“Nós encontramos a marca de um selo do século VIII a.C. que deve ter sido feita pelo próprio profeta Isaías a apenas três metros de onde havíamos descoberto uma impressão de selo do rei Ezequias de Judá”

O profeta Isaías é um dos maiores profetas do Antigo Testamento. O nome Isaías significa “Deus ajuda” ou “Deus é auxílio” e viveu entre 765 a.C. e 681 a.C.

Numa visão do trono de Deus no Templo rodeado de serafins, um anjo lhe purificou os lábios com brasas ardentes enquanto a voz de Deus lhe ordenava levar Sua mensagem ao povo.

Em seu livro, incluído na Bíblia, Isaías é o profeta que mais fala sobre o Messias prometido, Nosso Senhor Jesus Cristo, descrevendo-o como “servo sofredor” que morreria pelos pecados da humanidade e como um príncipe soberano que governará com justiça.

O capítulo 53 profetiza nossa Redenção pelo Messias:

“Mas ele foi castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas iniquidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados graças às suas chagas”. (Is 53:5)

Ele também profetizou que Nosso Senhor nasceria de Maria Virgem:

“o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco [Emanuel]” (Is 7,14).

No Novo Testamento há centenas de citações ou referências às suas predições, fato reconhecido até por não católicos:

“O Livro de Isaías contém muitas referências diretas e indiretas ao Messias, chamando-O de ‘Renovo do Senhor’” (Is 4.2), “rebento do tronco de Jessé” (Is 11.1), “meu servo [de Deus]” (Is 42.1), e “o meu escolhido [de Deus], em quem a minha alma se compraz” (Is 42.1).

“A Palavra declara que Ele é o herdeiro por direito ao trono de Davi (Is 9.7; cf. Lc 1.32-33) e diz que Ele autenticará Seu papel como Messias ao curar os cegos, os surdos e os aleijados (Is 29.18; Is 35.5-6; cf. Mt 11.3-5; Lc 7.22).

“Ele também estabelecerá a Nova Aliança (Is 55.3-4; cf. Lc 22.20) e um dia estabelecerá um Reino Messiânico sobre o qual reinará e no qual será adorado (Is 9.7; Is 66.22-23; cf. Lc 1.32-33; Lc 22.18,29-30; Jo 18.36)”. (apud O Evangelho Segundo Isaías”)

Ele viveu no reino de Judá entre os séculos VIII e VII a.C., durante os reinados de Ozias, Jotão, Acaz e Ezequias. Também participou na defesa de Jerusalém cercada pelo rei assírio Senaqueribe.
Mas, só até agora, comemorou Eilat Mazar, pesquisadora do Instituto de Arqueologia da Universidade Hebraica de Jerusalém:Mas, fora desta enorme contribuição registrada na Bíblia que constata documentalmente sua existência, não se tinha evidências arqueológicas, portanto materiais, da vida do profeta.

“Nós encontramos a marca de um selo do século VIII a.C. que deve ter sido feita pelo próprio profeta Isaías a apenas três metros de onde havíamos descoberto uma impressão de selo do rei Ezequias de Judá.”

A descoberta foi anunciada por Eliat em seu artigo “Esta é a assinatura do profeta Isaias?” (“Is This the Prophet Isaiah’s Signature?”) publicado na revista Biblical Archaeology Review.

O selo, ou mais propriamente “bula”, foi encontrado num sítio arqueológico em Ophel, área entre o Monte do Templo e a Cidade de Davi, usada na antiguidade como complexo residencial da família real em Jerusalém.

Os arqueólogos encontraram 34 pequenas peças de argila com impressões de “bulas”, com os nomes de seus donos.

Vista geral de Jerusalém com o campo arqueológico de Ophel, local do achado.

Os pedaços de argila tinham apenas um centímetro de diâmetro.

Entre as peças, uma traz o nome do rei Ezequias.

Mas o artefato mais interessante tinha a inscrição “Yesha’yah”, o nome de Isaías em hebraico antigo, acompanhado pelas letras “N”, “V” e “Y”, as três primeiras da palavra “profeta” em hebraico.

O nome de Isaías está claro, mas há discussão sobre uma letra que faltaria para ter certeza da palavra “profeta”.

Para a Dra. Mazar, o lugar exato da letra foi perdido junto com a metade faltante da “bula”.

A inscrição completa deveria dizer “Pertencente a Isaías profeta”.

A Dra. Mazar aponta casos semelhantes verificados em outras descobertas.

E se a interpretação for correta teríamos a primeira prova material extra bíblica da existência do profeta e de que era reconhecido como tal durante sua vida, de acordo com matéria publicada pela “National Geographic”.

O selo, ou bula, com o nome do profeta Isaías, desenterrado em Ophel.

O Antigo Testamento conta episódios em que Ezequias procurou Isaías, indicando que o profeta lhe era bastante próximo e que seria um dos principais conselheiros reais.

“Se for o caso de a peça ser realmente do profeta Isaías, então não seria surpresa encontrá-la perto de uma pertencente ao rei Ezequias dada à relação simbiótica entre o profeta Isaías e o rei Ezequias descrita na Bíblia”, acrescentou Mazar.

A Bíblia é o maior testemunho escrito da Antiguidade. Ela contém a palavra revelada e a ela devemos um assentimento de Fé, inclusive do ponto de vista histórico.

A veracidade inclusive histórica da Bíblia foi confirmada – e continua sendo-o – em inúmeras descobertas de valor científico que confortam às inteligências e corações de boa fé que possam ter dúvidas a respeito.

(via Ciência confirma Igreja)

Paulo é um personagem difícil de entender. A Escritura contém seus pensamentos sobre muitos temas, mas diz relativamente pouco sobre as motivações por trás deles. Nisso, Paulo difere de outros personagens bíblicos, cuja vida interior faz parte de sua história.

O comentário é do jesuíta estadunidense Michael Simone, professor assistente de Escritura no Boston College, em artigo publicado por America, 23-03-2018

Por exemplo, os Evangelhos retratam Pedro – indubitavelmente o único apóstolo igual a Paulo em importância – como alguém cuja fé mal superou sua insegurança. Com o encorajamento de Jesus, ele caminhou sobre as águas, mas apenas por um momento antes que seu medo da tempestade o dominasse. A fraqueza de personagens como Pedro tem um valor espiritual. Ela dá aos leitores um ponto de identificação com alguém que superou seu tumulto interior e desenvolveu uma confiança mais profunda na graça.

Paulo admite essas fraquezas, mas sua extraordinária autoconfiança pode obscurecê-las. Isso pode se dever a seu ambiente intelectual grego, que enfatizava a importância do sōphrōn, a virtude do autocontrole. Indivíduos maduros projetavam autocontrole e não falavam de suas fraquezas.

Assim, embora Paulo falasse de seu “espinho na carne”, ele não dava detalhes específicos. Do mesmo modo, quando Paulo enfrentou sua própria tempestade no mar, ele disse a seus companheiros de tripulação: “Aconselho que vocês sejam corajosos, porque ninguém de vocês vai morrer: só perderão o navio. Esta noite me apareceu um anjo do Deus ao qual pertenço e a quem adoro. O anjo me disse: ‘Não tenha medo, Paulo’” (At 27, 22-24; trad. Bíblia Pastoral). Este é um forte contraste com Pedro, e pode ser desafiador se identificar com uma pessoa com um autocontrole tão destemido.

A grande conquista do filme Paul, Apostle of Christ [Paulo, Apóstolo de Cristo] é seu esforço de explorar a vida interior do homem que podia falar tais palavras. Quaisquer que sejam os méritos cinematográficos do filme, trata-se de um estudo fascinante do encontro de Paulo com a graça.

A obra é uma produção da Affirm Films, uma divisão da Sony que produz filmes com temáticas que atraem o público cristão. Os cineastas imaginam a prisão de Paulo durante a perseguição de Nero (64-68 d.C.), retratando-a com todos os terríveis detalhes encontrados nos Anais de Tácito. As conversas entre Paulo e os outros personagens permitem aos cineastas explorar aspectos do caráter do apóstolo que são difíceis de ver de outro modo. Essas explorações revelam um homem que, embora destemido, também era profundamente humilde, que inspirava os outros com sua confiança, e cuja vida foi irrevogavelmente transformada pelo amor de Cristo. “Todavia, esse tesouro nós o levamos em vasos de barro, para que todos reconheçam que esse incomparável poder pertence a Deus e não é propriedade nossa” (2 Co 4, 7).

A humildade de Paulo aparece com mais clareza em suas conversas com Maurício, o soldado que dirigia a prisão de Mamertina. Maurício encarna a cultura romana; é orgulhoso, severo, supersticioso e cínico. A filha de Maurício está morrendo de uma doença misteriosa, e suas orações à deusa Bona Dea ficaram sem resposta.

Ao ouvir a reputação de Paulo como ‘curador’, Maurício o convoca, mas, quando Paulo explica que não tem nenhum poder exceto aquele que Cristo confere, Maurício hesita, temendo que a confiança em Cristo pudesse enfurecer os deuses de Roma e exacerbar a condição de sua filha.

Enquanto Maurício reúne mais evidências de que Paulo é um milagreiro, Paulo intensifica sua reivindicação de impotência, até mesmo se orgulhando de sua fraqueza. Maurício não tem paciência para isso: “Muito poucos homens admitem fraqueza; certamente nenhum deles se orgulha disso!” No entanto, Paulo o faz, evitando qualquer crédito pelo bem que vem de seus esforços.

Os cineastas também traçam a maneira pela qual a própria confiança de Paulo na graça inspira uma confiança semelhante em toda a comunidade cristã. O filme destaca o serviço que uns oferecem aos outros com confiança simples, mas contagiante, no amor de Deus. Paulo acreditava no infinito poder de Deus, e outros encontravam forças para acreditar também. “Deus, por meio do seu poder que age em nós, pode realizar muito mais do que pedimos ou imaginamos; a ele seja dada a glória na Igreja e em Jesus Cristo por todas as gerações, para sempre. Amém!” (Ef 3, 20-21).

Alguns dos momentos mais marcantes do filme surgem quando Paulo tenta explicar a fonte de seu zelo. Ele descreve sua conversão como um momento em que foi “completamente conhecido e completamente amado”. O filme revela que seu “espinho na carne” seria a culpa que ele continua experimentando sobre suas antigas perseguições. Seu papel na morte de uma criança pesa especialmente sobre ele e o torna desconfortavelmente semelhante com os romanos que matam um órfão cristão no início do filme.

O caminho para Damasco colocou Paulo em uma estrada diferente. Receber a misericórdia de Cristo e ser amado por aqueles que ele mesmo odiava o abalou profundamente. Com o passar do tempo, isso evocou um amor semelhante por parte dele. Esse amor crescente aquietou seus medos e o atraiu para o serviço vitalício a Cristo e à Igreja. Perto do auge do filme, o amor destemido de Paulo inspira um amor semelhante nos cristãos de Roma, que correm o risco de serem presos no esforço de salvar a filha de Maurício.

Assim, o filme revela que a motivação de Paulo era o seu espanto pelo fato de Cristo poder amá-lo, apesar de seus crimes. Sua transformação não ocorreu a partir de uma humilhação punitiva, mas sim a partir do poder dos sonhos de Cristo. Seu zelo destemido foi sua resposta a esse ato de graça.

No filme, vemos Paulo viver a transformação descrita em Coríntios: “Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Depois que me tornei adulto, deixei o que era próprio de criança. Agora vemos como em espelho e de maneira confusa; mas depois veremos face a face. Agora o meu conhecimento é limitado, mas depois conhecerei como sou conhecido. Agora, portanto, permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e o amor. A maior delas, porém, é o amor” (1Co 13, 11-13).

O comentário é do jesuíta estadunidense Michael Simone, professor assistente de Escritura no Boston College, em artigo publicado pela revista America

Logo no início da pré-estreia em Nova York do novo filme Paul, Apostle of Christ[Paulo, apóstolo de Cristo], perto da primeira fileira do cinema, um bebê começou a chorar. E chorou por cerca de um minuto durante a cena de abertura – em que Lucas atravessa secretamente passagens iluminadas por tochas, em busca dos cristãos escondidos de Roma – e continuou intermitentemente ao longo do filme. Os responsáveis pela criança não se levantaram e não a levaram para fora. Você podia sentir que todo o público não podia acreditar nisso. Alguém levou seu recém-nascido para ver um filme, e esse recém-nascido chorou e não foi levado para fora do cinema.

Mas o que se podia fazer? A exibição aconteceu no Sheen Center, um ministério católico de artes no centro de Manhattan. Paul, Apostle of Christ não é apenas sobre Paulo que passa seu tempo em uma prisão romana, mas também sobre um grupo de cristãos que enfrenta pagãos que abandonam cruelmente seus órfãos recém-nascidos. Qual empregado de uma entidade de arte católica que exibe um filme sobre cristãos lutando por crianças pequenas se levantaria diante de todos e diria a uma mãe e a um bebê que eles devem sair?

E para melhorar um pouco mais: em três quartos do filme, quando o bebê começou a chorar de novo, uma freira pegou a criança, levou-a para um corredor lateral e balançou-a em seus braços. Uma irmã religiosa em um hábito branco e azul nina ternamente uma criança, enquanto, diretamente em cima das nossas cabeças, o apóstolo Paulo nos diz que o amor é paciente, o amor é gentil. Que gerente de cinema contemplaria essa cena e diria: “Chega. Fora”? Isso não aconteceria.

E para melhorar ainda mais: o prédio que abriga o Sheen Center fica perto, dentre todas as outras possibilidades, da Planned Parenthood [ONG conhecida por realizar abortos]. Um dos serviços da Planned Parenthood ocorre a cerca de 35 segundos de caminhada daquilo que acontece dentro do Sheen Center. Quem no mundo paulino gostaria de ver o espetáculo de uma mãe, que tenta ver um filme sobre o amor paciente de cristãos oprimidos, forçada a sair de um cinema cristão porque seu bebê está agindo de forma inconveniente e que, com terrível ironia, deve passar na frente da Planned Parenthood para fazer isso?

Então, todos nós aguentamos o garoto. O filme foi exibido. O bebê não chorou nos últimos 20 minutos. Paulo foi decapitado. O resto dos cristãos romanos seguiu em frente.

A exibição de Paul, Apostle of Christ foi realizada em grande parte para “líderes da fé” católicos e cristãos, como a equipe de publicidade do filme afirmou. Produzido por uma divisão da Sony chamada Affirm, a estratégia de relações públicas da empresa era promover exibições em igrejas em todo o país  antes de sua estreia. Todos que compareceram à exibição receberam uma sacola de tecido com cartazes e postais do filme, uma caneta com a inscrição “Paulo, Apóstolo de Cristo” e uma pulseira de couro com as palavras: “O amor é o único caminho. paulmovie.com”.

Antes da pré-estreia no Sheen Center, a Affirm já havia feito 60 desse tipo de eventos (o filme “Quarto de Guerra”, também da Affirm, que teve uma distribuição semelhante, foi um sucesso, arrecadando um total de 67 milhões de dólares de bilheteria).

Antes do filme, meu colega José Dueño e eu gravamos entrevistas com o ator James Faulkner (Paulo), com o produtor do filme, T. J. Berden, e com o diretor, Andrew Hyatt. […]

As entrevistas centram-se principalmente em Faulkner e nos encontros dos cineastas com a fé, a esperança e o amor durante as filmagens de “Paul…”. Durante nossa conversa, esses homens se mostrariam ávidos, humildes e espiritualmente arraigados. Possivelmente tão arraigados a ponto de poderem achar que um bebê chorando durante seu filme grave e trágico não é algo irritante, mas sim até apropriado.

O comentário é de Joe Hoover, S.J., em artigo publicado por America, 23-03-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Assista ao trailer:

Um grupo de arqueólogos acredita que a recente descoberta de um grande edifício nas colinas do vale de Hebron, em Israel, indica que o Rei Davi foi uma figura histórica real e que dirigiu um reino judeu.

Até agora, não havia prova arqueológica de que o Rei Davi (que aparece no Antigo Testamento) tivesse existido realmente, já que não havia indícios de prédios públicos relacionados à sua figura.

Porém, um artigo do Haaretz.com informa que os arqueólogos da Universidade Bar-llan afirmam que a estrutura monumental e o assentamento ao redor descobertos perto das colinas de Hebron, nas terras baixas centrais de Israel, representa uma possível prova da existência de edifícios públicos da era de Davi (século X a.C.).

Segundo o Haaretz, o edifício – que os arqueólogos chamaram de “casa do governador” – foi construído para uma longa duração, em estilo da arquitetura monumental:

 “Ele contém alvenaria e foi erguido sobre fundações profundas, usando materiais de construção de qualidade. Um investimento assim na construção seria algo específico de uma sociedade complexa e uma entidade política forte”.

As paredes eram de pedras talhadas com ferramentas que permitiam que elas se encaixassem. As provas de rádio-carbono da cerâmica encontrada nas fundações indicam que a casa foi construída entre os séculos XI e X a.C..

 “Isso é relevante para data em que houve uma evolução da complexidade social e para o debate sobre a historicidade do Reino de Davi e Salomão”, escrevem os arqueólogos Avraham Yair Faust e Sapir  em um artigo publicado no início de 2018 pela revista de arqueologia, Radiocarbon.

As descobertas se devem à ajuda de ratos-toupeira, que cavaram o subsolo, desenterrando vestígios de ocupação humana.

 “Os ratos nos alertaram que havia um pequeno assentamento onde ninguém nunca imaginou”, disse Faust ao Haaretz.

Segundo informa o Haaretz:

“Está claro que a casa do governador, a estrutura monumental no topo da colina, havia sido destruída pelos assírios. Ele [o arqueólogo] diz: eles encontraram pontas de flechas no pátio. Com base no local em que foram achadas essas pontas, os arqueólogos conseguiram deduzir de onde as flechas foram disparadas: mais precisamente, um lugar desprovido das atividades do rato-toupeira”, diz Fausto.

“No entanto, outros arqueólogos pediram cautela antes de afirmar que o local recentemente descoberto foi necessariamente da era de Davi”, afirma Haaretz.

O doutor Ido Koch, da Universidade de Tel Aviv afirma que a “casa do governador” não tem escritos para indicar que foi parte de um reino judeu.

“Nas descobertas do século X, não há nada com [a palavra] ‘Jerusalém’ escrito nelas, e enquanto [não houver] sinais de administração ou escrita no estilo judaico”, disse ele ao Haaretz, “ ligar o assentamento ao reino de Jerusalém seria pura especulação”.

Fonte: Aleteia

Estamos diante de uma reconstituição do corpo real de Jesus Cristo!

“Esta estátua é a representação tridimensional do Homem do Sudário, em tamanho natural, feita com base em medidas milimétricas tomadas do pano em que o corpo de Cristo foi envolvido após a crucificação”.

Quem explica é Giulio Fanti, professor de medições mecânicas e térmicas na Universidade de Pádua e estudioso da relíquia, uma das mais enigmáticas e apaixonantes do mundo cristão (e também do mundo incrédulo). Com base em suas medições, o professor fez a reconstituição em 3D que, a seu ver, permite afirmar que essas são as reais características do Cristo crucificado.

“Consideramos que finalmente estamos diante de uma imagem precisa de como era Jesus nesta terra. A partir de agora não será mais possível retratá-lo sem levar em conta este trabalho”.

O professor concedeu à revista italiana Chi a conversa exclusiva em que afirmou:

“Segundo os nossos estudos, Jesus era um homem de extraordinária beleza. Longilíneo, mas muito robusto, tinha 1m80 de altura, quando a altura média naquele tempo era de cerca de 1m65. E tinha uma expressão real e majestosa” (cf. Vatican Insider).

Mediante os estudos e a projeção tridimensional, Fanti pôde também computar as numerosas feridas no corpo do Homem do Sudário:

“No Sudário eu contei 370 feridas de açoites, sem considerar as laterais, que o pano não revela porque envolveu apenas a parte anterior e a posterior do corpo. Mas podemos supor pelo menos 600 golpes. Além disso, a reconstrução tridimensional permitiu observar que, na hora da morte, o Homem do Sudário pendeu para a direita, porque o ombro direito foi deslocado de modo tão grave que lesou os nervos” (cf. Il Mattino di Padova).

É notório que, nesse homem torturado, vemos sinais inquestionáveis de sofrimento. Os olhos da fé enxergam nele o homem por excelência, aquele que foi apresentado pela arrepiante frase “Ecce Homo”, “Eis o homem”; aquele que foi visto manso e majestoso diante de Pilatos, mas que sofreu terrível flagelação, espancamentos, coroação de espinhos, subida ao Calvário carregando aos ombros a própria cruz, crucificação como inocente e morte pela nossa redenção.

Acreditar na autenticidade do Sudário não é obrigatório para nenhum cristão. Mas o carácter excepcional daquele pano fúnebre e seus séculos e séculos de mistério fascinante e desafiador provoca o nosso entendimento e as nossas certezas, tal como fez aquele Nazareno que desafiou as nossas certezas ao amar os seus perseguidores, a perdoá-los do alto da cruz e derrotar a morte para sempre.

Aleteia

Embora o Santo Sudário de Turim (Itália) seja o objeto mais importante relacionado a Jesus que permanece até hoje, a Espanha também tem entre os seus tesouros duas relíquias importantes de Cristo.

Estas relíquias são o Sudário de Oviedo, pano que cobriu o rosto de Jesus e o Lignum Crucis, um pedaço da cruz do Senhor.

Estas relíquias foram estudadas em profundidade e permitem aproximar-se um pouco mais da Paixão de Cristo.

O Sudário de Oviedo

Segundo a tradição, o sudário que cobria o rosto de Jesus está guardado na Catedral de Oviedo e é exposto ao público apenas três vezes por ano: na Sexta-feira Santa; no dia 14 de setembro, dia da Santa Cruz; e em 21 de setembro, festa do Apóstolo São Mateus, padroeiro da cidade espanhola.

Os apóstolos veneraram em Jerusalém as relíquias da Paixão, incluindo o Sudário, durante os primeiros anos do cristianismo. Com a invasão dos persas no século VII, conseguiram salvá-lo e foi levado à Espanha.

Jorge Manuel Rodríguez Almenar, presidente do Centro Espanhol de Sindonologia, explicou em diversas ocasiões que os estudos mostram que todos os elementos do Sudário de Oviedo coincidem com os do Santo Sudário.

O último estudo realizado pela Universidade Católica de Murcia, na Espanha, concluiu que ambos os panos envolveram a mesma pessoa. Também precisou que o homem do Santo Sudário e do Sudário de Oviedo sofreu a mesma ferida no lado.

Algo que está de acordo com o que foi relatado no Evangelho de João, quando diz: “Mas, vindo a Jesus, e vendo-o já morto, não lhe quebraram as pernas. Contudo um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água”.

Lignum Crucis: Uma relíquia da Cruz de Cristo

O mosteiro franciscano de Santo Toribio de Liébana, na Cantábria, guarda há mais de 1200 anos um grande pedaço da Cruz de Jesus.

Esta relíquia é conhecia pelo seu nome em latim Lignum Crucis, que significa lenho ou madeira da Cruz. Este objeto sagrado corresponde à madeira horizontal do lado esquerdo.

Santa Helena, mãe do imperador Constantino, decidiu conservar as relíquias da Paixão do Senhor. Uma delas foi a Cruz, que chegou à Espanha no século XVI, com os restos de Santo Toribio, que tinha sido custódio dos lugares santos em Jerusalém.

Em 1958, realizaram alguns testes para comprovar a sua autenticidade e “confirmaram que a madeira é de uma árvore que existe na Terra Santa e que tem uma idade superior a 2000 anos”, assegurou ao Grupo ACI o Pe. Juan Manuel Núñez, superior do convento de Santo Toribio de Liébana.

Além disso, o DNA da relíquia coincide com o de outros pedaços menores da cruz conservados em diferentes lugares do mundo.

“A maior prova de veracidade das Lignum Crucis são todas as conversões que ocorrem no sacramento da confissão no mosteiro”, afirma o sacerdote.

Segundo o Pe. Nunez, o Lignum Crucis fala, “através de uma linguagem silenciosa, do amor de Deus que se entrega ao coração de todos os homens. Um amor que ficou marcado para sempre na Cruz e que diz a todos: ‘Embora não saibam lê-lo aqui diz como e quanto os amo’”.

Desde o século XVI se celebra o Ano Jubilar Lebaniego Santo Toribio de Liébana. Este Ano Santo ocorre cada vez que o dia 16 de abril (festa de Santo Toribio) cai em um domingo. Como o dia 16 de abril de 2017 coincide com o Domingo de Ressurreição, o início deste Ano Santo começará no dia 23 de abril.

Fonte: ACI Digital

Do ponto de vista histórico, talvez nenhum túmulo do mundo esteja tão apoiado em documentos de época, quanto o de São Pedro na Basílica Vaticana.

O lugar da sepultura havia sido mencionado pela primeira pelo presbítero Gaio, nos tempos do papa Zeferino (entre 198 e 217):

“Posso mostrar-te os troféus dos apóstolos [Pedro e Paulo]. Se quiseres dirigir-te ao Vaticano ou à Via de Óstia, encontrarás os troféus daqueles que fundaram esta Igreja [de Roma]” (in: Eusébio de Cesareia, História eclesiástica, II, 25, 7). Gaio entendia por “troféu” o corpo do mártir.

O martírio de Pedro é confirmado por Tertuliano, que, por volta do ano 200, escreve que a preeminência de Roma está ligada ao fato de que três apóstolos, Pedro, Paulo e João, nessa cidade ensinaram, tendo sido os dois primeiros mártires nela (cf. A prescrição contra os hereges, 36).

Clemente Romano, no ano 96, escreveu:

“Levemos em consideração os bons apóstolos: Pedro, que por inveja injusta suportou não um, nem dois, mas muitos sofrimentos, e assim, depois de ter dado testemunho, encaminhou-se para o merecido lugar da glória. […]

“Em torno desses homens [Pedro e Paulo], que se comportaram piamente, reuniu-se uma grande multidão de eleitos, os quais, depois de terem sofrido por inveja muitos ultrajes e tormentos, tornaram-se entre nós belíssimo exemplo”.

Entre muitos outros testemunhos históricos pode se citar os de:

Orígenes (185 – 253) responsável pela Escola catequética em Alexandria afirmou: “Pedro, ao ser martirizado em Roma, pediu e obteve fosse crucificado de cabeça para baixo”.

Santo Ireneu (130 – 202), bispo de Lião referiu:

“Para a maior e mais antiga a mais famosa Igreja, fundada pelos dois mais gloriosos Apóstolos, Pedro e Paulo”.

E ainda “Os bem-aventurados Apóstolos portanto, fundando e instituindo a Igreja, entregaram a Lino o cargo de administrá-la como bispo; a este sucedeu Anacleto; depois dele, em terceiro lugar a partir dos Apóstolos, Clemente recebeu o episcopado.”

E acrescentou: “Mateus, achando-se entre os hebreus, escreveu o Evangelho na língua deles, enquanto Pedro e Paulo evangelizavam em Roma e aí fundavam a Igreja.”

Tertuliano (155-222 d.C.):

“A Igreja também dos romanos publica ‒ isto é, demonstra por instrumentos públicos e provas ‒ que Clemente foi ordenado por Pedro.

“Feliz Igreja, na qual os Apóstolos verteram seu sangue por sua doutrina integral!” ‒ e fala da Igreja Romana, “onde a paixão de Pedro se fez como a paixão do Senhor.”

São Eusébio (263-340 d.C.) bispo de Cesareia, escreveu a “História Eclesiástica” onde narra a história da Igreja das origens até 303, e diz: “Pedro, de nacionalidade galileia, o primeiro pontífice dos cristãos, tendo inicialmente fundado a Igreja de Antioquia, se dirige a Roma, onde, pregando o Evangelho, continua vinte e cinco anos Bispo da mesma cidade.”

“A sucessão de Bispos em Roma é nesta ordem: Pedro e Paulo, Lino, Cleto, Clemente etc..”Santo Epifânio (315-403 d.C.), bispo de Constância falando da sucessão dos Bispos de Roma, registrou:

Doroteu: “Lino foi Bispo de Roma após o seu primeiro guia, Pedro.”

Optato de Milevo: “Você não pode negar que sabe que na cidade de Roma a cadeira episcopal foi primeiro investida por Pedro, na qual Pedro, cabeça dos Apóstolos, a ocupou.”

São Cipriano (martirizado em 258), bispo de Cartago (norte da África), no livro De Ecclesiae Unitate diz: “A cátedra de Roma é a cátedra de Pedro, a Igreja principal, de onde se origina a unidade sacerdotal.”[28]

E o grande Santo Agostinho (354 – 430): “A Pedro sucedeu Lino.”

São Pedro morreu nos jardins de Nero, no Vaticano, ao lado de uma grande multidão de cristãos, na perseguição desencadeada por esse imperador.

É ao ano de 64, ano do início das perseguições que deve remontar, a data do martírio do Príncipe dos Apóstolos.

São Jerônimo punha o martírio de São Pedro no ano de 67, juntamente com o martírio de São Paulo.

O historiador romano Tácito descreveu essa perseguição:

“Portanto, em primeiro lugar foram presos aqueles que confessavam abertamente sua crença [na ressurreição de Cristo]; depois, por denúncia destes, foi presa uma grande multidão, não tanto sob a acusação de ter provocado o incêndio, mas, sim, pelo ódio que tinham à espécie humana.

“À morte de todos eles acrescentava-se o escárnio, pois que, revestidos de peles de animais, pereciam dilacerados pelos cães, ou eram pregados nas cruzes, ou queimados vivos, ao pôr-do-sol, como tochas para a noite.


“Por isso, embora fosse gente culpada e merecedora de tão originais tormentos, crescia um sentimento de piedade por eles, pois eram sacrificados não para o bem comum, mas em razão da crueldade de um só” (Anais, XV, 44, 4-5).“Nero cedeu seus jardins para esse espetáculo, e providenciou jogos circenses, participando deles misturado à multidão, em vestes de auriga, ou de pé sobre o carro.

O imperador Constantino deu liberdade ao cristianismo e o imperador Teodósio o fez religião oficial do Império.

Na segunda década do século IV, Constantino encerrou num monumento em alvenaria a sepultura de Pedro. Até então só havia um túmulo escavado diretamente na terra, perto do circo que marcava o limite setentrional dos jardins de Nero.

Por volta de 320, o mesmo imperador edificou uma basílica em função da sepultura.

Para isso foi necessário um grandioso trabalho de engenharia, que, de um lado, cortava os declives da colina Vaticana e, de outro, soterrava e utilizava como fundamentos as estruturas de uma necrópole dos séculos I e IV.

Quis Constantino que a basílica fosse o monumento que encerrava a sepultura do apóstolo. Por esse motivo, o eixo do edifício de Constantino não levou em conta, como teria sido mais fácil, a necrópole e o circo.

Assim, desde aquela época o sepulcro do apóstolo é o centro exato de do transepto da Basílica. E, por sua vez, o ponto de referência de tudo o que foi construído ao seu redor ao longo dos séculos.

Primeira basílica constantiniana com acréscimos medievais

Desde as sepulturas dos primeiros fiéis cristãos até as instalações para os peregrinos no início da Idade Média, tudo foi feito em volta do eixo da Basílica, cujo centro era o túmulo do Príncipe dos Apóstolos.

Acrescente-se ainda as estradas e os muros da civitas Leoniana edificados depois do saque dos sarracenos de 846 além do moderno bairro do Borgo.

A construção da atual basílica, fundada pelo papa Júlio II em 18 de abril de 1506, embora tenha levado à demolição da basílica constantiniana e de seus acréscimos medievais, respeitou rigorosamente a centralidade do sepulcro de Pedro.

O atual altar-mor, construído pelo papa Clemente VIII (1594), encontra-se exatamente acima do medieval, do papa Calixto II (1123), que, por sua vez, engloba o primeiro altar, do papa Gregório Magno (cerca de 590), construído sobre o monumento constantiniano que guarda o túmulo de Pedro.

O ápice da cúpula de Michelangelo se encontra em posição exatamente perpendicular acima desse altar.

O papa Pio XII dispôs uma escavação arqueológica sob o altar-mor da Basílica Vaticana. Essa aconteceu entre 1939 e 1949 e foi levada a cabo por quatro estudiosos de arqueologia, arquitetura e história da arte.

Tratou-se de Bruno Maria Apollonj-Ghetti; Pe Antonio Ferrua, S.J.; Enrico Josi e Pe. Engelbert Kirschbaum, S.J.; sob a direção de dom Ludwig Kaas, secretário da Insigne Fábrica de São Pedro.

Eles encontraram o monumento de Constantino, um paralelepípedo com cerca de três metros de altura, revestido de mármore pavonáceo e pórfiro.

Escavando ao longo dos lados do monumento constantiniano encontraram debaixo dele o túmulo de Pedro.

As escavações revelaram uma pequena capela, formada por uma mesa sustentada por duas pequenas colunas de mármore e apoiada num muro rebocado e pintado de vermelho (o chamado “muro vermelho”) em posição correspondente à de um nicho; no chão, diante do nicho, sob uma pequena laje, um túmulo escavado diretamente na terra.

Túmulo de São Pedro desde a nave central da basílica

A pequena capela, que pode ser datada do século II, logo foi identificada como sendo o “troféu de Gaio”.

Tratava-se do mais primitivo túmulo que guardou originalmente as relíquias.

Mas o túmulo encontrado estava vazio, pois as relíquias foram transferidas posteriormente.

O monumento constantiniano havia englobado também uma outra estrutura, ao lado da capela, um pequeno muro perpendicular ao “muro vermelho”.

Esse pequeno muro foi denominado “muro dos grafitos”, pois, na face oposta à capela, continha um grande número de grafitos sobrepostos uns aos outros, anteriores ao próprio Constantino.

No interior do pequeno muro, havia sido escavado em tempos antigos, seguramente depois da inserção dos grafitos e antes do arranjo definitivo do monumento constantiniano, um lóculo em forma de paralelepípedo revestido de mármore em toda a base e, até uma certa altura, nos quatro lados, um dos quais, o ocidental, terminava justamente no “muro vermelho”.

Segundo a reconstrução elaborada mais tarde pela arqueóloga Margherita Guarducci, desse lóculo havia sido retirada grande parte do material que continha.

“Pedro está aqui”

Dali provém um importantíssimo documento. Trata-se um fragmento extremamente pequeno (3,2 x 5,8 cm) de reboco vermelho, sobre o qual está grafitado, em grego, a expressão “PETR[Oc] ENI”, ou seja, “Pedro está aqui”.

Túmulo de São Pedro, visto desde a cripta

Os estudos de Guarducci entre 1952 e 1965, levaram à decifração dos grafitos mostrando que estes continham uma ampla série de invocações a Cristo, a Maria e a Pedro, sobrepostas e combinadas.

Os mesmos estudos, compostos de pesquisas complexas e bem articuladas, realizadas com o máximo rigor científico, permitiram constatar que nesse lóculo tinham ficado as relíquias de Pedro depois de retiradas do túmulo escavado na terra.

Onde estavam então as relíquias?

Encontravam-se numa pequena caixa extraída daquele mesmo lóculo durante as excavações dos cientistas e guardada nas dependências das Grutas Vaticanas.

Depois de analisados, os restos mortais revelaram-se pertencentes a um só homem, de compleição robusta, que morrera em idade avançada.

Tinham incrustações de terra e mostravam terem sido envolvidas num pano de lã colorida de púrpura, com trama de ouro.

As relíquias eram compostas de fragmentos de todos os ossos do corpo, exceto dos ossos dos pés, dos quais não havia o menor vestígio.

Esse pormenor, realmente singular, não podia deixar de trazer à memória a circunstância da crucifixão inverso capite (de cabeça para baixo), atestada por antiga tradição como símbolo da humildade de Pedro.

Os resultados desse tipo de crucifixão, ou seja, a separação dos pés, eram visíveis nos restos do corpo encontrado.

Crucifixão de São Pedro. Massaccio, Pisa

A mesma circunstância correspondia perfeitamente a um conhecimento bem sólido, do ponto de vista histórico: o do costume romano de tornar espetaculares as execuções dos condenados à morte.

O cadáver dos executados, privado do direito de sepultura, era abandonado no lugar do suplício.

Foi o que ocorreu a Pedro, levado à morte sem nenhuma distinção, entre muitos outros; só quando foi possível recuperar o corpo é que o apóstolo foi sepultado na terra, da maneira mais humilde – provavelmente às pressas, no lugar mais próximo à disposição.

O arqueólogo Antônio Ferrua descobriu ainda características das substâncias químicas contidas na ossada, pertencente a um homem que viveu a maior parte de sua vida próximo do Lago de Tiberíades, na Galileia.

Por fim, no encerramento do Jubileu de 1950, Pio XII deu o anúncio do reconhecimento da sepultura de Pedro, que uma tradição antiquíssima e unânime também atestava, e a ciência arqueológica confirmava.

“Nos subterrâneos da Basílica Vaticana estão os fundamentos da nossa fé. A conclusão final dos trabalhos e dos estudos responde um claríssimo ‘sim’: o túmulo do Príncipe dos Apóstolos foi encontrado”.

Via Aleteia

O Dr. Thomas Woods, PhD em História pela Universidade de Harvard nos EUA, disse em um dos seus livros que:

“Bem mais do que o povo hoje tem consciência, a Igreja Católica moldou o tipo de civilização em que vivemos e o tipo de pessoas que somos. Embora os livros textos típicos das faculdades não digam isto, a Igreja Católica foi a indispensável construtora da Civilização Ocidental. A Igreja Católica não só eliminou os costumes repugnantes do mundo antigo, como o infanticídio e os combates de gladiadores, mas, depois da queda de Roma, ela restaurou e construiu a civilização”. [Woods, 2005, pg. 7]

Um dos pontos mais importantes da atuação da Igreja na Idade média cristã, foi no campo da Ciência. Sem a Igreja não haveria a beleza da arquitetura, da música, da arte sacra, das universidades, dos castelos, do direito, da economia, etc.

No séc. VI São Cesário de Arles já expunha no Concílio de Vaison (529) a necessidade imperiosa de criar escolas no campo; e os bispos se dedicaram a isto. Da mesma forma foi a Igreja que montou para Carlos Magno (†814) a sua política escolar; e retomou a tarefa educadora no séc. X após o fim do seu Império.

O III Concílio de Latrão (1179), em Roma, presidido pelo Papa Alexandre III (1159-1181), ordenou ao clero que abrisse escolas por toda a parte para as crianças, gratuitamente. Obrigou a todas as dioceses terem ao menos uma. Essas escolas foram as sementes das Universidades que logo surgiam: Sorbone (Paris), Bolonha (Itália), Canterbury (Inglaterra), Toledo e Salamanca (Espanha), Salerno, La Sapienza, Raviera na Itália; Coimbra em Portugal.

No séc. XII havia só na França 70 abadias com escolas. Todos os grandes bispos também quiseram ter escolas; na França, no séc. XII havia mais de 50 escolas episcopais. Dos sete aos vinte anos as crianças e os jovens eram recebidos nessas escolas sem distinção de classes. Havia escolas só para meninas e moças. As disciplinas dividiam-se em “trivium” (gramática, dialética e retórica) e “quadrivium” (artimética, geometria, astronomia e música). Mas um grande pedagogo da época Thierry de Chartres, mostrou que o “trivium e o quadrivium” eram apenas um meio e que o fim era “formar almas na verdade e na sabedoria”.

Em muitas escolas os alunos tinham ensino técnico de como trabalhar o ouro, prata e cobre. Aos poucos surgiam as especializações: Chartres (letras), Paris (teologia), Bolonha (direito), Salerno e Montpellier (medicina).

O Concílio geral de Latrão III, aprovou o seguinte cânon:

“A Igreja de Deus, qual mãe piedosa, tem o dever de velar pelos pobres aos quais pela indigência dos pais faltam os meios suficientes para poderem facilmente estudar e progredir nas letras e nas ciências. Ordenamos, portanto, que em todas as igrejas catedrais se proveja um benefício (rendimento) conveniente a um mestre, encarregado de ensinar gratuitamente aos clérigos dessa igreja e a todos os alunos pobres” (can. 18, Mansi XXII 227s).

O IV Concílio ecumênico do Latrão (1215), renovou este decreto. Teodulfo, bispo de Orléans no séc. VIII, promulgou o seguinte decreto: “Os sacerdotes mantenham escolas nas aldeias, nos campos; se qualquer dos fiéis lhes quiser confiar os seus filhos para aprender as letras não os deixem de receber e instruir, mas ensinem-lhes com perfeita caridade. Nem por isto exijam salário ou recebam recompensa alguma a não ser por exceção, quando os pais voluntariamente a quiserem oferecer por afeto ou reconhecimento” (Sirmond, Concilia Galliae II 215).

É muito significativo um dos últimos depoimentos sobre a acusação de que a Igreja obstruiu a ciência na Idade Média, proferido em 1957 por um grupo de estudiosos que, sem intenção confessional alguma, escreveram a história da ciência antiga e medieval:

“Parece-nos impossível aceitar a dupla acusação de estagnação e esterilidade levantada contra a Idade Média latina. Por certo a herança (cultural) antiga não foi totalmente conhecida nem sempre judiciosamente explorada;… mas não é menos verdade que de um século para outro – mesmo de uma geração a outra dentro do mesmo grupo – há evolução e geralmente progresso. A Igreja… na Idade Média salvou e estimulou muito mais do que freou ou desviou. Por isto, embora só queira apelar para a Antigüidade, a Renascença é realmente a filha ingrata da Idade Média” (La science antique et médiévale, sous la direction de René Taton, Presses Universitaires de France. Paris 1957, 581s).

Esses poucos dados mostram o quanto a Igreja fez pelo ensino e pelo saber na Idade Média, bem ao contrário do que muitos pensam: que a Igreja foi contra a ciência e o ensino.

Prof. Felipe Aquino

O Prof. Léo Moulin, agnóstico ou ateu belga, reconhece a benéfica influência do Cristianismo e, em especial, da Regra de São Bento na evolução da cultura e da civilização.

Mostra como a Regra de São Bento, legislando para os monges, fez transbordar sobre toda a sociedade medieval e posterior certos princípios de disciplina, diligência e ordem no trabalho, que propiciaram a criação de grandes empresas industriais e culturais. São Bento, aliás, hauriu das Escrituras Sagradas a sua mentalidade; ora a Bíblia incute ao homem certo otimismo em relação à natureza, obra de Deus Criador, que confiou ao casal humano o mandato de explorar e dominar as criaturas inferiores. A mesma fonte bíblica deu a saber ao homem que o universo foi criado com sabedoria e lógica; a própria razão humana, sendo dom de Deus, merece a confiança do homem; conscientes disto, os medievais cultivaram a inteligência, resultando daí grande número de Universidades e belas obras de arte (catedrais, especialmente), que supõem dinamismo, coragem e saber científico entre os homens da Idade Média. Esta, portanto, não foi o período obscuro do qual sem o devido conhecimento de causa.

Costuma-se comentar a influência que o Calvinismo, fundado no século XVI, exerceu sobre o desenvolvimento comercial e econômico dos países que o adotaram. O senso religioso levou os calvinistas a se dedicarem “religiosamente” às suas atividades profissionais, donde resultou (em parte, ao menos) a rede colonial da Inglaterra e da Holanda.

Todavia é menos conhecida a influência sadia que a fé católica exerceu sobre os monges e as populações medievais em favor do progresso da civilização. Aliás, deve-se dizer que o Cristianismo, bem entendido e vivido, foi e será sempre um estímulo para a construção de um mundo mais humano, fraterno e, por conseguinte, mais feliz.

Invenções e Descobertas

A Idade Média ocidental ocupa lugar importante na história do desenvolvimento tecnológico, pois registrou uma série de invenções e descobertas que lhe dão preeminência sobre quanto ocorreu na mesma época fora do âmbito europeu. Sejam recordados: a bússola, as lentes de óculos, a roda com aros, o relógio mecânico com pesos e rodas (“invenção mais revolucionária do que a da pólvora e a da máquina a vapor”, conforme Ernst Junger), o canhão (em 1327), a caravela (em 1430), a própria imprensa, a ferradura de cavalo, que permite ao animal correr sobre terrenos inóspitos, os moinhos de água, de maré, de vento…

Isto tudo fez que o Ocidente se encontrasse em melhores condições de civilização do que outras partes do mundo no século XVI.

A Regra de São Bento

Antes de todas estas, houve outra grandiosa “invenção”, que é a Regra de São Bento (+ 547).¹ Nesta encontramos elementos necessários ao bom andamento de uma empresa moderna.

Com efeito. Além do Ora (Oração), São Bento ensina o valor e a sistematização do Labora (Trabalho). Imagina, sim, o seu discípulo como um operário (RB Prol 14) que trabalha com mãos e ferramentas na oficina do Mosteiro (RB 4, 75-78). O trabalho é essencial à identidade monástica, seja o manual, seja o intelectual, seja o artístico ou artesanal. No decorrer da Regra, São Bento ilustra as motivações do Labora:

– o trabalho corresponde a um gênero de vida pobre, que exige a labuta pessoal para poder manter-se; cf. RB 48,8;

– o trabalho é serviço à comunidade e aos hóspedes, a exemplo do que fez Cristo; cf. RB 48, 1-25; 53, 1-23;

– o trabalho é desenvolvimento dos talentos que Deus entregou ao homem e cuja aplicação ele vai julgar; cf. RB 4,75-77;

– o trabalho ajuda os pobres e evita a ociosidade, que é inimiga da alma; cf. RB 48,1.

São Bento quer que o trabalho seja executado “bem”, “com serenidade”, “sem tristeza” e “sem murmuração”; cf. RB 34,6; 35, 13; 40, 8s; 53, 18.

Trabalhar em comum é, para São Bento, um valor, tanto que os monges culpados de faltas graves são excomungados não só da oração e da refeição comunitárias, mas também do trabalho com os irmãos: “Que seja suspenso da mesa e do oratório o irmão culpado de faltas mais graves… Esteja sozinho no trabalho que lhe for determinado” (RB 25, 1.3).

A Regra de São Bento, portanto, formou os monges (e, consequentemente, a sociedade) no sentido da diligência e da disciplina do trabalho. De modo especial, ela incutiu (e incute) dois valores muito estimados no mundo industrial moderno:

– a pontualidade. São Bento não transige a respeito. Prevê sérias punições para quem chega atrasado à oração litúrgica ou ao refeitório (RB 43); ao sinal dado de madrugada, levantem-se todos sem demora (RB 22); quem recebe uma ordem, deve executá-la prontamente (RB 5);

– atenção ao que se faz. São Bento formula uma norma decisiva: “Controlar a todo momento os atos de sua própria vida. Actus vitae suae omni hora custodire” (RB 4,48). É preciso, pois, estar presente de corpo e alma àquilo que se faz, sejam grandes, sejam pequenas coisas. A Regra prevê punições leitura, à qual todos devem prestar atenção, de modo que ninguém converse e só se ouça a voz do leitor (RB 38, 5). Haja absoluta limpeza, especialmente na cozinha (RB 35,6-11). A perda ou a quebra de qualquer objeto durante o trabalho requer satisfação da parte de quem comete a falha (RB 46, 1-4).

São Bento também pede que os monges não se entristeçam se a necessidade do lugar ou a pobreza exigirem que se ocupem em trabalhos extraordinários, “porque então são verdadeiros monges se vivem do trabalho de suas mãos, como também os nossos Pais e os Apóstolos” (RB 48,8).

Estes princípios de ordem ascética, inspirados pelo amor à disciplina do Evangelho, contribuíam para que os mosteiros se tornassem grandes centros agrícolas e artesanais em toda a Idade Média, irradiando em torno de si amor ao trabalho, organização e método modelares para a posteridade. Essa sistemática não tinha em vista simplesmente produção e lucro materiais, mas era inspirada pelo espírito de fé e apoiada em razões monásticas. Assim, por exemplo, um texto do século XI explica por que foi adotado um moinho de água na comunidade: “…a fim de que os monges tenham mais tempo para dedicar-se à oração”.

Em seu afã de trabalhar para exercer disciplina e evitar a ociosidade (inimiga da alma), os monges dedicaram-se a quase todas as atividades produtivas: exploraram minas de carvão, salinas, metalurgia, marcenaria, construção… Assim, por exemplo, os monges cistercienses fabricaram fornos para produzir tijolos grandes, dotados de furos para facilitar a sua cozedura e manipulação; eram os chamados “tijolos de São Bernardo!. Montaram na Borgonha fábricas de telhas, que eles espalharam por diversas regiões.

Aliás, a própria Regra de São Bento pede que o mosteiro tenha em suas dependências tudo de que necessita para viver: “Seja o mosteiro construído de tal modo que todas as coisas necessárias, isto é, água moinho, horta e os diversos ofícios se exerçam dentro do mosteiro, para que não haja necessidade de que os monges vagueiem fora, pois de nenhum modo isto convém às suas almas” (RB 66,6s). Ora esta norma da Regra não podia deixar de ser forte estímulo para a criatividade dos monges. O capítulo 57 da mesma Regra trata dos artesãos que, com a autorização e a bênção do Abade, trabalham no mosteiro como monges, e pede que os preços dos respectivos artefatos sejam mais baixos do que os preços do comércio de fora: “Quanto aos preços, não se insinue o mal de avareza, mas venda-se sempre um pouco mais barato do que pode ser vendido pelos seculares, para que em tudo seja Deus glorificado” (RB 57, 7-9).

Sabemos ainda que em 1215 os maiorais da Inglaterra, tanto leigos quanto clérigos, obtiveram do rei João sem Terra o reconhecimento da Magna Carta (Libertatum), Grande Carta das Liberdades, que promulgava direitos da população e que se tornou o fundamento da Constituição liberal da Inglaterra e o embrião dos posteriores sistemas políticos parlamentares. Ora, um século antes disto, em 1115 a Ordem Cisterciense¹ concebera o sistema de governo mais prático que se conhece: o Capitulum Generale (Capítulo Geral), assembleia internacional da qual fazem parte representantes de todos os mosteiros e dotada de poder legislativo. A instituição do Capitulum Generale foi adotada por Ordens e Congregações Religiosas posteriores e tornou-se modelo para o regime de muitas sociedades de caráter internacional.

É preciso ainda apontar duas características da mentalidade medieval, de grande importância na história subsequente.

Duas notas marcantes

Confiança na razão

Para os medievais, o mundo era obra de um Deus sábio e lógico, distinto do próprio mundo (em oposição a todo panteísmo). Por conseguinte, o mundo lhes aparecia como algo que pode ser conhecido pelo homem mediante a sua razão; não é um fantasma nem uma armadilha. Dizia no século XII o teólogo francês Guilherme de Conches: “Deus respeita as próprias leis”. E no século seguinte Santo Alberto Magno (+ 1280) afirmava: “Natura est ratio. A natureza é a razão ou é racional”. Em consequência, os estudiosos medievais se aplicaram ao raciocínio e à pesquisa (como a podiam realizar na sua época) com plena confiança no acume da razão, sem, porém, cair no racionalismo, pois acima da razão admitiam as luzes e as verdades da fé…

Um dos exemplos mais clássicos desse tipo de estudiosos é o inglês Rogério Bacon (1214-1294), chamado “Doutor Admirável”. Ingressou na Ordem dos Franciscanos em 1257 e pôs-se a comentar as obras de Aristóteles. Posteriormente dedicou-se à pesquisa científica, recorrendo a um método experimental, que foi precursor do método adotado por Francis Bacon (1561-1626); assim procedendo, fez descobertas no setor da ótica. Planejou diversas invenções mecânicas: máquinas a vapor, barcos máquinas voadores… Em seus escritos encontrou-se uma fórmula da pólvora, que ele pode ter tomado dos árabes numa época em que os europeus quase não a conheciam. Deixou obras famosas: Opus Maius, Opus Minus e Opus Tertium.

Os resultados dessa confiança dos medievais na razão humana fizeram-se sentir nos séculos subsequentes: em 1608 contavam-se mais de cem Universidades na Europa e nenhuma no resto do mundo (exceto na América Latina, onde os espanhóis expandiam a sua cultura). Dessas Universidades, mais de oitenta tiveram origem na Idade Média, como genuína expressão da cultura medieval. Diz-se com razão que as Universidades e as catedrais exprimem autenticamente a Idade Média; na verdade, os medievais atingiram o primado mundial de altura de cúpula na catedral de Amiens (1221), com 42,30 metros, mede 142 metros de altura: só foi ultrapassada pela Torre Eiffel de Paris em 1889, com 320 metros.

Dinamismo

A Escritura Sagrada transmite aos seus leitores uma atitude dinâmica em relação ao universo que os cerca. Logo em suas primeiras páginas formula o desígnio divino: “Façamos o homem à nossa imagem, como nossa semelhança; domine sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra” (Gn 1, 26). E após a criação do homem se lê a ordem divina: “Enchei a terra e submetei-a; dominai sobre os peixes do mar, as aves do céu e todos os animais que rastejam sobre a terra” (Gn 1, 28).

O salmo 8, por sua vez, canta o poder do homem sobre os seres que o cercam:

“Que é o homem para que dele te recordes?… e o filho do homem, para que dele tenhas cuidado? Não obstante, Tu o fizeste um pouco inferior aos anjos…e lhes deste poder sobre as obras de tuas mãos, tudo colocaste debaixo dos seus pés”.

No Novo Testamento lê-se que Cristo, ao encerrar sua missão pública, mandou aos apóstolos que fossem pregar o Evangelho no mundo inteiro; cf. Mt 28, 18-20.

Por conseguinte, a atitude do esforço, da luta, do empreendimento, da resposta ao desafio…é muito familiar ao cristão. Pode-se dizer que foram os cristãos que realizaram os progressos da ciência (tenha-se em vista o mundo ocidental comparado com o oriental ou asiático e africano!), as grande aventuras da conquista intelectual, econômica, marítima… Foram otimistas e dinâmicos, conseguindo belos e valiosos resultados.

Estas poucas observações são suficientes para percebermos a notável contribuição do Cristianismo para o avanço da cultura, da ciência e da civilização… na história da humanidade. E, dentro do Cristianismo, merece certamente relevo especial o monaquismo ocidental tal como São Bento (+ 547) o concebeu e a Ordem Cisterciense, com São Bernardo à frente, o desenvolveu.

¹ Citaremos a Regra de São Bento usando a sigla RB; os números seguintes indicarão respectivamente capítulo e versículo(s). A abreviatura Prol significa Prólogo.

É de notar que não sem motivo o Papa Paulo VI em 1964 declarou São Bento “Patrono do Ocidente”. Este deve muitos dos seus valores aos escritos e à obra de São Bento.

¹Cisterciense é o monge Cister; segue a Regra de São Bento tal como foi entendida pelos reformadores de Cister, entre os quais está São Bernardo de Claraval (+ 1153).

Via Professor Felipe Aquino

Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”
D. Estevão Bettencourt, osb
Nº 347 – Ano – 1991 – p. 177

Nas colinas da Galiléia, a região exuberante da Terra Santa onde Jesus Cristo cresceu, os moradores da cidade de Jish são parte da pequena comunidade que ainda preserva a língua que Jesus falava.

Eles fazem parte de um esforço heroico para manter viva uma tradição prestes a desaparecer do Oriente Médio. “Ainda me emociona muito quando escuto aramaico”, disse a professora de jardim de infância Neveen Elias. “Quando rezo em aramaico, sinto que estou muito perto de Jesus”.

Os cristãos maronitas de Jish celebram parte da liturgia em aramaico durante as missas na Igreja de São Maroun, o nome do monge do século V que fundou o movimento maronita. O movimento milenar ainda possui congregações no Líbano e na Síria. No alto do templo, há uma inscrição do Pai Nosso em aramaico, um lembrete de como ela pode ter sido originalmente.

Jish, que fica a poucos quilômetros ao sul da fronteira de Israel com o Líbano, é uma cidade de 3 mil habitantes, onde 60% da população é cristã, algo muito raro na região. O restante é muçulmano.

Não é uma língua morta

Shadi Khalloul é o homem por trás deste “avivamento” do aramaico. Ele diz que se lembra como era mais comum ouvir o idioma durante sua infância. Seu entendimento mudou quando ele foi estudar Teologia numa Universidade dos Estados Unidos.

“Meu professor Certo dia nos disse que Jesus falava aramaico, um idioma que desapareceu. Aquilo me deixou ofendido. Imediatamente levantei minha mão e disse: Professor, essa a linguagem ainda existe. Nós ainda a falamos e rezamos nela”.

Khalloul disse que não culpa o professor por pensar que o aramaico estava morto. “Talvez a culpa é das pessoas que ainda falam essa língua, pois não mostramos ao mundo que o aramaico ainda está vivo e sendo usado”.

Quando voltou para Jish, 10 anos atrás, Khalloul decidiu fazer sua missão de vida um resgate do aramaico. O ex-capitão do exército israelense fundou a Associação Aramaica Cristã Israelense.

Ele abriu uma escola em Jish, onde a nova geração pode aprender a língua. Atualmente, cerca de 120 crianças recebem aulas do idioma todas as semanas.

Ele diz que essa tradição está se perdendo entre os maronitas espalhados pelo mundo. Há grandes comunidades de maronitas na Suécia, no Brasil, na Argentina e no Canadá. Cerca de 11.000 deles vivendo atualmente em Israel.

As únicas exceções são a aldeia de Beit Jala, cidade na região de Belém, – onde Jesus nasceu – que está sob governo da Autoridade Palestina e a aldeia de Maaloula, na Síria, mas ali quase toda a população foi expulsa pelo Estado Islâmico.

O sonho de Khalloul é estabelecer uma cidade em Israel, onde todos falem o aramaico e possam “preservar sua língua e sua identidade”. Apenas duas famílias na pequena Jish falam o idioma em casa: a sua e a do seu irmão.

Eles já fizeram um pedido ao governo israelense, e disseram que a resposta foi positiva, mas não há previsão de quando isso deve ocorrer. 

Fonte:  CBC

A rede televisiva norte-americana ABC apresentou uma breve matéria com imagens do Instituto italiano Luce – Cinecittà, captadas na década de 1930.

As cenas mostram a dificuldade e os perigos que eram encarados pelos “sanpietrini”, trabalhadores e artesãos quase “acróbatas” que, por devoção, preparavam a iluminação exterior da Basílica de São Pedro, no Vaticano, para o Natal. Eram acesas cerca de 900 tochas e 5000 lanternas!

O resultado? Um espetáculo de luz e acolhimento!

Confira as imagens no seguinte vídeo, postado no YouTube pelo blog Senza Pagare

Cientistas que investigam o lugar onde se encontra o túmulo para onde Jesus Cristo teria sido levado após sua crucificação,  em Jerusalém, comprovaram que os materiais de construção utilizados são do século IV — mais precisamente, de 326. Isso confirma crenças antigas de que os romanos construíram o monumento três séculos depois da morte de Jesus, afirmou nesta terça-feira um especialista que participou do estudo. Até então, apenas materiais de 1.000 anos atrás, quando o túmulo foi destruído e teve de ser reconstruído, haviam sido encontrados.

O estudo não oferece nenhuma evidência de que Jesus está ou não enterrado nesse local de Jerusalém, como prega a tradição cristã, mas ratifica a crença histórica de que os romanos foram os responsáveis pela construção do monumento, no local onde se acreditava que Jesus havia sido enterrado, durante o reinado de Constantino, o primeiro imperador a se converter ao cristianismo.

“É uma descoberta muito importante porque confirma que foi Constantino, como afirmam as evidências históricas, o responsável por ter coberto o leito de rocha do túmulo de Cristo com as lousas de mármore do santuário”, afirmou Antonia Moropoulou, especialista em preservação da Universidade Técnica Nacional de Atenas, na Grécia, e coordenadora científica dos trabalhos de restauração.

É a primeira vez que se realiza esse tipo de estudo no local, que fica onde hoje é a Basílica do Santo Sepulcro, no interior de um santuário construído depois. A análise dos componentes da argamassa do local foi feita no âmbito de novos trabalhos de restauração do monumento — motivo pelo qual os cientistas decidiram abrir o lugar onde Jesus foi enterrado, pela primeira vez em muitos séculos.

A datação da argamassa mostra a continuidade histórica do lugar, desde a era bizantina, passando pelas Cruzadas e pelo período de antes e depois do Renascimento. Segundo as crenças tradicionais, Constantino construiu o monumento para Jesus no local onde se acreditava que ele foi enterrado, no início da transição do Império Romano do paganismo para o cristianismo, no século IV de nossa era. Outros monumentos foram construídos depois sobre o lugar.

Um projeto sem precedentes, assim é o Museu da Bíblia que neste mês de novembro abriu suas portas em Washington, e é considerado um dos maiores do mundo com 40 mil metros quadrados e 8 andares. Quase três anos de trabalhos foi o que demoraram seus promotores para entregar um completo museu dedicado às Sagradas Escrituras.

No evento de inauguração esteve presente o Cardeal Donald Wurel, Arcebispo de Washington, que em nome do Santo Padre Francisco saudou aos presentes, e destacou esta significativa instituição cultural que inspirará e iluminará a vida das pessoas através de sua extensa coleção e suas exibições.”Temos trabalhado para convertê-lo em um dos melhores museus do mundo. Queremos que os visitantes saiam com duas ideias. A primeira é ‘Vá! É o museu mais incrível que visitei’; e a segunda é, ‘depois desta visita quiçá deveria conhecer melhor a Bíblia'”, disse Tony Zeiss, Diretor Executivo do Museu, durante sua inauguração.

Situado a poucas quadras do Capitólio, o novo Museu da Bíblia tem por objetivo dar a conhecer as várias nuances das Sagradas Escrituras, que continua sendo a obra mais vendida e mais lida no mundo. Para isso estão distribuídas nos 8 andares diferentes salas temáticas para contar a história dos livros sagrados com ajuda da multimídia e tecnologias de ponta.

Os três primeiros andares estão dedicados inteiramente à história, narração e impacto da Bíblia no mundo, nos outros se distribuem espaços para exposições, bibliotecas, museus, galerias, também há laboratórios de pesquisa, uma zona especial para que as crianças se aproximem das leituras sagradas por meio de jogos interativos, algumas aulas, um grande teatro, e também um restaurante, além de um jardim bíblico.


Entre as coleções que podem ser visitadas no museu, se pode apreciar uma muito completa de manuscritos, com a presença de antigos textos bíblicos, textos judeus, manuscritos medievais, as primeiras Bíblias impressas, Bíblias artesanais, entre outros.”O Museu é um convite para conhecer melhor a Bíblia, mas de um modo muito divertido. É algo totalmente novo. Convidamos a todos para visitar-nos. Lhes asseguro que não lhes decepcionaremos”, indicou Cary Summers, presidente do Museu.

Das exibições temporais, atualmente está uma com vários tesouros dos Museus Vaticanos e a Biblioteca Vaticana; outra sobre descobrimentos arqueológicos de Israel, e uma sobre prestigiosos manuscritos sobre o Natal que datam do século XV e são parte de uma coleção da Biblioteca Estatal da Baviera.

A edificação também acolherá exposições itinerantes da ‘American Bible Society’, que participaram de maneira ativa no projeto do museu, que foi financiado em sua totalidade pela iniciativa privada, que ofereceu 500 milhões de dólares para sua realização. A construção, que contou com o apoio de mais de 550 engenheiros e arquitetos, se realizou sobre um antigo armazém de refrigeração que havia sido edificado em 1922. (EPC)

gaudiumpress.org, no link http://www.gaudiumpress.org/content/91462#ixzz4zU1hb44v