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Ricardo Castañón é conhecido no mundo inteiro por ser um cientista conceituado e, sobretudo, como aquele que teve contato direto com algumas manifestações eucarísticas que extrapolam o conhecimento humano. Para a , o semanário da Arquidiocese do México, ele contou alguns dos acontecimentos históricos de sua vida neste sentido.

Ele diz que, em 1999, quando era um não-crente, a pedido do então Arcebispo de Buenos Aires, Monsenhor Jorge Mario Bergoglio, “realizou a primeira análise científica de uma hóstia consagrada, da qual saía uma substância avermelhada. A análise foi concluída em 2006, comprovando que a substância era sangue humano e continha glóbulos brancos intactos e músculo de coração ‘vivo’ (de miocárdio de ventrículo esquerdo). Cabe ressaltar que o caso ainda não foi considerado milagre e que a hóstia permanece exposta no altar da Paróquia de Santa Maria de Buenos Aires”.

Porém, o neurofisiologista diz que há um “milagre” declarado pela autoridade diocesana. O fato aconteceu em Tixtla, Chilpancingo, quando, em 2013, começou a escorrer sangue de uma hóstia consagrada. “Neste caso, confirmamos que o tipo de sangue é AB, o mesmo encontrado no sudário de Turim, no Milagre Eucarístico de Lanciano. Nele, encontramos tecido vivo, assim como glóbulo branco ativo, como se estivesse reparando uma lesão, por exemplo, em um coração depois de sofrer um infarto”.

Desde 1999, Castañón aprofundou os estudos de 15 casos de “milagres eucarísticos”. “Cada série de meus estudos é repetida em três laboratórios de diferentes países, e as variáveis estudadas são muitas: sangue, DNA, glóbulos brancos, glóbulos vermelhos, tecido humano, hemoglobina e outras. Posso dizer que, do ponto de vista científico, meus relatórios finais são 100% confiáveis.”

Os fatos comprovados são verdadeiramente surpreendentes: “Como obter sangue sem osso e medula óssea? Como obter músculo de um coração vivo e glóbulos brancos de um pedacinho de pão? Como obter hemoglobina, uma substância sujeita a mecanismos bioquímicos complexos e a um programa genético inicial? Eu vi cientistas ateus ficarem pálidos ao comprovarem que há coisas que não se podem ser compreendidas sem uma perspectiva que vá além da razão natural”.

Atualmente, o cientista estuda um caso ocorrido no fim do ano passado, que parece ser sangue em vinho consagrado. Mas ele só vai divulgar quando tiver resultados conclusivos. “Só quero dizer que o fato de comprovar que as efusões destas estas hóstias consagradas se identificam com sangue fresco e tecido vivo me deixa muito impactado, fascinado e toca no mais íntimo do meu ser. Em cada Comunhão, vem à minha mente a frase de Jesus: ‘Este é o meu corpo’”.

“Todos os dias eu participo da Eucaristia e, quando comungo, meu pensamento é: “vou receber Cristo, o mesmo que esteve nos braços de Maria, aquele que caminhou com os Apóstolos, o filho vivo de Deus vivo, que morreu e ressuscitou e está à direita do Pai’”.

Gaudium press

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Ainda no embalo do 90.º aniversário de nascimento de Joseph Ratzinger, o papa emérito Bento XVI, comemorado no mês passado, o blog traz um artigo de um convidado: Mariusz Biliniewicz leciona Teologia na Universidade de Notre Dame, na Austrália, e é um estudioso do pensamento do papa emérito, sendo autor de The Liturgical Vision of Pope Benedict XVI. Ele escreveu, especialmente para o blog Tubo de Ensaio, um texto analisando a visão de Ratzinger sobre a relação entre ciência e fé.

Ciência e fé no pensamento de Bento XVI

Mariusz Biliniewicz

A relação entre fé e ciência, no pensamento de Joseph Ratzinger, o papa Bento XVI, é melhor compreendida dentro do contexto da forma como ele vê a relação entre fé e razão em geral. Essa relação, de acordo com Ratzinger, é fundada no conceito de λόγος (logos), encontrado tanto na filosofia grega pré-cristã como em uma de suas passagens favoritas do Novo Testamento: o início de seu Evangelho preferido, o de São João: “No princípio era o Verbo (logos), e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”. Ratzinger explica que o termo logos significa tanto “palavra/Verbo” quanto “razão”, e isso indica que uma das características mais importantes da fé cristã é o fato de ela ser razoável, acessível à razão. Isso não significa que a razão humana é capaz de penetrar até o mais profundo da fé cristã; isso seria confundir as duas realidades. O que isso significa é que a fé cristã deve sempre estar aberta ao encontro com a razão humana em todas as suas dimensões. Ou seja: em primeiro lugar, um diálogo da fé com a filosofia, mas não limitado a ela. Hoje, mais que nunca, também um diálogo com a ciência.

Diálogo significa parceria, troca mútua, mas também crítica construtiva. Ciência e fé têm suas respectivas áreas de competência que são obviamente diferentes, mas que ao mesmo tempo apresentam uma convergência. Esse encontro construtivo significa que a Igreja não pode aceitar automaticamente, sem refletir, tudo que a “razão secular” tenha a dizer, assim como tudo o que a ciência contemporânea pode fazer. Pelo contrário: Ratzinger jamais se cansa de nos lembrar que, enquanto a ciência precisa gozar da liberdade de pesquisa e de uma necessária autonomia em seu trabalho, ela também precisa de um certo padrão universal pelo qual suas realizações podem ser medidas. Nem tudo que é cientificamente possível é moralmente aceitável, e nem toda rota tecnologicamente viável é digna de ser percorrida. A convicção crescente do caráter irrefreável do desenvolvimento científico deveria vir acompanhada da consciência crescente da necessidade de um princípio objetivo que ajudaria a distinguir o que é factível do que vale a pena fazer. Sem esse padrão, uma ciência completamente fora de controle, que só reconhece como limite a possibilidade técnica, pode se virar contra seu próprio agente, a pessoa humana. O desenvolvimento das armas nucleares de destruição em massa é, para Ratzinger, um exemplo eloquente de quão curta é a estrada entre o progresso sem amarras e a ameaça da aniquilação total da espécie humana.

Além disso, enquanto a ciência pode e deve nos ajudar a suprir as necessidades materiais mais importantes de nosso tempo, ela não pode “preencher totalmente todas as necessidades existenciais e espirituais do homem”. Essa realização, para a pessoa humana, só pode vir de fora; não podemos fazê-la nós mesmos, só podemos recebê-la. De acordo com Ratznger, a distinção importante entre o natural e o sobrenatural, o possível e o permissível, o ethos (fazer) e o logos (ser), exige um equilíbrio delicado entre a razão e a Revelação. Esse equilíbrio pode ser, e no passado o foi frequentemente, interrompido por exageros vindos de ambos os lados. Quando isso acontece, a humanidade é exposta ou a “patologias da religião” (fé cega, nada razoável, sem nenhum recurso à razão) ou a “patologias da razão” (uma urgência de progresso sem restrições e sem controles, independentemente do preço a pagar e sem interesse algum em considerações éticas).A compreensão de Ratzinger sobre a relação entre fé e razão ajuda a entender seu pensamento sobre o diálogo entre ciência e religião. (Foto: Rodolfo Buhrer/Arquivo Gazeta do Povo)

De acordo com Ratzinger, uma reflexão sobre a dignidade humana e o bem comum, movida pela razão, pode levar à descoberta de um necessário padrão universal de conduta para a atividade científica. Mas essa reflexão é especialmente eficiente e frutuosa se iluminada pela fé. Como a fé cristã é construída sobre o princípio do logos, e como a abertura à reflexão pela razão está imersa nesta natureza, a fé cristã é provavelmente o ambiente mais amigável à ciência que um pesquisador pode encontrar.

A contribuição de Ratzinger para o desenvolvimento do diálogo entre ciência e fé é reconhecida não apenas nos círculos católicos, mas também fora deles. Um dos sinais mais notáveis deste reconhecimento foi sua nomeação como member associe stranger da Academia de Ciências Morais e Políticas do Institut de France, em 1992, quando ele foi convidado a assumir a cadeira que ficou vaga com a morte do dissidente soviético Andrei Sakharov.

O papado de Bento XVI também foi marcado por esse princípio teológico. De muitas formas, Bento foi um pontífice muito pró-ciência e apoiou pesquisas científicas com entusiasmo, interesse pessoal e com a bênção apostólica do sucessor de Pedro. Em 2012, ele constituiu a Fundação Ciência e Fé (Stoq), para dar sequência ao trabalho da iniciativa Science, Theology and the Ontological Quest, criada por João Paulo II em 2003. Em muitas ocasiões ele pediu uma “interação frutuosa entre compreensão e crença”. Ele enfatizava que, como tanto a ciência quanto a fé estão chamadas a promover o bem universal, a fé deveria encorajar a ciência a se empenhar em pesquisas que ajudassem a preservar a vida, a combater doenças, a eliminar a pobreza ou simplesmente a entender melhor como nosso planeta funciona e o que isso significa para nós, humanos. A fé não apenas não entra em conflito com a ciência, mas “coopera com ela, oferecendo critérios fundamentais para garantir que ela promova o bem comum”. Ao mesmo tempo, a fé pede que “a ciência desista daquelas iniciativas que, em oposição ao plano original de Deus, possam produzir efeitos que se voltem contra o próprio homem”. Bento promoveu a ideia da “unidade interna” entre ciência e fé, e expressou sua convicção de que há uma “necessidade urgente de diálogo e cooperação contínuos” entre ambas.

Não apenas “não há conflito entre a providência divina e o engenho humano”, mas o desenvolvimento da ciência, em si mesmo, poderia ser considerado parte da providência divina. Ainda mais: Bento defendeu que a atividade científica também é um caminho de santidade. Na catequese da audiência geral de 24 de março de 2010, ele citou Santo Alberto Magno como exemplo de um “santo cientista” e afirmou que “os homens de ciência podem percorrer, através da sua vocação para o estudo da natureza, um autêntico e fascinante percurso de santidade”. Pela observação e pelo estudo da criação divina, os olhos do cientista se voltam ao Criador cujo gênio artístico e criativo se torna mais e mais evidente ao pesquisador. Dessa forma, “o estudo científico transforma-se, então, num hino de louvor” e pode servir não apenas para satisfazer as necessidades naturais dos homens, mas também se tornar um primeiro passo no caminho para satisfazer as necessidades sobrenaturais.

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Alexis Carrel, Prêmio Nobel de Medicina em 1912, chegou a se converter ao catolicismo graças aos milagres que presenciou na cidade mariana de Lourdes, na França, a partir de 1903, quando ainda era um jovem médico ateu.

Na época, um colega que acompanharia um grupo de peregrinos a Lourdes lhe pediu, por força maior, que o substituísse. Carrel aceitou pensando em comprovar pessoalmente a falsidade dos supostos milagres – mas o que lhe coube foi justamente assistir a um deles.

O médico visitou, observou e analisou todos os sintomas de uma mulher tuberculosa em leito de morte. Não havia dúvida alguma de que ela morreria em breve. No entanto, quando aquela mulher, diante dos seus olhos incrédulos, saiu das piscinas de Lourdes, tudo tinha desaparecido. O depoimento de Carrel ao revelar a sua conversão foi recebido com escândalo nos âmbitos naturalistas céticos que dominavam a França.

A propósito: é recomendável que os incrédulos, em vez de promulgarem os seus próprios dogmas de “intelectualidade superior” diante daquilo que não entendem, procurem conhecer o assunto com mais rigor científico e menos conclusões precipitadas (e anticientíficas). É o que propõe outro médico premiado com o Nobel de Medicina: o dr. Luc Montagnier, que, entre outras relevantes contribuições à ciência, ficou famoso pela descoberta do vírus HIV. Ele afirma:

“Muitos cientistas cometem o erro de rejeitar o que não entendem. Não gosto dessa atitude. Frequentemente cito a frase do astrofísico Carl Sagan: ‘A ausência de prova não é prova de ausência’ (…) Quanto aos milagres de Lourdes que eu estudei, creio que realmente se trata de algo inexplicável (…) Não consigo entender esses milagres, mas reconheço que há curas que não estão previstas no estado atual da ciência”.

De fato, são milhares os registros de “curas inexplicáveis” que acontecem todos os anos no santuário mariano de Lourdes, mas são pouquíssimas as curas consideradas efetivamente milagrosas por parte da Igreja, que adota critérios rigorosos em sua minuciosa avaliação científica de cada caso.

Na verdade, a Igreja não afirma a ocorrência de um milagre apenas porque queira ou possa: ela submete a análise de cada suposto milagre a uma sequência criteriosa de etapas científicas, que incluem, por exemplo, comissões médicas para estudar cada alegação de cura cientificamente inexplicável.

É o caso da Comissão Médica Internacional de Lourdes, cuja metodologia é a mesma usada na investigação científica. Aliás, seus membros costumam citar o princípio de Jean Bernard: “Quem não é científico não é ético“. Não se trata de cair no cientificismo ou no positivismo por si mesmos, e sim de buscar a verdade com a clara consciência daquilo que a encíclica Fides et Ratio veio a sintetizar magnificamente:

“A fé e a razão são como as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva à contemplação da verdade”.

OS 7 CRITÉRIOS DA CURA MILAGROSA

O cardeal Prospero Lambertini, que se tornaria mais tarde o papa Bento XIV (pontífice de 17 de agosto de 1740 até a morte em 3 de maio de 1758), detalhou as características do milagre do ponto de vista médico-científico na “De servorum beatificatione et beatorum canonizatione” (“A beatificação dos servos de Deus e a canonização dos beatos“), livro IV, capítulo VIII, 2-1734, definindo 7 critérios para o reconhecimento de uma cura extraordinária ou inexplicável:

  1. A doença deve ter características de gravidade, com prognóstico negativo.
  2. O diagnóstico real da doença deve ser certo e preciso.
  3. A doença deve ser apenas orgânica.
  4. Eventual tratamento não pode ter favorecido o processo de cura.
  5. A cura deve ser repentina, inesperada e instantânea.
  6. A retomada da normalidade deve ser completa (e sem convalescênça).
  7. A cura deve ser duradoura (sem recaída).

Os 7 critérios de Lambertini são válidos até hoje e esclarecem o perfil específico da cura inexplicável, garantindo que toda objeção ou contestação seja levada em ampla consideração antes de se atestar que uma determinada cura foi “não explicável cientificamente”.

DE 7.200 SUPOSTOS MILAGRES, SÓ 69 RECONHECIDOS

A seriedade das avaliações de supostos milagres pode ser percebida nos números relacionados ao santuário mariano de Lourdes, na França, o mais visitado do mundo por peregrinos em busca de cura física:  desde 1858, houve mais de 7.200 alegações de cura milagrosa, mas apenas 69 casos foram declarados efetivamente inexplicáveis do ponto de vista médico-científico até hoje.

O mais recente caso é o de Danila Castelli: ela foi curada em 1989, mas o reconhecimento formal da inexplicabilidade científica de sua cura só aconteceu em 2013; portanto, após 24 anos de estudos, disponíveis para a contestação da comunidade científica.

Já o primeiro caso reconhecido em Lourdes tinha sido a cura de Catherine Latapie, ocorrida poucos dias depois da primeira aparição de Nossa Senhora em Massabielle.

UM CASO DE IMPRESSIONAR

Um dos casos de cura mais impactantes que passaram pela Comissão Médica Internacional de Lourdes é o da religiosa Luigina Traverso, curada repentinamente de uma lombociática incapacitante de meningocele no dia 23 de julho de 1965, após anos de tratamento médico e várias cirurgias que não tinham dado resultado.

Em 20 de julho de 1965, a irmã viajou até Lourdes em estado grave – aliás, os médicos tinham recomendado que ela não fizesse a peregrinação porque a viagem representava alto risco de morte.

Em 23 de julho, na passagem do Santíssimo Sacramento durante a celebração eucarística, a irmã Luigina relata ter experimentado uma súbita sensação de forte calor e bem-estar, acompanhada pelo “desejo de ficar de pé” – o que era impossível para ela havia meses. De repente, ela recuperou o movimento dos pés e deixou de sentir dor.

Em 24 de julho, acompanhada pela madre superiora, a religiosa caminhou sem ajuda alguma até a gruta de Lourdes para agradecer a Nossa Senhora. No mesmo dia, participou da via-crúcis dos peregrinos e subiu rezando até a quarta estação – a subida é íngreme. Ao longo dos dias seguintes, a irmã Luigina já estava ajudando a cuidar dos doentes que peregrinavam ao santuário.

Demorou até 2012 para que o milagre fosse reconhecido, cumpridas todas as rígidas etapas de estudos médicos e científicos e, por último, de análise por parte da Igreja.

Aleteia

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“Não devemos ter medo se a ciência e a religião, por vezes, nos dão imagens diferentes do universo de Deus”.

A opinião é do irmão jesuíta Guy Consolmagno, astrônomo do Observatório do Vaticano.

“O que eu faço se a ciência me diz uma coisa, mas a religião me diz outra coisa? Em qual delas eu acredito?”

Há uma suposição falsa no centro dessa questão, porque nem a ciência nem a religião têm a ver com acreditar em “coisas”.

Nossa crença religiosa não é uma “coisa”, mas uma pessoa – na verdade, três pessoas. A nossa fé está no Pai, Filho e Espírito Santo, conforme descrito e identificado no Credo e na Igreja que nos leva a essas pessoas.

As palavras do Credo são importantes justamente porque elas identificam um Deus muito específico: o Pai, fora do tempo e do espaço (já presente no início) que deliberadamente escolheu criar tempo e espaço, e que ama este universo; Jesus, que encarnou neste universo pelo Espírito Santo, nascido de Maria, que viveu em um determinado momento, morreu de uma forma particular, foi ressuscitado em um determinado momento; e esse mesmo Espírito Santo agora enviado a nós como nosso advogado, presente neste universo e em nossa Igreja.

Quando o Credo foi escrito, havia uma abundância de outros deuses que algumas pessoas queriam acreditar. Mas nós, cristãos rejeitamos especificamente os deuses da natureza pagãos. Nós não acreditamos neles assim como não adoramos algum outro homem chamado Jesus, que viveu em um tempo e lugar diferentes, e tinha uma história diferente do Jesus que nós chamamos de Senhor.

É tentador voltar a nossa adoração do Criador para adorar um deus da natureza, que se articula com a forma de como as coisas funcionam no mundo natural, como uma força similar à eletricidade e à gravidade. É a mesma tentação de adorar uma versão de “Jesus” que era apenas um “cara legal” que acabou tendo um final infeliz, ou de uma versão de “Jesus” que era apenas uma divindade vestida com uma vestimenta de homem. Tanto o deus da natureza quanto o “Jesus” simplificado são fáceis de entender e compreender; mas são falsos. Eles não são o que os cristãos acreditam.

Assim como é complicado entender Jesus tanto como verdadeiro Deus quanto verdadeiro homem, é difícil de entender como o Criador relaciona-se com a criação. É aí que entra a ciência.

A ciência é a nossa melhor maneira de descrever como o universo se comporta. Você pode dizer que, onde a fé nos diz que Deus criou o universo, a ciência nos diz como ele fez isso.

A ciência é importante precisamente porque “a ciência pode purificar a religião do erro e da superstição”, citando o Papa João Paulo II. Mas a ciência nunca está finalizada; nunca é perfeita. É um entendimento humano da verdade. A descrição da verdade pela ciência é humanamente compreensível, mas é sempre uma descrição incompleta. Ciência é entender, buscar a verdade – constantemente se aproximando da verdade, sem nunca apreendê-la totalmente.

É aí que entra a religião. Para citar São João Paulo II mais uma vez, “a religião pode purificar a ciência da idolatria e dos falsos absolutos”. A religião nos dá verdades e absolutos que a ciência não tem poder para contradizer. Mas, enquanto a religião começa com verdades, devemos reconhecer que elas são sempre compreendidas imperfeitamente.

À medida que experimentamos Deus na oração, na vida, na teologia, constantemente, temos momentos em que podemos dizer: “Ahá! Agora eu vejo um pouco melhor o que isso significa”. A religião é a verdade em busca de entendimento.

Assim, não devemos ter medo se a ciência e a religião, por vezes, nos dão imagens diferentes do universo de Deus. Isso é de se esperar; ambas são ainda obras em andamento. A ciência nunca poderá refutar (ou provar) um ponto da religião mais do que nossa atual compreensão da nossa fé poderá negar (ou confirmar) uma teoria científica. Em última análise, “a verdade não contradiz a verdade”, para citar João Paulo II mais uma vez.

Além disso, a religião é onde a nossa compreensão do mundo físico está situado no universo mais amplo, que inclui não apenas os átomos e as forças, mas também os desejos humanos que nos fazem querer entender os átomos e as forças, para chegar mais perto do Criador, experimentando e valorizando a sua criação.

O fato é que a ciência tem o seu credo fundamental também. Um cientista tem que acreditar que o universo físico é real, não uma ilusão; que opera por leis maiores que o próprio universo, e não pelos caprichos dos deuses da natureza; e que a compreensão dessas leis é algo bom em si mesmo, não apenas como uma forma de controlar a natureza, mas como uma forma de estar em um relacionamento com a natureza, uma maneira de desfrutar, apreciar e amar a criação. Observe como esse credo está em completo acordo com o credo cristão, e de fato desenvolve-se a partir dele.

Claro que, se você optar por ser um materialista e ateu, Deus não vai impedi-lo. Se você quiser assumir que o universo físico não é nada mais do que átomos e forças, então você pode ter sucesso em olhar para o universo inteiro e não ver nada, apenas átomos e forças. Você pode até mesmo fazer algo que se pareça com a ciência com esse pressuposto.

Mas, assumindo que existem apenas átomos e forças, você vai perder coisas como a beleza, a verdade e o amor. Você vai perder as coisas que fazem você querer fazer ciência em primeiro lugar.

Fonte: OSV Newsweekly

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A Sociedade de Cientistas Católicos, uma organização criada nos Estados Unidos, celebrou seu primeiro Congresso em Chicago de 21 a 23 de abril, uma oportunidade para mais de 100 participantes de conhecer a outros fiéis no meio científico e compartilhar experiências e temas de interesse. Além de confirmar que não existe contradição entre a Fé e a ciência, o encontro permitiu dar visibilidade aos fiéis em um ambiente no qual podem se sentir isolados.

“Durante meus estudos, encontrei muita rejeição à minha Fé”, comentou a professora Darlene Douglas, Doutora em Genética que se dedicou à docência ao não encontrar laboratórios nos quais pudesse trabalhar sem violentar as normas morais da Igreja sobre o respeito à vida humana desde a sua concepção. Para ela, o prejuízo de que a Fé seria incompatível com as descobertas científicas significou pressões por parte de seus professores.

Este tipo de experiências poderiam reduzir-se, segundo o presidente da Sociedade, Stephen Barr, se os cientistas católicos soubessem quantos de seus colegas compartilham sua Fé. “Muitos católicos em ciências, especialmente estudantes e jovens cientistas, se sentem isolados”, expôs. “Isto é porque a maior parte dos cientistas religiosos são discretos sobre sua Fé. Este sentido de solidão pode ser desmoralizante”.

O Congresso dedicou seus temas às origens do universo e da pessoa humana, com palestrantes como o Diretor do Observatório Vaticano, Irmão Guy Consolmagno, e os Professores John D. Barrow, Kenneth R. Miller, Karin Öberg e Robert J. Scherrer.

Apesar dos temas de discussão serem profundos e atrativos para os acadêmicos, o principal objetivo era fomentar o sentido de companheirismo entre os cientistas católicos e dar “testemunho da harmonia entre a vocação do cientista e a vida de Fé”, segundo indicou a organização. (EPC)

Fonte: gaudiumpress.org

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O intelectual não pode viver em uma torre de marfim. E, se for católico, tem que “decifrar o sentido do presente” e “combater o cinismo em todas as suas formas.” São dois dos deveres imprescindíveis do intelectual católico do nosso tempo que o filósofo da Universidade Ramon Llull, Francesc Torralba , compartilhou no II Congresso da revista Questions de Vida Cristiana e da Fundació Joan Maragall, que aconteceu no mosteiro beneditino catalão de Montserrat.

Veja outros deveres do intelectual católico, segundo o filósofo:

  1. Decifrar o significado do presente, articular uma cartografia do agora, explorando os vetores que movem a cultura e as tendências da época. Este dever requer a habilidade de detectar o que é de boa fé, puro, verdadeiro e bom e, por outro lado, exige a capacidade de entender a obscuridade do presente.
  2. Recriar linguisticamente a herança recebida, articulá-la mediante um jogo de linguagem que seja significativo, claro e inteligível para o homem e a mulher de hoje. Evitar cair no tradicionalismo pétreo e, da mesma forma, na “novolatria” (idolatria do que é novo).
  3. Manter um compromisso ativo com a racionalidade, identificando seus potenciais e limitações, evitando cair no sentimentalismo, mas também não atendo somente ao racionalismo. Espera-se que um intelectual católico lute contra a credulidade e o fideísmo.
  4. Construir pontes com as tradições espirituais e religiosas da humanidade, e, quando possível, com novas formas de espiritualidade laica que emergem às margens das instituições formalmente articuladas.
  5. Articular uma chamada profética a favor dos mais vulneráveis, dos excluídos e dos que estão à margem de nossa sociedade – e atuar em defesa da dignidade inerente à toda pessoa humana.
  6. Não renunciar o criticismo moderno e desenvolvê-lo tanto ad intra (dentro da instituição eclesial), quanto ad extra (o mundo). Viver o sentido de pertinência sem complexos e não se esquivar da dor de ser membro da Igreja em certas ocasiões.
  7. Apostar na visibilidade midiática. Existir no ágora digital, ter a audácia de estar presente neste espaço e propor a própria cosmovisão. Recusar a hipervisibilidade e, por outro lado, a tendência à marginalidade e ao refúgio no calor do rebanho. Colocar-se para fora, ter a audácia de estar na praça pública e, se convier, de ser ferido.
  8. Comprometer-se com as causas nobres da sociedade. Lutar contra o puritanismo moral e o perfeccionismo, a moral da elite e a tendência de jogar o papel do espectador neutro. Não há neutralidade para o intelectual católico. É necessário ser ator; não espectador passivo do mundo. É preciso lutar para melhorar o mundo, participando de organizações que transformam a sociedade.
  9. Reconhecer as grandes produções artísticas, culturais e filosóficas da cultura laica. Também reconhecer as manifestações do ateísmo dos séculos XIX e XX e do humanismo ateu em todas as suas formas. Não se sentir provocado pelo laicismo de voo galináceo.
  10. Articular um discurso de esperança, capaz de combater racionalmente a tendência ao niilismo histórico e, especialmente, não se deixar vencer pelo desânimo diante dos acontecimentos. O intelectual católico deve combater o cinismo em todas as suas formas – inclusive aquele que pode nascer em seu interior.

Autor: Miriam Diez Bosch

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São milhares os registros de “curas inexplicáveis” que acontecem todos os anos no santuário mariano de Lourdes, na França – um dos mais conhecidos e concorridos do mundo. No entanto, são pouquíssimas as curas consideradas efetivamente milagrosas por parte da Igreja, que adota critérios rigorosos em sua minuciosa avaliação científica de cada caso.

Apesar do rigor desses estudos, perdura há muitas décadas o desprezo de descrentes que sequer se dão ao trabalho de saber como a Igreja avalia e descarta os milhares de casos de “aparentes milagres”. Para muita gente desinformada ou mal informada, todo e qualquer milagre é mera charlatanice desprovida de fundamentos. Essa postura de ignorância disfarçada de intelectualidade contrasta com a postura de respeito e consideração adotada por profissionais de reconhecido prestígio, como o médico francês Luc Montagnier, Prêmio Nobel de Medicina, que, entre outras relevantes contribuições à ciência, ficou famoso pela descoberta do vírus HIV.

Ex-diretor do Instituto Pasteur, esse importante cientista de renome mundial expôs a sua opinião sobre os milagres de Lourdes no livro Le Nobel et le Moine, em que dialoga com o monge cisterciense Michel Niassaut. A esse respeito, Luc Montagnier afirma:

“Não há por que negar nada”.

Em dado momento, as conversas abordaram as curas sem explicação ocorridas em Lourdes e se perguntou o que opinaria um não-crente premiado com o Nobel. Luc Montagnier respondeu:

“Quando um fenômeno é inexplicável, se ele realmente existe não há necessidade de negar nada”.

Afinal, se o fenômeno existe, qual é o sentido de negá-lo? O que vem ao caso é estudá-lo, não fingir que não existe. E, por isso, o Nobel de Medicina, afirmando que “nos milagres de Lourdes há algo inexplicável”, repreende a postura de alguns colegas observando que “muitos cientistas cometem o erro de rejeitar o que não entendem. Não gosto dessa atitude. Frequentemente cito a frase do astrofísico Carl Sagan: ‘A ausência de prova não é prova de ausência’”.

Montagnier prossegue: “Quanto aos milagres de Lourdes que eu estudei, creio que realmente se trata de algo inexplicável (…) Não consigo entender esses milagres, mas reconheço que há curas que não estão previstas no estado atual da ciência”.

Luc Montagnier teve imensa relevância na história recente pela sua descoberta do vírus HIV. A este propósito, indo contra o mundo anticatólico e seus preconceitos e acusações infundadas, ele reconhece a importância da Igreja diante do drama dos enfermos.

Meu colega dos Estados Unidos da América, Robert Gallo, teve uma audiência com o Papa (João Paulo II) para tentar entender como aumentar a nossa colaboração com as equipes das missões católicas na África. Lá são tratadas pessoas com aids e se faz prevenção contra a propagação do vírus (…) As ordens religiosas cristãs têm um papel muito positivo no cuidado dos doentes. Reconheço que, no âmbito da atenção hospitalar, a Igreja foi pioneira. Pude ter contato, ao longo desses muitos anos de pesquisa sobre a aids, em especial no início, com pacientes condenados a uma morte inevitável. Com frequência, a fé e a proximidade da Igreja nos ajudaram a enfrentar a doença e a fazer com que os doentes não se sentissem abandonados. Foi por esta experiência que eu sempre reconheci a contribuição pioneira e inestimável da Igreja na atenção hospitalar”.

Embora agnóstico, Montagnier revela pela Igreja uma grande estima. Ele, que se ofereceu para ajudar a combater o mal de Parkinson de que sofria o Papa São João Paulo II, considera que o planeta ganharia muito se os valores cristãos prevalecessem no mundo. “Existem 2 bilhões de cristãos, dos quais 1,1 bilhão é católico. Seus bons sentimentos se fazem presentes”, mas não governam a humanidade: e seria ótimo se o amor ao próximo guiasse o mundo, diz o médico.

LOURDES E OS PRÊMIOS NOBEL

Montagnier não é o único ganhador de um Prêmio Nobel a manter uma relação com Lourdes.

Alexis Carrel, Nobel de Medicina em 1912, chegou a se converter ao catolicismo graças aos milagres que presenciou naquela cidade mariana desde 1903, quando ainda era um jovem médico ateu.

Na época, um colega que acompanharia um grupo de peregrinos a Lourdes lhe pediu, por força maior, que o substituísse. Carrel aceitou pensando em comprovar pessoalmente a falsidade dos supostos milagres – mas o que lhe coube foi justamente assistir a um deles.

O médico visitou, observou e analisou todos os sintomas de uma mulher tuberculosa em leito de morte. Não havia dúvida alguma de que ela morreria em breve. No entanto, quando aquela mulher, diante dos seus olhos incrédulos, saiu das piscinas de Lourdes, tudo tinha desaparecido. O depoimento de Carrel no livro em que conta a sua conversão foi recebido com escândalo nos âmbitos naturalistas céticos que dominavam a França.

Parece que o “escândalo” dos milagres não pretende acabar tão cedo. Seria recomendável, portanto, que os incrédulos, em vez de promulgarem os seus próprios dogmas de “intelectualidade superior” diante daquilo que não entendem, procurassem conhecer o assunto com mais rigor científico e menos conclusões precipitadas (e anticientíficas).

Com informações de religionenlibertad.com

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Em síntese: O presente artigo refere experiências recém-realizadas em torno da imagem da Virgem de Guadalupe, das quais resulta tratar-se de fenômeno inexplicável à luz das leis da natureza. Nenhum pintor teria efetuado tal imagem, por mais fina e esmerada que fosse a sua arte.

É de conhecimento geral, entre católicos e não católicos, a existência de famoso santuário consagrado a Nossa Senhora de Guadalupe no México. De resto, é o santuário da padroeira da América Latina, cuja festa é celebrada a 12 de dezembro. Ora há fatos inexplicáveis
recém-descobertos no tocante a tal santuário e à imagem que contém. Tais fatos se tornam indícios de real intervenção dos céus nas origens desse lugar de oração. A fim de melhor informar os nossos leitores, e em vista de sugestão trazida por amigos a PR, transcreveremos, a seguir, em tradução portuguesa o artigo de Torcuato Luca de Tena que expõe a seqüência dos acontecimentos notáveis concernentes ao santuário de Guadalupe.

Inexplicável

As assombrosas descobertas científicas que recentemente se fizeram, e ainda continuam a ser feitas, em torno da imagem mexicana da Virgem de Guadalupe deixam literalmente estupefatos a todos que as conhecem.

Breve Retrospecto

Para entender a importância de tais eventos, é preciso fazer breve retrospecto do que antiga e piedosa história narra acerca da milagrosa confecção da imagem, não pintada por mão de homem – segundo esta tradição -, mas, sim, milagrosamente impressa na túnica de um índio chamado Juan Diego em 1531. O relato que conta este sucesso, está escrito em náhualt (a língua dos aztecas) com caracteres latinos, e foi editado em seu idioma original e em espanhol em 1949, aproximadamente um século após sua primitiva redação, por iniciativa de um tal bacharel Luis Lasso de la Veja. Refere esta história que Juan Diego insistiu repetidas vezes com o primeiro Bispo do México, o franciscano Frei Juan de Zumárraga, para exprimir-lhe um desejo que lhe havia manifestado a Mãe de Deus em diversas aparições: Maria SS. pedia a edificação de uma ermida no lugar denominado Cerro de Tepeyac. Para desvencilhar-se do visionário sem o magoar, o afável Bispo pediu ao índio que lhe levasse uma prova convincente de que dizia a verdade. E que, em caso contrário, não o molestasse mais. Alguns dias mais tarde retornou Juan Diego levando como prova uma porção das chamadas “rosas de Castilla”, que não podiam florescer naquela estação do ano (mês de dezembro) e que ele afirmava lhe haviam sido entregues pela própria Virgem a fim de que as mostrasse ao Bispo. O jovem trazia as flores na túnica ou tilma milagrosamente estampada do índio Juan Diego. Este é o relato, sumarissimamente narrado, escrito em língua náhualt no tempo em que ainda vivia Hernán Cortés.

A explosão devota que desde os primeiros tempos da pacificação do México se produziu foi tão inusitada, e tão notáveis as peregrinações espontâneas de índios que acudiam de toda a parte para render culto à imagem, que o evento não pode deixar de ser mencionado por Bernal Diaz del Castillo em sua magna crônica da conquista de Nova Espanha.

E chegamos a nossos dias – ou melhor, a nosso século -, em que se constituiu uma Comissão de estudos para investigar não poucos fenômenos inexplicáveis da famosa tilma de Juan Diego.

Os exames cientifícos

1. Em primeiro lugar, chama a atenção dos peritos têxteis a singular conservação do rude tecido. Hoje em dia está protegido por cristais. Mas durante séculos esteve exposto, sem maiores cuidados, aos rigores do calor, da poeira e da umidade, e todavia sua tessitura não se desfibrou nem tampouco se lhe desvaneceu a admirável policromia.

A matéria física sobre a qual a imagem ficou estampada, é tecido confeccionado com fibra de ayate, da espécie mexicana “agave potule zacc”, que se decompõe por putrefação aos vinte anos aproximadamente, como se provou com várias reproduções feitas de propósito.
Em contraposição, a túnica do contemporâneo de Cortés já dura quatrocentos e cinquenta anos sem se rasgar nem decompor, e, por causas incompreensíveis para os mencionados peritos, é imune á umidade e à poeira.

Atribuiu-se esta virtude ao tipo de pintura que cobre a tela e que poderia muito bem atuar como poderosa matéria protetora; em conseqüência do que, enviou-se uma amostra para que fosse analisada pelo cientista alemão e prêmio Nobel de Química Richard Kuhn, cuja resposta deixou perplexos os consultantes. Os corantes da imagem guadalupana – respondeu o sábio alemão – não pertencem ao reino vegetal, nem ao mineral nem ao animal.

Pensou-se que talvez a tela estivesse tratada por um procedimento especial. As grandes pinturas da antiguidade puderam chegar até nós por estarem os tecidos que as recebiam (ou os paramentos dos “frescos”) previamente “preparados”, cobertos por uma cola ou estuque especiais. De que notável consistência seria esta preparação para que a pintura pudesse aderir e conservar-se incólume sobre matéria tão frágil e perecível, como é o ayate?

Confiou-se a dois estudiosos norte-americanos (o doutor Callagan, da equipe científica da NASA, e o professor Jody B. Smith, catedrático de Filosofia da Ciência na Pensacolla College) a tarefa de submeterem a imagem guadalupana à análise fotográfica com raios infravermelhos. As suas conclusões foram as seguintes:

Primeira: O ayate – tela rala de fio de magüey – não possui proporção alguma, o que torna inexplicável, à luz dos conhecimentos humanos, que os corantes impregnem fibra tão inadequada e nela se conservem.

Segunda: Não há esboços prévios, como os descobertos pelo mesmo processo nos quadros de Velázquez, Rubens, El Greco e Ticiano. A imagem foi pintada diretamente, tal qual a vemos, sem esboços nem retificações.

Terceira: No há pinceladas. A técnica empregada é desconhecida na história da pintura. É inusitada, incompreensível e irrepetível.

2. Paralelamente a isso, conhecido oculista de nome hispano-francês, Torija Lauvoignet, examinou com um oftalmoscópio de alta potência a pupila da imagem e observou, maravilhado, que na íris refletida uma mínima figura que parecia o busto de um homem. E este foi o antecedente imediato para promover a investigação que passo a explicar: a “digitalização” dos olhos da Virgem de Guadalupe.

Sabemos que na córnea do olho humano se reflete o que a pessoa está vendo no momento. O doutor Aste Tonsmann fez fotografar (sem que ele estivesse presente) os olhos de uma filha sua, e, utilizando o procedimento denominado “processo de digitalizar imagens”, pôde, sem mais, averiguar tudo quanto via sua filha no momento de ser fotografada. Este mesmo cientista, cuja profissão atual é a de captar as imagens da Terra transmitidas no espaço pelos satélites artificiais, “digitalizou” no ano passado (1980) a imagem guadalupana e os resultados começam agora a ser conhecidos. Consiste o procedimento em dividir a imagem em quadrículas microscópicas até o ponto de, numa superfície de um milímetro quadrado, caberem vinte e sete mil setecentos e setenta e oito ínfimos, mínimos quadradinhos. Uma vez feito isto, cada mini-quadrícula pode ser ampliada, multiplicando-se por dois mil, o que permite a observação de pormenores impossíveis de serem captados a olho nu. Ora os pormenores que se observaram na íris da imagem guadalupana são: um índio no ato de desdobrar sua tilma perante um franciscano: o próprio franciscano, em cujo rosto se vê escorrer uma lágrima, uma pessoa muito jovem, tendo a mão sobre a barba com ar de consternação; um índio com o torso desnudo em atitude quase orante; uma mulher de cabelo crespo, provavelmente uma negra, serviçal do Bispo; um varão, uma mulher e umas crianças com a cabeça meio-raspada e mais outros Religiosos vestidos com hábito franciscano, isto é… o mesmo episódio relatado em náhualt por um anônimo escritor indígena na primeira metade do século XVI e editado em náhualt e em espanhol por Lasso de la Veja em 1649, consoante já mencionei!

Atualmente estudos iconográficos estão sendo feitos a fim de comparar estas figuras com os retratos conhecidos do Arcebispo Zumárraga e de pessoas de seu tempo ou do lugar. O que é radicalmente impossível, é que num espaço tão pequeno como a córnea de um olho, situada numa imagem de tamanho aproximado ao natural, um miniaturista tenha podido pintar aquilo que foi necessário ampliar em duas mil vezes para que pudesse ser percebido.

Conclusão

O advogado e professor Luís Fernández Hernández, antigo colaborador na Espanha da Editorial Católica, solicitou-se que lhe prefaciasse um livro escrito para celebrar a 450º aniversário dos misteriosos eventos da colina de Tepeyac, que tiveram como protagonistas o índioJuan Diego e o Bispo espanhol Frei Juan de Zumárraga. Os dados por mim aqui apresentados, tomei-os deste livro, de próxima aparição.

“Inexplicável”, exclamaram os membros da Comissão de Estudos quando conheceram o veredito do sábio germânico Richard Kuhn segundo o qual a policromia da imagem guadalupana não procedia de corantes minerais, vegetais ou animais. “inexplicável!”, declararam por escrito os estudiosos norte-americanos Smith e Callagan ao verem por meio dos raios infra-vermelhos que a “pintura” não apresentava pinceladas, e estava isento de toda preparação o miserável ayate da tilma de Juan Diego. E o doutor Aste Tonsmann, ao mencionar em numerosas conferências o achado de figuras humanas de tamanho infinitesimal na íris da Virgem, não se cansa de repetir: “Inexplicável! Radicalmente inexplicável!”

(Extraído do jornal ABC, edição internacional, nº 1657, de 6/10/1981).

Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”
D. Estevão Bettencourt, osb
Nº 262 – Ano 1982 – p. 208

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Em uma conferência pronunciada no Vaticano, durante o encontro sobre “Ciência e Sustentabilidade”, organizado pela Pontifícia Academia das Ciências, Stephen W. Hawking, físico teórico e professor da Universidade de Cambridge, defendeu o legado científico do padre belga e professor de Física da Universidade Católica de Lovaina, Georges Lemaitre.

Para Hawking, Lemaitre é “o pai do Big Bang”.

A teoria do Big Bang propõe que o universo se encontrava inicialmente em um estado de grande densidade e após uma grande explosão teria entrado em um processo de expansão e esfriamento no qual nos encontraríamos atualmente.

Tradicionalmente, considerou que o pai desta teoria é o físico e astrônomo soviético de nacionalidade estadunidense George Gamow, cujos estudos e pesquisas dão contribuições essenciais para a explicação das origens do universo e da consolidação da teoria do Big Bang.

No entanto, Hawking precisou em sua palestra que “Georges Lemaitre foi o primeiro a propor um modelo no qual o universo teve um começo infinitamente denso. Assim, ele e não George Gamow é o pai do Big Bang”.

Em sua intervenção, o professor Hawking expôs diferentes conceitos e teorias relacionados à origem e natureza do universo, como as ondas gravitacionais, o multiverso ou as micro-ondas procedentes dos instantes anteriores ao Big Bang.

“A evidência científica para confirmar a ideia de que o universo estava, inicialmente, em um estado muito denso, surgiu em outubro de 1965, com a descoberta de um frágil fundo de micro-ondas em todo o espaço. A única explicação possível para este fundo de micro-ondas é que seja radiação procedente de um universo primigênio muito denso e quente. À medida que o universo se expandia, a radiação ia se esfriando, até que ficou o frágil remanescente que podemos detectar hoje”, disse.

Hawking, que se declarou publicamente ateu, viu-se envolvido em inúmeras polêmicas ao negar a existência de Deus e por argumentar que não é necessário recorrer a Deus para explicar a origem da existência.

Em declarações feitas em junho de 2015 ao jornal espanhol El Mundo, defendeu que “no passado, antes de entendermos a ciência, era lógico acreditar que Deus criou o Universo. Mas agora a ciência oferece uma explicação mais convincente”. “Não existe nenhum Deus. Sou ateu. A religião acredita nos milagres, mas estes não são compatíveis com a ciência”, destacou.

Apesar de suas posições contra a existência de Deus, o professor da Universidade de Cambridge já esteve no Vaticano em 2008 para participar de um congresso semelhante sobre a origem do universo e a evolução das espécies.

A reportagem é de Miguel Pérez Pichel e publicada por ACI Prensa, 26-11-2016. A tradução é de André Langer.

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Em um pronunciamento na catedral da cidade alemã de Colônia, em 15 de novembro de 1980, o papa João Paulo II constatou que a relação entre a Ciência e a Igreja era muito mais harmoniosa na prática do que na parecia na teoria. Na ocasião o papa se dirigia a estudantes e professores universitários pela recordação dos 700 anos de falecimento de Santo Alberto Magno. O santo alemão é doutor da Igreja e padroeiro dos cientistas. Foi frade dominicano e seu intelecto abrangeu todas as áreas de conhecimento da época, desde a teologia, a filosofia, até as ciências naturais. Apesar de não ter havido muitos outros como ele na abrangência de conhecimentos investigados, há inúmeros outros que dedicaram suas vidas à fé e à ciência. Foi em relação a estas pessoas que se referiu o papa.

De fato, analisando as bases do cristianismo é fácil perceber que ele é uma religião diferente das outras pois, além da fé, é baseado na racionalidade. Deus se manifesta e é o Logos encarnado que se comunica com o homem. Percebendo que o universo pode ser compreendido intelectualmente, ou seja, é inteligível, o homem se lança neste empreendimento magnífico chamado ciência. Não só as ciências naturais, mas todas elas, as humanas, as filosóficas e, por que não, a teologia. Ou seja, o cristianismo dá bases para que o homem possa ter a pretensão de compreender não só o mundo, mas o próprio Deus. Claro que nossa capacidade é limitada, mas a vontade parece que não. Se o cristianismo pode ser identificado como uma religião racional, a relação entre a Igreja e a Ciência deve ser harmoniosa. Evidentemente que houveram alguns momentos de atrito, mas foram mínimos e via de regra hoje muito mal compreendidos. Na sua última coluna o Marcio clarificou alguns mitos sobre Galileu.

Ao longo da história sacerdotes, religiosos e religiosas sempre foram pessoas muito instruídas.

Grande parte desta erudição se deve aos estudos teológicos que faziam parte da formação e da vida destas pessoas. Evidentemente que pessoas instruídas tendem a ter os horizontes intelectuais abertos para outras áreas. Creio que esta seja a grande razão de terem surgido grandes cientistas entre muitas pessoas da Igreja. Copérnico, que propôs que a Terra girava em torno do Sol, era cônego. O descobridor do primeiro asteroide, Ceres, foi o padre Giuseppe Piazzi. Mendel descobriu as leis da genética no seu mosteiro na República Checa. E para citar só os mais famosos ainda é preciso lembrar do padre Lemaître que propôs a teoria do Big Bang e de Nicolau Steno, que foi bispo e é considerado o pai da Geologia moderna. Essa lista nada modesta só inclui sacerdotes cujos trabalhos científicos causaram grande impacto. Há muitos outros ainda que não foram citados. Uma lista como esta não quer dizer que a Igreja é um celeiro de vocações científicas, mas sim que na prática as relações entre a Igreja e a Ciência são muito frutíferas. Como afirmou o papa João Paulo II há 30 anos em Colônia.

Outro aspecto prático destas boas relações entre a Igreja e a Ciência são famosas Universidades criadas e/ou mantidas pela Igreja, onde a ciência é livre para ser desenvolvida. Além das Universidades, a Igreja ainda mantém institutos de pesquisa, como o Observatório Astronômico do Vaticano, do qual falei um pouco no último artigo. A Specola Vaticana, como é conhecido o Observatório, é mantido pela Santa Sé e por doações e gerenciado por padres jesuítas que também são astrônomos. Além do Observatório Astronômico a Santa Sé mantém uma das mais antigas academias de ciência do mundo. A Pontifícia Academia de Ciências é constituída por cientistas de renome mundial, muitos deles ganhadores do prêmio Nobel. Juntos eles discutem temas importantes referentes às grandes questões científicas mundiais, especialmente as que dizem respeito ao ser humano e ao futuro do planeta. Grande parte do trabalho desenvolvido pela Academia pode ser encontrado no site do vaticano e lido gratuitamente.

Mas muito embora a Igreja valorize a Ciência como um grande e importante empreendimento humano, ela não cansa de alertar para os perigos que a Ciência pode trazer se usada da maneira errada. Os riscos são vários, mas três se destacam e mereceram muita atenção nos discursos papais mais recentes, inclusive na última encíclica do papa Bento XVI, Caritas in Veritate. Em primeiro lugar está o risco do conhecimento científico ser usado por grupos de poder para dominar os outros. Já vimos isso com as bombas atômicas ou então com o monopólio de conhecimentos, como algumas patentes de remédios. Com o desenvolvimento tecnológico cada vez mais acelerado o risco do conhecimento ser usado efetivamente como arma é muito grande. É preciso que fiquemos todos muito alertas e que não aceitemos este tipo de uso indevido da ciência, que deve sempre promover o bem de todos.

Um segundo risco alertado pelo papa envolve as questões éticas relativas ao valor do ser humano. Como exemplo mais dramático temos as células tronco embrionárias e a eugenética, que é a manipulação genética do ser humano para criar pessoas “perfeitas”. Em seus discursos o papa tem lembrado que cada ser humano é uma criação única e que não faz sentido valorizar as pessoas só por meia dúzia de características (como beleza, força, inteligência) pois somos muito mais complexos que isso. A manipulação da vida humana em laboratório precisa respeitar as dignidade de cada ser humano e este é um limite claro para a Ciência. Definitivamente ela não é onipotente!

O terceiro risco que corremos com o desenvolvimento errado da Ciência é um risco moral. Frente ao sucesso das técnicas científicas muitos tendem a tornar absoluto o poder da Ciência crendo inclusive que ela é capaz de dar respostas às indagações humanas sobre o sentido da nossa existência. Estas visões são bem representadas hoje pelo cientificismo e pelo declínio moral de nossa época. O papa sempre alerta para falsidade do cientificismo, seu fracasso como princípio norteador da moral e o perigo de levar à intolerância religiosa.

Para encerrar quero dizer que vejo horizontes muito promissores para as relações entre a Ciência e a Igreja. Certamente há muitos pontos que podem ser delicados, como os três que citei acima, mas penso que a medida que a humanidade for conhecendo mais a Ciência, vai entender melhor seus limites e ver como, através da história, a Igreja sempre colaborou para o desenvolvimento científico. Sem que no entanto isto seja uma meta sua pois, como dizia o padre Lemaître, “à Igreja bastam a cruz e o evangelho”.

Alexandre Zabot

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A estrutura do universo é determinada por números muito precisos: a velocidade da luz, a constante gravitacional, a taxa de expansão do universo conduzida pela constante cosmológica, a distribuição de massa e energia, a constante de Planck, a razão entre as massas de elétrons e prótons, a constante de Hubble…

Trata-se das constantes e quantidades fundamentais do universo.

A ciência chegou à conclusão de que cada um desses números é cuidadosamente ajustado a uma estreitíssima franja de valores precisos, fora da qual não haveria possibilidades de que a vida existisse. Essa restrita franja de valores dentro da qual a vida é possível é tão minúscula que, se qualquer um desses números fosse minimamente alterado, nenhum tipo de vida física interativa poderia existir em lugar algum.

“O fato notável é que os valores desses números parecem ter sido muito precisamente ajustados para tornar possível o desenvolvimento da vida” (Stephen Hawking, físico teórico, Diretor de Pesquisa no Centro de Cosmologia Teórica da Universidade de Cambridge).

Para este ajuste tão preciso do universo, existem
três possíveis explicações:
– A necessidade física;

– O acaso;

– O desígnio inteligente.

Com este vídeo de 6 minutos da
Reasonable Faith, legendado em português por Jonathan Silveira, da
Tu Porémvocê pode tirar as suas próprias conclusões sobre qual possibilidade faz mais sentido:
– Atribuir a existência finamente ajustada do universo a uma eventual necessidade física

– Atribuir a existência finamente ajustada do universo a uma incrível combinação de acasos acionada por coisa alguma a partir do nada;

– Ou atribuir a existência finamente ajustada do universo à ação de uma Inteligência criadora.

Fique à vontade para usar a sua
razão!

Fonte: REASONABLE FAITH

 

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Nos dias 26, 27 e 28 de outubro de 2016, a grande pedra de mármore que sela o sepulcro de Cristo foi aberta. Somente um grupo de cientistas e religiosos teve acesso ao local, mas começaram imediatamente a correr mundo os rumores em torno ao acontecimento de proporções históricas.

O primeiro episódio a chamar a atenção foi protagonizado pelo “odor suave” que emanou do sepulcro, semelhante às manifestações olfativas associadas a alguns santos. Além disto, certos instrumentos de medição empregados pelos cientistas sofreram alterações devido a “perturbações eletromagnéticas”: assim que eram colocados na vertical sobre a pedra em que tinha repousado o corpo de Cristo, os aparelhos paravam de funcionar ou funcionavam mal.

Marie-Armelle Beaulieu, chefe de redação da Terre Sainte Magazine, conseguiu autorização para visitar o local e se mostra circunspecta quanto aos rumores associados ao “odor suave”. Além de opinar que um odor é facilmente sugestionável, ela relata que não percebeu nenhum aroma particular. De fato, durante a abertura anterior do sepulcro, que foi parcial e esteve a cargo do arquiteto Nikolaos Komnenos em 1809, o cronista da época também fez menção a um “doce aroma”. As pessoas que se interessam pelo Santo Sepulcro conhecem bem esse texto, o que torna mais provável a tese da autossugestão ligada ao odor.

Já no tocante às perturbações eletromagnéticas registradas pelo instrumental científico, Marie-Armelle Beaulieu se mostra bem menos cética: o fenômeno, afinal, foi confirmado a ela própria por um dos cientistas autorizados a acessar o sepulcro. A este propósito, a diretora de obras Antonia Moropoulou observou, enfaticamente, que é difícil um profissional relevante colocar a própria reputação em risco por conta de um “truque publicitário”. A jornalista ainda testemunhou a surpresa dos cientistas durante a abertura da pedra: eles esperavam que a tumba estivesse em um nível muito mais baixo do que estava de fato. Acontece que as análises prévias parecem ter sofrido distorções provocadas pelas perturbações eletromagnéticas do sepulcro de Cristo – e para apontar os motivos de tal fenômeno sobram especulações, que variam entre o mais elaborado e o mais ridículo.

A abertura da pedra frontal e a revelação da pedra interna sobre a qual teria repousado o corpo de Cristo demonstraram a conformidade do sepulcro com os costumes fúnebres dos judeus do século I. Mas, segundo Marie-Armelle Beaulieu, o essencial está em outro aspecto. “Para mim seria extraordinário se os peritos conseguissem demonstrar que esta pedra foi mesmo o local em que se colocou o corpo de Cristo, mas, mesmo que eles provassem o contrário, ela ainda continuaria sendo um sinal da Ressurreição”.

A jornalista que fez parte do privilegiado grupo a entrar no Santo Sepulcro mora em Jerusalém há 17 anos e confessa:

“A igreja do Santo Sepulcro é um local desconcertante. No começo eu não gostava muito dela. Esperava uma igreja linda e encontrei esse lugar de arquitetura estranha, que não lembra em nada as cenas bíblicas. Não há nenhum rastro do jardim, por exemplo. Mas, com o tempo, fui desenvolvendo um apego durante as procissões de que participo com os franciscanos. Não é um lugar para visitar, mas para orar. Graças a um religioso, eu pude entrar até a rocha que sustentou o corpo de Cristo, algo que nunca teria imaginado! Eu me senti num estado estranho, como que sem gravidade, mas me lembro de todos os detalhes. Nunca mais irei ao Santo Sepulcro da mesma forma”.

“Agora já recolocaram a pedra de mármore e só é possível ver a cripta parcialmente, através de uma abertura (protegida com um cristal blindado, ndr). Mas eu sei que a pedra está lá. Eu tinha o costume de fazer uma genuflexão diante do túmulo de Cristo, mas depois refleti e achei que isso é absurdo, porque lá não há mais nenhuma Presença real! E diante da santa Eucaristia que devemos fazer a genuflexão! Mas, no Santo Sepulcro, diante desse túmulo, há uma ‘Ausência real’. Um túmulo vazio! Um milagre diante do qual todo joelho se dobra, no Céu, na terra e nos infernos”.

Fonte: Aleteia

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Por Sarah Salviander

Quantas vezes é que ouvimos dizer que o Cristianismo não é compatível com a ciência?

Da próxima vez que alguém disser isso, mostrem-lhe a lista de Cristãos dentro do mundo da ciência e da tecnologia, e perguntem-lhe como foi possível que tantos Cristãos tenham feito tantas contribuições para a ciência e para a tecnologia, apesar dessa incompatibilidade:

John Philoponus
Bede the Venerable
Rabanus Maurus
Leo the Mathematician
Hunayn ibn Ishaq
Pope Sylvester II
Hermann of Reichenau
Hugh of Saint Victor
William of Conches
Hildegard of Bingen
Robert Grosseteste
Pope John XXI
Albertus Magnus
Roger Bacon
Theodoric of Freiberg
Thomas Bradwardine
William of Ockham
Jean Buridan
Nicephorus Gregoras
Nicole Oresme
Nicholas of Cusa
Otto Brunfels
Nicolaus Copernicus
Michael Servetus
Michael Stifel
William Turner
Ignazio Danti
Giordano Bruno
Bartholomaeus Pitiscus
John Napier
Johannes Kepler
Galileo Galilei
Laurentius Gothus
Marin Mersenne
René Descartes
Pierre Gassendi
Anton Maria of Rheita
Blaise Pascal
Isaac Barrow
Juan Lobkowitz
Seth Ward
Robert Boyle
John Wallis
John Ray
Gottfried Leibniz
Isaac Newton
Colin Maclaurin
Stephen Hales
Thomas Bayes
Firmin Abauzit
Emanuel Swedenborg
Carolus Linnaeus
Leonhard Euler
Maria Gaetana Agnesi
Joseph Priestley
Isaac Milner
Samuel Vince
Linthus Gregory
Bernhard Bolzano
William Buckland
Agustin-Louis Cauchy
Lars Levi Læstadius
George Boole
Edward Hitchcock
William Whewell
Michael Faraday
Charles Babbage
Adam Sedgwick
Temple Chevallier
John Bachman
Robert Main
James Clerk Maxwell
Andrew Pritchard
Arnold Henry Guyot
Gregor Mendel
Philip Henry Gosse
Asa Gray
Francesco Faà di Bruno
Julian Tenison Woods
James Prescott Joule
Heinrich Hertz
James Dwight Dana
Louis Pasteur
George Jackson Mivart
Armand David
George Stokes
George Salmon
Henry Baker Tristram
Lord Kelvin
Pierre Duhem
Georg Cantor
Henrietta Swan Leavitt
Dmitri Egorov
Mihajlo Idvorski Pupin
Pavel Florensky
Agnes Giberne
J. J. Thomson *
John Ambrose Fleming
Max Planck *
Edward Arthur Milne
Robert Millikan
Charles Stine
E. T. Whittaker
Arthur Compton *
Ronald Fisher
Georges Lemaître
Otto Hahn *
David Lack
Charles Coulson
George R. Price
Theodosius Dobzhansky
Werner Heisenberg
Michael Polanyi
Henry Eyring
Sewall Wright
William G. Pollard
Aldert van der Ziel
Mary Celine Fasenmyer
John Eccles *
Carlos Chagas Filho
Sir Robert Boyd
Richard Smalley *
Mariano Artigas
Arthur Peacocke
C. F. von Weizsäcker
Stanley Jaki
Allan Sandage
Charles Hard Townes *
Ian Barbour
Freeman Dyson
Richard H. Bube
Antonino Zichichi
John Polkinghorne
Owen Gingerich
John T. Houghton
Russell Stannard
R. J. Berry
Gerhard Ertl *
Michal Heller
Robert Griffiths
Ghilean Prance
Donald Knuth
George Frances Rayner Ellis
Colin Humphreys
John Suppe
Eric Priest
Christopher Isham
Henry F. Schaefer, III
Joel Primack
Robert T. Bakker
Joan Roughgarden
William D. Philips *
Kenneth R. Miller
Francis Collins
Noella Marcillino
Simon Conway Morris
John D. Barrow
Denis Alexander
Don Page
Stephen Barr
Brian Kobilka *
Karl W. Giberson
Martin Nowak
John Lennox
Jennifer Wiseman
Ard Louis
Larry Wall
Justin L. Barrett

(Os nomes seguidos por um * são aqueles que receberam um prémio Nobel)

Não se esqueçam de salientar que foi Roger Bacon, um monge Franciscano, quem avançou com o método científico, e, desde logo, foi o primeiro cientista moderno. Se por acaso o crítico tiver alguma resposta a isto, é bem provável que essa resposta nada mais seja que um agitar de mãos, seguida da alegação de que a fé Cristã destes cientistas de maneira nenhuma está relacionada com o seu sucesso científico.

Claro que isto está bem longe da verdade, e embora não seja nada de surpreendente que um critico do Cristianismo seja ignorante tanto da lista de cima, como do papel do Cristanismo no desenvolvimento da ciência moderna, é bastante surpreendente – pelo menos para mim – que os Cristãos também estejam em larga parte ignorantes em relação a estes factos.

Quando eu mostrei pela primeira vez esta lista a uma audiência Cristã durante uma das minhas palestras, sentiu-se um sobressalto audível. A maior parte dos Cristãos não só não está ciente de que alegação duma incompatibilidade é falsa, como também não estão cientes de que a longa lista de Cristãos do mundo da ciência e da tecnologia é um testemunho para o fato da ciência moderna ser um produto direto da fé Cristã.

Volto a afirmar: não só a ciência é totalmente compatível com o Cristianismo, como é muito pouco provável que viéssemos a ter a ciência moderna sem o Cristianismo. Poderiam-se escrever volumes inteiros em relação a este tópico, mas a alegação depende essencialmente de duas crenças. A ciência moderna nunca poderia existir sem:

1. A noção contra-intuitiva do tempo linear, algo que foi inferido a partir da Bíblia por parte de Santo Agostinho durante o 4º século.

2. A crença numa criação deliberada e cognoscível por parte dum Ser Racional (gênesis1, Salmo 19, Provérbios 8:22-24, Romanos 1:20, e muitas outras passagens).

C. S. Lewis, na sua crítica à racionalidade ateísta com o nome “The Case for Christianity”, explicou as coisas desta maneira:

Suponhamos que não há uma inteligência e uma mente criativa por trás do universo. Se isto é verdade, então ninguém criou o meu cérebro com o propósito de pensar. O que acontece é que quando os átomos dentro do meu crânio se organizam duma certa forma (por motivos físicos ou químicos), isso, como consequência, dá-me uma sensação que eu chamo de “pensamento”.

Mas se isto é assim, como é que eu posso confiar na veracidade dos meus próprios pensamentos? É como eu agitar um jarro e leite e esperar que o mesmo, depois de derramado no chão, desenhe uma mapa de Londres. A menos que eu acredite em Deus, não posso acreditar no pensamento.

Usando termos atuais, a isto dá-se o nome de “cérebro de Boltzmann”, que diz de modo efetivo que, na ausência duma força criativa consciente, é estatisticamente muito mais provável que nós nada mais sejamos que um cérebro dentro duma cuba, a alucinar estas experiências, do que habitarmos de fato num universo altamente organizado.

Dito de outra forma, tu tens que ter fé de que as nossas percepções e os nossos pensamentos estão a refletir de forma correta a realidade que opera segundo regras não-arbitrárias e cognoscíveis. Isto é-nos garantido com o Cristianismo, mas não há motivo para não acreditar no contrario se por acaso não se acredita numa força consciente criativa e racional por trás do universo.

Embora possa ser alegado, em princípio, que o ponto que se segue não é absolutamente necessário para o desenvolvimento da ciência moderna, ele desempenhou, mesmo assim, um papel importante:

3. Crença de que temos que testar todas as coisas (1 Tess 5:21), e que temos que estudar o mundo natural para que possamos entender melhor o caráter e o propósito de Deus (Salmo 19, Romanos 1:20).

Esta ideia definiu o cientista do século 17, e em muitos casos, os cientistas eram também teólogos. Pessoalmente, acho muito difícil que a ciência moderna pudesse ter emergido sem este terceiro princípio, mas vou guardar isso para outro post.

Uma das grandes conquistas do ateísmo moderno foi o de divorciar os Cristãos do seu legado científico. A ciência moderna é uma das maiores façanhas da civilização Ocidental, construída sobre o fundamento da fé, da crença e do propósito Cristão. Mas quantos Cristãos é que estão cientes disto?

Em vez que colocarem em causa a fonte, muitos Cristãos aceitaram passivamente a mentira de que o Cristianismo e a ciência são incompatíveis. Este é o erro clássico de aceitar o enquadramento do adversário. Os Cristãos têm que rejeitar este enquadramento e educarem-se a eles mesmos em relação à história da sua fé e o papel colossal que ela desempenhou no desenvolvimento da ciência moderna.

Fonte: http://bit.ly/2fqtDuq