Reborn

Sexta-feira à noite. Divididos em vestiários de um ginásio em São Paulo, lutadores se recuperam de combates enquanto outros se aquecem, colocam luvas e se preparam para as lutas seguintes.

Do lado de fora das portas, quem domina o centro do octógono montado para a quinta edição do Ultimate Reborn Fight (URF) é o bispo Leandro Miglioli, de 41 anos, da Igreja Apostólica Renascer em Cristo.

Sob as luzes da Arena Renascer — ginásio à beira do rio Tietê arrendado à igreja em 2015 pela Portuguesa —, o bispo Lê, como é conhecido, usa o microfone para um testemunho de fé em que cita a história de Davi e Golias, uma das histórias mais conhecidas da Bíblia.

“Davi partiu para cima de Golias e a vitória mais improvável aconteceu. Davi atirou uma pedra e Golias foi nocauteado imediatamente. Fui nocauteado pela cocaína dos 15 aos 20 anos, quando conheci o que dava a Davi o poder de vitória. (…) O dia em que coloquei meus pés nesta igreja nunca mais usei drogas”, diz o bispo.

“Você não entrou aqui hoje por acaso, apenas para assistir a essas lutas que adoro, mas porque Deus tem um propósito em sua vida. Se tiver a atitude que tive, que Davi teve, Jesus vai entrar em tua vida, e nunca mais esse gigante que te assola irá te vencer.”

Com as mãos ao alto e cabeças curvadas, o público, estimado pela organização em 3 mil pessoas, consente e repete as palavras da oração puxada pelo bispo.

A interrupção dura cerca de dez minutos e evidencia a principal diferença entre o URF e outros eventos profissionais de MMA (Mixed Martial Arts, ou artes marciais mistas).

Nos torneios da Renascer não há mulheres com placas entre os rounds nem álcool na plateia, e a disputa atlética serve de cenário para atrair jovens que não necessariamente dedicariam uma noite de sexta-feira à religião.

“O MMA é um esporte que exige muita dedicação e trabalho. Na igreja ele é praticado com a mesma qualidade: respeitando regras, com ordem e decência. Então não é manifestação de violência”, afirmou à BBC Brasil o apóstolo Estevam Hernandes Filho, de 63 anos, fundador da Renascer, para quem a igreja é “pioneira na realização de eventos esportivos como estratégia de evangelismo”.

A igreja evangélica, diz Hernandes, inicialmente abriu as portas para treinos, de olho em “atrair mais jovens para o esporte”. A grande procura motivou a realização, em 2013, do primeiro grande torneio de MMA profissional da Renascer, que também tem seu time de atletas, o Reborn Team (time renascer, em tradução livre).

Caminho ao octógono

No segundo andar de uma igreja da Renascer em São Mateus, extremo leste de São Paulo, uma sala usada para encontros comunitários faz às vezes de academia. Há espelhos na parede, luvas, troféus e tatames que os próprios alunos montam antes dos treinos gratuitos.

Boa parte dos pupilos passou pelas mãos de Roberto Pedroso, de 38 anos, o pastor Giraia. Praticante de artes marciais desde 1989, Giraia se converteu à Renascer em 2001 e está à frente do Reborn Team desde o começo dos torneios. “Muitas vezes você convida as pessoas a uma igreja e elas não vão, mas a uma noite de lutas elas vão”, diz.

O pastor rebate as críticas à ligação entre MMA e religião – que, segundo ele, vêm sobretudo de outros cristãos. “Já disseram que a igreja era ridícula, ironizando os torneios com a frase de Jesus sobre ‘oferecer a outra face’. Cada um pensa o que quer. Estou salvando vidas e fazendo o que Deus me chamou a fazer.”

Na conversa com a reportagem, o pastor-treinador enfatiza o que vê como receptividade da igreja. “Dizem que a Renascer é a igreja das portas largas. Glória a Deus. Porque é onde mais se abre a porta para gente se converter. Esse é o nosso foco e essência.”

Renato Silva, um dos novos alunos de Jiraya, deixa escapar, durante uma brincadeira, que os treinos o ajudam a enfrentar o vício em drogas.

“Tem um tempinho que estou ‘firmão’, mas estava envolvido com drogas, bebidas. O treinamento ajuda muito, você não têm noção. Você conhece pessoas novas, enquanto na ‘vida louca’ o pessoal com quem você anda não está enxergando. Um ditado diz que um cego não guia outro cego”, afirma ele, que treina na igreja às segundas e quintas-feiras, das 20h às 23h.

“Ontem eu fui, treinei, cheguei em casa moído. Não fiquei na rua”, conta.

Saindo das cordas

O MMA da Renascer não deixa de ser uma estratégia da igreja para se fortalecer após uma série de golpes na última década. Fundada em 1986 e apontada como promessa entre as denominações neopentecostais brasileiras nos anos 1990, a igreja diz ter hoje cerca de 550 igrejas – o que seria menos da metade do que já teria tido.

Em 2007, o casal fundador (Estevam e Sônia Hernandes) foi detido e condenado por contrabando nos EUA após entrar no país com US$ 56 mil não declarados – cumpriram aproximadamente dez meses de prisão em regime fechado e domiciliar. Dois anos depois, o teto da sede da igreja em São Paulo desabou, matando nove pessoas e ferindo mais de cem. Em 2011, a Igreja perdeu seu mais famoso fiel, o jogador de futebol Kaká.

A Renascer nega que haja relação entre os problemas recentes e a aposta nas lutas. “O objetivo do incentivo ao esporte é realmente alcançar vidas, ajudá-las, levar as pessoas a ter uma vida mais saudável e a conhecer Jesus. Não só esta como todas as atividades da igreja Renascer têm apenas este objetivo”, afirmou a assessoria.

Hernandes diz que o próximo passo da igreja no mundo do MMA é criar uma escola na favela de Heliópolis, em São Paulo, e promover um a dois eventos profissionais por ano. “Nosso objetivo é investir mais nestes eventos, não apenas em São Paulo, mas em outras regiões do país.”

Vale-tudo gospel

De volta ao ginásio paulistano, boa parte do público é formada por fieis da Renascer e fãs dos lutadores – alguns usam até camisetas com estampas de atletas. Os ingressos custam de R$ 30 a R$ 50 e tudo é transmitido pela Rede Gospel de Televisão, a rede VHF e UHF da Renascer.

Durante as lutas, é possível ouvir gritos tradicionais do público de MMA – como o “Uh, vai morrer!” -, mas nada que domine a arena. O sermão do bispo Lê promove engajamento: pessoas ficam de pé, erguem as mãos, fecham ou olhos ou repetem parte das frases. Mas há também gente aparentemente indiferente à pregação.

Com exceção da ausência de mulheres em trajes mínimos e de cerveja na arquibancada, o ritual é o mesmo de outros torneios de MMA: apresentador com tom dramático, três juízes, nada de cabeçadas, golpes nos genitais ou na nuca.

No octógono os atletas são todos profissionais, ainda que em início de carreira. Não é preciso treinar na igreja e nem ser ligado à Renascer para participar do evento, que vale registro no Sherdog, o banco de dados que é referência no MMA. O pagamento costuma ser em ingressos para os próprios torneios, de acordo com o nível do atleta.

Quem mais se destacou até hoje nos treinos da Renascer é um alagoano radicado em São Paulo, de 29 anos. José Alexandre, ou Zé Reborn, como é conhecido, foi convidado à equipe depois que um vizinho testemunhou o dia em que ele nocauteou um colega com apenas um soco durante uma brincadeira.

Hoje, cinco anos depois, o peso-mosca ostenta um cartel de 21 vitórias em 31 lutas profissionais.

“Comecei a treinar na igreja, mas ficava naquela: ‘Caramba, treinar um esporte violento na igreja’. Mas quando a pessoa conhece não é nada daquilo que se pensa. Pessoas de fora criticam e acabam se entregando, aceitando, se reconciliando com Deus e tudo mais”, afirma.

A família, também evangélica, resistiu à novidade no começo. A mulher ficava ressabiada e irmãos diziam: “Sai disso, volta para a igreja”, ao que Zé respondia: “Mas eu estou na igreja, mano!”.

Saudado pelo público e pelo narrador como grande atração da noite — ainda que sua luta não fosse a principal —, Zé Reborn demonstrou no octógono a concentração que exibia ao receber, ainda no vestiário, a benção do pastor Giraia.

Disparou um chute de direita que fez o adversário segurar-lhe a perna, mas permaneceu calmo após ser lançado ao chão. Levantou-se e levou a luta ao solo novamente,

invertendo a guarda. Buscou uma finalização até encaixar a guilhotina que encerrou o combate aos 4’27” do primeiro round.

Só então abriu um sorriso e gritou. Escalou as grades do octógono, sob abraços de Giraia. Ao receber o prêmio pela vitória, foi carregado nos ombros e posou para fotos com o pastor e o apóstolo Hernandes.

Apesar da celebração, o lutador ainda não consegue viver de seus socos e chutes. Pai de três crianças, trabalha como auxiliar de limpeza de condomínio por pouco menos de dois salários mínimos e treina à noite, até três vezes por semana.

As bolsas por luta variam de R$ 800 a R$ 2.000, mas ele diz já ter atuado em troca de ingressos e até de graça para melhorar o currículo. “As pessoas falam sobre sair do emprego e me dedicar apenas aos treinos. Viver só de luta é um sonho, claro. Mas como faço se sair do trabalho? Tenhos filhos”, questiona.

Apesar de saber que um eventual patrocínio poderia ajudá-lo a se dedicar ao MMA em tempo integral — aproximando-o do objetivo de lutar com atletas de ponta e até fora do país —, ele não demonstra ansiedade e diz que a parte financeira não é prioridade. “É uma honra lutar pela igreja. Não é sobre dinheiro. É conversão.”

Fonte: BBC Brasil.

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Estamos publicando a análise para nos ajudar a:

– Perceber nas entrelinhas do livro, ou em outros que venhamos a ler, a ideologia de esvaziamento de pontos essenciais de nossa fé católica;

– Ajudar-nos a perceber nossa atitude diante daquilo que lemos, principalmente em obras de cunho religioso ou “autoajuda”, que adentram na dimensão espiritual/espiritualista que interessa a nós católicos;

– Ajudar-nos a despertar o senso critico – não neurótico, mas atento – para filtrar à luz de nossa fé aquilo que vale a pena ler ou não. A oferta hoje é tamanha que exige critérios para não perder tempo, nem dinheiro, com aquilo que nada acrescenta de consistente à nossa fé ou a nossa vida;

Impressiona a Incapacidade que muitos tem de não perceber, dentro daquilo que estão lendo, onde tem verdade ou não. Alguns não conseguem ver nada errado onde qualquer olhar mais atento percebe tudo!

A proposta não é analisar todo o livro mas apenas algumas partes na esperança que possa despertar naqueles que ainda vão ler, se tiverem “estômago”, uma nova percepção e naqueles que já leram uma confirmação daquilo que provavelmente haviam percebido.

Desnecessário se faz dizer que a análise foi feita a partir da fé católica, o que poderá tornar algumas colocações não muito claras para quem não está razoavelmente por dentro da doutrina básica de nossa fé.

Partindo dessa análise feita do livro, é possível assistir o filme sobre uma outra perspectiva, mais critica e menos ingênua.

Católico pode ver o filme? claro que sim. O que não pode é ser Teologicamente ingênuo.

 

***

” A cabana”- análise do livro sob ótica católica.

  1. O livro é muito bem escrito e atraente no seu enredo simples, no assunto e no estilo. A linguagem, porém, com algumas citações bíblicas feitas de formas indiretas, traz uma profusão de sofismas capaz de iludir o leitor menos atento. (lembro que a “metodologia” do sofisma, muito utilizado na filosofia grega antiga, consiste em tomar uma verdade ou duas verdades e combiná-la com uma ou mais inverdade de formas que tudo pareça verdadeiro ou que tudo pareça falso, de acordo com o objetivo de quem sofisma). O livro traz em seu próprio enredo incoerências entre a trama e o que é dito pelas “pessoas” da “trindade”.
  2. a editora do mesmo (e isso é muito importante ao comprar ou ler um livro dedica-se a livros de auto-ajuda ou assuntos não comprovados nem pelo próprio livro nem pela ciência, teologia e, por vezes, o bom-senso). É bastante ler a lista dos seus “clássicos”, na ultima página do livro. A exceção é O Monge e o Executivo.

O livro conta a história de um homem que, em um acampamento nas montanhas com os filhos tem sua caçula seqüestrada e morta enquanto está sob a água, tentando salvar um outro filho, que se afogava sob um bote. Após quatro anos de tristeza e desilusão, recebe uma carta de Deus, que se apresenta como Papai convidando-o a voltar à cabana onde o crime contra sua filha havia sido cometido. Relutante, aceitou.

Até aqui, nada anormal. A ficção, afinal, dá direito a todo tipo de imaginação. O inadequado começa quando este homem, Mack, encontra a “trindade” na cabana. Naturalmente, como autor, Young goza o direito de utilizar sua imaginação, sua bela linguagem, suas descrições do Pai como uma senhora negra que cozinha, o Filho como um judeu cujo nariz enorme o deixa feio e o Espírito como uma moça asiática feita de luz.

Ele tem o direito, sim, de imaginar a trindade como um autor leigo ignorante da boa teologia e eclesiologia e influenciado pela Nova Era, pelo Espiritismo e pelo Relativismo. Nós é que temos o dever de distinguir o que é bom do que não é. A narrativa é tão envolvente, que os deslizes de Young quanto à fé, a eclesiologia e a moral podem passar desapercebidos para a pessoa mais bem formada. Vejamos alguns:

I. O PAI

  1. O Papai é apresentado como uma mulher (Young parece decidido a quebrar todos os paradigmas) e chamado de papai durante todo o livro, tanto pelo Filho e pelo Espírito, quanto por Mack. Sabemos que João Paulo II afirma que Deus é Pai e Mãe quanto ao cuidado, ao coração misericordioso, as entranhas de misericórdia, tão típicas de uma mãe. Entretanto, o Deus que Jesus nos veio revelar é o Deus que é Pai, ainda que afirme em Mt 5 que Ele tem entranhas de mãe. A justificativa do “pai” para apresentar-se como mulher é o fato de Mack ter rejeição ao seu pai biológico (p. 83). Esta mulher, entretanto, não é mãe, mas pai. Seus afazeres são, segundo ela mesma, de cozinheira e governanta. Este pai mulher traz as cicatrizes de Jesus, como se o Pai não fosse puro espírito, mas tivesse um corpo de homem, isso é, de mulher.
  2. Em um esforço de fazer “deus mais perto de nós”, o autor acaba por esbarrar no grotesco. Além da descrição do Pai como uma enorme negra que se auto-intitula governanta-cozinheira e traz cicatrizes no corpo (???), destacam-se algumas situações especiais. Perguntado por Mack sobre que música estava ouvindo, respondeu:

” Um barato da Costa Oeste. É um disco que ainda nem foi lançado, chamado Viagens do Coração, tocado por uma banda chamada Diatribe . Na verdade – ela piscou para Mack – esses garotos ainda nem nasceram.

– É mesmo, reagiu Mack bastante incrédulo. – Um barato da Costa Oeste, hein? Não parece muito religioso.

– Ah, acredite: não é. É mais tipo funk e blues eurasiano com uma mensagem fantástica. – Ela veio bamboleando na direção de Mack, como se estivesse dançando, e bateu palmas. Mack recuou. (!!!)

– Então Deus ouve funk?

– Ora, veja bem, Mackenzie. Você não precisa ficar me rotulando. Eu ouço tudo e não somente a musica propriamente dita, mas os corações que estão por trás delas.”(p. 81) ( os rótulos são especialmente detestados na nova era e no relativismo)

  1. O “pai” dá uma explicação completamente esdrúxula para ter-se revelado como pai e não como mãe:

“…assim que a Criação se degradou, nós soubemos que a verdadeira paternidade faria muito mais falta do que a maternidade. Não me entenda mal, as duas coisas são necessárias, mas é essencial uma ênfase na paternidade por causa da enormidade das conseqüências da função paterna”(p. 84). Creio que tal absurdo dispensa comentários. O autor não leva em conta o que a Bíblia e a Igreja dizem da missão do homem, do pai, da mulher e do homem na criação, na família, na sociedade. Aliás, esta é uma das características do livro. Não lhe importa o que diz a Palavra ou a Igreja e esta, como todas as instituições, são desprezíveis aos olhos da “trindade”, que orienta Mack a desprezá-las.

  1. Ao definir o que Ele é, desautoriza o que os homens pensam e definem dele (embora não cite diretamente a Igreja e os teólogos, fica implícito pelas palavras que usa). No final, felizmente diz que é “acima e além de tudo o que você possa perguntar ou pensar.”(p. 88)
  2. Na página 89, o pai faz uma afirmação capaz de fazer tremer os céus: “Quando nós três penetramos na existência humana sob a forma do Filho de Deus, nos tornamos totalmente humanos. Também optamos por abraçar todas as limitações que isso implicava. Mesmo que tenhamos estado sempre presentes nesse universo criado, então nos tornamos carne e sangue. Seria como se este pássaro, cuja natureza é voar, optasse somente por andar e permanecer no chão. Ele não deixa de ser pássaro, mas isso altera significativamente sua experiência de vida.” E continua a confusão teológica sobre 3 Pessoas em um só Deus dizendo: “Ainda que por natureza Jesus seja totalmente Deus, ele é totalmente humano e vive como tal (!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!) Ainda que jamais tenha perdido sua capacidade inata de voar, ele opta, momento a momento, por ficar no chão. Por isso (!!!!!!) seu nome é Emanuel, Deus conosco, ou Deus com vocês, para ser mais exata.” De uma tacada só, além de destruir o dogma da Santíssima Trindade, (somente o Filho se faz homem e, embora as outras duas pessoas estejam com ele e nele, não se pode dizer que os três se fizeram homem) atinge a união hipostática e a profecia de Isaías. A impressão que dá é que o autor “ouviu o galo cantar, mas não sabe onde”. Por mais que se queira justificar tais afirmações com o fato da intenção do autor não ser teológica, ele insiste, como outros autores de livros metade cristãos-metade autoajuda, em colocar o Evangelho, a Palavra e a Igreja a serviço de sua idéia e objetivo e não o contrário.
  3. Depois, infelizmente, vem algo ainda pior, que fazemos questão de transcrever:

“- Mas, e todos os milagres? As curas? Ressuscitar os mortos? Isso não prova que Jesus era Deus… você sabe, mais que humano?

– Não, isso prova que Jesus é realmente humano.

– O que?

– Mackenzie, eu posso voar, mas os humanos, não. Jesus é totalmente humano. Apesar de ele ser também totalmente Deus, nunca aproveitou sua natureza divina para fazer nada. Apenas viver seu relacionamento comigo do modo como eu desejo que cada ser humano viva. Ele foi simplesmente o primeiro a levar isso até as últimas instâncias: o primeiro a colocar minha vida dentro dele (??) o primeiro a acreditar (??) no meu amor e na minha bondade, sem considerar aparências nem conseqüências. (Tal comentário, além de dizer que Jesus precisava da virtude TEOLOGAL da fé, deixa de fora todos os profetas, todos os patriarcas, João Batista, José e Maria. Desclassifica tudo o que Jesus fez, não somente os milagres, mas o milagre maior do amor de total entrega na Cruz e na Eucaristia).

– E quando curava os cegos?

– Fez isso como um ser humano dependente e limitado que confia na minha vida e no meu poder de trabalhar com ele e através dele. Jesus, como ser humano, não tinha poder para curar ninguém.” (p. 90). Este é mais um golpe inacreditável na união hipostática, mas consegue piorar no parágrafo seguinte:

“- Só quando ele repousava em seu relacionamento comigo e em nossa comunhão, nossa comum-união, ele se tornava capaz de expressar meu coração e minha vontade em qualquer circunstância determinada. Assim, quando você olha para Jesus e parece que ele está voando, na verdade ele está… voando. Mas o que você realmente esta vendo sou eu, minha vida nele. É assim que ele vive e age como um verdadeiro ser humano, como cada humano está destinado a viver: a partir de minha vida“(p. 90). Este é um dos sofismas mais disfarçados e sutis do livro, o que torna a afirmação aparentemente verdadeira para os mais distraídos, mas totalmente absurda para alguém mais atento: uma verdade – cada ser humano é chamado (não destinado!) e várias inverdades, a partir da primeira linha (então quer dizer que Jesus ora “repousava em seu relacionamento com Deus e Sua vontade, ora não??? Este raciocínio mentiroso é coroado com uma ultima inverdade: Jesus vive e age como verdadeiro ser humano. NÃO É ISSO o que Jesus quis dizer quando afirma que faz o que vê o Pai fazer, que aprendeu tudo do Pai, que Ele e o Pai são um! Jesus É totalmente homem e totalmente Deus e é um com o Pai, gerado, não criado, Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus Verdadeiro.

Em um dado momento, o mesmo Pai, que nos pede para não chamar o irmão de “Racca”, sob pena do fogo do inferno (Mt 5), diz:

“- Homens! algumas vezes são tão idiotas!”

Ele não podia acreditar.

_ Ouvi Deus me chamar de idiota? – gritou pela porta de tela.

Viu-a (“ela” é Deus) dar de ombros antes de desaparecer na virada do corredor. Depois ela (o “pai”) gritou em sua direção:

– Se a carapuça serve, querido. Sim, senhor, se a carapuça serve…”

II. O FILHO

  1. O Filho se apresenta como um judeu envolvido em sua carpintaria e com Mack e ri quando este diz que ele é feio, afirmando que, realmente, é feio e tem o nariz grande como os ancestrais masculinos de sua mãe. (p. 102) Sabemos que em Deus não há nada que não seja beleza, verdade, luz, vida e ainda que todos os ancestrais de Nossa Senhora fossem feios e narigudos, isso não seria característica do Filho.
  2. Acerca da inabitação, diz o livro:

“- Meu propósito, desde o início, era viver em você e você viver em mim.

– Espere, espere. Espere um minuto. Como isso pode acontecer? Se você ainda (???) é totalmente humano, como pode estar dentro de mim?

– Espantoso, não é? É o milagre de Papai. É o poder de Sarayu (Esp. Sto), meu Espírito, o Espírito de Deus que restaura a união que foi perdida há tanto tempo. Eu? A cada momento eu escolho viver totalmente humano (????) Sou totalmente Deus, mas sou humano até o âmago. Como disse, é o milagre do Papai. (p. 103)

3. Milagre ou diversão?

Embora seja um deslize pequeno, quase uma utilização literária de uma passagem das Escrituras, o evento de Jesus e Mack caminharem sobre as águas contradiz o Evangelho. Sabemos o quando Jesus se aborrecia quando as pessoas pediam sinais e o quanto a Igreja insiste em dizer que Jesus sempre tinha um objetivo claro em seus milagres. Este de caminhar sobre as águas foi crucial para Pedro e para o entendimento da Igreja como uma barca. Como disse, entretanto, é um deslize pequeno diante dos outros.

III. O ESPÍRITO SANTO

O Espírito Santo é uma moça asiática etérea, irrequieta e colorida, que leva as pessoas a se sentirem bem, em paz, aliviadas, mais que amarem a Deus e aos irmãos. Não tem nenhuma relação com a Igreja, assim como o Pai. Nega que a Bíblia traga regras, mandamentos ou conselhos, como veremos abaixo. Ele é como que o “responsável” por fazer o homem livre de toda regra, obediência ou mandamento bíblico ou da Igreja. Ou seja, tem papel exatamente contrário ao do verdadeiro Espírito Santo!

IV. UM DEUS ANARQUISTA?

Oposição entre amor, relacionamento e poder, hierarquia e autoridade: um Deus anarquista?

Este tema desenvolve-se sutil e lentamente ao longo do livro e acabará por opor toda instituição ao amor e relacionamento, o que se tornará crítica explícita à Igreja e à religião. O tema já aparece antes da página 97, mas retorna aqui:

“Os relacionamentos não têm nada a ver com poder. Nunca! E um modo de evitar a vontade de exercer poder é escolher se limitar e servir. Os humanos costumam fazer isso quando cuidam dos enfermos, quando servem os idosos, quando se relacionam com os pobres, quando amam os muito velhos e os muito novos, ou até mesmo quando se importam com aqueles que assumiram uma posição de poder sobre eles.” (97) Depois da primeira frase, todas as frases são corretas, o que parece dar legitimidade à primeira, mas é um paradoxo com a ultima.

Outro texto sobre o mesmo tema:

“- os humanos estão tão perdidos e estragados que para vocês é quase incompreensível que as pessoas possam trabalhar ou viver juntas sem que alguém esteja no comando.

– Mas qualquer instituição humana, desde as políticas até as empresariais, até mesmo o casamento, é governada por esse tipo de pensamento. É a trama do nosso tecido social – declarou Mack.

– Que desperdício! Disse Papai, pegando o prato vazio e indo para a cozinha.

– Esse é um dos motivos pelos quais é tão difícil para vocês experimentar o verdadeiro relacionamento – acrescentou Jesus. – Assim que montam uma hierarquia, vocês precisam de regras para protegê-la e criando algum tipo de cadeia de comando que destrói o relacionamento ao invés de promovê-lo. Raramente vocês vivem o relacionamento fora do poder. A hierarquia impõe leis e regras e vocês acabam perdendo a maravilha do relacionamento que nós pretendemos para vocês. (Em Gn 1, Deus já estabelece uma hierarquia entre o homem e o criado, o que define inclusive o tipo de relacionamento entre eles e o tipo de responsabilidade do homem quanto à criação – mais tarde, no livro, a responsabilidade também será questionada)

– … Então nós fomos seduzidos por essa preocupação com a autoridade?

– De certo modo, sim – respondeu Papai, passando o prato de verduras para Mack… –

Sarayu continuou:

– Quando vocês escolhem a independência nos relacionamentos tornam-se perigosos uns para os outros. As pessoas se tornam objetos a serem manipulados ou administrados para a felicidade de alguém. A autoridade, como vocês pensam nela, é meramente a desculpa que o forte usa para fazer com que os outros se sujeitem ao que ele quer.” (puro relativismo e nova era, a ser engolido por milhões de pessoas no mundo inteiro sob a autoridade do nome de Deus!)

Mais tarde, na pág 122, Sarayu diz que essa conversa relacionava-se com a árvore da vida!!!

Desta forma, critica o próprio Deus que, segundo o então Cardeal Ratzinger, proíbe o homem de tocar na árvore do bem e do mal e na árvore da vida exatamente para definir a relação de autoridade e obediência e impor ao homem limites que, obedecidos, o teriam salvaguardado do pecado. Lendo Gen 1, 2 e 3, onde se estabelecem as primeiras regras, hierarquia e instituições, pode-se dizer tudo, EXCETO que Deus não se relacionava com o homem!!!

Na página 135, há uma afirmação sobre as mulheres e o poder, o que poderia parecer ser simplesmente uma tentativa de quebrar paradigmas, já que não se repete depois. É Jesus quem fala:

“- O mundo, em vários sentidos, seria um lugar muito mais tranqüilo e gentil se as mulheres governassem. Haveria muito menos crianças sacrificadas aos deuses da cobiça e do poder. (esta é uma idéia feminista das mais radicais. Segundo ela, a mulher é superior ao homem em vários campos e têm uma percepção do universo mais espiritual. Tal idéia é um primeiro passo para a defesa do aborto e a retirada do sentimento de culpa das mulheres com relação a ele. Por isso, muitos governos colocam mulheres à frente de processos de legalização do aborto).

Mack continua:

– Então elas teriam realizado melhor esse papel.

– Melhor, talvez, mas ainda assim não seria suficiente. O poder nas mãos dos seres humanos independentes, sejam homens ou mulheres, corrompe. Mack, você não vê que representar papéis é o contrário do relacionamento?” (mais uma vez, duas idéias não verdadeiras (mulheres no governo fariam um mundo melhor e representar papéis é o contrário do relacionamento) se apóia em uma verdadeira ( o poder nas mãos dos seres humanos independentes, sejam homens ou mulheres, corrompe).

A pouca relevância do parágrafo acima no contexto do livro, torna-se aberrante na passagem abaixo, quando Mack diz:

“- Mas você veio na forma de homem. Isso não significa alguma coisa?

– Sim, mas não o que muitos imaginam (??? Indireta aos teólogos, aos estudiosos da Palavra?). Vim como homem para completar a imagem maravilhosa de como fizemos vocês. Desde o primeiro dia escondemos a mulher no homem, de modo que na hora certa pudéssemos retirá-la de dentro dele. Não criamos o homem para viver sozinho. A mulher foi projetada desde o início. Ao tirá-la de dentro dele, de certa forma ele a deu à luz. Criamos um círculo de relacionamento como o nosso, mas para os humanos. Ela saindo dele e agora todos os homens, inclusive eu, nascidos dele, e tudo se originando ou nascendo de Deus.“(P. 135) O Magistério de João Paulo II e Bento XVI, nos tem dado fundamentação de sobra para vermos que a proposta do livro é absurda. Primeiro, a Palavra diz que Deus criou a mulher a partir do homem adormecido. Segundo, o fato de o homem “dar à luz” não o faz semelhante à mulher e muito menos a Deus. Terceiro, essa narrativa esdrúxula jamais remeteria ao homem e à criação nascendo de Deus, que criou tudo do nada!!!!!!!

Infelizmente, a má interpretação continua nos parágrafos seguintes, p. 136:

“- Ah, entendi – exclamou Mack, interrompendo…- se a mulher fosse criada primeiro não haveria um círculo de relacionamento e não se tornaria possível um relacionamento totalmente igual, cara a cara, entre o homem e a mulher. Certo? (Sabemos bem o que diz o Magistério sobre o homem e a mulher face a face na interpretação de Gn 2). Note-se que a afirmação de Mack é totalmente sem lógica. Então o homem precisava “parir” a mulher para que ambos fossem iguais?? Espantoso, além de inspirado em mitologias pagãs.

– Certíssimo Mack. (…) Mas sua independência, com busca de poder e de realização, na verdade destrói o relacionamento que seu coração deseja.

– Aí está de novo (…) a questão sempre volta ao poder e a como ele é oposto ao relacionamento que vocês tem entre si. “(136). Novamente, temos aqui o pecado original, o fruto da árvore do bem e do mal como busca de independência e poder (um pecado relacional!) e não como o pecado pessoal da rebeldia contra Deus, do orgulho e egoísmo (pecado que tira Deus do centro e diz respeito ao interior de cada um, embora se expresse nas relações). O pecado original, aqui, não é visto como uma queda do homem ou uma rebeldia contra Deus, mas uma concupiscência (que, como sabemos, é resultado do pecado original, e não O pecado original).

IV – RELATIVISMO

O relativismo aparece por todo lado no livro. Seria necessário transcrevê-lo quase todo. Aparece na falta de necessidade de obedecer, no fazer o que quiser ao invés de obedecer, no ridículo que é ter responsabilidade. Segundo “Jesus”, no livro, submissão não tem nada a ver com autoridade e obediência, que são conceitos inventados por nós, assim como a responsabilidade e a expectativa (p. 133). O relativismo está presente no “anarquismo” comportamental pregado especialmente no final do encontro de Mack com a “trindade”. Na verdade, poderia resumir a mentalidade do livro, juntamente com “anarquismo”, “individualismo”, utilização irresponsável de sofismas e utilização indevida da Palavra em interpretação pessoal e muito fantasiosa.

“- Vc não deve fazer nada. Está livre para o que quiser. (…) não se sinta obrigado. Vá se for isso o que você quer fazer.”, diz Jesus (p. 80)

Como as idéias da moral relativista se espalham por todo o livro, preferimos colocá-las à medida que aparecem de forma mais forte, nos comentários abaixo:

V. DOUTRINA SOBRE O CÉU E INFERNO

  1. A ênfase sobre uma “trindade” que não exige, que não julga, que não espera nada de nenhum homem, que não nutre expectativas nem lhes impõe responsabilidades nem os purifica (apenas os cura) elimina inteiramente a idéia da purificação do purgatório para ver a Deus (como o livro é escrito por protestante, não se pode esperar isso mesmo), mas também a idéia do inferno. Deus é perfeitamente bom, tolerante e vê o bem do homem como um relacionamento com ele, sem esforço pela santidade, sem purificação para a santidade. Jesus já venceu tudo isso na morte e ressurreição (no livro não se fala de pecado). A única coisa que o homem deve fazer, mas só se quiser, é relacionar-se com a “trindade”, mas sem compromisso de amor, Igreja, sem qualquer instituição, sem responsabilidade, sem expectativas e sem regras, leis ou rituais.

Um exemplo é quando Jesus diz a Mack:

“- Só quero que confie em mim o pouco que puder e que cresça no amor pelas pessoas ao seu redor com o mesmo amor que compartilho com você. Não cabe a você mudá-las nem convencê-las, Você está livre para amar sem qualquer obrigação.”

Na pág 168 se lê:

“Mack, eu as amo (as pessoas que inventaram os sistemas de poder). E você comete um erro julgando-as. Devemos encontrar modos de amar e servir os que estão dentro do sistema, não acha? Lembre-se, as pessoas que me conhecem são aquelas que estão livres para viver e amar sem qualquer compromisso. (!!!!!!!!!!) (Como amar de acordo com o Evangelho sem compromisso ou responsabilidade? Como seguir Jesus até a cruz, como ser seu discípulo sem compromisso ou responsabilidade? De qual amor o livro fala? Talvez do da Nova Era, do da Era de Aquarius, jamais do amor cristão! Jamais do verdadeiro amor humano!)

– É isso o que significa ser cristão? – Achou meio idiota ao dizer isso, mas era como se estivesse tentando resumir tudo na cabeça.

Quem disse alguma coisa sobre ser cristão? Eu não sou cristão. (na verdade, Jesus era judeu, mas fundou o cristianismo, segundo foram chamados seus seguidores POR CAUSA DELE, o Cristo. Este tipo de afirmação clichê (como muitas outras presentes no livro) engana o leitor incauto e o leva a pensar que ser ou não ser cristão não faz diferença, pois nem Jesus era cristão!)

A idéia pareceu estranha e inesperada para Mack e ele não pode evitar uma risada.

– Não, acho que não é.

Chegaram à porta da carpintaria. De novo Jesus parou:

– Os que me amam estão em todos os sistemas que existem. São budistas ou mórmons, batistas ou mulçumanos, democratas, republicanos e muitos que não votam nem fazem parte de qualquer instituição religiosa. Tenho seguidores que foram assassinos e muitos que eram hipócritas. Há banqueiros, jogadores, americanos e iraquianos, judeus e palestinos. (conforme já comentamos, a idéia de pecado não existe no livro. Jesus já os pagou todos e todos já desapareceram). Não tenho desejo de torná-los cristãos, mas quero me juntar a eles em seu processo para se transformarem em filhos e filhas do Papai, em irmãos e irmãs, meus amados. ( se não importa a Jesus que os homens sejam ou não cristãos, porque Ele teria mandado os discípulos até os confins da terra BATIZANDO OS QUE CRESSEM EM NOME DO PAI, DO FILHO, DO ESPÍRITO SANTO, isto é, fazendo-os cristãos? )

A seguir, vem a afirmação bela e verdadeira que, aparentemente, “sanciona” todo erro exposto:

– Isso significa que toda estrada leva a você?

– De jeito nenhum (…) A maioria das estradas não leva a lugar nenhum. O que isso significa é que eu viajarei por qualquer estrada para encontrar vocês.” Pronto. Esta afirmação verdadeira vem fazer com que pareçam verdades as inverdades ditas acima. Mais um sofisma bem elaborado).

  1. Neste contexto se dá o encontro com Missy, a filha morta, que o “abraça” e “vê” e é vista e “abraçada” por ele por trás da cachoeira Tal encontro é recheado de elementos do folclore panteísta indígena e nova era como a cachoeira, o jardim colorido, a rocha escura. Os filhos vivos de Mack também estão presente na cena “em sonho”.

Este episódio pontilhado de clichês provavelmente utilizados nas pregações que o autor escutou ou revistas que leu, traz, como clichê central, a historinha do julgamento no qual a pessoa é colocada no lugar de juiz entre dois de seus filhos ou entes queridos. Embora seja clichê entre os protestantes e, dessa forma, empobreça a linguagem do livro, é muito útil para que se entenda a necessidade da misericórdia e perdão, que só Deus tem como exercer sem erro e plenamente. No episódio faltam alguns elementos como Jesus Cristo como fonte de misericórdia, mas isso não parece proposital. É apenas mais uma das muitas contradições do livro, que condena os rituais, mas os promove, que fala no perdão do Pai, mas não inclui o filho, etc.

  1. É, aliás, em um ritual que Mack se encontra com o pai biológico, em meio a milhares de espíritos de luz, mas distinto dos outros por estar-se “debatendo em seus sentimentos” e “resistindo” a eles com relação a Mack. A questão dos espíritos de luz evoca o espiritismo, a nova era, a concepção oriental de céu, o que vem combinar com a idéia de que o Céu como um lugar de purificação da natureza, igualmente espiritualista. Quanto ao “debater-se em sentimentos” o pai de Mack, ou é simplesmente uma figura literária, ou uma clara ignorância do que diz a doutrina cristã sobre o estado das almas no céu.
  2. Neste episódio, há um dado interessante: Mack está vendo o céu com os olhos com que Deus o vê e chega à conclusão de que no céu as pessoas não somente são espíritos de luz sendo purificados (já que o céu é uma purificação da criação), mas que se comunicam através de cores e brilhos. Dado o contexto de tantas afirmações contrárias à fé, fico sem saber se isso é meramente interpretação livre do autor, ou se há algo em alguma doutrina que faça alusão a este tipo de “linguagem”, exceto nas alucinações causadas por LSD, que não creio ser o caso aqui.
  3. VI. IGREJA E “MÁQUINA RELIGIOSA” – PURIFICAÇÃO DA CRIAÇÃO – AFIRMAÇÕES TÍPICAS DA MENTALIDADE ANARQUISTA DA NOVA ERA MISTURADAS COM VERDADES DE FÉAs afirmações das passagens a seguir são tão absurdas que dispensariam comentários. Entretanto, como é possível que alguém tenha lido e não tenha reparado, vamos colocá-las em negrito.Jesus diz a Mack:

    “- Bom, Mack, nosso destino final não é a imagem do Céu que você tem na cabeça. Você sabe, a imagem de portões adornados e ruas de ouro. O céu é uma nova purificação do universo, de modo que vai se parecer bastante com isso aqui. (Esta afirmação é de cunho espírita e totalmente contrária à fé cristã católica e à Palavra)

    – Então que história é essa de portões adornados e ruas de ouro? (veja que ele fala da Palavra não como a verdade, mas como algo que pode ou não pode ser verdadeiro).

    – Esta, irmão – começou Jesus, deitando-se no cais e fechando os olhos por causa do calor e da claridade do dia -, é uma imagem de mim e da mulher por quem sou apaixonado. (…) É uma imagem da minha noiva, a Igreja: indivíduos que juntos formam uma cidade espiritual com um rio vivo fluindo no meio e nas duas margens árvores crescendo com frutos que curam as feridas e os sofrimentos das nações. Essa cidade está sempre aberta e cada portão que dá acesso a ela é feito de uma única pérola (…) Isso sou eu! (…) Pérolas, Mack. A única pedra preciosa feita de dor, sofrimento e, finalmente, morte. (alguém precisa informar ao autor que a pérola não é uma pedra preciosa. Entretanto, pode ter sido erro de tradução do “gem” em inglês. Em todo caso, aqui temos outro clichê tipicamente evangélico e por vezes útil para o primeiro anúncio).

    – Entendi. Você é a entrada, mas… Você está falando da Igreja como essa mulher por quem está apaixonado. Tenho quase certeza de que não conheço essa Igreja (…) Não é certamente o lugar aonde eu vou aos domingos. (…)

    -Mack, isso é porque você só está vendo a instituição que é um sistema feito pelo ser humano. (Jesus fundou, sim, a Igreja como instituição e também como hierarquia ao nomear Pedro chefe da Igreja em Mt 16) Não foi isso que eu vim construir. O que vejo são as pessoas e suas vidas, uma comunidade que vive e respira, feita de todos que me amam e não de prédios, regras e programas. (não parece uma alusão clara ao Vaticano, às paróquias e aos programas pastorais das Igrejas Evangélicas?)

    “Mack ficou meio abalado ouvindo Jesus falar de ‘igreja” desse modo, mas isso não chegou a surpreendê-lo. De fato, foi um alívio.

    – Então como posso fazer parte dessa Igreja? Dessa mulher pela qual você parece estar tão apaixonado?

    – É simples, Mack. Tudo tem a ver com os relacionamentos e com o fato de compartilhar a vida. (…) Minha Igreja tem a ver com as pessoas e a vida tem a ver com os relacionamentos. Você pode construí-la É meu trabalho e, na verdade, sou bastante bom nisso – disse Jesus com um risinho. (Em outras palavras, o “Imagine” relativista de John Lennon. Novamente, verdade e inverdade se misturam e enganam os menos atentos)

    Para Mack essas palavras foram como um sopro de ar puro! Simples. Não um monte de rituais exaustivos e uma longa lista de exigências, nada de reuniões intermináveis com pessoas desconhecidas. Simplesmente compartilhar a vida. (todo amor à Igreja, toda doação de vida, todo sacrifício, ficam, assim, destruídos)

    (…) Quer dizer, acho que o modo como vocês (a “trindade”) são é muito diferente de todo o negócio religioso em que fui criado e com o qual me acostumei. ( o “negócio religioso”chamado Igreja é arcaico a ponto de toda a sociedade “se acostumar”com ela. É isso o que ele insinua? Pois o “negócio” religioso (provavelmente foi utilizada a palavra “stuff”, que quer dizer “falação sem conteúdo”, mas não tenho o original inglês) , vai agora virar uma “máquina”, veja abaixo)

    – Por mais bem-intencionada que seja, você sabe que a máquina religiosa é capaz de engolir as pessoas! – disse Jesus, num tom meio cortante. – Uma quantidade enorme das coisas que são feitas em meu nome não têm nada a ver comigo. E frequentemente são muito contrárias aos meus propósitos. (A Igreja é uma dessas coisas? É isso o que parece insinuar)

    – Você não gosta muito de religião e de instituições? – perguntou Mack sem saber se estava fazendo uma pergunta ou uma afirmação.

    Eu não crio instituições. Nunca criei, nunca criarei (!!!!)

    – E a instituição do casamento? (Mack tem razão de perguntar, pois no ritual do casamento é dito explicitamente que ele é a única instituição criada por Deus antes do pecado original e que sobreviveu a ele! Como resposta, “Jesus” vai mais uma vez contrapor instituição a relacionamento, em uma afirmação muito típica do caos pregado pela Nova Era).

    O casamento não é uma instituição. É um relacionamento (…) Como eu disse, não crio instituições. Essa é uma ocupação dos que querem brincar de Deus. Portanto, não, não gosto muito de religiões e também não gosto de política nem de economia. (Impressionante a capacidade do autor de não aprofundar nenhum assunto mas, pelo contrário, criar sofismas que, unidos a verdades bíblicas, confundem as pessoas, como neste caso, a partir do qual se pode afirmar: acabou-se o relacionamento, acabou-se o casamento, o Papa, os bispos e padres estão criando instituições e brincando de Deus. Não falam em nome Dele e tudo o que fazem faz parte da “máquina religiosa”, inclusive a liturgia, os sacramentos, a pregação.)

    A expressão de Jesus ficou notavelmente sombria.

    – E por que deveria gostar? É a trindade de terrores criada pelo ser humano que assola a Terra e engana aqueles de quem eu gosto. Quantos tormentos e ansiedades relacionados a cada uma dessas três coisas as pessoas enfrentam? ( “Jesus” coloca no mesmo plano, em um plano trinitário, isto é onde os 3 são iguais mas diferentes, a economia, a política e a religião !!!!! e as chama de “trindade de terrores” que trazem tormentos e ansiedades às pessoas!!!!!! A Igreja não é mais instrumento de salvação, a política e economia não são mais maneiras de implantar a justiça e amor divinos!!! É a anarquia geral da geração de 68 atacando de Nova Era, de relativismo, de hedonismo, é o caos!)

    (…)

    – Falando de modo simples, religião, política e economia são ferramentas terríveis que muitos usam para sustentar suas ilusões de segurança e controle. As pessoas têm medo da incerteza, do futuro. Essas instituições, essas estruturas e ideologias são um esforço inútil de criar algum sentimento de certeza e segurança onde nada disso existe. É tudo falso! Os sistemas não podem oferecer segurança, só eu posso. (novamente, uma verdade – “só eu posso”- misturada a um monte de inverdades contrárias ao Evangelho, à história da Igreja, à noção de santidade e ao papel transformador do cristão no mundo. Além, claro, da falsa idéia de liberdade que perpassa o livro inteiro e que chega ao seu cume na conversa com Sofia, onde se misturam idéias muito boas sobre julgamento e perdão com idéias absurdas sobre liberdade, reforçando a idéia de liberdade que o Pai coloca no início do livro).

    A liturgia não fica fora das críticas de “deus”:

    “- Nada é um ritual, Mack.”(p. 194)

    “- Nada é um ritual, Mackeinze.” (p. 204), além de várias outras afirmativas que criticam o rito e o ritual e a oração que os segue. Infelizmente, não os anotei todos.

    VII. A INEXISTENCIA DE REGRAS E A NECESSIDADE DE ENTENDER PARA ACREDITAR (ANARQUISMO – NOVA ERA + ILUMINISMO – ESPIRITISMO) – ECO DO “IMAGINE’ DE JOHN LENNON?”

    O horror a instituições e sistemas, da autoridade e obediência, leva também à afirmação de que regras são desnecessárias, ainda que estejam na Bíblia!

    Em companhia do Espírito Santo (Sarayu), Mack ouve dele as seguintes palavras:

    “- Mackenzie! Seu tom era de censura, as palavras voando com afeto – a Bíclia não lhe diz para seguir regras.(Qual é mesmo a Bíblia dela???) Ela é uma imagem de Jesus (?? – é isso o que diz a Dei Verbum, o último Sínodo da Palavra, o Catecismo? A Palavra não é imagem de Jesus. Ela É Jesus. Acontece, como veremos depois, que o livro trará todo um discurso de meta-linguística onde toda a “trindade” se autodenomina verbo!!!!!! São João Evangelista nos acuda!)

    (…)

    – É verdade que os relacionamentos são muito mais complicados do que as regras, mas as regras nunca vão lhe dar as respostas para as questões profundas do coração. E nunca irão amar você. ( Eis uma pérola de anarquismo, de egoísmo, de centralização em si, de anti-Evangelho)

    (Na seqüência da conversa, “a” Espírito Santo nos presenteia com mais uma pérola da arte de sofismar)

    – Mackenzie, a religião tem a ver com respostas certas e algumas dessas respostas são de fato certas. Mas eu tenho a ver com o processo que leva você à resposta viva e só ele é capaz de mudá-lo por dentro. Há muitas pessoas inteligentes que dizem um monte de coisas certas a partir do cérebro porque aprenderam com alguém quais são as respostas certas. Mas essas pessoas não me conhecem. Assim, na verdade, como as respostas delas podem ser certas, mesmo que estejam certas? – Ela sorriu.- Ficou confuso? Mas pode ter certeza: mesmo que possam estar certas, elas estão erradas. (Vê-se aqui, a total separação entre o poder do Espírito Santo e a Igreja. Ele não é a alma da Igreja, cujos “chefes” e “teólogos” dão respostas certas sem conhecer o Espírito Santo, o que torna todas as suas respostas erradas! Que sofisma admirável! A religião não tem nada a ver com a verdade!!! O Espírito não guia a Igreja, que é guiada por homens inteligentes que, por não o conhecerem, se tornam erradas em toda busca da verdade! Vejam a resposta de Mack e pasmem)

    – Entendo o que você está dizendo. Eu fiz isso durante anos, depois da escola dominical (catecismo). Tinha as respostas certas, algumas vezes, mas não conhecia vocês (!!!!!!!)

    (…)

    – Então verei você de novo? – perguntou Mack, hesitando.

    – Claro. Você pode me ver numa obra de arte, na música, no silêncio, nas pessoas, na Criação, mesmo na sua alegria e na sua tristeza. (…) E você irá me ouvir e me ver na Bíblia de modos novos. Simplesmente não procure regras e princípios. Procure o relacionamento. Um modo de estar conosco.

    Ainda sobre regras e comportamento:

    Após dar uma adequada explicação da gratuidade do amor de Deus, Jesus novamente coloca no contexto uma idéia inadequada: “Isso deve trazer um grande alívio porque elimina qualquer exigência de comportamento. (e também de gratidão, de amor gratuito e agradecido a Deus, de louvor, de amor como prova de amor, de amor como conseqüência da fé e da esperança!)

    Em seguimento à mentalidade anarquista e relativista contrária a regras, o “espírito santo” nos presenteia com um outro sofisma que sabe Deus de onde vem:

    – Por que você acha que criamos os Dez Mandamentos?

    (…) – Acho, pelo menos foi o que me ensinaram, que é um conjunto de regras que vocês esperavam que os humanos obedecessem para viver com retidão e em estado de graça perante vocês.

    Se isso fosse verdade, e não é – respondeu Sarayu -, quantos você acha que  viveram com retidão suficiente para entrar em nossas boas graças?

    A partir daqui o “espírito santo” começa a despedaçar a doutrina paulina sobre a Lei e a graça:

    – Na verdade, só um conseguiu: Jesus. Ele obedeceu a letra da lei e realizou completamente o espírito dela. Mas entenda, Mackenzie, para fazer isso, ele teve de confiar totalmente em mim e depender totalmente de mim.

    – Então por que vocês nos deram esses mandamentos?

    – Na verdade, queríamos que vocês desistissem de tentar ser justos sozinhos. Era um espelho para revelar como o rosto fica imundo quando se vive com independência. (esse foi, de fato, aproximadamente, um dos efeitos da Lei, como diz o próprio Paulo, em Romanos. Entretanto, não foi por esta razão que nos foram dados os 10 mandamentos, como bem sabemos)

    – Mas tenho certeza de que vocês sabem que há muitos que acham que se tornam justos seguindo as regras.

    – Mas é possível limpar o rosto com o mesmo espelho que mostra como você está sujo? Não há misericórdia nem graça nas regras, nem mesmo para um erro. Por isso Jesus realizou todas elas por vocês para que elas não tivessem mais poder sobre vocês. (Senhor, tem piedade de nós e consola São Paulo).

    (…) – Está dizendo que não preciso seguir as regras?

    Sim. Em Jesus você não está sob nenhuma lei. Todas as coisas são legítimas. (E a lei do amor que Jesus veio trazer? Se faz todas as coisas legítimas, não é amor!!! Aqui, Romanos é contradito de forma apavorante)

    – Não pode estar falando sério! – gemeu Mack.

    – Criança – interrompeu papai -, você ainda não ouviu nada.

    – Mackeinzie – continuou Sarayu-, só tem medo da liberdade os que não podem confiar que nós vivemos neles. Tentar manter a lei é na verdade uma declaração de independência, um modo de manter o controle. (repare, que noção errônea de liberdade!)

    -É por isso que gostamos tanto da lei? Para nos dar algum controle? – perguntou Mack.

    – É muito pior do que isso – retomou Sarayu. – Ela dá o poder de julgar os outros e de se sentir superior a eles. Vocês acreditam que estão vivendo num padrão mais elevado do que aqueles a quem vocês julgam. Aplicar regras, sobretudo em suas expressões mais sutis, como responsabilidade e expectativa, é uma tentativa inútil de criar a certeza a partir da incerteza. E, ao contrário do que você possa pensar, eu gosto demais da incerteza. As regras não podem trazer a liberdade. Elas têm o poder de acusar. ( o “espírito santo” conseguiu transformar a Lei de Moisés em um conjunto de regras. Talvez ele ignore o que diz o profeta, que Deus nos daria um coração de carne e meteria Seu Espírito em nós para que cumpríssemos suas leis com a facilidade dos que O amam! Como se não bastasse, denomina como “regras sutis” a responsabilidade e expectativa. Aproximando-se ainda mais do absurdo, diz que gosta demais da incerteza. Ora, pelo que a Bíblia nos ensina, o Salvador foi prometido desde o pecado original, veio no “tempo oportuno, ou propício”, virá no final dos tempos e nos deixou também no Novo Testamento, uma série de promessas,orientações de responsabilidade quanto à salvação de nossas almas e da humanidade inteira. Por séculos os judeus profetizaram com grande expectativa a vinda do Messias e a esperaram intensamente. O absurdo chega ao cume quando afirma que as regras não podem trazer a liberdade (oposto do que nos ensina a Igreja e a Palavra) e que têm o poder de acusar, quando São Paulo, ao falar no assunto, dizem que elas têm a finalidade de nos fazer ver o mal)

    – Uau! De repente Mack percebeu o que Sarayu haivia dito. – Está dizendo que a responsabilidade e a expectativa são apenas outra forma de regras? Ouvi direito?

    Em seguida, “a trindade” entra em uma conversa que tem relação sofismática intensa com a noção cristã de Verbo (que aplica às 3 pessoas) e de substantivo. Tal sofisma remete às religiões orientais, assim como a neuro e meta- lingüística

    Em um ataque de fundamentalismo, o “espírito santo” afirma:

    “por isso, você não encontrará a palavra responsabilidade nas Escrituras” (!!!) (…) A religião usa a lei para ganhar força e controlar as pessoas de que precisa para sobreviver. Eu, ao contrário, (desta vez, é o “espíritosanto” quem se opõe à religião) dou a capacidade de reagir e sua reação é estar livre para amar e servir em todas as situações. (parece lindo? Veja o que vem a seguir neste jogo sofismático de verdade/mentira/verdade/mentira) (…) Como sou sua capacidade de reagir livremente (novo nome do Espírito Santo????? “espírito santo à la Nova Era?), tenho de estar presente em vocês. Se eu simplesmente lhes desse uma responsabilidade, não teria de estar com vocês. A responsabilidade seria uma tarefa a realizar, uma obrigação a cumprir, algo para vencer ou fracassar.

    Caso você queira encontrar outro raciocínio sofismático fantástico para “provar” o erro, leia o que diz o “espírito santo” sobre a amizade, a prontidão, a responsabilidade, a liberdade, o relacionamento, o julgamento, as expectativas dos outros sobre você, que terminam com uma afirmação aparentemente correta do “pai:”

    “- Querido, eu nunca tive expectativas com relação a você nem a ninguém.(e o “sede santos”, que vem desde o AT e é repetido por Jesus, acrescentando uma medida imensa: “sede santos como o Pai é santo“???) A idéia por trás disso exige que alguém não saiba o futuro ou o resultado e esteja tentando controlar o comportamento do outro para chegar ao resultado desejado.(por vezes, penso que Young tem uma neurose sobre controle e sobre liberdade, o que o leva a dizer absurdos com relação ao que a Igreja e a Palavra dizem sobre elas) Os humanos tentam esse controle principalmente por meio das expectativas. Eu o conheço e sei tudo sobre você. Por que teria uma expectativa diferente daquilo que já sei? (como bom relativista e iluminista, coloca o conhecimento acima de tudo, o experimental como base do conhecimento) Seria idiotice. E, além disso, como não a tenho, vocês nunca me desapontam. (Pecado??? O que é isso???)

    A conclusão mais simples é que o livro não é adequado para ninguém, pelo menos não para cristãos que amem a Deus e levem a sério a Palavra, a Igreja, o mistério da Trindade.

    Além do que foi escrito acima, o livro prima pela dessacralização da Trindade e da liturgia. Desautoriza igualmente o Magistério, a Igreja, os Sacramentos e a ordem social.

    Segundo a contracapa e a introdução, tem por objetivo mostrar o sentido da vida e ajudar a passar por momentos de tristeza e angústia. É de admirar, pois além de não fazê-lo, usa a maior parte de seus capítulos para a descrição da “trindade” e seus “pensamentos”.

    A versão, amplamente divulgada e com cara de marketing, de que Mack relata uma experiência de Deus não é, nem um pouco verdadeira e torna-se, mesmo, anacrônica quando colocada frente a frente com o que diz a Palavra, os santos, os doutores da Igreja.

     

    ************

    A Cabana, o livro. Heresias “requentadas”.

    Até mesmo os protestantes, que não valorizam “tanto assim” a instiuição, estão criticando o livro, que continua “bombando” como o mais vendido no Brasil.

    Fazendo uma pesquisa rápida na Internet vc encontrará muitas criticas à obra. Mesmo sabendo que é um livro de ficção, o autor realmente ultrapassou o limite do aceitável. Depois descobri que o autor é “unitarista”.

    O que é isso?

    Veja como o Wilkipédia define :

    “O unitarismo (ou unitarianismo) é uma corrente de pensamento teológico que afirma a unidade absoluta de Deus. Há dois ramos principais do unitarismo, os Unitários Bíblicos que consideram a Bíblia como única regra de fé e prática, assemelhando as demais religiões cristãs evangélicas, exceto, claro, pela concepção unitária de Deus, e os Unitários Universalistas, surgido recentemente nos Estados Unidos, que pregam a liberdade de cada ser humano para buscar a sua própria verdade e a necessidade de cada um buscar o crescimento espiritual sem a necessidade de religiões, dogmas e doutrinas.

    Alguém ainda tem dúvida  de que a história do livro é exatamente a expressão deste conceito absolutamente pretensioso de que ” só é verdade o que eu quero que seja verdade” ?

    A análise abaixo foi escrita por um protestante.

    ***

    O escritor canadense William Paul Young saiu do anonimato para a fama ao publicar um livro que se tornaria, em muito pouco tempo, um verdadeiro sucesso. Com mais de dois milhões de cópias vendidas e status de best-seller, “A Cabana” tem cativado a mente de muitas pessoas ao redor do mundo, especialmente/inclusive dos cristãos.

    Em linhas gerais, o livro conta a história de Mackenzie Allen Phillips, o “Mack”, um pai de família que encontra a Deus depois de ter sua filha caçula, Missy, raptada e brutalmente assassinada por um maníaco assassino de crianças (um serial killer). Cerca de três anos e meio depois do ocorrido, Deus, ou melhor, “Papai”, manda uma carta para Mack marcando um encontro com ele exatamente na cabana onde a polícia havia encontrado o vestido usado por Missy todo encharcado de sangue. Mack, depois de lutas intensas consigo mesmo, resolve aceitar o “encontro”, mesmo desconfiando de uma possível cilada do assassino de sua filha. Ao chegar lá, Mack tem uma, ou melhor, três surpresas: Deus lhe aparece na pessoa de uma mulher “negra enorme e sorridente” (pág. 73). Logo depois aparecem o Espírito Santo, na pele de uma mulher asiática, chamada Sarayu, e Jesus, um homem médio-oriental (hebreu, pra ser mais preciso) vestido de calça jeans e camisa xadrez. A partir de então, Mack vai viver uma inesquecível aventura ao lado dessa ilustre “Trindade”.

    Qualquer cristão que tenha um mínimo de conhecimento de História da Igreja saberá que A Cabana nada mais é do que o ressurgimento de algumas das antigas heresias que tumultuaram a vida e o andamento da Igreja Antiga, principalmente aquelas que envolviam questões sobre a Trindade. Do ponto de vista teológico, o livro oscila entre heresias implícitas e explícitas; do ponto de vista literário, entre frases de efeito medíocres (quase sempre) e alguns poucos insights interessantes. Seu enredo envolvente propõe-se a apanhar os desavisados.

    Não sei qual foi a experiência eclesiástica do autor de A Cabana, mas posso presumir que não foi das melhores. Torna-se patente, em muitas partes do livro, o desprezo pela igreja e pela adoração corporativa, ressaltando-se e a valorização da experiência pessoal, como bem reza a cartilha pós-moderna.

    [Mack] Percebeu que estava travado e que as orações e os hinos dos domingos não serviam mais, se é que já haviam servido […] Mack estava farto de Deus e da religião, farto de todos os pequenos clubes sociais religiosos que não pareciam fazer nenhuma diferença expressiva nem provocar qualquer mudança real. Mack certamente desejava mais (pág. 54 – versão digital. Itálico meu).

    Parece que a intenção inicial do livro não é a de levar os leitores a uma nova perspectiva sobre a Trindade, e sim,que eles desacreditem da Igreja como sendo a “coluna e baluarte da verdade” (1Tm 3.15) e sigam atrás de outras alternativas de encontrar Deus. Em minha opinião, esse é o maior perigo que o livro oferece.

    Quando o assunto, finalmente, é a Trindade, A Cabana traz à tona várias heresias antigas (não pretendo fazer comentários exaustivos sobre todas elas). Como já disse anteriormente, Mack vai à cabana encontrar Deus, que lhe aparece no corpo de uma mulher de pele negra. Logo de cara, vemos a verdadeira alma do paganismo, a saber, materializar Deus dando-lhe alguma forma física. Entendo perfeitamente que se trata de um romance e, como tal, precisa de personagens para dar substância ao enredo. Mas, em se tratando do Senhor Deus Todo-Poderoso, essa regra não deve ser aplicada em hipótese alguma. É exatamente isso que Deus expressamente proíbe no Segundo Mandamento (Ex 20.4-5). Jesus mesmo declarou que “Deus é Espírito” (Jo 4.24). Não devemos emprestar a Deus as formas vãs e tolas que concebemos em nossas mentes pecaminosas (cf. Rm 1).

    Uma das antigas heresias às quais me referi há pouco é o Patripassianismo, doutrina monarquianista[1] segundo a qual foi o próprio Deus quem morreu na cruz, em vez de Jesus. Tertuliano combateu esse ensino com bastante veemência. Quando, certa vez, ele disse que “o demônio tem lutado contra a verdade de muitas maneiras, inclusive defendendo-a para melhor destruí-la”, estava se referindo justamente a essa heresia, que estava sendo largamente difundida por Práxeas. Ele continua dizendo que “Ele [o demônio] defende a unidade de Deus, o onipotente criador do universo, com o fim exclusivo de torná-la herética[2]”. Em uma passagem de A Cabana essa heresia é claramente visível:

    Papai não respondeu, apenas olhou para as mãos dos dois. O olhar de Mack seguiu o dela, e pela primeira vez ele notou as cicatrizes nos punhos da negra, como as que agora presumia que Jesus também tinha nos dele. Ela permitiu que ele tocasse com ternura as cicatrizes, marcas de furos fundos, e finalmente Mack ergueu os olhos para os dela (pág. 86. Itálico meu).

    Embora Jesus seja Deus, sabemos que não foi Deus, o Pai, quem morreu na cruz. Deus não tem as marcas dos pregos em seus punhos, como A Cabana quer que acreditemos. Foi o Seu Filho quem foi crucificado. No afã de ressaltar a unidade da Trindade, o Monarquianismo acabou resumindo tudo a uma só pessoa. Em mais uma declaração claramente sabeliana[3], “Papai” diz a Mack que “quando nós três penetramos na existência humana sob a forma do Filho de Deus, nos tornamos totalmente humanos” (pág. 85). Mas não é esse o ensino bíblico. A Palavra de Deus é bastante clara quando se refere ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo como sendo Pessoas distintas que possuem uma mesma essência (ver Mt 28.29; 2 Co 13.13; 1 Jo 5.7; 2 Jo 3). E o pior de tudo é que, para confundir ainda mais o leitor, “Papai” desdiz tudo o que houvera dito antes, dizendo que

    Não somos três deuses e não estamos falando de um deus com três atitudes, como um homem que é marido, pai e trabalhador. Sou um só Deus e sou três pessoas, e cada uma das três é total e inteiramente o um (pág. 87).

    Seria algo equivalente à “Metamorfose Ambulante” proposta por Raul Seixas (“eu vou lhes dizer agora o oposto do que eu disse antes”)? Será que dá pra confiar no “Deus” proposto por William P. Young?

    Mas os problemas não param por aí. Como se não bastasse, o livro também nega a divindade de Jesus. Em uma conversa entre Mack e Papai, Mack pergunta:

    — Mas… e todos os milagres? As curas? Ressuscitar os mortos? Isso não prova que Jesus era Deus… você sabe, mais do que humano?
    — Não, isso prova que Jesus é realmente humano.
    [Papai continua…]
    — Fez isso como um ser humano dependente e limitado que confia na minha vida e no meu poder de trabalhar com ele e através dele. Jesus, como ser humano, não tinha poder para curar ninguém (pág. 90).

    Ora, o que temos aqui não é o velho Ebionismo, que pregava que Jesus tornou-se Messias pelo Espírito Santo? Ou, ainda, o Arianismo, que dizia que Jesus era um simples homem elevado a uma categoria superior à dos demais seres humanos? O autor faz um divórcio entre a Humanidade e a Divindade de Jesus quando diz que “Jesus, como ser humano, não tinha poder para curar ninguém”, quando, na realidade, as duas naturezas de Cristo são inseparáveis.

    Nas palavras de John Stott, “Jesus não é Deus disfarçado de homem e nem um homem disfarçado de Deus”. Ele é Deus-Homem, como bem foi definido em Calcedônia no ano de 451 d.C. E para dar mais ênfase ainda na humanidade de Cristo, a personagem Jesus “deixara cair uma grande tigela com algum tipo de massa ou molho no chão, e a coisa tinha se espalhado por toda parte” (pág. 95), o que rendeu boas gargalhadas a Mack e Papai. Era só o que faltava: um Jesus todo atrapalhado!

    O livro prossegue no enredo seguindo a tônica do “o importante é relacionar-se”. Nada de imposições, de regras. Amor pressupõe liberdade. Baseado nesse pensamento o autor constrói, ou melhor, desconstrói a questão da hierarquia na Trindade. É assim que “Jesus” define a questão:

    Esta é a beleza que você vê no meu relacionamento com Abba e Sarayu. Nós somos de fato submetidos uns aos outros, sempre fomos e sempre seremos. Papai é tão submetida a mim quanto eu a ela, ou Sarayu a mim, ou Papai a ela (pág. 129 – versão digital).

    Sarayu, que personifica o Espírito Santo, diz que a hierarquia não faria sentido entre a Trindade (pág. 112). Como é que fica, então, frases como “Seja feita a vossa vontade”? Não havia uma submissão do Filho ao Pai? Jesus disse que desceu do céu para “fazer a vontade do Pai”(Jo 6.38). A Cabana não se coaduna com a Bíblia aqui.

    Outro ponto que chama alguma atenção no livro é a questão da onisciência de Deus. Apesar de em alguns pontos ela ser ressaltada (págs. 81, 147, 148, 174, 192 e 206, e.g.), o livro parece bem confuso neste aspecto. Nas páginas 129-130, por exemplo, Jesus diz que “é impossível ter poder sobre o futuro, porque ele não é real, e jamais será”. Sophia, uma personagem que representa a Sabedoria de Deus (Teosofismo?) diz que Deus não pôde impedir a morte de Missy (pág. 151), e que tal tragédia “não foi nenhum plano de Papai” (pág. 152). Entretanto, mais uma vez ele se contradiz, ao afirmar que poderia ter impedido o que aconteceu a Missy (pág. 204). Os leitores mais familiarizados com as tendências teológicas pós-modernas saberão que isso se trata de Teísmo Aberto, uma doutrina que remonta ao Socinianismo do século XVI. Segundo essa ideia, o futuro não pode ser plenamente conhecido (nem mesmo por Deus!), pois depende das ações dos seres humanos (chamados de “agentes livres”). Isso inclui também as tragédias naturais (como o Tsunami, por exemplo). Se isso é verdade, como é que fica, então, a questão do Dilúvio? E de Sodoma e Gomorra? Não foi o próprio Deus quem orquestrou tudo? Não é justamente isso que Ele diz em Isaías 45.7 (“… faço a paz e crio o mal”)? William P. Young parece não acreditar muito nisso.

    A verdade do Evangelho é outra questão que está em jogo em A Cabana. Como diria a máxima modernista, “tudo o que é sólido desmancha-se no ar”. Nada de certezas, convicções. Papai mesmo é quem diz a Mack que “a fé não cresce na casa da certeza” (pág. 176),Sarayu diz: “gosto demais da incerteza” (pág. 190). Em outra ocasião Papai diz a Mack: “Quem quer adorar um Deus que pode ser totalmente conhecido, hein? Não há muito mistério nisso” (págs. 85 e 86 – versão digital). E as farpas contra a igreja continuam. Jesus diz: “não crio instituições” (pág. 166). Logo em seguida, numa declaração hilariante, ele afirma categoricamente: “eu não sou cristão” (pág. 168). Aliás, para esse Jesus, o evangelho não é exclusividade. Diante do pluralismo religioso “Jesus” é bastante inclusivista. Ele mesmo diz que

    Os que me amam estão em todos os sistemas que existem. São budistas ou mórmons, batistas ou muçulmanos, democratas, republicanos e muitos que não votam nem fazem parte de qualquer instituição religiosa (pág. 168).

    Realmente, para um Deus que disse que “a morte dele [de Cristo] e sua ressurreição foram a razão pela qual eu agora estou totalmente reconciliado com o mundo” (pág. 180 – itálico meu) isso não é problema. Universalismo? Imagina! “Não preciso castigar as pessoas pelos pecados” (pág. 109). “Em Jesus eu perdoei todos os humanos por seus pecados contra mim, mas só alguns escolheram relacionar-se comigo”, disse Papai (pág. 209). Que estranho, não? Todo mundo perdoado e alguns que se relacionam? Bom, se é ele quem está falando, quem sou eu para questionar? No meio de toda essa confusão Mack parecia mesmo estar totalmente perdido. Foi “barrado” inclusive de ter seu momento devocional, quando foi perguntar pelas orações, ouvindo da boca de Papai: “nada é um ritual” (pág. 194). Coitadinho do Mack! Não tinha razão em nada! Mesmo quando pensou em Jesus como referencial de vida, um exemplo a ser seguido, ouviu da boca do próprio: “minha vida não se destinava a tornar-se um exemplo a copiar” (pág. 136). E agora, José, ou melhor, Mack? Caía por terra diante de seus olhos toda a instrução apostólica para que sejamos “imitadores de Deus” (Ef 5.1; 1Pe 1.16).

    Ainda não acabou. Falta o “filé mignon”. Que tal uma pitadinha de Espiritismo para temperar nossa estória? Pois é. Mack vê sua filha, Missy! Uau! Que emocionante, hein? Foi Sophia (uma médium?) quem proporcionou esse encontro (pág. 153). E tem mais. Mack reencontra o seu pai (pág. 200), que ele havia envenenado depois de ter levado uma surra que o deixou de cama por duas semanas quando ele tinha apenas 13 anos de idade. Abre parêntese. O pai de Mack era um alcoólatra que batia na esposa, e Mack contou isso a um irmão da igreja da qual seu pai era membro. Fecha parêntese. Esse era um segredo que Mack guardava a sete chaves. Realmente, ele tinha muitas feridas que precisavam ser curadas. Então, por que não fazê-lo com uma sessão espírita? Os dois se abraçaram e fizeram as pazes, com direito a beijinho na boca e tudo (pág. 201). Jesus gosta tanto dessa ideia de beijar na boca que resolve fazer o mesmo com Papai (pág. 205).

    Perdoem-me aqueles que ainda não leram o livro, pois revelei muitos dos seus suspenses. Achei por bem não expor absolutamente tudo de errado que encontrei. Expus apenas aquilo que considerei necessário. É perfeitamente compreensível o fato de A Cabana encabeçar o ranking dos livros mais vendidos[4], afinal de contas as pessoas estão à procura de um “Deus” (deus!) que se ajuste às suas pretensões. O que nos preocupa, entretanto, é saber que dentre os que financiam esse tipo de heresia estão aqueles que se professam crentes em Cristo. Sei que se trata de uma ficção, mas infelizmente não é dessa forma ela tem sido encarada. Perguntado sobre o que ele quer que as pessoas concluam ao lerem A Cabana, numa entrevista, William P. Young declarou que deseja que as pessoas “saibam ou tenham a noção de que Deus é bem maior do que eles já imaginaram”[5]. Lembrando de trechos do livro, sinceramente ainda não consigo enxergar grandeza alguma no “Deus” apresentado por Young. O que vi foi uma divindade deficiente que se curva aos caprichos humanos. Continuo preferindo o Deus que se revelou nas Escrituras. Este sim é a minha Rocha!

    Soli Deo Gloria!!!

    Leonardo Galdino

     

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Para a escritora norte-americana Mary Eberstadt, a causa da secularização no Ocidente tem nome e sobrenome. Chama-se decadência familiar.

A escritora Mary Eberstadt é conhecida nos Estados Unidos por suas análises conservadoras sobre a sociedade, a cultura e a filosofia norte-americanas. Em 2013, ela lançou o livro How the West Really Lost God (“Como o Ocidente realmente perdeu Deus”, infelizmente sem tradução para o português). Para a autora, se a destruição da família é geralmente considerada um efeito da perda de identidade religiosa, o contrário também é verdadeiro. A teoria de Eberstadt vê a decadência familiar como causa da secularização que o Ocidente vem experimentando nas últimas décadas.

Eis a íntegra de uma entrevista que ela concedeu a Gerald J. Russello, editor do site The University Bookman, sob o título Family and Faith: A Two-Way Street (“Família e fé: uma via de mão dupla”):


Obrigado por se juntar a nós. Conte-nos sobre a tese do seu novo livro.

How the West Really Lost God começa com uma revisão dos argumentos convencionais para a secularização do Ocidente e observa que esses argumentos não explicam adequadamente o declínio do Cristianismo em certas partes do mundo ocidental. Se isso estiver correto — se, com todo o respeito aos novos ateístas e outros pensadores seculares, o progresso material, a educação e o racionalismo não causaram por si só o secularismo—, então, o que aconteceu?

Meu livro argumenta que, no grande quebra-cabeça do processo de secularização, tem faltado uma peça chave: a família, e os modos como as mudanças na família ocidental, por sua vez, afetaram o Cristianismo ocidental. Por razões que são apresentadas em vários capítulos, eu acredito que essas duas instituições são melhor entendidas como uma dupla hélice — que uma é tão forte quanto a outra em um dado momento da história, e que uma depende da outra para se reproduzir.

Esse é um novo modo de entender o que anda acontecendo, uma firme ruptura com o script secular pós-iluminista sobre o que Nietzsche e outros chamaram de “a morte de Deus”. Sob a influência desse script, muitas pessoas parecem ter decidido que o declínio da religião é simplesmente inevitável. Mas não é isso o que mostram os registros.

O seu livro ajuda a analisar os vários efeitos que a modernidade teve em diferentes partes do mundo. Você nota que a modernidade e a perda da necessidade da religião nem sempre andam juntas. Na sua visão, então, o que causou a secularização da Europa?

A Europa ocidental é mais secular que os Estados Unidos, e a Escandinávia, por sua vez, é o território mais secular de todos. Consideremos, então, a Escandinávia como uma placa de Petri para a teoria do livro. Qual região iniciou a família ocidental sem casamento e o seu aliado mais próximo, o Estado social (cujo papel indiscutível na secularização é também parte dessa cultura)? A Escandinávia. Qual é indiscutivelmente o lugar mais atomizado no mundo ocidental hoje, a medir pelo, vamos dizer, número de pessoas que sequer vive dentro de uma família? Novamente, a Escandinávia. Hoje, quase metade das casas suecas é composta de uma só pessoa, por exemplo.

Eu acredito que essas mudanças não estão acontecendo de modo aleatório. A Escandinávia é um exemplo excelente para provar a tese do meu livro: o declínio religioso e o declínio familiar — medido por índices como fertilidade, casamento, divórcio e coabitação — andam lado a lado. Eles estão relacionados de modo causal.

Você fala do “Fator Família” e do “efeito que a participação na família per se parece ter na fé e na prática religiosas”. Você pode explicar essa relação?

A sociologia convencionalmente supõe que o declínio religioso leva a um declínio na família — que as pessoas primeiro perdem o seu Cristianismo, e então mudam os seus hábitos de formação familiar. Acredito que esse é um entendimento muito estreito, e que a relação causal entre as duas instituições é muito mais dinâmica.

Por exemplo, nós sabemos que, se as pessoas são casadas, elas tendem muito mais a ir à igreja. Também sabemos que, se são casadas e têm filhos, elas tendem mais ainda a fazê-lo. Até agora, sociólogos observando essa conexão assumiram o fato de ir à igreja como algo que as pessoas casadas simplesmente “fazem”. Eles não se perguntaram se a realidade de casar e ter uma família pode constituir uma força causal em si mesma — inclinando algumas pessoas a uma religiosidade maior.

O que o quadro geral mostra, eu acho, é que existe alguma coisa relativa à vida familiar — na verdade, mais de uma coisa — que leva as pessoas à igreja em primeiro lugar: coisas como o desejo de situar os próprios filhos em uma comunidade moral, ou o fato de que o nascimento é visto por muitas pessoas como um evento cósmico e sagrado, ou o fato de que o Cristianismo ratifica como nenhum outro credo secular o tipo de sacrifício envolvido na vida familiar, bem como outros fatores que eu abordo no livro. Novamente, família e fé parecem operar em uma via conceitual de mão dupla, e não em uma de direção única.

Quais dados você encontrou relacionando o declínio da família com crises econômicas ou sociológicas?

Há inúmeros dados para conectar o fortalecimento da família a benefícios econômicos — e também, por outro lado, para conectar declínio familiar a crise econômica.

No momento, toda uma biblioteca poderia ser construída para abrigar a ciência social sobre o rompimento da família incluindo, por exemplo, o fato de que lares destruídos aumentam a probabilidade estatística de que crianças tenham problemas educacionais, comportamentais e outros que possam impedir o seu sucesso na vida; ou outras verdades inconvenientes, as quais, apesar disso, estão empírica e firmemente estabelecidas. O último grande cientista social James Q. Wilson brincava que existem tantos dados atestando os benefícios da família que até alguns sociólogos estão começando a acreditar nela.

No livro, eu também tento olhar para tipos de efeitos colaterais menos comuns, mas igualmente fáceis de perceber — especialmente aqueles que ajudam o declínio familiar a impulsionar o declínio religioso.

Mas as estruturas da família não são meramente arbitrárias? Por que uma família “natural” é importante?

Ao falar de família “natural”, eu me refiro simplesmente à configuração de família que outros modelos podem até imitar, mas não poderão jamais replicar, ou seja, o modelo fundamental baseado nos irredutíveis laços biológicos de mãe, pai, filhos etc. O Cristianismo tem dependido historicamente dessa forma de família, que é a que aparece nos bancos das igrejas cristãs tradicionais.

O destino da família natural é também importante para o destino do Cristianismo de outra forma: porque a história cristã em si mesma está repleta de personagens, metáforas e significado familiares. No fim das contas, trata-se de uma religião que começa com o nascimento de uma criança, que tem uma Sagrada Família, que entende o próprio conceito de Deus como o de um Pai amoroso e benevolente.

O que acontece, então, se vivemos em um mundo — como nós do Ocidente vivemos — em que mais pessoas experimentam cada vez menos essas mesmas coisas? O ponto é que a desintegração da família introduz uma nova complexidade na transmissão de certas características da mensagem cristã. Como você explica Deus Pai a alguém que cresceu sem uma figura masculina e paterna dentro de casa? Ou como falar o que há de tão sagrado sobre um bebê a pessoas que — em um tempo de taxas decrescentes de natalidade e outras mudanças familiares — talvez nunca tenham ou cuidem de uma criança?

Esses problemas não são insuperáveis. Todavia, são problemas que não existiam antes. Novamente, mudança familiar e mudança religiosa andam lado a lado.

Por que deveríamos nos preocupar com o declínio da fé cristã no Ocidente?

É um ponto de vista do livro o de que todos têm uma posição sobre esse assunto. Crentes ou seculares, todo mundo tem um palpite a dar sobre o papel do Cristianismo no espaço público moderno.

Há um capítulo inteiro dedicado aos dados que demonstram apenas essa proposição. É difícil condensar isso em uma frase sem parecer reducionista, mas, para se ter uma ideia, pessoas religiosas são, de maneira geral, mais felizes, mais saudáveis e significativamente mais caridosas com o seu tempo e o seu dinheiro do que pessoas seculares. É claro que todos podemos pensar em exceções, mas essas generalizações são corroboradas por ciência social absolutamente isenta.

Esse é um exemplo de como, no seu melhor, aqueles que creem “dão um retorno” para o resto da sociedade. Há outros exemplo ainda. O Cristianismo tradicional tenta encorajar famílias fortes, por exemplo, e à medida em que isso funciona, essa prioridade institucional também é de evidente benefício social. É possível argumentar que o grande e crescente Estado social não existiria sem a fratura do lar ocidental, porque muito do que o Estado faz é servir de substituto para o pai ou provedor do lar — fazer os tipos de coisas que costumavam ser feitas por famílias autossuficientes.

Na sua análise, que efeito tiveram os novos imigrantes islâmicos na Europa?

O livro limita a sua análise ao Cristianismo, o que já é mais do que o suficiente para um volume. Por isso, pode ser que a tese do livro se aplique a outras confissões que não a cristã.

Ao longo de todo o globo, por exemplo, alta fertilidade é associada com alta religiosidade. Quanto mais religiosas são as pessoas, mais elas tendem a ter filhos, e pessoas profundamente religiosas tendem ainda mais a ter famílias numerosas que outras pessoas. É a dupla hélice novamente em ação, e os muçulmanos da Europa exemplificam isso também.

De qualquer modo, é claro que o que torna a confusão das mesquitas na Europa tão óbvia é o silêncio de muitas igrejas, porque elas estão vazias.

Você acha que algo pode ser feito para revigorar alguma das duas hélices que você descreve — a fé e a família?

Sempre há algo a ser feito. Parte da resposta se encontra nas bases. Se as pessoas entenderem que “a importância da família para a fé” não é apenas retórica, mas, ao contrário, se trata de uma conexão orgânica profunda à qual é preciso prestar atenção, a revigoração acontecerá em cada igreja e congregação por vez.

Ter uma família é um trabalho pesado em qualquer tempo ou época, de modo que quem se preocupa com a família enquanto instituição deve pensar em todas as coisas que facilitam a vida das pessoas — coisas pequenas, mas significativas. As igrejas naturalmente fazem algumas dessas coisas, mas, sem dúvida, elas poderiam fazê-las melhor e com mais vigor. É tentador ter o Estado social tomando as rédeas do que instituições menores, como igrejas, poderiam estar fazendo melhor e com mais sensibilidade e eficiência. Todavia, é preciso resistir a essa tentação se as igrejas quiserem construir comunidades mais vibrantes. O que elas precisam é competir com o Estado oferecendo serviços melhores à comunidade.

Além das bases, a maior questão no horizonte deve ser o que vai acontecer ao moderno Estado social que ao mesmo tempo contribuiu para o declínio da família e emergiu como um substituto custoso para a família. Será o Estado babá, tal como o conhecemos — tomando conta de seus cidadãos do berço ao túmulo —, sustentável? Tendências demográficas e econômicas, especialmente em partes da Europa ocidental, sugerem que a resposta a longo prazo talvez seja negativa. E se fosse para o atual Estado social imperar ou mesmo implodir, é difícil ver como qualquer instituição a não ser a família poderia emergir no vácuo resultante.

No livro, eu ofereço dois capítulos — um para o caso do otimismo e outro para o do pessimismo —, a fim de que os leitores possam decidir por si próprios. De qualquer modo, o renascimento de ambas as instituições já aconteceu antes na história, como o livro frequentemente menciona. Não é difícil imaginar essa mesma renascença acontecendo de novo.

Fonte: The University Bookman | Tradução: Equipe CNP

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Foi com a minha geração que começaram a surgir as primeiras fraldas descartáveis. Foi nas nossas festas de aniversário que começaram a aparecer copos de plástico, garfos de plástico e pratinhos de papelão. Fomos os que começaram a levar suco em caixinhas para a escola, ao invés de precisar trazer a garrafa de volta para casa. E assim fomos aprendendo a viver uma vida descartável.

Os brinquedos iam e vinham. Tudo plástico. Não aprendemos a tomar cuidado, como foi com nossos pais e seus bonecos de porcelana. Caiu, caiu, sujou, sujou. Riscamos brinquedos com canetinha. Já já vinha um novo.

Fomos crescendo e o raciocínio não mudou muito. Não víamos muito sentido quando nossos pais falavam em costurar a mochila ao invés de comprar uma nova. Os preços dos produtos chineses já nos guiava para o consumo do novo e não para o cuidado com o velho.

O problema já seria grave se ele tivesse ficado apenas nas prateleiras de lojas e supermercado. Já seríamos perigosos o suficiente em termos ecológicos. Mas o raciocínio do descartável foi muito além dos bens de consumo.

Somos a geração dos relacionamentos descartáveis. Dos empregos descartáveis. Das paixões descartáveis. Das ideias descartáveis. Dos amigos descartáveis.

Até temos alguns amigos da vida inteira, sim. Para os quais costumamos não ter muito tempo na agenda. Mas temos sempre amigos novos. “Me adiciona no feice”. Adoro a fulana. Ela é fantástica. Estive com ela 2 vezes. Ih, ela apagou o facebook. Dois dias depois já nem lembro da fulana. Uma mina aí que eu conheci não sei onde.

Sentamos no bar, temos ideias fantásticas, começamos a debater e- espera, chegou um whatsapp aqui- que que a gente tava falando mesmo? Sei lá. As ideias não são concluídas, não são escritas num papel, não viram palavras. São, como de costume, descartadas junto com os guardanapos sujos na mesa.

Descobrimos novas bandas. Eu AMO essa banda. Ouço ininterruptamente por 7 dias. Falo para todo mundo que é a melhor banda do mundo. No oitavo dia, enjoo. Descarto. Vou procurar a próxima.

Entramos no estágio. Aparece uma viagem no verão. Pedimos as contas. Comprometimento? Ah, eles encontram outro estagiário logo. Somos contratados para um emprego. Seis meses depois aparece uma proposta que paga um pouco mais. Sei que eles contam comigo até o fim do ano, mas tenho que cuidar dos meus interesses. Meus planos. Minha vida. Eu, eu, eu. Contratos de trabalho descartáveis.

E os relacionamentos… Ah, os relacionamentos, nem se fale. Pessoas passaram a existir para preencher agenda. Se eu não tiver nada melhor para fazer, ligo para ela.

Quero você. Não quero mais. Quero você. Mas não quero me envolver. Quero você. Desde que você não me cobre. Quero você como eu quero. Queria você. Agora quero outro. Te quero de novo. Me enganei, não queria não. Noite na balada, namoro, noivado, casamento. Tudo descartável.

Pessoas viraram bitucas de cigarro. Ideias viraram copinhos de café. Paixões viraram post-it.

Somos das carreiras que nos consomem. Achamos que nosso corpo é descartável. Falta sono, sobra álcool. Achamos que o afeto pelos nossos avós mora no post de uma foto que será apagada ou esquecida. Não temos tempo para ouvi-los. Mudamos de amores como quem muda de ideia, mudamos de ideia como quem muda de roupa.

Somos a geração do raso, da água pelas canelas. Não mergulhamos fundo. Não sabemos o que é profundidade. Livros curtos, conversas rápidas. Fluidez. A gente acha que é rocha, mas a gente é gelo. E derrete, evapora, desaparece. Uma geração que trata tudo como descartável e que termina por ser, ela mesma, tão descartável quanto uma garrafa pet. Com a diferença de que a garrafa será reciclada e nós… Nós deixaremos algumas selfies como legado.

Ruth Manus

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Videogames situados no inferno não são novidade. Popularizados na década de 1990 com as séries Diablo e Doom, voltaram a ser cenário em God of War I e III. Mais recentemente foi o tema central de Dante’s Inferno, sua premissa sempre foi enfrentar demônios e o próprio Satanás.

Contudo, o novo Agony, que só deve ser lançado ano que vem, deseja apresentar uma proposta nova. O personagem principal está preso no inferno, sem memória, sem saber como foi parar lá e seu único objetivo é fugir. Mas seu corpo foi completamente carbonizado.

De acordo com o PC Gamer, para cumprir seu objetivo e sobreviver, o jogador precisa entrar nos “corpos” de demônios e nas almas condenadas. A habilidade do protagonista de controlar outras almas e demônios também será útil na jornada para encontrar a Rainha Vermelha, única moradora que pode libertá-lo.

É o primeiro jogo do estúdio polonês Madmind, formado por nove veteranos da indústria de games.  Serão lançadas ao mesmo tempo versões para PC, Xbox One e PlayStation 4. Segundo analistas da indústria, deverá ser um sucesso de vendas

Embora se pareça mais com um filme de terror, esse tipo de produto apenas reflete o interesse crescente das pessoas sobre o assunto. A indústria de entretenimento parece acreditar que o assunto é rentável.

Depois de colocar Lúcifer como protagonista em um seriado e o Anticristo em outra, a indústria cinematográfica voltou-se para os quadrinhos com o tema.

No mês passado, estreou Preacher, cujo personagem principal é um pastor, filho de um demônio. Este mês chegou as telas Outcast, que mostrará como é a vida de uma pessoa endemoninhadaOutcast, que pode ser traduzido como “expulso” baseia-se nos quadrinhos de mesmo nome.  Ela estreou no Brasil pelo canal de TV Fox.

O roteiro mostra como um homem chamado Kyle (Patrick Fugit) precisou lidar com demônios a vida inteira. Ele se junta ao pastor Anderson (Philip Glenister) para uma espécie de ministério de libertação numa pequena cidade no sul dos EUA.

Em entrevista à Rolling Stone, Kirkman explica que a inspiração para a nova série veio da igreja pentecostal que ele costumava frequentar com sua mãe quando era pequeno. Embora não se considere uma pessoa religiosa, afirma acreditar em demônios.

“Eu testemunhei exorcismos enquanto estava naquela igreja. Não gosto muito de falar sobre isso. Aquela pessoa estava cuspindo, mordendo e rosnando e fazendo todo tipo de coisa louca. Eu não estava com medo, parecia algo quase normal para mim”, conta.

Agora, como roteirista de Outcast, ele quer mostrar o que acontece quando um demônio sai de uma pessoa e entre em outra. O primeiro possuído é um menino de 10 anos, que possui uma força sobre humana.

Veja o Trailer

G Prime

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Depois do imenso sucesso das adaptações cinematográficas de “O Senhor dos Anéis” e “O Hobbit”, chegou a vez de o próprio autor J.R.R. Tolkien ser o tema central de um longa-metragem. O filme biográfico, produzido pela Chernin Entertainment, deverá chamar-se “Tolkien”. Ao mesmo tempo, uma pequena produtora independente prepara outra abordagem da vida do escritor, concentrando-se na amizade entre Tolkien e o também escritor C.S. Lewis.
 
Para comandar a realização do filme “Tolkien & Lewis”, foi selecionado o diretor Simon West, que produzirá o longa de 18 milhões de dólares para a Attractive Films, sediada em Londres e Brisbane. Simon West foi o diretor de “Os Mercenários 2” e “Con Air”. Também estão na equipe Jacqueline Cook e Mark Cooper, de “Saving Mr. Banks”.
 
A Attractive Films descreve o projeto como “um drama ambientado na Grã-Bretanha de 1941, devastada pela guerra, no qual se revela a fé, a amizade e a rivalidade entre J.R.R. Tolkien e C.S. Lewis, dois escritores que se tornaram os autores de obras de fantasia mais importantes do mundo”. A escolha do período histórico foi deliberada, já que o ano de 1941 marca uma fase tumultuada da vida de Tolkien e de Lewis.
 
Tolkien dava aulas na Universidade de Oxford e começava a ver o sucesso de um livro infantil que tinha escrito: “O Hobbit”. O livro se tornou tão popular que os editores pediram uma continuação. Tolkien trabalhou duro para produzi-la, mas, perfeccionista como era, não ficou satisfeito em compor um livro curto e simples. Em vez disso, começou a escrever a monumental trilogia “O Senhor dos Anéis”.
 
A aversão de Tolkien a publicar algo rápido e fácil era nitidamente contrastante com o método de produção literária de C.S. Lewis.
 
Durante aquele mesmo período, Lewis também lecionava em Oxford e colhia o sucesso da primeira parte da sua trilogia espacial “Além do Planeta Silencioso”. Lewis estava ocupado com a sequência da obra e com a publicação de um conjunto de cartas apologéticas cristãs que viriam a se tornar “As Cartas do Coisa-Ruim”. Tolkien não aprovava a rapidez de Lewis ao escrever e desprezou o livro do amigo. Ele achava que Lewis não tinha trabalhado adequadamente as suas ideias teológicas. Ironicamente, Lewis dedicou seu livro a J.R.R. Tolkien.
 
O filme procurará realçar essa “guerra literária” entre os dois escritores e examinar a sua estreita relação durante os anos espinhosos da Segunda Guerra Mundial. Será interessante observar como os cineastas retratam a fé cristã desses dois gigantes da literatura, assunto que inevitavelmente terão de abordar se quiserem fazer justiça aos dois autores. Foi a fé em comum, no fim das contas, o que os uniu, além de ser um elemento essencial nos seus escritos.
 
A previsão é de que o filme “Tolkien & Lewis” seja lançado perto da Páscoa, em linha com o objetivo, já declarado pelos produtores, de atrair a atenção do público cristão.

Aleteia

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No boom de fenômenos como Pokémon Go, geralmente surgem inúmeras razões para explicar o sucesso, mas poucas para indicar o que leva outros a odiarem tanto. No Brasil, o game foi ansiosamente esperado por milhares de jogadores que, por quase um mês, ficaram sedentos pelas informações de lançamento. Mas junto à empolgação de caçar bichinhos pelas ruas, surgiram também os que não acharam graça nenhuma no frenesi todo em torno do game.

– As pessoas gostam de discordar. Quanto mais popular algo fica, mais gente vai tomar o lado oposto para criticar – diz Jonah Berger, da Wharton School da Universidade da Pennsylvania e autor do best-seller Contágio: Por que as Coisas Pegam.

Um dos primeiros a criticar o Pokémon Go publicamente foi o cineasta Oliver Stone, durante a Comic Con, em San Diego. O vencedor de três estatuetas do Oscar opinou que o jogo seria uma forma de autoritarismo por causa da sua política de privacidade. O aplicativo coleta os dados de jogadores como a geolocalização e informações sobre a conta do Google: “Isso é o que algumas pessoas chamam de capitalismo de vigilância. É o seu novo palco”, disse no evento.

As críticas e elogios ao Pokémon Go que jorram pelas redes sociais são diversas: “Há coisas mais úteis para se fazer”. “O jogo me tirou de casa, fez eu me exercitar.” “Todo mundo vai ficar alienado.” “Estou mais consciente do que tem ao redor do meu bairro”.

A colunista de tecnologia e cultura do jornal britânico The Guardian Leigh Alexander, em um dos seus últimos textos, teceu a opinião de que, no atual mundo perverso, precisamos de escapismo mais do que nunca. E é isso que Pokémon Go proporciona, segundo ela. Em meio a tanta exposição a notícias ruins que são ampliadas pelas redes sociais, o mundo fantasia que alia realidade à mágica do mundo paralelo do game pode não ser tão ruim assim. E é exatamente essa fuga da realidade que é uma das críticas mais usadas por quem não gosta do jogo: “Enquanto alguns pegam Pokémon, outros não conseguem pegar um emprego”. “Há tantas crianças para ajudar e tem gente perdendo tempo com isso.”

– Esse tipo de polarização é um comportamento tradicional quando um fenômeno é caracterizado por uma febre. Nem o lado que está jogando e o que está criticando entendem de fato a razão por trás disso tudo. O produto imerge com sistemas neurais, que produzem prazer imediato em quem está jogando, somos guiados por esse prazer – explica o especialista em comportamento de consumo da ESPM São Paulo Fabio Mariano Borges.

Borges compara o momento aos lançamentos de produtos como os da Apple, quando as pessoas acampam em frente à loja para comprarem as novidades. O sociólogo cita os trendsetters – lançadores de tendências – que lideram tanto um movimento de desdém quanto de agitação em torno de um item de consumo.

– Há pessoas que querem se sentir exclusivas para todos os lados. Seja o que jogou primeiro ou o que não quer jogar – diz Borges.

Mas a febre pode esfriar logo. Uma pesquisa feita em 2009 e liderada por Jonah Berger indica que produtos que crescem muito rapidamente tendem a morrer rapidamente também e sair do gosto popular de forma mais rápida. Em entrevista ao Wall Street Journal, Berger comentou que, afinal, nem todo mundo quer se render às modinhas: “As pessoas querem ser únicas”.

– Em termos de reação das pessoas, é parecido com o que aconteceu quando surgiu o Pokémon (na década de 1990). Havia entusiasmo de um lado e de outro, preocupações histéricas dos que não eram interessados. A crítica vinha da maior parte por pessoas mais velhas, o que me lembrou muito de uma época em que jovens que gostavam de rock n’roll eram malvistos pelos seus pais e pela sociedade – comenta Joseph Tobin, professor da Faculdade de Educação da Universidade de Georgia que dedicou-se a organizar um livro sobre Pokémon.

Nostalgia de quem tem entre 20 e 30 anos

Na obra Pikachu’s global adventure: the rise and fall of Pokémon (A aventura global de Pikachu: o triunfo e a queda de Pokémon, em tradução livre), Tobin e outros autores analisam os produtos da franquia sob perspectivas sociais e antropológicas. No ano em que a obra foi lançada, em 2004, o americano via que as crianças estavam se desfazendo das suas cartas de Pokémon nos brechós de garagem das famílias. Enfim, elas haviam perdido o interesse naqueles personagens.

– Nem eu previ que teria essa volta com o jogo Pokémon Go. As pessoas que têm 20 e poucos ou 30 anos e cresceram com a franquia têm essa nostalgia, querem viver novamente alguns aspectos da sua infância. É mais ou menos quem faz festas com temáticas dos anos 80 e 90 hoje – analisa.

Paula Minozzo, publicada por Zero Hora, 09-08-2016.

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Após uma acidentada rodagem, o diretor de formação católica, apresentará em dezembro o drama de dois jovens jesuítas que vão ao Japão em busca de um missionário que perdeu sua fé após sofrer inúmeras torturas.

O diretor de cinema Martin Scorsese, finalmente irá estrear, em dezembro, seu aguardado filme Silêncio. Um filme que está na mente do cineasta desde 2004 e que contará o drama dos cristãos perseguidos no Japão dos samurais

Scorsese, de formação católica, explica que a história será protagonizada por Liam Neeson, Adam Driver e Andrew Garfield, e tratará de dois jovens jesuítas que vão ao Japão em busca de um missionário que perdeu sua fé após sofrer inúmeras torturas. Ali viverão a experiência da perseguição.

O filme, produzido pela Paramount, viveu uma rodagem muito acidentada durante as 14 semanas de filmagens em Taiwan. Segundo conta Religión en Libertad, em janeiro de 2015, um teto caiu, causando a morte de um funcionário e ferindo outros três.

O diretor baseou o roteiro do seu filme no romance Silêncio, do escritor católico japonês Shusaku Endo (1913-1997). Uma história ambientada no Japão dos séculos XVI e XVII, e que se centra principalmente no choque de mentalidades entre a espiritualidade dos jesuítas espanhóis e portugueses e o pragmatismo materialista dos japoneses.

O autor escreveu este romance após anos de estudos da literatura cristã francesa e de autores como Paul Claudel ouEmmanuel Mounier.

A perseguição de cristãos no Japão

As primeiras perseguições de convertidos japoneses aconteceram em nível local, provocadas principalmente pelos protestantes ingleses e holandeses, pelo clero budista e a nobreza. Os ataques aconteceram até 1873, chegando a se expandir por todo o império

O romance conta como os jesuítas começam a pregar no país sob o assédio das autoridades. A perseguição fez os religiosos e o padre Sebastián Rodríguez, enviado ao Japão para consolar os que ali se encontravam e julgar um padre apóstata, se colocarem a questão de se realmente valia a pena sofrer tantas desgraças, inclusive quem é verdadeiramente Jesus e o papel de Deus.

Os missionários católicos chegaram ao Japão em 1549 e embora, em um princípio, a fé cristã parecesse não tocar a comunidade nipônica, finalmente se estabeleceu no país. Em 1600, já havia 95 jesuítas estrangeiros no país (57 portugueses, 20 espanhóis, 18 italianos) e ao menos 70 jesuítas nativos do Japão.

O auge do cristianismo provocou, em 1614, o início de uma perseguição sistemática contra os cristãos e que se proibisse os padres de continuarem sua pregação. Desse momento em diante, o cristianismo entrou na clandestinidade e, segundo os historiadores, pelo menos 18 jesuítas, sete franciscanos, sete dominicanos, um agostiniano, cinco sacerdotes seculares e um número desconhecido de jesuítas nativos foram descobertos e executados.

A perseguição provocou mil mártires diretos e milhares de cristãos leigos morreram por causa de doenças e da pobreza aos sofrerem o confisco dos seus bens.

Durante 240 anos o Japão permaneceu fechado ao mundo e embora algumas comunidades tenham tentado manter o cristianismo sem contato com o exterior e sem sacerdotes, o número de católicos diminuía e iam se afastando do cristianismo.

Fonte: Actuall

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A Arquidiocese de São Paulo chamou a atenção dos internautas neste final de semana ao publicar uma série de tiradas bem humoradas e acolhedoras aos caçadores de Pokémon, jogo que virou febre no Brasil desde seu lançamento e tem nas Igrejas local de captura de muito dos bichinhos que podem ser  caçados virtualmente mediante aplicativo.

Em uma das dicas, usando ao fundo a imagem da Catedral da Sé de São Paulo, o desenho de um padre acolhedor e  pokémons, a arquidiocese propõe um desafio extra aos jogadores:“que tal fotografar algo nesta igreja que você tenha gostado? Compartilhe com a hastag #PokemonGoIgrejaSP e nós vamos compartilhar sua experiência em nossos canais”. 

A ação conquistou o público e rapidamente viralizou na internet. Em poucos minutos as potagens obtiveram mais de quatro  mil e quinhentos engajamentos direto, sendo comentários elogiosos os principais. “Não sou uma pessoa espiritual e religiosa, mas eu dou os parabéns para este post, pois foi o primeiro manifesto de uma instituição religiosa que vejo que foi mais sensato e cordial, e inclusive convidando os jogadores a conhecerem as pessoas e o local, em vez de recriminar e condenar”, disse um dos internautas

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Fonte original da notícia

Blog Ancoradouro

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O videogame Pokémon já vendeu mais de 200 milhões de itens da marca e até março deste ano faturou US$ 46,2 bilhões. O jogo consiste na captura dos Pokémons – pequenas criaturas imaginárias – por seres humanos, que os treinam para lutar entre si. Seu mais recente produto, o Pokémon Go, foi lançado nos Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia, e tem alcançado enorme sucesso. Graças ao uso da realidade aumentada, os Pokémons se escondem não mais no espaço interno do próprio jogo, e sim em inesperados lugares das cidades – ruas, praças, logradouros públicos, etc. – onde os jogadores os localizam por meio de seus celulares.

Desde o recente lançamento, foram relatadas várias ocorrências que mostram a intensidade da imersão dos jogadores na realidade virtual. Em suas andanças pela cidade em busca dos Pokémons, eles se esquecem da realidade factual e seus perigos, e assim se expõem a sérios riscos – como o trânsito e ladrões oportunistas.

São incidentes que tendem a se multiplicar, na medida em que o jogo seja lançado nos demais países, incluindo o Brasil. Eles retomam a antinomia entre realidade virtual e realidade factual. Seriam elas antagônicas e inconciliáveis? Antes de tirar conclusões, talvez devêssemos enfocar uma questão prévia, e nos perguntar sobre o que é mesmo isso que chamamos de realidade. Veríamos então que equivocadamente a tomamos como um dado autoevidente, sem notar que essa é uma noção complexa, nada fácil de apreender e que tem largas implicações filosóficas.

De forma ingênua, a primeira ideia que nos ocorre sobre a realidade é que ela é aquilo que captamos diretamente através de nossos órgãos de percepção ou das próteses que para eles construímos com o objetivo de lhes aumentar a potência, como microscópios, telescópios e apetrechos correlatos.

Mas a mente humana não funciona como um instrumento que registra exata e imparcialmente o que está à sua frente, como faria uma máquina fotográfica ou cinematográfica. Nossa percepção passa por filtros afetivos conscientes e inconscientes que podem distorcer bastante o que se nos apresenta. Nossa memória também é pouco confiável, alterando o passado com frequência em função de vivências do presente.

Ao mesmo tempo em que dispomos de recursos poderosos para reconhecer a realidade e nela intervir, transformando-a em nosso benefício, como mostram as conquistas nos mais variados campos que nos têm proporcionado uma vida mais segura, saudável e confortável, temos também idêntica capacidade de negá-la, com consequências as mais desastrosas.

Há diferentes níveis de negação da realidade. A forma mais radical é a psicótica, que a substitui por um delírio que satisfaz sem restrições os desejos e fantasias que se recusam a abandonar o princípio do prazer. Na neurose, a negação da realidade é mais branda, ocorre parcialmente, sendo os fragmentos negados substituídos por fantasias, devaneios, mini delírios que conciliam as exigências da realidade e as pressões narcísicas.

As variações no manejo da realidade descritas pela psicanálise rompem com a rigidez da divisão entre realidade virtual e factual. Mostram que não estão tão distantes uma da outra, e que o próprio conceito de realidade virtualpopularizado pela tecnologia e informática tem um substrato mais arcaico e universal.

Sempre vivemos, cada um de nós, em “realidades virtuais” próprias, singulares, secretas, privadas, íntimas, na medida em que fazemos recortes muito precisos apagando alguns aspectos da realidade, de modo a adequar suas restrições a nossos desejos inconscientes infantis, dos quais não queremos ou podemos abrir mão.

Enquanto cada um de nós cria uma realidade virtual singular fantasmática, que atende às especificidades únicas do próprio desejo inconsciente, a tecnologia, pelo contrário, produz uma realidade virtual padronizada e massificada, materializada num programa de computador a ser processado num gadget, como ocorre com o Pokémon Go.

A tendência a negar os fatos e mergulhar em realidades virtuais é tão antiga quanto o próprio homem e evidencia a dinâmica entre o princípio do prazer e o princípio da realidade. Freud dizia que não toleramos um contato ininterrupto com a realidade. Precisamos diariamente cortar o contato com ela e nos refugiar no mundo dos sonhos. O sonho é a “realidade virtual” onde realizamos de forma disfarçada e simbólica os desejos que a realidade nos obriga a abandonar. Não é de hoje que se usam substâncias que criam estados alterados de consciência, afastando-nos da realidade e nos levando para paraísos artificiais (virtuais).

As artes e, especialmente as narrativas, como a literatura e o cinema, também criam realidades virtuais. Tais estruturas narrativas, ainda que ficcionais, ou seja, “não reais”, “virtuais”, mesmo assim possibilitam o acesso a importantes verdades humanas que sem elas nos seriam inacessíveis.

Ao reconhecer esse fato, recuperamos o aspecto positivo desses construtos. Eles não se prestam apenas à fuga da realidade através do entretenimento, como faz o Pokémon Go.

A realidade virtual produzida pela tecnologia pode ser usada para fins terapêuticos, como mostram relatos recentes de tratamentos experimentais de fobia de avião realizados na França. O paciente, usando óculos especiais que recriam a experiência de voo, é acompanhado por um psicanalista que segue o desenvolvimento de sua angústia no processo e procura usar dos recursos analíticos e cognitivos para ajudá-lo a superar o sintoma.

É um campo promissor. Se as condições de voo podem ser recriadas virtualmente, permitindo que o fóbico as vivencie de forma assistida e controlada junto a seu analista, outras situações traumáticas semelhantes ou mais complexas poderiam ser também recriadas, ampliando o arsenal terapêutico.

Aplicada no entretenimento, como o Pokemon Go, ou na terapêutica, como no tratamento de fóbicos, a tecnologia mostra a versatilidade desse mais recente exemplar de uma longa e rica tradição.

Sérgio Telles, psicanalista e escritor, em artigo publicado por O Estado de S. Paulo, 24-07-2016.

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Eu acredito sinceramente que os católicos podem e devem abraçar o que existe de bom na cultura atual e servir-se dela de maneira construtiva para agir no mundo a fim de produzir nele um impacto positivo.

Mas a necessidade de “servir-se dela de maneira construtiva” não poderia ser mais urgente, assim como as consequências da falta de ação positiva no mundo atual não poderiam ser mais terríveis. Vários traços da nossa moderna sociedade ocidental serão julgados com severidade pela história, e, com visão imparcial, podemos identificá-los desde já. Cito cinco deles.

1. O abandono da família por parte dos homens

A família foi a maior ‘invenção’ da história para trazer a paz, a estabilidade e a prosperidade aos seres humanos. Antes do surgimento do cristianismo, o modelo de pai e mãe fiéis um ao outro e aos filhos estava muito longe de ser o padrão. Foi o cristianismo que definiu o mais elevado conceito de família, e foi o conceito de família que nos permitiu garantir os direitos das crianças e das mulheres, além de embasar uma unidade estável e amorosa na qual a civilização pudesse desenvolver-se e florescer.

O desprezo pelo modelo de família tradicional é um fator de crucial importância no aumento da pobreza. As famílias tendem a ficar presas num círculo vicioso em que os homens abandonam suas responsabilidades e, agindo assim, “convencem” a próxima geração a seguir os mesmos passos. Quando os homens abandonam suas famílias, os filhos acabam recebendo menos educação e ficando mais expostos ao crime e à violência.

Será que a história vai nos marcar como a cultura que conseguiu extinguir a instituição da família?

2. O extermínio dos mais frágeis

“Toda sociedade será julgada com base no seu modo de tratar os membros mais fracos”, declarou o papa João Paulo II, numa afirmação absolutamente certa. Ficamos horrorizados com os pecados das sociedades do passado: torturas, punições assustadoras e perseguições raciais. As culturas do passado eram muito mais brutais do que a nossa, desde que não levemos em conta o aborto.

E por quê? Os historiadores do futuro ficarão horrorizados ao documentar que a mesma civilização que conseguiu tantos avanços na compreensão e no tratamento da vida humana ainda no útero também matava um milhão de crianças não nascidas por ano.

Graças aos esforços incansáveis de católicos e de outros cristãos, temos trabalhado com perseverança para superar esta mancha em nossa evolução, mas ainda não conseguimos eliminá-la.

3. A epidemia de suicídios

Os índices de suicídio têm aumentado ao longo do século XXI. Hoje, o gesto de acabar com a própria vida é a terceira principal causa de morte de jovens nos Estados Unidos. Em 2012, ainda nos EUA, o suicídio ultrapassou os acidentes de carro como a principal causa de morte por lesão e se tornou também a principal causa de morte entre os militares da ativa.

Há muitas teorias sobre o porquê deste fenômeno. Uma delas aponta para o crescente isolamento social: é cada vez menos comum as pessoas terem um confidente ou um grupo regular de amigos ou vizinhos com quem possam contar. E a solidão leva ao desespero.

As palavras de São Pedro têm sido, há muito tempo, uma espécie de declaração de missão da apologética cristã: “Sabei dar razão da esperança que habita em vós”. O mundo está precisando dessas razões mais do que nunca.

4. A sexualização infantil

Quanto mais as crianças usam as mídias modernas, mais elas são convencidas de que a sexualidade é a coisa mais importante que existe. As meninas, em especial, recebem esta mensagem desde muito jovens, através de peças de vestuário, bonecas e programas de televisão carregados de sensualidade, sem falar no conteúdo online disponível 24 horas por dia.

O abuso sexual cometido contra crianças tem muito a ver com a sexualização infantil. Ironicamente, os escândalos de abuso sexual na Igreja católica ajudaram a desacelerar a tendência da aceitação do sexo com crianças.

A história reconhecerá que a Igreja admitiu e encarou os seus escândalos, enquanto o escândalo maior em nossas instituições formadoras de opinião, desde as escolas públicas até a indústria do entretenimento, permanece, comparativamente, desatendido.

5. A coisificação da mulher

As gerações futuras vão se perguntar como, numa época de ênfase nos direitos e nas oportunidades para as mulheres, a nossa cultura definiu as mulheres tão disseminadamente como objetos de prazer.

Uma das maiores máquinas de fazer dinheiro dentro da indústria do entretenimento é a pornografia. Nossa cultura está quase o tempo todo olhando para imagens sexuais, a maioria delas tendo as mulheres como objeto. As mulheres estão cada vez mais coisificadas, da “cultura do estupro” às imagens que nos rodeiam em quase todos os meios de comunicação. A epidemia de tráfico de seres humanos é o resultado triste, mas nem um pouco surpreendente, desta armadilha disfarçada de “liberdade”.

A Igreja, que enxerga muito além das dimensões sexuais e econômicas da mulher, é uma guardiã intransigente da dignidade feminina.

É inegável a realidade: o grande experimento da democracia ocidental nos trouxe mais oportunidades e mais liberdade do que qualquer outro momento da história. Mas as fraquezas da nossa cultura atual são fatais. Sem Deus, ruiremos completa e estrondosamente.

Tom Hoops

livros

Se a 4ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil revelou que o brasileiro é um povo que lê majoritariamente a Bíblia, agora um estudo realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) para a Câmera Brasileira do Livro (CBL) e para o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) referente aos números do setor editorial brasileiro no ano de 2015 comprova que o momento é mesmo dos títulos ligados às religiões.

Em um ano de retração para o mercado, a participação do nicho religioso no total de exemplares produzidos no país saltou de 16,24% (2014) para 19,62%, sendo a segunda categoria com mais livros fabricados por aqui, atrás apenas dos didáticos, que correspondem a 49,1% do que foi produzido em 2015.

E se a participação dos religiosos cresceu, a literatura, por sua vez, perdeu espaço. 7,08% dos livros produzidos no país em 2015 foram de Literatura Adulta (contra 9,67% em 2014, uma retração que representa mais de 15 milhões de exemplares), 2,58% foram de Literatura Infantil (contra 7,43% em 2014, o que significa quase 25 milhões de unidades a menos) e 2,52% de Literatura Juvenil (que em 2014 representava 4,01%). Essa redução abissal nos infantis e juvenis está diretamente ligada à estagnação do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), do Governo Federal, que havia adquirido 19 milhões de exemplares em 2014, mas que em 2015 não comprou uma unidade sequer.

Tudo isso está dentro de um cenário global de encolhimento nos números. No ano passado, o setor produziu 446,84 milhões de exemplares, vendeu 389,27 milhões e faturou R$5,23 bilhões. Comparado a 2014, os dados representem uma queda real (já considerando a variação do IPCA) de 12,63%, enquanto o número de livros fabricados caiu 10,87% (redução de 54,6 milhões de unidades) e o de comercializados, 10,65%.

Com as vendas voltadas para o governo, as editoras faturaram R$1,22 bilhão ao longo de 2015 (cifras 0,86% menores do que em 2014). No entanto, o número de títulos adquiridos por órgãos públicos foi bem menor: 134,59 milhões (14,98% a menos do que no período anterior). Além do PNBE, o programa Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC) também não realizou compras no ano passado.

A pesquisa Fipe ainda indica que foram editados 52,42 mil títulos em 2015, dos quais 17.282 mil são novos (em 2014 tinham sido 19.285 novos). Levando em conta o total de exemplares produzidos no país, a tiragem média de cada obra ficou em 8,52 mil exemplares – em 2014 havia sido 8,24 mil. O total de títulos teve queda de 13,81%. Levando em conta apenas os novos, o recuo foi de 10,39%.

Fonte: UOL

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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na semana passada um ranking com os nomes mais populares no Brasil.

Os nomes bíblicos ou ligados a personagens religiosos estão entre os mais utilizados pelos brasileiros na hora de registrar seus filhos.

No topo da lista temos Maria, nome de mais de 11 milhões de mulheres no país, segundo os dados do Censo Demográfico 2010.

Em segundo lugar está José, com mais de 5 milhões de homens registrados. Ana aparece em terceiro lugar com mais de 3 milhões, seguidos por João, Antônio, Francisco, Carlos, Paulo, Pedro e Lucas.

A lista segue mostrando outros dez nomes muito utilizados no país como Luiz, Marcos, Luís, Gabriel, Rafael, Francisca, Daniel, Marcelo, Bruno e Eduardo.

O IBGE afirma que entre os 200 milhões de habitantes do Brasil, há mais de 130 mil nomes diferentes, dos quais 63.456 masculinos e 72.814 femininos. A pesquisa considerou apenas o primeiro nome.

Quando separamos a lista dos nomes mais populares de acordo com a década de nascimento, percebemos que na década de 2000 o nome de José não aparece nas primeiras cinco posições.

Os brasileiros nascidos a partir do ano 2000 foram registrados com nomes como: Maria, Ana, João, Gabriel, Lucas, Pedro, Mateus, José, Gustavo, Vitória, Guilherme, Carlos, Júlia, Vitor, Felipe, Letícia, Marcos, Rafael, Luiz e Daniel.

O Instituto ainda liberou em seu site um campo de pesquisa (link), onde é possível conhecer o número de pessoas com o mesmo nome que o seu, além de consultar o ranking de nomes populares de acordo com o seu Estado.