organização e nas suas normas, garantir os meios para “expressão, preservação e promoção da identidade católica” (Art. 23.);

10. explicitar a identidade e os seus princípios essenciais em seus estatutos e que eles sejam publicados na comunidade universitária;

11. estudar a ética cristã em todas as áreas do ensino, em particular na profissional;

12. apresentar a Doutrina social da Igreja e tê-la como o referencial cristão, com os seus valores, para a análise da sociedade e da cultura modernas;

13. ter a Teologia presente, promovendo o diálogo entre fé e razão, e que haja, na Universidade, uma faculdade ou instituto de Teologia, ou, minimamente, disciplinas teológicas”. (CDC, cânon 811, pars. 1-2);

14. contratar os professores de disciplina teológica e afins com “titulação e qualificação acadêmicas equivalentes às exigidas dos demais professores da Universidade” e que “tenham o mandato do Bispo da diocese na qual está a sede jurídica da Universidade.” (Art. 37, CDC, cânon 812);

15. procurar caminhos para o acesso à educação superior dos menos favorecidos e promover a extensão universitária;

16. respeitar a liberdade de consciência e de religião dos membros da comunidade universitária;

17. exigir deles, entretanto, “que igualmente reconheçam e respeitem o caráter católico da Universidade, abstendo-se nela de qualquer atividade ou atitude, em oposição à doutrina, à moral e às diretrizes da Igreja” e que seja “o pessoal adequado e em sua maioria católico, capaz de garantir e promover a identidade da instituição.” (Art. 29, 30; Ex Corde Ecclesiae, II, art. 4, par. 4).

O documento da Congregação para a Educação Católica, Decreto de Reforma dos Estudos Eclesiásticos, afirma que, “Para chegar ao conhecimento rigoroso e coerente do homem, do mundo e de Deus, tal dimensão exige que o ensino da filosofia seja baseado no “patrimônio filosófico perenemente válido, que se desenvolve através da história e, ao mesmo tempo, seja aberto para acolher os contributos que as investigações filosóficas forneceram e continuam a fornecer. Entre aquelas verdades fundamentais, algumas possuem um caráter central e, particularmente atual: a capacidade de alcançar uma verdade objetiva e universal e um válido conhecimento metafísico; a unidade corpo-alma no homem; a dignidade da pessoa humana; as relações entre a natureza e a liberdade; a importância da lei natural e das “fontes da moralidade”, em especial do ato moral; a necessária conformidade da lei civil e da lei moral.” (no. 11; CDC, cânon 251).

O papa Francisco, referindo-se à educação e aos educadores católicos, declara:

1. Valor do diálogo na educação: (…) “Com efeito, as escolas e as Universidades católicas são frequentadas por numerosos estudantes não cristãos, ou até não crentes. Os institutos de educação católicos oferecem a todos uma proposta educacional que visa o desenvolvimento integral da pessoa e que corresponde ao direito de todos, de aceder ao saber e ao conhecimento. Mas igualmente são chamados a oferecer a todos – no pleno respeito pela liberdade de cada um e dos métodos próprios do ambiente escolar – a proposta cristã, ou seja, Jesus Cristo como sentido da vida, do cosmos e da História.” (…)

2. Preparação qualificada dos formadores: “Nas escolas católicas, o educador deve ser antes de tudo muito competente, qualificado e, ao mesmo tempo, rico de humanidade, capaz de permanecer no meio dos jovens com um estilo pedagógico, para promover o seu crescimento humano e espiritual. Os jovens têm necessidade de qualidade de ensino e igualmente de valores, não apenas enunciados, mas testemunhados. A coerência é um fator indispensável na educação dos jovens. Coerência! Não se pode fazer crescer, não se pode educar, sem coerência: coerência e testemunho. (…) Portanto, é preciso investir a fim de que professores e dirigentes possam manter alto o seu profissionalismo e também a sua fé e a força das suas motivações espirituais. E, ainda nesta formação permanente, tomo a liberdade de sugerir a necessidade de retiros e de Exercícios espirituais para os educadores. É preciso promover cursos sobre esta temática, mas também é necessário fazer cursos de Exercícios espirituais e retiros para rezar, pois a coerência é um esforço, mas principalmente uma dádiva e uma graça. E devemos pedi-la! (…).”

3. O areópago das culturas atuais: “O cinquentenário da Declaração conciliar, no 25º. Aniversário da Ex Corde Ecclesiae e a atualização da Sapientia christiana impelem-nos a meditar seriamente sobre as numerosas instituições de formação espalhadas pelo mundo inteiro e sobre a sua responsabilidade de manifestar uma presença viva do Evangelho nos campos da educação, da ciência e da cultura. É necessário que as instituições acadêmicas católicas não se isolem do mundo, mas saibam entrar intrepidamente no areópago das culturas contemporâneas e estabelecer um diálogo, conscientes do dom que podem oferecer a todos.” (Discurso na Plenária da Congregação para a Educação Católica, 13/2/2014). O papa Francisco, aos membros do Parlamento europeu de Estrasburgo, afirma que Ao lado da família, temos as instituições educativas: escolas e universidades. A educação não se pode limitar a fornecer um conjunto de conhecimentos técnicos, mas deve favorecer o processo mais complexo do crescimento da pessoa humana na sua totalidade. Os jovens de hoje pedem para ter uma formação adequada e completa, a fim de olharem o futuro com esperança e não com desilusão. (Discurso ao Parlamento europeu, 25/11/2015).

O Documento de Aparecida afirma que 1. “A Escola católica é chamada a uma profunda renovação. Devemos resgatar a identidade católica de nossos centros educativos por meio de um impulso missionário corajoso e audaz, de modo que chegue a ser uma opção profética plasmada em uma pastoral participativa. Tais projetos devem promover a formação integral da pessoa, tendo seu fundamento em Cristo, com identidade eclesial e cultural, e com excelência acadêmica. Além disso, há de gerar solidariedade e caridade para com os mais pobres. O acompanhamento dos processos educativos, a participação dos pais de família neles e a formação de docentes, são tarefas prioritárias da pastoral educativa. (no. 337) 2. “As atividades fundamentais de uma universidade católica deverão vincular-se e harmonizar-se com a missão evangelizadora da Igreja. Elas se realizam através de uma pesquisa realizada à luz da mensagem cristã, que colocam os novos descobrimentos humanos a serviço das pessoas e da sociedade”; 3. As universidades católicas possuem “responsabilidades evangélicas” que são, entre outras, “o diálogo entre fé e razão, fé e cultura, e a formação de professores, alunos e pessoal administrativo através da Doutrina Social e Moral da Igreja, para que sejam capazes de compromisso solidário com a dignidade humana, de serem solidários com a comunidade e de mostrarem profeticamente a novidade que representa o cristianismo na vida das sociedades latino-americanas e caribenhas. Para isso, é indispensável que se cuide do perfil humano, acadêmico e cristão dos que são os principais responsáveis pela pesquisa e docência.” (no. 342) 4.

“É necessária uma pastoral universitária que acompanha a vida e o caminhar de todos os membros da comunidade universitária, promovendo um encontro pessoal e comprometido com Jesus Cristo e múltiplas iniciativas solidárias e missionárias. Também se deve procurar uma presença próxima e dialogante com membros de outras universidades públicas e centros de estudo.” (no. 343).

O Código de Direito Canônico estabelece que “O Bispo Diocesano tenha grande cuidado pastoral com os estudantes, até mesmo criando uma paróquia, ou pelo menos mediante sacerdotes estavelmente indicados para isso; providencie que junto às universidades, mesmo não-católicas, haja centros universitários católicos que sejam de ajuda, sobretudo espiritual, à juventude.” (Cânon 813). O Código estabelece, ainda, que “As prescrições estabelecidas para as universidades aplicam-se, com igual razão, aos demais institutos de estudos superiores.”(Cânon 814).

O Departamento de Cultura e Educação do Conselho Episcopal Latino-americano apresenta um texto, cujo título é Ide e ensinai… A identidade e missão da escola católica diante dos desafios atuais à luz do Documento de Aparecida. A publicação é coordenada pelo Secretário Geral da Conferência Episcopal colombiana, dom Juan Vicente Córdoba Villota, bispo auxiliar de Bucaramanga. Dom Juan Córdoba declara que “O livro tem o objetivo de promover nos centros educacionais católicos autênticos discípulos missionários para reforçar e manter a identidade e a missão da escola católica”.

Observa-se que os documentos, que expressam a identidade e a missão da Universidade católica, têm, como pressuposto antropológico, a concepção do ser humano como pessoa. O conceito de pessoa, fundamentado na fé e na razão, exprime, necessariamente, uma concepção integral, includente e dialógica da criatura humana. A compreensão do ser humano como pessoa, entre outras referências, é essencial para a compreensão e a missão das universidades católicas e pode constituir, também, um ponto comum e orientador do diálogo interdisciplinar, dos projetos acadêmicos e administrativos da comunidade educacional.

Sinais de corrupção da identidade da Escola superior católica

Dado o que identifica, essencialmente, a Escola católica de nível superior, tendo-se em vista o bem para as pessoas vinculadas à escola e para a sociedade, deve-se observar alguns sinais, entre outros, que indicam a corrupção da Universidade, para se prevenir ou para se restaurar a identidade da instituição.

1. Pessoas, não qualificadas conforme a identidade e a missão da instituição, presentes em funções magisteriais, de coordenação, direção e administrativas. Estas pessoas, de forma mais ou menos consciente e, por vezes, verdadeiros militantes, transformam a natureza das instituições católicas de ensino em instrumentos adversos à fé e à moral da Igreja. Por outro lado, ao contratado e aos alunos e alunas não se expõem qual é a missão e a identidade da Escola e o compromisso que elas incidem sobre as pessoas vinculadas à instituição.

2. Ideologias infiltradas nas aulas, reuniões, nos eventos, nos diversos ambientes da escola por agentes travestidos de educadores que são, na verdade, manipuladores de consciências a serviço de uma causa. São pessoas, por vezes, também já instrumentalizadas e conduzidas por uma mentalidade processada no ambiente de que procedem. Propagação da ditadura do relativismo, na expressão do papa Bento XVI. Relativismos, no plural, como o gnosiológico, o ético, o religioso com repercussões, especialmente, na consciência dos valores da pessoa humana e da pessoa como valor quanto à sua constituição, dignidade, origem e fim último. Manifestam-se a dissociação e o conflito entre “verdade” e “liberdade”. O papa São João Paulo II afirma que, “Uma vez que se privou o homem da verdade, é pura ilusão pretender torná-lo livre. Verdade e liberdade, com efeito, ou caminham juntas, ou juntas miseravelmente perecem.” (Fides et ratio, 91). A confusão sobre a identidade do ser humano reflete-se, inevitavelmente, nas concepções dos direitos e deveres humanos. O que é “humano” para ser direito e dever? E os direitos de Deus? O papa Francisco, ao membros do Conselho da Europa, declara que Além disso, é preciso ter presente que, sem esta busca da verdade, cada um torna-se a medida de si mesmo e do seu próprio agir, abrindo a estrada à afirmação subjetivista dos direitos, de tal modo que o conceito de direito humano, que de per si tem valência universal, é substituído pela ideia de direito individualista.(Discurso ao Conselho da Europa, 25/11/2014).

3. Planos, projetos, ementas, referências e eventos conflitam com o projeto educativo da Intituição católica de ensino. As disciplinas e a prática educativa se opõem à identidade dos respectivos cursos se eles, nos seus objetivos, conteúdos e métodos, são coerentes com a identidade da instituição que, por sua vez, corresponde ao que a Igreja convoca quanto à educação integral da pessoa humana. A educação integral compreende a síntese dinâmica entre a fé e a razão. Esta síntese conduz à reflexão sobre fé e cultura que abrange, entre outros temas, fé e política, fé e ciência, fé e técnica, fé e arte. Não basta, entretanto, observar somente o que está expresso em planos e projetos. A experiência existencial humana cotidiana é que revela, mais profunda e extensamente, a realidade da instituição.

4. Presença de pseudofilosofias e as filo ideologias, disfarçadas de filosofia, reducionismos deformadores de toda ordem como o imanentismo, o gnosticismo, o fideísmo, o individualismo, o coletivismo, o tecnicismo, o cientificismo, incluindo o positivismo, o culturalismo, o psicologismo, o historicismo, o sociologismo, o economicismo. O papa Francisco declara que o gnosticismo é “uma fé fechada no subjetivismo (…), que enclausura a pessoa na imanência da sua própria razão ou dos seus sentimentos, e o neo pelagianismo autorreferencial e prometeico de quem, no fundo, só confia nas próprias forças” de diferentes tipos. (Evangelii Gaudium, 94). Confundem-se autonomia com soberania, secularização com secularismo, pluralidade com pluralismo. Não se conhece a diferença entre inovar por aprofundamento e por substituição, o que pode levar a tragédias pessoais e sociais.

5. Há agravantes quando a corrupção da identidade da escola superior católica chega aos cursos de filosofia e teologia. A desconsideração e, inclusive, a constestação das orientações e normas da Igreja, com fundamentos na razão e na fé, comprometem a qualidade da formação do futuro clero e dos discentes não seminaristas. Elementos, entre outros, imanentista, relativista, subjetivista, empirista, agnóstico, gnóstico, ateu ou idólatra e niilista são introduzidos com sofismas e linguagem sedutora. O papa São João Paulo Paulo II afirma que “O niilismo, antes mesmo de estar em contraste com as exigências e os conteúdos próprios da palavra de Deus, é negação da humanidade do homem e também de sua identidade. De fato, é preciso ter em conta que olvidar o ser implica inevitavelmente a perda de contato com a verdade objetiva e, consequentemente, com o fundamento sobre o qual se apóia a dignidade do homem.” (Fides et ratio, no. 91). No mesmo documento, ele afirma que “Esta (a fé), enquanto virtude teologal, liberta a razão da presunção – uma típica tentação a que os filósofos facilmente estão sujeitos.” (no.76). Confundem-se pensar e conhecer. As questões de sentido último da vida humana e do mundo passam para um segundo plano ou são ignoradas ou negadas. A razão humana se reduz à experimentação e ao fenômeno. Ela não vai do parecer ao ser. A filosofia do ser é a matriz filosófica estabelecida pelo magistério. (Fides et ratio, no. 76).

6. Não se tem consciência da intrínseca relação entre a filosofia e a teologia (Fides et ratio, nos.75-8), o que pode resultar no comprometimento das vocações e, inclusive, na formação discente em geral. Propagam-se o fideísmo, que pode levar para os fundamentalismos de todo tipo, inclusive, o político, e os relativismos noético e ético. Não se promovem o discernimento e a consciência entre a falsidade e a verdade, na abordagem das diversas correntes do pensamento filosófico e de seus representantes, Afinal, conforme o subjetivismo, tudo não é uma questão de opinião, de ponto de vista?

7. A unidade, a verdade, o bem e a beleza, constituintes e expressões do ser, não são os fundamentos das decisões e procedimentos, particularmente da ação magisterial. O papa São João Paulo II refere-se, na Fides et ratio, trezentas e cinquenta vezes à verdade. São Paulo declara que “vai chegar um tempo em os homens não suportarão a sã doutrina, mas, sentido cócegas nos ouvidos, reunirão em volta de si mestres conforme suas paixões. Deixando de ouvir a verdade, eles se voltarão para fábulas.” (2 Tm 4,7).

8. Resistências e dificuldades quanto ao diálogo interdisciplinar. Subestimação e exclusão das disciplinas e iniciativas que refletem sobre os valores fundamentais e de sentido da existência humana, desencaminhando-se para utilitarismos e hedonismos. Os discentes chegam egoístas por limites e inclinação pessoais e saem, em geral, egocêntricos e egoístas por inclinação e princípio.

9. Procedimentos antipersonalistas, nos processos de ensino e aprendizagem, que contribuem para dificultar o desenvolvimento do ser pessoal dos discentes, da sua consciência quanto aos valores da existência, de sua forma de pensar e agir. Os alunos e alunas são conformados a uma sociedade em retrocesso civilizatório, em vários aspectos, e são contestados quanto às próprias convicções verdadeiramente axiológicas e sofrem a perda da consciência de valores que trouxeram de sua educação, inclusive, familiar.

10. Formação condicionada pelo mercado e reduzida à futura profissão. Os alunos e alunas são considerados, ainda que inconscientemente, mais como produtos do que pessoas em processo educacional. O formando não desenvolve uma consciência discernidora da realidade e do valor do mundo, do homem e de Deus. Concepções antropológicas individualista e coletivista, como referências, resultam no obscurecimento e confusão da consciência quanto aos valores éticos, políticos que, de fato, visem o bem integral e comum, o que compromete a realização pessoal, social e profissional dos alunos e alunas, inclusive de professores. O papa Francisco afirma que “A crise financeira que atravessamos nos faz esquecer que, na sua origem, há uma crise antropológica profunda: a negação da primazia do ser humano. Criamos novos ídolos.” (Evangelii Gaudium, no. 55).

11. Qualidade do ensino e aprendizagem aquém do que deveria e poderia ser. Facilitação aos discentes para se manter e ampliar a quantidade dos alunos. A qualidade sobrepõe-se à qualidade.

12. Inexistência de uma pastoral abrangente e profunda que trabalhe com a fé e a razão, inclusive com os docentes, e ausência do serviço religioso católico a todos os membros da comunidade educativa, particularmente aos discentes. Ausência de sinais da fé católica. Dificuldades e distorções do verdadeiro diálogo e anúncio ecumênicos e inter-religiosos.

13. A verdadeira motivação é substituída pelo interesse e temor, o que leva à dissimulação, ao fingimento, a narcisismos. Ambiente em que se encontram o carreirismo, a competição por cargos e status, ameaças ostensivas ou veladas, injustiças nos relacionamentos e nos procedimentos administrativos, assédio moral, feudos, nepotismo, relacionamentos afetivos e sexuais ontoantropoaxiologicamente impróprios entre as pessoas do ambiente escolar. Além de outras consequências, processam-se uma corrupção da consciência ética das pessoas, enfermidades físicas e psíquicas, progressivas frustrações pessoal e profissional e esterilização do processo educativo verdadeiro e integral.

14. Não investimento na formação permanente dos agentes pedagógicos, especialmente dos docentes, conforme a fé e a razão, incluindo o aperfeiçoamento profissional. A razão, entretanto, compreendida de forma integral e, não, setorizada, reducionista, e a fé também integral, portanto, católica. Hostilidades, resistências explícitas ou disfarçadas dos destinatários dessa formação.

15. Contratuação de docentes com menor titulação para se reduzirem gastos. Agentes sem liderança e autoritários que se identificam por controle e cobrança. Procedimentos de admissão e demissão incompatíveis com as características católicas fundamentais da instituição. O tempo e o exercício pedagógicos prejudicados por autoritarismo e excessos burocráticos. Ao inverso, desleixo administrativo. Estruturas e meios são, indevidamente, reduzidos. Inconsciência de que a gestão e a administração devem estar a serviço dos objetivos da identidade da escola católica. Redução de custos a todo custo. O Prefeito da Congregação para os Consagrados, Cardeal João Braz Aviz, declara que “(…) Além disso, é necessário que determinados critérios de administração evoluam dentro da Igreja, porque a gestão não pode ser do tipo capitalista, mas evangélica.” (Entrevista, L’osservatore Romano).

16. As pessoas conscientes e que mantêm a fidelidade à identidade da instituição escolar católica, por vezes já minoria, sofrem variadas formas de procedimentos coativos e, inclusive, assédio moral. O espaço para a pessoa cristã fica cada vez mais reduzido. À título de “não impor”, contestam-se e até se proíbem o “expor” e o “propor” identificadores da instituição. Quem pensa e age conforme a identidade e missão da escola é acuado e considerado “diferente”. A sua avaliação se pauta, prioritária e negativamente, por sua convicção e adesão à identidade.

17. Inconsciência, debilidade, omissão, incompetência, conivência ou cumplicidade daquelas pessoas, inclusive do ministério ordenado, que deveriam, por princípio, direito e obrigação, garantir e promover a identidade da instituição escolar católica.

18. Desconsideração e insensibilidade às expectativas das famílias dos discentes.
Qual a realidade atual das escolas católicas, a começar dos anos iniciais? O que corresponde, de fato, aos seus princípios e normas? O que fazer? Constituir grupos e associações que contribuam para que as nossas Escolas católicas, particularmente as de ensino superior, recuperem, quando for o caso, e aprofundem a consciência de sua identidade e realizem a missão para a qual são fundadas?

O agir não se motive pela convenção, conveniência, coerção e não seja conforme a letra sem espírito. As ações procedam da convicção com fundamento na fé e na razão, “como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade e, em última análise, de O conhecer a Ele, para que, conhecendo-O e amando-O, possa chegar também à verdade sobre si próprio”. (Fides et ratio, Preâmbulo). É Ele quem doa, aumenta a fé e ilumina a razão.

REFERÊNCIAS

Cardeal João Braz Aviz. L’osservatore Romano, 7-14/8/ 2014, nos. 32-33, p. 6

CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO, trad. Oficial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, São Paulo: Loyola, 1983

CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL. Diretrizes e Normas para as Universidades Católicas segundo a constituição apostólica “Ex Corde Ecclesiae” – Decreto Geral. Documentos da CNBB 64, São Paulo: Ed. Paulinas, 2000

CONGREGAÇÃO PARA A EDUCAÇÃO CATÓLICA (Dos seminários e dos Institutos de estudos). Decreto de reforma dos estudos eclesiásticos de filosofia. Documentos da Igreja. CNBB, 2011

O Ensino da Filosofia nos Seminários, Roma, Typis Polyglotti Vaticanis, 1979.

CONSELHO EPISCOPAL LATINO-AMERICANO. Documento de Aparecida- Texto conclusivo da V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe, 2ª. ed., Brasília: CNBB; São Paulo: Paulus, Paulinas, 2007 Gravissimum Educationis. Compêndio do Vaticano II – Constituições, decretos, declarações, 7ª. ed., Petrópolis (RJ): Vozes, 1968

João Paulo II. Fides et ratio. São Paulo: Loyola, 1998

Constituição apostólica sobre as Universidades Católicas (Ex Corde Ecclesiae), São Paulo: Paulinas, 1990

Alocução ao Congresso Internacional sobre as Universidades Católicas, 25 de abril de 1989, n. 3 AAS (1989), p. 1218, in Constituição apostólica sobre as universidades católicas, I, 7

Papa Francisco. Evangelii Gaudium – A alegria do Evangelho. Documentos pontifícios 17, Ed. CNBB, 2013
Discurso ao Parlamento europeu, L’Osservatore Romano, no. 48, 27/11/2015, p. 11

Discurso ao Conselho da Europa, L’Osservatore Romano, no. 48, 27/11/2015, p. 12

Prof. Dr. Paulo Cesar da Silva
Graduação em Letras, Filosofia, Teologia, mestrado e doutorado em Filosofia. Livros, capítulos e artigos publicados. Professor universitário.

Fonte: Prof Felipe Aquino

O filme “Paulo: Apóstolo de Cristo” foi aclamado por bispos de todo o Brasil durante a 56ª Assembleia Geral da CNBB, realizada de 11 a 20 de abril, em Aparecida (SP). A pré-estreia aconteceu no auditório da TV Aparecida. Em seção exclusiva, o episcopado teve a oportunidade de assistir o longa e se emocionar com a história. É o caso do bispo da diocese de Bom Jesus da Lapa (BA), dom João Santos Cardoso, que classificou o filme como “fantástico”.

“Eu considero que o filme fez uma interpretação dos escritos paulinos e também de fatos narrados pelos Atos dos Apóstolos. Ele retrata a prisão, num ambiente sombrio e vários outros momentos sombrios que mostram o contexto difícil numa época em que os cristãos eram trucidados, porém testemunhavam a fé e o amor. Depois, num ambiente de luz do filme, são os momentos de saída, que é Cristo”, afirmou o bispo.

Outros dois bispos concordaram que o longa é destinado tanto para cristãos, como para pessoas de outras religiões, ou até mesmo aos que não têm crença. Dom Eduardo Pinheiro, bispo de Jaboticabal (SP), afirmou que este “é um filme que não só os cristãos, mas todas as pessoas que têm uma noção do que significa entregar a própria vida por um ideal vão se sentir tocadas”.

“A vida de São Paulo toca a vida de cada um de nós. Diante dos sofrimentos dele e dos outros, num mundo em que quer mostrar a vida no imediato, esse filme acaba provocando em nós um pensamento naquilo também que vem depois da vida”, disse. “Se não há um ideal, um sonho, uma esperança na eternidade, o sofrimento e a vida não tem sentido. Acredito que esse filme pode ajudar muita gente”, complementou o bispo.

Dom Giuliano Frigeni, da diocese de Parintins (AM), também destacou que o longa vale para pessoas de várias crenças. “Eu acho que vale para cristãos, padres, bispos, ateus, agnósticos, porque o filme não descarta nenhuma pessoa, todas elas reagem segundo aquilo que acreditam. Seja o imperador, sejam os soldados a serviço do império, como os próprios cristãos que perderam suas casas, mas que conseguem descobrir o valor da vida com o testemunho de Paulo”.

Para o bispo foi genial Paulo ser representado já no fim da vida, mas ao mesmo tempo rever sua história, enquanto comunica suas experiências a Lucas, que por sua vez, não faz um papel apenas de escrivão, mas entra de vez na vida do apóstolo. “Agora quem ler o Evangelho de Lucas e o Atos dos Apóstolos, depois desse filme, lerá com um gosto e um proveito muito maior”, destaca dom Giuliano.

O filme

O longa retrata a história de Paulo, conhecido como um dos perseguidores de cristãos mais cruel de seu tempo. Mas, tudo muda quando ele tem um encontro com o próprio Jesus e, a partir desse momento, o jovem se torna um dos apóstolos mais influentes do cristianismo.

CNBB

Os costumes da sociedade contemporânea “a fizeram recair em cheio no paganismo e na completa idolatria do sexo”

O frei Raniero Cantalamessa é o pregador da Casa Pontifícia. Tem cabido a ele, nos últimos anos, dirigir as reflexões de Quaresma do Papa Francisco e dos membros da Cúria Romana. Este ano, na Capela Mãe do Redentor, no Vaticano, as suas meditações partiram do convite “Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo” (Rm 13,14).

Na quinta e última pregação de Quaresma deste ano, o sacerdote fez significativas considerações sobre os costumes da sociedade contemporânea que “a fizeram recair em cheio no paganismo e na completa idolatria do sexo”. Segundo o padre Cantalamessa, tenta-se justificar “toda licença moral e toda perversão sexual” com a ideia de que vale tudo “enquanto não houver violência contra os outros e não se lesar a liberdade de alguém“. O problema desse tipo de alegação já começa no próprio conceito de “violência” e “liberdade”, que, nesses contextos, são bastante questionáveis. O frade observa: “É destruída a família com uma leviandade extrema e se diz: ‘Mas o que é que tem? Eu tenho o direito de procurar a minha felicidade!’“.

A partir dos escritos de São Paulo, Cantalamessa refletiu sobre a dissolução sexual, à qual o Apóstolo contrapõe “a arma da luz e da pureza”. O frade capuchinho comentou:

“Sem dúvida, alguns juízos da moral sexual tradicional foram revistos e as modernas ciências humanas contribuíram para iluminar certos mecanismos e condicionamentos da psicologia humana, que tiram ou reduzem a responsabilidade moral de determinados comportamentos que, há um tempo, eram tidos logo como pecado, até mortais”.

Contudo, o progresso humano “nada tem a ver com este pansexualismo de certas teorias permissivas, que tendem a negar toda norma objetiva no campo da moral sexual, reduzindo tudo a um fato de evolução espontânea dos costumes, isto é, a um fato da cultura”.

“Se consideramos de perto o que veio a ser chamada de ‘revolução sexual’ dos nossos dias, percebemos, com horror, que ela não é simplesmente uma revolução contra o passado, mas, frequentemente, contra Deus e a natureza humana. [A sexualidade] não é mais pacífica; [foi transformada numa] força ambígua e ameaçadora, que nos arrasta contra a lei de Deus a despeito da nossa própria vontade”.

Esta realidade é demonstrada pela crônica cotidiana dos escândalos, mesmo entre o clero e as pessoas consagradas, sublinhou Cantalamessa. Ele recorda o estímulo do Espírito Santo a testemunharmos ao mundo “a inocência originária das criaturas e das coisas”, de modo a romper esta espécie de “narcose e embriaguez do sexo“. É preciso “restaurar no ser humano a nostalgia da inocência e da simplicidade, que ele carrega forte no coração”.

O frei Cantalamessa também citou as palavras de São Paulo, quando ele dizia que “não é lícito dar-se ao impudor; não é lícito vender-se”. De fato, os termos gregos ligados à palavra “porneia”, que dá origem ao nosso termo “pornografia”, têm o sentido de “vender-se”. E o Apóstolo, usando esse termo para quase todas as expressões de dissolução moral, nos diz que, em toda devassidão, não apenas na prostituição propriamente dita, há um aspecto venal, um vender-se – nem sempre em troca de dinheiro, mas, muitas vezes, em troca do prazer como fim em si mesmo, rebaixando a nós próprios e aos outros ao nível de mera mercadoria.

Em referência à pureza cristã, o capuchinho enfatizou que ela não consiste tanto em estabelecer “o domínio da razão sobre os instintos quanto o domínio de Cristo sobre toda a pessoa, razão e instintos”. E acrescentou:

“A pureza não se baseia no ‘desprezo do corpo’, mas, pelo contrário, na grande estima da sua dignidade. É um estilo de vida, mais do que uma virtude apenas, que envolve não só o corpo, mas também o coração, a boca, os olhos, o olhar”.

Em suma, a pureza cristã é um estilo de vida pleno, que nos envolve e realiza integralmente.

Aleteia

Números estatísticos de um estudo conjunto do Instituto Católico de Paris e da St. Mary’s Catholic University, em Twickenham, região metropolitana de Londres, sobre a filiação religiosa de jovens com idade de 16 a 29 anos na Europa terão, sem dúvida, uma forte impressão nos participantes do encontro pré-sinodal que acontece nesta semana em Roma.

Em doze dos 21 países europeus estudados, mais Israel, a maioria dos jovens diz não ter religião. Este número sobe para 91% na República Tcheca.

Esta queda na filiação religiosa, que não deve ser confundida com a crença em Deus, forma uma das principais conclusões deste estudo estatístico.

O estudo baseou-se em informações coletadas pelas últimas duas sondagens feitas pela European Social Survey em 2014 e 2016.

Os autores fundamentam os resultados em subamostragens de várias centenas de jovensentre 16 e 29 anos de cada país, analisando suas crenças e práticas religiosas.

No entanto, estas amostras foram às vezes bastante limitadas em tamanho, o que significa que é preciso ter cautela na hora de considerar as conclusões alcançadas.

Assim, na França, 64% declararam-se viver sem uma religião em comparação com os 23% que se disseram católicos e os 10% que se identificaram como muçulmanos.

Todavia, uma outra pesquisa conduzida pela agência OpinionWay e encomendada pelo jornal La Croix em julho de 2016, com base numa amostragem muito maior e mais representativa, descobriu que 42% dos jovens entre 18 e 30 anos descreviam-se como católicos enquanto 47% diziam não ter religião.

Mas claro está que as referências religiosas estão em queda acentuada.

Crenças religiosas de jovens entre 16 e 29 anos na Europa e em Israel

“O que observamos é a situação de um declínio geral na prática religiosa”, disse o professor Stephen Bullivant, teólogo e sociólogo da religião da St. Mary’s University e um dos autores do estudo.

A frequência semanal à igreja está extremamente baixa com apenas quatro países – a saber: a Polônia (39%), Israel (26%), Portugal (20 %) e a Irlanda (15%) – tendo números de frequência acima dos 10% entre os jovens.

Por outro lado, há sete países em que mais da metade das pessoas envolvidas no estudo disse que nunca participar de cerimônias religiosas. (República Tcheca, Países Baixos, Reino Unido, Bélgica, França e Hungria).

Não obstante, os resultados não foram uniformes. Os bastiões católicos tradicionais resistiram à secularização de maneira mais forte do que as principais nações luteranase anglicanas.

Pondo de lado a Polônia, que é uma exceção com uma população de 82% de católicos, Portugal e Irlanda igualmente demonstraram um nível invejável de dinamismo. (A Itália não esteve entre os países pesquisados.)

“Muitas vezes se diz que a Irlanda está no processo de completa descristianização e que os jovens não vão mais à igreja”, afirmou Bullivant.

“Isso é verdade se olharmos para estes números ao longo do tempo, mas hoje, comparado com o restante da Europa, os jovens irlandeses ainda são extraordinariamente religiosos”, indicou.

A pesquisa também mostra que a religiosidade é mais forte entre pequenas minorias cristãs que não são afetadas por pressões sociais ou questões identitárias.

O exemplo mais notável aqui é a República Tcheca. Embora os católicos sejam um setor bastante pequeno da população (7%), os jovens católicos representam 24% dos que frequentam a missa pelo menos uma vez por semana e 48% dos que rezam semanalmente.

“O exemplo tcheco ilustra aquilo que Bento XVI chamou de ‘minorias criativas’”, disse Bullivant, que acha que o cenário tcheco prefigura os cenários da França e Espanha no médio prazo.

Este tipo de cristianismo de “pertença” em oposição a um cristianismo “cultural”, que está diminuindo, também aparece em menor grau no Reino Unido, nos Países Baixos e na França.

“As comunidades católicas são menores, mas, num reflexo majoritário, as pessoas estão mais comprometidas”, falou o teólogo François Moog, reitor da Faculdade de Educação no Instituo Católico de Paris.

“A pertença religiosa está se tornando cada vez mais existencial e engajadora. A transmissão pela família está mais forte assim como está o apoio entre os membros da comunidade”, explicou.

“Por outro lado”, segundo Moog, “estas minorias têm dúvidas sobre o modo deles de ser cristão hoje e sobre como se expressar no espaço público. Na França, vários livros recém-lançados abordam este tema”.

La Croix International

O Cardeal norte-americano Kevin Farrel, prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, vetou duas oradoras que iam participar de um evento no Vaticano sobre a mulher devido a suas posturas contrárias ao ensinamento católico e a favor do lobby LGBT.

Trata-se de Mary McAleese, ex-presidente da Irlanda, e Ssenfuka Juanita Warry, que dirige a organização LGBT Catholics in Uganda.

Segundo Chantal Gotz, fundadora e diretora de Voices of Faith (Vozes de Fé), a lista de oradoras requeria a aprovação do Cardeal Farrel. Quando o Purpurado devolveu a lista dos nomes aprovados, McAleese e Warry não estavam incluídas.

O evento Vozes de Fé aconteceu pela primeira vez em 2014 e, desde então, é promovido em março de cada ano na sede da Pontifícia Academia para as Ciências, a Casina Pio IV, que está no Vaticano.

O evento é intitulado “Why Women Matter” (Por que as mulheres importam) e acontecerá no dia 8 de março para coincidir com o Dia Internacional da Mulher.

Em uma declaração em 2 de fevereiro, Vozes de Fé assinala que a ex-presidente da Irlanda “não é uma estranha para o Vaticano, tendo estado no comando como funcionária pública de um país predominantemente católico”.

McAleese, indica o texto da organização, “é conhecida por seu claro apoio aos direitos dos gays e das mulheres e falou publicamente e com frequência sobre suas frustrações com a fé católica”.

Em declarações à CNA – agência em inglês do grupo ACI – Chantal Gotz disse que ficou “surpresa” pela decisão do Cardeal Farrel, pois temas semelhantes não foram considerados um problema no passado.

A diretora de Vozes de Fé disse que, em oportunidades anteriores, já foram convidadas pessoas com posturas diferentes dos ensinamentos da Igreja em temas como aborto, anticoncepção e ordenação de mulheres.

A conferência de marco, acrescentou Gotz, “permite-nos criar um debate e diálogo sobre o poder atual e as estruturas de liderança em nossa Igreja hoje”.

Sobre a mudança de sede para o evento, Gotz disse a CNA que “os jesuítas, de modo autêntico, nos receberam e aos nossos oradores”.

Em diferentes ocasiões, Mary McAleese defendeu o casamento de pessoas do mesmo sexo e acusou a Igreja Católica de “hipocrisia” por defender o casamento natural entre um homem e uma mulher.

McAleese também defendeu a ordenação sacerdotal de mulheres, em contravenção ao que São João Paulo II estabeleceu no documento Ordinatio Sacerdotalis, que sublinha que o ministério sacerdotal está destinado somente aos homens.

No voo de regresso de suaviagem a Suécia, o Papa Francisco recordou que, “sobre a ordenação de mulheres na Igreja Católica, a última palavra é clara e foi dada por São João Paulo II e isso permanece”.

A carta apostólica Ordinatio Sacerdotalis foi escrita por São João Paulo II em 1994. Nela, é estabelecido que “a ordenação sacerdotal, pela qual se transmite a missão, que Cristo confiou aos seus Apóstolos, de ensinar, santificar e governar os fiéis, foi na Igreja Católica, desde o início e sempre, exclusivamente reservada aos homens”.

ACI

Em busca do tetracampeonato, a seleção portuguesa de futsal de sacerdotes católicos estreou na terça-feira, 6 de fevereiro, na 12ªedição do Campeonato da Europa de Futsal de Padres, que em Brescia, na Itália.

Antes de iniciar a competição, o grupo participou na segunda-feira, 5 de fevereiro, de uma Santa Missa.

Agora, a equipe enfrenta inicialmente em seu grupo a seleção da casa, a Itália, além do Cazaquistão e da Hungria. O campeonato, que vai até esta quinta-feira, conta com 16 times no total.

Em declarações à Agência Ecclesia do episcopado de Portugal, o capitão da seleção portuguesa, Padre Marco Gil, reforçou que a equipe está empenhada para alcançar o quatro título consecutivo e se esforçou na preparação.

O tricampeonato dos padres portugueses foi conquistado em 2017, na Croácia, após vitória de 3 a 0 contra a Bósnia-Herzegoviza.

A seleção portuguesa de futsal de padres católicos tem como treinador Pe. Manuel Fernando, da Paróquia de Alfena, na Diocese do Porto.

Fonte: ACI Digital

O Instituto Latinobarômetro divulgou, em 12 de janeiro de 2018, por ocasião da visita do Papa Francisco ao Chile, um pesquisa sobre as tendências religiosas, especialmente do catolicismo, na América Latina e Caribe (ALC). A América Latina tinha 4 países onde a Igreja Católica possuía uma representação abaixo de 50% da população em 2013 e passou para 7 países, em 2017. No conjunto, o catolicismo está passando de altas para baixas taxas de afiliação na região

O gráfico abaixo mostra que os católicos representavam 80% da população da ALC (18 países) em 1995, caiu para 70% em meados da década passada e atingiu o nível mais baixo, de 59%, em 2017. Oito países estavam acima da média e dez países abaixo da média. O destaque dos países mais católicos são o Paraguai (89%) e México (80%). Mas os católicos representavam mais de 60% da população no Equador, Peru,Colômbia, Bolívia, Venezuela e Argentina.

Abaixo da média (de 59% da ALC) em 2017, mas acima de 50%, estavam a Costa Rica(57%), Panamá (55%) e Brasil (54%). Abaixo da média, mas acima de 40%, estavam República Dominicana (48%), Chile (45%), Guatemala (43%) e Nicarágua (40%). Já abaixo de 40% estavam El Salvador (39%), Uruguai (38%) e Honduras (37%).

Nota-se que o Chile vinha apresentando uma leve tendência de queda da presença católica na população total até 2010, mas a perda de fiéis se acelerou depois de 2011. Entre 1995 e 2009 a queda da presença católica no Chile foi de 74% para 65% (queda de 9 pontos em 14 anos). Mas de 2009 a 2017 a queda foi de 20 pontos em oito anos.

A tabela abaixo mostra como foi a perda das filiações católicas nos 17 países da ALC entre 1995 e 2017 e o aumento de 77% para 80% no México, no mesmo período. A maior queda ocorreu em Honduras, onde os católicos caíram de 76% em 1995 para 37% em 2017, uma perda impressionante de 39% em 22 anos. Se essa tendência se mantiver, os católicos desaparecerão de Honduras nos próximos 21 anos.

A perda de filiações católicas também foi muito acima da média na Nicarágua (queda de 37% em 22 anos) e no Panamá (queda de 34%). Em El Salvador a queda foi um pouco menor (de 29% em 22 anos), mas isto porque a presença católica já era relativamente pequena em 1995, sendo que ficou em apenas 40% em 2017.

O Chile (queda de 29%) e o Brasil (queda de 25%) também apresentaram grande queda entre 1995 e 2017, mas a queda do Chile foi maior na segunda década do século XXI, sendo que os católicos chilenos já perderam a maioria absoluta. A Argentina continua bem mais católica do que o Brasil e o Chile, mas a perda de católicos tem se dado no ritmo de 1% ao ano. Neste ritmo os católicos argentinos podem perder a maioria absoluta no espaço de 15 anos. O único país em que os católicos se fortaleceram, no período, foi o México.

Cabe indicar que o Uruguai se destaca não só como o segundo país menos católico da região, mas também como um dos mais secularizados, ou seja, com maior presença de pessoas que se declaram sem religião, agnósticos ou ateus. O gráfico abaixo mostra o crescimento do percentual de pessoas que se declaram sem religião na ALC. Percebe-se que os sem religião mais do que quadruplicaram, passando de 4% em 1995 para 18% em 2017. A novidade desta nova pesquisa do Latinobarômetro é que o Chile tomou o lugar do Uruguai como o país mais secularizado da região.

 

As pessoas que não optaram por qualquer religião, em 2017, atingiu 35% no Chile, 31% no Uruguai, 30% em El Salvador, 28% na República Dominicana, 25% na Nicarágua e assim por diante, sendo que os sem religião estavam em 14% no Brasil(o que coincide com uma pesquisa do Datafolha de dezembro de 2016). Bolívia e Paraguai são os dois países menos secularizados.

 

Ao contrário do Brasil, a queda do percentual de católicos no Uruguai e no Chile não foi acompanhada por um aumento significativo dos evangélicos. O Brasil é o maior país católico do mundo e a ALC é o continente mais católico do Planeta. A queda acentuada de católicos poderá ter uma grande implicação para a correlação de forças internacionais entre as grandes religiões globais. 

 

Fonte EcoDebate via IHU

Apagam a memória, doutrinam os jovens. Anulam a liberdade. O Papa Francisco volta a condenar, assim, as colonizações culturais e ideológicas de todos os tempos. Ele fez isso na homilia na Casa Santa Marta da manhã dessa quinta-feira, 23 de novembro de 2017, relatada pela Radio Vaticana, durante a qual também as identificou com as ditaduras europeias do século passado.

Todas as vezes em que “surge na Terra uma nova ditadura cultural ou ideológica”, ela é “uma colonização”, afirma o pontífice. Ele observa: “Pensem naquilo que as ditaduras do século passado fizeram na Europa” e nas relativas e correspondentes “escolas de doutrinamento” que nasceram depois.

Desse modo, “tira-se a liberdade, desconstrói-se a história, a memória das pessoas, e impõe-se um sistema educativo aos jovens. Todas: todas fazem assim. Mesmo com as luvas brancas, algumas: não sei, um país, uma nação pede um empréstimo, ‘não, eu te dou, mas tu, nas escolas, deves ensinar isto, isto e isto’, e te indicam os livros, livros que apagam tudo o que Deus criou e como o criou”.

Além disso, “apagam as diferenças, apagam a história: a partir de hoje, começa-se a pensar assim. Quem não pensa assim deve ser deixado de lado, até mesmo perseguido”.

Assim aconteceu também na Europa, reiterou o bispo de Roma, onde aqueles “que se opunham às ditaduras genocidas eram perseguidos”, ameaçados, privados da liberdade, o que corresponde, então, a “outra forma de tortura”.

As colonizações ideológicas e culturais destroem também a memória, além da liberdade, reduzindo-as a “fábulas”, “mentiras”, “coisas de velhos”.

O pontífice destacou, depois, o papel da mulher na proteção da história, da memória e das raízes: “Conservar a memória: a memória da salvação, a memória do povo de Deus, aquela memória que tornava forte a fé deste povo perseguido por esta colonização ideológica e cultural. A memória é aquela que nos ajuda a vencer todos os sistemas educativos perversos. Recordar. Recordar os valores, recordar a História, recordar as coisas que aprendemos. E depois – referindo-se à figura da mãe dos Macabeus que encoraja os filhos a serem tenazes diante do martírio – a mãe. A mãe que falava duas vezes – diz o texto – ‘na língua dos pais’: falava em dialeto. E não há nenhuma colonização cultural que possa vencer o dialeto”. Francisco exalta a “ternura feminina” e a “coragem viril” da mãe dos Macabeus.

Eis a reflexão do pontífice: “Somente a força das mulheres é capaz de resistir a uma colonização cultural”; são elas as guardiães da memória, “capazes de defender a história de um povo” e de “transmitir a fé” que, depois, “os teólogos vão explicar”.

O papa enfatizou que “o povo de Deus seguiu em frente por causa da força de tantas mulheres bravas, que souberam dar a fé aos filhos, e só elas – as mães – sabem transmitir a fé em dialeto”.

Vatican Insider

Três médicos, especialistas em pediatria, biologia e psiquiatria, estão criticando o que afirmam ser uma confiança em emoções colocada acima de fatos quando se estuda e trata de crianças que pensam ser transgênero.

Em um painel de discussão na The Heritage Foundation, os médicos afirmaram que a ideologia transgênero que permeia a sociedade atualmente prejudica as crianças e compromete a pesquisa científica.

Ryan Anderson, pesquisador de “Princípios e Políticas Públicas” da The Heritage Foundation, foi o mediador de um extenso debate com os doutores Michelle Cretella, Paul Hruz e Allan Josephson.

Ponto de vista da pediatria

Cretella é a presidente do American College of Pediatricians, sediado na Flórida. Ela destacou o que determina o sexo de uma criança: “Sexo biológico não é ‘atribuído’”, assegurou. “Ele é determinado pelo nosso DNA no momento da concepção, e está em cada célula do nosso corpo. Isso se resume a cromossomos: se uma pessoa tem um cromossomo Y, é um menino; se não tem, é uma menina”.

A pediatra destacou que “pensamentos e sentimentos não são programados antes do nascimento. Eles são desenvolvidos ao longo do tempo.” Lembrou ainda que não existem exames científicos ou evidências biológicas que possam afirmar o gênero “escolhido” por uma pessoa. Para ilustrar seus argumentos, ela contou um caso real.

Há dez anos, narrou Cretella, ela atendeu um paciente chamado “Andy”, que dizia ser transgênero: “Entre os 3 e 5 anos de idade, o pequeno Andy passou a brincar cada vez mais com brinquedos de meninas. Aqueles brinquedos tipicamente femininos. Ele de fato fazia amizade com meninas com maior facilidade, e começou a dizer aos seus pais ‘Mamãe, papai, eu sou uma menina’”.

Como profissional, a opção de Cretella foi encaminhar os pais de Andy a um terapeuta, para poder observar as dinâmicas familiares por trás das circunstâncias.

“Durante uma sessão, eles tiveram uma revelação”, conta. “Andy segurava um caminhão e uma boneca Barbie. Quando colocou o caminhão de lado, olhou para os pais e disse: ‘mamãe, papai, vocês não me amam quando eu sou um menino’. Foi a partir daí que o terapeuta tinha algo para trabalhar.”

Acontece que a irmã de Andy, que era portadora de necessidades especiais, nasceu quando ele tinha três anos de idade. Os pais acabavam dando mais atenção a ela por que ela demandava isso. Andy pensava que eles simplesmente preferiam sua irmã e que ele precisava ser uma menina para que os seus pais lhe amassem.

Focando a terapia nas dinâmicas familiares, Andy progrediu no seu tratamento. “No ano seguinte, esse trabalho terapêutico foi o que aliviou a disforia de gênero de Andy”, explicou Cretella ao jornal The Daily Signal. “Ele não tinha mais uma necessidade psicológica de ser do sexo oposto para sentir-se amado. Um ano depois daquela sessão Andy estava feliz, saudável e se identificava como menino.”

Então Cretella fez um paralelo, insistindo que Andy não receberia esse mesmo tratamento hoje. “Atualmente, o pediatra teria encaminhado Andy e a família para especialistas em gênero ou a uma clínica especializada em gênero. Os pais escutariam imediatamente que isso é quem ele é”, asseverou

Ponto de vista da psiquiatria

Josephson, professor e chefe da Divisão de Psiquiatria Infantil e Adolescente na Universidade de Louisville, Kentucky, classifica a atual revolução transgênero de “um fenômeno social-cultural-psicológico”, mas deixou claro que trata-se de um “fenômeno negligente, que negligencia as necessidades de desenvolvimento das crianças.”

Segundo Josephson, crianças pequenas não possuem a capacidade de tomar decisões sobre identidade sexual, do mesmo modo que não têm capacidade de dirigir um carro ou escolher dormir no horário certo. O médico insiste que é obrigação dos pais ajudar os seus filhos a aprenderem essas coisas durante o seu desenvolvimento.

Quando os pais não tomam atitudes no processo de tomada de decisões de seus filhos, principalmente no tocante à identidade sexual, o desenvolvimento das crianças é prejudicado, garantiu. “Claro que você pode apoiar e amar seus filhos”, disse. “Mas não apoie uma ideia errada.”

Ponto de vista da biologia

Hruz, professor associado de pediatria, endocrinologia, biologia celular e fisiologia na Universidade Washington, em Saint Louis, destacou os problemas psicológicos que as pessoas transgênero enfrentam. Isso inclui depressão e ansiedade, e eles podem ter consequências negativas, como abuso de substâncias químicas.

“Essas crianças que têm uma identidade de gênero que não se alinha ao seu sexo realmente estão sofrendo”, lamentou. O doutor Hruz pontuou que as diretrizes para o tratamento de pacientes transgênero surgiram nos Países Baixos e foram introduzidas nos EUA há cerca de dez anos, de onde se tornaram quase normativas nos outros países.

Antes disso, lembra, a identidade transgênero era considerada uma questão psicológica. Hoje, os médicos sugerem usar bloqueadores de puberdade e terapia hormonal nos pacientes que sofrem de disforia de gênero.

Havia estudos sobre os efeitos dessas novas diretrizes, mas, de acordo com Hruz, eles não conseguiram causar uma mudança drástica na abordagem escolhida pelos médicos que tratam problemas de identidade de gênero.

“Não há diretrizes bem estabelecidas para tratamento, portanto as evidências por trás desse novo paradigma de tratamento são quase inexistentes.”

Ciência X preconceito

Na parte do painel onde os médicos respondiam perguntas, Zack Ford, o editor de temáticas LGBTQ do site esquerdista ThinkProgress, questionou se alguém deveria acreditar que eles se preocupavam com o bem das crianças quando seus pontos de vista sobre o tema se mostravam “em gritante contraste com grandes organizações médicas” e refletiam “um preconceito claro contra pessoas trans.”

Ford acrescentou que estudos concluem que quando os pais apoiam o gênero escolhido pela criança, aliviam qualquer estresse emocional que ela pode ter durante a transição.

A resposta de Cretella iniciou com a consideração sobre o uso de bloqueadores de puberdade, o que equivale a tratar a biologia da criança como uma doença que precisava ser combatida. Depois, apontou falhas conhecidas nesses estudos a que Ford se referiu. Primeiramente, esses estudos pressupõem que afirmar uma ideia falsa –  a identidade de gênero – é algo saudável para um indivíduo. Em segundo lugar, ela ressaltou que tais estudos foram pequenos e de curto prazo.

Outro aspecto relevante é que o grupo de controle de crianças mentalmente saudáveis eram irmãos das crianças transgênero. Em um e-mail ao The Daily Signal, Cretella aprofundou a questão:

“Irmãos não-trans têm um índice mais alto de distúrbios mentais comparado com a população em geral. Um grupo de controle autêntico deveria reunir crianças que vivem em estruturas familiares similares, sem qualquer indivíduo que se identifique como transgênero.”

Em quarto lugar, lembrou, que nesses estudos eram os pais avaliando a saúde mental das crianças, não cientistas.

Hruz respondeu a Ford que cientistas objetivos observam as hipóteses de um problema e buscam encontrar a melhor conclusão. Eles não são “tendenciosos” ao apontar uma resposta preferida sem analisar todas as alternativas.

Quando Ford mencionou que crianças transgênero têm “alívio de estresse” nos casos em que os pais apoiam a sua escolha de gênero, Josephson simplesmente disse que os estudos mencionados por Ford falham por que consideram somente o alívio temporário da criança e não analisam os efeitos de longo prazo do problema.

Autor: Jarbas Aragão