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Sintomática de uma era, vem causando espanto e muita preocupação uma onda de suicídios na Rússia, motivados por um jogo intitulado Blue Whale (Baleia Azul, alusão ao cetáceo que está em extinção). Os participantes seguem uma série de instruções que os deixam fragilizados e motivados a tirar a própria vida. O jogo é viral e está se espalhando pela internet, chegando aos poucos ao Brasil. A pessoa que comanda o jogo se chama “curador” e envia pequenos desafios aos jogadores todas as madrugadas, justamente quando os pais desavisados estão alheios às atividades virtuais dos filhos. Com duração de cinquenta dias, o jogo termina com o desafio final: o suicídio. As russas Yulia Konstantinova e Veronika Volkova estão entre as primeiras vítimas do jogo; jovens que, como muitos outros, precisavam apenas de um “empurrão” para levar a cabo a trágica decisão. Centenas de jovens já foram empurrados para a morte motivados pelo diabólico Baleia Azul.

Entre as “missões”, as mais fáceis consistem em acordar em horários específicos da noite, assistir a filmes de terror e ouvir sem parar músicas que deixam a pessoa triste. Isso predispõe o jogador para as próximas tarefas, criando nele um estado depressivo. Os passos seguintes incluem automutilação, arriscar-se em lugares altos e perigosos, etc. Autoridades russas creem que os curadores sejam pessoas mais velhas e persuasivas, pois convencem os jovens de que eles não podem sair do jogo. “Temos certeza de que são adultos aliciando crianças”, afirmou um representante do FSB Secret Service ao jornal Novaya Gazeta.

O jogo Baleia Azul realmente é sintomático de uma era em que a vida tem sido banalizada, as relações humanas reais têm dado lugar a relações impessoais e virtuais, os pais se distanciam dos filhos e o alvo de muita gente se constitui numa vida de conforto e estabilidade financeira. Na busca dessas coisas, muitas família acabam desenvolvendo relacionamentos disfuncionais e carências emocionais que alguns buscam satisfazer de forma errada – ou mesmo se livrar delas de um jeito ou de outro, sendo o “outro” o mais extremo: o suicídio.

No ano passado, realizei uma série de pregações e palestras em três cidades da Suíça: Genebra, Zurique e Neuchatel. Pense num país organizado, com ótimas escolas, povo educado, segurança e conforto… Esse é a Suíça. Até por isso fica difícil pregar o evangelho lá, porque a sensação de muitos suíços é de que eles de nada têm falta. Alguns, por fim, acabam percebendo que quem tem Deus tem tudo, mas que os que não tem Deus, ainda que tenham “tudo”, não têm nada. A constatação disso lá me veio por meio de uma realidade que eu desconhecia: os índices de suicídio na Suíça são alarmantes, embora pouco divulgados. Então, parece que conforto, prosperidade financeira, segurança e boa educação não são tudo na vida…

Mas taxas de suicídio altas não são “privilégio” dos suíços. No Japão, outro país bastante desenvolvido, ocorrem mais de trinta mil suicídios por ano – número cinco vezes maior que o de acidentes rodoviários. Mas é interessante notar que, depois do trágico terremoto e do tsunami que causaram muita destruição e ceifaram milhares de vidas na ilha, em 2011, o número de suicídios caiu significativamente, o que levou alguns analistas a associar essa diminuição ao aumento da solidariedade e da união no país. Houve também mais reflexão sobre o sentido da vida e até um afluxo maior de pessoas às igrejas, na época.

Pensando na tragédia chamada Baleia Azul e nos tristes índices de suicídios em países desenvolvidos, podemos listar algumas reflexões e advertências:

1. Pais devem ficar atentos e não permitir aos filhos liberdade irrestrita à internet. Psicólogos e estudiosos do comportamento aconselham os pais a não permitir que os filhos tenham aparelhos de TV nem computadores no quarto de dormir. E o uso de smartphones também deve ser regulado.

2. Privação de sono, filmes de terror e músicas que induzem a tristeza funcionam como fatores depressivos. Obviamente que nem todo mundo terá pensamentos suicidas ou chegará às vias de fato por manter práticas como essas, mas fica demonstrado que essas coisas alteram o estado de ânimo das pessoas. Então, para que assistir a esse tipo de filmes, ouvir esse tipo de música e dormir pouco? Cuidar da saúde física é igualmente cuidar da saúde mental.

3. É preciso ficar atento ao comportamento das pessoas, especialmente dos jovens. Se você perceber que algum amigo ou parente anda postando mensagens estranhas nas redes sociais, tipo pedidos de ajuda ou conteúdos relacionados com suicídio, fique atento.

4. Lembre-se de que depressão é uma doença e que as pessoas acometidas por esse problema precisam de ajuda e, se preciso, de atendimento profissional. Tudo o que elas menos precisam é de condenação ou de associações indevidas e injustas com sua situação espiritual, como se o depressivo estivesse com “falta de Deus na vida”.

5. A fé e a prática da religião podem ajudar e muito no equilíbrio emocional e na busca de sentido para a vida. Viktor Frankl é um dos estudiosos que pesquisou a importância da religião (ou espiritualidade) como fator integrativo da natureza humana e percebeu por meio de pesquisas in loco que a esperança e a dimensão espiritual fazem grande diferença na vida das pessoas.

Assim como a baleia azul está em extinção, também estão a real conexão com Deus (fé), os valores que deveriam nortear a vida, os bons e construtivos relacionamentos, e muito mais coisas boas. E é justamente por isso que, para muita gente, dar fim à existência é uma opção aparentemente melhor do que enfrentar a vida com seus desafios, suas lutas e incertezas. 

Michelson Borges

brasão do Papa Francisco

Carta do Papa aos jovens
por ocasião da apresentação do Documento preparatório
para a XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos
Vaticano, 13 de janeiro de 2017

Caríssimos jovens!

É-me grato anunciar-vos que em outubro de 2018 se celebrará o Sínodo dos Bispos sobre o tema «Os jovens, a fé e o discernimento vocacional». Eu quis que vós estivésseis no centro da atenção, porque vos trago no coração. Exatamente hoje é apresentado o Documento preparatório, que confio também a vós como «bússola» ao longo deste caminho.

Vêm-me à mente as palavras que Deus dirigiu a Abraão: «Sai da tua terra, deixa a tua família e a casa do teu pai, e vai para a terra que Eu te mostrar!» (Gn 12, 1). Hoje estas palavras são dirigidas também a vós: são palavras de um Pai que vos convida a «sair» a fim de vos lançardes em direção de um futuro desconhecido, mas portador de realizações seguras, ao encontro do qual Ele mesmo vos acompanha. Convido-vos a ouvir a voz de Deus que ressoa nos vossos corações através do sopro do Espírito Santo.

Quando Deus disse a Abraão «Sai!», o que é que lhe queria dizer? Certamente, não para fugir dos seus, nem do mundo. O seu foi um convite forte, uma provocação, a fim de que deixasse tudo e partisse para uma nova terra. Qual é para nós hoje esta nova terra, a não ser uma sociedade mais justa e fraterna, à qual vós aspirais profundamente e que desejais construir até às periferias do mundo?

Mas hoje, infelizmente, o «Sai!» adquire inclusive um significado diferente. O da prevaricação, da injustiça e da guerra. Muitos de vós, jovens, estão submetidos à chantagem da violência e são forçados a fugir da sua terra natal. O seu clamor sobe até Deus, como aquele de Israel, escravo da opressão do Faraó (cf. Êx 2, 23).

Desejo recordar-vos também as palavras que certo dia Jesus dirigiu aos discípulos, que lhe perguntavam: «Rabi, onde moras?». Ele respondeu: «Vinde e vede!» (cf. Jo 1, 38-39). Jesus dirige o seu olhar também a vós, convidando-vos a caminhar com Ele. Caríssimos jovens, encontrastes este olhar? Ouvistes esta voz? Sentistes este impulso a pôr-vos a caminho? Estou convicto de que, não obstante a confusão e o atordoamento deem a impressão de reinar no mundo, este apelo continua a ressoar no vosso espírito para o abrir à alegria completa. Isto será possível na medida em que, inclusive através do acompanhamento de guias especializados, souberdes empreender um itinerário de discernimento para descobrir o projeto de Deus na vossa vida. Mesmo quando o vosso caminho estiver marcado pela precariedade e pela queda, Deus rico de misericórdia estende a sua mão para vos erguer.

Na inauguração da última Jornada Mundial da Juventude, em Cracóvia, perguntei-vos várias vezes: «As coisas podem mudar?». E juntos, vós gritastes um «Sim!» retumbante. Aquele brado nasce do vosso jovem coração, que não suporta a injustiça e não pode submeter-se à cultura do descartável, nem ceder à globalização da indiferença. Escutai aquele clamor que provém do vosso íntimo! Mesmo quando sentirdes, como o profeta Jeremias, a inexperiência da vossa jovem idade, Deus encoraja-vos a ir para onde Ele vos envia: «Não deves ter […] porque Eu estarei contigo para te libertar» (cf. Jr 1, 8).

Um mundo melhor constrói-se também graças a vós, ao vosso desejo de mudança e à vossa generosidade. Não tenhais medo de ouvir o Espírito que vos sugere escolhas audazes, não hesiteis quando a consciência vos pedir que arrisqueis para seguir o Mestre. Também a Igreja deseja colocar-se à escuta da vossa voz, da vossa sensibilidade, da vossa fé; até das vossas dúvidas e das vossas críticas. Fazei ouvir o vosso grito, deixai-o ressoar nas comunidades e fazei-o chegar aos pastores. São Bento recomendava aos abades que, antes de cada decisão importante, consultassem também os jovens porque «muitas vezes é exatamente ao mais jovem que o Senhor revela a melhor solução» (Regra de São Bento III, 3).

Assim, inclusive através do caminho deste Sínodo, eu e os meus irmãos Bispos queremos, ainda mais, «contribuir para a vossa alegria» (2 Cor 1, 24). Confio-vos a Maria de Nazaré, uma jovem como vós, à qual Deus dirigiu o seu olhar amoroso, a fim de que vos tome pela mão e vos guie para a alegria de um «Eis-me!» pleno e generoso (cf. Lc 1, 38).

Com afeto paterno,

FRANCISCO

 

jovem

O papa Francisco convocou para outubro de 2018 um sínodo, ou assembleia de bispos de todo o mundo, sobre os jovens e os novos modelos de vida, anunciou o Vaticano.

Os bispos de todas as regiões do planeta se reunirão no Vaticano para debater sobre as mudanças que afetam a juventude, a fé e o “discernimento vocacional”.

A decisão do pontífice foi adotada após consultas às conferências episcopais e depois de ouvir as observações dos padres sinodais nas assembleias passadas, dedicadas à família.

A Igreja Católica deseja “acompanhar os jovens em seu caminho existencial até a maturidade”, de maneira a enfrentar a crise de vocações que a afcta atualmente.

Em muitos países caiu o número de jovens que desejam ser padres ou dedicar-se à vida religiosa, um fenômeno que preocupa a hierarquia da Igreja Católica.

Em outubro de 2014 e 2015, durante os dois sínodos dedicados à família, as divisões dentro da Igreja ante as mudanças sociais se tornaram evidentes.

Após as deliberações, o papa Francisco divulgou em abril sua segunda exortação apostólica, “Laetitia Amoris” (“A alegria do amor”), um documento que estabelece as diretrizes da Igreja sobre a família, o amor e o casamento.

O documento, fruto dos dois encontros, convida a integrar na vida da Igreja as “famílias feridas” e os “casados em segundas núpcias”, um princípio que deverá ser aplicado caso por caso.

(Com AFP)

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O padre jesuíta Joseph D. Fessio, aqui entrevistado, é o fundador e editor da Ignatius Press em San Francisco. Ex-aluno da Escola Preparatória Bellarmine, de San Jose, na Califórnia, ele estudou engenharia civil na Santa Clara University por três anos antes de entrar para a Companhia de Jesus em 1961. Possui doutorado em teologia pela Universidade de Regensburg, Alemanha, onde o então padre Joseph Ratzinger (mais tarde, Papa Bento XVI) orientou sua dissertação sobre eclesiologia em Hans Urs von Balthasar.

Na Jornada Mundial da Juventude em Cracóvia, o Papa Francisco lançou oficialmente o Docat, um catecismo jovem sobre a Doutrina Social da Igreja que reúne vários documentos magisteriais e papais. Assim como aconteceu com o Youcat apresentado pelo Papa Bento XVI na Jornada em 2011, mais uma vez a Ignatius Press foi escolhida como uma das várias casas editoriais internacionais a publicar o Docat.

***

O que inspirou o Papa Francisco a publicar um catecismo para os jovens sobre a Doutrina Social da Igreja e como foi o seu envolvimento?

Na verdade, se o Papa Francisco teve inspiração, isto ocorreu post factum [após o fato]. O Docat já havia sido pensado, e sua escrita já tinha sido começada, antes da eleição dele ao papado. No entanto, com certeza é uma feliz coincidência que o Docat tenha se alinhado tão bem com os seus interesses e prioridades.

O meu envolvimento no Youcat e agora com o Docat tem uma história singular: o Cardeal Christoph Schönborn e eu somos amigos desde que moramos juntos no Schottenkolleg (à época, o seminário diocesano) em Regensburg nos anos de 1973 e 1974 como alunos do então professor Ratzinger. Na década de 1990, ele pediu minha ajuda para a tradução inglesa do Catecismo da Igreja Católica. Depois da publicação do Catecismo, ele estava fazendo uma apresentação em sua Arquidiocese de Viena e, durante uma sessão de perguntas e respostas, uma mulher se levantou e disse com todas as palavras: “Essa publicação maravilhosa. Mas é para os adultos. E os mais jovens? Eles precisam de um catecismo também”.

Schönborn respondeu concordando com ela, porém dizendo que era necessário ser um catecismo não “para” mas também com a participação dos jovens. A mulher organizou dois programas de férias com os jovens para trabalhar na adaptação do Catecismo. A ela se juntou Bernhard Meuser, editor alemão e jovem catequista. A partir disso nasceu oYoucat.

Como a Ignatius Press acabou sendo a editora do Youcat e agora do Docat?

Quando Bernhard me contatou para ver se a Ignatius Press estaria interessada em ser a editora da edição mundial em língua inglesa, achei que era por causa do Cardeal Schönborn. Mas não era este o caso.

Eu tinha sido convidado para dar uma palestra em Torun, na Polônia, e enquanto estava aí fui entrevistado por um jornalista que trabalhava para uma revista católica alemã chamada Vatikan. Ele me perguntou sobre as origens da Ignatius Press. Expliquei que, durante os meus estudos teológicos na Europa, não somente me familiarizei com teólogos como de Lubac, von Balthasar, Bouyer e Ratzinger, mas também pela primeira vez tinha começado a beber vinho (na França) e cerveja (na Baviera).

Depois quer voltei aos Estados Unidos, provei pela primeira vez uma cerveja americana. Cuspi fora e disse: “Se isso se chama cerveja, então preciso de um outro nome para dar àquilo que bebi na Baviera”. (Isso aconteceu pouco tempo antes da revolução ocorrida com as microcervejarias.) Mais tarde, eu estava dando um retiro e citei Lubac,Balthasar, e outros, e uma irmã me perguntou se existiam teólogos americanos importantes. Contei a ela essa história das cervejas e disse que, embora havia alguns teólogos muito bons nos EUA (mencionei Avery Dulles, evidentemente), mesmo assim, se formos chamá-los teólogos, precisaremos de um outro nome para os gigantes que estudei na Europa.

Concluí a entrevista dizendo que a Ignatius Press foi fundada em 1979 para que os escritos destes teólogos e teólogas possam estar acessíveis a leitores de língua inglesa.

Bernhard Meuser me contou depois que quando leu o texto e a referência à cerveja, decidiu que queria que a Ignatius Press fosse a editora inglesa do Youcat. (In vino veritas, sed in cervisia opportunitas!)

Qual foi sua impressão da atitude do Papa Francisco em relação a este projeto e como se deu a sua colaboração pessoal aqui?

O Papa Francisco, evidentemente, tem um grande apreço e um grande respeito pelo Cardeal Schönborn, que foi quem explicou o projeto para mim. O papa não só demonstrou apoio como também ficou animado com o projeto e prontamente concordou em escrever a introdução para o Docat, da mesma forma como o Papa Bento havia feito para o Youcat.

Quanto à minha colaboração, bem… o meu conhecimento do idioma alemão nunca foi muito bom. Mas foi suficiente para eu revisar a tradução inglesa, compará-la com o original alemão onde necessário e mesmo captar algumas poucas declarações ambíguas no original que precisavam ser – e foram – corrigidas.

A Ignatius Press publicou a versão inglesa do Youcat em 2012 e tenho de dizer que os meus calouros de teologia gostaram bastante quando usamos a obra numa instituição de ensino jesuíta em Tampa, na Flórida. Em seu ponto de vista como editor de língua inglesa, como o Youcat vem sendo recebido nos EUA e em outros países?

Do meu ponto de vista, como padre e educador, fico feliz que esta publicação esteja ajudando tantos jovens, pais e catequistas. Como editor, estou bastante contente – vendemos 800 mil cópias!

O senhor também tem publicado livros-bônus [livros que acompanham outros livros maiores] e materiais para o Youcat. O que dizer sobre o estilo presente nestes catequismos para os jovens que os faz tão atraentes a professores e alunos?

Para mim, o fator mais importante e eficaz no desenvolvimento do Youcat foi a participação direta e ativa dos jovens. Eles não só contribuíram com fotos que tiraram e com citações de seus autores e celebridades favoritos – isso se tornou parte das barras laterais e ilustrações do livro –, mas também trabalharam com os pais e catequistas, fazendo perguntas às quais queriam respostas, lendo com cuidado todo o Catecismo em busca dessas coisas, e ajudando a expressar as respostas em uma linguagem significativa aos demais desta geração.

Em espírito e conteúdo, como o Docat é um sucessor do Youcat?

O espírito, a colaboração dos jovens, a linguagem e as ilustrações atraentes são bem parecidos com o Youcat. O Docat, porém, focaliza a Doutrina Social da Igreja e expande o tratamento dado a este tema pelo Youcat.

De onde o senhor tirou o nome “Docat” e o que ele significa?

O termo vem dos alemães, cuja cultura popular inclui um monte de empréstimos [linguísticos] dos EUA. “Youcat” era a contração para “Youth Catechism” [Catecismo Jovem]. “Youcat” soa muito mais atraente aos jovens alemães – e às pessoas em geral – do que “Jugendkatechismus”. Docat é uma formação a partir do Youcat: “Do” [Faça] (como nas obrigações morais e sociais) e “Catechism” [Catecismo].

O que a Doutrina Social da Igreja significa para o senhor, e por que os jovens deveriam prestar atenção ao assunto?

“Católico” significa não somente “universal”, mas – e isto é ainda mais importante –etimologicamente quer dizer também “de acordo com o todo” ou “orgânico e integrado”. A Torá veio em duas tábuas: três mandamentos relacionados a Deus; sete relacionados ao próximo. E Jesus respondeu à pergunta sobre o “maior mandamento na Lei” com uma resposta dupla: Amar a Deus de todo o coração e amar o próximo como a si mesmo.

A Doutrina Social Católica faz parte integral do ensino católico total e se devemos confiar em Jesus, aquele que a ignora não irá entrar no Reino. Portanto temos de nos esforçar para viver a doutrina e comunicá-la à próxima geração.

Qual a mensagem deste catecismo?

Fazer o bem e evitar o mal. Com um pouco mais de detalhe e ajuda prática, é claro.

Como vê o Docat se tornando uma fonte aos fiéis para a prática da justiça social?

Nas últimas décadas vem havendo um renascimento no catecismo. Cada vez mais os leigos têm contribuído para aquilo que, tempos atrás, encontrava-se principalmente sob a alçada das irmãs e dos padres. Os bispos têm levado suas responsabilidades muito a sério, e o processo de aprovação dos materiais catequéticos se expandiu e se refinou. Consequentemente, existem muito mais recursos disponíveis aos catequistas do que havia nos anos imediatamente pós-conciliares.

Não acho que o Docat pode ou deve substituir o que já existe publicado. Mas pode ser um recurso complementar muito útil. Eu compararia o seu valor com o valor do Catecismo para adultos. (Aliás, descobrimos que muitos adultos que consideram o Catecismo muito denso estão gostando, e muito, do Youcat.) É um material que todos os jovens deveriam ter, uma fonte que pais, professores e catequistas podem remeter em seus trabalhos.

Qual o elemento distintivo deste catecismo que o diferencia dos demais catecismos direcionados aos jovens?

O Santo Padre deu a este catecismo a sua recomendação pessoal. Conforme ele escreve na Introdução: “Eu tenho um sonho: espero que um milhão de jovens, mais ainda, que uma geração inteira, seja, para os seus contemporâneos, uma Doutrina Social em movimento”. O Docat faz parte de um movimento mundial de jovens que dá continuidade ao espírito das Jornadas Mundiais da Juventude de uma forma contínua, preparando-se e sendo evangelistas para os demais.

A entrevista é de Sean Salai, publicada por America, 07-09-2016. A tradução é deIsaque Gomes Correa.

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Dom Héctor Aguer, Arcebispo de La Plata (Argentina), denunciou que “o vício da fornicação se converteu em algo corriqueiro, comum, insubstancial” e, portanto, é necessário um remédio para enfrentar uma “cultura” que desumaniza as pessoas.

Em um artigo publicado no dia 23 de agosto no jornal argentino ‘El Día’, o Prelado explicou que usa a palavra “vício” para se referir à fornicação, porque o dicionário define o “fornicador” como “aquele que tem o vício de fornicar. Ele ou ela em princípio, embora hoje em dia a ‘igualdade de gênero’ permite outras combinações antinaturais”.

Ante esta realidade, prossegue o Prelado, “o laborioso remédio de uma cultura fornicadora, do desenfreio, ‘akolasía’ como o chama Aristóteles, é a ‘sofrosyne’, a temperança”.

“Para nós, cristãos, a destemperança do incontinente é curada com uma espécie muito concreta da temperança chamada castidade”, explicou.

O também Acadêmico de Número da Academia Nacional de Ciências Morais e Políticas criticou em seu artigo intitulado “A fornicação” que hoje em dia a sexualidade foi banalizada e citou como exemplo dois casos.

Em primeiro lugar se referiu às seções de celebridades onde falam das mulheres que trocam de “namorado” várias vezes por ano; e em segundo lugar, no caso das Olimpíadas Rio 2016, onde o Ministério de Saúde do Brasil enviou à cidade nove milhões de camisinhas, das quais 450 mil estavam destinadas à vila olímpica, onde estavam os esportistas.

“A cultura fornicadora que está sendo estendendo sem nenhum escrúpulo é um sinal de desumanização, não é própria de mulheres e homens segundo sua condição pessoal. Algo de não humano, de animalidade apareceria nesse comportamento”, assegurou o Arcebispo.

Além disso, afirmou que assumindo a realidade biológica e psicológica do ser humano, “é fácil compreender que o ato sexual tem um duplo sentido: é unitivo e procriativo. O gesto da união corporal acompanha, ratifica e incentiva a união das almas”.

Por conseguinte, advertiu que a fornicação converte a sexualidade “em uma ginástica superficial e provisória, própria de casais desiguais, sem o compromisso de toda a vida que integra a expressão sexual no conjunto da convivência matrimonial, com a abertura aos filhos”.

“A banalização que assinalei implica deste modo uma confusão fatal acerca do amor: não é simplesmente uma efusão sentimental, nem apenas uma atração física, mas especial e essencialmente um ato eletivo da vontade”.

“O propriamente humano é que tal decisão eletiva seja para sempre, como sinal de maturidade, preparada em uma educação para o respeito mútuo, a amizade sem fingimento, a disposição a enfrentar juntos – ele e ela – as dificuldades da vida tanto como as grandes alegrias. Assim, tem sentido a união sexual de um homem e uma mulher”, acrescentou.

Do mesmo modo, criticou as consequências pessoais e sociais do concubinato, ou seja, a relação conjugal entre um homem e uma mulher sem estar casados, entre as quais está a “orfandade afetiva de tantas crianças e adolescentes e a quantidade superior de abusos registrados precisamente dentro dessas formas de ‘união’, que não são verdadeiras famílias”.

O problema da generalização das relações sexuais entre os adolescentes, precisou, faz com que não possamos “esperar nada bom” porque cada vez “começa mais cedo a banalização do sexo”.

Por outro lado, Dom Aguer criticou o negócio dos anticoncepcionais, que oculta “a sábia disposição da natureza que ordena na mulher os ritmos de fertilidade”.

“Tudo foi bem feito pelo Criador e o capricho humano se nega a utilizá-lo, brinca com seu prazer”, ressaltou.

Em seguida, mencionou a existência da fornicação “contra natura” que atualmente é avalizada por leis “que destruíram a realidade natural do matrimônio” e que se fundam “na negação do conceito mesmo de natureza e da noção de lei natural”.

“A discriminação dos antidiscriminadores chegou a limites inconcebíveis, como por exemplo o de negar o direito das crianças a serem criadas e educadas por um pai e uma mãe; isto percebemos na adoção de crianças por ‘casamentos igualitários’”, denunciou.

Finalmente, expressou que “o propriamente humano é que a potência sexual e sua atuação se integrem harmoniosamente à riqueza da personalidade e que esse exercício se desenvolva na ordem familiar. Esta é a vitória da virtude”.

ACI

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Cerca de 70% dos jovens italianos tem absoluta confiança no Papa Francisco, porque o consideram uma figura credível, capaz de contribuir para uma decisiva renovação no mundo eclesial, e reconhecem-no como ponto de referência para olhar para o próprio futuro com menos incerteza e preocupação.

É o que afirma o Relatório Giovani do Instituto Giuseppe Toniolo, promovido em colaboração com a Universidade Católica do Sagrado Coração de Milão e com o apoio da Fundação Cariplo e da Intesa Sanpaolo, enquanto ocorria em Cracóvia a Jornada Mundial da Juventude.

Os “jovens de Bergoglio”, se, por um lado, demonstram estar prontos para a acolhida dos migrantes e para realizar atividades de voluntariado, por outro, estão comprometidos e preocupados com a necessidade de reunir novamente os três “Fs” das suas vidas: fazer, felicidade e futuro.

Cerca de 91% dos italianos entre 18 e 32 anos concordam (muito ou bastante) que o trabalho é um instrumento direcionado para adquirir renda, crucial para enfrentar o futuro (88%) e para construir uma vida familiar (87,5%). Um pouco mais baixa é a porcentagem daqueles que o consideram principalmente como uma modalidade de autorrealização (85%).

Quando os jovens são perguntados sobre o seu grau de confiança em relação às instituições – e a Igreja Católica não é exceção –, as respostas são definitivamente orientadas para o pessimismo: prevalece desencanto, o senso de desapego e de distância.

As respostas dadas pelos jovens sobre Francisco, pelo contrário, são de sinal oposto. Para mais de 90% deles, o papa é uma pessoa de grande capacidade comunicativa, que desperta simpatia (80%) e inspira confiança (70%). Na sua relação com a fé, está presente a dimensão comunitária.

O Relatório Giovani do Instituto Toniolo também revela que 40% dos jovens italianos estão convencidos de que é preciso acolher apenas os refugiados que chegam à Itália. Esse percentual sobe para 64% se incluirmos também os jovens que estão convencidos de que é necessário acolher a todos.

Fonte: Vatican Insider

SYDNEY, AUSTRALIA - JULY 20: Pilgrims attend the Final Mass at Southern Cross Precinct during World Youth Day Sydney 2008 on July 20, 2008 in Sydney, Australia. Organised every two to three years by the Catholic Church, World Youth Day (WYD) is an invitation from the Pope to the youth of the world to celebrate their faith. The celebration, being held in Sydney from July 15, 2008 to July 20, 2008, will mark the first visit of His Holiness Pope Benedict XVI to Australia. (Photo by World Youth Day)

A organização das Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ) 2016, que vão decorrer na cidade polaca de Cracóvia, anunciou hoje que mais de 335 mil peregrinos de 185 países e territórios confirmaram a sua inscrição no evento da Igreja Católica.

A delegação portuguesa, com cerca de 7 mil elementos, é a 9ª mais numerosa entre os inscritos, que pela primeira vez na história das JMJ, iniciadas em 1987, incluem peregrinos do Kosovo, Bangladesh, Gibraltar, Mianmar ou Sudão do Sul.

O Brasil aparece nesta lista na 7ª posição, fazendo do português uma das línguas mais faladas na JMJ 2016, a par do polaco, italiano, espanhol e inglês.

O padre Pawel Rytel Adrianik, porta-voz da Conferência Episcopal Polaca, adiantou à Rádio Vaticano que o encontro de Cracóvia será uma “JMJ social”, potencializada pela presença do Papa Francisco.

“Esperamos 2 milhões de jovens. Se cada um deles tiver pelo menos 500 amigos, alcançar mil milhões de pessoas não é uma utopia”, aponta.

A página da JMJ 2016 no Facebook, traduzida em 20 línguas, teve mais de 1,5 milhões de ‘gostos’ em todo o mundo; a conta no Twitter, em 13 línguas, conta com 220 mil seguidores.

Voluntários de 31 países estão empenhados em levar para as redes sociais a mensagem da JMJ, que pela segunda vez se realiza na Polônia, terra natal de São João Paulo, criador este evento internacional de jovens católicos.

A organização do evento apresentou hoje, em conferência de imprensa, um inquérito feito a participantes no encontro de Cracóvia, no qual os jovens revelam a intenção de “aprofundar a sua fé” e de “melhorar a sociedade como um todo”.

O estudo, enviado à Agência ECCLESIA, teve 7400 respostas de 100 países diferentes e foi conduzido pela empresa espanhola ‘GAD3’.

Participar num evento com o Papa Francisco tem também peso na decisão dos jovens.

As JMJ nasceram por iniciativa de João Paulo II, após o sucesso do encontro promovido em 1985, em Roma, no Ano Internacional da Juventude.

O próximo encontro mundial de jovens realiza-se entre 26 a 31 de julho e tem como tema ‘Bem-aventurados os misericordiosos, porque encontrarão misericórdia’.

Este é um acontecimento religioso e cultural que, a cada três anos, reúne jovens de todo o mundo durante uma semana.

Cada JMJ realiza-se, anualmente, a nível diocesano no Domingo de Ramos, alternando com um encontro internacional a cada dois ou três anos numa grande cidade: em 1987, Buenos Aires (Argentina); em 1989, Santiago de Compostela (Espanha); em 1991, Czestochowa (Polónia); em 1993 em Denver (EUA); em 1995, Manila (Filipinas); em 1997, Paris (França); em 2000, Roma (Itália); em 2002, Toronto (Canadá); em 2005, Colónia (Alemanha); em 2008, Sidney (Austrália); em 2011, Madrid (Espanha) e Rio de Janeiro (Brasil), em 2013.

Agência Ecclesia

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O Deus dos millennials morreu ou está mal. É o que dizem as últimas pesquisas sobre a fé das novas gerações. São cada vez mais os jovens que se declaram ateus, agnósticos ou indiferentes, mesmo que provenham não de um histórico laico, mas de uma educação católica (e nunca de uma má educação).

Quase três em cada dez jovens, entre os 18 e os 29 anos de idade, “parecem ter removido da sua carteira de identidade uma referência última e transcendental”. E, entre os muitos que continuam se professando crentes, prevalece um substancial desinteresse pela fé e pela oração: mais do que na dimensão espiritual, o catolicismo sobrevive como herança cultural ou laço social, sem muitos envolvimentos interiores.

Embora com ênfases diferentes, o aumento dos não crentes no mundo juvenil é registrado por livros e revistas que se interrogam sobre o porte do fenômeno. Mais interno à Igreja, é o livro Dio a modo mio [Deus a meu modo], que apareceu no último número da revista La Civiltà Cattolica, que faz referência a 150 testemunhos recolhidos por Rita Bichi e Paola Bignardi.  

De marca laica é a nova e articulada pesquisa publicada pela editora Mulino, organizada por Franco Garelli, o sociólogo católico aluno de Luciano Gallino, que entrevistou quase 1.500 jovens representativos das várias áreas da Itália (Piccoli atei crescono [Pequenos ateus crescem]).

Para além do método diferente e da inspiração diferente, não muda a fotografia de uma paisagem juvenil cada vez mais secularizada, em que a fé, mesmo quando existe, se torna cada vez mais subjetiva e evanescente.

“Uma geração sem Deus?” O ponto de interrogação é obrigatório – como está no subtítulo da investigação da editora Mulino – porque a busca do sagrado é uma característica irrenunciável entre os jovens, até mesmo sob formas imprevisíveis.

Quem mais desaparece entre os mais jovens é o Deus com letra maiúscula, o Senhor aterrorizante do Antigo Testamento, substituído por outro mais modesto, o deus minúsculo das pequenas coisas, que não é mais uma entidade repleta de mistério, mas tem a ver com a busca de uma harmonia pessoal.

No lugar da dimensão da transcendência e da eternidade, entra a da imanência e a temporalidade. E o Deus do temor dá lugar à figura do amor. No fundo, aconteceu com Deus aquilo que aconteceu com o pai, defende uma das jovens entrevistadas por Garelli. “Antigamente, eles eram mais pais e chefes. Agora, são mais permissivos e se deixam submeter pelos próprios filhos. Porque, se pensamos em Deus como nosso pai, sabemos que Ele nos quer bem mesmo que nós nem Lhe demos bola”.

Mas é preciso ter cuidado para não ceder ao lugar-comum sobre a superficialidade e sobre a apatia moral dos mais jovens: muitos deles rejeitam a primazia da não crença, que eles devolvem de bom grado àqueles que vieram antes deles. Nós, “a primeira geração incrédula”?

Não brinquemos, responde a maioria dos jovens entrevistados. A idade de ouro da fé – cultivada pelos avós, conservada pelos pais e dissipada pelos filhos – é uma representação enganosa que toma um caminho equivocado. Porque quem rompeu o pacto religioso, com os seus comportamentos oscilantes e marcados pelo conformismo social, foram a mãe e o pai.

E, também no campo da religiosidade, repropõe-se a aliança geracional com os avós, que, muitas vezes, se verifica na política ou em outras áreas da existência: o modelo dos avós é julgado como criticável e culturalmente distante, mas nítido e coerente. Enquanto o comportamento dos pais e das mães é incerto, desfocado, intermitente. Em uma palavra, decepcionante no plano do testemunho.

“Nós levamos a bom termo aquilo que foi semeado no passado”, diz um jovem não crente. A ruptura da tradição é uma herança, não uma elaboração original. “A minha geração não é incrédula, mas sim irritada por causa do senso de abandono profundo e visceral”, responde outro millennial.

E a síntese chega de uma jovem da sua idade: a religião é mistério e confiança, e nós não podemos nos permitir nem o mistério nem a confiança. Nada de geração superficial, acostumada a surfar na onda do digital. Nada de desorientação ética. É proibido confundir a fuga de Deus com a perda de uma demanda espiritual.

A busca de sentido e do “além da imanência” ocorre através de modalidades e rituais diversos. A oração, por exemplo. A pesquisa de Garelli nos mostra que, se é verdade que 30% dos jovens não rezam nunca, a pulsão ao Pai Eterno também pode mover uma parte dos jovens não crentes, que, talvez, renunciam ao Pater Noster, mas não ao silêncio, à meditação, à leitura da Bíblia ou ao atravessamento dos meandros desconhecidos da própria interioridade. E o modo de rezar também muda entre os católicos mais convictos.

Entre crentes e não crentes, podem existir zonas de contiguidade impensáveis há algumas décadas. E essa é outra figura original dos millennials, que derrubam muros e perímetros do passado, substituídos por fluxos contínuos entre um campo e outro.

“É uma geração pós-ideológica”, diz Garelli. “Esses jovens se livraram dos pesos da história. E se abrem às razões dos outros, embora não as compartilhem”. O anticlericalismo à moda antiga parece ser uma moda decaída; os profissionais do ateísmo, figuras militantes ultrapassadas e um pouco indigestas.

“Embora bem convencidos de não terem um céu acima deles, muitos jovens não crentes consideram legítimo crer em Deus, mesmo na sociedade contemporânea, negando, portanto, a ideia de que a modernidade avançada é o túmulo da religião. E, vice-versa, muitos crentes estão conscientes de como é difícil professar uma fé religiosa nas atuais condições de vida.”

O que leva um jovem a se afastar de Deus? O agnosticismo se aninha, especialmente, entre os filhos dos separados, “entre aqueles que viveram a ruptura dos laços familiares ou a perda da certeza afetiva”, explica Garelli.

O que racha a fé podem ser as fraturas existenciais, como a perda do trabalho ou uma condição precária. Mas também a estranheza em relação a uma Igreja percebida como hierarquia pomposa e injusta, reino do privilégio e da riqueza, e não dos últimos. E isso apesar da revolução de Francisco, o papa das periferias e dos simples.

Ou, melhor, um fato que surpreende é que há bolsões de resistência em relação a uma figura como Bergoglio, mas que é criticado não tanto pelos ateus, mas sim por uma pequena parte da minoria dos crentes convictos. E é assim que o papa argentino parece estar mais à frente de algumas áreas da sociedade italiana que o criticam por “privilegiar o social em comparação com o sagrado”, por “colocar crentes e não crentes no mesmo plano” e por “encorajar uma presença estrangeira cada vez mais pesada”. Contradições internas àqueles que se professam católicos praticantes.

O Deus dos millennials não está muito bem, mas a Itália ainda é o país onde “até mesmo os ateus são católicos”, casam-se na igreja e preferem o funeral religioso. O núcleo duro dos jovens italianos não crentes (28%) ainda é pequeno em comparação com países como Suécia, Alemanha, Holanda, Bélgica e França, onde “o vento da morte de Deus já sopra com força”, chegando, entre os mais jovens, a percentuais ao redor dos 50/65% (enquanto nos fervorosos Estados Unidos os céticos não chegam a 18%).

O que chama a atenção na Itália é o ritmo de crescimento dos agnósticos (não chegavam a 10% na virada do século), talvez favorecido pelo clima cultural em mudança. Hoje, os jovens italianos se sentem mais livres para negar a Deus, advertindo “que desapareceu o estigma que, antes, tocava incrédulos e descrentes”.

Além disso, a religiosidade, entretanto, continua nos bastidores, “embora seja um pano de fundo cada vez mais distante do palco da vida”.

Neste momento, substancialmente, não se registram sobressaltos. Esperemos para ver como serão os próximos capítulos.

A reportagem é de Simonetta Fiori, publicada no jornal La Repubblica

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A Jornada Mundial da Juventude – Cracovia 2016 terá seu início no próximo dia 25. Por isso, na reta final o número de inscrições tem aumentado.
Quem a assistir não terá só a oportunidade de ver o Papa e visitar Cracóvia, mas além disso conhecerão como vivem sua Fé pessoas de todos os cantos do mundo. (JSG)Como exemplo disso temos a data de 30 de junho. Nesse dia, uma quinta-feira, mais de mil pessoas se inscreveram a cada hora.

30 de junho era o último para inscrições. Até ali havia sido estabelecido o prazo para inscrever-se. Foi, então, que os organizadores do evento prorrogaram o prazo para até o dia 22 de julho para participantes particulares e para grupos com de menos de 150 personas.

Até agora, os países que mais levarão representantes ao encontro de jovens são:
Polônia, com 170.000 pessoa;
Itália, com mais de 77.000;
A França levará 34.353;
A Espanha deverá levar, até o presente momento, mais de 30.000 participantes
E os Estados Unidos inscreveram 27 mil jovens americanos.

É por isso que os idiomas que mais deverão ser ouvidos na JMJ serão, pela ordem, o polonês, o italiano, o espanhol, o inglês e o português.

A novidade é que pela primeira vez na história das JMJ participarão do evento juvenil, peregrinos de Kosovo, Bangladesh, Palestina, Myanmar e Sudão do Sul.

O primeiro país que registrou um peregrino, logo após o Papa Francisco abrir as inscrições foi a Espanha e, o último, foram as Ilhas Virgens.
E estes são dois dos 187 que países que estarão presentes em Cracóvia.

Como participantes que assistirão os peregrinos, estarão presentes mais de 10.000 sacerdotes, tanto com acompanhantes de grupos como a título pessoal. Também estarão presentes 800 bispos e 47 cardeais provenientes de 107 países.

A “JMJ Cracóvia – 2016” será uma verdadeira experiência internacional.

Gaudium Press

Dinâmicas-para-jovens-da-igreja
A forma de atrair os jovens para o cristianismo é uma questão estudada por quase todos os líderes da Igreja atualmente. Não é nenhum segredo que um grande número de jovens adultos não pertence a nenhuma igreja, mas isso não significa que eles são insensíveis à religião, de acordo com um recente livro. Em “Lost and Found: The Younger Unchurched and the Churches That Reach Them,” (B and H Publishing Group), Ed Stezzer, Richie Stanley e Jason Hayes olham para os jovens com “vinte e tantos anos” e analisam como algumas igrejas estão se esforçando para fazer contato com uma geração notoriamente relutante em comprometer-se com a religião institucional.

Em seu estudo, eles olharam para os jovens ‘sem igreja’, dividindo-os em várias categorias. Havia alguns que nunca estiveram envolvidos com qualquer igreja, aqueles que deixaram a prática da religião após a infância, e aqueles que são amigáveis ou hostis às igrejas. Não é um estudo baseado em determinada igreja cristã, mas um olhar para analisar como jovens adultos interagem com o cristianismo.

Os dados colhidos para o livro vêm de várias pesquisas realizadas. Havia uma divisão de idades de 40% a 60% entre os de 20-24 anos e os de 25-29. Mais de metade havia se graduado e oito em cada nove tinham pós-graduação.

Como em outros estudos, os jovens entrevistados responderam muitas vezes que tinham espiritualidade, mas nem sempre eram religiosos. Assim, 43% dos ‘sem igreja’ disseram que cultivavam espiritualidade, e 31% afirmaram ser tanto espiritualizados e religiosos, apesar de não estarem regularmente presentes em uma igreja específica.

Análises também revelaram que mais de 60% dos jovens relataram frequentar a igreja semanalmente, durante a fase de crescimento.

O livro, em seguida, procura detalhar algumas das crenças dos sem-igreja. Concluiu que, quatro em cada cinco jovens acreditavam na existência um ser supremo e três em cada quatro afirmavam que a existência de Deus faz ou faria um impacto nas suas vidas.

Esta constatação inicial, no entanto, precisa ser esclarecida para se entender em que tipo de Deus as pessoas que não frequentam a Igreja acreditam. Enquanto a maioria respondeu acreditar no Deus descrito na Bíblia, ao mesmo tempo, 58% responderam também que o Deus bíblico não é diferente dos deuses ou seres espirituais adorados por outras religiões como o islamismo e o budismo.

Na verdade, a área com o maior acordo entre os jovens espiritualizados ou não foi que o Deus da Bíblia não era diferente de outros deuses.

“Espiritualizada ou não, a maioria concorda na existência de um Deus”, observaram os autores. “Simplificando, uma abundância de confusão espiritual permeia o sistema de crenças dos jovens que não frequentam a Igreja.”

Sob um olhar mais atento

Quando se faz uma análise no campo étnico, 98% dos jovens afro-americanos que não frequentam a Igreja concordaram que Deus existe, enquanto 84% dos hispânicos também possuem a mesma opinião. Isso se compara a número de 76% dos sem-igreja anglo-saxões que acreditam em Deus.

Resultados mais interessantes aparecem quando se olham os efeitos da educação sobre as crenças. Aqueles que possuem uma educação superior eram menos propensos a acreditar na existência de Deus – 79% em comparação com 94% das pessoas formadas até o ensino médio ou menos. Com base nos dados, apenas 53% dos escolarizados acreditam no Deus Uno da Bíblia, enquanto esse número é de 85% entre os menos instruídos. Menor grau educativo também leva a um consentimento mais forte de que a existência de Deus afetou sua vida.

O estudo, em seguida, passou a analisar o que pensam sobre Jesus. Foram feitas duas perguntas: se eles acreditavam na ressurreição, e se acreditar em Jesus traz mudanças positivas na vida das pessoas.

Cerca de dois terços dos jovens que não frequentam a Igreja concordou que Jesus morreu e voltou à vida, e 77% tiveram uma opinião afirmativa à segunda questão. Assim, concluíram os pesquisadores, os jovens não estão longe da Igreja devido à ausência da crença em Deus ou em Jesus.

Quando vieram as opiniões sobre a Igreja, as reações não foram tão favoráveis. Enquanto 73% concordam que a Igreja cristã, em geral, é algo positivo para a sociedade, cerca de dois terços acusam os frequentadores de igrejas de serem hipócritas, e 90% afirmaram que poderiam ter um bom relacionamento com Deus, sem estar envolvido em uma igreja.

Não é de surpreender que os sem-igreja sejam hostis quando o assunto é a Igreja, os autores observam, mas os exames revelaram que a maioria deles está disposta a escutar seus amigos falarem sobre o cristianismo. De fato, 89% declararam que estavam dispostos a deixar que alguém lhes falasse sobre o cristianismo.

Além disso, pouco menos da metade dos sem-igreja disse que, se um amigo se tornasse um cristão, isso teria um efeito positivo em seu relacionamento. Porém nem tudo é positivo, já que 46% concordaram com a afirmação de que “os cristãos me dão nos nervos”.

Fazendo contato

A última parte do livro examina o que algumas igrejas estão fazendo a fim de atrair os sem-igreja. Os autores identificaram nove características comuns nestas atividades.

Criação de uma comunidade mais profunda por meio de um sistema pequeno, o qual permite que as pessoas se conectem com outras.

– Permitindo-lhes fazer a diferença, levando os jovens a servir aos outros através de atividades voluntárias.

– Oferecendo oportunidades de culto que reflitam a cultura e também a reverência a Deus.

– Estabelecendo a comunicação eficaz, que varia no estilo, mas é mais dialogal do que a pregação.

– Apoiando a vontade de usar a linguagem da tecnologia familiar para os jovens adultos.

– Construir relações entre gerações, ligando os jovens a adultos mais velhos, desafiando-os a amadurecer.

– Uma liderança que seja honesta e autêntica.

– O apreço pela transparência e o senso de humanidade.

– Tomando uma abordagem de equipe para o ministério.

Explicando mais detalhadamente sobre o ponto de dar às pessoas a oportunidade de fazer o trabalho voluntário, os autores comentam que, através de tais atividades beneficentes, não se ajuda apenas o destinatário da ação, mas se muda a vida de quem faz caridade. Os jovens de hoje têm um forte desejo de mudar o mundo e querem fazer parte de projetos. Muitos dos recém-chegados à Igreja tomaram o caminho das atividades de voluntariado.

Comunicando

Os autores também entraram em mais detalhes sobre o uso de modernas tecnologias de comunicação para atrair os jovens adultos. Eles argumentam que até recentemente, poucas igrejas tinham avaliado o impacto das mudanças nas comunicações.

A presença online pode mudar a maneira como as pessoas pensam sobre a Igreja, desfazendo mitos e levando-os a participar. Os vídeos, redes sociais e outros instrumentos muitas vezes permitem que as pessoas vejam fiéis autênticos, seu testemunho de vida e papel social.

A tecnologia deve ser um servo do Evangelho, os autores alertam, por isso precisa ser usada para transmitir uma mensagem e não ser uma ferramenta para seu próprio bem.

Em conclusão, os autores solicitam um esforço maior para ligar os jovens adultos a Deus e à Igreja. Se este resultado for alcançado, então o mundo pode ser mudado. Os jovens estão buscando respostas que podem ser encontradas no cristianismo, por isso temos de encontrar uma maneira de familiarizá-los com a Igreja.

Por Father John Flynn, L.C.

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Falar sobre a vocação é tratar de transmitir a experiência de um diálogo travado entre duas pessoas: Deus e aquele a quem ele chama. Um diálogo que acontece durante toda a vida e que, em certos momentos, exige opções que nos vão conduzindo pelos caminhos sempre surpreendentes do Senhor. Para mim, é difícil falar de tempos certos para se pensar nisso ou naquilo, tomar essa ou aquela decisão, justamente porque os tempos que precisamos viver não são os nossos, mas os de Deus. Se precisamos fazer algo, penso que é estar preparados para responder “sim” quando Ele nos chamar.

E Ele vai nos chamar. Na verdade, já nos chamou e já começamos a responder desde o dia em que fomos batizados. Nesse dia fomos consagrados para Deus, ou seja, entramos para fazer parte da família do Senhor. Mais tarde, com os outros sacramentos da iniciação cristã, fomos fortalecendo essa consagração. E é essa a vocação que temos todos: a de sermos cristãos. Mas sê-lo de verdade.

Apenas em um âmbito de intensa vida cristã é que tem sentido falar de vocações específicas, porque ela é, como nos diz o Catecismo, a forma como cada um serve na Igreja pela salvação dos outros. Quando falamos em ser padre ou em casar, por exemplo, não estamos falando, em primeiro lugar, da maneira como eu vou me salvar, mas da maneira como eu vou cooperar com Deus para que Ele salve a outros. E isso só tem sentido em uma pessoa que vive uma vida cristã verdadeira.

Tenho uma convicção profunda que me diz que a vocação específica e, em particular, o descobrimento dela, não pode ser um bicho de sete cabeças como pode parecer algumas vezes. E o raciocínio é maios ou menos o seguinte: Deus é um Pai amoroso, que deseja a minha felicidade e realização muito mais do que eu mesmo a desejo (E olha que eu desejo muito ser feliz). Ele é também Todo Poderoso, sábio e misericordioso. Sai ao encontro das nossas fragilidades, nos acompanha em nosso caminhar, nos conduz por suas sendas. Com tudo isso, não faz sentido que o Plano que Ele tenha para mim seja algo que esteja escondido debaixo de sete chaves em um lugar de difícil acesso. Pelo contrário, parece que deveria ser muito evidente. E porque parece que não é?

Conhecemos aquelas passagens nas quais Jesus conta uma parábola que termina com “E quem tenha ouvidos para ouvir, que ouça”. O que pode acontecer, e acho que acontece muito, é que enquanto Deus grita, nós somos os que não temos os famosos ouvidos para ouvir. Mas Deus fala a todo momento. E entre as coisas que Ele nos diz e os caminhos pelos quais nos guia, certamente o seu desejo é que encontremos aquele no qual seremos mais felizes, de acordo com quem somos. E aqui voltamos ao início: A vocação específica se descobre, primeiro, vivendo a primeira vocação à santidade, o chamado a sermos verdadeiramente católicos. Apenas assim vamos conseguindo esses “ouvidos que ouvem”. Depois disso, a tarefa central é escutar e responder, ou seja, dialogar com Deus.

Três perguntas que podem ajudar:

– Como me vejo ajudando a que outros se encontrem com Jesus?

– O que estaria disposto a entregar se Deus me pedisse?

– Como meu coração mais se realiza?

E não ter medo de ter medo, porque o ele sempre aparece. O que Jesus pede nos desconcerta, às vezes nos incomoda, pode não ser o que estávamos esperando, pode ser mais exigente do que gostaríamos. Mas tenhamos a certeza de que apenas vivendo a vida que Ele nos convida a viver, seja ela qual for, é que encontraremos a verdadeira razão da nossa existência.

Para terminar, lembro a frase do Papa Bento XVI em sua primeira homilia como Papa: “Não tenhais medo de Cristo! Ele não tira nada, ele dá tudo. Quem se doa por Ele, recebe o cêntuplo. Sim, abri de par em par as portas a Cristo e encontrareis a vida verdadeira”.

Fonte: Jovens de Maria

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Ao menos é o que argumentam o Dr. Philip Zimbardo, da Universidade de Stanford, e a psicóloga Nikita Duncan em seu novo livro: The Demise of Guys: Why Boys Are Struggling and What We Can Do About It.

A mensagem do livro é simples: pesquisas estão demonstrando que homens jovens estão se tornando viciados em videogames e em pornografia online em uma escala sem paralelo com qualquer vício que já tenhamos visto na história.

Mas ao contrário das drogas, do álcool ou do jogo, esses dois vícios não fazem com que a pessoa deseje uma quantidade cada vez maior daquilo que os causa. Em vez disso, eles levam os meninos e os jovens a procurarem a novidade – a próxima grande emoção.

De acordo com Zimbardo e Duncan, trata-se do mesmo fenômeno observado em ratos de laboratório que, quando tiveram a oportunidade, abandonaram a comida a fim de estimular eletricamente a parte do cérebro responsável pelo prazer. Com efeito, os ratos deram alegremente um “curto-circuito” em seus meios naturais de obter prazer a fim de provocar uma emoção que parecia nova a cada vez que ocorria.

“Os homens jovens, que em sua maioria jogam videogames e usam pornografia”, dizem os autores, “estão sendo digitalmente reprogramados de uma maneira completamente nova que exige deles estímulo constante”.

Esse tipo de vício não apenas tira dos rapazes o tempo, o dinheiro e a saúde de que precisam para fazer outras coisas, mas também diminui sua habilidade para aproveitar a vida real, que nunca pode oferecer estímulo com tanta frequência, facilidade ou com tanta variedade. Como resultado disso, afirmam Zimbardo e Duncan, os jovens viciados em sexo e combate digital são menos capazes ou dispostos a participar desses atos na realidade.

Um estudo recente publicado na revista “Psychology Today”, sobre o qual falei no ano passado em “The Point”, reforça esse prognóstico. O estudo descobriu que os homens que assistiam regularmente a pornografia na internet na verdade perdiam sua habilidade de manter relações sexuais na vida real ( Quando casados, claro!)

Como consequência dessa estimulação excessiva, os garotos hoje estão crescendo com “novos cérebros”. Eles não apenas têm uma indisposição para o aprendizado tradicional, falta-lhes capacidade para manter relacionamentos românticos sólidos. Por quê? Porque eles tendem a ser, em grande medida, incapazes de postergar uma gratificação ou de estabelecer objetivos de longo prazo. Eles têm de viver para o agora.

E como qualquer garoto viciado sabe, ao fim e ao cabo isso nos torna infelizes. Uma pesquisa recente do Centro para Controle e Prevenção de Doenças revela que “usuários regulares de pornografia”, apesar da estimulação e excitação constantes, têm maior tendência a se queixar de depressão… de saúde física deficiente e isolamento”. E todos nós provavelmente conhecemos jovens que poderiam usar um pouco mais de tempo livre com pessoas reais e muito menos com Playstation.

Lembro-me de um capítulo de Cartas de um Diabo  a seu Aprendiz, de C. S Lewis, no qual o distinto demônio velho, Fitafuso, diz ao seu sobrinho aprendiz como destruir os seres humanos com prazer: “…sempre tentamos fazer com que se afastem da condição natural de qualquer prazer”, ele escreve, “para que se aproximem daquilo que é menos natural, menos impregnado de seu Criador, e menos prazeroso. A fórmula é a seguinte: uma ânsia cada vez maior por um prazer cada vez menor”.

Mas simplesmente amaldiçoar a traves não resolverá nada. Precisamos reconhecer que, como o próprio Fitafuso admite, todos os prazeres – mesmo os destrutivos – são originalmente baseados no bom  projeto de Deus.

Supões que os rapazes desejem o sexo – dentro do matrimônio. E embora não haja problema algum com eles quando usados com moderação, os videogames não são a verdadeira saída para o desejo masculino de ser heroico e de lutar por causas dignas.

Precisamos aprender como substituir o falso prazer pelo legítimo, encorajando os homens jovens a colocarem de lado imitações baratas e a se preparar espiritual, moral e emocionalmente para ir em busca da coisa verdadeira.

É nesse campo que a Igreja pode liderar a cultura – liderando o esforço para resgatar esta geração de rapazes.

Notifam

namoro-cristao

  • Queridos homens solteiros,

    Eu estava tendo uma conversa com um amigo recentemente. Ele é da minha idade, ele é solteiro, e é, eu posso atestar, um bom cara. Eu não o tinha visto há algum tempo, então eu perguntei sobre sua vida amorosa. Ele me disse que está atualmente “saindo” com alguém.

    “O que você quer dizer?” Eu perguntei.

    “Bem, nós saímos algumas vezes. Ela é ótima.”

    “OK, então vocês saindo? Ela é sua namorada?”

    “Não. Eu não penso assim. Mas estamos saindo. Estamos conversando.”

    “Bem, é claro que vocês estão conversando um com o outro. Você fala com ela ao telefone? Você a vê sempre?”

    “Não, enviamos mais mensagens de texto. Eu a vi poucas vezes desde que começamos a sair.”

    “Então você só a conheceu recentemente?”

    “Não, eu a conheço há um tempo, mas saímos apenas por algumas vezes.”

    “Você não saía com ela antes?”

    “Saía. Mas, quero dizer, desde que começamos… Desde que, ah, sei lá o quê…”

    Deixei que a conversa se tornasse confusa, porque a confusão é o jogo atualmente. Todo mundo está confuso. Ser solteiro meio que está sendo confundido. Todo mundo está tão confuso que nem sabe que palavras usar para descrever seus relacionamentos. Uma pesquisa com solteiros feita um tempo atrás pelo USA today apontou algo que tem sido evidente há anos: ninguém tem ideia do que está acontecendo em suas próprias vidas amorosas. Perto de 70 por cento não sabe dizer se estão namorando ou só saindo com alguém.

    Eu acho que é porque a maioria de vocês está muito ocupada “simplesmente saindo.”

    O que é isso, gente? Quantos anos temos?

    Passou de cortejo para namoro, e agora é “sair”. Às vezes, mesmo sair cheira muito a compromisso, caso em que “nos conhecendo” pode ser usado. E se conhecer soa muito sério, talvez nós vamos começar a ouvir “avizinhando-nos”. Essa é uma palavra que eu acabei de inventar, e significa que você e sua amiga do sexo feminino estão muitas vezes no mesmo local, mas de um modo geral, o que não significa que vocês estão realmente naquele local juntos de propósito.

    Quando foi que os homens se tornaram tão temerosos em assumir um compromisso, em assumir a liderança, dizer o que querem, fazer planos de longo prazo, definir metas, perseguir, e falar sobre o futuro?

    Estamos voltando a ser primatas, perdendo a capacidade de sequer discutir o nosso próprio comportamento utilizando palavras e frases. O homem solteiro americano está agora relegado a grunhidos e encolhe os ombros e responde “Qualquer coisa” e “você sabe” quando pressionado para ter uma conversa sobre seus hábitos de namoro. Ou seus hábitos de conversando com, saindo, avizinhamento. Ou o que quer que sejam seus hábitos, entende?

    “Sair” é como descrevemos o que fazemos com os nossos amigos. É isso que você quer? Você quer que aquela mulher bonita seja sua amiga? Ou você prefere que é melhor diferenciar entre o seu relacionamento com ela e seu relacionamento com seu amigo Steve?

    Eu sei que você pode dizer que consegue diferenciar muito bem entre os dois com base em quem você está saindo com, mas eu acho que isso é um problema. E, falando nisso, vamos relaxar com a questão do “ficar”.

    Essa frase faz você soar como um adolescente. Homens adultos contando com as vagas, tímidas palavras de código de calouros do ensino médio. É embaraçoso.

    Hora de acabarem com o absurdo, meus senhores. É hora de crescer. É hora de serem homens. Eu sei que este termo realmente ofende muita gente hoje em dia, mas verdadeiramente, companheiros, vamos nos tornar homens de verdade.

    Confie em mim, eu não sou inocente. Eu sou casado agora, mas fiz parte deste nebuloso, indefinido cenário ficando-mas-não-namorando. Eu nunca gostei dele, porque ninguém gosta. Eu nunca encontrei qualquer felicidade nele, porque ninguém encontra. Mas eu era uma parte do problema. Eu era um varão fracote, com medo de compromissos significativos, com medo de ficar sozinho, medo de rejeição, medo do futuro, medo de ser traído, medo de ser amado. Apenas com medo, realmente. Com medo de tudo.

    Então, um dia, eu conheci Alissa. Ela estava à procura de um homem adulto, e eu estava cansado de joguinhos. Nós dois estávamos exaustos. Então você sabe o que nós fizemos muito cedo na nossa relação?

    Definimos nossos termos.

    Fizemos nossas metas de maneira clara.

    Abrimos-nos um com o outro.

    Conversamos sobre o futuro.

    Usamos palavras como “casamento”.

    Estávamos claros e convictos em nossos propósitos. Eu tinha ambições para o nosso relacionamento. Ambições. Eu tinha uma ideia clara sobre o que eu estava fazendo e por isso que eu estava fazendo isso. Dá pra acreditar? Eu estava naquele relacionamento por um motivo. Eu queria que ele se tornasse algo.

    Veja, eu tinha estado flutuando como detritos sem rumo através de um oceano de intenções nubladas e incerteza, até que eu cresci e percebi que o romance não é um jogo, e a maioria das mulheres não são patricinhas frívolas. Elas querem homens que sabem o que querem e não têm medo de verbalizar isso. E se elas não querem isso, então não são dignas de sua energia. Caia fora. Se ela ainda quer fingir que está no ensino médio, deixe-a viver essa fantasia com outra pessoa.

    Com Alissa, as coisas eram muito claras desde o começo. Tivemos um relacionamento. Um relacionamento de verdade. Meses depois, eu a pedi em casamento. Algumas pessoas esperam mais tempo, o que é bom. Todos têm seu próprio tempo. Mas eu garanto a você, apesar de sentimentos populares dizerem o contrário, não se leva uma década e meia para descobrir as coisas.

    Eu tive muitos namoros fracassados antes de me casar. Alguns terminavam dentro de uns meses, outros levaram muito mais tempo. Mas todos eles acabaram por ser destruídos por problemas que eram claramente evidentes talvez nos primeiros cinco minutos ou menos.

    E, sim, eu entendo. Nossa abordagem moderna desastrosa para namoro (ou qualquer outro nome que se dê) não é tudo culpa dos homens. Mas não há nenhum proveito em parcelar a culpa. Tudo o que se pode fazer, solteiros, é começar vocês mesmos em conjunto. Assumir a liderança.

    Aqui está um pouco de honestidade brutal para você: se você não está pronto para algo sério, então você precisa ir se preparando e deixar estas senhoras em paz até que você esteja preparado. Você não pode sair e fazer sexo (quero dizer, “ficar”, como os escolares dizem) e, em seguida, afirmar que você não está pronto para algo sério. “É tarde demais, amigo. Sexo é algo sério.

    Você pode imaginar um piloto de avião dizendo este tipo de coisa?

    “Atenção, passageiros. Este é o seu capitão falando. Eu só quero dizer-lhes que, já que eu não quero que as coisas fiquem estranhas ou algo assim, então quero dizer que não estou pronto para ser o seu capitão no momento. Quero dizer, sim, eu escolhi pilotar um avião cheio de almas até 32.000 pés para o ar a uma velocidade de 970 quilômetros por hora, mas eu não quero que você pense que isso é tipo, oficial, sabe? Eu tenho as suas vidas em minhas mãos, mas eu não quero que isso seja levado a sério. Na verdade, olha, vou deixar as coisas claras. Eu tenho o meu paraquedas. Vocês não, mas isso é problema de vocês. Eu tenho o que eu preciso para sair dessa. Então, tchau. Aproveitem sua morte flamejante!”

    Apenas, para essa analogia ficar melhor, o capitão mandaria tudo por mensagem de texto, porque ele não tem sequer a coragem de verbalizar isso.

    Se você é um homem adulto, leve as coisas a sério. O que você está esperando? Você é um adulto agora. Está na hora. Seu recesso está sendo muito longo. Se você ainda não está pronto para compromissos amorosos, tudo bem, mas apenas fique de fora inteiramente no mesmo período.

    Não importa o que qualquer um faz, ou diz, ou pensa; não importa o que dizemos a nós mesmos; não importa o que a sociedade insiste, relacionamentos românticos são sempre um negócio sério. Chame do que quiser – ficar, conversando, namorando – há sempre o coração de uma mulher envolvido. Isso significa que você tem uma responsabilidade, certo? Você tem um dever como ser humano, como um adulto, como um homem.

    Ela está sendo vulnerável a você. É preciso honrar essa confiança, protegê-la. E se você não está à procura de qualquer coisa, além de sexo barato e mais um troféu de conquista sexual para pendurar na parede em seu estúdio, então você precisa protegê-la de si mesmo, porque você estará trazendo nada mais que decepção e caos em sua vida.

    Ouça, há um monte de alegria e amor que você está perdendo quando você passa anos pulando de um opaco “ficar” para outro. Sei disso por experiência.

    Se você está saindo com uma mulher e você sente que pode estar envolvido, diga a ela. Ligue para ela. Leve-a para um encontro. Diga as palavras: “Eu gostaria de sair com você”. Nenhuma ambiguidade. Planeje o encontro sozinho. As mulheres querem que você seja decisivo. Pare com o “e aí, o que a gente vai fazer hoje à noite?”. Assuma o controle. Busque-a às 7 da noite. Pague a refeição. Tenha uma conversa com ela. Vá a um boliche ou algo assim. Vá em algum lugar. Abra a porta para ela. Largue o celular. Abra-se para ela. Compartilhe suas ideias, seus sonhos, seus medos. Conheça-a. Conquiste-a. Invista no processo, tão assustador e inseguro quanto pode parecer. Corram o risco, senhores. Corram o risco pelo menos uma vez. Sejam intencionais. Sejam desejáveis. Sejam homens.

    Você não iria entrar em uma entrevista de emprego e dizer ao entrevistador que você não tem certeza se você quer o trabalho, e você não quer nem falar sobre o trabalho, porque isso o assusta e dá-lhe uma dor de barriga, diria? Portanto, não faça isso com as mulheres que você está namorando, ou ficando, ou falando, ou o que quer que seja.

    Nos velhos tempos, chamavam de cortejando. Era muito parecido com o namoro, mas com mais clareza e menos confusão. Talvez devêssemos voltar para essa estratégia.

    Chega de ficar só saindo e ficar. Somos homens adultos. Elas são mulheres adultas. Elas merecem mais, e você também.

  • Fonte: The Matt Walsh Blog