Em 28 de julho de 2013, último dia da viagem apostólica do Papa Francisco ao Brasil, foi celebrada a Missa de encerramento da XXVIII Jornada Mundial da Juventude (JMJ).

Participaram daquela celebração eucarística, também chamada de “Missa de Envio“, cerca de 3,7 milhões de peregrinos.

Número histórico

De todas as edições da JMJ já realizadas no mundo, foi a segunda com mais fiéis reunidos, atrás apenas da edição de 1995 na capital filipina, Manila, com 4 milhões de peregrinos.

A prefeitura do Rio de Janeiro afirmou que a Missa de Envio da JMJ 2013 foi o maior evento já realizado em toda a história da Cidade Maravilhosa do ponto de vista da quantidade de pessoas presentes. E isso considerando grandes shows e festivais internacionais de música ocorridos na cidade, um carnaval que é apelidado de “maior espetáculo da Terra” e um réveillon que é reconhecido entre os mais concorridos do planeta.

O próprio Ministério do Turismo do Brasil informou que a JMJ 2013 trouxe a maior movimentação de turistas da história do país até então.

Quem pagou a conta?

O custo estimado do evento católico foi de R$ 118 milhões. Quem pagou foi a própria Igreja, mediante o seu Comitê Organizador Local da Jornada Mundial da Juventude Rio 2013. A participação do governo do Estado e da Prefeitura do Rio de Janeiro se concentrou no que já é sua obrigação: a segurança e o atendimento médico das pessoas. O prefeito carioca da época, Eduardo Paesconfirmou este fato em entrevista à Rádio Globo:

“Quem paga pelas despesas da JMJ é o Comitê Organizador Local (COL), criado pela Igreja Católica. Não pagamos pelo palco, pelos shows, pela hospedagem do Papa. Tudo o que tem a ver com a infraestrutura do evento é pago pelo COL da JMJ”.

Paes reafirmou que os governos federal, estadual e municipal devem colocar à disposição da população serviços como saúde e segurança, da mesma forma que o fazem em quaisquer grandes aglomerações de pessoas, como o carnaval, o réveillon e, para citar outro exemplo de evento religioso, a “Marcha para Jesus”, organizada anualmente por denominações evangélicas.

Mesmo assim, houve protestos enviesados: já no primeiro dia de visita do Papa Francisco ao Rio de Janeiro, manifestantes contrários ao que chamavam de “gastos públicos com um evento religioso particular” entraram em conflito com a polícia.

2017-2018: na maior crise da história do Rio, o maior show de fogos da história do Rio

Neste réveillon que deu as boas-vindas a 2018, um Rio de Janeiro onipresente nos noticiários graças ao ápice da crise econômica, política, social e moral que o assola há anos realizou a sua maior queima de fogos de artifício de todos os tempos.

Ao contrário do ano anterior, em que, devido à crise, houve apenas um palco para os shows e 12 minutos de queima de fogos, o réveillon de Copacabana nesta virada de 2017 para 2018, apesar da crise que não apenas prosseguiu como ainda piorou, contou com mais shows que se estenderam pela madrugada: DJ Tucho, Alex Cohen, Ana Petkovic, Belo, Cidade Negra, Frejat, Anitta, DJ Luis Henrique e as escolas de samba Portela e Mocidade Independente de Padre Miguel, vencedoras do carnaval 2017. 12 telões gigantes espalhados pela praia destacavam cenas tanto dos shows quanto da queima de nada menos que 25 toneladas de fogos de artifício, disparados a partir de 11 balsas na baía da Guanabara e que adornaram os céus de Copacabana durante 17 minutos, diante de um público de 2,4 milhões de pessoas, conforme dados divulgados pela Riotur.

Para organizar os shows pirotécnicos de réveillon no Rio de Janeiro, são necessários em média 90 dias de preparação e uma equipe de 1.500 pessoas.

Segundo o presidente da Riotur, Marcelo Alves, o investimento para este réveillon foi de R$ 25 milhões, sendo 82% captados junto à iniciativa privada. Entre os gastos, foram estimados pelo menos 8 milhões de reais com estruturas de palco a serem bancadas pela prefeitura. O BNDES(Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) foi um dos “patrocinadores” do evento, com 2 milhões de reais – dinheiro que também é público. Este patrocínio foi dado mediante a Lei Rouanet, criada em 1991 para incentivar projetos culturais e fomentar novos talentos, mas que está continuamente na berlinda por bancar projetos de grandes artistas já consagrados, bem como por acusações de favorecimentos, falta de transparência e adoção de critérios ideológicos favoráveis a projetos alinhados com a assim chamada “agenda da esquerda”.

Vida real

Enquanto isso, o Rio de Janeiro registra hospitais municipais com superlotação, falta de insumos, equipamentos danificados e cidadãos que morrem na fila à espera de um atendimento que não é prestado. Servidores públicos dependem de esmolas de amigos e familiares para sobreviver aos atrasos contínuos no pagamento dos seus salários. Pelo menos duas empresas de ônibus que atendiam ao município deixaram de operar e outras estão em litígio com a prefeitura, aumentando a crise no transporte público da cidade. Os números da violência equivalem aos de países em guerra, com casos frequentes de balas perdidas que matam civis dentro de suas próprias casas e crianças dentro de suas próprias escolas, além de um número recorde de policiais executados. Regiões da cidade são controladas quase inteiramente pelo crime organizado, diante da impotência do Estado e do fracasso das suas políticas de segurança.

Já no primeiro dia deste novo ano, a página inicial dos principais sites de notícias do país estampam: “Rocinha, no Rio, tem intenso tiroteio nas primeiras horas de 2018“.

O atual prefeito, Marcelo Crivella, da Igreja Universal do Reino de Deus, remete a culpa pela falta de recursos, na maior medida, à Olimpíada de 2016. Já o ex-prefeito Eduardo Paes rebate dizendo que “não se contraiu um real de dívida para se construir qualquer estádio para a Olimpíada. Todos já estão pagos”.

Um mês antes de resolver conceder seu “patrocínio” ao réveillon, o BNDES chegou a dizer, pela boca de seu presidente Paulo Rabello de Castro, que “o Rio de Janeiro está em estágio terminal“.

O remédio terá sido queimar fogos durante 17 minutos?

Os jovens católicos sentem-se em sua maioria ouvidos (60%) pela Igreja, mas não compreendidos (54,03%). É o que se depreende de uma pesquisa da qual participaram mais de cinco mil jovens católicos espanhóis e cujos resultados serão enviados ao Sínodo dos Bispos, que será realizado no Vaticano em outubro do próximo ano, e cujo tema central será “os jovens, a fé e o discernimento vocacional”.

pesquisa foi elaborada pelo próprio Vaticano e adaptada pelo Departamento de Juventude da Conferência Episcopal Espanhola antes de ser enviada para as dioceses e as congregações religiosas para a coleta das informações. Entre as principais conclusões, a pesquisa destaca que os jovens pedem “mais abertura da Igreja” e que “os acolha sem julgamento”. Eles também pedem que ela “seja mais moderna”, que utilize “uma linguagem de hoje e que não seja excessivamente moralista”. Dos pastores, reclamam mais proximidade, e das celebrações litúrgicas que “sejam mais vivas”.

“Estes dados nos colocam na atitude de perguntar o que estamos fazendo e como o estamos fazendo. Fazemos esforços, mas talvez não sejam os mais apropriados. Nossas propostas podem não chegar aos jovens como pensávamos”, disse Raul Tinajero, diretor do Departamento de Pastoral da Juventude da Conferência Episcopal, durante a apresentação da síntese desta pesquisa, que foi elaborada com as respostas recebidas de 47 dioceses, 12 movimentos, 12 congregações religiosas e dois institutos seculares.

Longe do pessimismo, Tinajero disse que esta análise qualitativa da relação dos jovens com a Igreja destaca a importância de promover “uma pastoral da juventude centrada no acompanhamento pessoal”, já que a maioria “pede mais tempo e pessoas para ouvi-los”. Entre os desafios pendentes, os jovens também enfatizam que a Igreja deve estar mais presente “na rua e nas redes sociais”, porque são “espaços de encontro com os jovens que não frequentam os ambientes eclesiais”.

Durante a apresentação, Tinajero destacou a importância de que a Igreja “tenha centrado sua preocupação nos jovens”. “É nosso momento e temos que aproveitá-lo cem por cento para tentar dar respostas às preocupações dos jovens para o bem da Igreja em geral”.

Fonte: ABC, Espanha.

Sabedoria e esperança. Alegria e coragem. Diálogo com os jovens de outras religiões e com os idosos, e discernimento para “reconhecer e rejeitar falsas promessas de felicidade”. O tão aguardado encontro com jovens na Universidade Notre Dame de Daca, capital de Bangladesh, começou com um pequeno atraso em relação ao horário previsto, 15h20 (hora local).

A viagem asiática do Papa termina com este encontro com jovens de diferentes religiões. Muitos deles são estudantes de escolas católicas de Bangladesh. Francisco foi recebido com entusiasmo, cantos e danças tradicionais em uma festa cheia de cores e alegria. Após a saudação, feita por dom Gervas Rozario, o Pontífice argentino ouviu atentamente o testemunho de dois jovens estudantes da universidade, Upasana Ruth Gomes e Anthony Toranga Norek, e depois respondeu às suas perguntas lendo o documento que tinha preparado para a ocasião.

“Santo Padre, você compreende as nossas fadigas”, disse a jovem. “Nós nos entusiasmamos facilmente, mas, ao mesmo tempo, nos sentimos confusos, desanimados, frustrados, não sabemos qual direção tomar e, às vezes, nos perdemos. Muitas vezes, somos tão instáveis e emocionalmente vulneráveis que a nossa vida parece não ter sentido. Vendo as injustiças do mundo, a falta de respeito pela Criação, a divisão nas famílias, os maus tratos e os perigos a que as mulheres e as crianças estão expostas, sentimo-nos realmente desanimados e impotentes”.

Anthony, por sua vez, disse: “Estamos empenhados em viver. Tentamos agir de diferentes maneiras de acordo com a justiça, amar com ternura e caminhar humildemente, deixando que Deus guie os nossos passos. Mas a mensagem de paz e de cura, da cura que desejamos ouvir, nem sempre chega aos nossos ouvidos”.

“Vocês, jovens – disse o Papa Francisco ao tomar a palavra –, têm algo de único: vocês estão sempre cheios de entusiasmo, e sinto-me rejuvenescer toda vez que encontro vocês”, e precisamente “esse entusiasmo juvenil está relacionado ao espírito aventureiro. Um dos seus poetas nacionais, Kazi Nazrul Islam, expressou isso definindo a juventude do país como ‘arrojada’, ‘habituada a arrancar a luz do ventre das trevas’”.

“Os jovens – continuou Francisco – estão sempre prontos para avançar, fazer tudo acontecer e arriscar. Eu animo vocês a avançar com esse entusiasmo em boas e más circunstâncias. Avançar, especialmente naqueles momentos em que vocês se sentem oprimidos por problemas e tristezas e, olhando ao redor, parece que Deus não se faz ver no horizonte”.

Mas também recomendou: ao avançar, “certifiquem-se de escolher o caminho certo. O que significa isto? Isso significa saber ‘viajar’ na vida, e não ‘vagar’ sem rumo”, orientando-se por esse ‘software’ que está naturalmente dentro de cada um de nós, que “nos ajuda a discernir seu programa divino e a responder-lhe com liberdade. Mas, como qualquer software, também este precisa ser constantemente atualizado. Mantenham atualizado o seu programa, ouvindo o Senhor e aceitando o desafio de fazer a sua vontade”, pediu Bergoglio.

E também falou sobre a “sabedoria”, que é “a única coisa que nos orienta e nos faz avançar no caminho certo”, “a sabedoria que nasce da fé”, e não “a falsa sabedoria deste mundo. É a sabedoria que se vislumbra nos olhos dos pais e avós que depositaram sua confiança em Deus. Como cristãos, podemos ver em seus olhos a luz da presença de Deus, a luz que descobriram em Jesus, que é a mesma sabedoria de Deus. Para receber essa sabedoria, devemos ver o mundo, a nossa situação, os nossos problemas, tudo, com os olhos de Deus”.

“Essa sabedoria nos ajuda a identificar e rejeitar as falsas promessas de felicidade”, explicou o Papa, “uma cultura que promete falsas promessas não pode libertar; conduz apenas a um egoísmo que enche os nossos corações de escuridão e amargura. A sabedoria de Deus, pelo contrário, nos ajuda a saber como acolher e aceitar aqueles que agem e pensam de maneira diferente de nós. É triste quando começamos a fechar-nos em nosso pequeno mundo e a nos retrair sobre nós mesmos. Então adotamos o princípio ‘ou é como eu digo ou não se faz nada’, acabando enredados, fechados em nós mesmos. Quando um povo, uma religião ou uma sociedade se tornam um ‘pequeno mundo’, perdem o melhor que têm e se precipitam em uma mentalidade presunçosa, que faz dizer: ‘eu sou bom, você é mau’”.

Por isso, o Papa convidou os jovens a abrir-se aos outros e a “olhar para além das nossas comodidades pessoais e das falsas garantias que nos deixam cegos perante os grandes ideais que tornam a vida mais bonita e digna de ser vivida”. Nesse sentido, Francisco disse que estava feliz porque, junto com os católicos, havia também muitos jovens muçulmanos e de outras religiões no campo esportivo da universidade. “Com o fato de se encontrarem aqui hoje – disse – mostram a sua determinação de promover um clima de harmonia, onde se estende a mão aos outros, apesar das suas diferenças religiosas”.

Ele recordou, dessa maneira, uma experiência que teve em Buenos Aires, em uma nova paróquia de uma área extremamente pobre, cujos equipamentos foram construídos por um grupo de estudantes. “Fui e, quando cheguei à paróquia, o padre apresentou-os um a um, dizendo: ‘Este é o arquiteto, é judeu, este é comunista, este é católico praticante’. Aqueles estudantes eram todos diferentes, mas estavam todos trabalhando pelo bem comum. Estavam abertos à amizade social e decididos a dizer ‘não’ a qualquer coisa que pudesse afastá-los do propósito de estarem juntos e se ajudarem uns aos outros”.

O Papa concluiu com este desejo para as novas gerações desta porção da Ásia: “Que a sabedoria de Deus continue a inspirar o seu compromisso de crescer no amor, na fraternidade e na bondade”. “Isshór Bangladeshké ashirbád korún!” (Que Deus abençoe Bangladesh!), exclamou o Papa ao se despedir. Após o encontro, o Papa Bergoglio dirigiu-se ao aeroporto internacional para a despedida oficial.

Fonte: Vatican Insider

Parafraseando o título de um conhecido livro, poderíamos dizer que vivemos em uma época de “paixões mornas”. Não “tristes”, como as evocadas por Miguel Benasayag e Gérard Schmit no seu ensaio (publicado em 2004 pela editora Feltrinelli). Ao contrário: “desencantadas”. Interpretadas com realismo. Particularmente pelos jovens. Acostumados a projetar o futuro no seu olhar. E a orientar o nosso. Porque os jovens “são” o futuro. 

Essa é a imagem sugerida pela pesquisa do Observatório Demos-Coop, realizada nos últimos dias e proposta no jornal italiano La Repubblica.

Além disso, a sociedade e, sobretudo, os jovens se acostumaram com o clima de desconfiança que paira sobre nós. Há muitos anos já. Assim, eles o atravessam sem muito medo. Em particular, os “jovens-adultos” (de acordo com os demógrafos), a “geração do milênio”, segundo o Istat.

Em suma, aqueles que têm entre 25 e 36 anos e estão no meio da juventude e da idade adulta. E acumulam a insegurança de quem tem pela frente um futuro repleto de incógnitas e a segurança de quem começou a experimentar os problemas do futuro. É a metáfora de uma sociedade que não aceita envelhecer. Onde muitos, quase todos, gostariam de ficar “jovens para sempre”. Às custas de protelar ao infinito as incertezas dos adolescentes. 

É um aspecto que já observamos outras vezes no passado. Mas hoje ele se repropõe, de modo, se possível, mais marcante. A juventude, de acordo com os italianos, se alonga cada vez mais. Quanto mais os anos passam. 

Entre aqueles que não superam os 36 anos, a juventude acaba um pouco mais tarde: aos 42 anos. Depois, à medida que os anos passam, a juventude também se alonga. Até os 62 anos, para aqueles que superaram os 71 anos. A “geração da reconstrução”. 

Paralelamente, afasta-se também o limiar da velhice. Tanto que, de acordo com os mais idosos, perdão, os “menos jovens”, só nos tornamos “velhos” depois de completar os 80 anos. Não é uma novidade. A nostalgia da juventude leva a negar a velhice. E induz a aceitar ser velho… só depois da morte. 

Porém, todas as vezes eu me surpreendo. Não consigo me dar uma razão para isso. A velhice como desvalor: significa negar a importância da experiência. A maturidade. 

Por outro lado, a idade adulta se restringe cada vez mais. Assim, a nossa biografia se aproxima e opõe juventude e velhice. Uma ao lado da outra. E reduz a idade adulta a uma passagem rápida. Quase ocasional. “Tornar-se grande”, uma promessa esperada, quando eu era criança, hoje parece ser quase uma ameaça. No máximo, nos é concedida a condição de “adultos com reserva” (para citar um belo livro de Edmondo Berselli).

As fraturas geracionais, assim, parecem ser menos evidentes e menos marcadas do que antigamente. Eu mesmo, no fim dos anos 1990, definira os jovens como uma Generazione invisibile [Geração invisível] (Ed. Il Sole 24 Ore, 1999). Para enfatizar a progressiva marginalidade dos jovens, mas, ainda mais, a sua coerência com as orientações dos… adultos. Ou, melhor, dos pais. A tal ponto de não se captarem mais as suas distâncias. Ou seja: as especificidades geracionais. 

Por outro lado, os anos das contestações sociais, mas, antes ainda, familiares – dos filhos contra os pais – estavam longe. Depois, não se repropuseram mais. Ou, melhor: os pais, a família tornaram-se o pretexto que permite que os filhos conduzam a sua transição infinita para a idade adulta. Explica-se principalmente assim a importância atribuída pelos mais jovens às suas relações com a família. Mas, acima de tudo, à independência e à autonomia. Três em cada quatro, entre aqueles que têm até 24 anos, os consideram muito importantes. Em 2003, eram pouco mais de um em cada dois. Sinal evidente de que o apoio da família é necessário, mas, ao mesmo tempo, aumenta a demanda de independência. De crescer e de se autorrealizar. De se afirmar e de “fazer carreira”. Objetivo ambicionado por 41% dos mais jovens: quase 10 pontos a mais do que no início dos anos 2000. Uma esperança que, para ser realizada, os leva a olhar – e ir – para outros lugares.

Os mais jovens, junto com os jovens-adultos, os millennials, são a geração da rede, a geração mais globalizada. Acostumados a se comunicarem à distância. E a se orientarem para “outros lugares”, sustentados pelos pais. E pelos avós. Por isso, não conseguem fugir do sentimento de solidão, que paira sobre toda a sociedade. 

É claro, os jovens-mais-jovens são sustentados e ajudados por redes de amigos mais compactas. Mas os seus irmãos mais velhos, os jovens-adultos, a “geração do milênio”, sofrem mais do que os outros. Na pesquisa Demos-Coop, 39% deles, quase 4 em cada 10, admitem “sentir-se sozinhos”. Por outro lado, a internet e as mídias sociais permitem ficar sempre em contato com os outros. Os amigos. Mas é você, na frente da sua tela. Sozinho. Ou no meio dos outros. A comunicar. Sozinho. Com o seu smartphone.

Assim, as paixões não se tornam “tristes”, mas mais mornas. Porque as próprias “fés” empalidecem. E se perdem.

A política: não interessa mais a quase ninguém. Mesmo entre os mais jovens. Junto dos quais o percentual que considera importante a política não vai além dos 14%. Pouco acima da média geral. Estão longe os tempos da “contestação”. A própria “geração do compromisso” – de 1968 – parece desiludida. 

Elisa Lello, em uma pesquisa publicada há alguns anos, falou de uma Triste gioventù [Triste juventude] (Ed. Maggioli, 2015). Em suma, não há mais fé. Especialmente entre os mais jovens. Isso foi explicado por Franco Garelli, estudioso das religiões muito reconhecido, em um texto de título explícito: Piccoli atei crescono [Pequenos ateus crescem] (Ed. Il Mulino, 2016). 

A pesquisa Demos-Coop confirma isso, já que a religião é considerada importante apenas por 7% da “geração da rede”. Um quarto, em comparação com a população como um todo. Menos de um terço em relação a 2003.

Em outras palavras, “não há mais religião”. Especialmente entre os mais jovens. Assim, torna-se difícil sentir “paixões”. Quentes e até mesmo tristes. Prevalece o desencanto.

E as paixões esfriam. Tornam-se mornas. Porém, convém “crer” nos jovens. Porque, mesmo assim, mais do que todos os outros, eles “creem” na Europa. Porque são o nosso futuro. E, mais do que todos os outros, “creem” no futuro.

A opinião é do sociólogo e cientista político italiano Ilvo Diamanti, professor da Universidade de Urbino, em artigo publicado por La Repubblica,

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Sintomática de uma era, vem causando espanto e muita preocupação uma onda de suicídios na Rússia, motivados por um jogo intitulado Blue Whale (Baleia Azul, alusão ao cetáceo que está em extinção). Os participantes seguem uma série de instruções que os deixam fragilizados e motivados a tirar a própria vida. O jogo é viral e está se espalhando pela internet, chegando aos poucos ao Brasil. A pessoa que comanda o jogo se chama “curador” e envia pequenos desafios aos jogadores todas as madrugadas, justamente quando os pais desavisados estão alheios às atividades virtuais dos filhos. Com duração de cinquenta dias, o jogo termina com o desafio final: o suicídio. As russas Yulia Konstantinova e Veronika Volkova estão entre as primeiras vítimas do jogo; jovens que, como muitos outros, precisavam apenas de um “empurrão” para levar a cabo a trágica decisão. Centenas de jovens já foram empurrados para a morte motivados pelo diabólico Baleia Azul.

Entre as “missões”, as mais fáceis consistem em acordar em horários específicos da noite, assistir a filmes de terror e ouvir sem parar músicas que deixam a pessoa triste. Isso predispõe o jogador para as próximas tarefas, criando nele um estado depressivo. Os passos seguintes incluem automutilação, arriscar-se em lugares altos e perigosos, etc. Autoridades russas creem que os curadores sejam pessoas mais velhas e persuasivas, pois convencem os jovens de que eles não podem sair do jogo. “Temos certeza de que são adultos aliciando crianças”, afirmou um representante do FSB Secret Service ao jornal Novaya Gazeta.

O jogo Baleia Azul realmente é sintomático de uma era em que a vida tem sido banalizada, as relações humanas reais têm dado lugar a relações impessoais e virtuais, os pais se distanciam dos filhos e o alvo de muita gente se constitui numa vida de conforto e estabilidade financeira. Na busca dessas coisas, muitas família acabam desenvolvendo relacionamentos disfuncionais e carências emocionais que alguns buscam satisfazer de forma errada – ou mesmo se livrar delas de um jeito ou de outro, sendo o “outro” o mais extremo: o suicídio.

No ano passado, realizei uma série de pregações e palestras em três cidades da Suíça: Genebra, Zurique e Neuchatel. Pense num país organizado, com ótimas escolas, povo educado, segurança e conforto… Esse é a Suíça. Até por isso fica difícil pregar o evangelho lá, porque a sensação de muitos suíços é de que eles de nada têm falta. Alguns, por fim, acabam percebendo que quem tem Deus tem tudo, mas que os que não tem Deus, ainda que tenham “tudo”, não têm nada. A constatação disso lá me veio por meio de uma realidade que eu desconhecia: os índices de suicídio na Suíça são alarmantes, embora pouco divulgados. Então, parece que conforto, prosperidade financeira, segurança e boa educação não são tudo na vida…

Mas taxas de suicídio altas não são “privilégio” dos suíços. No Japão, outro país bastante desenvolvido, ocorrem mais de trinta mil suicídios por ano – número cinco vezes maior que o de acidentes rodoviários. Mas é interessante notar que, depois do trágico terremoto e do tsunami que causaram muita destruição e ceifaram milhares de vidas na ilha, em 2011, o número de suicídios caiu significativamente, o que levou alguns analistas a associar essa diminuição ao aumento da solidariedade e da união no país. Houve também mais reflexão sobre o sentido da vida e até um afluxo maior de pessoas às igrejas, na época.

Pensando na tragédia chamada Baleia Azul e nos tristes índices de suicídios em países desenvolvidos, podemos listar algumas reflexões e advertências:

1. Pais devem ficar atentos e não permitir aos filhos liberdade irrestrita à internet. Psicólogos e estudiosos do comportamento aconselham os pais a não permitir que os filhos tenham aparelhos de TV nem computadores no quarto de dormir. E o uso de smartphones também deve ser regulado.

2. Privação de sono, filmes de terror e músicas que induzem a tristeza funcionam como fatores depressivos. Obviamente que nem todo mundo terá pensamentos suicidas ou chegará às vias de fato por manter práticas como essas, mas fica demonstrado que essas coisas alteram o estado de ânimo das pessoas. Então, para que assistir a esse tipo de filmes, ouvir esse tipo de música e dormir pouco? Cuidar da saúde física é igualmente cuidar da saúde mental.

3. É preciso ficar atento ao comportamento das pessoas, especialmente dos jovens. Se você perceber que algum amigo ou parente anda postando mensagens estranhas nas redes sociais, tipo pedidos de ajuda ou conteúdos relacionados com suicídio, fique atento.

4. Lembre-se de que depressão é uma doença e que as pessoas acometidas por esse problema precisam de ajuda e, se preciso, de atendimento profissional. Tudo o que elas menos precisam é de condenação ou de associações indevidas e injustas com sua situação espiritual, como se o depressivo estivesse com “falta de Deus na vida”.

5. A fé e a prática da religião podem ajudar e muito no equilíbrio emocional e na busca de sentido para a vida. Viktor Frankl é um dos estudiosos que pesquisou a importância da religião (ou espiritualidade) como fator integrativo da natureza humana e percebeu por meio de pesquisas in loco que a esperança e a dimensão espiritual fazem grande diferença na vida das pessoas.

Assim como a baleia azul está em extinção, também estão a real conexão com Deus (fé), os valores que deveriam nortear a vida, os bons e construtivos relacionamentos, e muito mais coisas boas. E é justamente por isso que, para muita gente, dar fim à existência é uma opção aparentemente melhor do que enfrentar a vida com seus desafios, suas lutas e incertezas. 

Michelson Borges

brasão do Papa Francisco

Carta do Papa aos jovens
por ocasião da apresentação do Documento preparatório
para a XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos
Vaticano, 13 de janeiro de 2017

Caríssimos jovens!

É-me grato anunciar-vos que em outubro de 2018 se celebrará o Sínodo dos Bispos sobre o tema «Os jovens, a fé e o discernimento vocacional». Eu quis que vós estivésseis no centro da atenção, porque vos trago no coração. Exatamente hoje é apresentado o Documento preparatório, que confio também a vós como «bússola» ao longo deste caminho.

Vêm-me à mente as palavras que Deus dirigiu a Abraão: «Sai da tua terra, deixa a tua família e a casa do teu pai, e vai para a terra que Eu te mostrar!» (Gn 12, 1). Hoje estas palavras são dirigidas também a vós: são palavras de um Pai que vos convida a «sair» a fim de vos lançardes em direção de um futuro desconhecido, mas portador de realizações seguras, ao encontro do qual Ele mesmo vos acompanha. Convido-vos a ouvir a voz de Deus que ressoa nos vossos corações através do sopro do Espírito Santo.

Quando Deus disse a Abraão «Sai!», o que é que lhe queria dizer? Certamente, não para fugir dos seus, nem do mundo. O seu foi um convite forte, uma provocação, a fim de que deixasse tudo e partisse para uma nova terra. Qual é para nós hoje esta nova terra, a não ser uma sociedade mais justa e fraterna, à qual vós aspirais profundamente e que desejais construir até às periferias do mundo?

Mas hoje, infelizmente, o «Sai!» adquire inclusive um significado diferente. O da prevaricação, da injustiça e da guerra. Muitos de vós, jovens, estão submetidos à chantagem da violência e são forçados a fugir da sua terra natal. O seu clamor sobe até Deus, como aquele de Israel, escravo da opressão do Faraó (cf. Êx 2, 23).

Desejo recordar-vos também as palavras que certo dia Jesus dirigiu aos discípulos, que lhe perguntavam: «Rabi, onde moras?». Ele respondeu: «Vinde e vede!» (cf. Jo 1, 38-39). Jesus dirige o seu olhar também a vós, convidando-vos a caminhar com Ele. Caríssimos jovens, encontrastes este olhar? Ouvistes esta voz? Sentistes este impulso a pôr-vos a caminho? Estou convicto de que, não obstante a confusão e o atordoamento deem a impressão de reinar no mundo, este apelo continua a ressoar no vosso espírito para o abrir à alegria completa. Isto será possível na medida em que, inclusive através do acompanhamento de guias especializados, souberdes empreender um itinerário de discernimento para descobrir o projeto de Deus na vossa vida. Mesmo quando o vosso caminho estiver marcado pela precariedade e pela queda, Deus rico de misericórdia estende a sua mão para vos erguer.

Na inauguração da última Jornada Mundial da Juventude, em Cracóvia, perguntei-vos várias vezes: «As coisas podem mudar?». E juntos, vós gritastes um «Sim!» retumbante. Aquele brado nasce do vosso jovem coração, que não suporta a injustiça e não pode submeter-se à cultura do descartável, nem ceder à globalização da indiferença. Escutai aquele clamor que provém do vosso íntimo! Mesmo quando sentirdes, como o profeta Jeremias, a inexperiência da vossa jovem idade, Deus encoraja-vos a ir para onde Ele vos envia: «Não deves ter […] porque Eu estarei contigo para te libertar» (cf. Jr 1, 8).

Um mundo melhor constrói-se também graças a vós, ao vosso desejo de mudança e à vossa generosidade. Não tenhais medo de ouvir o Espírito que vos sugere escolhas audazes, não hesiteis quando a consciência vos pedir que arrisqueis para seguir o Mestre. Também a Igreja deseja colocar-se à escuta da vossa voz, da vossa sensibilidade, da vossa fé; até das vossas dúvidas e das vossas críticas. Fazei ouvir o vosso grito, deixai-o ressoar nas comunidades e fazei-o chegar aos pastores. São Bento recomendava aos abades que, antes de cada decisão importante, consultassem também os jovens porque «muitas vezes é exatamente ao mais jovem que o Senhor revela a melhor solução» (Regra de São Bento III, 3).

Assim, inclusive através do caminho deste Sínodo, eu e os meus irmãos Bispos queremos, ainda mais, «contribuir para a vossa alegria» (2 Cor 1, 24). Confio-vos a Maria de Nazaré, uma jovem como vós, à qual Deus dirigiu o seu olhar amoroso, a fim de que vos tome pela mão e vos guie para a alegria de um «Eis-me!» pleno e generoso (cf. Lc 1, 38).

Com afeto paterno,

FRANCISCO

 

jovem

O papa Francisco convocou para outubro de 2018 um sínodo, ou assembleia de bispos de todo o mundo, sobre os jovens e os novos modelos de vida, anunciou o Vaticano.

Os bispos de todas as regiões do planeta se reunirão no Vaticano para debater sobre as mudanças que afetam a juventude, a fé e o “discernimento vocacional”.

A decisão do pontífice foi adotada após consultas às conferências episcopais e depois de ouvir as observações dos padres sinodais nas assembleias passadas, dedicadas à família.

A Igreja Católica deseja “acompanhar os jovens em seu caminho existencial até a maturidade”, de maneira a enfrentar a crise de vocações que a afcta atualmente.

Em muitos países caiu o número de jovens que desejam ser padres ou dedicar-se à vida religiosa, um fenômeno que preocupa a hierarquia da Igreja Católica.

Em outubro de 2014 e 2015, durante os dois sínodos dedicados à família, as divisões dentro da Igreja ante as mudanças sociais se tornaram evidentes.

Após as deliberações, o papa Francisco divulgou em abril sua segunda exortação apostólica, “Laetitia Amoris” (“A alegria do amor”), um documento que estabelece as diretrizes da Igreja sobre a família, o amor e o casamento.

O documento, fruto dos dois encontros, convida a integrar na vida da Igreja as “famílias feridas” e os “casados em segundas núpcias”, um princípio que deverá ser aplicado caso por caso.

(Com AFP)

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O padre jesuíta Joseph D. Fessio, aqui entrevistado, é o fundador e editor da Ignatius Press em San Francisco. Ex-aluno da Escola Preparatória Bellarmine, de San Jose, na Califórnia, ele estudou engenharia civil na Santa Clara University por três anos antes de entrar para a Companhia de Jesus em 1961. Possui doutorado em teologia pela Universidade de Regensburg, Alemanha, onde o então padre Joseph Ratzinger (mais tarde, Papa Bento XVI) orientou sua dissertação sobre eclesiologia em Hans Urs von Balthasar.

Na Jornada Mundial da Juventude em Cracóvia, o Papa Francisco lançou oficialmente o Docat, um catecismo jovem sobre a Doutrina Social da Igreja que reúne vários documentos magisteriais e papais. Assim como aconteceu com o Youcat apresentado pelo Papa Bento XVI na Jornada em 2011, mais uma vez a Ignatius Press foi escolhida como uma das várias casas editoriais internacionais a publicar o Docat.

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O que inspirou o Papa Francisco a publicar um catecismo para os jovens sobre a Doutrina Social da Igreja e como foi o seu envolvimento?

Na verdade, se o Papa Francisco teve inspiração, isto ocorreu post factum [após o fato]. O Docat já havia sido pensado, e sua escrita já tinha sido começada, antes da eleição dele ao papado. No entanto, com certeza é uma feliz coincidência que o Docat tenha se alinhado tão bem com os seus interesses e prioridades.

O meu envolvimento no Youcat e agora com o Docat tem uma história singular: o Cardeal Christoph Schönborn e eu somos amigos desde que moramos juntos no Schottenkolleg (à época, o seminário diocesano) em Regensburg nos anos de 1973 e 1974 como alunos do então professor Ratzinger. Na década de 1990, ele pediu minha ajuda para a tradução inglesa do Catecismo da Igreja Católica. Depois da publicação do Catecismo, ele estava fazendo uma apresentação em sua Arquidiocese de Viena e, durante uma sessão de perguntas e respostas, uma mulher se levantou e disse com todas as palavras: “Essa publicação maravilhosa. Mas é para os adultos. E os mais jovens? Eles precisam de um catecismo também”.

Schönborn respondeu concordando com ela, porém dizendo que era necessário ser um catecismo não “para” mas também com a participação dos jovens. A mulher organizou dois programas de férias com os jovens para trabalhar na adaptação do Catecismo. A ela se juntou Bernhard Meuser, editor alemão e jovem catequista. A partir disso nasceu oYoucat.

Como a Ignatius Press acabou sendo a editora do Youcat e agora do Docat?

Quando Bernhard me contatou para ver se a Ignatius Press estaria interessada em ser a editora da edição mundial em língua inglesa, achei que era por causa do Cardeal Schönborn. Mas não era este o caso.

Eu tinha sido convidado para dar uma palestra em Torun, na Polônia, e enquanto estava aí fui entrevistado por um jornalista que trabalhava para uma revista católica alemã chamada Vatikan. Ele me perguntou sobre as origens da Ignatius Press. Expliquei que, durante os meus estudos teológicos na Europa, não somente me familiarizei com teólogos como de Lubac, von Balthasar, Bouyer e Ratzinger, mas também pela primeira vez tinha começado a beber vinho (na França) e cerveja (na Baviera).

Depois quer voltei aos Estados Unidos, provei pela primeira vez uma cerveja americana. Cuspi fora e disse: “Se isso se chama cerveja, então preciso de um outro nome para dar àquilo que bebi na Baviera”. (Isso aconteceu pouco tempo antes da revolução ocorrida com as microcervejarias.) Mais tarde, eu estava dando um retiro e citei Lubac,Balthasar, e outros, e uma irmã me perguntou se existiam teólogos americanos importantes. Contei a ela essa história das cervejas e disse que, embora havia alguns teólogos muito bons nos EUA (mencionei Avery Dulles, evidentemente), mesmo assim, se formos chamá-los teólogos, precisaremos de um outro nome para os gigantes que estudei na Europa.

Concluí a entrevista dizendo que a Ignatius Press foi fundada em 1979 para que os escritos destes teólogos e teólogas possam estar acessíveis a leitores de língua inglesa.

Bernhard Meuser me contou depois que quando leu o texto e a referência à cerveja, decidiu que queria que a Ignatius Press fosse a editora inglesa do Youcat. (In vino veritas, sed in cervisia opportunitas!)

Qual foi sua impressão da atitude do Papa Francisco em relação a este projeto e como se deu a sua colaboração pessoal aqui?

O Papa Francisco, evidentemente, tem um grande apreço e um grande respeito pelo Cardeal Schönborn, que foi quem explicou o projeto para mim. O papa não só demonstrou apoio como também ficou animado com o projeto e prontamente concordou em escrever a introdução para o Docat, da mesma forma como o Papa Bento havia feito para o Youcat.

Quanto à minha colaboração, bem… o meu conhecimento do idioma alemão nunca foi muito bom. Mas foi suficiente para eu revisar a tradução inglesa, compará-la com o original alemão onde necessário e mesmo captar algumas poucas declarações ambíguas no original que precisavam ser – e foram – corrigidas.

A Ignatius Press publicou a versão inglesa do Youcat em 2012 e tenho de dizer que os meus calouros de teologia gostaram bastante quando usamos a obra numa instituição de ensino jesuíta em Tampa, na Flórida. Em seu ponto de vista como editor de língua inglesa, como o Youcat vem sendo recebido nos EUA e em outros países?

Do meu ponto de vista, como padre e educador, fico feliz que esta publicação esteja ajudando tantos jovens, pais e catequistas. Como editor, estou bastante contente – vendemos 800 mil cópias!

O senhor também tem publicado livros-bônus [livros que acompanham outros livros maiores] e materiais para o Youcat. O que dizer sobre o estilo presente nestes catequismos para os jovens que os faz tão atraentes a professores e alunos?

Para mim, o fator mais importante e eficaz no desenvolvimento do Youcat foi a participação direta e ativa dos jovens. Eles não só contribuíram com fotos que tiraram e com citações de seus autores e celebridades favoritos – isso se tornou parte das barras laterais e ilustrações do livro –, mas também trabalharam com os pais e catequistas, fazendo perguntas às quais queriam respostas, lendo com cuidado todo o Catecismo em busca dessas coisas, e ajudando a expressar as respostas em uma linguagem significativa aos demais desta geração.

Em espírito e conteúdo, como o Docat é um sucessor do Youcat?

O espírito, a colaboração dos jovens, a linguagem e as ilustrações atraentes são bem parecidos com o Youcat. O Docat, porém, focaliza a Doutrina Social da Igreja e expande o tratamento dado a este tema pelo Youcat.

De onde o senhor tirou o nome “Docat” e o que ele significa?

O termo vem dos alemães, cuja cultura popular inclui um monte de empréstimos [linguísticos] dos EUA. “Youcat” era a contração para “Youth Catechism” [Catecismo Jovem]. “Youcat” soa muito mais atraente aos jovens alemães – e às pessoas em geral – do que “Jugendkatechismus”. Docat é uma formação a partir do Youcat: “Do” [Faça] (como nas obrigações morais e sociais) e “Catechism” [Catecismo].

O que a Doutrina Social da Igreja significa para o senhor, e por que os jovens deveriam prestar atenção ao assunto?

“Católico” significa não somente “universal”, mas – e isto é ainda mais importante –etimologicamente quer dizer também “de acordo com o todo” ou “orgânico e integrado”. A Torá veio em duas tábuas: três mandamentos relacionados a Deus; sete relacionados ao próximo. E Jesus respondeu à pergunta sobre o “maior mandamento na Lei” com uma resposta dupla: Amar a Deus de todo o coração e amar o próximo como a si mesmo.

A Doutrina Social Católica faz parte integral do ensino católico total e se devemos confiar em Jesus, aquele que a ignora não irá entrar no Reino. Portanto temos de nos esforçar para viver a doutrina e comunicá-la à próxima geração.

Qual a mensagem deste catecismo?

Fazer o bem e evitar o mal. Com um pouco mais de detalhe e ajuda prática, é claro.

Como vê o Docat se tornando uma fonte aos fiéis para a prática da justiça social?

Nas últimas décadas vem havendo um renascimento no catecismo. Cada vez mais os leigos têm contribuído para aquilo que, tempos atrás, encontrava-se principalmente sob a alçada das irmãs e dos padres. Os bispos têm levado suas responsabilidades muito a sério, e o processo de aprovação dos materiais catequéticos se expandiu e se refinou. Consequentemente, existem muito mais recursos disponíveis aos catequistas do que havia nos anos imediatamente pós-conciliares.

Não acho que o Docat pode ou deve substituir o que já existe publicado. Mas pode ser um recurso complementar muito útil. Eu compararia o seu valor com o valor do Catecismo para adultos. (Aliás, descobrimos que muitos adultos que consideram o Catecismo muito denso estão gostando, e muito, do Youcat.) É um material que todos os jovens deveriam ter, uma fonte que pais, professores e catequistas podem remeter em seus trabalhos.

Qual o elemento distintivo deste catecismo que o diferencia dos demais catecismos direcionados aos jovens?

O Santo Padre deu a este catecismo a sua recomendação pessoal. Conforme ele escreve na Introdução: “Eu tenho um sonho: espero que um milhão de jovens, mais ainda, que uma geração inteira, seja, para os seus contemporâneos, uma Doutrina Social em movimento”. O Docat faz parte de um movimento mundial de jovens que dá continuidade ao espírito das Jornadas Mundiais da Juventude de uma forma contínua, preparando-se e sendo evangelistas para os demais.

A entrevista é de Sean Salai, publicada por America, 07-09-2016. A tradução é deIsaque Gomes Correa.

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Dom Héctor Aguer, Arcebispo de La Plata (Argentina), denunciou que “o vício da fornicação se converteu em algo corriqueiro, comum, insubstancial” e, portanto, é necessário um remédio para enfrentar uma “cultura” que desumaniza as pessoas.

Em um artigo publicado no dia 23 de agosto no jornal argentino ‘El Día’, o Prelado explicou que usa a palavra “vício” para se referir à fornicação, porque o dicionário define o “fornicador” como “aquele que tem o vício de fornicar. Ele ou ela em princípio, embora hoje em dia a ‘igualdade de gênero’ permite outras combinações antinaturais”.

Ante esta realidade, prossegue o Prelado, “o laborioso remédio de uma cultura fornicadora, do desenfreio, ‘akolasía’ como o chama Aristóteles, é a ‘sofrosyne’, a temperança”.

“Para nós, cristãos, a destemperança do incontinente é curada com uma espécie muito concreta da temperança chamada castidade”, explicou.

O também Acadêmico de Número da Academia Nacional de Ciências Morais e Políticas criticou em seu artigo intitulado “A fornicação” que hoje em dia a sexualidade foi banalizada e citou como exemplo dois casos.

Em primeiro lugar se referiu às seções de celebridades onde falam das mulheres que trocam de “namorado” várias vezes por ano; e em segundo lugar, no caso das Olimpíadas Rio 2016, onde o Ministério de Saúde do Brasil enviou à cidade nove milhões de camisinhas, das quais 450 mil estavam destinadas à vila olímpica, onde estavam os esportistas.

“A cultura fornicadora que está sendo estendendo sem nenhum escrúpulo é um sinal de desumanização, não é própria de mulheres e homens segundo sua condição pessoal. Algo de não humano, de animalidade apareceria nesse comportamento”, assegurou o Arcebispo.

Além disso, afirmou que assumindo a realidade biológica e psicológica do ser humano, “é fácil compreender que o ato sexual tem um duplo sentido: é unitivo e procriativo. O gesto da união corporal acompanha, ratifica e incentiva a união das almas”.

Por conseguinte, advertiu que a fornicação converte a sexualidade “em uma ginástica superficial e provisória, própria de casais desiguais, sem o compromisso de toda a vida que integra a expressão sexual no conjunto da convivência matrimonial, com a abertura aos filhos”.

“A banalização que assinalei implica deste modo uma confusão fatal acerca do amor: não é simplesmente uma efusão sentimental, nem apenas uma atração física, mas especial e essencialmente um ato eletivo da vontade”.

“O propriamente humano é que tal decisão eletiva seja para sempre, como sinal de maturidade, preparada em uma educação para o respeito mútuo, a amizade sem fingimento, a disposição a enfrentar juntos – ele e ela – as dificuldades da vida tanto como as grandes alegrias. Assim, tem sentido a união sexual de um homem e uma mulher”, acrescentou.

Do mesmo modo, criticou as consequências pessoais e sociais do concubinato, ou seja, a relação conjugal entre um homem e uma mulher sem estar casados, entre as quais está a “orfandade afetiva de tantas crianças e adolescentes e a quantidade superior de abusos registrados precisamente dentro dessas formas de ‘união’, que não são verdadeiras famílias”.

O problema da generalização das relações sexuais entre os adolescentes, precisou, faz com que não possamos “esperar nada bom” porque cada vez “começa mais cedo a banalização do sexo”.

Por outro lado, Dom Aguer criticou o negócio dos anticoncepcionais, que oculta “a sábia disposição da natureza que ordena na mulher os ritmos de fertilidade”.

“Tudo foi bem feito pelo Criador e o capricho humano se nega a utilizá-lo, brinca com seu prazer”, ressaltou.

Em seguida, mencionou a existência da fornicação “contra natura” que atualmente é avalizada por leis “que destruíram a realidade natural do matrimônio” e que se fundam “na negação do conceito mesmo de natureza e da noção de lei natural”.

“A discriminação dos antidiscriminadores chegou a limites inconcebíveis, como por exemplo o de negar o direito das crianças a serem criadas e educadas por um pai e uma mãe; isto percebemos na adoção de crianças por ‘casamentos igualitários’”, denunciou.

Finalmente, expressou que “o propriamente humano é que a potência sexual e sua atuação se integrem harmoniosamente à riqueza da personalidade e que esse exercício se desenvolva na ordem familiar. Esta é a vitória da virtude”.

ACI

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Cerca de 70% dos jovens italianos tem absoluta confiança no Papa Francisco, porque o consideram uma figura credível, capaz de contribuir para uma decisiva renovação no mundo eclesial, e reconhecem-no como ponto de referência para olhar para o próprio futuro com menos incerteza e preocupação.

É o que afirma o Relatório Giovani do Instituto Giuseppe Toniolo, promovido em colaboração com a Universidade Católica do Sagrado Coração de Milão e com o apoio da Fundação Cariplo e da Intesa Sanpaolo, enquanto ocorria em Cracóvia a Jornada Mundial da Juventude.

Os “jovens de Bergoglio”, se, por um lado, demonstram estar prontos para a acolhida dos migrantes e para realizar atividades de voluntariado, por outro, estão comprometidos e preocupados com a necessidade de reunir novamente os três “Fs” das suas vidas: fazer, felicidade e futuro.

Cerca de 91% dos italianos entre 18 e 32 anos concordam (muito ou bastante) que o trabalho é um instrumento direcionado para adquirir renda, crucial para enfrentar o futuro (88%) e para construir uma vida familiar (87,5%). Um pouco mais baixa é a porcentagem daqueles que o consideram principalmente como uma modalidade de autorrealização (85%).

Quando os jovens são perguntados sobre o seu grau de confiança em relação às instituições – e a Igreja Católica não é exceção –, as respostas são definitivamente orientadas para o pessimismo: prevalece desencanto, o senso de desapego e de distância.

As respostas dadas pelos jovens sobre Francisco, pelo contrário, são de sinal oposto. Para mais de 90% deles, o papa é uma pessoa de grande capacidade comunicativa, que desperta simpatia (80%) e inspira confiança (70%). Na sua relação com a fé, está presente a dimensão comunitária.

O Relatório Giovani do Instituto Toniolo também revela que 40% dos jovens italianos estão convencidos de que é preciso acolher apenas os refugiados que chegam à Itália. Esse percentual sobe para 64% se incluirmos também os jovens que estão convencidos de que é necessário acolher a todos.

Fonte: Vatican Insider

SYDNEY, AUSTRALIA - JULY 20: Pilgrims attend the Final Mass at Southern Cross Precinct during World Youth Day Sydney 2008 on July 20, 2008 in Sydney, Australia. Organised every two to three years by the Catholic Church, World Youth Day (WYD) is an invitation from the Pope to the youth of the world to celebrate their faith. The celebration, being held in Sydney from July 15, 2008 to July 20, 2008, will mark the first visit of His Holiness Pope Benedict XVI to Australia. (Photo by World Youth Day)

A organização das Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ) 2016, que vão decorrer na cidade polaca de Cracóvia, anunciou hoje que mais de 335 mil peregrinos de 185 países e territórios confirmaram a sua inscrição no evento da Igreja Católica.

A delegação portuguesa, com cerca de 7 mil elementos, é a 9ª mais numerosa entre os inscritos, que pela primeira vez na história das JMJ, iniciadas em 1987, incluem peregrinos do Kosovo, Bangladesh, Gibraltar, Mianmar ou Sudão do Sul.

O Brasil aparece nesta lista na 7ª posição, fazendo do português uma das línguas mais faladas na JMJ 2016, a par do polaco, italiano, espanhol e inglês.

O padre Pawel Rytel Adrianik, porta-voz da Conferência Episcopal Polaca, adiantou à Rádio Vaticano que o encontro de Cracóvia será uma “JMJ social”, potencializada pela presença do Papa Francisco.

“Esperamos 2 milhões de jovens. Se cada um deles tiver pelo menos 500 amigos, alcançar mil milhões de pessoas não é uma utopia”, aponta.

A página da JMJ 2016 no Facebook, traduzida em 20 línguas, teve mais de 1,5 milhões de ‘gostos’ em todo o mundo; a conta no Twitter, em 13 línguas, conta com 220 mil seguidores.

Voluntários de 31 países estão empenhados em levar para as redes sociais a mensagem da JMJ, que pela segunda vez se realiza na Polônia, terra natal de São João Paulo, criador este evento internacional de jovens católicos.

A organização do evento apresentou hoje, em conferência de imprensa, um inquérito feito a participantes no encontro de Cracóvia, no qual os jovens revelam a intenção de “aprofundar a sua fé” e de “melhorar a sociedade como um todo”.

O estudo, enviado à Agência ECCLESIA, teve 7400 respostas de 100 países diferentes e foi conduzido pela empresa espanhola ‘GAD3’.

Participar num evento com o Papa Francisco tem também peso na decisão dos jovens.

As JMJ nasceram por iniciativa de João Paulo II, após o sucesso do encontro promovido em 1985, em Roma, no Ano Internacional da Juventude.

O próximo encontro mundial de jovens realiza-se entre 26 a 31 de julho e tem como tema ‘Bem-aventurados os misericordiosos, porque encontrarão misericórdia’.

Este é um acontecimento religioso e cultural que, a cada três anos, reúne jovens de todo o mundo durante uma semana.

Cada JMJ realiza-se, anualmente, a nível diocesano no Domingo de Ramos, alternando com um encontro internacional a cada dois ou três anos numa grande cidade: em 1987, Buenos Aires (Argentina); em 1989, Santiago de Compostela (Espanha); em 1991, Czestochowa (Polónia); em 1993 em Denver (EUA); em 1995, Manila (Filipinas); em 1997, Paris (França); em 2000, Roma (Itália); em 2002, Toronto (Canadá); em 2005, Colónia (Alemanha); em 2008, Sidney (Austrália); em 2011, Madrid (Espanha) e Rio de Janeiro (Brasil), em 2013.

Agência Ecclesia

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O Deus dos millennials morreu ou está mal. É o que dizem as últimas pesquisas sobre a fé das novas gerações. São cada vez mais os jovens que se declaram ateus, agnósticos ou indiferentes, mesmo que provenham não de um histórico laico, mas de uma educação católica (e nunca de uma má educação).

Quase três em cada dez jovens, entre os 18 e os 29 anos de idade, “parecem ter removido da sua carteira de identidade uma referência última e transcendental”. E, entre os muitos que continuam se professando crentes, prevalece um substancial desinteresse pela fé e pela oração: mais do que na dimensão espiritual, o catolicismo sobrevive como herança cultural ou laço social, sem muitos envolvimentos interiores.

Embora com ênfases diferentes, o aumento dos não crentes no mundo juvenil é registrado por livros e revistas que se interrogam sobre o porte do fenômeno. Mais interno à Igreja, é o livro Dio a modo mio [Deus a meu modo], que apareceu no último número da revista La Civiltà Cattolica, que faz referência a 150 testemunhos recolhidos por Rita Bichi e Paola Bignardi.  

De marca laica é a nova e articulada pesquisa publicada pela editora Mulino, organizada por Franco Garelli, o sociólogo católico aluno de Luciano Gallino, que entrevistou quase 1.500 jovens representativos das várias áreas da Itália (Piccoli atei crescono [Pequenos ateus crescem]).

Para além do método diferente e da inspiração diferente, não muda a fotografia de uma paisagem juvenil cada vez mais secularizada, em que a fé, mesmo quando existe, se torna cada vez mais subjetiva e evanescente.

“Uma geração sem Deus?” O ponto de interrogação é obrigatório – como está no subtítulo da investigação da editora Mulino – porque a busca do sagrado é uma característica irrenunciável entre os jovens, até mesmo sob formas imprevisíveis.

Quem mais desaparece entre os mais jovens é o Deus com letra maiúscula, o Senhor aterrorizante do Antigo Testamento, substituído por outro mais modesto, o deus minúsculo das pequenas coisas, que não é mais uma entidade repleta de mistério, mas tem a ver com a busca de uma harmonia pessoal.

No lugar da dimensão da transcendência e da eternidade, entra a da imanência e a temporalidade. E o Deus do temor dá lugar à figura do amor. No fundo, aconteceu com Deus aquilo que aconteceu com o pai, defende uma das jovens entrevistadas por Garelli. “Antigamente, eles eram mais pais e chefes. Agora, são mais permissivos e se deixam submeter pelos próprios filhos. Porque, se pensamos em Deus como nosso pai, sabemos que Ele nos quer bem mesmo que nós nem Lhe demos bola”.

Mas é preciso ter cuidado para não ceder ao lugar-comum sobre a superficialidade e sobre a apatia moral dos mais jovens: muitos deles rejeitam a primazia da não crença, que eles devolvem de bom grado àqueles que vieram antes deles. Nós, “a primeira geração incrédula”?

Não brinquemos, responde a maioria dos jovens entrevistados. A idade de ouro da fé – cultivada pelos avós, conservada pelos pais e dissipada pelos filhos – é uma representação enganosa que toma um caminho equivocado. Porque quem rompeu o pacto religioso, com os seus comportamentos oscilantes e marcados pelo conformismo social, foram a mãe e o pai.

E, também no campo da religiosidade, repropõe-se a aliança geracional com os avós, que, muitas vezes, se verifica na política ou em outras áreas da existência: o modelo dos avós é julgado como criticável e culturalmente distante, mas nítido e coerente. Enquanto o comportamento dos pais e das mães é incerto, desfocado, intermitente. Em uma palavra, decepcionante no plano do testemunho.

“Nós levamos a bom termo aquilo que foi semeado no passado”, diz um jovem não crente. A ruptura da tradição é uma herança, não uma elaboração original. “A minha geração não é incrédula, mas sim irritada por causa do senso de abandono profundo e visceral”, responde outro millennial.

E a síntese chega de uma jovem da sua idade: a religião é mistério e confiança, e nós não podemos nos permitir nem o mistério nem a confiança. Nada de geração superficial, acostumada a surfar na onda do digital. Nada de desorientação ética. É proibido confundir a fuga de Deus com a perda de uma demanda espiritual.

A busca de sentido e do “além da imanência” ocorre através de modalidades e rituais diversos. A oração, por exemplo. A pesquisa de Garelli nos mostra que, se é verdade que 30% dos jovens não rezam nunca, a pulsão ao Pai Eterno também pode mover uma parte dos jovens não crentes, que, talvez, renunciam ao Pater Noster, mas não ao silêncio, à meditação, à leitura da Bíblia ou ao atravessamento dos meandros desconhecidos da própria interioridade. E o modo de rezar também muda entre os católicos mais convictos.

Entre crentes e não crentes, podem existir zonas de contiguidade impensáveis há algumas décadas. E essa é outra figura original dos millennials, que derrubam muros e perímetros do passado, substituídos por fluxos contínuos entre um campo e outro.

“É uma geração pós-ideológica”, diz Garelli. “Esses jovens se livraram dos pesos da história. E se abrem às razões dos outros, embora não as compartilhem”. O anticlericalismo à moda antiga parece ser uma moda decaída; os profissionais do ateísmo, figuras militantes ultrapassadas e um pouco indigestas.

“Embora bem convencidos de não terem um céu acima deles, muitos jovens não crentes consideram legítimo crer em Deus, mesmo na sociedade contemporânea, negando, portanto, a ideia de que a modernidade avançada é o túmulo da religião. E, vice-versa, muitos crentes estão conscientes de como é difícil professar uma fé religiosa nas atuais condições de vida.”

O que leva um jovem a se afastar de Deus? O agnosticismo se aninha, especialmente, entre os filhos dos separados, “entre aqueles que viveram a ruptura dos laços familiares ou a perda da certeza afetiva”, explica Garelli.

O que racha a fé podem ser as fraturas existenciais, como a perda do trabalho ou uma condição precária. Mas também a estranheza em relação a uma Igreja percebida como hierarquia pomposa e injusta, reino do privilégio e da riqueza, e não dos últimos. E isso apesar da revolução de Francisco, o papa das periferias e dos simples.

Ou, melhor, um fato que surpreende é que há bolsões de resistência em relação a uma figura como Bergoglio, mas que é criticado não tanto pelos ateus, mas sim por uma pequena parte da minoria dos crentes convictos. E é assim que o papa argentino parece estar mais à frente de algumas áreas da sociedade italiana que o criticam por “privilegiar o social em comparação com o sagrado”, por “colocar crentes e não crentes no mesmo plano” e por “encorajar uma presença estrangeira cada vez mais pesada”. Contradições internas àqueles que se professam católicos praticantes.

O Deus dos millennials não está muito bem, mas a Itália ainda é o país onde “até mesmo os ateus são católicos”, casam-se na igreja e preferem o funeral religioso. O núcleo duro dos jovens italianos não crentes (28%) ainda é pequeno em comparação com países como Suécia, Alemanha, Holanda, Bélgica e França, onde “o vento da morte de Deus já sopra com força”, chegando, entre os mais jovens, a percentuais ao redor dos 50/65% (enquanto nos fervorosos Estados Unidos os céticos não chegam a 18%).

O que chama a atenção na Itália é o ritmo de crescimento dos agnósticos (não chegavam a 10% na virada do século), talvez favorecido pelo clima cultural em mudança. Hoje, os jovens italianos se sentem mais livres para negar a Deus, advertindo “que desapareceu o estigma que, antes, tocava incrédulos e descrentes”.

Além disso, a religiosidade, entretanto, continua nos bastidores, “embora seja um pano de fundo cada vez mais distante do palco da vida”.

Neste momento, substancialmente, não se registram sobressaltos. Esperemos para ver como serão os próximos capítulos.

A reportagem é de Simonetta Fiori, publicada no jornal La Repubblica

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A Jornada Mundial da Juventude – Cracovia 2016 terá seu início no próximo dia 25. Por isso, na reta final o número de inscrições tem aumentado.
Quem a assistir não terá só a oportunidade de ver o Papa e visitar Cracóvia, mas além disso conhecerão como vivem sua Fé pessoas de todos os cantos do mundo. (JSG)Como exemplo disso temos a data de 30 de junho. Nesse dia, uma quinta-feira, mais de mil pessoas se inscreveram a cada hora.

30 de junho era o último para inscrições. Até ali havia sido estabelecido o prazo para inscrever-se. Foi, então, que os organizadores do evento prorrogaram o prazo para até o dia 22 de julho para participantes particulares e para grupos com de menos de 150 personas.

Até agora, os países que mais levarão representantes ao encontro de jovens são:
Polônia, com 170.000 pessoa;
Itália, com mais de 77.000;
A França levará 34.353;
A Espanha deverá levar, até o presente momento, mais de 30.000 participantes
E os Estados Unidos inscreveram 27 mil jovens americanos.

É por isso que os idiomas que mais deverão ser ouvidos na JMJ serão, pela ordem, o polonês, o italiano, o espanhol, o inglês e o português.

A novidade é que pela primeira vez na história das JMJ participarão do evento juvenil, peregrinos de Kosovo, Bangladesh, Palestina, Myanmar e Sudão do Sul.

O primeiro país que registrou um peregrino, logo após o Papa Francisco abrir as inscrições foi a Espanha e, o último, foram as Ilhas Virgens.
E estes são dois dos 187 que países que estarão presentes em Cracóvia.

Como participantes que assistirão os peregrinos, estarão presentes mais de 10.000 sacerdotes, tanto com acompanhantes de grupos como a título pessoal. Também estarão presentes 800 bispos e 47 cardeais provenientes de 107 países.

A “JMJ Cracóvia – 2016” será uma verdadeira experiência internacional.

Gaudium Press