Com o decreto publicado na terça (25 de Setembro último) pelo rei da Arábia Saudita, o país poderá deixar de ser reconhecido como o único do mundo onde as mulheres não têm direito a dirigir um carro.

Conseguimos” ou “começamos de baixo, agora estamos aqui“, publicaram dezenas de mulheres sauditas nas redes sociais depois de receber a notícia, que também foi celebrada por governos e organizações defensoras do direitos das mulheres ao redor do mundo. 

Mas, até mesmo quando essa medida entrar em vigor e elas deixarem de andar em carros apenas como passageiras – algo previsto para junho de 2018 -, ainda existirão muitas outras práticas cotidianas que continuarão fora do alcance das mulheres em um dos países mais rígidos do mundo.

Entre as coisas que as sauditas não podem fazer sem a permissão de seu “guardião homem” ou tutor (em geral, algum homem da família, como seu pai ou marido), estão sete:

– Solicitar um passaporte
– Viajar ao exterior
– Casar-se
– Abrir uma conta bancária
– Começar alguns tipos de negócios
– Passar por uma intervenção médica
– Sair da prisão depois de cumprir a pena

Essas restrições se devem ao sistema de tutela vigente no país. O wahabismo, uma interpretação mais rígida de lei islâmica, é a fé dominante na Arábia Saudita há dois séculos. Depois do violento incidente de 1979 – a tomada da Grande Mesquita -, essas regras foram reforçadas de maneira ainda mais rígida pelo governo.

Isso ajudou a transformar a Arábia Saudita em um dos países com maior desigualdade entre homens e mulheres do Oriente Médio Segundo o Índice Global de Desigualdade de Gênero do Fórum Econômico Mundial de 2016, apenas dois países em guerra superam a Arábia Saudita nesse quesito: Iêmen e Síria.

‘Um homem é igual a duas mulheres’

Esse sistema de tutela foi duramente criticado por organizações como a Human Rights Watch, que comparou o estado legal das mulheres com o dos menores de idade, já que “não podem tomar decisões-chave para seu futuro por si mesmas”.

Algumas fizeram campanhas contra esse sistema, apesar de ser difícil mudá-lo em um país onde elas nem sequer podem andar na rua em público sem a companhia de um homem.

No sistema de Justiça, as mulheres são claramente discriminadas. Como em outros países com uma interpretação rígida da lei islâmica, o depoimento de um homem é igual ao de duas mulheres nos tribunais.

Também é difícil para elas ter a custódia dos filhos depois do divórcio se os filhos são maiores de sete anos (no caso dos meninos) ou nove (se são meninas). Essa dificuldade é ainda maior se a mulher não é muçulmana, ou seja, se é uma estrangeira que vive na Arábia Saudita.

No entanto, alguns aspectos da vida das mulheres da Arábia Saudita têm menos restrições do que se poderia esperar.

Elas podem votar desde 2015. A educação é obrigatória para meninas e meninos até os 15 anos e o número de mulheres que se formam nas universidades supera o de homens.

Contudo, apenas cerca de 16% da classe trabalhadora é composta por mulheres.

Regras no modo de se vestir

A roupa que as mulheres usam para trabalhar não depende delas.

As sauditas devem cobrir completamente seus corpos com uma abaya – a típica túnica larga e solta – em lugares onde possam ser vistas por homens que não têm relação com elas.

Para isso, há espaços exclusivos para mulheres como andares específicos em centros comerciais, onde elas podem retirar a abaya. Fora deles, as mulheres que não seguem essa regra podem ser penalizadas.

Mas há exceções: as não sauditas podem adotar um código de vestimenta mais liberal. Se não são muçulmanas, não precisam cobrir a cabeça.

Mas, em geral, as mulheres estrangeiras que vão ao país dizem ter de se cobrir com uma abaya antes de sair do aeroporto. Mas muitas primeiras-damas estrangeiras que visitaram o país não usaram abayas nem cobriram a cabeça.

Boa parte da vida saudita está segregada por gênero, e essa separação se aplica de maneira ampla, incluindo piscinas ou ginásios de hotéis frequentados por viajantes internacionais.

Ainda que vários países no mundo, como Rússia, China ou Israel, proíbam as mulheres de realizar algumas atividades, sem dúvida poucos são tão rígidos quanto a Arábia Saudita.

BBC

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A tradução dos diálogos do vídeo abaixo é a seguinte:

Criança: Vou contar tudo a Deus. Que vocês encheram os cemitérios com as nossas crianças, esvaziando os bancos das nossas escolas. Que você trouxeram inquietação e escuridão às nossas ruas. E que vocês mentiram para nós. Deus conhece plenamente todos os segredos do coração humano.

Terrorista: Eu testemunho que não há ninguém digno de adoração exceto Deus.

Idoso: Você vem em nome da morte. Ele é o criador da vida.

Terrorista: Eu testemunho que Maomé é servo e mensageiro de Deus.

Criança: O perdão é para quem faz o mal, não para quem faz o mal contra Ele.

Terrorista: Deus é maior…

Jovem: …do que aquele que esconde o que não revela.

Terrorista: Deus é maior…

Mulher: …do aquele que obedece sem refletir.

Terrorista: Deus é maior…

Homem: …do que aquele que trama para nos trair.

Homem: Deus é maior… Deus é maior… Deus é maior… Adore o seu Deus com amor. Com amor, não com terror. Seja manso na sua fé e não duro. Relacione-se com o seu adversário em paz e não com guerra. Convença os outros com a misericórdia, não pela força.

Multidão: Adore o seu Deus com amor. Com amor, não com terror. Seja manso na sua fé e não duro. Relacione-se com o seu adversário em paz e não com guerra. Convença os outros com a misericórdia, não pela força.

Homem: Bombardeemos a violência com a paciência. Bombardeemos o engano com a verdade. Bombardeemos o ódio com o amor. Bombardeemos a intolerância para uma vida melhor.

Responderemos aos seus ataques de ódio com canções de amor. Desde agora até a felicidade.

***

Impossível não perceber nestas respostas uma mensagem de sabor cristão. Basta recordar este MANDAMENTO de Jesus Cristo no Evangelho:

“Tendes ouvido o que foi dito: Amarás o teu próximo e poderás odiar teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos [maltratam e] perseguem. Deste modo sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos. Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim os próprios publicanos? Se saudais apenas vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem isto também os pagãos? Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito”.

(Mateus 5, 43-48)

Aleteia

RV24530_ArticoloDois sinais recentes sugerem que a viagem do Papa Francisco, nos dias 28 e 29 de abril ao Egito, quando proferiu o seu discurso mais forte contra a violência e o extremismo religioso, pode servir como indicativos de que ela fez a diferença. Um é a construção de uma nova igreja cristã com ajuda muçulmana, o outro são as acusações de juristas contra um clérigo islâmico poderoso que chamou os cristãos e judeus de “infiéis”.

Desde que o Beato Paulo VI foi chamado de “o Papa Peregrino” por se tornar o primeiro pontífice a deixar a Itália desde 1809, e o primeiro na história a visitar o hemisfério ocidental, a África e a Ásia, os papas até agora já fizeram 157 idas ao estrangeiro – 104 delas, vale dizer, pertencendo a São João Paulo II..

Exemplos de viagens papais “de sucesso”  incluem a primeira ida de João Paulo II à Polônia, em 1979, momento que muitos analistas creem ser o começo do fim do comunismo soviético; a inesquecível viagem de 2000 à Terra Santa, com a parada num Muro das Lamentações, onde deixou uma nota comovente condenando o antissemitismo; e a visita de Bento XVI em 2006 a Regensburg, na Alemanha que atiçou protestos, mas também iniciou um processo de reflexão no mundo islâmico sobre a necessidade de confrontar a violência religiosa.

É cedo demais ainda para julgar em que categoria se encontra a breve viagem de Francisco ao Egito este ano, mas estes últimos dias apresentaram sinais que podem nos ajudar a interpretar o seu significado.

A viagem dos dias 28 e 29 de abril desdobrou-se à sombra dos bombardeios no Domingo de Ramos a duas igrejas coptas no país e que deixou 45 mortos, um lembrete do extremismo e da violência religiosa que se tornou parte da paisagem em muitas regiões do Oriente Médio. Nesse contexto, Francisco fez um forte chamado aos líderes políticos e religiosos para “desmascarem a violência maquiada como suposta santidade”.”.

Francisco também fez uma defesa robusta da minoria cristã no Oriente Médio, chamando-a de a “luz e sal desta sociedade”.

A última vez que um pontífice proferiu uma repreensão ao Egito sobre a situação de seus cristãos, o que veio com Bento XVI em 2011, o establishment político e religioso local expressou indignação, suspendendo as relações diplomáticas e o diálogo inter-religioso com o Vaticano. Dessa vez, no entanto, Francisco foi celebrado como um herói moral, dando entender que algo pode ter mudado.

Pelo menos, dois desdobramentos recentes no Egito sustentam essa percepção.

O primeiro é a construção de uma nova igreja cristã copta na localidade de Ismailia, localizada na província de Minya, dedicada a São Jorge e a Virgem Maria. Uma coisa que torna este caso marcante é como a igreja foi construída.

O bairro de Ismailia compõe-se de um terço de cristãos, dois terços de muçulmanos, e no passado esteve marcado pela mesma luta sectária que têm engolido outras partes do país. De acordo com o costume egípcio, ele tem um “comitê de reconciliação” que arbitra disputas, embora em muitos casos os cristãos venham se queixando de que estão sendo desfavorecidos em seus interesses.

Dessa vez, porém, o comitê não só aprovou esmagadoramente a construção de uma nova igreja, mas também a população muçulmana local contribuiu com uma parcela significativa para o seu financiamento.

Falando numa cerimônia para a inauguração da igreja, o prefeito apresentou o resultado como um exemplo de “concórdia nacional” e de uma ajuda bem-vinda decorrente de cooperação estrangeira para construir locais de culto.

Este desdobramento igualmente marca um rompimento com uma norma altamente restritiva no Egito sobre a construção de novas igrejas. Eis como a Solidariedade Copta, grupo formado por cristãos egípcios, caracterizou a situação: “Nos últimos 60 anos, uma média de duas igrejas por ano foram aprovadas. O Egito tem um total de menos de 2.600 igrejas, o que significa cerca de 1 para cada 5.5000 cristãos do país. (Em comparação, há cerca de 1 mesquita para cada 620 muçulmanos no Egito.)”

Em outro fronte, um clérigo islâmico famoso, o Xeque Salem Abdul Jalil, também subsecretário no ministério egípcio para as “alocações religiosas”, recentemente foi para a televisão denunciar os cristãos e judeus como “infiéis” e declarar suas doutrinas como “corruptas”. No passado, este tipo de retórica poderia passar sem ser notada ou mesmo poderia ser aplaudida. Mas não desta vez.

Diferentemente, o ministro para quem Jalil trabalha, Mohamed Mokhtar Gomaa, rapidamente emitiu uma nota negando as declarações e afirmando que Jalil estava proibido de pregar em mesquitas. Vários juristas no país acusaram de “ultraje contra a religião”, crime segundo o direito egípcio, e ele agora deverá se apresentar diante de um tribunal no dia 25 de junho.

A agência noticiosa católica Fides citou Boutros Fahim Awad Hanna, bispo católico copta de Minya, que disse: “Aqui no Egito, têm ocorridos processos contra cristãos e muçulmanos por ofensas ao Islã, mas este poderá ser o primeiro processo contra um muçulmano acusado de ofender o cristianismo e o judaísmo”.

Jalil desculpou-se pela escolha das palavras, embora não tenha se retratado do conteúdo delas.

Certamente podemos debater a sabedoria por trás da criminalização de declarações contra crenças religiosas, mas a disposição em processar a fundo um poderoso clérigo muçulmano por desrespeitar os sentimentos de grupos minoritários é, não obstante, um sinal admirável de uma mudança de ares.

Em outras palavras, não é que a visita de Francisco ao país tenha causado tudo isso. Na verdade, a força básica em jogo provavelmente é que a maior parte dos egípcios estão simplesmente fartos com os conflitos armados.

No entanto, a ida do pontífice ao país captou este clima e, com razão, o encorajou ainda mais. Se o Egito realmente tiver uma reviravolta na luta contra a violência e o extremismo religioso, a viagem de Francisco e a mensagem que ele deixou poderão ser lembradas como uma parte importante desta transição.

É uma enorme incógnita saber se algo assim irá acontecer, mas se ocorrer, então o Egito claramente vai entrar para a história como uma outra visita papal que realmente fez a diferença.

John L. Allen Jr., publicada por Crux.

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Pe. Abuna Nirwan é um franciscano que nasceu no Iraque e, antes de ser ordenado sacerdote, estudou medicina. Foi destinado à Terra Santa e, em 2004, ganhou das Irmãs Dominicanas do Rosário uma relíquia da sua fundadora e um terço usado por ela. O padre passou a trazer a relíquia e o rosário sempre consigo.

A fundadora em questão é Santa Marie Alphonsine Danil Ghattas, cristã palestina canonizada em 2015 pelo Papa Francisco. Em 2009, quando o Papa Bento XVI aprovou o milagre para a sua beatificação, a Santa Sé pediu a exumação do corpo da religiosa. Esta missão costuma caber ao bispo local, que, para realizá-la, designa um médico. E esse médico foi justamente o padre Abuna Nirwan.

Em 2004, a relíquia e o rosário… Em 2009, a exumação… E esses dois fatos extraordinários não foram os únicos que ligaram o padre Nirwan àquela santa fundadora.

Dois anos antes da aprovação do Papa Bento à beatificação da religiosa, mais um fato simplesmente arrepiante envolvendo o pe. Nirwan e a madre Marie Alphonsine tinha sido relatado pelo padre Santiago Quemada no seu blog “Un sacerdote en Tierra Santa”.

Eis o relato:

A história que vamos contar aconteceu em 14 de julho de 2007. Abuna Nirwan foi visitar a sua família no Iraque e, para isso, precisou contratar um táxi. Ele mesmo relatou o caso na homilia de uma missa que celebrou em Bet Yalla. O padre Nirwan contou:

Não havia possibilidade de ir de avião para visitar a minha família. Era proibido. O meio de transporte era o carro. Meu plano era chegar a Bagdá e ir de lá para Mossul, onde viviam os meus pais.

O motorista tinha medo por causa da situação no Iraque. Uma família, formada pelo pai, a mãe e uma menininha de dois anos, pediu para viajar conosco. O taxista me falou do pedido e eu não vi nenhum inconveniente. Eram muçulmanos. O motorista era cristão. Ele disse que havia lugar no carro e que eles podiam ir conosco. Paramos num posto de combustível e outro homem jovem, muçulmano, também pediu para ir junto até Mossul. Como ainda restava um assento, ele também foi aceito.

A fronteira entre a Jordânia e o Iraque só abre quando amanhece. Quando o sol se levantou, uma fila de cinquenta ou sessenta carros foi avançando lentamente, todos juntos.

Seguimos a viagem. Depois de mais de uma hora, chegamos a um lugar onde estavam fazendo uma inspeção. Preparamos os passaportes. O motorista nos disse: “Tenho medo desse grupo”. Antes era um posto militar, mas uma organização terrorista islâmica havia matado os militares e tomado o controle do local.

Quando chegamos, eles nos pediram os passaportes sem nos fazer descer do carro. Levaram os passaportes a um escritório. A pessoa voltou, se dirigiu a mim e disse: ‘Padre, vamos continuar a investigação. Podem ir até o escritório mais à frente. Depois já é o deserto”. “Muito bem”, respondi. Caminhamos uns quinze minutos até chegar à cabana a que eles se referiam.

Quando chegamos à cabana, saíram dois homens de rosto coberto. Um deles tinha uma câmera em uma mão e um facão na outra. O outro era barbudo e estava segurando o alcorão. Chegaram até nós e um deles perguntou: “Padre, de onde está vindo?”. Respondi que vinha da Jordânia. Depois ele perguntou ao motorista.

Depois se dirigiu ao rapaz que vinha conosco, o agarrou por trás com os braços e o matou com o facão. Amarraram as minhas mãos por trás das costas e disseram:

“Estamos gravando isto para a Al-Jazeera. Quer dizer algumas palavras? Tem menos de um minuto”.

Eu respondi:

“Não, só quero rezar”.

Eles me deram um minuto para rezar.

Depois um deles me empurrou pelo ombro para baixo até eu ficar de joelhos e me disse:

“Você é clérigo. É proibido que o seu sangue caia no chão porque é sacrilégio”.

Por isso ele foi pegar um balde e voltou com ele para me degolar. Não sei o que rezei naquele momento. Senti muito medo e disse a Maria Alphonsine:

“Não pode ser por acaso que eu trago você comigo. Se é preciso que nosso Senhor me leve ainda jovem, estou pronto. Mas, se não é, eu te peço que ninguém mais morra”.

Ele pegou a minha cabeça, segurou meu ombro com força e levantou o facão. Uns instantes de silêncio e de repente ele perguntou:

“Quem é você?”

Respondi:

“Um frade”.

“E por que eu não consigo mexer o facão? Quem é você?”.

E, sem me deixar responder, prosseguiu:

“Padre, você e todos voltem para o carro”.

Fomos de volta até o veículo.

Daquele momento em diante, eu perdi o medo da morte. Sei que um dia morrerei, mas agora é mais claro que vai ser só quando Deus quiser. Desde aquele momento, eu não tenho medo de nada nem de ninguém. O que vier a me acontecer é porque é vontade de Deus e Ele vai me dar a força para acolher a Sua cruz. O importante é ter fé. Deus cuida dos que acreditam n’Ele”.

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Traduzido, com adaptações, de artigo publicado pelo site Religión en Libertad (em espanhol) via Aleteia

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O impacto da crescente presença muçulmana no mundo ocidental é um dos temas mais candentes da atualidade – e em torno dele se verificam todos os dias acaloradas discussões de diferentes vieses ideológicos.

Giulio Meotti, jornalista e editor cultural do periódico italiano Il Foglio, abordou o tema do ponto de vista de quem vive no meio do dilema que se impõe aos europeus. Em artigo para o Gatestone Institute, o jornalista registra a seguinte impressão dos seus conterrâneos captada por pesquisas recentes:

“Todos os cantos europeus veem sinais de fissuras. Ao que tudo indica, os jihadistas estão tomando de assalto a liberdade e as democracias seculares. Apreensões dominam o imaginário coletivo dos europeus. Um levantamento com dados de mais 10.000 entrevistados de dez países europeus revelou uma crescente oposição pública à imigração muçulmana. A Chatham House Royal Institute of International Affairs realizou uma pesquisa de opinião perguntando aos entrevistados, pela internet, o que eles achavam da afirmação de que ‘toda a migração futura de países, principalmente muçulmanos, deve ser interrompida’: nos 10 países europeus onde foram realizados os levantamentos, uma média de 55% dos entrevistados concordou com a afirmação”.

A grande mídia, segundo Meotti, “já questiona se a Europa teme mais os muçulmanos do que os Estados Unidos”, e, ainda no tocante à mídia, o editor italiano recorda a recente publicação de imagens de uma oração muçulmana em massa diante do Coliseu, um dos mais célebres monumentos da Itália e do planeta: “Ecoando a captura da grande civilização cristã de Bizâncio em Constantinopla, o pregador mais destacado do islã sunita, Yusuf al Qaradawi, declarou que chegará o dia em que Roma será islamizada“.

Citando o historiador David Engels, Meotti considera que a Europa vai encarar o mesmo destino da antiga República Romana: a guerra civil. E se pergunta:

“As civilizações morrem de fora para dentro ou de dentro para fora? O seu desaparecimento resulta de agressão externa (guerra, desastres naturais, epidemias) ou de erosão interna (decadência, incompetência, escolhas desastrosas)? No século passado, Arnold Toynbee ressaltou de forma resoluta: ‘as civilizações morrem se suicidando, não por assassinato’”.

Por toda a Europa, observa o jornalista,

“há sinais de tomada de poder. O número de estudantes muçulmanos já supera o de estudantes cristãos em mais de 30 escolas britânicas ligadas às igrejas. Uma escola primária anglicana já conta com 100% de estudantes muçulmanos. A Igreja da Inglaterra estima que cerca de 20 das suas escolas têm mais alunos muçulmanos do que cristãos e 15 escolas católicas romanas têm maioria muçulmana entre seus estudantes. Na Alemanha também há temores de um influxo muçulmano massivo no sistema escolar, a ponto de que alguns professores alemães estejam alertando abertamente contra a ameaça de uma ‘guetização’”.

Meotti prossegue anotando que a França registrou 34.000 nascimentos a menos no ano passado em comparação com 2014 e que o número de mulheres francesas que deram à luz atingiu o nível mais baixo em 40 anos. A baixa taxa de fertilidade tornou-se, para o jornalista, uma “praga em toda a Europa“: em 1995, apenas a Itália tinha mais pessoas acima de 65 anos do que abaixo de 15; hoje há 30 países nessa mesma situação – e até 2020 serão 35.

É significativo notar que a França teria uma taxa de natalidade ainda menor se não fosse pelas mulheres muçulmanas: “Com taxa de fertilidade de 3,5 filhos por mulher, os argelinos contribuem significativamente para o crescimento populacional da França“, de acordo com o demógrafo Gérard-François Dumont. Ele também cita a taxa de fertilidade de outras mulheres de origem muçulmana em terras francesas: 3,3 filhos no caso das marroquinas e tunisianas; 2,9 no caso das turcas.

É também por causa dos migrantes muçulmanos que as maternidades da Suécia estão hoje ocupadas: entre 2001 e 2014, foi registrado no país um aumento de 25% nos nascimentos. A percentagem de estrangeiros saltou de 4% na década de 1960 para 17% em 2015.

Em Milão, centro financeiro da Itália, o nome mais dado aos recém-nascidos é Maomé.

Situações similares acontecem em Londres, nas quatro maiores cidades da Holanda e em várias outras regiões da Europa, de Bruxelas a Marselha. “É o islã, não o cristianismo, que agora permeia a paisagem e a imaginação da Europa“, registra Meotti.

Enquanto isso, vários dos maiores líderes europeus simplesmente não têm filhos. É o caso da alemã Angela Merkel, da primeira-ministra britânica Theresa May e de um dos principais candidatos à presidência da França, Emmanuel Macron. Se os próprios líderes europeus não têm filhos e, portanto, não tem razões pessoais para se preocuparem com o futuro porque tudo termina com eles mesmos, é plausível que eles não entendam cabalmente os motivos de preocupação dos pais e mães europeus com a abertura indiscriminada das fronteiras do seu continente. A maior preocupação dos políticos parece ser sempre econômica e nunca familiar, conforme se vê nas palavras de Federica Mogherini, representante das relações exteriores da União Europeia: “Eu acredito que os europeus devem compreender que precisamos da migração para as nossas economias e para os nossos sistemas de bem-estar social. Com as tendências demográficas atuais, temos que ser sustentáveis“.

A Batalha de Poitiers, em 732, foi o marco final da primeira grande onda islâmica na Europa Ocidental. Se os cristãos não tivessem vencido, “talvez”, como assinalou Edward Gibbon, “a interpretação do alcorão seria agora lecionada nas escolas de Oxford e os seus púlpitos poderiam pregar a um povo circuncidado a santidade e a verdade da revelação de Maomé“. Giulio Meotti complementa com uma indagação: “Isso não soa familiar hoje em dia?“.

Os islamistas, recorda o editor italiano, levam a cultura e a história mais a sério do que os ocidentais. Recentemente, em Paris, um terrorista egípcio tentou atacar o grande museu do Louvre: ele planejava desfigurar a arte do museu por ser “um poderoso símbolo da cultura francesa“.

Giulio Meotti encerra o seu artigo propondo uma reflexão incômoda:

“Pense num extremista islâmico gritando ‘Allahu Akbar’ ao mesmo tempo em que desfigura a Mona Lisa. Esta é a tendência que precisamos começar a reverter”.

É uma discussão com a qual se pode concordar ou discordar. O que não se pode mais é evitá-la com base no dogma do politicamente correto.

Francisco Vêneto

iglesiasanpedrosanpabloturquia_urfa63net030117-gif-pagespeed-ce-shsaltpzn3A antiga igreja assíria de São Pedro e São Paulo na cidade de Urfa (Turquia) foi transformada em um centro cultural da municipalidade local e sede de uma escola islâmica da Universidade de Harran.

A notícia foi publicada por ‘The Armenian Weekly’, que apresentou este acontecimento como “outro exemplo de intolerância” contra a minoria cristã, pois, desde que foi abandonado em 1924 pelos assírios, que fugiram para Aleppo durante a perseguição turca, o edifício histórico foi usado para diferentes propósitos, menos para o seu objetivo original de ser uma igreja.

Deste modo, a igreja de São Pedro e São Paulo foi utilizada como uma fábrica de tabaco, um armazém de uvas e de tapetes. Em 2002, tornou-se o “Centro Cultural Kemalettin Gazezoglu” e atualmente uma parte do templo foi entregue a uma fundação que dirige a escola islâmica da universidade local.

Entretanto, Urfa, cujo nome original era Edessa, foi uma cidade que no ano 943 estava cheia de igrejas e mosteiros – inclusive sob o domínio árabe muçulmano –, e onde conviviam pelo menos três denominações cristãs diferentes, assinalou o estudioso Ian Wilson, ao mencionar a atual ausência de herança cristã nesta região.

Do mesmo modo, além de ser importante para os cristãos assírios, Edessa também tem um grande significado histórico para os armênios, pois acredita-se que nesta cidade foi inventado o alfabeto armênio.

Contudo, a cidade permaneceu sob o controle islâmico e bizantino constantemente, até que em 1144 foi conquistada pela dinastia turca Zengid e absorvida pelo Império Otomano em 1517.

Atualmente, é uma cidade totalmente muçulmana, depois que durante séculos os cristãos ficaram expostos a assassinatos em massa em várias ocasiões durante a chegada dos turcos da Ásia Central no século XI.

Segundo o Instituto Nacional Armênio, um dos maiores massacres foi “o incêndio da catedral armênia de Urfa com três mil fiéis que tinham procurado refúgio durante o assédio ao seu bairro”.

Além disso, em outubro de 1895, o exército turco entrou em Urfa e assassinou 13.000 assírios, recorda a estudiosa Anahit Khosroyeva em seu artigo “Uma História do Genocídio Assírio”.

Entretanto, em 1915, aconteceu o maior extermínio de armênios e assírios perpetrado pelos turcos, com mais de um milhão e meio de mortos.

“Assim como no genocídio armênio, uma grande parte das mortes assírias ocorreram devido às marchas da morte pelo deserto sírio”, expostos à crueldade, à fome, à sede e ao calor, ocasionando que cidades inteiras ficassem desabitadas, indicou o historiador Paul R. Bartrop em seu livro “Encontro com o genocídio”.

Bartrop indicou que “um dos principais fatores que contribuiu para a campanha turca contra as minorias cristãs foi o compromisso assumido antes da guerra para a turco-unificação do império”, assim como a sua islamização.

“Consequentemente, em 11 de outubro de 1914, o Sultão Mehmet V declarou a Jihad (guerra santa) contra todos os cristãos que viviam no império. A guerra santa foi assinada novamente em 14 de novembro de 1914 pelo xeque al-Islã, o clérigo islâmico mais importante do Império Otomano. Foi dirigida a todos os cristãos, atingindo duramente os de ascendência armênia, assíria e grega”, escreveu Bartrop.

Em seguida, ocorreu o saque e o confisco das propriedades abandonadas, entre elas igrejas e mosteiros que foram destruídos ou usados como estábulos ou armazéns.

‘The Armenian Weekly’ advertiu que atualmente os cristãos na Turquia representam apenas 0,2% da população, uma percentagem muito menor do que todos os seus vizinhos, incluindo Síria, Iraque e Irã.

Além disso, advertiu que, embora a Constituição seja oficialmente secular, o cristianismo e outros credos não muçulmanos estão “sob constante pressão e ataques do governo turco”.

ACI

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Aos 25 anos, Orzú Saidshoev se tornou o primeiro sacerdote nascido no Tajiquistão, um novo país de maioria muçulmana, onde segundo cifras oficiais há pouco mais de 300 habitantes católicos.

O Padre Orzú foi ordenado sacerdote no último dia 25 de junho na pequena cidade de Montefiascone, na Itália, e nas próximas semanas viajará como missionário à Rússia com a sua congregação, Instituto do Verbo Encarnado, uma das poucas organizações católicas que existem no país.

A República do Tajiquistão é um pequeno país da Ásia Central que tem uma população de 8 milhões de habitantes, dos quais 95% professam o islamismo. Em 1991, tornou-se independente da União Soviética. Seu território fez limite com o Afeganistão, Uzbequistão, Quirguistão e China.

“Sinto um pouco de temor, pois tenho uma responsabilidade muito grande de ser o primeiro (sacerdote nascido no Tajiquistão) e também muita alegria porque é um caminho muito alegre, um caminho de santidade para salvar as almas. É muito importante, como fizeram os missionários da Argentina que estavam no Tajiquistão, evangelizaram a missão e graças a eles eu estou aqui”, disse o presbítero ao Grupo ACI durante uma visita a Roma.

A pequena população católica do Tajiquistão tem “duas paróquias, uma delas na capital Duchambe, também temos três sacerdotes missionários da Argentina, três irmãs de nosso Instituto e quatro irmãs da congregação da Madre Teresa de Calcutá”.

Para o jovem sacerdote, a convivência com os muçulmanos sempre foi “mais ou menos boa porque nós somos muito poucos”.

“Não temos muitos problemas com isso. Eles nos respeitam e nós também os respeitamos”, embora reconheça que apesar desta boa relação, “não posso evangelizar em lugares públicos, nem posso usar a batina”, explicou.

“Peço a graça de perseverar neste caminho que não é fácil, é muito difícil, e também peço a graça de poder salvar muitas almas, para ganhar as almas e levá-las ao céu. Isso é a principal missão do ministério sacerdotal e assim também peço a graça de que no Tajiquistão possa haver muitos cristãos e possam se converter”, assegurou o sacerdote.

Na sua ordenação, esteve presente a sua mãe, que viajou do Tajiquistão para acompanhar o seu filho durante a celebração. “Estou muito feliz, tudo saiu bem. Quando voltar para a casa, compartilharei a minha alegria com meus amigos e minhas irmãs”, indicou.

Fonte: Rádio Vaticano

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Centenas de milhares de refugiados muçulmanos converteram-se ao cristianismo nos últimos meses. Embora em alguns dos seus países de origem a conversão seja vista como um delito que pode ser punido até com a pena de morte, as igrejas alemãs, protestantes e católicas, voltaram a celebrar missas com bancos lotados. Em algumas, como na da Trindade, no bairro berlinense de Steglitz, cerca de 80% dos fiéis são ex-muçulmanos.

Para o pastor Gottfried Martens, que já batizou 1.200 convertidos, os refugiados desejam romper definitivamente com o passado e aumentar suas chances de integração na sociedade alemã. Mas Daniel Ottenberg, da ONG Open Doors, encontra outra explicação. Com o debate sobre o terrorismo islâmico, muitos muçulmanos começaram a sentir um alto grau de insegurança em relação à própria religião.

— Eles cresceram na crença de pertencer à melhor religião do mundo, mas começaram a questionar isso depois que, em nome da religião, foram cometidos tantos atos de violência — sustenta Ottenberg.

Enquanto as duas grandes igrejas oficiais, católica e luterana protestante, veem os novos fiéis como uma chance de compensar as perdas dramáticas de membros nos últimos dez anos, as organizações muçulmanas reagem com cautela.

— Cada um deve agir de acordo com os seus próprios interesses — disse um representante do Conselho dos Muçulmanos na Alemanha.

Por outro lado, islamistas e fundamentalistas bombardeiam os novos cristãos com ameaças. Um estudo da Open Doors revela que muitos convertidos desistem do batismo na última hora com medo de pôr em risco os parentes que ficaram em seus países.

Mesmo em alguns locais que passaram pela Primavera Árabe, como o Egito, a conversão ao cristianismo é vista como um delito na sociedade muçulmana. Parentes dos convertidos podem ser alvo de represálias.

— Para os refugiados, o problema não é apenas os conflitos naturais que podem surgir entre os vindos das regiões de crise, traumatizados pela guerra e pela fuga, que vivem com frequência em abrigos lotados. O mais alarmante é o fato de que os fugitivos cristãos e de outras minorias religiosas cada vez mais são alvo da mesma perseguição e discriminação das quais eram vítimas nos seus países de origem — diz Daniel Ottenberg.

Praticamente todos os participantes da missa de domingo passado na Igreja da Trindade já passaram pelo trauma da perseguição religiosa, mas a maioria vê a nova religião como a perspectiva de uma vida melhor.

Evangelho em farsi e árabe

Na opinião do afegão Ali Mirzace, o fundamentalismo, as guerras religiosas e a brutalidade do Estado Islâmico ou dos talibãs dividem os jovens muçulmanos. Enquanto uns adotam a doutrina do Islã político, outros desenvolvem uma aversão contra a própria identidade cultural, da qual se julgam vítimas.

— Tudo continua difícil, mas acreditar em Jesus nos ajuda a enfrentar as adversidades — sustenta.

O amigo Mohamed Hakime, de 17 anos, também é afegão. Os dois se conheceram durante a fuga através do Mar Mediterrâneo, no ano passado, em um momento no qual o barco parecia que ia afundar. Hakime confessa que decidiu se batizar para provar que tinha um enorme interesse em se integrar à sociedade alemã.

O batismo é para eles a conclusão de um processo de abandono definitivo do passado. Há um clima de entusiasmo. Todos os frequentadores da Igreja da Trindade de Steglitz acompanham a missa com o manual que oferece o texto e os cantos em alemão, com tradução para farsi e árabe. E todos cantam juntos.

Embora a missa dure quase duas horas, ninguém vai embora quando termina. A festa da eucaristia continua no salão paroquial, onde os alimentos trazidos pelos visitantes e preparados pela paróquia são divididos.

Nesses momentos, lembra Ali Mirzace, eles conseguem esquecer as dificuldades que nunca acabam. Como os refugiados não têm muita privacidade nos abrigos coletivos, onde precisam dividir quartos uns com outros, logo que um aparece com um terço, uma Bíblia ou começa a frequentar uma igreja cristã torna-se alvo da hostilidade.

O curdo sírio Sava Soheili, de 27 anos, está desde o ano passado em Berlim. Desde o início do ano, é um luterano fervoroso que gosta de mostrar o crucifixo pendurado em um cordão de ouro. Soheili afirma que os convertidos são, na opinião dos fundamentalistas, “verdadeiros criminosos que merecem a pena de morte”.

— Nós somos considerados kuffars, palavra que para os muçulmanos fundamentalistas significa um descrente que cometeu um grave crime religioso. Os kuffars são vistos como criminosos religiosos que merecem a pena de morte — explica.

Segundo o pastor Gottfried Martens, a igreja e o Estado tentam proteger os refugiados cristãos, mas é difícil uma solução porque trata-se de um problema bastante complexo.

— Uma possível solução seria criar abrigos para refugiados cristãos, mas a separação dos convertidos ofereceria um outro risco — disse.

A prefeitura de Berlim também recusou a criação de abrigos para convertidos alegando que, separados, esses refugiados ostentariam abertamente a sua condição como um estigma e assim poderiam tornar-se um alvo fácil de terroristas.

Mostafa, um iraniano de 23 anos, diz que a opção pelo cristianismo é também pela liberdade individual.

— Há também casos de cristãos que se convertem ao Islã, mas não há com certeza nenhum que por isso tenha sido perseguido — desabafa.

Luteranismo e catolicismo são as opções

O iraniano Ali, de 29 anos, lembra, porém, que muitos não são culpados pela imagem deturpada que têm de outras religiões.

— Em muitos países muçulmanos, há um processo de lavagem cerebral. E o pior é que acreditamos mesmo em tudo o que dizem. Só quando chegamos a um país livre temos a chance de abrir os olhos e ver que os muçulmanos não são melhores do que pessoas de outras religiões.

Ali e Mostafa foram batizados antes de aprenderem o idioma alemão. O curso de catecismo foi feito em farsi. Dependendo do lugar onde moram, os refugiados interessados no cristianismo optam pela igreja luterana — em Berlim, a religião da maioria — ou pelo catolicismo — dominante na região da Renânia, como na cidade de Colônia, que tem a famosa catedral.

Mas as pessoas nessas igrejas, pastores, padres e fiéis, convivem com o medo. A proteção é discreta. Na entrada da Igreja da Trindade, três homens cuidam da segurança. Com a desculpa de distribuir os manuais de orações e cantos, eles avaliam todos os que chegam. Durante toda a missa, ficam atentos para qualquer eventualidade com o número da emergência da polícia gravado nos celulares.

Fonte: O Globo

REUTERS1570853_ArticoloO Arcebispo de Rouen, Dominique Lebrun, presente em Cracóvia para a Jornada Mundial da Juventude, divulgou um comunicado através do Twitter da Igreja católica na França (@eglisecatho), após tomar conhecimento do assassinato do sacerdote Jacques Hamel, na Igreja Saint-Etienne-du-Rouvray.

“De Cracóvia soube da matança ocorrida esta manhã na Igreja de Saint-Etienne-du-Rouvray. As três vítimas: o sacerdote, Padre Jacques Hamel, 84, e os autores do assassinato. Três outras pessoas ficaram feridas,  sendo uma delas gravemente. Eu clamo a Deus com todos os homens de boa vontade. Convido os não-crentes para participarem deste clamor! Com os jovens da JMJ, nós rezamos como rezávamos junto ao túmulo do Padre Popielusko, em Varsóvia, assassinado durante o regime comunista”.

O Vigário Geral, Padre Philippe Maheut, chegou à Igreja Saint-Etienne-du-Rouvray momentos após o ataque, disse o Arcebispo.  Eu estarei na noite de hoje em minha Diocese junto às famílias e à comunidade paroquial que está chocada. A Igreja Católica não pode usar outras armas que a oração e a fraternidade entre os homens. Eu deixo aqui centenas de jovens que são o futuro da humanidade, é verdade. Peço-lhes para não ceder à violência e se tornarem apóstolos da civilização do amor”.

Regensburg

Na noite de 12 de setembro de 2006, minha esposa e eu estávamos jantando em Cracóvia com amigos poloneses quando um agitado vaticanista italiano (me perdoem pela redundância nos adjetivos) me ligou querendo saber o que eu achava “do louco discurso do papa sobre os muçulmanos”. Aquele foi, para mim, o primeiro indício de que o rebanho da imprensa mundial estava prestes a bombardear o que Bento XVI tinha dito em Regensburg (foto) ; uma suposta “gafe” que os meios de comunicação continuariam a trazer à tona o tempo todo, até o final daquele pontificado.

Oito anos depois, a palestra de Regensburg (Ratisbona) desperta reações bem diferentes. Aliás, quem de fato a leu em 2006 entendeu que, longe de cometer uma “gafe”, Bento XVI explorou com precisão acadêmica duas questões fundamentais, cujas respostas influenciariam profundamente a guerra civil que corroi as entranhas do islã: uma guerra cujo resultado determinará se o islã do século XXI é seguro para os seus próprios adeptos e seguro para o mundo.

A primeira questão era a liberdade religiosa: será que os muçulmanos conseguiriam encontrar, dentro dos seus próprios recursos espirituais e intelectuais, argumentos islâmicos que defendessem a tolerância religiosa (incluindo a tolerância para com quem se converte do islã a outras religiões)? O processo desejável, sugeriu o pontífice, deveria levar, ao longo do tempo (séculos, no caso), a uma teoria islâmica mais completa sobre a liberdade religiosa.

A segunda questão era a estruturação das sociedades islâmicas: será que os muçulmanos poderiam encontrar, também com base nos seus próprios recursos espirituais e intelectuais, argumentos islâmicos que defendessem a distinção entre autoridade religiosa e autoridade política dentro de um Estado justo? O desenvolvimento igualmente desejável desse processo poderia tornar as sociedades muçulmanas mais humanas em si mesmas e menos perigosas para os seus vizinhos, especialmente se vinculado a uma emergente experiência islâmica de tolerância religiosa.

O papa Bento XVI chegou a sugerir que o diálogo inter-religioso entre católicos e muçulmanos se concentrasse nessas duas questões interligadas. A Igreja católica, admitiu livremente o papa, tinha as suas próprias batalhas no tocante à liberdade religiosa em uma comunidade política constitucionalmente regulada, na qual a Igreja desempenhava um papel fundamental dentro da sociedade civil, mas não diretamente no governo. Mas o catolicismo tinha conseguido resultados interessantes: não capitulando diante da filosofia política laicista, e sim usando o que tinha aprendido da modernidade política para voltar à sua própria tradição, redescobrindo elementos do seu pensamento sobre a fé, a religião e a sociedade que tinham se perdido ao longo do tempo e desenvolvendo a sua doutrina sobre a sociedade justa do futuro.

Será que tal processo de recuperação e desenvolvimento é possível no islã? Esta foi a grande pergunta feita por Bento XVI na palestra de Regensburg.

É uma tragédia de proporções históricas que esta questão tenha sido, primeiro, mal interpretada, e, depois, ignorada. Os resultados desse mal-entendido e desse descaso (e de muitos outros mal-entendidos e muitas outras ignorâncias) estão agora sendo expostos de modo macabro no Oriente Médio: dizimação de antiquíssimas comunidades cristãs; barbaridades que chocaram o aparentemente inchocável Ocidente, como a crucificação e a decapitação de cristãos; países cambaleantes; esperanças despedaçadas de que o Oriente Médio do século XXI possa se recuperar das suas várias doenças culturais e políticas e encontrar um caminho para um futuro mais humano.

Bento XVI, tenho certeza, não sente prazer algum ao ver a história vingar o seu discurso de Regensburg. Mas os seus críticos de 2006 poderiam examinar em sua consciência o opróbrio que despejaram sobre ele há oito anos. Admitir que eles entenderam tudo errado em 2006 seria um bom primeiro passo para abordarem a própria ignorância sobre a guerra civil intra-islâmica que ameaça gravemente a paz do mundo no século XXI.

Aleteia

***

Veja abaixo a íntegra do Discurso.

VIAGEM APOSTÓLICA DO PAPA BENTO XVI
A MÜNCHEN, ALTÖTTING E REGENSBURG
(9-14 DE SETEMBRO DE 2006)


DISCURSO DO SANTO PADRE
AOS REPRESENTANTES DO MUNDO CIENTÍFICO
E CULTURAL DA BAVIERA NA AULA MAGNA
DA UNIVERSIDADE DE REGENSBURG


Terça-feira, 12 de Setembro de 2006


“Fé, razão e universidade. Recordações e reflexões”

Eminências
Magnificências
Excelências
Ilustres Senhores
Gentis Senhoras

     É para mim um momento emocionante encontrar-me de novo na universidade e poder mais uma vez pronunciar uma lição. Os meus pensamentos, contemporaneamente, voltam àqueles anos em que, depois de um grande período passado no Instituto superior de Freising, comecei a minha actividade de professor académico na universidade de Bonn. Era em 1959 ainda o tempo da velha universidade dos professores ordinários. Para cada uma das cátedras não existiam nem assistentes nem dactilógrafos, mas em compensação havia um contacto muito directo com os estudantes e sobretudo também entre os professores. Encontrávamo-nos primeiro e depois das lições nas salas dos professores. Os contactos com os historiadores, os filósofos, os filólogos e naturalmente também entre as duas faculdades teológicas eram muito estreitos. Uma vez por semestre fazia-se o chamado dies academicus, no qual professores de todas as faculdades se apresentavam diante dos estudantes de toda a universidade, tornando assim possível uma experiência de universitas uma coisa à qual também o Senhor, Magnífico Reitor, se referiu há pouco isto é, a experiência, o facto de que nós não obstante todas as especializações, que por vezes nos tornam incapazes de comunicar entre nós, formamos um todo e trabalhamos no todo da única razão com as suas várias dimensões, estando assim juntos também na responsabilidade comum pelo recto uso da razão este facto torna-se experiência viva.

     Sem dúvida, a universidade era orgulhosa também das suas duas faculdades teológicas. Era claro que também elas, interrogando-se sobre a racionalidade da fé, desempenham uma obra que necessariamente faz parte do “todo” da universitas scientiarum, mesmo se nem todos podiam partilhar a fé, para cuja co-relação com a razão comum se comprometem os teólogos. Esta unidade interior no universo da razão não foi perturbada nem sequer quando certa vez filtrou a notícia de que um dos colegas dissera que na nossa universidade havia algo de anormal: duas faculdades que se ocupavam de uma coisa que não existia de Deus. Que mesmo perante um cepticismo tão radical seja necessário e normal interrogar-se sobre Deus através da razão e isto deva ser feito no contexto da tradição da fé cristã: no conjunto da universidade, isto era uma convicção fora de questão.

     Tudo me voltou à mente, quando li a parte publicada pelo professor Theodore Khoury (Münster) do diálogo que o douto imperador bizantino Manuel II, Paleólogo, talvez durante os meses do Inverno de 1391 em Ankara, teve com um persa culto sobre cristianismo e islão e sobre a verdade de ambos. Talvez tenha sido depois o próprio imperador quem escreveu, durante o assédio de Constantinopla entre 1394 e 1402, este diálogo; explica-se assim por que os seus raciocínios sejam referidos de modo muito mais pormenorizado do que os do seu interlocutor persa. O diálogo alarga-se sobre todo o âmbito das estruturas da fé contidas na Bíblia e no Alcorão e detém-se sobretudo sobre a imagem de Deus e do homem, mas necessariamente também sempre de novo sobre a relação entre as como se dizia três “Leis” ou três “ordens de vida”: Antigo Testamento, Novo Testamento, Alcorão. Não desejo falar disto nesta lição; gostaria de tratar só um assunto bastante marginal na estrutura de todo o diálogo que, no contexto do tema “fé e razão”, me fascinou e me servirá como ponto de partida para as minhas reflexões sobre este tema.

     No sétimo colóquio (διάλεξις, controvérsia) publicado pelo Prof. Khoury, o imperador enfrenta o tema da jihād, da guerra santa. Certamente o imperador sabia que na sua sura 2, 256 se lê: “Nenhuma coacção nas coisas de fé”. É uma das suras do período inicial, dizem os peritos, em que o próprio Maomé ainda não tinha poder e estava ameaçado. Mas, naturalmente, o imperador conhecia também as disposições, desenvolvidas sucessivamente e fixadas no Alcorão, sobre a guerra santa.

     Sem se deter em pormenores, como a diferença de tratamento entre os que possuem o “Livro” e os “incrédulos” ele, de modo tão brusco que nos surpreende, dirige-se ao seu interlocutor simplesmente com a pergunta central sobre a relação entre religião e violência em geral, dizendo: “Mostra-me também o que Maomé trouxe de novo, e encontrarás apenas coisas más e desumanas, como a sua ordem de difundir através da espada a fé que ele pregava”.

     O imperador, depois de se ter pronunciado de modo tão duro, explica minuciosamente as razões pelas quais a difusão da fé mediante a violência é irracional. A violência está em contraste com a natureza de Deus e a natureza da alma. “Deus não se apraz com o sangue diz ele não agir segundo a razão σὺν λόγω”, é contrário à natureza de Deus. A fé é fruto da alma, não do corpo. Por conseguinte, quem quiser levar alguém à fé precisa da capacidade de falar bem e de raciocinar correctamente, e não da violência e da ameaça… Para convencer uma alma racional não é necessário dispor nem do próprio braço, nem de instrumentos para ferir nem de qualquer outro meio com o qual se possa ameaçar de morte uma pessoa…”.

     A afirmação decisiva nesta argumentação contra a conversão mediante a violência é: não agir segundo a razão é contrário à natureza de Deus. O editor, Theodore Khoury, comenta: para o imperador, sendo um bizantino que cresceu na filosofia grega, esta afirmação é evidente. Para a doutrina muçulmana, ao contrário, Deus é absolutamente transcendente. A sua vontade não está relacionada com nenhuma das nossas categorias, mesmo que fosse a da racionalidade. Neste contexto Khoury cita uma obra do conhecido islamita francês R. Arnaldez, o qual ressalta que Ibn Hazm chega a declarar que Deus não estaria relacionado nem sequer com a sua própria palavra e que nada o obrigaria a revelar a nós a verdade. Se fosse a sua vontade, o homem deveria praticar também a idolatria.

     A este ponto abre-se, na compreensão de Deus e por conseguinte na realização concreta da religião, um dilema que hoje nos desafia de maneira muito directa. A convicção de que agir contra a razão esteja em contradição com a natureza de Deus, é apenas um pensamento grego ou é sempre válido e por si mesmo? Penso que neste ponto se manifeste a profunda concordância entre o que é grego no sentido melhor e o que é fé em Deus sobre o fundamento da Bíblia. Modificando o primeiro versículo do Livro do Génesis, o primeiro versículo de toda a Sagrada Escritura, João iniciou o prólogo do seu Evangelho com as palavras: “No princípio era o λόγος”. É precisamente esta a mesma palavra que o imperador usa: Deus ageσὺν λόγω”, com logos. Logos significa ao mesmo tempo razão e palavra uma razão que é criadora e capaz precisamente de se comunicar mas como razão. Com isto João deu-nos a palavra conclusiva sobre o conceito bíblico de Deus, a palavra na qual todos os caminhos muitas vezes cansativos e sinuosos da fé bíblica alcançam a sua meta, encontram a sua síntese.

     No princípio era o logos, e o logos é Deus, diz-nos o evangelista. O encontro entre a mensagem bíblica e o pensamento grego não era um simples caso. A visão de São Paulo, diante da qual se tinham fechado os caminhos da Ásia e que, em sonho, viu um Macedónio e ouviu a sua súplica: “Vem para a Macedónia e ajuda-nos” (cf. Act 16, 6-10) esta visão pode ser interpretada como uma “condensação” da necessidade intrínseca de uma aproximação entre fé bíblica e o interrogar-se grego.

     Na realidade, esta aproximação já tinha sido iniciada desde há muito tempo. Já o nome misterioso de Deus na sarça ardente, que afasta este Deus do conjunto das divindades com numerosos nomes afirmando apenas o seu “Eu sou”, o seu ser, é, em relação ao mito, uma contestação com a qual está em íntima analogia a tentativa de Sócrates de vencer e superar o próprio mito. O processo iniciado na sarça alcança, no Antigo Testamento, uma nova maturidade durante o exílio, onde o Deus de Israel, agora privado da Terra e do culto, se anuncia como o Deus do céu e da terra, apresentando-se com uma simples fórmula que prolonga a palavra da sarça: “Eu sou”.

     Com este novo conhecimento de Deus caminha em sintonia uma espécie de iluminismo, que se expressa de maneira drástica no escárnio das divindades que seriam apenas obra das mãos do homem (cf. Sl 115). Assim, não obstante toda a dureza do desacordo com os soberanos helenistas, que queriam obter com a força a adaptação ao estilo de vida grego e ao seu culto idolátrico, a fé bíblica, durante a época helenista, ia interiormente ao encontro da parte melhor do pensamento grego, até chegar a um contacto recíproco que depois se realizou especialmente na literatura sapiencial tardia.

     Hoje nós sabemos que a tradução grega do Antigo Testamento, realizada em Alexandria a “Septuaginta” é mais que uma simples tradução (que talvez se deva avaliar de modo pouco positivo) do texto hebraico: de facto, é um testemunho textual distinto e um especifico e importante passo da história da Revelação, no qual se realizou este encontro de uma forma que para o nascimento do cristianismo e para a sua divulgação teve um significado decisivo. No fundo, trata-se do encontro entre fé e razão, entre autêntico iluminismo e religião. Partindo verdadeiramente da natureza íntima da fé cristã e, ao mesmo tempo, da natureza do pensamento grego já fundido com a fé, Manuel II podia dizer: Não agir “com o logos” é contrário à natureza de Deus.

     Honestamente é preciso anotar a este ponto que, no final da Idade Média, se desenvolveram na teologia tendências que rompem esta síntese entre espírito grego e espírito cristão. Em contraste com o chamado intelectualismo agostiniano e tomista iniciou com Duns Scott uma orientação voluntária, a qual no fim, nos desenvolvimentos sucessivos, levou à afirmação de que nós de Deus só conheceremos a voluntas ordinata. Para além dela existiria a liberdade de Deus, em virtude da qual Ele teria podido criar e fazer também o contrário de tudo o que efectivamente fez.

     Aqui vêem-se posições que, sem dúvida, se podem aproximar às de Ibn Hazm e poderiam conduzir até à imagem de um Deus-Arbítrio, que não está relacionado nem com a verdade nem com o bem. A transcendência e a diversidade de Deus são acentuadas de modo tão exagerado, que também a nossa razão, o nosso sentido do verdadeiro e do bem já não são um verdadeiro espelho de Deus, cujas possibilidades abismais permanecem para nós eternamente inalcançáveis e escondidas por detrás das suas decisões efectivas.

Em contraste com isto, a fé da Igreja sempre se ateve à convicção de que entre Deus e nós, entre o seu eterno Espírito criador e a nossa razão criada exista uma verdadeira analogia, na qual como disse o Concílio Lateranense IV em 1215 sem dúvida as diferenças são infinitamente maiores que as semelhanças, mas contudo não até ao ponto de abolir a analogia e a sua linguagem. Deus não é mais divino pelo facto de que o afastamos para longe de nós num voluntarismo puro e impenetrável, mas o Deus verdadeiramente divino é aquele Deus que se mostrou como logos e como logos agiu e age cheio de amor em nosso favor. Sem dúvida, o amor, como diz Paulo, “ultrapassa” o conhecimento e é por isto capaz de compreender mais do que o simples pensamento (cf. Ef 3, 19), contudo ele permanece o amor do Deus-Logos, para o qual o culto cristão é, como diz ainda Paulo λογικη λατρεία” um culto que concorda com o Verbo eterno e com a nossa razão (cf. Rm 12, 1).

     A aqui mencionada recíproca aproximação interior, que se teve entre a fé bíblica e o interrogar-se sobre o plano filosófico do pensamento grego, é um elemento de importância decisiva não só sob o ponto de vista da história das religiões, mas também sob o ponto de vista da história universal um elemento que nos compromete também hoje. Considerado este encontro, não surpreende que o cristianismo, apesar da sua origem e de alguns seus desenvolvimentos importantes no Oriente, tenha por fim encontrado a sua marca historicamente decisiva na Europa. Podemos expressar isto também inversamente: este encontro, ao qual se acrescenta sucessivamente ainda o património de Roma, criou a Europa e permanece o fundamento do que, com razão, se pode chamar Europa.

À tese que o património grego, criticamente purificado, seja uma parte integrante da fé cristã, opõe-se o requerimento da deselenização do cristianismo um requerimento que desde o início da idade moderna domina de modo crescente a pesquisa teológica. Visto mais de perto, podem-se observar três ondas no programa da deselenização: apesar de estarem relacionadas entre si, elas nas suas motivações e nos seus objectivos são claramente distintas uma da outra.

     A deselenização emerge primeiro em ligação com os postulados da Reforma do século XVI. Considerando a tradição das escolas teológicas, os reformadores vêem-se diante de uma sistematização da fé condicionada totalmente pela filosofia, isto é, perante uma determinação da fé a partir de fora em virtude de um modo de pensar que não derivava dela. Assim a fé já não se apresentava como palavra histórica viva, mas como elemento inserido na estrutura de um sistema filosófico.

     A sola Scriptura ao contrário procura a forma pura primordial da fé, do modo como está presente originariamente na Palavra bíblica. A metafísica aparece como um pressuposto derivante de outra fonte, da qual é necessário libertar a fé para a fazer voltar a ser totalmente ela mesma. Com a sua afirmação de ter que pôr de lado o pensar para dar espaço à fé, Kant agiu com base neste programa com uma radicalidade imprevisível para os reformadores. Com isto ele ancorou a fé exclusivamente à razão prática, negando-lhe o total acesso à realidade.

     A teologia liberal dos séculos XIX e XX trouxe uma segunda onda no programa da deselenização: seu representante eminente é Adolf von Harnack. Durante o tempo dos meus estudos, como nos primeiros anos da minha actividade académica, este programa era fortemente operante também na teologia católica. Como ponto de partida era feita a distinção de Pascal entre o Deus dos filósofos e o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob. No meu discurso em Bonn, em 1959, procurei enfrentar este assunto e não pretendo retomar aqui todo o discurso. Mas gostaria de tentar ressaltar pelo menos em síntese a novidade que caracterizava esta segunda onda de deselenização em relação à primeira.

     Como pensamento central sobressai, em Harnack, o regresso simplesmente ao homem Jesus e à sua mensagem simples, que viria antes de todas as teologizações e, precisamente, também antes das helenizações: seria esta mensagem simples que constituiria o verdadeiro ápice do desenvolvimento religioso da humanidade. Jesus teria dado um adeus ao culto em favor da moral. Em conclusão, Ele é representado como pai de uma mensagem moral humanitária.

     A finalidade de Harnack no fundo é reconduzir o cristianismo em harmonia com a razão moderna, libertando-o, precisamente, de elementos aparentemente filosóficos e teológicos, como por exemplo a fé na divindade de Cristo e na trindade de Deus.

Neste sentido, a exegese histórico-crítica do Novo Testamento, na sua visão, coloca novamente a teologia no cosmos da universidade: teologia, para Harnack, é algo essencialmente histórico e, portanto, estrictamente científico. O que ela indaga sobre Jesus mediante a critica é, por assim dizer, expressão da razão prática e por conseguinte também sustentável no conjunto da universidade. Na base encontra-se a autolimitação moderna da razão, expressa de maneira clássica nas “críticas” de Kant, que entretanto foi ulteriormente radicalizada pelo pensamento das ciências naturais. Este conceito moderno da razão baseia-se, em síntese, num resumo entre platonismo (cartesianismo) e empirismo, que o sucesso técnico confirmou.

     Por um lado pressupõe-se a estrutura matemática da matéria, a sua por assim dizer racionalidade intrínseca, que torna possível compreendê-la e usá-la na sua eficiência concreta: este pressuposto básico e, por assim dizer, o elemento platónico no conceito moderno da natureza. Por outro lado, trata-se da utilizabilidade funcional da natureza para as nossas finalidades, onde só a possibilidade de controlar verdade ou falsidade mediante a experiência fornece a certeza decisiva. O peso entre os dois pólos pode, segundo as circunstâncias, estar mais de uma ou mais da outra parte. Um pensador tão estreitamente positivista como J. Monod declarou-se platónico convicto.

     Isto exige duas orientações fundamentais decisivas para a nossa questão. Só o tipo de certezas derivantes da sinergia de matemática e empírica nos permite falar de cientificidade. O que pretende ser ciência deve confrontar-se com este critério. E assim também as ciências que se referem às coisas humanas, como a história, a psicologia, a sociologia e a filosofia procuravam aproximar-se deste cânone da cientificidade. Contudo, é importante para as nossas reflexões o facto de que o método como tal exclui o problema Deus, apresentando-o como um problema acientífico ou pré-científico. Portanto, com isto encontramo-nos diante de uma redução do leque de ciência e razão que é obrigatório pôr em questão.

     Voltarei ainda sobre este assunto. Neste momento é suficiente ter presente que, numa tentativa de conservar o carácter de disciplina “científica” da teologia à luz desta perspectiva, do cristianismo restaria apenas um miserável fragmento. Mas devemos dizer mais: se a ciência no seu conjunto é apenas isto, então é o próprio homem que, com isto, sofre uma redução. Mas as interrogações propriamente humanas, isto é, as do “de onde” e do “para onde”, os questionamentos da religião e do ethos, não podem encontrar lugar no espaço da razão comum descrita pela “ciência” entendida deste modo e devem ser deslocados no âmbito do subjectivo. O sujeito decide, com base nas suas experiências, o que lhe parece religiosamente sustentável, e a “consciência” subjectiva torna-se portanto a única exigência ética.

     Mas, desta forma o ethos e a religião perdem a força de criar uma comunidade e terminam no âmbito da discricionalidade pessoal. Esta é uma condição perigosa para a humanidade: verificamos isto nas patologias ameaçadoras da religião e da razão patologias que necessariamente devem manifestar-se, quando a razão é limitada a tal ponto que as questões da religião e do ethos já não lhe dizem respeito. O que permanece das tentativas de construir uma ética partindo das regras da evolução ou da psicologia e da sociologia, é simplesmente insuficiente.

     Antes de chegar às conclusões que todo este raciocínio tem por finalidade, devo mencionar ainda em breve a terceira onda de deselenização que se difunde actualmente. Em consideração do encontro com a multiplicidade das culturas hoje há quem goste de dizer que a síntese com o helenismo, realizada na Igreja antiga, teria sido uma primeira inculturação, que não deveria vincular as outras culturas. Isto deveria ter o direito de retroceder até ao ponto que precedia aquela inculturação para descobrir a simples mensagem do Novo Testamento e inculturá-la depois novamente nos seus respectivos ambientes.

     Esta tese não é simplesmente errada; contudo é grosseira e imprecisa. De facto, o Novo Testamento foi escrito em grego e tem em si o contacto com o espírito grego um contacto que se tinha maturado no desenvolvimento precedente do Antigo Testamento. Sem dúvida existem elementos no processo formativo da Igreja antiga que não devem ser integrados em todas as culturas. Mas as decisões de fundo que, precisamente, se referem ao relacionamento da fé com a investigação da razão humana, estas decisões de fundo pertencem à própria fé e são os seus desenvolvimentos, conformes com a sua natureza.

     Com isto chego à conclusão. Esta tentativa, feita apenas em linhas gerais, de crítica da razão moderna a partir do seu interior, não inclui absolutamente a opinião de que agora se deva voltar atrás, à época anterior ao iluminismo, rejeitando as convicções da era moderna. Aquilo que no desenvolvimento moderno do espírito é válido, é reconhecido sem hesitações: todos estamos gratos pelas grandiosas possibilidades que ele abriu ao homem e pelos progressos no campo humano que nos foram proporcionados. O ethos da cientificidade, afinal, é como Vossa Magnificência mencionou vontade de obediência à verdade e, por conseguinte, expressão de uma atitude que faz parte das decisões fundamentais do espírito cristão.

     Por conseguinte, a intenção não é retracção, nem crítica negativa; ao contrário, trata-se de um alargamento do nosso conceito de razão e do seu uso. Porque com toda a alegria diante das possibilidades do homem, vemos também as ameaças que sobressaem destas possibilidades e devemos perguntar-nos como podemos dominá-las. Só o conseguiremos se razão e fé estiverem unidas de uma nova forma; se superarmos a limitação autodecretada da razão ao que é verificável na experiência, e lhe abrirmos de novo toda a sua vastidão. Neste sentido, a teologia, não só como disciplina histórica e humano-científica, mas como verdadeira teologia, ou seja, como interrogação sobre a razão da fé, deve ter o seu lugar na universidade e no amplo diálogo das ciências.

     Só assim nos tornamos também capazes de um verdadeiro diálogo das culturas e das religiões um diálogo do qual temos urgente necessidade. No mundo ocidental domina amplamente a opinião de que só a razão positivista e as formas de filosofia dela derivantes sejam universais. Mas as culturas profundamente religiosas do mundo vêem precisamente nesta exclusão do divino da universalidade da razão um ataque às suas convicções mais íntimas. Uma razão, que diante do divino é surda e rejeita a religião do âmbito das subculturas, é incapaz de se inserir no diálogo das culturas.

     Contudo, a razão moderna típica das ciências naturais, com o seu elemento platónico intrínseco, tem em si, como procurei demonstrar, uma pergunta que a transcende juntamente com as suas possibilidades metódicas. Ela mesma deve simplesmente aceitar a estrutura racional da matéria e a correspondência entre o nosso espírito e as estruturas racionais actuantes na natureza como um dado de facto, sobre o qual se baseia o seu percurso metódico. Mas a pergunta acerca do porque deste dado de facto existe e deve ser confiada pelas ciências naturais a outros níveis e modos do pensar à filosofia e à teologia.

     Para a filosofia e, de maneira diferente, para a teologia, ouvir as grandes experiências e convicções das tradições religiosas da humanidade, especialmente a da fé crista, constitui uma fonte de conhecimento; recusar-se significaria uma limitação inaceitável do nosso ouvir e responder.

     Vêm-me à mente a este ponto uma palavra de Sócrates a Fédon. Nos diálogos precedentes tinham sido tratadas muitas opiniões filosóficas erradas, e então Sócrates diz: “Seria muito compreensível se alguém, devido à irritação por tantas coisas erradas, para o resto da sua vida desprezasse qualquer discurso sobre o ser ou o denegrisse. Mas desta forma perderia a verdade do ser e sofreria um grande dano”.

     O ocidente, desde há muito tempo, está ameaçado por esta repulsa contra os questionamentos fundamentais da sua razão, e assim poderia sofrer unicamente um grande dano. A coragem de se abrir à vastidão da razão, não a rejeição da sua grandeza este é o programa com que uma teologia comprometida na reflexão sobre a fé bíblica, entra no debate do tempo presente. “Não agir segundo razão, não agir com o logos, é contrário à natureza de Deus”, disse Manuel II, partindo da sua imagem cristã de Deus, ao interlocutor persa. Para este grandelogos, para esta vastidão da razão, convidamos os nossos interlocutores no diálogo das culturas. Encontrá-la nós próprios sempre de novo, é a grande tarefa da universidade.

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O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou que as famílias muçulmanas devem rejeitar o planejamento familiar e o uso de métodos contraceptivos. Segundo ele, é responsabilidade das mães turcas garantir o crescimento contínuo da população do país, que se expandiu a uma taxa de 1,3% nos últimos anos – a taxa brasileira está em torno de 0,85%.

“Devemos multiplicar nossos descendentes”, declarou Erdogan em um discurso em Istambul. “Fala-se em contracepção, planejamento familiar. Nenhuma família muçulmana pode ter esta mentalidade”. “O que diz meu Deus, o que diz meu querido profeta, é o caminho que tomaremos”, acrescentou o chefe de Estado turco.

Não é a primeira vez que o presidente faz declarações deste tipo. No passado, ele já afirmou que as mulheres devem ter ao menos três filhos e comparou a contracepção a uma traição. Também já provocou a indignação das feministas ao afirmar que as mulheres não são iguais aos homens ou que a mulher é, acima de tudo, uma mãe. Pai de quatro filhos, Erdogan já se pronunciou a favor de limitar o direito ao aborto e da pílula do dia seguinte.

A população turca cresceu exponencialmente nos últimos anos. O país tem atualmente 79 milhões de habitantes. Em 2000, a população era de menos de 68 milhões.

Revista Veja

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Uma decisão que permite que dois estudantes muçulmanos se recusem a participar na tradição de apertar as mãos da professora desencadeou uma polêmica nacional na Suíça.

Os dois adolescentes tiveram a autorização para não cumprimentar a professora com um aperto de mão na escola em Basler Zeitung. no norte do país, após dizerem que tocar uma mulher fora do ambiente familiar ia contra a fé muçulmana.

Os meninos são irmãos, com 14 e 15 anos de idade, e um deles postou um material em sua página de Facebook em apoio do grupo que se intitula Estado Islâmico, segundo reportagem do jornal Basler Zeitung.

A decisão da escola vem enfrentando críticas, com o sindicato dos professores considerando discriminatória a atitude, de acordo com a BBC. Desde então, a escola ajustou a sua regra para afirmar que os dois meninos não devem apertar as mãos de homens ou mulheres.

O prefeito local, Reto Wolf, disse que os moradores locais estavam também insatisfeitos com a decisão.

“Na nossa cultura e no nosso modo de comunicação, um aperto de mão é normal e envia um sinal de respeito pela outra pessoa, e isso tem de ser ensinado às crianças na escola”, disse ele à BBC.

A ministra da Justiça, Simonetta Sommaruga, disse que os apertos de mãos fazem parte da cultura nacional e a decisão da escola não se enquadrava em sua visão de integração.

Algumas organizações muçulmanas a apoiaram. A Federação Suíça das Organizações Islâmicas afirmou não haver referência alguma no Alcorão que justifique a recusa no aperto de mão a uma professora, informou a BBC. Porém Conselho Central Islâmico da Suíça sustentou que os apertos de mãos entre homens e mulheres não são permitidos.

Os muçulmanos formam 5% da população no país alpino, que proibiu a construção de minaretes em um referendo em 2009.

Fonte: Religion News Service

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Os extremistas islâmicos parecem decididos a conquistar. Foi assim sempre. Desde o início e ao longo dos séculos, jihadistas radicais tentam converter as pessoas à sua religião pela força. “Converta-se” e depois chore, porque “nós não temos alternativa a lhe oferecer além da espada”.

O mundo assiste com horror aos lobos do Estado Islâmico em seus ataques contra cristãos e outros grupos minoritários. Os terroristas impõem às vítimas a escolha cruel entre abandonar as próprias casas, converter-se à força ao islã, pagar um pesado imposto por serem “infiéis” ou simplesmente enfrentar o assassinato. Na Nigéria, o Boko Haram aterroriza aldeias, sequestra crianças e incendeia igrejas na sua tentativa de estabelecer um califado, enquanto no Oriente Médio os cristãos são perseguidos, privados de seus direitos civis e marginalizados por uma série de regimes de base islâmica.

Qual é a resposta cristã? Como é que se ama o próximo quando o próximo quer cortar a sua garganta? Será que temos que lançar uma nova cruzada contra eles? Vamos devolver violência aos violentos? Vamos começar nós também a decapitá-los? Certamente, temos direito à legítima defesa, e a batalha de Lepanto, em 1571, é um histórico exemplo de tentativa cristã de se defender do avanço de um islã militante.

A resposta militar pode até proporcionar uma defesa relativamente adequada, libertar prisioneiros e promover uma justiça limitada e uma paz frágil, mas não resolve o problema mais profundo.
Uma pessoa pode ser forçada a se converter exteriormente a uma religião, a obedecer à lei islâmica sob a mira das armas ou sob a lâmina da espada, mas coração nenhum pode ser convertido pela força. É impossível coagir alguém a se converter de verdade.

E é especialmente impossível forçar a conversão ao cristianismo. O cristianismo, afinal, não é simplesmente uma religião de regras. É só pelo poder do Amor que alguém consegue verdadeiramente se converter a Cristo.

A única solução real e de longo prazo para o problema do islã radical é a conversão à plenitude da fé cristã. Começando pela nossa própria conversão autêntica.

Historicamente, o islã é uma forma truncada do cristianismo. Ele mistura um entendimento simplificado de Jesus Cristo com antigos costumes e leis tribais. Para um muçulmano, converter-se ao cristianismo implica aceitar Jesus Cristo como o Filho de Deus. Isto envolve o batismo em Cristo, em nome da Santíssima Trindade, e a aceitação da plenitude da doutrina cristã. Mas a conversão real é muito mais do que a mera adesão a uma lista de doutrinas.

É necessária uma completa conversão do coração e da mente.

Como todas as outras pessoas que se convertem ao cristianismo, os muçulmanos precisam se sentir atraídos pela bondade radiante, pela verdade e pela beleza de Jesus Cristo. Eles precisam enxergar o amor radical que Jesus Cristo oferece e compará-lo com a violência radical dos seus próprios extremistas. Como é que isto pode acontecer? Isto só pode acontecer pela intervenção sobrenatural do Espírito Santo de Deus.

Warren Cole Smith, entrevistando o missionário evangélico David Garrison, conta que um grande número de muçulmanos de todo o mundo está se convertendo ao cristianismo por causa de intensas experiências pessoais. Há movimentos maciços de muçulmanos que se voltam para Cristo, e não apenas como indivíduos, mas também como comunidades, havendo casos de grupos de ao menos 1.000 pessoas que foram batizadas, ou de centenas de igrejas que nasceram ao longo das duas últimas décadas… Um dos exemplos mais impactantes é o do Irã de hoje: muitas pessoas naquele país estão abraçando o cristianismo; dezenas de milhares, talvez centenas de milhares de iranianos, nas últimas décadas, têm aderido à fé em Jesus Cristo.

Como é que tais conversões acontecem?

Em seu livro “A Wind in the House of Islam” [“Um Vento na Casa do Islã”], Garrison explica que, além de haver alguns casos de experiências sobrenaturais, esses muçulmanos, no geral, percebem o amor, a vida e a luz que Cristo traz ao mundo. Quando o poder do amor de Cristo irradia do exemplo dos seus discípulos no mundo, as pessoas que andam nas trevas enxergam essa grande luz e desejam segui-la.

Um dos caminhos desse amor poderoso se expressa mais vividamente na face dos mártires. Quando um cristão morre com o perdão nos lábios e com um cântico no coração, muito pouca gente consegue deixar de se comover. Qualquer pessoa com um mínimo de humanidade, inteligência e compaixão enxerga a crueldade do assassino e a contrasta com a graça sublime demonstrada pelo mártir. É por isso que Tertuliano observou que o “sangue dos mártires é a semente da Igreja”.

As ações selvagens dos jihadistas radicais são chocantes para todas as pessoas sensatas e compassivas, mas a história tem a capacidade de mostrar que essas cruéis e sanguinárias execuções podem ser justamente o fator capaz de virar a maré contra o islã.

Pode demorar, mas a coragem, a paciência e o perdão dos mártires cristãos têm a força de fazer com que muitos voltem o seu coração e a sua mente para o Cristo Rei dos Mártires, aquele que mostrou, com a sua aceitação da morte, que o caminho para a Vida, para o Amor e para a Liberdade não passa pela força das armas, mas sim pelos braços abertos na cruz.

Padre Dwight Longrnecker