O Dr. Thomas Woods, PhD em História pela Universidade de Harvard nos EUA, disse em um dos seus livros que:

“Bem mais do que o povo hoje tem consciência, a Igreja Católica moldou o tipo de civilização em que vivemos e o tipo de pessoas que somos. Embora os livros textos típicos das faculdades não digam isto, a Igreja Católica foi a indispensável construtora da Civilização Ocidental. A Igreja Católica não só eliminou os costumes repugnantes do mundo antigo, como o infanticídio e os combates de gladiadores, mas, depois da queda de Roma, ela restaurou e construiu a civilização”. [Woods, 2005, pg. 7]

Um dos pontos mais importantes da atuação da Igreja na Idade média cristã, foi no campo da Ciência. Sem a Igreja não haveria a beleza da arquitetura, da música, da arte sacra, das universidades, dos castelos, do direito, da economia, etc.

No séc. VI São Cesário de Arles já expunha no Concílio de Vaison (529) a necessidade imperiosa de criar escolas no campo; e os bispos se dedicaram a isto. Da mesma forma foi a Igreja que montou para Carlos Magno (†814) a sua política escolar; e retomou a tarefa educadora no séc. X após o fim do seu Império.

O III Concílio de Latrão (1179), em Roma, presidido pelo Papa Alexandre III (1159-1181), ordenou ao clero que abrisse escolas por toda a parte para as crianças, gratuitamente. Obrigou a todas as dioceses terem ao menos uma. Essas escolas foram as sementes das Universidades que logo surgiam: Sorbone (Paris), Bolonha (Itália), Canterbury (Inglaterra), Toledo e Salamanca (Espanha), Salerno, La Sapienza, Raviera na Itália; Coimbra em Portugal.

No séc. XII havia só na França 70 abadias com escolas. Todos os grandes bispos também quiseram ter escolas; na França, no séc. XII havia mais de 50 escolas episcopais. Dos sete aos vinte anos as crianças e os jovens eram recebidos nessas escolas sem distinção de classes. Havia escolas só para meninas e moças. As disciplinas dividiam-se em “trivium” (gramática, dialética e retórica) e “quadrivium” (artimética, geometria, astronomia e música). Mas um grande pedagogo da época Thierry de Chartres, mostrou que o “trivium e o quadrivium” eram apenas um meio e que o fim era “formar almas na verdade e na sabedoria”.

Em muitas escolas os alunos tinham ensino técnico de como trabalhar o ouro, prata e cobre. Aos poucos surgiam as especializações: Chartres (letras), Paris (teologia), Bolonha (direito), Salerno e Montpellier (medicina).

O Concílio geral de Latrão III, aprovou o seguinte cânon:

“A Igreja de Deus, qual mãe piedosa, tem o dever de velar pelos pobres aos quais pela indigência dos pais faltam os meios suficientes para poderem facilmente estudar e progredir nas letras e nas ciências. Ordenamos, portanto, que em todas as igrejas catedrais se proveja um benefício (rendimento) conveniente a um mestre, encarregado de ensinar gratuitamente aos clérigos dessa igreja e a todos os alunos pobres” (can. 18, Mansi XXII 227s).

O IV Concílio ecumênico do Latrão (1215), renovou este decreto. Teodulfo, bispo de Orléans no séc. VIII, promulgou o seguinte decreto: “Os sacerdotes mantenham escolas nas aldeias, nos campos; se qualquer dos fiéis lhes quiser confiar os seus filhos para aprender as letras não os deixem de receber e instruir, mas ensinem-lhes com perfeita caridade. Nem por isto exijam salário ou recebam recompensa alguma a não ser por exceção, quando os pais voluntariamente a quiserem oferecer por afeto ou reconhecimento” (Sirmond, Concilia Galliae II 215).

É muito significativo um dos últimos depoimentos sobre a acusação de que a Igreja obstruiu a ciência na Idade Média, proferido em 1957 por um grupo de estudiosos que, sem intenção confessional alguma, escreveram a história da ciência antiga e medieval:

“Parece-nos impossível aceitar a dupla acusação de estagnação e esterilidade levantada contra a Idade Média latina. Por certo a herança (cultural) antiga não foi totalmente conhecida nem sempre judiciosamente explorada;… mas não é menos verdade que de um século para outro – mesmo de uma geração a outra dentro do mesmo grupo – há evolução e geralmente progresso. A Igreja… na Idade Média salvou e estimulou muito mais do que freou ou desviou. Por isto, embora só queira apelar para a Antigüidade, a Renascença é realmente a filha ingrata da Idade Média” (La science antique et médiévale, sous la direction de René Taton, Presses Universitaires de France. Paris 1957, 581s).

Esses poucos dados mostram o quanto a Igreja fez pelo ensino e pelo saber na Idade Média, bem ao contrário do que muitos pensam: que a Igreja foi contra a ciência e o ensino.

Prof. Felipe Aquino

O Prof. Léo Moulin, agnóstico ou ateu belga, reconhece a benéfica influência do Cristianismo e, em especial, da Regra de São Bento na evolução da cultura e da civilização.

Mostra como a Regra de São Bento, legislando para os monges, fez transbordar sobre toda a sociedade medieval e posterior certos princípios de disciplina, diligência e ordem no trabalho, que propiciaram a criação de grandes empresas industriais e culturais. São Bento, aliás, hauriu das Escrituras Sagradas a sua mentalidade; ora a Bíblia incute ao homem certo otimismo em relação à natureza, obra de Deus Criador, que confiou ao casal humano o mandato de explorar e dominar as criaturas inferiores. A mesma fonte bíblica deu a saber ao homem que o universo foi criado com sabedoria e lógica; a própria razão humana, sendo dom de Deus, merece a confiança do homem; conscientes disto, os medievais cultivaram a inteligência, resultando daí grande número de Universidades e belas obras de arte (catedrais, especialmente), que supõem dinamismo, coragem e saber científico entre os homens da Idade Média. Esta, portanto, não foi o período obscuro do qual sem o devido conhecimento de causa.

Costuma-se comentar a influência que o Calvinismo, fundado no século XVI, exerceu sobre o desenvolvimento comercial e econômico dos países que o adotaram. O senso religioso levou os calvinistas a se dedicarem “religiosamente” às suas atividades profissionais, donde resultou (em parte, ao menos) a rede colonial da Inglaterra e da Holanda.

Todavia é menos conhecida a influência sadia que a fé católica exerceu sobre os monges e as populações medievais em favor do progresso da civilização. Aliás, deve-se dizer que o Cristianismo, bem entendido e vivido, foi e será sempre um estímulo para a construção de um mundo mais humano, fraterno e, por conseguinte, mais feliz.

Invenções e Descobertas

A Idade Média ocidental ocupa lugar importante na história do desenvolvimento tecnológico, pois registrou uma série de invenções e descobertas que lhe dão preeminência sobre quanto ocorreu na mesma época fora do âmbito europeu. Sejam recordados: a bússola, as lentes de óculos, a roda com aros, o relógio mecânico com pesos e rodas (“invenção mais revolucionária do que a da pólvora e a da máquina a vapor”, conforme Ernst Junger), o canhão (em 1327), a caravela (em 1430), a própria imprensa, a ferradura de cavalo, que permite ao animal correr sobre terrenos inóspitos, os moinhos de água, de maré, de vento…

Isto tudo fez que o Ocidente se encontrasse em melhores condições de civilização do que outras partes do mundo no século XVI.

A Regra de São Bento

Antes de todas estas, houve outra grandiosa “invenção”, que é a Regra de São Bento (+ 547).¹ Nesta encontramos elementos necessários ao bom andamento de uma empresa moderna.

Com efeito. Além do Ora (Oração), São Bento ensina o valor e a sistematização do Labora (Trabalho). Imagina, sim, o seu discípulo como um operário (RB Prol 14) que trabalha com mãos e ferramentas na oficina do Mosteiro (RB 4, 75-78). O trabalho é essencial à identidade monástica, seja o manual, seja o intelectual, seja o artístico ou artesanal. No decorrer da Regra, São Bento ilustra as motivações do Labora:

– o trabalho corresponde a um gênero de vida pobre, que exige a labuta pessoal para poder manter-se; cf. RB 48,8;

– o trabalho é serviço à comunidade e aos hóspedes, a exemplo do que fez Cristo; cf. RB 48, 1-25; 53, 1-23;

– o trabalho é desenvolvimento dos talentos que Deus entregou ao homem e cuja aplicação ele vai julgar; cf. RB 4,75-77;

– o trabalho ajuda os pobres e evita a ociosidade, que é inimiga da alma; cf. RB 48,1.

São Bento quer que o trabalho seja executado “bem”, “com serenidade”, “sem tristeza” e “sem murmuração”; cf. RB 34,6; 35, 13; 40, 8s; 53, 18.

Trabalhar em comum é, para São Bento, um valor, tanto que os monges culpados de faltas graves são excomungados não só da oração e da refeição comunitárias, mas também do trabalho com os irmãos: “Que seja suspenso da mesa e do oratório o irmão culpado de faltas mais graves… Esteja sozinho no trabalho que lhe for determinado” (RB 25, 1.3).

A Regra de São Bento, portanto, formou os monges (e, consequentemente, a sociedade) no sentido da diligência e da disciplina do trabalho. De modo especial, ela incutiu (e incute) dois valores muito estimados no mundo industrial moderno:

– a pontualidade. São Bento não transige a respeito. Prevê sérias punições para quem chega atrasado à oração litúrgica ou ao refeitório (RB 43); ao sinal dado de madrugada, levantem-se todos sem demora (RB 22); quem recebe uma ordem, deve executá-la prontamente (RB 5);

– atenção ao que se faz. São Bento formula uma norma decisiva: “Controlar a todo momento os atos de sua própria vida. Actus vitae suae omni hora custodire” (RB 4,48). É preciso, pois, estar presente de corpo e alma àquilo que se faz, sejam grandes, sejam pequenas coisas. A Regra prevê punições leitura, à qual todos devem prestar atenção, de modo que ninguém converse e só se ouça a voz do leitor (RB 38, 5). Haja absoluta limpeza, especialmente na cozinha (RB 35,6-11). A perda ou a quebra de qualquer objeto durante o trabalho requer satisfação da parte de quem comete a falha (RB 46, 1-4).

São Bento também pede que os monges não se entristeçam se a necessidade do lugar ou a pobreza exigirem que se ocupem em trabalhos extraordinários, “porque então são verdadeiros monges se vivem do trabalho de suas mãos, como também os nossos Pais e os Apóstolos” (RB 48,8).

Estes princípios de ordem ascética, inspirados pelo amor à disciplina do Evangelho, contribuíam para que os mosteiros se tornassem grandes centros agrícolas e artesanais em toda a Idade Média, irradiando em torno de si amor ao trabalho, organização e método modelares para a posteridade. Essa sistemática não tinha em vista simplesmente produção e lucro materiais, mas era inspirada pelo espírito de fé e apoiada em razões monásticas. Assim, por exemplo, um texto do século XI explica por que foi adotado um moinho de água na comunidade: “…a fim de que os monges tenham mais tempo para dedicar-se à oração”.

Em seu afã de trabalhar para exercer disciplina e evitar a ociosidade (inimiga da alma), os monges dedicaram-se a quase todas as atividades produtivas: exploraram minas de carvão, salinas, metalurgia, marcenaria, construção… Assim, por exemplo, os monges cistercienses fabricaram fornos para produzir tijolos grandes, dotados de furos para facilitar a sua cozedura e manipulação; eram os chamados “tijolos de São Bernardo!. Montaram na Borgonha fábricas de telhas, que eles espalharam por diversas regiões.

Aliás, a própria Regra de São Bento pede que o mosteiro tenha em suas dependências tudo de que necessita para viver: “Seja o mosteiro construído de tal modo que todas as coisas necessárias, isto é, água moinho, horta e os diversos ofícios se exerçam dentro do mosteiro, para que não haja necessidade de que os monges vagueiem fora, pois de nenhum modo isto convém às suas almas” (RB 66,6s). Ora esta norma da Regra não podia deixar de ser forte estímulo para a criatividade dos monges. O capítulo 57 da mesma Regra trata dos artesãos que, com a autorização e a bênção do Abade, trabalham no mosteiro como monges, e pede que os preços dos respectivos artefatos sejam mais baixos do que os preços do comércio de fora: “Quanto aos preços, não se insinue o mal de avareza, mas venda-se sempre um pouco mais barato do que pode ser vendido pelos seculares, para que em tudo seja Deus glorificado” (RB 57, 7-9).

Sabemos ainda que em 1215 os maiorais da Inglaterra, tanto leigos quanto clérigos, obtiveram do rei João sem Terra o reconhecimento da Magna Carta (Libertatum), Grande Carta das Liberdades, que promulgava direitos da população e que se tornou o fundamento da Constituição liberal da Inglaterra e o embrião dos posteriores sistemas políticos parlamentares. Ora, um século antes disto, em 1115 a Ordem Cisterciense¹ concebera o sistema de governo mais prático que se conhece: o Capitulum Generale (Capítulo Geral), assembleia internacional da qual fazem parte representantes de todos os mosteiros e dotada de poder legislativo. A instituição do Capitulum Generale foi adotada por Ordens e Congregações Religiosas posteriores e tornou-se modelo para o regime de muitas sociedades de caráter internacional.

É preciso ainda apontar duas características da mentalidade medieval, de grande importância na história subsequente.

Duas notas marcantes

Confiança na razão

Para os medievais, o mundo era obra de um Deus sábio e lógico, distinto do próprio mundo (em oposição a todo panteísmo). Por conseguinte, o mundo lhes aparecia como algo que pode ser conhecido pelo homem mediante a sua razão; não é um fantasma nem uma armadilha. Dizia no século XII o teólogo francês Guilherme de Conches: “Deus respeita as próprias leis”. E no século seguinte Santo Alberto Magno (+ 1280) afirmava: “Natura est ratio. A natureza é a razão ou é racional”. Em consequência, os estudiosos medievais se aplicaram ao raciocínio e à pesquisa (como a podiam realizar na sua época) com plena confiança no acume da razão, sem, porém, cair no racionalismo, pois acima da razão admitiam as luzes e as verdades da fé…

Um dos exemplos mais clássicos desse tipo de estudiosos é o inglês Rogério Bacon (1214-1294), chamado “Doutor Admirável”. Ingressou na Ordem dos Franciscanos em 1257 e pôs-se a comentar as obras de Aristóteles. Posteriormente dedicou-se à pesquisa científica, recorrendo a um método experimental, que foi precursor do método adotado por Francis Bacon (1561-1626); assim procedendo, fez descobertas no setor da ótica. Planejou diversas invenções mecânicas: máquinas a vapor, barcos máquinas voadores… Em seus escritos encontrou-se uma fórmula da pólvora, que ele pode ter tomado dos árabes numa época em que os europeus quase não a conheciam. Deixou obras famosas: Opus Maius, Opus Minus e Opus Tertium.

Os resultados dessa confiança dos medievais na razão humana fizeram-se sentir nos séculos subsequentes: em 1608 contavam-se mais de cem Universidades na Europa e nenhuma no resto do mundo (exceto na América Latina, onde os espanhóis expandiam a sua cultura). Dessas Universidades, mais de oitenta tiveram origem na Idade Média, como genuína expressão da cultura medieval. Diz-se com razão que as Universidades e as catedrais exprimem autenticamente a Idade Média; na verdade, os medievais atingiram o primado mundial de altura de cúpula na catedral de Amiens (1221), com 42,30 metros, mede 142 metros de altura: só foi ultrapassada pela Torre Eiffel de Paris em 1889, com 320 metros.

Dinamismo

A Escritura Sagrada transmite aos seus leitores uma atitude dinâmica em relação ao universo que os cerca. Logo em suas primeiras páginas formula o desígnio divino: “Façamos o homem à nossa imagem, como nossa semelhança; domine sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra” (Gn 1, 26). E após a criação do homem se lê a ordem divina: “Enchei a terra e submetei-a; dominai sobre os peixes do mar, as aves do céu e todos os animais que rastejam sobre a terra” (Gn 1, 28).

O salmo 8, por sua vez, canta o poder do homem sobre os seres que o cercam:

“Que é o homem para que dele te recordes?… e o filho do homem, para que dele tenhas cuidado? Não obstante, Tu o fizeste um pouco inferior aos anjos…e lhes deste poder sobre as obras de tuas mãos, tudo colocaste debaixo dos seus pés”.

No Novo Testamento lê-se que Cristo, ao encerrar sua missão pública, mandou aos apóstolos que fossem pregar o Evangelho no mundo inteiro; cf. Mt 28, 18-20.

Por conseguinte, a atitude do esforço, da luta, do empreendimento, da resposta ao desafio…é muito familiar ao cristão. Pode-se dizer que foram os cristãos que realizaram os progressos da ciência (tenha-se em vista o mundo ocidental comparado com o oriental ou asiático e africano!), as grande aventuras da conquista intelectual, econômica, marítima… Foram otimistas e dinâmicos, conseguindo belos e valiosos resultados.

Estas poucas observações são suficientes para percebermos a notável contribuição do Cristianismo para o avanço da cultura, da ciência e da civilização… na história da humanidade. E, dentro do Cristianismo, merece certamente relevo especial o monaquismo ocidental tal como São Bento (+ 547) o concebeu e a Ordem Cisterciense, com São Bernardo à frente, o desenvolveu.

¹ Citaremos a Regra de São Bento usando a sigla RB; os números seguintes indicarão respectivamente capítulo e versículo(s). A abreviatura Prol significa Prólogo.

É de notar que não sem motivo o Papa Paulo VI em 1964 declarou São Bento “Patrono do Ocidente”. Este deve muitos dos seus valores aos escritos e à obra de São Bento.

¹Cisterciense é o monge Cister; segue a Regra de São Bento tal como foi entendida pelos reformadores de Cister, entre os quais está São Bernardo de Claraval (+ 1153).

Via Professor Felipe Aquino

Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”
D. Estevão Bettencourt, osb
Nº 347 – Ano – 1991 – p. 177

Nas colinas da Galiléia, a região exuberante da Terra Santa onde Jesus Cristo cresceu, os moradores da cidade de Jish são parte da pequena comunidade que ainda preserva a língua que Jesus falava.

Eles fazem parte de um esforço heroico para manter viva uma tradição prestes a desaparecer do Oriente Médio. “Ainda me emociona muito quando escuto aramaico”, disse a professora de jardim de infância Neveen Elias. “Quando rezo em aramaico, sinto que estou muito perto de Jesus”.

Os cristãos maronitas de Jish celebram parte da liturgia em aramaico durante as missas na Igreja de São Maroun, o nome do monge do século V que fundou o movimento maronita. O movimento milenar ainda possui congregações no Líbano e na Síria. No alto do templo, há uma inscrição do Pai Nosso em aramaico, um lembrete de como ela pode ter sido originalmente.

Jish, que fica a poucos quilômetros ao sul da fronteira de Israel com o Líbano, é uma cidade de 3 mil habitantes, onde 60% da população é cristã, algo muito raro na região. O restante é muçulmano.

Não é uma língua morta

Shadi Khalloul é o homem por trás deste “avivamento” do aramaico. Ele diz que se lembra como era mais comum ouvir o idioma durante sua infância. Seu entendimento mudou quando ele foi estudar Teologia numa Universidade dos Estados Unidos.

“Meu professor Certo dia nos disse que Jesus falava aramaico, um idioma que desapareceu. Aquilo me deixou ofendido. Imediatamente levantei minha mão e disse: Professor, essa a linguagem ainda existe. Nós ainda a falamos e rezamos nela”.

Khalloul disse que não culpa o professor por pensar que o aramaico estava morto. “Talvez a culpa é das pessoas que ainda falam essa língua, pois não mostramos ao mundo que o aramaico ainda está vivo e sendo usado”.

Quando voltou para Jish, 10 anos atrás, Khalloul decidiu fazer sua missão de vida um resgate do aramaico. O ex-capitão do exército israelense fundou a Associação Aramaica Cristã Israelense.

Ele abriu uma escola em Jish, onde a nova geração pode aprender a língua. Atualmente, cerca de 120 crianças recebem aulas do idioma todas as semanas.

Ele diz que essa tradição está se perdendo entre os maronitas espalhados pelo mundo. Há grandes comunidades de maronitas na Suécia, no Brasil, na Argentina e no Canadá. Cerca de 11.000 deles vivendo atualmente em Israel.

As únicas exceções são a aldeia de Beit Jala, cidade na região de Belém, – onde Jesus nasceu – que está sob governo da Autoridade Palestina e a aldeia de Maaloula, na Síria, mas ali quase toda a população foi expulsa pelo Estado Islâmico.

O sonho de Khalloul é estabelecer uma cidade em Israel, onde todos falem o aramaico e possam “preservar sua língua e sua identidade”. Apenas duas famílias na pequena Jish falam o idioma em casa: a sua e a do seu irmão.

Eles já fizeram um pedido ao governo israelense, e disseram que a resposta foi positiva, mas não há previsão de quando isso deve ocorrer. 

Fonte:  CBC

A rede televisiva norte-americana ABC apresentou uma breve matéria com imagens do Instituto italiano Luce – Cinecittà, captadas na década de 1930.

As cenas mostram a dificuldade e os perigos que eram encarados pelos “sanpietrini”, trabalhadores e artesãos quase “acróbatas” que, por devoção, preparavam a iluminação exterior da Basílica de São Pedro, no Vaticano, para o Natal. Eram acesas cerca de 900 tochas e 5000 lanternas!

O resultado? Um espetáculo de luz e acolhimento!

Confira as imagens no seguinte vídeo, postado no YouTube pelo blog Senza Pagare

Cientistas que investigam o lugar onde se encontra o túmulo para onde Jesus Cristo teria sido levado após sua crucificação,  em Jerusalém, comprovaram que os materiais de construção utilizados são do século IV — mais precisamente, de 326. Isso confirma crenças antigas de que os romanos construíram o monumento três séculos depois da morte de Jesus, afirmou nesta terça-feira um especialista que participou do estudo. Até então, apenas materiais de 1.000 anos atrás, quando o túmulo foi destruído e teve de ser reconstruído, haviam sido encontrados.

O estudo não oferece nenhuma evidência de que Jesus está ou não enterrado nesse local de Jerusalém, como prega a tradição cristã, mas ratifica a crença histórica de que os romanos foram os responsáveis pela construção do monumento, no local onde se acreditava que Jesus havia sido enterrado, durante o reinado de Constantino, o primeiro imperador a se converter ao cristianismo.

“É uma descoberta muito importante porque confirma que foi Constantino, como afirmam as evidências históricas, o responsável por ter coberto o leito de rocha do túmulo de Cristo com as lousas de mármore do santuário”, afirmou Antonia Moropoulou, especialista em preservação da Universidade Técnica Nacional de Atenas, na Grécia, e coordenadora científica dos trabalhos de restauração.

É a primeira vez que se realiza esse tipo de estudo no local, que fica onde hoje é a Basílica do Santo Sepulcro, no interior de um santuário construído depois. A análise dos componentes da argamassa do local foi feita no âmbito de novos trabalhos de restauração do monumento — motivo pelo qual os cientistas decidiram abrir o lugar onde Jesus foi enterrado, pela primeira vez em muitos séculos.

A datação da argamassa mostra a continuidade histórica do lugar, desde a era bizantina, passando pelas Cruzadas e pelo período de antes e depois do Renascimento. Segundo as crenças tradicionais, Constantino construiu o monumento para Jesus no local onde se acreditava que ele foi enterrado, no início da transição do Império Romano do paganismo para o cristianismo, no século IV de nossa era. Outros monumentos foram construídos depois sobre o lugar.

Um projeto sem precedentes, assim é o Museu da Bíblia que neste mês de novembro abriu suas portas em Washington, e é considerado um dos maiores do mundo com 40 mil metros quadrados e 8 andares. Quase três anos de trabalhos foi o que demoraram seus promotores para entregar um completo museu dedicado às Sagradas Escrituras.

No evento de inauguração esteve presente o Cardeal Donald Wurel, Arcebispo de Washington, que em nome do Santo Padre Francisco saudou aos presentes, e destacou esta significativa instituição cultural que inspirará e iluminará a vida das pessoas através de sua extensa coleção e suas exibições.”Temos trabalhado para convertê-lo em um dos melhores museus do mundo. Queremos que os visitantes saiam com duas ideias. A primeira é ‘Vá! É o museu mais incrível que visitei’; e a segunda é, ‘depois desta visita quiçá deveria conhecer melhor a Bíblia'”, disse Tony Zeiss, Diretor Executivo do Museu, durante sua inauguração.

Situado a poucas quadras do Capitólio, o novo Museu da Bíblia tem por objetivo dar a conhecer as várias nuances das Sagradas Escrituras, que continua sendo a obra mais vendida e mais lida no mundo. Para isso estão distribuídas nos 8 andares diferentes salas temáticas para contar a história dos livros sagrados com ajuda da multimídia e tecnologias de ponta.

Os três primeiros andares estão dedicados inteiramente à história, narração e impacto da Bíblia no mundo, nos outros se distribuem espaços para exposições, bibliotecas, museus, galerias, também há laboratórios de pesquisa, uma zona especial para que as crianças se aproximem das leituras sagradas por meio de jogos interativos, algumas aulas, um grande teatro, e também um restaurante, além de um jardim bíblico.


Entre as coleções que podem ser visitadas no museu, se pode apreciar uma muito completa de manuscritos, com a presença de antigos textos bíblicos, textos judeus, manuscritos medievais, as primeiras Bíblias impressas, Bíblias artesanais, entre outros.”O Museu é um convite para conhecer melhor a Bíblia, mas de um modo muito divertido. É algo totalmente novo. Convidamos a todos para visitar-nos. Lhes asseguro que não lhes decepcionaremos”, indicou Cary Summers, presidente do Museu.

Das exibições temporais, atualmente está uma com vários tesouros dos Museus Vaticanos e a Biblioteca Vaticana; outra sobre descobrimentos arqueológicos de Israel, e uma sobre prestigiosos manuscritos sobre o Natal que datam do século XV e são parte de uma coleção da Biblioteca Estatal da Baviera.

A edificação também acolherá exposições itinerantes da ‘American Bible Society’, que participaram de maneira ativa no projeto do museu, que foi financiado em sua totalidade pela iniciativa privada, que ofereceu 500 milhões de dólares para sua realização. A construção, que contou com o apoio de mais de 550 engenheiros e arquitetos, se realizou sobre um antigo armazém de refrigeração que havia sido edificado em 1922. (EPC)

gaudiumpress.org, no link http://www.gaudiumpress.org/content/91462#ixzz4zU1hb44v 
 

“É aqui mesmo!”: Essa foi a exclamação de cientistas ao abrirem  o Santo Sepulcro de Jesus Cristo, que voltou a ver a luz após mais de cinco séculos.

Pela primeira vez em quase dois milênios, cientistas puderam entrar em contato com a pedra original sobre a qual foi depositado o Santíssimo Corpo de nosso Divino Salvador envolvido em panos mortuários, dos quais o mais famoso é o Santo Sudário de Turim.

Essa sagrada pedra se encontra na igreja do Santo Sepulcro, na parte velha de Jerusalém, e está coberta por uma lápide de mármore que data pelo menos do ano 1555, ou quiçá de séculos anteriores.

“O que achamos é surpreendente”, explicou o arqueólogo Fredrik Hiebert, da National Geographic Society”. “Passei um tempo na tumba do faraó egípcio Tutancâmon, mas isto é mais importante”, afirmou.

Até hoje não havia gravuras desse leito de rocha calcária, o qual, a fortiori, nunca foi fotografado ou objeto de quadro ou outra representação.

Não existia pessoa alguma que o tivesse visto. Tudo o que se possuía eram realizações artísticas mais ou menos imaginárias.

O Santo Sepulcro foi aberto aos cientistas durante 60 horas nos dias 26, 27 e 28 de outubro de 2016, e depois voltou a ser lacrado e devolvido a seu estado anterior.

Os especialistas abriram uma janela retangular em uma das paredes da edícula, através da qual os peregrinos podem observar a pedra da parede da tumba de Nosso Senhor Jesus Cristo.

De onde provém esse túmulo?

O túmulo já existia antes da crucificação de Jesus Cristo e pertencia a José de Arimateia, que o mandara cavar para si, mas que o cedeu para nele ser depositado o Santíssimo Redentor, de quem era secretamente discípulo.

Senador e membro do Sinédrio — o colégio dos mais altos magistrados religiosos do povo judeu —, Arimateia foi também um rico comerciante, dono de uma frota de navios cujos negócios iam até a atual Grã-Bretanha.

Ele obteve de Pilatos a libertação do corpo e cobriu as elevadas despesas de sua preparação, oferecendo até o linho, que é hoje venerado na cidade italiana de Turim: o Santo Sudário.

Em represália por essa generosidade, o Sinédrio mandou persegui-lo e expropriá-lo de suas posses. Abandonado por amigos e familiares, após passar 13 anos no cárcere, José de Arimateia foi libertado pelo novo governador romano Tibério Alexandre.

Assim, reconstituiu sua fortuna e passou a usá-la para a difusão da fé.

Falecido em plena atividade evangelizadora, ele foi o exemplo perfeito do homem abastado que utiliza seus bens para melhor servir o Redentor e sua obra, ao contrário do “moço rico” do Evangelho, que recusou o chamado de Cristo por amor às riquezas.

No Ocidente sua festa litúrgica é celebrada em 17 de março, e no Oriente em 31 de julho.

São Marcos escreveu que era um “ilustre membro do conselho, que também esperava o Reino de Deus; ele foi resoluto à presença de Pilatos e pediu o corpo de Jesus” (São Marcos, 15, 43). São Mateus, ao descrevê-lo, assinala ser um homem rico, discípulo de Jesus.

Peripécias históricas desconcertantes

Os evangelistas nos dão uma ideia do túmulo onde transcorreu a Ressurreição e indicam o local. Porém, o Santo Sepulcro, após a Paixão de Nosso Senhor, correu graves riscos de desaparecimento.

Por isso, podemos considerar sua preservação um milagre histórico.

Jerusalém foi destruída no ano 70 d.C., após feroz guerra, e seus habitantes se dispersaram.

Em 131, o Imperador romano Adriano mandou construir sobre suas ruínas uma cidade pagã de nome Élia Capitolina, para cuja edificação se empreenderam obras de terraplenagem imensas que soterraram a sepultura de Jesus.

Sobre ela teria sido erigido um templo dedicado a Vênus (Afrodite para os gregos), deusa da sensualidade. Enquanto isso, os cristãos padeciam as perseguições.

Em 313, o Imperador Constantino encerrou as perseguições aos cristãos. Treze anos depois, sua mãe, Santa Helena, visitou Jerusalém em busca das relíquias da Paixão, e identificou o local da crucificação (o Gólgota) e a cova chamada Anastasis (“ressurreição”, em grego).

O Imperador autorizou a construção de um santuário que substituiria o templo de Vênus, o qual ficou conhecido como basílica do Santo Sepulcro. Eusébio (265–339), bispo de Cesareia e pai da História da Igreja, registrou esses fatos.

Em 614, a igreja de Constantino foi gravemente danificada pelos persas sassânidas, pagãos que pilharam Jerusalém e arruinaram a basílica.

Ela foi reconstruída por Heráclio, Imperador de Constantinopla, que reconquistou a cidade. Mas estava longe de terminar a sucessão de invasões, restaurações, depredações e guerras.

Em 638, toda a Palestina foi ocupada pelos invasores muçulmanos. Três séculos depois, em 966, as portas e o telhado da igreja arderam durante distúrbios.

Em 1009, o califa fatímida Al-Hakim ordenou a destruição de todas as igrejas cristãs de Jerusalém, incluindo o Santo Sepulcro. Só restaram os pilares do templo da época de Constantino.

A notícia dessa destruição foi decisiva para inspirar o movimento das Cruzadas.

O califa Ali az-Zahir, sucessor de Al-Hakim, permitiu que o Imperador de Bizâncio, Constantino IX Monômaco, e Nicéforo, Patriarca de Jerusalém, reconstruíssem e redecorassem a igreja.

Foi essa a igreja que os cruzados encontraram em 1099, ao entrarem em Jerusalém. Eles a ampliaram e reconsagraram em 1149.

No essencial, é a que existe atualmente.

Em 1187, o caudilho islâmico Saladino voltou a invadir a cidade, mas proibiu a destruição dos edifícios religiosos cristãos.

No século XIV, o local passou a ser administrado por monges católicos e cismáticos gregos, aos quais se somaram outras denominações religiosas.

Nos séculos seguintes foram feitas diversas restaurações, destacando-se a de 1810, por iniciativa britânica, após um grande incêndio, e as ocorridas entre 1863 e 1868.

Em 1927, mais um abalo sísmico causou importantes estragos à estrutura da igreja.

Dúvidas sobre a autenticidade do Sepulcro?

Durante a restauração de 1810 foi erigida sobre o Santo Sepulcro uma estrutura conhecida como edícula (do latim aedicule, ou “casinha”), a qual estava há tempos exigindo outra restauração.

Mas os responsáveis por ela não conseguiam chegar a algum acordo “ecumenicamente” porque vivem em perpétuo desentendimento.

Por fim, a Autoridade das Antiguidades de Israel impôs a reforma, sob pena de fechamento.

A empreitada foi entregue a uma equipe de cientistas da Universidade Técnica Nacional de Atenas, dirigida pela supervisora-chefe, Profa. Antonia Moropoulou. Essa equipe já havia restaurado a Acrópole de Atenas e a catedral de Santa Sofia, em Istambul.

Um trabalho metódico exigia a análise da base geológica sobre a qual a edícula se apoia. Mas essa base é a própria rocha em que foi aberta a câmara mortuária onde transcorreu a Ressurreição.

E o fato de milhões de peregrinos passarem ao longo dos séculos sobre o Santo Sepulcro poderia ter alterado a resistência da rocha.

Era prudente, necessário e útil fazer uma vistoria do local. Mas, se era para abrir o Sepulcro, dever-se-ia aplicar nele tudo aquilo que a tecnologia possui de melhor, a fim de colher a maior quantidade de dados científicos possível.  

“Nós estamos no momento crítico de restaurar a edícula”, explicou a Profa. Moropoulou. “A tecnologia que estamos usando para documentar este monumento único permitirá que o mundo inteiro estude nossos achados como se ele próprio tivesse entrado na tumba de Cristo”.

Acontece que, além da Tradição e de documentos muito antigos, a única fonte atestando que ali se localizava o Santo Sepulcro era o testemunho de Santa Helena, que recuperou o túmulo em 326, há quase 1.800 anos.

E não faltava o zum-zum dos incrédulos, sofismando que tudo não passava de uma superstição religiosa, e que lá embaixo não havia nada, ou apenas algum túmulo de outrem.

O que acharam?

Especialistas acreditavam que o túmulo pudesse ter sido destruído entre tantas ocorrências históricas. Porém, uma varredura inicial de radar mostrou que a cova, de 1,28 metros de profundidade, estava íntegra.

Complicava o juízo o fato de que as varreduras feitas em toda a igreja detectaram pelo menos mais seis covas funerárias.

Nada que causasse surpresa, pois no tempo da Paixão o local fora um cemitério, que os Evangelhos se referem com o nome de “Gólgota”, que significa “monte das caveiras”.

Porém, só uma das covas detectadas coincidia com o local apontado como sendo o Santo Sepulcro: debaixo da edícula.

Os especialistas removeram em primeiro lugar a grande peça de mármore onde os fiéis rezam, depositam flores e votos. Debaixo dela havia uma camada de entulho sobre a qual pousava a placa.

Após a remoção do entulho, foi identificada uma lápide rachada ao meio, com uma cruz entalhada. O último a ver essa placa de mármore viveu por volta de seis séculos atrás.

O arqueólogo Fredrik Hiebert explicou tratar-se de uma peça do século XII, da qual só se tinha notícia escrita.

Sua rachadura teria como finalidade, no caso de invasão muçulmana, mostrar aos saqueadores que a lápide não tinha valor comercial e com isso eles não continuassem a profaná-la.

Tudo concordava com o que se sabia sobre o Santo Sepulcro e os trabalhos prosseguiram. Debaixo da placa com a cruz havia ainda mais entulho, que foi cuidadosamente removido.

Por fim, a pedra sagrada original se revelou intacta ante os cientistas.

“Meus joelhos estão tremendo!”

“Estou absolutamente espantado. Meus joelhos estão tremendo, porque eu não imaginava ver isto”, disse o arqueólogo Hiebert.

“Esta é a Rocha Santa que vem sendo venerada há séculos, mas só agora pode realmente ser vista”, disse a Profa. Antonia Moropoulou, que liderou a restauração.

Os arqueólogos identificaram mais de mil túmulos semelhantes cortados na rocha ao redor de Jerusalém, explicou o arqueólogo Jodi Magness, da “National Geographic”.

Mas todos os detalhes do Santo Sepulcro são “perfeitamente consistentes com o que sabemos sobre como os judeus ricos sepultavam seus mortos no tempo de Jesus”, sublinhou Magness.

De acordo com o que Dan Bahat, ex-arqueólogo da cidade de Jerusalém, disse do local onde Jesus foi sepultado, “certamente não há outro lugar do qual se possa afirmar com tanta forca, portanto nós realmente não temos nenhuma razão para rejeitar sua autenticidade”.

Para o cético jornal “The New York Times”, a única prova de que aquele era o túmulo de Jesus consistia no fato de ele ter cativado durante séculos a imaginação de milhões de pessoas.

Mas, acrescenta, agora “nós vemos com nossos próprios olhos o local onde Jesus Cristo foi enterrado”.

O incrédulo jornalista desse diário americano foi um dos poucos convidados a “ver com seus olhos” a pedra sobre a qual repousou o Corpo Santíssimo de Jesus Cristo antes da Ressurreição.

Ele ficou impressionado pela sua pobreza: simples pedra calcária, lisa e sem adornos, com uma rachadura no meio. Tudo isso sob o bruxuleio das velas que iluminavam naquele momento o minúsculo vão.

Mistérios na abertura do Sepulcro de Cristo

Alguns arqueólogos que trabalharam na abertura do Santo Sepulcro disseram ter percebido fenômenos não habituais.

Relataram, por exemplo, que ao se aproximarem da pedra original sobre a qual repousou o corpo de Cristo ungido por sua Santa Mãe, perceberam um “aroma suave”.

Este seria comparável aos perfumes florais que também foram relatados em aparições de Nossa Senhora ou de santos.

Também os aparelhos eletrônicos ligados sobre o Santo Sepulcro começaram a funcionar mal ou pararam completamente, como se fossem afetados por forças eletromagnéticas não identificadas.

Marie-Armelle Beaulieu, chefe de redação da “Terre Sainte Magazine”, revista da Custódia Franciscana da Terra Santa, foi uma das poucas pessoas a terem licença para visitar o sagrado túmulo aberto.

Ela se mostrou cética quanto ao “odor suave”, dizendo que o mesmo pode ser resultado de uma autossugestão.

Porém, durante a abertura do sepulcro em 1809, que foi parcial e esteve a cargo do arquiteto Nikolaos Komnenos, o cronista da época também mencionou um “doce aroma”.

Marie-Armelle foi bem menos cética a respeito das perturbações eletromagnéticas no instrumental científico.

Os cientistas imaginavam que a pedra estivesse em um nível muito mais baixo.

As análises que induziram a esse erro teriam sofrido distorções, provocadas pelas perturbações eletromagnéticas do sepulcro de Cristo.

A diretora das obras, Profa. Antonia Moropoulou, afirmou taxativamente que é difícil um profissional relevante colocar sua própria reputação em risco procurando notoriedade com um “truque publicitário”. Esse profissional não deturparia fatos acontecidos durante uma atividade dessa relevância, tão sujeita à crítica de numerosos outros cientistas.

Milagre diante do qual todo joelho se dobra

Marie-Armelle se referiu aos imponderáveis sobrenaturais do local, dizendo: “Para mim, seria extraordinário se os peritos conseguissem demonstrar que esta pedra foi mesmo o local em que se colocou o corpo de Cristo, mas, mesmo que eles provassem o contrário, ela ainda continuaria sendo um sinal da Ressurreição”.

E explicou a razão de sua aparente contradição: “A igreja do Santo Sepulcro é um local desconcertante. No começo, eu não gostava muito dela. Esperava uma igreja linda e achei uma arquitetura estranha, que não lembra em nada as cenas bíblicas.

“Mas, com o tempo, fui desenvolvendo um apego durante as procissões. Não é um lugar para visitar, mas para orar. Eu pude entrar até a rocha que sustentou o corpo de Cristo, algo que nunca teria imaginado!

“Senti-me num estado estranho, como que sem gravidade, mas me lembro de todos os detalhes. Nunca mais irei ao Santo Sepulcro da mesma forma”.

E prossegue: “Eu tinha o costume de fazer uma genuflexão diante do túmulo de Cristo, mas depois refleti e achei que isso é absurdo, porque lá não há mais nenhuma Presença real!

“É diante da sagrada Eucaristia que devemos fazer a genuflexão! Mas, no Santo Sepulcro, diante desse túmulo, a gente sente uma ‘Ausência real’. Um túmulo vazio! Um milagre diante do qual todo joelho se dobra, no Céu, na Terra e nos infernos”comentou.

Hiebert disse que quando os arqueólogos descobriram a segunda laje com a Cruz gravada pelos Cruzados, tiveram uma surpresa:

“O santuário foi tantas vezes destruído por incêndios, terremotos e invasões ao longo dos séculos. Na verdade, nós nem tínhamos certeza se a basílica havia sido reconstruída exatamente no mesmo local cada vez. 

“Mas [a laje dos Cruzados] se apresenta como a prova visível de que o local focado pelo culto dos fiéis hoje é verdadeiramente o mesmo túmulo que o Imperador romano Constantino localizou no século IV e que os Cruzados reverenciaram.

“É surpreendente. Quando nos demos conta daquilo que tínhamos encontrado, meus joelhos tremeram”, acrescentou.

Para coletar toda a informação possível, os cientistas usaram radares que perpassam o solo, como também scanners térmicos.

Atuaram nessa função 35 especialistas em conservação de antiguidades, que empregaram 60 horas de trabalho, documentando cada passo. Eles chegaram com certeza até a pedra que serviu de leito mortuário a Nosso Senhor.

Um túmulo vazio… “cheio da presença de Cristo”

Quando os instrumentos se desregularam ou pararam, o fato foi comunicado pela Profa. Moropoulou, chefe dos arqueólogos: “Lamentamos, mas nossos aparelhos foram atingidos. Eles não funcionam. Não posso dizer-lhes mais”.

Os aparelhos foram consertados, mas até hoje a falha permanece enigmática. “Há por vezes fatos que não se podem explicar. Mas aqui estamos num túmulo vivo, o túmulo de Cristo. Todo o mundo pode compreender que há fenômenos naturais que podem perturbar os campos eletromagnéticos”, disse ela.

“Mas é preciso simplesmente admitir que a força em que nós cremos e na qual pensamos também faz parte”, acrescentou.

A professora afastou qualquer ideia de algum exagero de fundo religioso em qualquer dos profissionais engajados no trabalho.

A inusual perturbação eletromagnética no Santo Sepulcro reforçou a hipótese científica de que no momento da Ressurreição o Corpo de Cristo teria emitido uma irradiação de tal intensidade, que os maiores equipamentos modernos não são capazes de reproduzir.

Após cinco anos de experiências em laboratório, uma equipe de cientistas da Agência Nacional da Itália para Novas Tecnologias, Energia e Desenvolvimento Econômico Sustentável (ENEA) calculou que para se obter a impressão da imagem do corpo de Cristo no Santo Sudário de Turim seria necessário um relâmpago luminoso de uma potência estimada em 34 trilhões de watts.

Numa comparação primária, isso equivale à energia gerada durante 20 minutos por Itaipu, disparada num só instante. Mas hoje não existe equipamento capaz disso.

E não havia energia elétrica em Jerusalém no tempo da Paixão.

A perturbadora irradiação constatada poderia ter sido um eco daquela formidável emanação acontecida há 2.000 anos na Ressurreição.

Marie-Armelle entrou no Santo Sepulcro quando os operários já tinham ido dormir. A energia elétrica estava desligada e ela iluminou o local com seu smartphone.

Mas primeiro quis certificar-se de que tudo estava perfeitamente vazio. A presença de alguma urna, vaso ou osso teria deposto contra a Ressurreição.

Tendo Cristo ressuscitado, nada ficou de seu sacrossanto Corpo, exceto os tecidos mortuários recolhidos pelos discípulos, como registram os Evangelhos.

EspiritualmenteMarie-Armelle levou um choque tremendo“Foi algo muito forte. Entrei e vi que não havia nada para ver. E nisso estava o extraordinário. Pedem-me que fale sobre o nada, porque não há nada para ver. E, entretanto, ali estava a presença de Jesus!”, concluiu.

Uma reflexão

É natural que uma emoção perpasse nossos corações de simples fiéis católicos ao ler esses fatos, os quais me remetem a oportunos comentários feitos durante uma conferência pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira sobre o tema.

Apresento-os aqui, de modo sintético e com algumas adaptações, à consideração do leitor:

“A ideia associada ao Santo Sepulcro é a de que Nosso Senhor Jesus Cristo — a suma perfeição, a suma bondade e a suma santidade — foi morto e ficou deitado nesse jazigo porque foi cometida uma injustiça tremenda, uma maldade horrorosa.

Mas esse local ficou como que perfumado pela passagem sacrossanta do corpo d’Ele. O Santo Sepulcro ficou impregnado de respeitabilidades e sacralidades por um processo misterioso de contágio do sagrado.

Pelo fato de o santíssimo cadáver d’Ele ter tocado no lugar, este ficou impregnado de uma respeitabilidade participante da d’Ele.

O sepulcro estava vazio, mas Ele tinha estado lá dentro. Portanto, ficou venerável num grau inimaginável.

No Santo Sepulcro de Nosso Senhor coexistem a majestade e a grandeza que resplandecem na Santa Face do Santo Sudário, acrescidas de uma ternura inimaginável, proporcionada àquela majestade!

É belo imaginarmos a noite da Ressurreição.

O Santo Sepulcro vai se preenchendo de anjos que portam sua luz.

Nessa luz, de repente, o cadáver de Jesus Cristo começa a se mexer, mas não é um brusco levantar-se. Aquele cadáver lívido vai retomando cores e o inimaginável ocorre.

Aquele que não podia morrer ressuscita!… Um acontecimento fantástico!

A ideia do Santo Sepulcro pisado, entregue aos maometanos, profanado, conspurcado, ilumina com beleza sobrenatural a necessidade de lutar para fazer cessar essa abominação, pela ponta da espada, se preciso.

Nasce assim o ideal de Cruzada, como todos já conhecem. A nobreza estava sendo preparada nos altos fornos da História, quando a Providência derramou sobre ela um condimento especial, que foi a graça da Cruzada: a guerra santa para a libertação do Santo Sepulcro de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Advieram então graças de fé, de amor de Deus, de elevação de alma, que comunicaram uma espécie de carisma imponderável às casas reais e à nobreza europeia.

A generalidade dos cruzados recebeu como num flashuma graça de ordem mística ordinária, mas muito sensível para perceber o caráter sagrado do Santo Sepulcro.

E essa graça, que lhes foi transmitida pelo Bem-aventurado Urbano II, o Papa da Cruzada, os levou a exclamar “Dieu le veut; Dieu le veut!” (“Deus o quer, Deus o quer”!)

Sob o impulso dessa graça, se armaram para empreender a Cruzada e empurraram o perigo árabe para longe.

O Santo Sepulcro convoca e assume todos os homens com a força de atração de um cadáver que não se encontrava nele! Jesus Cristo foi morto e enterrado numa tumba guardada por guardas romanos para impedir que alguém entrasse.

Mas, séculos depois, legiões de cavaleiros atravessam o mar, atraídos por esse sepulcro vazio há séculos!

Assim também, entre as cinzas quase frias da civilização cristã há, ainda hoje, uma brasa. Esta brasa são os católicos que como um vaso de fidelidade salvam a honra da Igreja, mudam a fisionomia dos acontecimentos e são uma garantia para o futuro.

Fazer parte de uma Cruzada, caminhando pelos areais imundos de nosso século à busca do Reino de Maria Santíssima, constitui uma glória não menor que a de um cruzado andando pelas areias quentes da Á­frica do Norte ou da ­Ásia à reconquista do Santo Sepulcro.

Essa consideração forma o herói e o batalhador: o católico autêntico e sem jaça”.

(via Ciência confirma Igreja)

Vivemos dentro de 1984, a distopia de George Orwell, em que o Ministério da Verdade controlava as informações sobre o passado para influenciar o futuro com suas mentiras. Nesse revisionismo histórico, o legado ocidental precisa ser pintado como uma sucessão de horrores perpetrados pelo grande vilão da humanidade: o homem branco cristão. Eis o denominador comum de toda a marcha das minorias oprimidas.

Um livro que pode ajudar a lançar luz sobre essa questão é The Evolution of the West, de Nick Spencer, do Instituto Theos. Com abordagem histórica, ele tenta mostrar como o cristianismo influenciou nossas instituições modernas, reconhecendo o lado bom e o lado ruim dessa influência.

Mas um fato é inquestionável: tal evolução é indissociável da principal religião de nossa civilização. Suas impressões digitais se encontram em todos os grandes marcos civilizatórios. Alguns tentam reescrever essa trajetória como um mar de obscurantismo, preconceito e superstição, mas tal visão é que parece extremamente preconceituosa e obscura.

A começar pela ideia de que antes do cristianismo o mundo antigo vivia num ambiente secular, de tolerância, com liberdade e igualdade. Na verdade, a religião era onipresente, e a família era tudo: a fonte básica de identidade, com os paterfamilias agindo como magistrados com poderes quase ilimitados. À medida que o mundo mudou de cidades-Estado para impérios, os laços sociais localizados se afrouxaram, num progresso lento, reduzindo o papel do primogênito e dando status de cidadão a todos os filhos, enfraquecendo o poder dos paterfamilias.

Essa individuação gradual, que não se deu numa linha reta, teve apoio na mensagem de Cristo, ao revelar que Deus está potencialmente presente em cada crente. Por um ato de fé em Jesus, cada um poderia ter acesso ao amor divino, uma mensagem igualitária que tornava menos relevante a figura aristocrática do intermediário. Pensar não era mais um privilégio da elite social, e passava a se associar não ao status, mas à humildade.

O cristianismo, segundo Spencer, trouxe a nova ideia revolucionária para a associação humana em que pessoas se uniam com base no desejo e no amor, não mais apenas pelo laço de sangue ou interesses materiais comuns. Pela primeira vez, os humanos – todos os humanos – tinham uma identidade pré-social, sendo alguém antes de ter algum papel relacional definido. A Igreja era inclusiva e universal como nada existente na Antiguidade.

Havia também o aspecto da interiorização do indivíduo, ilustrado pelos monastérios e na figura dos monges. O reconhecimento desse lado interior teve impacto nas leis. Ajudou a introduzir a ideia de intencionalidade no Direito Penal, julgando que o que a pessoa pretendia merecia atenção além do ato objetivamente praticado. Isso ajudou a criar vereditos com base em evidências.

Os direitos das mulheres, o cuidado dos pobres, a escravidão atenuada, a igualdade jurídica, a consciência: nada disso era uma realidade na época, e é altamente duvidoso que qualquer um deles fosse sequer desejado por aquelas pessoas. Mas as sementes que tinham sido semeadas pelo cristianismo não foram totalmente destruídas no caos social e político da Idade Média. E elas germinaram com o tempo, com suas raízes plantadas lá atrás.

O autor usa vários relatos, textos e leis que mostram como a tendência já apontava nessa direção. Quando, por exemplo, o Concílio de Narbona, em 1054, conclui que “Nenhum cristão deve matar outro cristão, pois quem mata outro cristão indubitavelmente derrama o sangue de Cristo”, isso era parte dessa ideia que foi se desenvolvendo até chegar ao código de conduta de cavaleiros, destacando a cortesia, a honra e o cavalheirismo. Poderia ser hipócrita até, mas sem dúvida era um tremendo avanço em relação ao ambiente de violência irrestrita que o precedeu.

Havia, nas guildas e cidades, a emergência de uma esfera legal de segurança que seria um dia chamada de “sociedade civil”. A lei passava a ser mais centralizada e estruturada. A influência cristã na linguagem, na literatura e na cultura ocidentais é evidente e inegável. Até mesmo Richard Dawkins, um dos “quatro cavaleiros” do neoateísmo militante, reconhece que é impossível apreciar a literatura inglesa sem mergulhar de alguma forma na Bíblia. Não conhecê-la, admitiu o cientista, é ser de certa forma um bárbaro.

O cristianismo e a Bíblia foram centrais na formação da Grã-Bretanha, que por sua vez foi o grande farol da civilização ocidental. Quando essa civilização esteve ameaçada durante a Segunda Guerra Mundial, Churchill e os ingleses em geral encararam a “cruzada” em defesa da civilização cristã como peça central da narrativa de mobilização no combate ao inimigo.

Há muito mais evidência da influência cristã e da Igreja nas principais instituições ocidentais. A Magna Carta, por exemplo, que completou 800 anos recentemente, teve participação direta da Igreja, e uma cláusula negociada com o rei João especificava o direito de a Igreja inglesa permanecer livre, com seus direitos garantidos. Não era, ainda, o império impessoal das leis, claro, pois os “livres” eram parte de uma elite. Mas era a semente do Bill of Rights, plantada com ajuda essencial do cristianismo.

Se, por um lado, a Igreja ajudou na ideia de direito divino do monarca, por outro lado ela foi fundamental para limitar tais direitos e impor um código de conduta mais justo. Em conjunto, as responsabilidades que o cristianismo colocou sobre o rei – justiça, paz, cuidado com os fracos, moral pessoal – apontam na direção de um monarca que foi colocado em uma ordem política cuja legitimidade de sua posição dependia, de alguma forma, do cumprimento desses deveres. Era uma realeza sob Deus, orientada, ainda que por esperança, para o bem comum do povo.

Há também um debate interessante sobre a participação cristã no próprio humanismo secular, ou ainda na formação do welfare State. Mas o ponto central já está claro: não dá para fingir que o Ocidente moderno não tem ligação umbilical com o cristianismo. E, se consideramos a civilização ocidental digna de admiração e do esforço de ser preservada, talvez seja interessante questionar se é mesmo viável mantê-la sem o arcabouço religioso e moral que lhe deu, desde sempre, sustentação.

Rodrigo Constantino, economista e jornalista, é presidente do Conselho do Instituto Liberal.

Historia-Europa

Minha avó paterna costumava soltar frases inteiras em italiano quando conversava entusiasmadamente. Seus filhos nascidos nos Estados Unidos lhe recordavam: “Mamãe, você está na América. Nós não falamos mais essa língua“.

No álbum de família, minha avó faz parte de uma narrativa que começa com imigrantes empobrecidos e avança rapidamente para a imagem de um dos seus filhos erguendo um carro, de tão forte que era. Sua irmã aparece em pose de estrela, num modesto maiô. Há fotos de um casamento e, de repente, o álbum revela uma forte mudança para o lado irlandês, à medida que as culturas iam se misturando.

A mobilidade ascendente faz uma breve aparição antes do baque financeiro. Uma breve recuperação permite belas cerimônias de batismos, casamentos e primeiras comunhões antes de um segundo desastre, quase aniquilador. Depois, o álbum perde o seu significado. Deixa de haver uma história porque não há mais coerência: apenas imagens formais, geralmente seguindo a tendência da época. Um carro aqui, um bolo ali, a próxima casa acolá.

A narrativa terminou porque a família, em sua essência, terminou. A própria palavra “família” deixou de ter significado para muitos de nós.

Nós não falamos mais essa língua”.

No entanto, aqueles que conseguiram se manter ligados a esta palavra e à linguagem do amor em que ela se enraíza construíram novas narrativas, sanaram-se e fortaleceram-se no paradoxo do sacrifício e do serviço a algo que é maior que nós e que nos torna plenos, livres e suficientemente destemidos para não desprezar o antigo dialeto, mas reaprendê-lo e reabraçá-lo.

Estes pensamentos me surgiram depois de ler esta descrição da Casa da História Européia, que me parece um álbum de família incoerente e morto:

“Os andares dedicados às atrocidades do século XX, a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais, são particularmente impressionantes. O visitante chega a essa parte da exposição no escuro, sentindo-se desorientado. É uma experiência física do estado mental de quem atravessa a impressionante exposição da Casa sobre o Holocausto.

Após essas imagens agitadoras, o último andar é realmente decepcionante. Ele é reservado a uma visão geral das instituições da União Europeia, como o Parlamento Europeu, o Conselho Europeu e a Comissão Europeia (…) Mas o mais notável nessa Casa é que, para ela, é como se a religião não existisse na Europa – e não só na atualidade: é como se a religião nunca tivesse existido nem impactado a história do continente”.

Sem o reconhecimento da sua história espiritual, esse museu de Bruxelas está dizendo, em essência, “Nós não falamos mais essa língua. E não queremos nenhuma ligação com as nossas raízes”.

Se for isso mesmo, se a Europa estiver mesmo empenhada em eliminar a língua e a memória da fé, então a sua narrativa chegará a um final rápido, deliberado e sem glória. A Europa se sepultará no túmulo “sustentável” que ela própria já está cavando.

Elizabeth Scalia

O usuário do YouTube EmperorTigerstar é bem conhecido por fazer animações cartográficos que explicam os acontecimentos históricos mundiais.

Ele já fez animações sobre a Guerra Civil Americana, as guerras mundiais e a expansão do Império Romano. Agora decidiu mostrar as mudanças geopolíticas na Europa e na Ásia Menor, desde o tempo da civilização Minoica, passando pelos impérios romano, Selêucida, Bizantino e Romano-Germânico, incluindo o Califado de Córdoba, até os dias atuais. Confira:

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À medida que as comunidades monásticas católicas evoluíam, desenvolveram-se vários jeitos de cortar o cabelo de um monge recém-iniciado.

Pode parecer uma discussão fútil, mas o cabelo é muitas vezes visto como o bem mais precioso de uma pessoa. Por exemplo, o cabelo era (e ainda é) usado como um indicador do status de uma pessoa, revelando o quão alto ela estava na hierarquia social. As perucas foram desenvolvidas pelos romanos para que penteados particulares pudessem ser facilmente feitos pelos ricos.

Em muitas culturas, a calvície era vista como algum tipo de defeito. Geralmente, os escravos eram raspados para distingui-los do resto da sociedade.

Nesse contexto, os monges queriam mostrar externamente o sacrifício que eles faziam ao abraçar a vida religiosa. Depois que um novo monge era autorizado a se juntar à comunidade, um dos primeiros rituais de iniciação era raspar o cabelo. Isso simbolizava sua renúncia ao mundo e deixava clara sua dedicação à vida religiosa.

Além disso, uma vez que a cabeça raspada era frequentemente associada a escravos, o monge careca tornava-se, da mesma forma, um “escravo” de Cristo.

Durante os primeiros séculos do monaquismo surgiu uma discussão sobre o tipo de corte (“tonsura”) que deveria ser feito. De acordo com a Enciclopédia Católica existiam três tipos diferentes, cada um ligado a um apóstolo específico:

 (1) o romano, ou o de São Pedro, quando a parte de cima da cabeça é raspada deixando apenas um círculo de cabelo em baixo e na frente;

 (2) o grego, ou de São Paulo, quando toda a cabeça é raspada;

 (3) o celta, ou de São João, quando apenas uma parte de cabelo é raspada na frente da cabeça.

O estilo celta de tonsura gerou controvérsias e foi banido no Sínodo de Whitby em 664. A tonsura romana prevaleceu e foi definida como padrão para as comunidades monásticas.

Isso pode ter acontecido por causa do simbolismo da tonsura romana, que representava a coroa de espinhos colocada na cabeça de Jesus. Além disso, alguns dos adversários da tonsura celta a associavam a Simão, o mago encontrado nos Atos dos Apóstolos.

Os estilos romano e grego ainda existem nos dias atuais e são adotados por várias comunidades religiosas da Igreja Católica.

Aleteia

bastilha

Afirmar que a Revolução Francesa perseguiu a religião não é de todo correto. Muitos que fazem essa afirmação supõem ou tentam fazer pensar que os revolucionários tinham os nobres planos de construir uma sociedade laica na qual os segmentos religiosos não tivessem privilégios nem fossem relevantes na vida pública. Não é esta a verdade objetiva.

O que os revolucionários realmente tentaram foi substituir as religiões históricas por uma “religião de Estado”, com suas próprias pretensões teológicas, funcionários, elites e privilégios, visando assegurar que os cidadãos se submetessem à lei não apenas no comportamento externo, mas inclusive na consciência e no coração. A lei é que seria “deus”.

Os Estados Gerais convocados por Luís XVI em 1789 se dividiam em três ordens: o clero, a nobreza e o “terceiro estado”. Os dois primeiros tinham 561 representantes em total (291 e 270, respectivamente), enquanto o terceiro estado, cujos representantes eram eleitos pelos franceses do sexo masculino, maiores de 25 anos e que pagassem impostos, contava com 578. O número não era tão importante, em tese, porque o rei desejava manter o voto por segmento e não por indivíduo. O objetivo da convocação era ajudar a monarquia a realizar reformas que melhorassem a situação geral do país, afundado na pobreza.

O clero não era um obstáculo para a política inicial de reformas. Os padres apoiavam as medidas propostas pelo terceiro estado para implantar a separação de poderes, a reunião frequente dos Estados Gerais, a sua supremacia na determinação dos impostos, o reconhecimento das liberdades individuais etc. Mas esse apoio às reformas não era mediante ações radicais: só um quarto dos membros do clero queria a ruptura da ordem vigente e a revolução democrática, enquanto a maioria dos padres defendia uma reforma paulatina e sem ruptura traumática. Apesar dessa atitude de moderação, a tomada da Bastilha em 14 de julho em 1789 e a posterior abolição dos privilégios feudais não foram fatos particularmente alarmantes para os bispos e sacerdotes, que estavam mais preocupados com os resultados da reforma constitucional iniciada por uma nova assembleia. A “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão” promulgou a liberdade religiosa, reservando ao Estado o poder de determinar quando as opiniões em matéria de credo eram incompatíveis com a lei.

Esta liberdade teórica, no entanto, teve escassa duração real. Em 12 de julho de 1790, estabeleceu-se a chamada “Igreja constitucional”, que, na prática, imposta por um rápido processo de fundamentalismo estatista, se tornou o único “credo” aceito pelas autoridades. Essa “igreja” tinha organização e funcionamento próprio, decidido pelo Estado. Os sacerdotes católicos foram pressionados a jurar fidelidade às novas normas estatais em matéria de religião e a se desligarem da obediência ao seu bispo e a Roma. Apesar da determinação do Papa Pio VI e da rebelião dos bispos perante a pressão estatal (só quatro cederam à nova ordem), muitos presbíteros, em especial no centro do país, se uniram à “igreja laica” e viraram comissários políticos do Estado em matéria religiosa. A criação desta “igreja” foi celebrada no Campo de Marte, com os oficiantes ataviados em vestes tricolores francesas.

A perseguição contra os católicos que não aceitaram esta situação foi brutal.

Os sacerdotes que se mantiveram católicos foram perseguidos, impedidos de celebrar sacramentos e de pregar e, a partir de 18 de março de 1793, se fossem presos em solo francês, deviam ser executados em menos de 24 horas. Muitos tiveram a pena de morte comutada por um destino tão pavoroso quanto, nas infectas e tristemente célebres prisões da Guiana Francesa.

Ao mesmo tempo, foi cortada a comunicação entre os católicos franceses e o Papa, cujas cartas e documentos não podiam ser divulgados no país sem a aprovação prévia dos órgãos legislativos. A Igreja católica sofreu uma das piores perseguições da história. As crianças não podiam receber o batismo, nem a comunidade podia celebrar a Eucaristia. Só se conseguia oficiar algum sacramento na clandestinidade. Na Bretanha, região que registrou o maior número de sacerdotes contrários à nova “igreja” cismática, os fiéis se reuniam em barcas, longe da costa, ou no interior dos bosques. Aqueles que participavam dessas “reuniões ilegais” corriam o risco ser condenados à morte como inimigos do Estado. Na região bretã foram assassinados cerca de 120.000 católicos por motivos estritamente religiosos: tratava-se de mais de 15% da população.

Enquanto isso, as autoridades revolucionárias determinavam por decreto, sob os impulsos de Robespierre, a existência do “Ser Supremo” e a imortalidade da alma, instaurando a celebração de “festivais do Ser Supremo” a partir de 1794. Antes disso já tinham sido criados templos à “deusa Razão”, usando-se para tanto as igrejas e sinagogas. Em todo momento, o povo era induzido a ligar a sua consciência a uma série de normas políticas e morais ao gosto do poder – um gosto altamente variável e volúvel, diga-se de passagem.

Não foi o caso, portanto, de tentar eliminar a religião pura e simplesmente, nem de desbaratar os privilégios que de fato existiam para alguns setores do clero (e que de fato chegavam a ser extravagantes em certos casos). Foi o caso, isto sim, de um esforço estatal impositivo para transformar o Estado não apenas no máximo ditador da consciência individual, mas em objeto, ele próprio, de devoção pública.

Ainda hoje essas tentativas persistem, com outras estratégias e formatos – e é de extrema importância reconhecer as tentativas do Estado de ocupar o lugar da religião sob o disfarce abstrato e obscuro de uma indeterminada “cidadania” que se intromete no âmbito das consciências.

Marcelo López Cambronero

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Os ‘progressistas’ sexuais alegam que estão a dar início a um “admirável mundo novo” repleto de liberdade, mas a sua “nova” moralidade é tão antiga como as montanhas.

Quantas vezes já ouviram os progressistas sexuais alegarem que aqueles de nós que defendem a moralidade sexual e o casamento tradicionais estão “do lado errado da história”? Mas como ressalva um livro recente, são os proponentes da revolução sexual que estão a abraçar uma moralidade sexual que a história deixou para trás há milênios – nas ruínas do Fórum Romano.

Sim, a civilização ocidental está a atravessar por uma mudança cultural dramática; no espaço de alguns anos, a nossa sociedade mudou de forma fundamental o entendimento do casamento, abraçou a noção de que os homens podem transformar-se em mulheres, e está agora a promover a ideia de que homens adultos podem-se sentir à vontade para partilhar instalações sanitárias com jovens mulheres. Sem surpresa alguma, estamos também a observar esforços rumo à normalização da poligamia, pedofilia e incesto.

É precisamente em tempos como estes que devemos de ter algum tipo de perspectiva histórica. E é precisamente por isso que o livro do pastor luterano Matthew Rueger com o título de “Sexual Morality in a Christless World,” (abaixo) é cronologicamente apropriado. Nele, Rueger mostra como a moralidade sexual cristã agitou o mundo pagão da Roma antiga. As noções do amor compassivo, da castidade sexual, e da fidelidade marital eram estranhos, e até chocantes para o povo dessa época.

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Citando estudiosos atuais, Rueger detalha a visão sexual do mundo romano que durou centenas de anos. As mulheres e as crianças eram vistas como objetos sexuais; os escravos – homens e mulheres – poderiam esperar serem abusados sexualmente; a prostituição estava amplamente difundida; e o homossexualismo predatório era comum. A moralidade sexual cristã (que limita a atividade sexual para o casamento entre um homem e uma mulher com idade para gerar filhos e filhas, cuidar do lar e ensinar os mandamentos bíblicos à descendência) pode ter sido vista como repressiva para os licenciosos, mas ela era um dom de Deus para as vítimas.

Rueger escreve que: as alegações atuais de progressismo e avanços por via da aceitação de “visões sexuais dominantes em torno da sexualidade e do casamento [sic] homossexual” estão totalmente desinformadas… A visão contemporânea em torno da sexualidade nada mais é que um renascimento duma visão do mundo antiga e muito menos compassiva.

Mas ela é também o renascimento duma visão antiga e mais pobre do homem. Imaginem a reação duma escrava pagã romana que aprendia pela primeira vez que ela tinha valor – e não valor monetário como um bem para ser usado e descartado pelo dono – mas valor eterno visto que ela havia sido criada à imagem de Deus.

Ou imaginem a dor de consciência sentida por um marido romano infiel mal ele viesse a saber que Deus havia incarnado, tomado a forma dUm Homem, e que a maneira como ele cuidava do seu próprio corpo e do corpo dos outros era importante para Deus. Sem dúvida, que isto havia de ser importante.

Não podemos desviar o olhar e ignorar este renascimento profano da sexualidade pagã e da sua visão humilhante do ser humano. Mas também não podemos agitar as mãos temerosamente, ou desistir derrotados. Tal como Rueger salienta, Cristo e a Sua Igreja transformaram de maneira radical uma sexualidade mais cruel e mais caótica que a nossa.

Olhem para os crentes antigos que vieram antes de nós: Em vez de sucumbirem ou se acomodarem ao espírito da época, os novos convertidos da Igreja primitiva vieram a entender, tal como escreve Rueger, que

“a moralidade cristã fundamentava-se na pureza abrangente de Cristo e no amor auto-esvaziante… Os cristãos já não poderiam viver como os gregos ou como os romanos. A sua visão do mundo e a visão que eles tinham deles mesmos eram totalmente distintas. Eles agora eram um com Cristo, de coração e alma.”

Agora, escreve Rueger, a sua natureza distinta “não iria poupá-los do sofrimento, mas, sim convidar o sofrimento”. É totalmente claro que o mesmo se aplica a nós cristãos nos dias de hoje. Será que iremos dobrar os nossos joelhos a esta renascida sexualidade pagã, ou será que iremos disponibilizar a liberdade e o plano de Deus para a sexualidade humana para um mundo que desesperadamente necessita dele?

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Os limites que a civilização cristã colocou no comportamento sexual (colocando de lado a sexualidade pagã), resultaram em liberdade, enquanto que os comportamentos sexuais que a civilização pós-cristã está a promover sob a bandeira da “liberdade sexual”, irão ter como consequência a perda da liberdade.

“Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado. Ora o servo não fica para sempre em casa; o Filho fica para sempre. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.” – João 8:34-36

Publicado originalmente em CNS News – http://www.cnsnews.com