Estamos diante de uma reconstituição do corpo real de Jesus Cristo!

“Esta estátua é a representação tridimensional do Homem do Sudário, em tamanho natural, feita com base em medidas milimétricas tomadas do pano em que o corpo de Cristo foi envolvido após a crucificação”.

Quem explica é Giulio Fanti, professor de medições mecânicas e térmicas na Universidade de Pádua e estudioso da relíquia, uma das mais enigmáticas e apaixonantes do mundo cristão (e também do mundo incrédulo). Com base em suas medições, o professor fez a reconstituição em 3D que, a seu ver, permite afirmar que essas são as reais características do Cristo crucificado.

“Consideramos que finalmente estamos diante de uma imagem precisa de como era Jesus nesta terra. A partir de agora não será mais possível retratá-lo sem levar em conta este trabalho”.

O professor concedeu à revista italiana Chi a conversa exclusiva em que afirmou:

“Segundo os nossos estudos, Jesus era um homem de extraordinária beleza. Longilíneo, mas muito robusto, tinha 1m80 de altura, quando a altura média naquele tempo era de cerca de 1m65. E tinha uma expressão real e majestosa” (cf. Vatican Insider).

Mediante os estudos e a projeção tridimensional, Fanti pôde também computar as numerosas feridas no corpo do Homem do Sudário:

“No Sudário eu contei 370 feridas de açoites, sem considerar as laterais, que o pano não revela porque envolveu apenas a parte anterior e a posterior do corpo. Mas podemos supor pelo menos 600 golpes. Além disso, a reconstrução tridimensional permitiu observar que, na hora da morte, o Homem do Sudário pendeu para a direita, porque o ombro direito foi deslocado de modo tão grave que lesou os nervos” (cf. Il Mattino di Padova).

É notório que, nesse homem torturado, vemos sinais inquestionáveis de sofrimento. Os olhos da fé enxergam nele o homem por excelência, aquele que foi apresentado pela arrepiante frase “Ecce Homo”, “Eis o homem”; aquele que foi visto manso e majestoso diante de Pilatos, mas que sofreu terrível flagelação, espancamentos, coroação de espinhos, subida ao Calvário carregando aos ombros a própria cruz, crucificação como inocente e morte pela nossa redenção.

Acreditar na autenticidade do Sudário não é obrigatório para nenhum cristão. Mas o carácter excepcional daquele pano fúnebre e seus séculos e séculos de mistério fascinante e desafiador provoca o nosso entendimento e as nossas certezas, tal como fez aquele Nazareno que desafiou as nossas certezas ao amar os seus perseguidores, a perdoá-los do alto da cruz e derrotar a morte para sempre.

Aleteia

Embora o Santo Sudário de Turim (Itália) seja o objeto mais importante relacionado a Jesus que permanece até hoje, a Espanha também tem entre os seus tesouros duas relíquias importantes de Cristo.

Estas relíquias são o Sudário de Oviedo, pano que cobriu o rosto de Jesus e o Lignum Crucis, um pedaço da cruz do Senhor.

Estas relíquias foram estudadas em profundidade e permitem aproximar-se um pouco mais da Paixão de Cristo.

O Sudário de Oviedo

Segundo a tradição, o sudário que cobria o rosto de Jesus está guardado na Catedral de Oviedo e é exposto ao público apenas três vezes por ano: na Sexta-feira Santa; no dia 14 de setembro, dia da Santa Cruz; e em 21 de setembro, festa do Apóstolo São Mateus, padroeiro da cidade espanhola.

Os apóstolos veneraram em Jerusalém as relíquias da Paixão, incluindo o Sudário, durante os primeiros anos do cristianismo. Com a invasão dos persas no século VII, conseguiram salvá-lo e foi levado à Espanha.

Jorge Manuel Rodríguez Almenar, presidente do Centro Espanhol de Sindonologia, explicou em diversas ocasiões que os estudos mostram que todos os elementos do Sudário de Oviedo coincidem com os do Santo Sudário.

O último estudo realizado pela Universidade Católica de Murcia, na Espanha, concluiu que ambos os panos envolveram a mesma pessoa. Também precisou que o homem do Santo Sudário e do Sudário de Oviedo sofreu a mesma ferida no lado.

Algo que está de acordo com o que foi relatado no Evangelho de João, quando diz: “Mas, vindo a Jesus, e vendo-o já morto, não lhe quebraram as pernas. Contudo um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água”.

Lignum Crucis: Uma relíquia da Cruz de Cristo

O mosteiro franciscano de Santo Toribio de Liébana, na Cantábria, guarda há mais de 1200 anos um grande pedaço da Cruz de Jesus.

Esta relíquia é conhecia pelo seu nome em latim Lignum Crucis, que significa lenho ou madeira da Cruz. Este objeto sagrado corresponde à madeira horizontal do lado esquerdo.

Santa Helena, mãe do imperador Constantino, decidiu conservar as relíquias da Paixão do Senhor. Uma delas foi a Cruz, que chegou à Espanha no século XVI, com os restos de Santo Toribio, que tinha sido custódio dos lugares santos em Jerusalém.

Em 1958, realizaram alguns testes para comprovar a sua autenticidade e “confirmaram que a madeira é de uma árvore que existe na Terra Santa e que tem uma idade superior a 2000 anos”, assegurou ao Grupo ACI o Pe. Juan Manuel Núñez, superior do convento de Santo Toribio de Liébana.

Além disso, o DNA da relíquia coincide com o de outros pedaços menores da cruz conservados em diferentes lugares do mundo.

“A maior prova de veracidade das Lignum Crucis são todas as conversões que ocorrem no sacramento da confissão no mosteiro”, afirma o sacerdote.

Segundo o Pe. Nunez, o Lignum Crucis fala, “através de uma linguagem silenciosa, do amor de Deus que se entrega ao coração de todos os homens. Um amor que ficou marcado para sempre na Cruz e que diz a todos: ‘Embora não saibam lê-lo aqui diz como e quanto os amo’”.

Desde o século XVI se celebra o Ano Jubilar Lebaniego Santo Toribio de Liébana. Este Ano Santo ocorre cada vez que o dia 16 de abril (festa de Santo Toribio) cai em um domingo. Como o dia 16 de abril de 2017 coincide com o Domingo de Ressurreição, o início deste Ano Santo começará no dia 23 de abril.

Fonte: ACI Digital

Do ponto de vista histórico, talvez nenhum túmulo do mundo esteja tão apoiado em documentos de época, quanto o de São Pedro na Basílica Vaticana.

O lugar da sepultura havia sido mencionado pela primeira pelo presbítero Gaio, nos tempos do papa Zeferino (entre 198 e 217):

“Posso mostrar-te os troféus dos apóstolos [Pedro e Paulo]. Se quiseres dirigir-te ao Vaticano ou à Via de Óstia, encontrarás os troféus daqueles que fundaram esta Igreja [de Roma]” (in: Eusébio de Cesareia, História eclesiástica, II, 25, 7). Gaio entendia por “troféu” o corpo do mártir.

O martírio de Pedro é confirmado por Tertuliano, que, por volta do ano 200, escreve que a preeminência de Roma está ligada ao fato de que três apóstolos, Pedro, Paulo e João, nessa cidade ensinaram, tendo sido os dois primeiros mártires nela (cf. A prescrição contra os hereges, 36).

Clemente Romano, no ano 96, escreveu:

“Levemos em consideração os bons apóstolos: Pedro, que por inveja injusta suportou não um, nem dois, mas muitos sofrimentos, e assim, depois de ter dado testemunho, encaminhou-se para o merecido lugar da glória. […]

“Em torno desses homens [Pedro e Paulo], que se comportaram piamente, reuniu-se uma grande multidão de eleitos, os quais, depois de terem sofrido por inveja muitos ultrajes e tormentos, tornaram-se entre nós belíssimo exemplo”.

Entre muitos outros testemunhos históricos pode se citar os de:

Orígenes (185 – 253) responsável pela Escola catequética em Alexandria afirmou: “Pedro, ao ser martirizado em Roma, pediu e obteve fosse crucificado de cabeça para baixo”.

Santo Ireneu (130 – 202), bispo de Lião referiu:

“Para a maior e mais antiga a mais famosa Igreja, fundada pelos dois mais gloriosos Apóstolos, Pedro e Paulo”.

E ainda “Os bem-aventurados Apóstolos portanto, fundando e instituindo a Igreja, entregaram a Lino o cargo de administrá-la como bispo; a este sucedeu Anacleto; depois dele, em terceiro lugar a partir dos Apóstolos, Clemente recebeu o episcopado.”

E acrescentou: “Mateus, achando-se entre os hebreus, escreveu o Evangelho na língua deles, enquanto Pedro e Paulo evangelizavam em Roma e aí fundavam a Igreja.”

Tertuliano (155-222 d.C.):

“A Igreja também dos romanos publica ‒ isto é, demonstra por instrumentos públicos e provas ‒ que Clemente foi ordenado por Pedro.

“Feliz Igreja, na qual os Apóstolos verteram seu sangue por sua doutrina integral!” ‒ e fala da Igreja Romana, “onde a paixão de Pedro se fez como a paixão do Senhor.”

São Eusébio (263-340 d.C.) bispo de Cesareia, escreveu a “História Eclesiástica” onde narra a história da Igreja das origens até 303, e diz: “Pedro, de nacionalidade galileia, o primeiro pontífice dos cristãos, tendo inicialmente fundado a Igreja de Antioquia, se dirige a Roma, onde, pregando o Evangelho, continua vinte e cinco anos Bispo da mesma cidade.”

“A sucessão de Bispos em Roma é nesta ordem: Pedro e Paulo, Lino, Cleto, Clemente etc..”Santo Epifânio (315-403 d.C.), bispo de Constância falando da sucessão dos Bispos de Roma, registrou:

Doroteu: “Lino foi Bispo de Roma após o seu primeiro guia, Pedro.”

Optato de Milevo: “Você não pode negar que sabe que na cidade de Roma a cadeira episcopal foi primeiro investida por Pedro, na qual Pedro, cabeça dos Apóstolos, a ocupou.”

São Cipriano (martirizado em 258), bispo de Cartago (norte da África), no livro De Ecclesiae Unitate diz: “A cátedra de Roma é a cátedra de Pedro, a Igreja principal, de onde se origina a unidade sacerdotal.”[28]

E o grande Santo Agostinho (354 – 430): “A Pedro sucedeu Lino.”

São Pedro morreu nos jardins de Nero, no Vaticano, ao lado de uma grande multidão de cristãos, na perseguição desencadeada por esse imperador.

É ao ano de 64, ano do início das perseguições que deve remontar, a data do martírio do Príncipe dos Apóstolos.

São Jerônimo punha o martírio de São Pedro no ano de 67, juntamente com o martírio de São Paulo.

O historiador romano Tácito descreveu essa perseguição:

“Portanto, em primeiro lugar foram presos aqueles que confessavam abertamente sua crença [na ressurreição de Cristo]; depois, por denúncia destes, foi presa uma grande multidão, não tanto sob a acusação de ter provocado o incêndio, mas, sim, pelo ódio que tinham à espécie humana.

“À morte de todos eles acrescentava-se o escárnio, pois que, revestidos de peles de animais, pereciam dilacerados pelos cães, ou eram pregados nas cruzes, ou queimados vivos, ao pôr-do-sol, como tochas para a noite.


“Por isso, embora fosse gente culpada e merecedora de tão originais tormentos, crescia um sentimento de piedade por eles, pois eram sacrificados não para o bem comum, mas em razão da crueldade de um só” (Anais, XV, 44, 4-5).“Nero cedeu seus jardins para esse espetáculo, e providenciou jogos circenses, participando deles misturado à multidão, em vestes de auriga, ou de pé sobre o carro.

O imperador Constantino deu liberdade ao cristianismo e o imperador Teodósio o fez religião oficial do Império.

Na segunda década do século IV, Constantino encerrou num monumento em alvenaria a sepultura de Pedro. Até então só havia um túmulo escavado diretamente na terra, perto do circo que marcava o limite setentrional dos jardins de Nero.

Por volta de 320, o mesmo imperador edificou uma basílica em função da sepultura.

Para isso foi necessário um grandioso trabalho de engenharia, que, de um lado, cortava os declives da colina Vaticana e, de outro, soterrava e utilizava como fundamentos as estruturas de uma necrópole dos séculos I e IV.

Quis Constantino que a basílica fosse o monumento que encerrava a sepultura do apóstolo. Por esse motivo, o eixo do edifício de Constantino não levou em conta, como teria sido mais fácil, a necrópole e o circo.

Assim, desde aquela época o sepulcro do apóstolo é o centro exato de do transepto da Basílica. E, por sua vez, o ponto de referência de tudo o que foi construído ao seu redor ao longo dos séculos.

Primeira basílica constantiniana com acréscimos medievais

Desde as sepulturas dos primeiros fiéis cristãos até as instalações para os peregrinos no início da Idade Média, tudo foi feito em volta do eixo da Basílica, cujo centro era o túmulo do Príncipe dos Apóstolos.

Acrescente-se ainda as estradas e os muros da civitas Leoniana edificados depois do saque dos sarracenos de 846 além do moderno bairro do Borgo.

A construção da atual basílica, fundada pelo papa Júlio II em 18 de abril de 1506, embora tenha levado à demolição da basílica constantiniana e de seus acréscimos medievais, respeitou rigorosamente a centralidade do sepulcro de Pedro.

O atual altar-mor, construído pelo papa Clemente VIII (1594), encontra-se exatamente acima do medieval, do papa Calixto II (1123), que, por sua vez, engloba o primeiro altar, do papa Gregório Magno (cerca de 590), construído sobre o monumento constantiniano que guarda o túmulo de Pedro.

O ápice da cúpula de Michelangelo se encontra em posição exatamente perpendicular acima desse altar.

O papa Pio XII dispôs uma escavação arqueológica sob o altar-mor da Basílica Vaticana. Essa aconteceu entre 1939 e 1949 e foi levada a cabo por quatro estudiosos de arqueologia, arquitetura e história da arte.

Tratou-se de Bruno Maria Apollonj-Ghetti; Pe Antonio Ferrua, S.J.; Enrico Josi e Pe. Engelbert Kirschbaum, S.J.; sob a direção de dom Ludwig Kaas, secretário da Insigne Fábrica de São Pedro.

Eles encontraram o monumento de Constantino, um paralelepípedo com cerca de três metros de altura, revestido de mármore pavonáceo e pórfiro.

Escavando ao longo dos lados do monumento constantiniano encontraram debaixo dele o túmulo de Pedro.

As escavações revelaram uma pequena capela, formada por uma mesa sustentada por duas pequenas colunas de mármore e apoiada num muro rebocado e pintado de vermelho (o chamado “muro vermelho”) em posição correspondente à de um nicho; no chão, diante do nicho, sob uma pequena laje, um túmulo escavado diretamente na terra.

Túmulo de São Pedro desde a nave central da basílica

A pequena capela, que pode ser datada do século II, logo foi identificada como sendo o “troféu de Gaio”.

Tratava-se do mais primitivo túmulo que guardou originalmente as relíquias.

Mas o túmulo encontrado estava vazio, pois as relíquias foram transferidas posteriormente.

O monumento constantiniano havia englobado também uma outra estrutura, ao lado da capela, um pequeno muro perpendicular ao “muro vermelho”.

Esse pequeno muro foi denominado “muro dos grafitos”, pois, na face oposta à capela, continha um grande número de grafitos sobrepostos uns aos outros, anteriores ao próprio Constantino.

No interior do pequeno muro, havia sido escavado em tempos antigos, seguramente depois da inserção dos grafitos e antes do arranjo definitivo do monumento constantiniano, um lóculo em forma de paralelepípedo revestido de mármore em toda a base e, até uma certa altura, nos quatro lados, um dos quais, o ocidental, terminava justamente no “muro vermelho”.

Segundo a reconstrução elaborada mais tarde pela arqueóloga Margherita Guarducci, desse lóculo havia sido retirada grande parte do material que continha.

“Pedro está aqui”

Dali provém um importantíssimo documento. Trata-se um fragmento extremamente pequeno (3,2 x 5,8 cm) de reboco vermelho, sobre o qual está grafitado, em grego, a expressão “PETR[Oc] ENI”, ou seja, “Pedro está aqui”.

Túmulo de São Pedro, visto desde a cripta

Os estudos de Guarducci entre 1952 e 1965, levaram à decifração dos grafitos mostrando que estes continham uma ampla série de invocações a Cristo, a Maria e a Pedro, sobrepostas e combinadas.

Os mesmos estudos, compostos de pesquisas complexas e bem articuladas, realizadas com o máximo rigor científico, permitiram constatar que nesse lóculo tinham ficado as relíquias de Pedro depois de retiradas do túmulo escavado na terra.

Onde estavam então as relíquias?

Encontravam-se numa pequena caixa extraída daquele mesmo lóculo durante as excavações dos cientistas e guardada nas dependências das Grutas Vaticanas.

Depois de analisados, os restos mortais revelaram-se pertencentes a um só homem, de compleição robusta, que morrera em idade avançada.

Tinham incrustações de terra e mostravam terem sido envolvidas num pano de lã colorida de púrpura, com trama de ouro.

As relíquias eram compostas de fragmentos de todos os ossos do corpo, exceto dos ossos dos pés, dos quais não havia o menor vestígio.

Esse pormenor, realmente singular, não podia deixar de trazer à memória a circunstância da crucifixão inverso capite (de cabeça para baixo), atestada por antiga tradição como símbolo da humildade de Pedro.

Os resultados desse tipo de crucifixão, ou seja, a separação dos pés, eram visíveis nos restos do corpo encontrado.

Crucifixão de São Pedro. Massaccio, Pisa

A mesma circunstância correspondia perfeitamente a um conhecimento bem sólido, do ponto de vista histórico: o do costume romano de tornar espetaculares as execuções dos condenados à morte.

O cadáver dos executados, privado do direito de sepultura, era abandonado no lugar do suplício.

Foi o que ocorreu a Pedro, levado à morte sem nenhuma distinção, entre muitos outros; só quando foi possível recuperar o corpo é que o apóstolo foi sepultado na terra, da maneira mais humilde – provavelmente às pressas, no lugar mais próximo à disposição.

O arqueólogo Antônio Ferrua descobriu ainda características das substâncias químicas contidas na ossada, pertencente a um homem que viveu a maior parte de sua vida próximo do Lago de Tiberíades, na Galileia.

Por fim, no encerramento do Jubileu de 1950, Pio XII deu o anúncio do reconhecimento da sepultura de Pedro, que uma tradição antiquíssima e unânime também atestava, e a ciência arqueológica confirmava.

“Nos subterrâneos da Basílica Vaticana estão os fundamentos da nossa fé. A conclusão final dos trabalhos e dos estudos responde um claríssimo ‘sim’: o túmulo do Príncipe dos Apóstolos foi encontrado”.

Via Aleteia

O Dr. Thomas Woods, PhD em História pela Universidade de Harvard nos EUA, disse em um dos seus livros que:

“Bem mais do que o povo hoje tem consciência, a Igreja Católica moldou o tipo de civilização em que vivemos e o tipo de pessoas que somos. Embora os livros textos típicos das faculdades não digam isto, a Igreja Católica foi a indispensável construtora da Civilização Ocidental. A Igreja Católica não só eliminou os costumes repugnantes do mundo antigo, como o infanticídio e os combates de gladiadores, mas, depois da queda de Roma, ela restaurou e construiu a civilização”. [Woods, 2005, pg. 7]

Um dos pontos mais importantes da atuação da Igreja na Idade média cristã, foi no campo da Ciência. Sem a Igreja não haveria a beleza da arquitetura, da música, da arte sacra, das universidades, dos castelos, do direito, da economia, etc.

No séc. VI São Cesário de Arles já expunha no Concílio de Vaison (529) a necessidade imperiosa de criar escolas no campo; e os bispos se dedicaram a isto. Da mesma forma foi a Igreja que montou para Carlos Magno (†814) a sua política escolar; e retomou a tarefa educadora no séc. X após o fim do seu Império.

O III Concílio de Latrão (1179), em Roma, presidido pelo Papa Alexandre III (1159-1181), ordenou ao clero que abrisse escolas por toda a parte para as crianças, gratuitamente. Obrigou a todas as dioceses terem ao menos uma. Essas escolas foram as sementes das Universidades que logo surgiam: Sorbone (Paris), Bolonha (Itália), Canterbury (Inglaterra), Toledo e Salamanca (Espanha), Salerno, La Sapienza, Raviera na Itália; Coimbra em Portugal.

No séc. XII havia só na França 70 abadias com escolas. Todos os grandes bispos também quiseram ter escolas; na França, no séc. XII havia mais de 50 escolas episcopais. Dos sete aos vinte anos as crianças e os jovens eram recebidos nessas escolas sem distinção de classes. Havia escolas só para meninas e moças. As disciplinas dividiam-se em “trivium” (gramática, dialética e retórica) e “quadrivium” (artimética, geometria, astronomia e música). Mas um grande pedagogo da época Thierry de Chartres, mostrou que o “trivium e o quadrivium” eram apenas um meio e que o fim era “formar almas na verdade e na sabedoria”.

Em muitas escolas os alunos tinham ensino técnico de como trabalhar o ouro, prata e cobre. Aos poucos surgiam as especializações: Chartres (letras), Paris (teologia), Bolonha (direito), Salerno e Montpellier (medicina).

O Concílio geral de Latrão III, aprovou o seguinte cânon:

“A Igreja de Deus, qual mãe piedosa, tem o dever de velar pelos pobres aos quais pela indigência dos pais faltam os meios suficientes para poderem facilmente estudar e progredir nas letras e nas ciências. Ordenamos, portanto, que em todas as igrejas catedrais se proveja um benefício (rendimento) conveniente a um mestre, encarregado de ensinar gratuitamente aos clérigos dessa igreja e a todos os alunos pobres” (can. 18, Mansi XXII 227s).

O IV Concílio ecumênico do Latrão (1215), renovou este decreto. Teodulfo, bispo de Orléans no séc. VIII, promulgou o seguinte decreto: “Os sacerdotes mantenham escolas nas aldeias, nos campos; se qualquer dos fiéis lhes quiser confiar os seus filhos para aprender as letras não os deixem de receber e instruir, mas ensinem-lhes com perfeita caridade. Nem por isto exijam salário ou recebam recompensa alguma a não ser por exceção, quando os pais voluntariamente a quiserem oferecer por afeto ou reconhecimento” (Sirmond, Concilia Galliae II 215).

É muito significativo um dos últimos depoimentos sobre a acusação de que a Igreja obstruiu a ciência na Idade Média, proferido em 1957 por um grupo de estudiosos que, sem intenção confessional alguma, escreveram a história da ciência antiga e medieval:

“Parece-nos impossível aceitar a dupla acusação de estagnação e esterilidade levantada contra a Idade Média latina. Por certo a herança (cultural) antiga não foi totalmente conhecida nem sempre judiciosamente explorada;… mas não é menos verdade que de um século para outro – mesmo de uma geração a outra dentro do mesmo grupo – há evolução e geralmente progresso. A Igreja… na Idade Média salvou e estimulou muito mais do que freou ou desviou. Por isto, embora só queira apelar para a Antigüidade, a Renascença é realmente a filha ingrata da Idade Média” (La science antique et médiévale, sous la direction de René Taton, Presses Universitaires de France. Paris 1957, 581s).

Esses poucos dados mostram o quanto a Igreja fez pelo ensino e pelo saber na Idade Média, bem ao contrário do que muitos pensam: que a Igreja foi contra a ciência e o ensino.

Prof. Felipe Aquino

O Prof. Léo Moulin, agnóstico ou ateu belga, reconhece a benéfica influência do Cristianismo e, em especial, da Regra de São Bento na evolução da cultura e da civilização.

Mostra como a Regra de São Bento, legislando para os monges, fez transbordar sobre toda a sociedade medieval e posterior certos princípios de disciplina, diligência e ordem no trabalho, que propiciaram a criação de grandes empresas industriais e culturais. São Bento, aliás, hauriu das Escrituras Sagradas a sua mentalidade; ora a Bíblia incute ao homem certo otimismo em relação à natureza, obra de Deus Criador, que confiou ao casal humano o mandato de explorar e dominar as criaturas inferiores. A mesma fonte bíblica deu a saber ao homem que o universo foi criado com sabedoria e lógica; a própria razão humana, sendo dom de Deus, merece a confiança do homem; conscientes disto, os medievais cultivaram a inteligência, resultando daí grande número de Universidades e belas obras de arte (catedrais, especialmente), que supõem dinamismo, coragem e saber científico entre os homens da Idade Média. Esta, portanto, não foi o período obscuro do qual sem o devido conhecimento de causa.

Costuma-se comentar a influência que o Calvinismo, fundado no século XVI, exerceu sobre o desenvolvimento comercial e econômico dos países que o adotaram. O senso religioso levou os calvinistas a se dedicarem “religiosamente” às suas atividades profissionais, donde resultou (em parte, ao menos) a rede colonial da Inglaterra e da Holanda.

Todavia é menos conhecida a influência sadia que a fé católica exerceu sobre os monges e as populações medievais em favor do progresso da civilização. Aliás, deve-se dizer que o Cristianismo, bem entendido e vivido, foi e será sempre um estímulo para a construção de um mundo mais humano, fraterno e, por conseguinte, mais feliz.

Invenções e Descobertas

A Idade Média ocidental ocupa lugar importante na história do desenvolvimento tecnológico, pois registrou uma série de invenções e descobertas que lhe dão preeminência sobre quanto ocorreu na mesma época fora do âmbito europeu. Sejam recordados: a bússola, as lentes de óculos, a roda com aros, o relógio mecânico com pesos e rodas (“invenção mais revolucionária do que a da pólvora e a da máquina a vapor”, conforme Ernst Junger), o canhão (em 1327), a caravela (em 1430), a própria imprensa, a ferradura de cavalo, que permite ao animal correr sobre terrenos inóspitos, os moinhos de água, de maré, de vento…

Isto tudo fez que o Ocidente se encontrasse em melhores condições de civilização do que outras partes do mundo no século XVI.

A Regra de São Bento

Antes de todas estas, houve outra grandiosa “invenção”, que é a Regra de São Bento (+ 547).¹ Nesta encontramos elementos necessários ao bom andamento de uma empresa moderna.

Com efeito. Além do Ora (Oração), São Bento ensina o valor e a sistematização do Labora (Trabalho). Imagina, sim, o seu discípulo como um operário (RB Prol 14) que trabalha com mãos e ferramentas na oficina do Mosteiro (RB 4, 75-78). O trabalho é essencial à identidade monástica, seja o manual, seja o intelectual, seja o artístico ou artesanal. No decorrer da Regra, São Bento ilustra as motivações do Labora:

– o trabalho corresponde a um gênero de vida pobre, que exige a labuta pessoal para poder manter-se; cf. RB 48,8;

– o trabalho é serviço à comunidade e aos hóspedes, a exemplo do que fez Cristo; cf. RB 48, 1-25; 53, 1-23;

– o trabalho é desenvolvimento dos talentos que Deus entregou ao homem e cuja aplicação ele vai julgar; cf. RB 4,75-77;

– o trabalho ajuda os pobres e evita a ociosidade, que é inimiga da alma; cf. RB 48,1.

São Bento quer que o trabalho seja executado “bem”, “com serenidade”, “sem tristeza” e “sem murmuração”; cf. RB 34,6; 35, 13; 40, 8s; 53, 18.

Trabalhar em comum é, para São Bento, um valor, tanto que os monges culpados de faltas graves são excomungados não só da oração e da refeição comunitárias, mas também do trabalho com os irmãos: “Que seja suspenso da mesa e do oratório o irmão culpado de faltas mais graves… Esteja sozinho no trabalho que lhe for determinado” (RB 25, 1.3).

A Regra de São Bento, portanto, formou os monges (e, consequentemente, a sociedade) no sentido da diligência e da disciplina do trabalho. De modo especial, ela incutiu (e incute) dois valores muito estimados no mundo industrial moderno:

– a pontualidade. São Bento não transige a respeito. Prevê sérias punições para quem chega atrasado à oração litúrgica ou ao refeitório (RB 43); ao sinal dado de madrugada, levantem-se todos sem demora (RB 22); quem recebe uma ordem, deve executá-la prontamente (RB 5);

– atenção ao que se faz. São Bento formula uma norma decisiva: “Controlar a todo momento os atos de sua própria vida. Actus vitae suae omni hora custodire” (RB 4,48). É preciso, pois, estar presente de corpo e alma àquilo que se faz, sejam grandes, sejam pequenas coisas. A Regra prevê punições leitura, à qual todos devem prestar atenção, de modo que ninguém converse e só se ouça a voz do leitor (RB 38, 5). Haja absoluta limpeza, especialmente na cozinha (RB 35,6-11). A perda ou a quebra de qualquer objeto durante o trabalho requer satisfação da parte de quem comete a falha (RB 46, 1-4).

São Bento também pede que os monges não se entristeçam se a necessidade do lugar ou a pobreza exigirem que se ocupem em trabalhos extraordinários, “porque então são verdadeiros monges se vivem do trabalho de suas mãos, como também os nossos Pais e os Apóstolos” (RB 48,8).

Estes princípios de ordem ascética, inspirados pelo amor à disciplina do Evangelho, contribuíam para que os mosteiros se tornassem grandes centros agrícolas e artesanais em toda a Idade Média, irradiando em torno de si amor ao trabalho, organização e método modelares para a posteridade. Essa sistemática não tinha em vista simplesmente produção e lucro materiais, mas era inspirada pelo espírito de fé e apoiada em razões monásticas. Assim, por exemplo, um texto do século XI explica por que foi adotado um moinho de água na comunidade: “…a fim de que os monges tenham mais tempo para dedicar-se à oração”.

Em seu afã de trabalhar para exercer disciplina e evitar a ociosidade (inimiga da alma), os monges dedicaram-se a quase todas as atividades produtivas: exploraram minas de carvão, salinas, metalurgia, marcenaria, construção… Assim, por exemplo, os monges cistercienses fabricaram fornos para produzir tijolos grandes, dotados de furos para facilitar a sua cozedura e manipulação; eram os chamados “tijolos de São Bernardo!. Montaram na Borgonha fábricas de telhas, que eles espalharam por diversas regiões.

Aliás, a própria Regra de São Bento pede que o mosteiro tenha em suas dependências tudo de que necessita para viver: “Seja o mosteiro construído de tal modo que todas as coisas necessárias, isto é, água moinho, horta e os diversos ofícios se exerçam dentro do mosteiro, para que não haja necessidade de que os monges vagueiem fora, pois de nenhum modo isto convém às suas almas” (RB 66,6s). Ora esta norma da Regra não podia deixar de ser forte estímulo para a criatividade dos monges. O capítulo 57 da mesma Regra trata dos artesãos que, com a autorização e a bênção do Abade, trabalham no mosteiro como monges, e pede que os preços dos respectivos artefatos sejam mais baixos do que os preços do comércio de fora: “Quanto aos preços, não se insinue o mal de avareza, mas venda-se sempre um pouco mais barato do que pode ser vendido pelos seculares, para que em tudo seja Deus glorificado” (RB 57, 7-9).

Sabemos ainda que em 1215 os maiorais da Inglaterra, tanto leigos quanto clérigos, obtiveram do rei João sem Terra o reconhecimento da Magna Carta (Libertatum), Grande Carta das Liberdades, que promulgava direitos da população e que se tornou o fundamento da Constituição liberal da Inglaterra e o embrião dos posteriores sistemas políticos parlamentares. Ora, um século antes disto, em 1115 a Ordem Cisterciense¹ concebera o sistema de governo mais prático que se conhece: o Capitulum Generale (Capítulo Geral), assembleia internacional da qual fazem parte representantes de todos os mosteiros e dotada de poder legislativo. A instituição do Capitulum Generale foi adotada por Ordens e Congregações Religiosas posteriores e tornou-se modelo para o regime de muitas sociedades de caráter internacional.

É preciso ainda apontar duas características da mentalidade medieval, de grande importância na história subsequente.

Duas notas marcantes

Confiança na razão

Para os medievais, o mundo era obra de um Deus sábio e lógico, distinto do próprio mundo (em oposição a todo panteísmo). Por conseguinte, o mundo lhes aparecia como algo que pode ser conhecido pelo homem mediante a sua razão; não é um fantasma nem uma armadilha. Dizia no século XII o teólogo francês Guilherme de Conches: “Deus respeita as próprias leis”. E no século seguinte Santo Alberto Magno (+ 1280) afirmava: “Natura est ratio. A natureza é a razão ou é racional”. Em consequência, os estudiosos medievais se aplicaram ao raciocínio e à pesquisa (como a podiam realizar na sua época) com plena confiança no acume da razão, sem, porém, cair no racionalismo, pois acima da razão admitiam as luzes e as verdades da fé…

Um dos exemplos mais clássicos desse tipo de estudiosos é o inglês Rogério Bacon (1214-1294), chamado “Doutor Admirável”. Ingressou na Ordem dos Franciscanos em 1257 e pôs-se a comentar as obras de Aristóteles. Posteriormente dedicou-se à pesquisa científica, recorrendo a um método experimental, que foi precursor do método adotado por Francis Bacon (1561-1626); assim procedendo, fez descobertas no setor da ótica. Planejou diversas invenções mecânicas: máquinas a vapor, barcos máquinas voadores… Em seus escritos encontrou-se uma fórmula da pólvora, que ele pode ter tomado dos árabes numa época em que os europeus quase não a conheciam. Deixou obras famosas: Opus Maius, Opus Minus e Opus Tertium.

Os resultados dessa confiança dos medievais na razão humana fizeram-se sentir nos séculos subsequentes: em 1608 contavam-se mais de cem Universidades na Europa e nenhuma no resto do mundo (exceto na América Latina, onde os espanhóis expandiam a sua cultura). Dessas Universidades, mais de oitenta tiveram origem na Idade Média, como genuína expressão da cultura medieval. Diz-se com razão que as Universidades e as catedrais exprimem autenticamente a Idade Média; na verdade, os medievais atingiram o primado mundial de altura de cúpula na catedral de Amiens (1221), com 42,30 metros, mede 142 metros de altura: só foi ultrapassada pela Torre Eiffel de Paris em 1889, com 320 metros.

Dinamismo

A Escritura Sagrada transmite aos seus leitores uma atitude dinâmica em relação ao universo que os cerca. Logo em suas primeiras páginas formula o desígnio divino: “Façamos o homem à nossa imagem, como nossa semelhança; domine sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra” (Gn 1, 26). E após a criação do homem se lê a ordem divina: “Enchei a terra e submetei-a; dominai sobre os peixes do mar, as aves do céu e todos os animais que rastejam sobre a terra” (Gn 1, 28).

O salmo 8, por sua vez, canta o poder do homem sobre os seres que o cercam:

“Que é o homem para que dele te recordes?… e o filho do homem, para que dele tenhas cuidado? Não obstante, Tu o fizeste um pouco inferior aos anjos…e lhes deste poder sobre as obras de tuas mãos, tudo colocaste debaixo dos seus pés”.

No Novo Testamento lê-se que Cristo, ao encerrar sua missão pública, mandou aos apóstolos que fossem pregar o Evangelho no mundo inteiro; cf. Mt 28, 18-20.

Por conseguinte, a atitude do esforço, da luta, do empreendimento, da resposta ao desafio…é muito familiar ao cristão. Pode-se dizer que foram os cristãos que realizaram os progressos da ciência (tenha-se em vista o mundo ocidental comparado com o oriental ou asiático e africano!), as grande aventuras da conquista intelectual, econômica, marítima… Foram otimistas e dinâmicos, conseguindo belos e valiosos resultados.

Estas poucas observações são suficientes para percebermos a notável contribuição do Cristianismo para o avanço da cultura, da ciência e da civilização… na história da humanidade. E, dentro do Cristianismo, merece certamente relevo especial o monaquismo ocidental tal como São Bento (+ 547) o concebeu e a Ordem Cisterciense, com São Bernardo à frente, o desenvolveu.

¹ Citaremos a Regra de São Bento usando a sigla RB; os números seguintes indicarão respectivamente capítulo e versículo(s). A abreviatura Prol significa Prólogo.

É de notar que não sem motivo o Papa Paulo VI em 1964 declarou São Bento “Patrono do Ocidente”. Este deve muitos dos seus valores aos escritos e à obra de São Bento.

¹Cisterciense é o monge Cister; segue a Regra de São Bento tal como foi entendida pelos reformadores de Cister, entre os quais está São Bernardo de Claraval (+ 1153).

Via Professor Felipe Aquino

Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”
D. Estevão Bettencourt, osb
Nº 347 – Ano – 1991 – p. 177

Nas colinas da Galiléia, a região exuberante da Terra Santa onde Jesus Cristo cresceu, os moradores da cidade de Jish são parte da pequena comunidade que ainda preserva a língua que Jesus falava.

Eles fazem parte de um esforço heroico para manter viva uma tradição prestes a desaparecer do Oriente Médio. “Ainda me emociona muito quando escuto aramaico”, disse a professora de jardim de infância Neveen Elias. “Quando rezo em aramaico, sinto que estou muito perto de Jesus”.

Os cristãos maronitas de Jish celebram parte da liturgia em aramaico durante as missas na Igreja de São Maroun, o nome do monge do século V que fundou o movimento maronita. O movimento milenar ainda possui congregações no Líbano e na Síria. No alto do templo, há uma inscrição do Pai Nosso em aramaico, um lembrete de como ela pode ter sido originalmente.

Jish, que fica a poucos quilômetros ao sul da fronteira de Israel com o Líbano, é uma cidade de 3 mil habitantes, onde 60% da população é cristã, algo muito raro na região. O restante é muçulmano.

Não é uma língua morta

Shadi Khalloul é o homem por trás deste “avivamento” do aramaico. Ele diz que se lembra como era mais comum ouvir o idioma durante sua infância. Seu entendimento mudou quando ele foi estudar Teologia numa Universidade dos Estados Unidos.

“Meu professor Certo dia nos disse que Jesus falava aramaico, um idioma que desapareceu. Aquilo me deixou ofendido. Imediatamente levantei minha mão e disse: Professor, essa a linguagem ainda existe. Nós ainda a falamos e rezamos nela”.

Khalloul disse que não culpa o professor por pensar que o aramaico estava morto. “Talvez a culpa é das pessoas que ainda falam essa língua, pois não mostramos ao mundo que o aramaico ainda está vivo e sendo usado”.

Quando voltou para Jish, 10 anos atrás, Khalloul decidiu fazer sua missão de vida um resgate do aramaico. O ex-capitão do exército israelense fundou a Associação Aramaica Cristã Israelense.

Ele abriu uma escola em Jish, onde a nova geração pode aprender a língua. Atualmente, cerca de 120 crianças recebem aulas do idioma todas as semanas.

Ele diz que essa tradição está se perdendo entre os maronitas espalhados pelo mundo. Há grandes comunidades de maronitas na Suécia, no Brasil, na Argentina e no Canadá. Cerca de 11.000 deles vivendo atualmente em Israel.

As únicas exceções são a aldeia de Beit Jala, cidade na região de Belém, – onde Jesus nasceu – que está sob governo da Autoridade Palestina e a aldeia de Maaloula, na Síria, mas ali quase toda a população foi expulsa pelo Estado Islâmico.

O sonho de Khalloul é estabelecer uma cidade em Israel, onde todos falem o aramaico e possam “preservar sua língua e sua identidade”. Apenas duas famílias na pequena Jish falam o idioma em casa: a sua e a do seu irmão.

Eles já fizeram um pedido ao governo israelense, e disseram que a resposta foi positiva, mas não há previsão de quando isso deve ocorrer. 

Fonte:  CBC

A rede televisiva norte-americana ABC apresentou uma breve matéria com imagens do Instituto italiano Luce – Cinecittà, captadas na década de 1930.

As cenas mostram a dificuldade e os perigos que eram encarados pelos “sanpietrini”, trabalhadores e artesãos quase “acróbatas” que, por devoção, preparavam a iluminação exterior da Basílica de São Pedro, no Vaticano, para o Natal. Eram acesas cerca de 900 tochas e 5000 lanternas!

O resultado? Um espetáculo de luz e acolhimento!

Confira as imagens no seguinte vídeo, postado no YouTube pelo blog Senza Pagare

Cientistas que investigam o lugar onde se encontra o túmulo para onde Jesus Cristo teria sido levado após sua crucificação,  em Jerusalém, comprovaram que os materiais de construção utilizados são do século IV — mais precisamente, de 326. Isso confirma crenças antigas de que os romanos construíram o monumento três séculos depois da morte de Jesus, afirmou nesta terça-feira um especialista que participou do estudo. Até então, apenas materiais de 1.000 anos atrás, quando o túmulo foi destruído e teve de ser reconstruído, haviam sido encontrados.

O estudo não oferece nenhuma evidência de que Jesus está ou não enterrado nesse local de Jerusalém, como prega a tradição cristã, mas ratifica a crença histórica de que os romanos foram os responsáveis pela construção do monumento, no local onde se acreditava que Jesus havia sido enterrado, durante o reinado de Constantino, o primeiro imperador a se converter ao cristianismo.

“É uma descoberta muito importante porque confirma que foi Constantino, como afirmam as evidências históricas, o responsável por ter coberto o leito de rocha do túmulo de Cristo com as lousas de mármore do santuário”, afirmou Antonia Moropoulou, especialista em preservação da Universidade Técnica Nacional de Atenas, na Grécia, e coordenadora científica dos trabalhos de restauração.

É a primeira vez que se realiza esse tipo de estudo no local, que fica onde hoje é a Basílica do Santo Sepulcro, no interior de um santuário construído depois. A análise dos componentes da argamassa do local foi feita no âmbito de novos trabalhos de restauração do monumento — motivo pelo qual os cientistas decidiram abrir o lugar onde Jesus foi enterrado, pela primeira vez em muitos séculos.

A datação da argamassa mostra a continuidade histórica do lugar, desde a era bizantina, passando pelas Cruzadas e pelo período de antes e depois do Renascimento. Segundo as crenças tradicionais, Constantino construiu o monumento para Jesus no local onde se acreditava que ele foi enterrado, no início da transição do Império Romano do paganismo para o cristianismo, no século IV de nossa era. Outros monumentos foram construídos depois sobre o lugar.

Um projeto sem precedentes, assim é o Museu da Bíblia que neste mês de novembro abriu suas portas em Washington, e é considerado um dos maiores do mundo com 40 mil metros quadrados e 8 andares. Quase três anos de trabalhos foi o que demoraram seus promotores para entregar um completo museu dedicado às Sagradas Escrituras.

No evento de inauguração esteve presente o Cardeal Donald Wurel, Arcebispo de Washington, que em nome do Santo Padre Francisco saudou aos presentes, e destacou esta significativa instituição cultural que inspirará e iluminará a vida das pessoas através de sua extensa coleção e suas exibições.”Temos trabalhado para convertê-lo em um dos melhores museus do mundo. Queremos que os visitantes saiam com duas ideias. A primeira é ‘Vá! É o museu mais incrível que visitei’; e a segunda é, ‘depois desta visita quiçá deveria conhecer melhor a Bíblia'”, disse Tony Zeiss, Diretor Executivo do Museu, durante sua inauguração.

Situado a poucas quadras do Capitólio, o novo Museu da Bíblia tem por objetivo dar a conhecer as várias nuances das Sagradas Escrituras, que continua sendo a obra mais vendida e mais lida no mundo. Para isso estão distribuídas nos 8 andares diferentes salas temáticas para contar a história dos livros sagrados com ajuda da multimídia e tecnologias de ponta.

Os três primeiros andares estão dedicados inteiramente à história, narração e impacto da Bíblia no mundo, nos outros se distribuem espaços para exposições, bibliotecas, museus, galerias, também há laboratórios de pesquisa, uma zona especial para que as crianças se aproximem das leituras sagradas por meio de jogos interativos, algumas aulas, um grande teatro, e também um restaurante, além de um jardim bíblico.


Entre as coleções que podem ser visitadas no museu, se pode apreciar uma muito completa de manuscritos, com a presença de antigos textos bíblicos, textos judeus, manuscritos medievais, as primeiras Bíblias impressas, Bíblias artesanais, entre outros.”O Museu é um convite para conhecer melhor a Bíblia, mas de um modo muito divertido. É algo totalmente novo. Convidamos a todos para visitar-nos. Lhes asseguro que não lhes decepcionaremos”, indicou Cary Summers, presidente do Museu.

Das exibições temporais, atualmente está uma com vários tesouros dos Museus Vaticanos e a Biblioteca Vaticana; outra sobre descobrimentos arqueológicos de Israel, e uma sobre prestigiosos manuscritos sobre o Natal que datam do século XV e são parte de uma coleção da Biblioteca Estatal da Baviera.

A edificação também acolherá exposições itinerantes da ‘American Bible Society’, que participaram de maneira ativa no projeto do museu, que foi financiado em sua totalidade pela iniciativa privada, que ofereceu 500 milhões de dólares para sua realização. A construção, que contou com o apoio de mais de 550 engenheiros e arquitetos, se realizou sobre um antigo armazém de refrigeração que havia sido edificado em 1922. (EPC)

gaudiumpress.org, no link http://www.gaudiumpress.org/content/91462#ixzz4zU1hb44v 
 

“É aqui mesmo!”: Essa foi a exclamação de cientistas ao abrirem  o Santo Sepulcro de Jesus Cristo, que voltou a ver a luz após mais de cinco séculos.

Pela primeira vez em quase dois milênios, cientistas puderam entrar em contato com a pedra original sobre a qual foi depositado o Santíssimo Corpo de nosso Divino Salvador envolvido em panos mortuários, dos quais o mais famoso é o Santo Sudário de Turim.

Essa sagrada pedra se encontra na igreja do Santo Sepulcro, na parte velha de Jerusalém, e está coberta por uma lápide de mármore que data pelo menos do ano 1555, ou quiçá de séculos anteriores.

“O que achamos é surpreendente”, explicou o arqueólogo Fredrik Hiebert, da National Geographic Society”. “Passei um tempo na tumba do faraó egípcio Tutancâmon, mas isto é mais importante”, afirmou.

Até hoje não havia gravuras desse leito de rocha calcária, o qual, a fortiori, nunca foi fotografado ou objeto de quadro ou outra representação.

Não existia pessoa alguma que o tivesse visto. Tudo o que se possuía eram realizações artísticas mais ou menos imaginárias.

O Santo Sepulcro foi aberto aos cientistas durante 60 horas nos dias 26, 27 e 28 de outubro de 2016, e depois voltou a ser lacrado e devolvido a seu estado anterior.

Os especialistas abriram uma janela retangular em uma das paredes da edícula, através da qual os peregrinos podem observar a pedra da parede da tumba de Nosso Senhor Jesus Cristo.

De onde provém esse túmulo?

O túmulo já existia antes da crucificação de Jesus Cristo e pertencia a José de Arimateia, que o mandara cavar para si, mas que o cedeu para nele ser depositado o Santíssimo Redentor, de quem era secretamente discípulo.

Senador e membro do Sinédrio — o colégio dos mais altos magistrados religiosos do povo judeu —, Arimateia foi também um rico comerciante, dono de uma frota de navios cujos negócios iam até a atual Grã-Bretanha.

Ele obteve de Pilatos a libertação do corpo e cobriu as elevadas despesas de sua preparação, oferecendo até o linho, que é hoje venerado na cidade italiana de Turim: o Santo Sudário.

Em represália por essa generosidade, o Sinédrio mandou persegui-lo e expropriá-lo de suas posses. Abandonado por amigos e familiares, após passar 13 anos no cárcere, José de Arimateia foi libertado pelo novo governador romano Tibério Alexandre.

Assim, reconstituiu sua fortuna e passou a usá-la para a difusão da fé.

Falecido em plena atividade evangelizadora, ele foi o exemplo perfeito do homem abastado que utiliza seus bens para melhor servir o Redentor e sua obra, ao contrário do “moço rico” do Evangelho, que recusou o chamado de Cristo por amor às riquezas.

No Ocidente sua festa litúrgica é celebrada em 17 de março, e no Oriente em 31 de julho.

São Marcos escreveu que era um “ilustre membro do conselho, que também esperava o Reino de Deus; ele foi resoluto à presença de Pilatos e pediu o corpo de Jesus” (São Marcos, 15, 43). São Mateus, ao descrevê-lo, assinala ser um homem rico, discípulo de Jesus.

Peripécias históricas desconcertantes

Os evangelistas nos dão uma ideia do túmulo onde transcorreu a Ressurreição e indicam o local. Porém, o Santo Sepulcro, após a Paixão de Nosso Senhor, correu graves riscos de desaparecimento.

Por isso, podemos considerar sua preservação um milagre histórico.

Jerusalém foi destruída no ano 70 d.C., após feroz guerra, e seus habitantes se dispersaram.

Em 131, o Imperador romano Adriano mandou construir sobre suas ruínas uma cidade pagã de nome Élia Capitolina, para cuja edificação se empreenderam obras de terraplenagem imensas que soterraram a sepultura de Jesus.

Sobre ela teria sido erigido um templo dedicado a Vênus (Afrodite para os gregos), deusa da sensualidade. Enquanto isso, os cristãos padeciam as perseguições.

Em 313, o Imperador Constantino encerrou as perseguições aos cristãos. Treze anos depois, sua mãe, Santa Helena, visitou Jerusalém em busca das relíquias da Paixão, e identificou o local da crucificação (o Gólgota) e a cova chamada Anastasis (“ressurreição”, em grego).

O Imperador autorizou a construção de um santuário que substituiria o templo de Vênus, o qual ficou conhecido como basílica do Santo Sepulcro. Eusébio (265–339), bispo de Cesareia e pai da História da Igreja, registrou esses fatos.

Em 614, a igreja de Constantino foi gravemente danificada pelos persas sassânidas, pagãos que pilharam Jerusalém e arruinaram a basílica.

Ela foi reconstruída por Heráclio, Imperador de Constantinopla, que reconquistou a cidade. Mas estava longe de terminar a sucessão de invasões, restaurações, depredações e guerras.

Em 638, toda a Palestina foi ocupada pelos invasores muçulmanos. Três séculos depois, em 966, as portas e o telhado da igreja arderam durante distúrbios.

Em 1009, o califa fatímida Al-Hakim ordenou a destruição de todas as igrejas cristãs de Jerusalém, incluindo o Santo Sepulcro. Só restaram os pilares do templo da época de Constantino.

A notícia dessa destruição foi decisiva para inspirar o movimento das Cruzadas.

O califa Ali az-Zahir, sucessor de Al-Hakim, permitiu que o Imperador de Bizâncio, Constantino IX Monômaco, e Nicéforo, Patriarca de Jerusalém, reconstruíssem e redecorassem a igreja.

Foi essa a igreja que os cruzados encontraram em 1099, ao entrarem em Jerusalém. Eles a ampliaram e reconsagraram em 1149.

No essencial, é a que existe atualmente.

Em 1187, o caudilho islâmico Saladino voltou a invadir a cidade, mas proibiu a destruição dos edifícios religiosos cristãos.

No século XIV, o local passou a ser administrado por monges católicos e cismáticos gregos, aos quais se somaram outras denominações religiosas.

Nos séculos seguintes foram feitas diversas restaurações, destacando-se a de 1810, por iniciativa britânica, após um grande incêndio, e as ocorridas entre 1863 e 1868.

Em 1927, mais um abalo sísmico causou importantes estragos à estrutura da igreja.

Dúvidas sobre a autenticidade do Sepulcro?

Durante a restauração de 1810 foi erigida sobre o Santo Sepulcro uma estrutura conhecida como edícula (do latim aedicule, ou “casinha”), a qual estava há tempos exigindo outra restauração.

Mas os responsáveis por ela não conseguiam chegar a algum acordo “ecumenicamente” porque vivem em perpétuo desentendimento.

Por fim, a Autoridade das Antiguidades de Israel impôs a reforma, sob pena de fechamento.

A empreitada foi entregue a uma equipe de cientistas da Universidade Técnica Nacional de Atenas, dirigida pela supervisora-chefe, Profa. Antonia Moropoulou. Essa equipe já havia restaurado a Acrópole de Atenas e a catedral de Santa Sofia, em Istambul.

Um trabalho metódico exigia a análise da base geológica sobre a qual a edícula se apoia. Mas essa base é a própria rocha em que foi aberta a câmara mortuária onde transcorreu a Ressurreição.

E o fato de milhões de peregrinos passarem ao longo dos séculos sobre o Santo Sepulcro poderia ter alterado a resistência da rocha.

Era prudente, necessário e útil fazer uma vistoria do local. Mas, se era para abrir o Sepulcro, dever-se-ia aplicar nele tudo aquilo que a tecnologia possui de melhor, a fim de colher a maior quantidade de dados científicos possível.  

“Nós estamos no momento crítico de restaurar a edícula”, explicou a Profa. Moropoulou. “A tecnologia que estamos usando para documentar este monumento único permitirá que o mundo inteiro estude nossos achados como se ele próprio tivesse entrado na tumba de Cristo”.

Acontece que, além da Tradição e de documentos muito antigos, a única fonte atestando que ali se localizava o Santo Sepulcro era o testemunho de Santa Helena, que recuperou o túmulo em 326, há quase 1.800 anos.

E não faltava o zum-zum dos incrédulos, sofismando que tudo não passava de uma superstição religiosa, e que lá embaixo não havia nada, ou apenas algum túmulo de outrem.

O que acharam?

Especialistas acreditavam que o túmulo pudesse ter sido destruído entre tantas ocorrências históricas. Porém, uma varredura inicial de radar mostrou que a cova, de 1,28 metros de profundidade, estava íntegra.

Complicava o juízo o fato de que as varreduras feitas em toda a igreja detectaram pelo menos mais seis covas funerárias.

Nada que causasse surpresa, pois no tempo da Paixão o local fora um cemitério, que os Evangelhos se referem com o nome de “Gólgota”, que significa “monte das caveiras”.

Porém, só uma das covas detectadas coincidia com o local apontado como sendo o Santo Sepulcro: debaixo da edícula.

Os especialistas removeram em primeiro lugar a grande peça de mármore onde os fiéis rezam, depositam flores e votos. Debaixo dela havia uma camada de entulho sobre a qual pousava a placa.

Após a remoção do entulho, foi identificada uma lápide rachada ao meio, com uma cruz entalhada. O último a ver essa placa de mármore viveu por volta de seis séculos atrás.

O arqueólogo Fredrik Hiebert explicou tratar-se de uma peça do século XII, da qual só se tinha notícia escrita.

Sua rachadura teria como finalidade, no caso de invasão muçulmana, mostrar aos saqueadores que a lápide não tinha valor comercial e com isso eles não continuassem a profaná-la.

Tudo concordava com o que se sabia sobre o Santo Sepulcro e os trabalhos prosseguiram. Debaixo da placa com a cruz havia ainda mais entulho, que foi cuidadosamente removido.

Por fim, a pedra sagrada original se revelou intacta ante os cientistas.

“Meus joelhos estão tremendo!”

“Estou absolutamente espantado. Meus joelhos estão tremendo, porque eu não imaginava ver isto”, disse o arqueólogo Hiebert.

“Esta é a Rocha Santa que vem sendo venerada há séculos, mas só agora pode realmente ser vista”, disse a Profa. Antonia Moropoulou, que liderou a restauração.

Os arqueólogos identificaram mais de mil túmulos semelhantes cortados na rocha ao redor de Jerusalém, explicou o arqueólogo Jodi Magness, da “National Geographic”.

Mas todos os detalhes do Santo Sepulcro são “perfeitamente consistentes com o que sabemos sobre como os judeus ricos sepultavam seus mortos no tempo de Jesus”, sublinhou Magness.

De acordo com o que Dan Bahat, ex-arqueólogo da cidade de Jerusalém, disse do local onde Jesus foi sepultado, “certamente não há outro lugar do qual se possa afirmar com tanta forca, portanto nós realmente não temos nenhuma razão para rejeitar sua autenticidade”.

Para o cético jornal “The New York Times”, a única prova de que aquele era o túmulo de Jesus consistia no fato de ele ter cativado durante séculos a imaginação de milhões de pessoas.

Mas, acrescenta, agora “nós vemos com nossos próprios olhos o local onde Jesus Cristo foi enterrado”.

O incrédulo jornalista desse diário americano foi um dos poucos convidados a “ver com seus olhos” a pedra sobre a qual repousou o Corpo Santíssimo de Jesus Cristo antes da Ressurreição.

Ele ficou impressionado pela sua pobreza: simples pedra calcária, lisa e sem adornos, com uma rachadura no meio. Tudo isso sob o bruxuleio das velas que iluminavam naquele momento o minúsculo vão.

Mistérios na abertura do Sepulcro de Cristo

Alguns arqueólogos que trabalharam na abertura do Santo Sepulcro disseram ter percebido fenômenos não habituais.

Relataram, por exemplo, que ao se aproximarem da pedra original sobre a qual repousou o corpo de Cristo ungido por sua Santa Mãe, perceberam um “aroma suave”.

Este seria comparável aos perfumes florais que também foram relatados em aparições de Nossa Senhora ou de santos.

Também os aparelhos eletrônicos ligados sobre o Santo Sepulcro começaram a funcionar mal ou pararam completamente, como se fossem afetados por forças eletromagnéticas não identificadas.

Marie-Armelle Beaulieu, chefe de redação da “Terre Sainte Magazine”, revista da Custódia Franciscana da Terra Santa, foi uma das poucas pessoas a terem licença para visitar o sagrado túmulo aberto.

Ela se mostrou cética quanto ao “odor suave”, dizendo que o mesmo pode ser resultado de uma autossugestão.

Porém, durante a abertura do sepulcro em 1809, que foi parcial e esteve a cargo do arquiteto Nikolaos Komnenos, o cronista da época também mencionou um “doce aroma”.

Marie-Armelle foi bem menos cética a respeito das perturbações eletromagnéticas no instrumental científico.

Os cientistas imaginavam que a pedra estivesse em um nível muito mais baixo.

As análises que induziram a esse erro teriam sofrido distorções, provocadas pelas perturbações eletromagnéticas do sepulcro de Cristo.

A diretora das obras, Profa. Antonia Moropoulou, afirmou taxativamente que é difícil um profissional relevante colocar sua própria reputação em risco procurando notoriedade com um “truque publicitário”. Esse profissional não deturparia fatos acontecidos durante uma atividade dessa relevância, tão sujeita à crítica de numerosos outros cientistas.

Milagre diante do qual todo joelho se dobra

Marie-Armelle se referiu aos imponderáveis sobrenaturais do local, dizendo: “Para mim, seria extraordinário se os peritos conseguissem demonstrar que esta pedra foi mesmo o local em que se colocou o corpo de Cristo, mas, mesmo que eles provassem o contrário, ela ainda continuaria sendo um sinal da Ressurreição”.

E explicou a razão de sua aparente contradição: “A igreja do Santo Sepulcro é um local desconcertante. No começo, eu não gostava muito dela. Esperava uma igreja linda e achei uma arquitetura estranha, que não lembra em nada as cenas bíblicas.

“Mas, com o tempo, fui desenvolvendo um apego durante as procissões. Não é um lugar para visitar, mas para orar. Eu pude entrar até a rocha que sustentou o corpo de Cristo, algo que nunca teria imaginado!

“Senti-me num estado estranho, como que sem gravidade, mas me lembro de todos os detalhes. Nunca mais irei ao Santo Sepulcro da mesma forma”.

E prossegue: “Eu tinha o costume de fazer uma genuflexão diante do túmulo de Cristo, mas depois refleti e achei que isso é absurdo, porque lá não há mais nenhuma Presença real!

“É diante da sagrada Eucaristia que devemos fazer a genuflexão! Mas, no Santo Sepulcro, diante desse túmulo, a gente sente uma ‘Ausência real’. Um túmulo vazio! Um milagre diante do qual todo joelho se dobra, no Céu, na Terra e nos infernos”comentou.

Hiebert disse que quando os arqueólogos descobriram a segunda laje com a Cruz gravada pelos Cruzados, tiveram uma surpresa:

“O santuário foi tantas vezes destruído por incêndios, terremotos e invasões ao longo dos séculos. Na verdade, nós nem tínhamos certeza se a basílica havia sido reconstruída exatamente no mesmo local cada vez. 

“Mas [a laje dos Cruzados] se apresenta como a prova visível de que o local focado pelo culto dos fiéis hoje é verdadeiramente o mesmo túmulo que o Imperador romano Constantino localizou no século IV e que os Cruzados reverenciaram.

“É surpreendente. Quando nos demos conta daquilo que tínhamos encontrado, meus joelhos tremeram”, acrescentou.

Para coletar toda a informação possível, os cientistas usaram radares que perpassam o solo, como também scanners térmicos.

Atuaram nessa função 35 especialistas em conservação de antiguidades, que empregaram 60 horas de trabalho, documentando cada passo. Eles chegaram com certeza até a pedra que serviu de leito mortuário a Nosso Senhor.

Um túmulo vazio… “cheio da presença de Cristo”

Quando os instrumentos se desregularam ou pararam, o fato foi comunicado pela Profa. Moropoulou, chefe dos arqueólogos: “Lamentamos, mas nossos aparelhos foram atingidos. Eles não funcionam. Não posso dizer-lhes mais”.

Os aparelhos foram consertados, mas até hoje a falha permanece enigmática. “Há por vezes fatos que não se podem explicar. Mas aqui estamos num túmulo vivo, o túmulo de Cristo. Todo o mundo pode compreender que há fenômenos naturais que podem perturbar os campos eletromagnéticos”, disse ela.

“Mas é preciso simplesmente admitir que a força em que nós cremos e na qual pensamos também faz parte”, acrescentou.

A professora afastou qualquer ideia de algum exagero de fundo religioso em qualquer dos profissionais engajados no trabalho.

A inusual perturbação eletromagnética no Santo Sepulcro reforçou a hipótese científica de que no momento da Ressurreição o Corpo de Cristo teria emitido uma irradiação de tal intensidade, que os maiores equipamentos modernos não são capazes de reproduzir.

Após cinco anos de experiências em laboratório, uma equipe de cientistas da Agência Nacional da Itália para Novas Tecnologias, Energia e Desenvolvimento Econômico Sustentável (ENEA) calculou que para se obter a impressão da imagem do corpo de Cristo no Santo Sudário de Turim seria necessário um relâmpago luminoso de uma potência estimada em 34 trilhões de watts.

Numa comparação primária, isso equivale à energia gerada durante 20 minutos por Itaipu, disparada num só instante. Mas hoje não existe equipamento capaz disso.

E não havia energia elétrica em Jerusalém no tempo da Paixão.

A perturbadora irradiação constatada poderia ter sido um eco daquela formidável emanação acontecida há 2.000 anos na Ressurreição.

Marie-Armelle entrou no Santo Sepulcro quando os operários já tinham ido dormir. A energia elétrica estava desligada e ela iluminou o local com seu smartphone.

Mas primeiro quis certificar-se de que tudo estava perfeitamente vazio. A presença de alguma urna, vaso ou osso teria deposto contra a Ressurreição.

Tendo Cristo ressuscitado, nada ficou de seu sacrossanto Corpo, exceto os tecidos mortuários recolhidos pelos discípulos, como registram os Evangelhos.

EspiritualmenteMarie-Armelle levou um choque tremendo“Foi algo muito forte. Entrei e vi que não havia nada para ver. E nisso estava o extraordinário. Pedem-me que fale sobre o nada, porque não há nada para ver. E, entretanto, ali estava a presença de Jesus!”, concluiu.

Uma reflexão

É natural que uma emoção perpasse nossos corações de simples fiéis católicos ao ler esses fatos, os quais me remetem a oportunos comentários feitos durante uma conferência pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira sobre o tema.

Apresento-os aqui, de modo sintético e com algumas adaptações, à consideração do leitor:

“A ideia associada ao Santo Sepulcro é a de que Nosso Senhor Jesus Cristo — a suma perfeição, a suma bondade e a suma santidade — foi morto e ficou deitado nesse jazigo porque foi cometida uma injustiça tremenda, uma maldade horrorosa.

Mas esse local ficou como que perfumado pela passagem sacrossanta do corpo d’Ele. O Santo Sepulcro ficou impregnado de respeitabilidades e sacralidades por um processo misterioso de contágio do sagrado.

Pelo fato de o santíssimo cadáver d’Ele ter tocado no lugar, este ficou impregnado de uma respeitabilidade participante da d’Ele.

O sepulcro estava vazio, mas Ele tinha estado lá dentro. Portanto, ficou venerável num grau inimaginável.

No Santo Sepulcro de Nosso Senhor coexistem a majestade e a grandeza que resplandecem na Santa Face do Santo Sudário, acrescidas de uma ternura inimaginável, proporcionada àquela majestade!

É belo imaginarmos a noite da Ressurreição.

O Santo Sepulcro vai se preenchendo de anjos que portam sua luz.

Nessa luz, de repente, o cadáver de Jesus Cristo começa a se mexer, mas não é um brusco levantar-se. Aquele cadáver lívido vai retomando cores e o inimaginável ocorre.

Aquele que não podia morrer ressuscita!… Um acontecimento fantástico!

A ideia do Santo Sepulcro pisado, entregue aos maometanos, profanado, conspurcado, ilumina com beleza sobrenatural a necessidade de lutar para fazer cessar essa abominação, pela ponta da espada, se preciso.

Nasce assim o ideal de Cruzada, como todos já conhecem. A nobreza estava sendo preparada nos altos fornos da História, quando a Providência derramou sobre ela um condimento especial, que foi a graça da Cruzada: a guerra santa para a libertação do Santo Sepulcro de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Advieram então graças de fé, de amor de Deus, de elevação de alma, que comunicaram uma espécie de carisma imponderável às casas reais e à nobreza europeia.

A generalidade dos cruzados recebeu como num flashuma graça de ordem mística ordinária, mas muito sensível para perceber o caráter sagrado do Santo Sepulcro.

E essa graça, que lhes foi transmitida pelo Bem-aventurado Urbano II, o Papa da Cruzada, os levou a exclamar “Dieu le veut; Dieu le veut!” (“Deus o quer, Deus o quer”!)

Sob o impulso dessa graça, se armaram para empreender a Cruzada e empurraram o perigo árabe para longe.

O Santo Sepulcro convoca e assume todos os homens com a força de atração de um cadáver que não se encontrava nele! Jesus Cristo foi morto e enterrado numa tumba guardada por guardas romanos para impedir que alguém entrasse.

Mas, séculos depois, legiões de cavaleiros atravessam o mar, atraídos por esse sepulcro vazio há séculos!

Assim também, entre as cinzas quase frias da civilização cristã há, ainda hoje, uma brasa. Esta brasa são os católicos que como um vaso de fidelidade salvam a honra da Igreja, mudam a fisionomia dos acontecimentos e são uma garantia para o futuro.

Fazer parte de uma Cruzada, caminhando pelos areais imundos de nosso século à busca do Reino de Maria Santíssima, constitui uma glória não menor que a de um cruzado andando pelas areias quentes da Á­frica do Norte ou da ­Ásia à reconquista do Santo Sepulcro.

Essa consideração forma o herói e o batalhador: o católico autêntico e sem jaça”.

(via Ciência confirma Igreja)

Vivemos dentro de 1984, a distopia de George Orwell, em que o Ministério da Verdade controlava as informações sobre o passado para influenciar o futuro com suas mentiras. Nesse revisionismo histórico, o legado ocidental precisa ser pintado como uma sucessão de horrores perpetrados pelo grande vilão da humanidade: o homem branco cristão. Eis o denominador comum de toda a marcha das minorias oprimidas.

Um livro que pode ajudar a lançar luz sobre essa questão é The Evolution of the West, de Nick Spencer, do Instituto Theos. Com abordagem histórica, ele tenta mostrar como o cristianismo influenciou nossas instituições modernas, reconhecendo o lado bom e o lado ruim dessa influência.

Mas um fato é inquestionável: tal evolução é indissociável da principal religião de nossa civilização. Suas impressões digitais se encontram em todos os grandes marcos civilizatórios. Alguns tentam reescrever essa trajetória como um mar de obscurantismo, preconceito e superstição, mas tal visão é que parece extremamente preconceituosa e obscura.

A começar pela ideia de que antes do cristianismo o mundo antigo vivia num ambiente secular, de tolerância, com liberdade e igualdade. Na verdade, a religião era onipresente, e a família era tudo: a fonte básica de identidade, com os paterfamilias agindo como magistrados com poderes quase ilimitados. À medida que o mundo mudou de cidades-Estado para impérios, os laços sociais localizados se afrouxaram, num progresso lento, reduzindo o papel do primogênito e dando status de cidadão a todos os filhos, enfraquecendo o poder dos paterfamilias.

Essa individuação gradual, que não se deu numa linha reta, teve apoio na mensagem de Cristo, ao revelar que Deus está potencialmente presente em cada crente. Por um ato de fé em Jesus, cada um poderia ter acesso ao amor divino, uma mensagem igualitária que tornava menos relevante a figura aristocrática do intermediário. Pensar não era mais um privilégio da elite social, e passava a se associar não ao status, mas à humildade.

O cristianismo, segundo Spencer, trouxe a nova ideia revolucionária para a associação humana em que pessoas se uniam com base no desejo e no amor, não mais apenas pelo laço de sangue ou interesses materiais comuns. Pela primeira vez, os humanos – todos os humanos – tinham uma identidade pré-social, sendo alguém antes de ter algum papel relacional definido. A Igreja era inclusiva e universal como nada existente na Antiguidade.

Havia também o aspecto da interiorização do indivíduo, ilustrado pelos monastérios e na figura dos monges. O reconhecimento desse lado interior teve impacto nas leis. Ajudou a introduzir a ideia de intencionalidade no Direito Penal, julgando que o que a pessoa pretendia merecia atenção além do ato objetivamente praticado. Isso ajudou a criar vereditos com base em evidências.

Os direitos das mulheres, o cuidado dos pobres, a escravidão atenuada, a igualdade jurídica, a consciência: nada disso era uma realidade na época, e é altamente duvidoso que qualquer um deles fosse sequer desejado por aquelas pessoas. Mas as sementes que tinham sido semeadas pelo cristianismo não foram totalmente destruídas no caos social e político da Idade Média. E elas germinaram com o tempo, com suas raízes plantadas lá atrás.

O autor usa vários relatos, textos e leis que mostram como a tendência já apontava nessa direção. Quando, por exemplo, o Concílio de Narbona, em 1054, conclui que “Nenhum cristão deve matar outro cristão, pois quem mata outro cristão indubitavelmente derrama o sangue de Cristo”, isso era parte dessa ideia que foi se desenvolvendo até chegar ao código de conduta de cavaleiros, destacando a cortesia, a honra e o cavalheirismo. Poderia ser hipócrita até, mas sem dúvida era um tremendo avanço em relação ao ambiente de violência irrestrita que o precedeu.

Havia, nas guildas e cidades, a emergência de uma esfera legal de segurança que seria um dia chamada de “sociedade civil”. A lei passava a ser mais centralizada e estruturada. A influência cristã na linguagem, na literatura e na cultura ocidentais é evidente e inegável. Até mesmo Richard Dawkins, um dos “quatro cavaleiros” do neoateísmo militante, reconhece que é impossível apreciar a literatura inglesa sem mergulhar de alguma forma na Bíblia. Não conhecê-la, admitiu o cientista, é ser de certa forma um bárbaro.

O cristianismo e a Bíblia foram centrais na formação da Grã-Bretanha, que por sua vez foi o grande farol da civilização ocidental. Quando essa civilização esteve ameaçada durante a Segunda Guerra Mundial, Churchill e os ingleses em geral encararam a “cruzada” em defesa da civilização cristã como peça central da narrativa de mobilização no combate ao inimigo.

Há muito mais evidência da influência cristã e da Igreja nas principais instituições ocidentais. A Magna Carta, por exemplo, que completou 800 anos recentemente, teve participação direta da Igreja, e uma cláusula negociada com o rei João especificava o direito de a Igreja inglesa permanecer livre, com seus direitos garantidos. Não era, ainda, o império impessoal das leis, claro, pois os “livres” eram parte de uma elite. Mas era a semente do Bill of Rights, plantada com ajuda essencial do cristianismo.

Se, por um lado, a Igreja ajudou na ideia de direito divino do monarca, por outro lado ela foi fundamental para limitar tais direitos e impor um código de conduta mais justo. Em conjunto, as responsabilidades que o cristianismo colocou sobre o rei – justiça, paz, cuidado com os fracos, moral pessoal – apontam na direção de um monarca que foi colocado em uma ordem política cuja legitimidade de sua posição dependia, de alguma forma, do cumprimento desses deveres. Era uma realeza sob Deus, orientada, ainda que por esperança, para o bem comum do povo.

Há também um debate interessante sobre a participação cristã no próprio humanismo secular, ou ainda na formação do welfare State. Mas o ponto central já está claro: não dá para fingir que o Ocidente moderno não tem ligação umbilical com o cristianismo. E, se consideramos a civilização ocidental digna de admiração e do esforço de ser preservada, talvez seja interessante questionar se é mesmo viável mantê-la sem o arcabouço religioso e moral que lhe deu, desde sempre, sustentação.

Rodrigo Constantino, economista e jornalista, é presidente do Conselho do Instituto Liberal.

Historia-Europa

Minha avó paterna costumava soltar frases inteiras em italiano quando conversava entusiasmadamente. Seus filhos nascidos nos Estados Unidos lhe recordavam: “Mamãe, você está na América. Nós não falamos mais essa língua“.

No álbum de família, minha avó faz parte de uma narrativa que começa com imigrantes empobrecidos e avança rapidamente para a imagem de um dos seus filhos erguendo um carro, de tão forte que era. Sua irmã aparece em pose de estrela, num modesto maiô. Há fotos de um casamento e, de repente, o álbum revela uma forte mudança para o lado irlandês, à medida que as culturas iam se misturando.

A mobilidade ascendente faz uma breve aparição antes do baque financeiro. Uma breve recuperação permite belas cerimônias de batismos, casamentos e primeiras comunhões antes de um segundo desastre, quase aniquilador. Depois, o álbum perde o seu significado. Deixa de haver uma história porque não há mais coerência: apenas imagens formais, geralmente seguindo a tendência da época. Um carro aqui, um bolo ali, a próxima casa acolá.

A narrativa terminou porque a família, em sua essência, terminou. A própria palavra “família” deixou de ter significado para muitos de nós.

Nós não falamos mais essa língua”.

No entanto, aqueles que conseguiram se manter ligados a esta palavra e à linguagem do amor em que ela se enraíza construíram novas narrativas, sanaram-se e fortaleceram-se no paradoxo do sacrifício e do serviço a algo que é maior que nós e que nos torna plenos, livres e suficientemente destemidos para não desprezar o antigo dialeto, mas reaprendê-lo e reabraçá-lo.

Estes pensamentos me surgiram depois de ler esta descrição da Casa da História Européia, que me parece um álbum de família incoerente e morto:

“Os andares dedicados às atrocidades do século XX, a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais, são particularmente impressionantes. O visitante chega a essa parte da exposição no escuro, sentindo-se desorientado. É uma experiência física do estado mental de quem atravessa a impressionante exposição da Casa sobre o Holocausto.

Após essas imagens agitadoras, o último andar é realmente decepcionante. Ele é reservado a uma visão geral das instituições da União Europeia, como o Parlamento Europeu, o Conselho Europeu e a Comissão Europeia (…) Mas o mais notável nessa Casa é que, para ela, é como se a religião não existisse na Europa – e não só na atualidade: é como se a religião nunca tivesse existido nem impactado a história do continente”.

Sem o reconhecimento da sua história espiritual, esse museu de Bruxelas está dizendo, em essência, “Nós não falamos mais essa língua. E não queremos nenhuma ligação com as nossas raízes”.

Se for isso mesmo, se a Europa estiver mesmo empenhada em eliminar a língua e a memória da fé, então a sua narrativa chegará a um final rápido, deliberado e sem glória. A Europa se sepultará no túmulo “sustentável” que ela própria já está cavando.

Elizabeth Scalia

O usuário do YouTube EmperorTigerstar é bem conhecido por fazer animações cartográficos que explicam os acontecimentos históricos mundiais.

Ele já fez animações sobre a Guerra Civil Americana, as guerras mundiais e a expansão do Império Romano. Agora decidiu mostrar as mudanças geopolíticas na Europa e na Ásia Menor, desde o tempo da civilização Minoica, passando pelos impérios romano, Selêucida, Bizantino e Romano-Germânico, incluindo o Califado de Córdoba, até os dias atuais. Confira: