Foi publicada nesta terça-feira (19/09) a Carta Apostólica “Summa Familiae Cura” do Papa Francisco em forma de Motu Proprio, com a qual é instituído o Pontificio Instituto Teológico João Paulo II para as Ciências do Matrimónio e da Família.

Com a “Summa familiae Cura”, o Papa institui o Pontifício Instituto Teológico João Paulo II para as Ciências do Matrimônio e da Família que, ligado à Pontifícia Universidade Lateranense, substitui o Pontifício Instituto João Paulo II para os Estudos sobre o Matrimônio e Família.

Portanto, o que era “Estudo” agora torna-se “Ciência”, pois, para Francisco, é importante prosseguir a intuição de João Paulo II, ampliando o raio de pesquisa sobre a família, seja no que diz respeito à sua dimensão pastoral e eclesial, seja no campo da cultura antropológica.

O Papa considera que a mudança antropológico-cultural da sociedade requer uma análise analítica e diversificada da questão familiar, que não se limite a práticas pastorais e missionárias que refletem formas e modelos do passado. “No límpido propósito de permanecer fiéis ao ensinamento de Cristo, devemos portanto olhar, com intelecto de amor e com sábio realismo, para a realidade da família hoje em toda a sua complexidade, nas suas luzes e sombras”, escreve o Pontífice.

O novo Instituto procurará ser, no âmbito das instituições pontifícias, um centro acadêmico de referência, ao serviço da missão da Igreja universal, no campo das ciências que dizem respeito ao matrimônio e à família e acerca dos temas relacionados com a fundamental aliança do homem e da mulher para o cuidado da geração e da criação.

O Instituto Teológico tem a faculdade de conferir “iure proprio” aos seus estudantes os seguintes graus acadêmicos: Doutorado, Licenciatura e Bacharelado em Ciências sobre o Matrimônio e a Família.

Fonte: Rádio Vaticana 

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Sobre o matrimônio e a família, é preciso repensar tudo a partir de uma nova elaboração teológica, e não é possível mais se limitar a ajustes pastorais mais ou menos precários. O Papa Francisco já havia explicado isso na Amoris laetitia, mas, evidentemente, os novos caminhos que Bergoglio havia indicado no texto elaborado com base nas reflexões de nada menos do que dois Sínodos dedicados à família custam a serem percorridos.

Assim, com um motu proprio intitulado Summa familiae cura, isto é, o máximo cuidado pela família, ele decidiu abolir o Pontifício Instituto João Paulo II para a Família e instituir o “Pontifício Instituto Teológico João Paulo II para as Ciências do Matrimônio e da Família”, que deverá elaborar novas linhas teológicas, com base em um sistema jurídico diferente, em consonância com o que o papa escreveu na Amoris laetitia.

Na verdade, o motu proprio é uma carta pastoral na qual o papa escreve que a situação atual “não nos permite nos limitar a práticas da pastoral e da missão que refletem formas e modelos do passado”. Ele acrescenta que é preciso “uma abordagem analítica e diversificada”, e olhar “com sábio realismo para a realidade da família hoje, em toda a sua complexidade, nas suas luzes e nas suas sombras”. Portanto, é preciso explorar caminhos novos também do ponto de vista da teologia.

O antigo Instituto João Paulo II para a Família não tinha essa tarefa. Ele nascera em tempos nos quais a crise da família e os novos desafios abertos na sociedade à instituição do matrimônio não eram tão fortes e parecia suficiente ajustar um pouco as práticas pastorais.

Uma análise que indicava uma necessária expansão da sua reflexão havia sido feita em um seminário entre os dois Sínodos sobre a família, organizado por Dom Vicenzo Paglia e coordenado pelo teólogo Pierangelo Sequeri, no qual haviam sido antecipadas muitas reflexões presentes, depois, na Amoris laetitia.

As atas do seminário foram publicadas pela Livraria Editora Vaticana. Sequeri, no ano passado, em meados de agosto, havia sido nomeado para a cúpula do Instituto João Paulo II para a Família e, a partir de dentro, pôde se dar conta dos limites de ação e de elaboração, especialmente em relação aos novos desafios indicados pela Amoris laetitia.

Eis a razão da mudança de ritmo mais orientado para a teologia que o papa indicou no motu proprio.

A decisão de Bergoglio também seria, segundo alguns, uma resposta às “dubia” levantadas pelos quatro cardeais críticos do texto pontifício, Brandmüller, Burke, Caffarra e Meisner, os dois últimos recentemente falecidos. Eles levantavam uma série de questões de ordem mais teológica do que pastoral, e não só limitadas ao problema da comunhão aos divorciados em segunda união.

Em alguns setores da Igreja, há resistências e algum desconforto acerca da Amoris laetitia. A decisão do papa de confiar a uma nova instituição a elaboração de uma teologia do matrimônio e da família que possa dialogar melhor com as outras ciências humanas e com uma cultura antropológica que está mudando em todos os temas da vida não significa que Bergoglio queira uma mudança da doutrina, mas, ao contrário, ele quer entender como é possível permanecer mais fiel à doutrina em um mundo que muda.

E explica isso no texto do motu proprio: “Devemos ser intérpretes conscientes e apaixonados da sabedoria da fé em um contexto em que os indivíduos são menos sustentados do que no passado pelas estruturas sociais na sua vida afetiva e familiar”. É por isso que não adiantam respostas simples com um “sim” ou um “não”, como queriam os cardeais das “dubia”.

O novo instituto terá uma natureza decisivamente acadêmica. O papa estabeleceu que ele deverá trabalhar em estreito contato com o novo dicastério, recentemente constituído, para os Leigos e a Família, com o da Educação Católica e com a Pontifícia Academia para a Vida, e cooperar com a Pontifícia Universidade Lateranense.

A sua missão, enfatiza o papa no texto, será “científica” e “eclesial”, ampliada a toda a cultura da vida, incluindo o cuidado do ambiente.

O artigo 2 do motu proprio diz: “O novo instituto constituirá, no âmbito das instituições pontifícias, um centro acadêmico de referência, a serviço da missão da Igreja universal, no campo das ciências que se referem ao matrimônio e à família e aos temas conectados com a fundamental aliança do homem e da mulher para o cuidado da geração e da criação”.

Site da revista Famiglia Cristiana

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Catholic Herald trouxe nesta semana a história de Conor Gildea, um estudante escocês da Universidade Católica de Glasgow que pretende ser professor de religião. Conor, de 24 anos, resolveu celebrar a sua despedida de solteiro com uma Missa!

A celebração eucarística foi a sua primeira ideia quando começou a pensar na despedida – e não ficou apenas na intenção: a Missa aconteceu mesmo, em 8 de julho, na Catedral Metropolitana de Nossa Senhora da Assunção, situada na capital, Edimburgo.

A página da catedral no Facebook divulgou uma imagem e um comentário sobre a celebração:

“Recebemos muitas solicitações de vários grupos que desejam celebrar um Missa privada. O grupo de hoje, porém, foi muito incomum, porque era um grupo de solteiros! Isso mesmo: o noivo insistiu muito para que a sua despedida de solteiro começasse com a celebração da Santa Missa”.

Muitos internautas felicitaram o noivo e seus amigos pela iniciativa. Aliás, Conor já costumava participar da celebração eucarística com seus colegas. Em sua entrevista ao Catholic Herald, ele declarou:

“Ter todos os meus amigos rezando comigo e por mim foi incrível. Isso me deu muito incentivo na minha preparação para o matrimônio. Ir à Missa exatamente uma semana antes foi muito importante para me preparar espiritualmente”.

O jovem observou que alguns dos convidados ficaram “surpresos” com a sua inusitada despedida de solteiro, pois não participavam da Missa desde que saíram do colégio – e, mesmo no colégio, só iam por obrigação. Apesar do estranhamento inicial, eles “começaram a perguntar por que era tão importante para nós ir à Missa”, o que serviu a Conor como deixa para lhes testemunhar que “a fé se baseia no encontro pessoal com Cristo” e que visitar o Santíssimo Sacramento é “a forma mais profunda de se encontrar com Ele”. Os amigos, considera Conor, “podem até não concordar, mas tiveram a oportunidade de conhecer a razão por trás dessa iniciativa”.

Depois da Missa, o noivo e seus amigos foram comer e assistir a uma partida de futebol.

Conor Gildea e sua esposa Naomi, que estudou música, se casaram na capela da Universidade de Glasgow no dia 15 de julho e partiram para Roma em lua de mel.

A catedral de Edimburgo, também via Facebook, desejou “um longo, feliz e frutífero matrimônio” ao novo casal. E nós, que desejamos o mesmo, lhes agradecemos pelo belo testemunho de espontaneidade e coerência na prática da fé católica!

Aleteia

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A oração é um poderoso elemento de vínculo entre homem e mulher. O cultivo de práticas religiosas pode ser determinante na longevidade do relacionamento de um casal, contanto que as façam juntos. É o que diz uma pesquisa recente do Institute for Family Studies (IFS), entidade norte-americana que trabalha com pesquisas comportamentais sobre temas de família.

Segundo o IFS, rezar unidos, lado a lado e com frequência diz muito sobre a qualidade do relacionamento. O doutor Bradford Wilcox, um dos responsáveis pelo estudo, diz que isso deve ao fato de que a fé compartilhada é um poderoso elemento de vínculo entre homem e mulher e a oração é, tradicionalmente, a melhor forma de manter viva a experiência religiosa. “Vimos que casais que vão à igreja juntos e que, ainda mais, rezam juntos alcançam níveis altos de qualidade do relacionamento, disse Wilcox, que é diretor do National Marriage Project,da Universidade da Virgínia, e autor de vários estudos envolvendo religião e casamento. A entrevista foi concedida ao site Deseret News.

De acordo com o estudo, casais que rezam juntos pelo menos uma vez por semana são 17% mais propensos a se considerarem “muitos felizes juntos”. Wilcox diz notar também um “poder ritualístico na oração que dá sentido de comunhão ao relacionamento, de estar unidos de uma maneira mais profunda e intensa”. Para os pesquisadores trata-se de “um símbolo de comprometimento mútuo”.

No entanto, se apenas um dos dois vai à igreja, isso não apresenta nem benefícios nem riscos para a relação, mas há grandes diferenças dependendo se é ele ou ela quem frequenta os cultos.

Os pesquisadores perceberam que são mais felizes os casais em que ambos frequentam a igreja ou aqueles em que apenas o homem frequenta. Quando apenas a mulher vai à igreja, o grau de felicidade cai, ficando abaixo até mesmo dos casais em que nenhum dos dois frequenta a igreja.

A sua pesquisa revelou ainda que:

– 78% dos casais que regularmente vão à igreja juntos, ou nos quais apenas o homem vai, consideram-se muito ou extremamente felizes.

– Dois terços dos homens e mulheres em relacionamentos nos quais nenhum vai à igreja dizem-se felizes.

– 59% dos casais em que a mulher vai sozinha à igreja se dizem muito felizes.

Os benefícios da prática religiosa regular vão ainda além do nível de satisfação com o próprio relacionamento. Os dados mostram que casais que vão regularmente à igreja são menos propensas a ter filhos fora do casamento ou envolverem-se em casos de infidelidade.

As redes de amizades, comuns nesses ambientes, também contribuem para o fortalecimento de modos de vida que respeitem determinados valores morais, além de se tornarem ambientes acolhedores em momentos difíceis. Os pesquisadores dizem que casais que frequentam esses círculos de amizade são mais propensos a estar disponíveis quando alguém perde o emprego, tem problemas no casamento ou perdem um ente querido. “Isso é verdade, seja você religioso ou não. Se os seus amigos conhecem a sua esposa e os amigos dela, você tende a permanecer fiel a ela.”

Quanto à constatação de que casais nos quais a mulher vai sozinha à igreja são menos felizes, Wilcox tem algumas teorias. Pode ser que mulheres com dificuldades no relacionamento costumem procurar alguma igreja, então elas já estariam menos felizes antes de ir à igreja. É também possível que as mulheres que vão à igreja vejam os seus amigos indo com os seus parceiros e percebam que isso beneficia o seu relacionamento e a sua vida, o que as faz se desapontar com a própria relação.

(Via Sempre Família. Colaborou Felipe Koller. Com informações de Deseret News)

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Quando as pessoas se casam, elas juram se amar na saúde e na doença. Jon Newman não passa um dia que seja sem honrar esses votos do matrimônio.

Sua mulher, Marci, foi diagnosticada com um câncer de tireoide. Depois dos tratamentos, a esposa não podia sair do quarto… então, ele resolveu fazer algo maravilhoso!

Esposa não podia sair do quarto

A família americana ficou de coração partido quando soube que Marci estava doente. A mulher teve que passar por vários tratamentos agressivos, incluindo a radiação. Um dia, a filha do casal viu seu pai sentado à porta do quarto da mãe, e resolveu captar uma foto e contar no Twitter a razão de Jon estar lá.

“Minha mãe tem que ficar em isolamento no quarto para realizar a radioterapia contra o câncer. Então, meu pai montou uma mesa em sua porta para lhe fazer companhia… e eu estou chorando”, escreveu a garota de 17 anos.

O marido não sai nem um segundo de perto da sua amada esposa… eles juraram se amar para sempre, no bem e no mal. E Jon está cumprindo a sua promessa, ansioso pela recuperação de Marci. Enquanto ela estiver em tratamentos, ele vai acompanhá-la por todo o processo, que grande homem!

Mas isso não é tudo. O esposo esteve com ela em todas as consultas, todos os exames de sangue, cada operação, cada sessão de radioterapia… ainda dizem que não existe amor verdadeiro? “Se você não pode ficar ao meu lado, chegue o mais perto que puder”, diz Marci para o marido.

Apoio Mundial

Desde sua filha postou a foto no Twitter, o casal tem recebido muitas mensagens de carinho de várias partes do mundo, e todos têm dado os parabéns Jon pelas suas atitudes. E a melhor parte? Ele ficou surpreso por que acha que não está fazendo nada de especial.

Ele simplesmente está dando para sua esposa todo o amor que ela merece nesses tempos difíceis. Esse homem é um exemplo e uma inspiração para todos.

Esperemos que Marci recupere em breve… mas com tanto amor, com certeza ela ficará boa em pouco tempo. Afinal, esse é o sentimento mais poderoso de sempre. Compartilhe se concorda!

 

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Para tentarmos entender um pouco sobre o tema, em primeiro lugar devemos compreender o que significa maturidade, para posteriormente buscarmos uma reflexão sobre a questão da maturidade sexual no casamento.

Segundo Maria Cristina Griffa e José Eduardo Moreno, no livro “Chaves para a psicologia do desenvolvimento”, o amadurecimento que envolve a personalidade só pode ser atingido na idade adulta. O ser humano, diferente do que acontece com os animais, não só vive, mas dirige sua vida, orienta-se para um determinado caminho.

Ter maturidade pessoal não significa estar pronto, mas é buscar, é descobrir suas qualidades, é ter aceitação das limitações e possibilidades tanto externas quanto internas. É assumir responsabilidade, é estar disposto a cuidar e permitir ser cuidado, é ter compromisso consigo mesmo e com os demais, é ter autocontrole, é ser, de certa forma, independente, é analisar as escolhas porque elas têm consequências, é ter certo grau de autoconfiança, é buscar perdoar e ser perdoado, é ter outras características, e sobretudo, pensamentos e comportamentos que o faça viver de forma mais autêntica. É importante ressaltar que a maturidade pessoal interfere na maturidade sexual no casamento.

No que se refere à maturidade sexual no casamento, temos um caminho de amadurecimento que não ocorre de um dia para o outro, ele tem um processo, está presente em toda a nossa história. Nosso amadurecimento sexual inicia-se na concepção e caminha durante toda a nossa vida. Na adolescência, a manifestação da sexualidade acontece mais nitidamente e na vida adulta ela pode ser vivida de maneira mais madura, conforme veremos a seguir.

Todo o ser humano em um período denominado por “adolescência”, tem o seu impulso sexual voltado para todos os outros além dele, ou seja, para um outro diferente dele, no caso do homem voltado para as mulheres e para as mulheres voltadas para todos os homens e por isso ele e ela treinarão neste período a olharem para todos a sua volta. Este comportamento de olhar para todos é muito importante, é um elemento essencial neste período, pois somente através desta atitude a pessoa poderá um dia encontrar aquela ou no caso da mulher, aquele, que será de fato o escolhido. Portanto é nesta etapa da vida, que se inicia a integração da sexualidade com a afetividade no ser humano.

Após este processo de olhar e desejar a muitos, surge um novo tempo, justamente quando é encontrada aquela pessoa com a qual iremos nos casar. Neste momento, aquele treinamento da adolescência não se desfaz magicamente, agora inicia um novo treinamento, onde a pessoa deverá exercitar constantemente o olhar para uma única pessoa, aquela que foi escolhida para ser a esposa ou esposo. O desafio dos casados é manter o “olhar” para uma única pessoa, a pessoa amada que escolheu!

Segundo Victor Franckl, uma pessoa madura sexualmente é aquela que consegue canalizar o seu impulso sexual para uma única pessoa do sexo oposto. E diante deste novo treinamento, a pessoa irá amadurecendo, crescendo sexualmente no casamento.

O que significa impulso sexual?

Podemos dizer que o impulso sexual é uma energia, neste caso uma energia sexual direcionada para uma meta, uma finalidade. O impulso sexual está presente em todos os seres humanos, sendo estes alimentados pelas fantasias de conteúdos sexuais.

Portanto, ser sexualmente maduro é ser capaz de canalizar este desejo, impulso sexual, e consequentemente suas fantasias sexuais para a pessoa com a qual nos casamos. Mas manter o impulso, o desejo, as fantasias para o esposo ou esposa, não é como em um conto de fadas. Ele deve ser exercitado. Isto é, um treinamento!

Ao olhar para fora do casamento, para as outras pessoas que não deixaram de ser atrativas, o esposo ou a esposa não deverá manter-se fixo neste impulso para outros, mas, direcioná-lo novamente e constantemente para o cônjuge.

Não é uma tarefa fácil, e nem para ser realizada em um único dia. Ela deve ser treinada diariamente como exposto acima. O casamento é esta oportunidade que a vida nos dá para exercitarmos e atingirmos a maturidade sexual.

Como exercitar o impulso sexual para uma única pessoa?

Confira algumas dicas:

1. Reconhecer e trabalhar as tendências à traição advindas da história de vida.

2. Ressignificar através de um processo de cura as fantasias adquiridas ao longo da vida a partir da adolescência. Muitos utilizaram meios para produzirem fantasias, como vídeos e filmes pornográficos, imagens, etc. A partir do casamento nem todas as fantasias são possíveis. Muitas delas fazem com que os cônjugues não se sintam amados.

3. Olhar diariamente para a pessoa escolhida, buscando descobrir o que ela tem de atrativo sexualmente. Nenhuma pessoa precisa ter um corpo perfeito para ser desejada, os cônjuges devem acompanhar as transformações físicas que ocorrem com o tempo. Sempre existe algo atrativo.

4. Buscar a reconciliação: mágoa pode afastar os casais da vivencia sexual.

5. Buscar o enamoramento: os cônjuges devem promover o namoro, vivenciando o romantismo entre eles. A afetividade humaniza potencializa a sexualidade.

6. Diálogo sexual: é importante conversar sempre a respeito da sexualidade. Esta conversa deve ocorrer antes, durante e após o ato sexual. Dentro desta realidade do diálogo sexual surge uma questão: você conhece e respeita a história sexual do seu cônjuge?

Um casal maduro sexualmente não trata um ao outro como objeto de prazer, no qual somente um quer satisfazer as necessidades fisiológicas; não utiliza o outro como uma coisa, um objeto, sem respeitá-lo; não o obriga a certas práticas que o levam a uma percepção depreciativa de si. O casal sexualmente maduro não se masturba no outro! O casal sexualmente maduro é aquele que entende a sexualidade como um bem partilhado que faz com que ambos se sintam de fato um.

Aleteia

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Em relação com os “dubia” apresentados pelos quatro cardeais acerca da exortação “Amoris laetitia”, o Cardeal Gerhard Ludwig Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, intervém novamente afirmando que “neste momento não é possível uma correção do Papa porque não há nenhum perigo para a fé”. O cardeal, em uma entrevista com Fabio Marchese Ragona, do Tgcom24, no âmbito do programa Estancias Vaticanas, também expressou irritação após a publicação dos “dubia”.

Como podemos recordar, pouco mais de um mês após a apresentação dos cinco “dubia” (sobre a interpretação de “Amoris laetitia”, a propósito dos sacramentos para os divorciados que novamente casaram, apresentados de acordo com a modalidade técnica de uma petição de esclarecimentos à Congregação para a Doutrina da Fé) os quatro cardeais signatários, Walter Brandmüller, Raymond Leo Burke, Carlo Caffarra e Joachim Meisner, decidiram publicá-los na mídia. A publicação aconteceu poucos dias antes do Consistório de outubro de 2016. Nas semanas seguintes, o Cardeal Burke falou em diversas ocasiões de uma possível e próxima “correção formal” do Papa, caso não houvesse nenhuma resposta. Em uma entrevista com o Vatican Insider, o Cardeal Brandmüller indicou que essa correção seria realizada em primeira instância em “camera caritatis” e, portanto, que não seria publicada.

Agora, o Prefeito da Doutrina da Fé parece afastar a hipótese da “correção”. Todos, disse Müller ao Tgcom24, “especialmente os cardeais da Igreja Romana, tem o direito de escrever uma carta ao Papa. No entanto, fiquei surpreso porque esta foi tornada pública, quase obrigando o Papa a dizer “Sim” ou “Não”. Não gosto disto. Inclusive uma possível correção fraterna do Papa”, acrescentou,” parece-me muito distante, não é possível neste momento, pois não se trata de um perigo para a fé, como disse São Tomás”.

O Prefeito do ex-Santo Ofício continuou: “Estamos longe de uma correção e digo que é um ultraje para a Igreja discutir estas coisas publicamente. “Amoris laetitia” é muito clara na sua doutrina e podemos interpretar toda a doutrina de Jesus sobre o matrimônio, toda a doutrina da Igreja, em 2000 anos de história”. O Papa Francisco, concluiu o cardeal, “pede para que saibamos discernir a situação dessas pessoas que vivem em uma união não-regular, ou seja, que não estão de acordo com a doutrina da Igreja sobre o casamento, e pede que ajudemos essas pessoas a encontrar um caminho para uma nova integração na Igreja segundo as condições dos sacramentos e da mensagem cristã do matrimônio. Mas eu não vejo nenhuma contraposição: por um lado, temos a doutrina clara sobre o casamento, por outro, a obrigação da Igreja de se preocupar com essas pessoas em dificuldade”

Vatican Insider

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Bombeiro americano que foi vítima no atentado contra as Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001 e sua vida de fé, transmitida à Família

No último dia 11 transcorreram 15 anos do maior atentado terrorista já perpetrado no mundo. O ataque às Torres Gêmeas, em Nova York, marcou o fim de uma era. Desde então, o mundo não foi mais o mesmo. A insegurança reinou por toda parte. Das mais de três mil vítimas desse atentado, cada uma tem sua história.
A cadeia americana de televisão CNN é uma das mais poderosas do mundo. Evidentemente, como toda a mídia, ela só traz matérias que interessem aos seus telespectadores e rendam dividendos.Por isso, surpreende uma longa reportagem “não politicamente correta” e contra seus hábitos, publicada por ela no dia 6 de setembro, sobre uma família numerosa e genuinamente católica, atingida pelo infortúnio. Tinha como título: “Os 10 Palombo: como perdendo o pai em 11 de setembro, e em seguida a mãe, transformaram o sofrimento em força” .(1)

Trata-se da família de Frank Anthony Palombo, bombeiro em Nova York, que perdeu a vida no atentado às Torres Gêmeas em 11 de setembro. Lídimo católico, por ocasião de sua morte aos 46 anos de idade, era pai de dez filhos, oito homens e duas mulheres, na idade de 11 meses a 15 anos. [foto abaixo]

FAMÍLIA NUMEROSA E FELIZ

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Frank e sua esposa Joana se conheciam praticamente desde criança. No entanto, ele entrou para o seminário pensando ser sacerdote. Saiu algum tempo depois, convencido de que sua vocação era o matrimônio. Em 1979 entrou para o corpo de bombeiros de Nova York, e em 1982 casava-se com Joana, que era professora.

No início houve alguns problemas a superar. Enquanto Frank era profundamente religioso, Joana “não queria saber de religião”. Ele queria ter muitos filhos, e ela não queria ter nenhum.

Foi só em 1985 que as coisas mudaram. Um dia Frank viu em sua paróquia o anúncio de uma série de palestras com o título: “Qual o sentido de sua vida?”. E convenceu sua esposa a delas participar. Joana foi a contragosto, mas as palestras a impressionaram profundamente. As palavras do sacerdote: “Por que você não deixa Deus entrar em sua vida?” foram-lhe diretamente ao coração. Rendeu-se. “Saber que Deus a amava, deu-lhe a força para levar a vida adiante, sem se assustar com o sofrimento”, diz sua filha Maria.

Casualmente ela encontrou na igreja um casal italiano com quatro filhos, que parecia ser muito feliz. “Por que não hei de fazer o mesmo?”, pensou. Isso a reconciliou com o pensamento da maternidade.

A partir de então os filhos começaram a chegar, um após outro. E o casal os recebia com alegria, como um dom de Deus. Não lhes importava ficar ricos, mas sim amar os filhos que Deus lhes dava. Desse modo, o que não podiam dar financeiramente aos filhos, eles compensavam com o carinho e a disponibilidade.

Mais tarde Frank se emocionava quando via à mesa seus numerosos filhos, e agradecia a Deus por tê-los dado.

Frank, com seu bom temperamento, era a alma da ruidosa família. Em tudo os filhos recorriam ao pai, que os ajudava nas tarefas escolares ou nos jogos, e os encorajava a se esforçarem muito no estudo. “Se vocês tirarem nota baixa por não se terem esforçado, eu ficarei muito bravo”, dizia-lhes.

De seu lado, Joana era uma mãe amorosa, que tratava os filhos com muita delicadeza. Muito ativa, ela os levava e buscava na escola, assistia-os nos estudos e nos jogos, e, sobretudo, instilava neles uma profunda piedade.

O zelo apostólico de Frank levava-o a se interessar também pelos jovens da paróquia. A cada três anos, conduzia um grupo deles para fazer missões no ultramar.

Certa vez comentavam o gosto que ele teria salvando muitos das chamas nos incêndios. Com espírito sobrenatural, ele respondeu que antes “era mais satisfatório salvar uma alma das chamas eternas”.

Nas horas vagas em sua corporação, Frank lia a Sagrada Escritura. A quem lhe dizia que, em vez disso, deveria empregar seu tempo estudando para ser promovido a tenente, ele respondia: “Você nunca irá ao Céu só lendo a apostilha para ser tenente”.

Frank poderia aposentar-se em 1999. Não o fez, mas começou a fazer trabalhos extras, julgando que necessitava de mais alguns anos para ter seu próprio negócio. A esposa terminara seu mestrado, e esperava poder lecionar de novo para ajudar nas despesas.

A PRIMEIRA TRAGÉDIA: O 11 DE SETEMBRO

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Foi então que, em setembro de 2001, sobreveio a tragédia. Frank e mais seis colegas foram esmagados pelas ruínas em chamas do prédio das Torres Gêmeas, no qual trabalhavam.

O trágico acontecimento provocou uma como que devastação não só na família, privada de seu mais firme suporte, mas em toda a paróquia que Frank frequentava e em muitos de seus amigos.

Sozinha, às voltas com dez filhos — o mais velho dos quais tinha apenas 15 anos e o mais novo seis meses —, Joana, com sua fé em Deus, enfrentou com coragem a nova situação.

Naturalmente, o choque dos filhos foi tremendo. Eles se perguntavam: “Como pôde Deus permitir isso? Como pôde Deus deixar-nos sem um pai?” A mãe procurava explicar-lhes que os desígnios de Deus são insondáveis, mas que, permitindo essa desgraça, Ele não os desamparava; pelo contrário, continuava a assisti-los.

O temor de Joana era de que o Estado pusesse em dúvida sua capacidade de criar tantos filhos sem o marido, e que, portanto, os separassem dela. Felizmente isso não ocorreu. Mulher enérgica, ela queria a todo custo manter unida a família, baseada no que o esposo sempre lhe dizia: “Deus proverá”.

Do ponto de vista financeiro, eles contavam com a pensão do pai, mais uma compensação extra por sua morte em serviço, além de doações de parentes e amigos.

TODOS AJUDAM A FAMÍLIA ENLUTADA

E as ajudas vinham de todos os lados, a começar pelos bombeiros da unidade de Frank. Eles já se tinham familiarizado com os meninos quando o pai os levava para a corporação, e começaram a ajudar de vários modos, executando pequenos reparos e outros serviços na casa, dando-lhes carona nos seus carros de serviço, e jogando com eles em frente da casa.

Além disso, estranhos começaram a lhes dar alguma ajuda, em espécie ou em dinheiro. Por exemplo, Jim Fassel, técnico do famoso clube de futebol americano New York Giants, ficou tão comovido com a notícia de que um bombeiro tinha morrido deixando 10 filhos, que procurou ajudá-los como pôde. Concedia-lhes ingresso grátis para os treinos e jogos do seu clube, e até os convidava para entrar no campo com seus jogadores nos dias de jogo. Um pequeno episódio ocorreu num desses dias, durante a execução do hino nacional. Um dos filhos de Frank, o adolescente Tom, ouvia um tanto displicentemente o hino. Então um dos mais conhecidos jogadores do clube, Michael Strahan, deu-lhe um tapinha na cabeça dizendo: “Ponha as mãos juntas”.

A SEGUNDA TRAGÉDIA: A MORTE DA MÃE

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A vida para eles seguia com relativa normalidade quando, em 2008, Joana foi diagnosticada com câncer no cólon. Cirurgias, quimioterapias, tratamentos diversos se seguiram enquanto ela lutava desesperadamente pela vida.

Mas sentia que era preciso preparar os filhos para o pior. Quando sentiu que o fim se aproximava, recomendou-lhes que permanecessem sempre unidos e que não se preocupassem com os irmãos mais novos, “porque agora eles teriam uma Mãe melhor. Amem a vida, e façam o melhor que possam”.

No dia 8 de agosto de 2013, rodeada pelos filhos, irmãos, e por muitos de sua paróquia, Joana entregou sua alma a Deus, enquanto os presentes cantavam o Credo. O primogênito tinha 27 anos e o caçula, 12.

A VIDA SEM OS PAIS
Já vimos num artigo anterior que a união existente entre os membros das famílias numerosas é muito maior. Isso se deu com os Palombo: seguindo o desejo da mãe, todos os irmãos resolveram permanecer juntos em sua casa de Nova Jersey, para se ajudarem mutuamente.

Antonio, o mais velho, está agora no seminário para ser sacerdote. Frank Jr., o segundo, é o único casado e já tem três filhos. Joe, o terceiro, é o contador que controla o orçamento da família. Maria, a quarta, é enfermeira especializada em oncologia. Tornou-se a “mãe” e a dona da casa. O quinto filho, Tom, seguiu a profissão do pai. João, o sexto, foi admitido na academia dos bombeiros. Patrick, o “chefe” da casa, está trabalhando como cozinheiro num restaurante italiano. Daniel, o seguinte, está no colégio, e a última, Margarete, está no ginásio.

Joe afirma: “Tendo esse vínculo [de união entre si] apesar da diferença de cada um e da diferença de personalidades, eu penso que isso nos mantem unidos”. E Patrick acrescenta: “Nossos pais instilaram em nós a importância de estarmos juntos, comermos juntos, e rezarmos juntos”.

Como o domingo é o dia em que todos estão em casa, os 10 se reúnem para fazer a oração da manhã em conjunto, como os pais lhes ensinara.(2)

As considerações sobre essa família tão religiosa e tão unida diante de tanto sofrimento nos mostram a importância da Religião Católica e do afeto na formação dos filhos. E como Deus socorre e abençoa os que são d’Ele, mesmo em meio às piores tragédias.

Plinio Maria Solimeo
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[1] http://edition.cnn.com/2016/09/06/us/palombo-10-siblings-from-9-11/index.html. É nessa fonte que baseamos o presente artigo.

[1] Ver também: http://www.religionenlibertad.com/padre-murio-11s-madre-cancer–51947.htm
https://www.aciprensa.com/noticias/quedaron-huerfanos-tras-atentado-del-11s-y-dios-bendijo-a-estos-10-hermanos-por-su-fe-63424/

Postado por Paulo Roberto Campos

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Os Bispos Católicos de Alberta e os Territórios do Norte no Canadá publicaram novas orientações para a pastoral dos matrimônios nos quais estabelecem o acompanhamento que deve prestar-se aos casais que se encontrem em uma segunda união sem ter estabelecido formalmente a nulidade de um primeiro matrimônio. No documento, os prelados recordam a necessidade de acudir aos tribunais para estabelecer se a primeira união é inválida e explicaram que certas expectativas de mudança da disciplina da Igreja não são corretas.

Os seis Bispos que assinam as orientações propõem um “acompanhamento pastoral autêntico e efetivo” no qual se acolhe “com generosidade e amor” aos casais e se recomenda uma comunicação calorosa de abertura e disposição. A norma recorda aos sacerdotes que os casais devem dirigir-se ao Tribunal Interdiocesano de Matrimônios para avaliar as condições de seus casos e convidar ao exame de consciência. “Oramos para que estes irmãos e irmãs nossos abram seus corações ao amor misericordioso do Pai, revelado em Cristo, e encontrem cura e reconciliação dentro da Igreja”, afirma o documento.”Poderia acontecer que, através dos meios, os amigos ou a família, os casais tenham sido conduzidos a entender que houve uma mudança na prática da Igreja tal, que agora a recepção da Santa Comunhão na Missa por pessoas que estão divorciadas e voltaram a casar civilmente é possível se eles simplesmente tiverem uma conversa com um sacerdote”, advertiram os Bispos. “Esta percepção é errada”.

Os Bispos recordaram que a recepção da Comunhão na Eucaristia é uma expressão visível da participação na Nova Aliança de Jesus Cristo. “Portanto, qualquer ruptura séria desta união, como o adultério, deve ser sanada antes da recepção da Santa Comunhão”, e recordaram o dever dos crentes de confessar todos os pecados graves antes de comungar. Os prelados destacaram “a beleza e a dignidade do matrimônio e a vida familiar” e o chamado do Papa Francisco de expressar a misericórdia e o amor às famílias que encontram dificuldades. 

Fonte: Gaudium Press

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Reflexão sobre a Amoris Laetitia do Prof. Mons. Ángel Rodríguez Luño, decano da faculdade de teologia da Pontifícia Universidade da Santa Cruz, em Roma

A Exortação Apostólica Amoris laetitia oferece as bases para dar um novo e muito necessário impulso à pastoral familiar em todos os seus aspectos. O capítulo VIII se re­fere às delicadas situações em que a debilidade hu­mana mais se evidencia. A linha proposta pelo Papa Francisco pode resumir-se com as palavras que compõem o título do capítulo: “Acompanhar, discernir e integrar a fragilidade”. Somos convidados a evitar os julgamentos sumários e as atitudes de rechaço e exclusão, e a assumir, em vez disso, a tarefa de discernir as diferentes situações, empreendendo com os interessados um diálogo sincero e cheio de misericórdia. “Trata-se de um itinerário de acompanhamento e discernimento que ‘orienta estes fiéis na tomada de consciência da sua situação diante de Deus. O diálogo com o sacerdote, no foro interno, concorre para a formação dum juízo correto sobre aquilo que dificulta a possibilidade duma participação mais plena na vida da Igreja e sobre os passos que a podem favorecer e fazer crescer. Uma vez que na própria lei não há gradualidade (cfr. Fa­miliaris consor­tio, 34), este discernimento não poderá jamais prescindir das exigências evangélicas de verdade e caridade propostas pela Igreja. ‘”[1]. Parece útil recordar alguns pontos que convém ter em conta para que o processo de discernimento seja conforme o ensinamento da Igreja[2], o que o Santo Padre pressupõe e de modo algum desejou alterar.

Pelo que concerne aos sacramentos da Penitência e da Eucaristia, a Igreja ensinou sempre e em todo lugar que “quem tem consciência de estar em peca­do grave deve receber o sacramento da Reconciliação antes de comungar”[3]. A estrutura fundamental do sacramento da Reconciliação “compreende dois elementos igualmente essenciais: de um lado, os atos do homem que se converte sob a ação do Espírito Santo, a saber, a contrição, a confissão e a satisfação; de outro lado, a ação de Deus por intermédio da Igreja.”[4]. Se faltasse completamente a contrição perfeita ou imperfeita (atrição), que inclui o propósito de mudar de vida e evitar o pecado, os pecados não poderiam ser perdoados, e não obstante fosse dada a absolvição, esta seria inválida[5].

O processo de discernimento deve ser coerente também com a doutrina católica sobre a indissolubilidade do matrimônio, cujo valor e atualidade o Papa Fran­cisco enfatiza fortemente. A ideia de que as relações sexuais no contexto de uma segun­da união civil são lícitas implica que essa segunda união fosse considerada um verdadeiro matrimônio, e nesse caso se entraria em contradição objetiva com a doutrina sobre a indissolubilidade, segundo a qual o matrimônio válido e consumado não pode ser dissolvido, nem sequer pelo poder vicarial do Romano Pontífice[6]; se, em vez disso, se reconhecesse que a segunda união não é verdadeiro matrimônio, porque o verdadeiro matrimônio é e continua sendo somente o primeiro, então se aceitaria um estado e uma condição de vida que “contradizem objetivamente aquela união de amor entre Cristo e a Igreja, significada e atuada na Eucaristia”[7]. Se, ademais, a vida more uxorio na segunda união fosse considerada moral­mente aceitável, se negaria o princípio fundamental da moral cristã, segundo o qual as relações sexuais são lícitas somente dentro do matrimônio legítimo. Por essa razão, a Carta da Congregação para a Doutrina da Fé de 14 de setembro de 1994 dizia: “O fiel que convive habitualmente more uxorio com uma pessoa que não é a legítima esposa ou o legítimo marido, não pode receber a comunhão eucarística. Caso aquele o considerasse possível, os pastores e os confessores – dada a gravidade da matéria e as exigências do bem espiritual da pessoa e do bem comum da Igreja – têm o grave dever de adverti-lo que tal juízo de consciência está em evidente contraste com a doutrina da Igreja”[8].

O Papa Francisco recorda justamente que podem existir ações gravemente imorais sob o ponto de vista objetivo que, no plano subjetivo e formal, não sejam imputáveis ou não o sejam plenamente, devido à ignorância, ao medo ou a outros ate­nuantes que a Igreja sempre levou em conta.  À luz desta possibilidade, não se poderia afirmar que quem vive em uma situação matrimonial assim chamada “irregu­lar” objetivamente grave esteja necessariamente em estado de pecado mortal[9]. A questão é delicada e difícil, porque sempre se reconheceu que “de internis neque Ecclesia iudicat”, sobre o esta­do mais íntimo da consciência nem sequer a Igreja pode julgar. Por isso, a Declaração do Conselho Pontifício para os Textos Legislativos acerca do cânon 915, citada pelo Papa Francisco[10], na qual se dizia que a proibição de receber a Eucaristia compreende também os fiéis divorciados que voltaram a casar, foi muito cuidadosa em preci­sar o que deve entender-se por pecado grave no contexto desse cânon. O texto da Declaração diz: “A fórmula ‘e outros que obstinadamente perseverem em pecado grave manifesto’ é clara e deve ser compreendida de modo a não deformar o seu sentido, tornando a norma inaplicável. As três condições requeridas são: a) o pecado grave, entendido objetivamente, porque da imputabilidade subjetiva o ministro da Comunhão não poderia julgar; b) a perseverança obstinada, que significa a existência de uma situação objetiva de pecado que perdura no tempo e à qual a vontade do fiel não põe termo, não sendo necessários outros requisitos (atitude de desacato, admonição prévia, etc.) para que se verifique a situação na sua fundamental gravidade eclesial; c) o carácter manifesto da situação de pecado grave habitual.”[11].

A mesma Declaração esclarece que não se encontram nessa situação de pecado grave habitual os fiéis divorciados que voltaram a casar que, não podendo interromper a convivência por causas graves, se abstêm dos atos próprios dos cônjuges, permanecendo a obrigação de evitar o escândalo, posto que o fato de não viverem more uxorio é oculto[12]. Fora esse caso, em atenção pastoral a esses fiéis, será preciso considerar também que parece muito difícil que aqueles que vivem em uma segunda união tenham a certeza moral subjetiva do estado de graça, pois somente mediante a interpretação de sinais objetivos esse estado poderia ser conhecido pela própria consciência e pela do confessor. Ademais, seria preciso dis­tinguir entre uma verdadeira certeza moral subjetiva e um erro de consciência que o confessor tem a obrigação de corrigir, como se disse antes, já que na administração do sacramento o confessor é não somente pai e médico, mas também mestre e juiz, tarefas todas essas que certamente há de cumprir com a máxima misericórdia e delicadeza, e bus­cando antes de tudo o bem espiritual de quem busca a confissão.

Os aspectos doutrinais mencionados, que pertencem ao ensinamento multissecular de a Igreja, e muitos deles ao Magistério ordinário e universal, não devem im­pedir os sacerdotes de empenhar-se com espírito aberto e coração grande em um diálogo cordial de discernimento. Como escreveu o Papa Francisco, trata-se de “evitar o grave risco de mensagens equivocadas, como a ideia de que algum sacerdote pode conceder rapidamente ‘exceções’, ou de que há pessoas que podem obter privilégios sacramentais em troca de favores. Quando uma pessoa responsável e discreta, que não pretende colocar os seus desejos acima do bem comum da Igreja, se encontra com um pastor que sabe reconhecer a seriedade da questão que tem entre mãos, evita-se o risco de que um certo discernimento leve a pensar que a Igreja sustente uma moral dupla”[13]. Pelo contrário, sabendo que a variedade das circunstâncias particu­lares é muito grande, como muito grande é também sua complexidade, os princípios doutrinais antes mencionados deveriam ajudar a discernir o modo de ajudar às pesso­as interessadas em empreender um caminho de conversão que lhes conduza a uma maior integração na vida da Igreja e, quando seja possível, a recepção dos sacra­mentos da Penitência e da Eucaristia.

Mons. Angel Rodríguez Luño, Professor ordinário de teologia moral fondamental naPontificia Università della Santa Croce, em Roma.

Trad.: Viviane da Silva Varela.

[1] Francisco, Exortação Apostólica Pós-sinoidal Amoris laetitia, 19-III-2016, n. 300. A nota interna é do n. 86 da Relação final do Sínodo de 2015.

[2]  O Santo Padre assim o disse explicitamente em Amoris laetitia, n. 300.

[3]  Catecismo da Igreja Católica, n. 1385.

[4] Catecismo da Igreja Católica, n. 1448.

[5] Cfr. Catecismo da Igreja Católica, nn. 1451-1453; Concilio de Trento, Sess. XIV,Doutrina do sacramento da penitência, cap. 4 (Dz-Hü 1676-1678).

[6]  São João Paulo II, em seu discurso à Rota Romana, de 21-I-2000, n. 8, declarou que essa doutrina é definitiva.

[7]   São João Paulo II, Exortação Apostólica Familiaris consortio, 22-XI-1981, n. 84.

[8] Congregação para a Doctrina da Fé, Carta aos bispos da Igreja Católica acerca da recepção da Co­munhão eucarística por parte dos fiéis divorciados que voltaram a se casar, 14-IX-1994, n. 6.

[9] Cfr. Francisco, Amoris laetitia, n. 301.

[10] Cfr. Ibid., n. 302.

[11] Conselho Pontifício para os Textos Legislativos, Declaração acerca da admissibilidade à Sagrada Comunhão dos divorciados que voltaram a se casar, 24-VI-2000, n. 2.

[12] Cfr. ibidem. Não é demais ter em conta que não se pode exigir que os fiéis que vivem em uma se­gunda união civil garantam absolutamente que nunca mais terão relações. Basta que tenham o sin­cero e firme propósito de absterem-se. Às vezes somente um dos cônjuges pode ter esse propósito. Nesse caso, segundo as circunstâncias e a idade, pode ser suficiente para que possa receber os sacramentos, tratando sempre de evitar o escândalo.

[13]  Francisco, Amoris laetitia, n. 300.

Fonte: https://pt.zenit.org/articles/orientacoes-doutrinais-para-um-discernimento-pastoral/

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A verdade é que grande parte das pessoas inicia uma família com uma mochila cheia de falsas esperanças, crenças irracionais, mitos e falácias que não correspondem à realidade

Vivemos um tempo em que a preparação acadêmica e para o mercado de trabalho caminha a passos largos, enquanto a orientação sobre relacionamentos, a organização do lar e a criação dos filhos ficam sem maiores explicações. O fato é que grande parte das pessoas inicia uma família com uma mochila cheia de falsas esperanças, crenças irracionais, mitos e falácias que não correspondem à realidade. De acordo com um artigo publicado no portal La Familia, se os casais recebessem orientação adequada, as taxas de divórcio e, consequentemente, o sofrimento humano que ele traz para o casal e os filhos seriam consideravelmente reduzidos.

Abaixo estão algumas verdades que ninguém conta sobre a vida de um casal, um pequeno manual que pode ajudar a entender o que é normal e até necessário para um relacionamento durar:

1. Amor e convivência se aprendem

Ninguém nasce sabendo. Precisamos aprender a pensar em fazer o outro feliz em vez de medir o que o outro faz para você, para renovar a ilusão, para se comunicar, sem ferir seus sentimentos, para discutir, negociar, para gerir as nossas emoções de forma construtiva. Apesar de ser extremamente importante, não aprendemos sobre isso. Pelo contrário, recebemos informação da televisão e da mídia com uma boa dose de sexo sem compromisso, infidelidade e todos os tipos de mitos e falácias sobre o que é amor autêntico e generoso.

2. Não confunda amor verdadeiro com a paixão e a insanidade temporária inicial. “Estar apaixonado é uma fase da relação e não dura para sempre.”

Esses incêndios podem durar entre dois e quatro anos. As pessoas que apenas querem viver esse tipo de relacionamento são forçadas a mudar constantemente de parceiros, experimentando a dor e a solidão em cada ruptura até que um novo parceiro reapareça no horizonte.

3. O amor cresce com tempo e esforço

Aprenda a construir e manter um amor. Nós compartilhamos a ideia errada de que, se as coisas correrem bem, é porque estamos apaixonados e, se temos dificuldades, significa que não estamos. Outro equívoco é que o amor é mensurável e você sempre tem que ter a medida máxima para que ele dure. A realidade é que o verdadeiro amor cresce com tempo e esforço. Seu relacionamento é como um jardim que precisa de atenção e cuidado e, se você fertilizá-lo, regá-lo e arrancar as ervas daninhas, ele vai florescer ao longo da vida. Quando você parar de cultivar seu relacionamento, ele começará a murchar.

4. Não espere que seu parceiro atenda a todas as suas necessidades

A única pessoa que pode fazer você feliz e encher a sua vida é você mesmo. Não finja que o outro faz isso por você. E somente se você for capaz de atender às suas necessidades e viver uma vida plena, você será capaz de fazer a outra pessoa feliz.

5. Não é a todo momento que você vai se sentir atraída por seu parceiro

Embora saibamos que a falta de atração no casamento possa aparecer em um momento ou outro, não significa que tudo acabou. A mídia constantemente nos bombardeia com mitos e falácias sobre o que é amor, e a maioria das pessoas não tem outra fonte de informação. Uma das falácias mais comuns que nos dão é que, se você não se sente tremendamente atraído pelo seu parceiro, isso significa que você está com a pessoa errada. Viver juntos nos faz ver o nosso parceiro em muitas situações diferentes.

6. Os períodos de indiferença são parte do verdadeiro amor

Um mito muito comum é pensar: “Nos conhecemos, nos apaixonamos e por isso vamos viver felizes para sempre”. Esse modelo esconde de nós uma parte essencial: desgosto. E, se você não experimentar esses momentos em uma fase de paixão, isso não significa que tudo está acabado. Isso significa que você pode dedicar tempo e energia para melhorar seu relacionamento: interesses comuns, fazendo coisas que vocês gostan juntos. Mesmo se você não tiver uma paixão, não significa que seu relacionamento está morto ou condenado. Algumas pessoas experimentam com mais frequência do que outros, e não há absolutamente nenhuma correlação entre experimentar uma fase de paixão com o sucesso de um relacionamento.

7. Tenha em mente que você vai passar por uma crise, mas ela pode ajudar a crescer e a fortalecer vocês como um casal

Sabendo que esta é a melhor maneira de se preparar para isso, você não levanta a guarda. Faz parte da vida. Não pense que tudo acabou, é hora de testar o amor e os pontos fortes.

8. Não espere sentir. Primeiro vem o comportamento e, em seguida, a emoção

O que não é usado é perdido, mas não espere sentir afeto ou desejo para se envolver em relacionamentos íntimos com seu parceiro ou para expressar seu amor. Comece a praticar ambos, e seu amor e saudade pelo outro se multiplicarão. Há momentos em que o estresse do trabalho e da vida cotidiana, o cuidado com as crianças ou sofrimento emocional decorrentes da educação de adolescentes afogam ambos os sentimentos. Mas não deixe morrer, procure tempo para estarem juntos e maneiras de reviver bons momentos.

9. O sexo é um ato sagrado de dar e receber

A falta de educação sexual adequada e emocional é outra falta do nosso currículo. Aprendemos com a mídia, os pares e, agora, cada vez mais, com a pornografia, que o sexo é algo usado para a autossatisfação, a aprovação ou a segurança. Sexualidade saudável não é nada disso. O sexo é uma expressão de amor, um ato de conexão, onde é praticada a arte e a habilidade de dar e receber.

10. O casamento é projetado para ajudá-lo a crescer

O casamento não é “felizes para sempre”, o lugar de descanso, de felicidade eterna. O casamento é uma das maneiras mais desafiadoras e gratificantes que podemos realizar como seres humanos. É a oportunidade diária para desenvolver a melhor versão de nós mesmos, o amor, a generosidade, senso de humor, inteligência emocional, compaixão, perdão e muitas outras virtudes com as quais nascemos. Infelizmente não nos ensinam, mas a grande notícia é que podemos aprender! É a melhor maneira de viver.

11. Os modelos que tivemos influenciam em nossa maneira de nos relacionar com o outro

Se você teve a sorte de crescer em um casamento saudável, é muito mais provável que naturalmente tenha aprendido os princípios e ações necessários para um casamento bem sucedido. Mas, se você testemunhou um casamento caracterizado pela crítica, disputas, raiva, ressentimento ou maus tratos físicos e verbais, você terá que lutar para deixar para trás esse modelo. Não é uma tarefa fácil, mas apenas porque requer esforço não significa que você esteja com a pessoa errada.

12. Vida com crianças pequenas é muito cansativa e estressante

Ter filhos é uma das coisas mais maravilhosas que você pode fazer. É um investimento para o futuro. Mas você tem que saber que é uma fonte de estresse e discórdia, mesmo no melhor dos casamentos. É importante encontrar tempo para cuidar do relacionamento do casal. Pertencer a um grupo de apoio a casais ou frequentar uma escola para pais pode ser maravilhoso para aprender como os outros estão enfrentando os mesmos problemas e ver que não estão sozinhos nisso.

Fonte original do post via ” Sempre família”

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No início deste ano, a cantora Céline Dion perdeu o seu marido, René Angélil. Ele morreu depois de lutar por três anos contra um severo câncer de garganta. Alguns dias depois, faleceu o irmão da cantora, Daniel Dion, aos 59 anos. Uma semana depois, uma multidão encheu a basílica de Notre-Dame, em Montreal, no Canadá, para a despedida dos familiares de Céline, presidida pelo arcebispo Christian Lépine.

Meses depois das tristes perdas, a cantora concedeu uma entrevista à QuebecTVA. A apresentadora, Marie Claude Barrete, lhe perguntou sobre como viveu aqueles momentos tão intensos do funeral, justamente na mesma igreja onde se casou. Céline aproveitou para manifestar quais são os seus valores. “Os funerais foram minha grande força, porque naquela basílica me comprometi para sempre com meu marido, para a vida e para a morte”, respondeu.

Segundo ela, o casamento “não é apenas os presentes, as viagens e as festas, mas também pensar em quem vai empurrar a cadeira de rodas ou saber o que fazer com um familiar que fica deficiente”. “Esse funeral foi a continuação do nosso matrimônio e serviu para demonstrar aos nossos filhos que seu pai continua a estar com eles”, afirmou a cantora, famosa por interpretar a música-tema do filme Titanic.

Segundo o site espanhol Alfa y Omega, Céline passou sete horas em pé, sem descansar, recebendo os pêsames das centenas de admiradores que vieram à despedida de Angélil. A cantora não tinha previsto ficar muito tempo, mas, segundo explica, “vendo René senti que me dizia: ‘Por que você vai cumprimentar os duzentos primeiros e não os cem seguintes?’ Então, decidi aceitar em seu nome as orações, desejos e a força de todas essas pessoas”.

Céline Dion sempre foi muito discreta com a sua espiritualidade, sem confirmar nem desmentir, por exemplo, se vai à missa aos domingos, mas seus valores não deixam lugar para dúvidas – como prova a sua fé no matrimônio e na sua estabilidade. A inspiração da cantora para esse modelo de vida e de família sempre foi a sua mãe Thérèse, que afirmou no programa La Victoire de l’Amourque não se sentia contrariada com Deus pela perda do filho e do genro.

 Céline Dion quase foi abortada

A cantora contou diversas vezes que deve a sua vida a um padre católico que convenceu a sua mãe a não abortar. Thérèse se sentiu arrasada quando descobriu que esperava o décimo-quarto filho e decidiu recorrer a um centro de abortos para se desfazer do bebê.

Porém, o padre que acompanhava a família disse à mãe de Céline que ela não podia acabar com uma vida que não lhe pertencia. “O sacerdote disse à minha mãe que ela não tinha o direito de ir contra a natureza”, contou certa vez a cantora, “razão pela qual tenho que admitir que devo a vida àquele sacerdote, em certo sentido”.

Aleteia

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Questão: Grande parte das críticas que se levantam contra a moral sexual resume-se a afirmação de que ela possui caráter meramente religioso. Portanto, continuam as repreensões, não é justo nem necessário que os descrentes sigam essas orientações. Para estes críticos, o ato sexual, mesmo fora do matrimônio, não obedece a qualquer norma ou fim, a não ser a satisfação imediata do apetite sexual. A prole, na medida em que não se encontra neste nível imediato e até pode impedir sua execução, é muito especialmente negada como fim deste ato. Para eles, os filhos não são fruto natural de uma relação sexual. O objetivo dessa reflexão é mostrar que não se pode agir como se o ato conjugal não tivesse um fim em si mesmo, independente da vontade dos cônjuges. Para isso, a reflexão apresentará dois momentos: uma abordagem teológica e outra filosófica.

Abordagem Teológica

É muito comum se dizer que o ato conjugal não precisa visar de modo algum a prole, mas que o fim do ato conjugal é tão simplesmente o bem dos esposos. Com isso se quer dizer que o único e razoável fim para o ato sexual entre esposos é o gozo deste mesmo ato, que sacia temporariamente o apetite sexual. É com este espírito que se diz ordinariamente aos recém-casados: “vocês têm de aproveitar o casamento um pouco, viajar, curtir um ao outro…”,como se os filhos fossem empecilho natural a união dos esposos. Os cristãos, porém, não deviam ter esse problema de compreensão, pois para os que tem fé, especialmente de origem judaica, a prole é já um modo parcial de  realização das promessas feitas ao Pai dos crentes, Abraão: descendência mais numerosa que as estrelas do céu (cf. Gn 22,17). Além disso, as santas mulheres do Antigo Testamento sofriam por não terem filhos: “Faze-me ter filhos também, ou eu morro“, disse Raquel a seu marido Jacó (Gn 30,1), demonstrando indiretamente o gozo e a realização que é para a casal de Deus ser co-criador do gênero humano. E finalmente, a fecundidade matrimonial precisa ser vista como um dom para o homem desde o princípio: “Crescei e multiplicai-vos” (Gn 1,26). Por detrás da insegurança dos casais de fé com relação a sua prole está, certamente, a falta de confiança na Palavra de Deus. Os que dizem ser cristãos, mas não reconhecem o Senhorio de Deus nesta parte de sua vida, precisam admitir que não há mais fé verdadeira no domínio de Deus sobre toda a natureza. São cristãos incompletos, portanto. Aos católicos, que não têm apenas a Palavra de Deus Escrita, mas também a Palavra de Deus Pregada como fundamento da sua fé – além do Magistério – é ainda mais clara a questão. Diversas vezes o Magistério Ordinário definiu que o ato conjugal deve estar sempre aberto à transmissão da vida (cf. CIC §2366), além de prever o bem dos esposos. Só por razões graves o ato sexual deve separar a união do casal da abertura à vida. Com efeito, o fim dos apetites humanos é a satisfação de uma potência. Ora, um dos fins naturais do ato conjugal é a prole. Logo, os cristãos católicos, seja por causa da Fé na Palavra de Deus, seja pela obediência refletida no Magistério Ordinário, não podem tentar separar esses fins, a não ser por motivo grave.

Mas e os que não têm fé? Eles podem usar do ato conjugal introduzindo artifícios para, sem razões graves, espaçar ou impossibilitar gravidezes? É o que veremos.

Abordagem Filosófica

Os que não têm o dado religioso para guiar suas ações levantam objeções a todo tipo de normatização no campo da sexualidade. Dizem que não veem sentido na imposição de regras em um aspecto tão íntimo da vida humana. Afirmam que se a prática sexual possui algum tipo de prazer anexo, não há evidentemente nada de mal em usufruir deste prazer. Se o ato sexual traz alguma satisfação, não há razão de se pôr limites a ela. No entanto, apesar destas premissas bem convincentes, esses mesmos defensores do prazer sexual sem finalidade acham muito constrangedor – e muitas vezes ofensivo – se alguém busca incessantemente a satisfação gustativa, mesmo que para isso tenha que expelir o alimento recém ingerido. O guloso gera no espectador um certo horror. Gula não tem nada a ver com o cafezinho depois do almoço ou o pudim depois da macarronada, mas é aquela ânsia de ingerir alimentos por causa do prazer derivado da ingestão ou do paladar. Em grau profundo, a gula torna-se patologia, fazendo com que o guloso, ato contínuo ao alimentar-se, vomite a refeição para que o alimento não cause o efeito necessário, a nutrição. Neste sentido, poucas coisas são mais deprimentes e reveladoras da condição humana que o vomitório romano, pois demonstram como o homem pode desviar-se da natureza nas suas ações mais cotidianas. Com efeito, nosso tempo reconhece a bulimia como grave doença que abate jovens e adultos em algo tão simples como a alimentação. E o que é a bulimia senão a ação de desfrutar do prazer gustativo sem “sofrer” as consequências da alimentação, a saber: a nutrição? Os bulímicos, para manterem sua autoimagem, pretendem usufruir do prazer anexo ao apetite nutritivo sem assumir a nutrição como fim do ato de nutrir-se. Obviamente, neste ato há uma deturpação da natureza, que há poucos escapa. É a gula no seu estado químico, que certamente já tornou-se patologia física e psiquiátrica.

Ora, se aos que não tem fé repugnam atitudes de esbanjamento, desperdício e bulimia, a eles também deveria repugnar o ato sexual que, deliberadamente e sem razões, impede o apetite reprodutivo de alcançar o fim remoto de sua ação: a prole. A gula e a bulimia, isto é, a prática de alimentar-se e depois, por meio de um intermédio (a pena de ganso ou um comprimido), impedir a consequente absorção dos alimentos ingeridos, causa tanta repugnância por razão da rejeição da natureza deste ato. Quem diria que é justificável desejar o bônus do prazer gustativo dos alimentos sem arcar com o ônus da absorção desses alimentos? O apetite sexual tem como fim intrínseco de sua ação a prole, assim como o fim da alimentação é a nutrição. Os prazeres anexos a estas ações são moralmente lícitas, contanto que não se interponha nada ao desenvolvimento da natureza. Afirmar que nada há demais em que o ato sexual evite sempre a prole é o mesmo que achar natural que toda refeição seja impedida de produzir nutrição, por meio de remédios ou de vômitos.

Outra crítica que se faz é que, na prática, os métodos naturais para espaçamento da prole equivalem aos artificiais, pois impedem a gestação, deixando a ato conjugal com apenas um dos horizontes de sua moralidade: a união dos esposos. No entanto, não é ilícito se um alimento, tomado para nutrir e cujo paladar é agradável, não é absorvido pelo corpo, sem o intermédio da ação humana. Nesse sentido, o uso de métodos contraceptivos naturais e artificiais não se equivalem, pois os primeiros não interferem no desenvolvimento natural do corpo, enquanto os segundos marcam a intervenção do homem a fim de tornar infecundo um ato naturalmente destinado a prole. Os atos conjugais praticados nos períodos inférteis, pelo contrário, não tornam esses atos infecundos. Eles o são naturalmente.

O uso dos métodos naturais são moralmente aceitáveis, portanto, caso se respeitem seus fins. A prole é um desses fins, para o casal cristão ou não.

Questão: A Ética e a Moral Teológica sustentam que o ato sexual, para ser legítimo, deve ser aberto à vida, isto é, não pode impedir ou tentar impedir voluntariamente que o fim do ato sexual, a concepção, aconteça. Por isso, toda ação que pretenda separar a possibilidade da transmissão da vida artificialmente repugna a reflexão filosófica e a moral teológica. No entanto, o uso dos ritmos inférteis das mulheres não repugna a moral, pois são ações que não introduzem intermediários para dificultar ou impedir a geração da vida. Mas existem os que acham os métodos naturais tão ilícitos quanto os artificiais. Dizem: se o ato sexual deve estar aberto à vida, usar os períodos inférteis para manter relações sexuais é igualmente anti-ético. Logo, os casais que usam os métodos naturais (tabelinha, temperatura, método da saliva ou Billings) são hipócritas, pois acusam os métodos artificiais mas fazem o mesmo com  os naturais. No entanto, não é bem assim.

Os que identificam o uso dos métodos naturais aos métodos artificiais pensam deste modo: não importam os meios se o fim é o mesmo. Não há erro mais crasso. Os meios são importantes, sim, para alcançar um fim justo. Ou alguém defende que conseguir manter sua família roubando e trabalhando é a mesma coisa? Ou que passar nas provas do colégio estudando ou colando equivalem?Pelo contrário, alguns meios – ainda que alcancem o fim desejado – são prejudiciais. Por exemplo, os que pretendem usufruir dos benefícios da alimentação, mas sem aceitar o fim desta ação, que é a nutrição e a absorção destes alimentos no organismo, podem facilmente cair em um erro moral, que pode transformar-se até em um problema médico. A bulimia é um caso em que se deseja o prazer gustativo sem aceitar também o fim da alimentação. É uma doença que indica um problema na relação do indivíduo com um bem naturalmente lícito: o alimento. No entanto, escolher alimentos que, apesar do prazer gustativo, impactam menos na dieta não tem nada de imoral, contanto que não se interponham instrumentos ou ações para, deliberadamente, impossibilitar a absorção dos alimentos, restando do ato próprio da alimentação apenas o prazer anexo ao alimentar-se.

Os métodos naturais de espaçamento de filhos são, portanto, moralmente lícitos, do mesmo modo que o cafezinho depois do jantar não é gula. E hoje, mais que ontem, o conhecimento e divulgação desses métodos é bastante útil. Pois estes métodos colocam freios ao apetite sexual, que pode tornar-se feroz e desordenado em nome da “obediência à lei do multiplicai-vos”. Não se diga que por detrás de uma família grande se esconde um coração generoso e de uma família pequena, corações pequenos. Assim como não se pode dizer que de corpos esbeltos deduz-se ascética e de gordinhos, gula. Em famílias grandes também pode haver apetites sexuais irrefletidos, que redundam em prole numerosa – graças a Deus -; e em famílias pequenas podem esconder-se suores e lágrimas, por causa do dever de educar, também anexo à vocação matrimonial. Ora, quanto ao prazer sexual – que é semelhante ao prazer gustativo, na medida em que orienta a ação respectiva para um fim que transcende a própria ação –também é lícito desfrutar do prazer anexo ao ato sexual, desde que sejam usados os ciclos naturais do homem e da mulher para ordenar o legítimo uso desse apetite humano. Deve-se notar, porém, que entre o início da instalação do vício da gula e o a gula instalada, há um espaço onde não se sabe exatamente o que é vício e o que ainda é lícito. O mesmo ocorre com o ato sexual: há uma busca do prazer sexual que é lícita aos casados, mas que, no entanto, pode dar lugar ao vício da luxúria, que é a desordem do apetite sexual e caracteriza-se pela satisfação do apetite sexual com a concomitante rejeição do fim mesmo desse apetite, que é a prole. Há de se cuidar para que não se caia na armadilha da moral laxa e para isso, importa não raro o olhar de fora, de um conselheiro, para que não se passe por prudência ou cuidado o que é simplesmente calculismo e egoísmo frios.

Robson Oliveira
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Por ocasião da recente publicação da Exortação Apostólica Pós-Sinodal Amoris Laetitia, a alegria do amor, na Rádio Vaticano, conversamos com o padre Miguel Yáñez SJ (foto), diretor do departamento de Teologia Moral da Universidade Gregoriana de Roma. Ele afirma que o documento papal se baseia no critério da abertura e conta com uma visão positiva da sexualidade.

 

Que aspectos gostaria de destacar da Amoris Laetitia, a alegria do amor?

Em primeiro lugar, realista: há uma visão realista e concreta da família, da realidade familiar tal como se apresenta hoje em dia, com o desejo de acompanhá-la e de curá-la. Em segundo lugar, pastoral: é um documento que procura abrir vias pastorais para melhor acompanhar as famílias de hoje em dia. Em terceiro lugar, procura iniciar processos… Não procuramos tanto encontrar receitas, que são pontuais, mas processos que possam melhor integrar aqueles que estão distanciados ou em situações de não total integração.

A linguagem que utiliza é admirável. Poderíamos dizer que é fruto da escuta do povo de Deus e que entrega ao povo de Deus um texto muito rico do ponto de vista antropológico, espiritual, teológico e pastoral, em uma linguagem que as pessoas podem compreender… Possui uma visão positiva da sexualidade e do amor conjugal, inclusive daquelas situações que não são perfeitas, onde aplica a questão das sementes do verbo, dizendo que mesmo ali podemos ver aspectos positivos, valores.

Conecta-se com a eclesiologia da Evangelii Gaudium, especialmente com a de uma Igreja sinodal. Portanto, é fruto maduro de um caminho sinodal, composto por dois sínodos, como todos sabemos, o extraordinário e o ordinário, que o Papa reúne e relança através destas Exortação apostólica pós-sinodal.

Como a Amoris Laetitia se coloca dentro do Magistério do Papa Francisco?

Vemos uma coerência admirável, pois há uma série de aspectos que a Amoris Laetitia reúne e aprofunda. O primeiro aspecto é a eclesiologia: uma Igreja em saída, que vai ao encontro dos homens e mulheres de hoje, concretos, com um grande sentido de realismo… O Papa Francisco diz claramente que não queremos tratar de uma família ideal, que se presta a uma ideologia, mas de uma família real, e o conceito que utiliza predominantemente para falar da família é o de uma família ferida e isto se conecta perfeitamente com a Igreja hospital de campanha, que precisa justamente ir ao encontro dos feridos, após uma batalha… Aqui, não se trata de julgar as pessoas de acordo com o cumprimento das normas da Igreja, mas, ao contrário, de ajudá-las, pois por trás de cada situação há um drama humano.

Que semelhanças encontra com a Familiaris Consortio?

Familiaris Consortio reúne a teologia de João Paulo II do corpo humano sobre o matrimônio também da Humanae Vitae. Francisco reúne toda esta herança do magistério conciliar e pós-conciliar com a sua característica: vendo a partir da perspectiva pastoral e em função de uma pastoral.

Então, por exemplo, o discernimento, que é uma das chaves de interpretação do documento, que já está no número 84 da Familiaris Consortio, Francisco o prolonga, procurando ver de que modo podem ser aplicadas algumas normas nos casos que são chamados de irregulares. De tal maneira que oferecendo um critério, que é o de integração, possa se integrar a maior quantidade de pessoas e de situações possíveis dentro da Igreja.

Como a Amoris Laetitia propõe o tema do acompanhamento pastoral?

Esta é uma das novidades da Amoris Laetitia. Procurar se aproximar de todas as situações. Aqui, ninguém fica excluído. Não é necessário que o Papa aponte cada uma das situações, disse isso claramente: a Igreja é a casa paterna onde já lugar para todos, portanto, ninguém pode ficar excluído.

Agora, qual é o critério de inclusão? Porque também não se abre a porta indiscriminadamente a todos. O critério é a busca por Deus. O critério é o desejo de conversão…

Que luzes o documento traz sobre o discernimento?

O documento apresenta luzes e, sobretudo, apresenta desafios. Apresenta um chamado à responsabilidade. Há frases muito fortes a respeito dos ministros… para que posam levar adiante este desejo do Papa que nos convida a uma Igreja concretamente em saída. Justamente, o critério é o da abertura, o critério é o da compreensão, da misericórdia. Misericórdia significa saber compreender o outro, não o julgar, mas, ao contrário, compreender a situação na qual se encontra, ainda que seja uma situação de pecado. Deus não nos olha com um olhar de discriminação, mas com um olhar compassivo. Nós, pastores, temos que aprender dessa visão de Jesus.

Em que consistiu o evento, na Universidade Gregoriana, sobre a Exortação Amoris Laetitia?

Foi uma apresentação da Exortação Apostólica Pós-Sinodal do Papa Francisco que, há tempo, estávamos esperando, porque eu coordeno um grupo interdisciplinar que há mais de dois anos vem se reunindo para estudar e aprofundar o tema do matrimônio e da família, por ocasião dos sínodos prévios a esta Exortação apostólica. Queríamos apresentar o documento e isto é um passo a mais dentro de uma dinâmica de estudo do tema e, entre outras coisas, também estamos oferecendo um diploma em pastoral familiar e, além disso, também queremos fazer um simpósio, nos dias 7 e 8 de outubro, para aprofundar este tema.

Fonte: Religión Digital