Ao pedido que chegou de várias partes logo após o caso do relatório do Grande Júri da Pensilvânia de um Sínodo extraordinário para abordar as questões relacionadas com a luta e a prevenção da pedofilia clerical, o Santo Padre, com o apoio do Conselho dos nove cardeais, ofereceu uma resposta diferente, talvez mais pertinente e eficaz, a saber, um encontro no Vaticano dos 112 presidentes das Conferências Episcopais dos cinco continentes.

A esses 112, deverão se somar outros presidentes de coordenações eclesiais regionais e sub-regionais (Celam, Amecea, Secam, CCEE etc.).

Obviamente, é muito cedo para falar sobre a modalidade e sobre o desenvolvimento do encontro, que será realizado entre a quinta-feira, 14, ao domingo, 21 de fevereiro de 2019. Ele certamente deverá durar três dias completos e deverá se encerrar com uma solene concelebração eucarística presidida pelo papa.

O número relativamente reduzido de participantes, se não forem acrescentados muitos especialistas de todos os tipos, deverá facilitar grandemente um resultado do mais alto nível, especialmente de natureza pastoral.

De fato, o desafio da pedofilia na Igreja é acima de tudo um desafio pastoral, do qual devem derivar, naturalmente, outras dimensões que, para serem eficazes e irreversíveis, devem ter as suas raízes bem plantadas, precisamente, na dimensão pastoral. Muitas questões ainda pendentes, tais como alguns aspectos disciplinares, processuais e normativos, deverão ser abordados a partir dessa perspectiva, a fim de garantir solidez, consistência e aplicabilidade, comprometendo em tudo as Conferências Episcopais, o bispo individual e a coordenação entre eles.

Isso significa que o encontro de fevereiro não deve ser transformado em um megacongresso espetacular e de grande atratividade midiática, em uma passarela para escutar palestras repetitivas e às vezes óbvias e banais. A pedofilia no clero já é uma realidade mais do que conhecida.

O desafio é outro: o que fazer e como fazer para que esse mal costume, “crime e pecado”, seja erradicado de uma vez por todas da vida da Igreja e, como sempre se disse com razão, o que fazer e como fazer para colocar as vítimas no centro.

O encontro também deverá servir para dar carne e corpo a uma ideia que já circula há algum tempo, que parece justa, mas nem sempre é compreensível: a participação dos leigos nesses compromissos, especialmente das mulheres.

Pode-se e deve-se chegar ao encontro caminhando por um caminho seguro, ou seja, a Carta do Papa Francisco ao Povo de Deus (20 de agosto de 2018), onde se lê:

“É impossível imaginar uma conversão do agir eclesial sem a participação ativa de todos os integrantes do povo de Deus. E mais, cada vez que tentamos suplantar, calar, ignorar, reduzir a pequenas elites o Povo de Deus, construímos comunidades, planos, ênfases teológicas, espiritualidades e estruturas sem raízes, sem memória, sem rosto, sem corpo, em última análise, sem vida. Isso se manifesta com clareza em uma maneira anômala de entender a autoridade na Igreja – tão comum em muitas comunidades em que ocorreram as condutas de abuso sexual, de poder e de consciência – como é o clericalismo, essa atitude que ‘não só anula a personalidade dos cristãos, mas também tem uma tendência de depreciar e desvalorizar a graça batismal que o Espírito Santo colocou nos corações da nossa gente. O clericalismo, favorecido tanto pelos próprios sacerdotes como pelos leigos, gera uma divisão no corpo eclesial que beneficia e ajuda a perpetuar muitos dos males que hoje denunciamos. Dizer não ao abuso significa dizer não energicamente a qualquer forma de clericalismo”.

Número de Conferências Episcopais por continente:

Oceania – 4
Ásia – 17
América – 24
África – 36
Europa – 31

Fonte:  Il Sismografo

 

 

A dor dessas vítimas é um gemido que clama ao céu, que alcança a alma e que, por muito tempo, foi ignorado, emudecido ou silenciado. Mas seu grito foi mais forte do que todas as medidas que tentaram silenciá-lo ou, inclusive, que procuraram resolvê-lo com decisões que aumentaram a gravidade caindo na cumplicidade”, escreve o Papa Francisco, em carta ao Povo de Deus, referindo-se ao relatório que foi divulgado detalhando aquilo que vivenciaram pelo menos 1.000 sobreviventes, vítimas de abuso sexual, de poder e de consciência, nas mãos de sacerdotes por aproximadamente setenta anos”.

A carta do Papa Francisco, cujo original é em espanhol, publicada pela Sala de Imprensa do Vaticano.

A carta.

«Um membro sofre? Todos os outros membros sofrem com ele» (1 Co 12, 26). Estas palavras de São Paulo ressoam com força no meu coração ao constatar mais uma vez o sofrimento vivido por muitos menores por causa de abusos sexuais, de poder e de consciência cometidos por um número notável de clérigos e pessoas consagradas. Um crime que gera profundas feridas de dor e impotência, em primeiro lugar nas vítimas, mas também em suas famílias e na inteira comunidade, tanto entre os crentes como entre os não-crentes. Olhando para o passado, nunca será suficiente o que se faça para pedir perdão e procurar reparar o dano causado. Olhando para o futuro, nunca será pouco tudo o que for feito para gerar uma cultura capaz de evitar que essas situações não só não aconteçam, mas que não encontrem espaços para serem ocultadas e perpetuadas. A dor das vítimas e das suas famílias é também a nossa dor, por isso é preciso reafirmar mais uma vez o nosso compromisso em garantir a proteção de menores e de adultos em situações de vulnerabilidade.

1. Um membro sofre?

Nestes últimos dias, um relatório foi divulgado detalhando aquilo que vivenciaram pelo menos 1.000 sobreviventes, vítimas de abuso sexual, de poder e de consciência, nas mãos de sacerdotes por aproximadamente setenta anos. Embora seja possível dizer que a maioria dos casos corresponde ao passado, contudo, ao longo do tempo, conhecemos a dor de muitas das vítimas e constamos que as feridas nunca desaparecem e nos obrigam a condenar veementemente essas atrocidades, bem como unir esforços para erradicar essa cultura da morte; as feridas “nunca prescrevem”. A dor dessas vítimas é um gemido que clama ao céu, que alcança a alma e que, por muito tempo, foi ignorado, emudecido ou silenciado. Mas seu grito foi mais forte do que todas as medidas que tentaram silenciá-lo ou, inclusive, que procuraram resolvê-lo com decisões que aumentaram a gravidade caindo na cumplicidade.

Clamor que o Senhor ouviu, demonstrando, mais uma vez, de que lado Ele quer estar. O cântico de Maria não se equivoca e continua a se sussurrar ao longo da história, porque o Senhor se lembra da promessa que fez a nossos pais: «dispersou os soberbos. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias» (Lc 1, 51-53), e sentimos vergonha quando percebemos que o nosso estilo de vida contradisse e contradiz aquilo que proclamamos com a nossa voz.

Com vergonha e arrependimento, como comunidade eclesial, assumimos que não soubemos estar onde deveríamos estar, que não agimos a tempo para reconhecer a dimensão e a gravidade do dano que estava sendo causado em tantas vidas. Nós negligenciamos e abandonamos os pequenos. Faço minhas as palavras do então Cardeal Ratzinger quando, na Via Sacra escrita para a Sexta-feira Santa de 2005, uniu-se ao grito de dor de tantas vítimas, afirmando com força: «Quanta sujeira há na Igreja, e precisamente entre aqueles que, no sacerdócio, deveriam pertencer completamente a Ele! Quanta soberba, quanta autossuficiência!… A traição dos discípulos, a recepção indigna do seu Corpo e do seu Sangue é certamente o maior sofrimento do Redentor, o que Lhe trespassa o coração. Nada mais podemos fazer que dirigir-Lhe, do mais fundo da alma, este grito: Kyrie, eleison – Senhor, salvai-nos (cf. Mt 8, 25)» (Nona Estação).

2. Todos os outros membros sofrem com ele.

Se no passado a omissão pôde tornar-se uma forma de resposta, hoje queremos que seja a solidariedade, entendida no seu sentido mais profundo e desafiador, a tornar-se o nosso modo de fazer a história do presente e do futuro – Papa Francisco

A dimensão e a gravidade dos acontecimentos obrigam a assumir esse facto de maneira global e comunitária. Embora seja importante e necessário em qualquer caminho de conversão tomar conhecimento do que aconteceu, isso, em si, não basta. Hoje, como Povo de Deus, somos desafiados a assumir a dor de nossos irmãos feridos na sua carne e no seu espírito. Se no passado a omissão pôde tornar-se uma forma de resposta, hoje queremos que seja a solidariedade, entendida no seu sentido mais profundo e desafiador, a tornar-se o nosso modo de fazer a história do presente e do futuro, num âmbito onde os conflitos, tensões e, especialmente, as vítimas de todo o tipo de abuso possam encontrar uma mão estendida que as proteja e resgate da sua dor (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 228). Essa solidariedade exige que, por nossa vez, denunciemos tudo o que possa comprometer a integridade de qualquer pessoa. Uma solidariedade que exige a luta contra todas as formas de corrupção, especialmente a espiritual «porque trata-se duma cegueira cômoda e autossuficiente, em que tudo acaba por parecer lícito: o engano, a calúnia, o egoísmo e muitas formas subtis de autorreferencialidade, já que “também Satanás se disfarça em anjo de luz” (2 Cor 11, 14)» (Exort. ap. Gaudete et exultate, 165). O chamado de Paulo para sofrer com quem sofre é o melhor antídoto contra qualquer tentativa de continuar reproduzindo entre nós as palavras de Caim: «Sou, porventura, o guardião do meu irmão?» (Gn 4, 9).

Reconheço o esforço e o trabalho que são feitos em diferentes partes do mundo para garantir e gerar as mediações necessárias que proporcionem segurança e protejam à integridade de crianças e de adultos em situação de vulnerabilidade, bem como a implementação da “tolerância zero” e de modos de prestar contas por parte de todos aqueles que realizem ou acobertem esses crimes. Tardamos em aplicar essas medidas e sanções tão necessárias, mas confio que elas ajudarão a garantir uma maior cultura do cuidado no presente e no futuro.

Juntamente com esses esforços, é necessário que cada batizado se sinta envolvido na transformação eclesial e social de que tanto necessitamos. Tal transformação exige conversão pessoal e comunitária, e nos leva dirigir os olhos na mesma direção do olhar do Senhor. São João Paulo II assim o dizia: «se verdadeiramente partimos da contemplação de Cristo, devemos saber vê-Lo sobretudo no rosto daqueles com quem Ele mesmo Se quis identificar» (Carta ap. Novo millennio ineunte, 49). Aprender a olhar para onde o Senhor olha, estar onde o Senhor quer que estejamos, converter o coração na Sua presença. Para isso nos ajudarão a oração e a penitência. Convido todo o Povo Santo fiel de Deus ao exercício penitencial da oração e do jejum, seguindo o mandato do Senhor [1], que desperte a nossa consciência, a nossa solidariedade e o compromisso com uma cultura do cuidado e o “nunca mais” a qualquer tipo e forma de abuso.

É impossível imaginar uma conversão do agir eclesial sem a participação ativa de todos os membros do Povo de Deus. Além disso, toda vez que tentamos suplantar, silenciar, ignorar, reduzir em pequenas elites o povo de Deus, construímos comunidades, planos, ênfases teológicas, espiritualidades e estruturas sem raízes, sem memória, sem rostos, sem corpos, enfim, sem vidas [2]. Isto se manifesta claramente num modo anômalo de entender a autoridade na Igreja – tão comum em muitas comunidades onde ocorreram as condutas de abuso sexual, de poder e de consciência – como é o clericalismo, aquela «atitude que não só anula a personalidade dos cristãos, mas tende também a diminuir e a subestimar a graça batismal que o Espírito Santo pôs no coração do nosso povo» [3]. O clericalismo, favorecido tanto pelos próprios sacerdotes como pelos leigos, gera uma ruptura no corpo eclesial que beneficia e ajuda a perpetuar muitos dos males que denunciamos hoje. Dizer não ao abuso, é dizer energicamente não a qualquer forma de clericalismo.

É sempre bom lembrar que o Senhor, «na história da salvação, salvou um povo. Não há identidade plena, sem pertença a um povo. Por isso, ninguém se salva sozinho, como indivíduo isolado, mas Deus atrai-nos tendo em conta a complexa rede de relações interpessoais que se estabelecem na comunidade humana: Deus quis entrar numa dinâmica popular, na dinâmica dum povo» (Exort. ap. Gaudete et exultate, 6). Portanto, a única maneira de respondermos a esse mal que prejudicou tantas vidas é vivê-lo como uma tarefa que nos envolve e corresponde a todos como Povo de Deus. Essa consciência de nos sentirmos parte de um povo e de uma história comum nos permitirá reconhecer nossos pecados e erros do passado com uma abertura penitencial capaz de se deixar renovar a partir de dentro. Tudo o que for feito para erradicar a cultura do abuso em nossas comunidades, sem a participação ativa de todos os membros da Igreja, não será capaz de gerar as dinâmicas necessárias para uma transformação saudável e realista. A dimensão penitencial do jejum e da oração ajudar-nos-á, como Povo de Deus, a nos colocar diante do Senhor e de nossos irmãos feridos, como pecadores que imploram o perdão e a graça da vergonha e da conversão e, assim, podermos elaborar ações que criem dinâmicas em sintonia com o Evangelho. Porque «sempre que procuramos voltar à fonte e recuperar o frescor original do Evangelho, despontam novas estradas, métodos criativos, outras formas de expressão, sinais mais eloquentes, palavras cheias de renovado significado para o mundo atual» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 11).

É imperativo que nós, como Igreja, possamos reconhecer e condenar, com dor e vergonha, as atrocidades cometidas por pessoas consagradas, clérigos, e inclusive por todos aqueles que tinham a missão de assistir e cuidar dos mais vulneráveis. Peçamos perdão pelos pecados, nossos e dos outros. A consciência do pecado nos ajuda a reconhecer os erros, delitos e feridas geradas no passado e permite nos abrir e nos comprometer mais com o presente num caminho de conversão renovada.

Da mesma forma, a penitência e a oração nos ajudarão a sensibilizar os nossos olhos e os nossos corações para o sofrimento alheio e a superar o afã de domínio e controle que muitas vezes se torna a raiz desses males. Que o jejum e a oração despertem os nossos ouvidos para a dor silenciada em crianças, jovens e pessoas com necessidades especiais. Jejum que nos dá fome e sede de justiça e nos encoraja a caminhar na verdade, dando apoio a todas as medidas judiciais que sejam necessárias. Um jejum que nos sacuda e nos leve ao compromisso com a verdade e na caridade com todos os homens de boa vontade e com a sociedade em geral, para lutar contra qualquer tipo de abuso de poder, sexual e de consciência.

Desta forma, poderemos tornar transparente a vocação para a qual fomos chamados a ser «um sinal e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano» (Conc. Ecum. Vat. II, Lumen gentium, 1).

Quando experimentamos a desolação que nos produz essas chagas eclesiais, com Maria nos fará bem «insistir mais na oração» (S. Inácio de Loiola, Exercícios Espirituais), procurando crescer mais no amor e na fidelidade à Igreja – Papa Francisco

«Um membro sofre? Todos os outros membros sofrem com ele», disse-nos São Paulo. Através da atitude de oração e penitência, poderemos entrar em sintonia pessoal e comunitária com essa exortação, para que cresça em nós o dom da compaixão, justiça, prevenção e reparação. Maria soube estar ao pé da cruz de seu Filho. Não o fez de uma maneira qualquer, mas permaneceu firme de pé e ao seu lado. Com essa postura, Ela manifesta o seu modo de estar na vida. Quando experimentamos a desolação que nos produz essas chagas eclesiais, com Maria nos fará bem «insistir mais na oração» (cf. S. Inácio de Loyola, Exercícios Espirituais, 319), procurando crescer mais no amor e na fidelidade à Igreja. Ela, a primeira discípula, nos ensina a todos os discípulos como somos convidados a enfrentar o sofrimento do inocente, sem evasões ou pusilanimidade. Olhar para Maria é aprender a descobrir onde e como o discípulo de Cristo deve estar.

Que o Espírito Santo nos dê a graça da conversão e da unção interior para poder expressar, diante desses crimes de abuso, a nossa compunção e a nossa decisão de lutar com coragem.

Cidade do Vaticano, 20 de Agosto de 2018.

FRANCISCO

Durante um TEDx*  Talk, Mirjam Heine, ( Psicóloga e estudante de medicina) da Universidade de Würzburg, Alemanha, afirmou que “a pedofilia é uma orientação sexual natural, assim como a heterossexualidade”.

“De acordo com pesquisas atuais, a pedofilia é uma orientação sexual imutável”, argumentou Heine. “Assim como, por exemplo, a heterossexualidade. Ninguém escolhe ser pedófilo. Ninguém pode deixar de ser um.

“A diferença entre a pedofilia e outras orientações sexuais é que viver essa orientação sexual terminará em um desastre … É nossa responsabilidade superar nossos sentimentos negativos em relação aos pedófilos. E tratá-los com o mesmo respeito que tratamos as outras pessoas.

“Devemos aceitar que os pedófilos são pessoas que não escolheram sua sexualidade … Devemos aceitar que a pedofilia é uma preferência sexual, um pensamento, um sentimento e não um ato. Devemos diferenciar entre abuso sexual infantil e pedofilia. Não devemos aumentar o sofrimento dos pedófilos excluindo-os, culpando-os e ridicularizando-os ”.

  • Sob o lema “ideias que merecem ser espalhadas”, o TEDx é um programa de eventos locais, auto-organizados, que reúne pessoas para compartilhar ideias e conectar pessoas.

Confira abaixo

A Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara (EUA), hospeda um site que incentiva os pais permitirem que crianças de até quatro anos se envolvam em brincadeiras sexuais, afirmando que é “perfeitamente normal”, e que os cuidadores devem responder “positivamente” a tal comportamento.

O site SexInfo Online é mantido pelo departamento de sociologia da instituição e por estudantes “que estudaram tópicos avançados em sexualidade humana”, segundo a plataforma.

O site apresenta um número significativo de subseções e artigos relacionados à sexualidade humana. Um deles, “Sexualidade Infantil” , discute tópicos como “masturbação infantil”, “brincadeiras sexuais” e “reações” apropriadas a esses comportamentos pelos pais.

O site afirma que, para crianças pequenas, a autoestimulação sexual são “completamente normais”, encorajando os pais a permitirem tal comportamento.

Sobre o tema da “brincadeira sexual” entre crianças pequenas, os autores afirmam que é mais comum “entre as idades de quatro e sete anos” e que são “geralmente inofensivas”.

“As crianças podem demonstrar afeto a seus amigos, abraçando-se e beijando-se, ou tocando os genitais um do outro, o que é perfeitamente normal. Os pais não devem reagir de maneira negativa porque as crianças estão apenas explorando”, afirma o site.

“Se uma criança está realizando essas atividades excessivamente ou em público, os pais devem sentar e conversar com eles sobre como essas atividades devem ser feitas em particular, ao invés de tentar frustrar completamente a atividade”, acrescentam os autores.

Além disso, em relação à masturbação, as crianças “não devem aprender que a auto-exploração é suja ou ruim, mas que a masturbação é um assunto privado e não deve ser realizada em público”, afirma o site.

Em outro artigo intitulado “ Conversando com seus filhos sobre sexo”, o site sugere que os pais devem permitir que seus filhos assistam à pornografia.

“É importante que as crianças entendam que ver pornografia é um hábito normal e que elas não precisam se envergonhar disso”, afirma o guia.

O site não aconselha os pais a impedir que seus filhos assistam a pornografia; em vez disso, afirma que os pais devem dizer às crianças que o material pornográfico pode criar “expectativas sobre o sexo que não são realistas”.

Comentário:

O leitor desinformado acerca do ativismo sexual em curso no mundo, especialmente envolvendo o movimento pedófilo, certamente pensará que o site em questão está apenas ressaltando o comportamento exploratório das crianças no tocante à sexualidade. Puro engano.

Há um componente sexual na exploração das crianças envolvendo o próprio corpo. Esse componente é natural. Se tocar, de fato, faz parte do autoconhecimento, e quando isso envolve o prazer físico através das genitália, tem a ver com a “pulsão” da qual Sigmund Freud se refere ao falar de sexualidade infantil.

Entretanto, essa exploração não é “terra de ninguém” e também não deve ser deixada à revelia. Há uma diferença muito grande em compreender o comportamento e incentivá-lo, especialmente porque para a criança tal exploração não possui o mesmo significado sexual que nós adultos lhe atribuímos. É ai onde está o “X” da questão, que é a orientação dos pais.

A criança precisa conhecer limites, inclusive acerca da própria sexualidade. Isso não é um capricho ou uma função meramente repressora, mas uma – necessidade – vital para o seu desenvolvimento psicossexual, porque é através dos pais, que são seus modelos, que ela deve enxergar a si mesma e formar a sua identidade.

Está claro pela descrição do site, por exemplo, ao incentivar a exploração “em particular” da sexualidade (sugerindo também a participação de outros) consigo mesmo e principalmente da pornografia, que a intenção não tem relação alguma com a compreensão natural do comportamento sexual infantil, mas sim com o incentivo à erotização precoce.

O que está por trás disso é a intenção de se admitir a possibilidade de práticas sexuais entre adultos e crianças. Se trata de pedofilia!

Para que a pedofilia seja aceita como “normal”, primeiro é necessário fazer parecer que crianças possuem necessidades sexuais iguais às do adulto. Tal conceito é uma distorção da doutrina psicanalítica sobre sexualidade infantil, que não tem a ver com sexo, propriamente, mas sim com “pulsão” para a vida.

A insinuação de que crianças podem se explorar sexualmente no “particular” e também serem expostas a conteúdos pornográficos são formas de se adequar o comportamento infantil aos abusos sexuais praticados por adultos, manipulando crianças em função do que elas, naturalmente, não desejariam fazer.

Definitivamente, expor crianças à pornografia é abuso sexual psicológico, uma agressão e violação da sua inocência, capaz de deixar nelas sequelas emocionais profundas para o resto de suas vidas. Incentivar a exploração sexual nelas mesmas (que é diferente do auto conhecimento) e principalmente em outras pessoas, também.

Portanto, não aceite como normal o que alguns acadêmicos dizem ser “natural”. Eles não estão preocupados com o desenvolvimento sadio das crianças, mas com o interesse de moldar a sociedade de acordo com seus interesses.

Via Opinião Critica
Comentário: Will R. Filho

Nossas Crianças, por Alexandre Garcia  (Jornalista da Globo)

O volante Gabriel, do Corinthians, foi suspenso por dois jogos por causa de gesto obceno feito para a torcida do São Paulo. Ele pusera a mão sobre a parte da frente do calção, entre as pernas. Fico me perguntando se seria arte, na mesma cidade, quando aquela mãe induziu a filhinha a tocar num homem nu, deitado no chão. Em Jundiaí, a alguns quilômetros dali, um pai de 24 anos foi preso por estar fumando maconha no carro de vidros fechados, com seu bebê de uma semana deitado ao lado. Fico me perguntando porque estava aberta para crianças uma exposição em Porto Alegre que mostra um negro com o pênis de um branco na boca, enquanto outro branco o assedia por trás. A mesma exposição tem uma ovelha sendo violentada por duas pessoas, enquanto uma mulher pratica sexo com um cachorro. Não entendi porque isso estava num museu, aberto a crianças, e não numa casa noturna de shows de esquisitices sexuais e restrito a adultos.

Tampouco entendi a performance de um homem nu que esfrega num ralador uma imagem de Nossa Senhora. Em São Paulo, alguém que pensa que somos idiotas explicou que o homem nu é arte interativa com o corpo humano. Ora, arte com o corpo humano é o que a gente vê, e aplaude, no Cirque du Soleil. E a Veja, de que sou assinante, deve pensar que abandono meus neurônios ao abrir a revista. Comparou as garatujas da exposição de Porto Alegre a Leda e o Cisne, de Leonardo. Como piada, eu poderia acrescentar, no mesmo tom, que deveriam convidar o tarado ejaculador em ônibus para mandar uma foto a ser exposta entre as semelhantes manifestações de “arte”. As pinturas murais artesanais eróticas em Pompéia, têm um significado histórico que o mau-gosto do tal museu não tem.

Tudo bem, eu não gosto mas há milhões de gostam. Respeito. Só não aprovo, como cidadão, que abram as portas para as crianças se chocarem com essas agressões. Que limitem a adultos. Aprendi que arte é beleza, tem padrão estético, tem perfeição técnica, dá prazer intelectual. Há quem pense que arte é escatologia, agressão, garatujas ou até uma tela pintada de branco. Como disse Affonso Romano de Sant’Anna: “arte não é qualquer coisa que qualquer um diga que é arte, nem é crítico qualquer um que escreva sobre arte”.

No Peru, o povo encheu as ruas de Lima para exigir a retirada de doutrinação de crianças em assuntos sexuais no ensino público. E ganhou. Nas ruas, defenderam que as crianças são educadas pelos pais e parentes. No Senado brasileiro, excelentes senadores, como Ana Amélia (RS) e Magno Malta(ES) estão convocando os responsáveis por tais exposições a explicarem em CPI onde não estão agredindo o Estatuto da Criança e do Adolescente e qual o objetivo de envolverem crianças nos seus estranhos experimentos.

Igreja-católica-pagou-R-500-mi-em-indenizações-por-abusos-sexuais

Despertou uma grande repercussão o anúncio da renúncia de Marie Collins, vítima de abusos, da Comissão para a Proteção dos Menores instituída pelo Papa Francisco. Uma decisão que não abranda a luta contra o flagelo da pedofilia na Igreja. Essa é a convicção do padre Hans Zollner, membro da mesma Comissão e presidente do Centro para a Proteção dos Menores da Universidade Gregoriana.

“Marie Collins tinha me avisado da sua consideração de deixar a Comissão há cerca de quatro semanas. Certamente, estou muito descontente. É triste que ela tenha sentido a necessidade de sair. Na minha opinião, foi por causa do acúmulo de tantas frustrações que – eu conheço muito bem – uma vítima de abuso deve sentir, porque não vê aquela velocidade, aquela consistência da resposta, como ela disse, por parte de alguns escritórios da Santa Sé.”

O senhor recebeu reações por parte de vítimas dos abusos diante dessa decisão de Marie Collins?

Isso me desagrada muito, porque, obviamente, muitas das vítimas de abuso estão muito tristes, expressaram uma grande decepção, mas também entenderam que a situação é muito complexa, porque não falamos de uma instituição que reage na mesma velocidade em todos os escritórios. A própria Marie confirmou que colaboraremos também no futuro, como já fizemos no ano passado na formação de membros da própria Cúria. Como ela disse em uma das entrevistas, o balanço – são palavras dela – é positivo sobre o seu trabalho na Comissão, que continuará, e devemos nos comprometer com uma mudança de mentalidade. Aqui, falamos de uma mudança de cultura que não é feita instantaneamente, porque é preciso muita paciência, mas eu entendo que a sua paciência acabou. Sigamos em frente. Estou muito confiante de que podemos ser mais incisivos, porque eu acho que a mensagem que ela queria dar foi enviada.

Com a renúncia de Marie Collins, há um risco de que se enfraqueça o trabalho, a credibilidade em nível de opinião pública por parte da Comissão?

Certamente, o risco existe. A voz das vítimas não é representada por pessoas identificadas como vítimas, mas isso não significa que a voz das vítimas não esteja presente ou representada, porque todos nós, o cardeal O’Malley em primeiro lugar, encontramos centenas de vítimas de abuso. A voz das vítimas estará presente, e estou certo de que, mesmo com ou talvez por causa da ausência de Marie, estaremos ainda mais atentos para considerar aquilo que pensam, sentem, percebem as vítimas tanto com respeito ao trabalho da Comissão, quanto com aquela que é a tarefa da Comissão, transmitir ao Santo Padre recomendações precisas.

Essa situação ocorre quando estamos perto do quarto aniversário da eleição do Papa Francisco. Como o senhor dizia, a velocidade do processo talvez seja menor do que se podia esperar, mas é possível dizer que a luta contra a pedofilia na Igreja foi reforçada nos últimos anos?

Certamente sim. Eu posso testemunhar isso a partir das minhas visitas aos cinco continentes, a mais de 40 países. Em duas semanas, eu estarei na África do Sul e no Malawi. São países onde, até pouco tempos atrás, esse tema era tabu! Estamos fazendo muitas outras coisas: em maio, iremos para Bangkok para a Federação de todas as Conferências Episcopais da Ásia. É uma mudança em termos de desenvolvimento bastante rápido, conhecendo a Igreja, quer é a maior e a mais antiga instituição do mundo. Infelizmente, não tão veloz como todos nós gostaríamos, mas um órgão de 1,3 bilhão de membros não se move de um dia para o outro, quando falamos de mudança de atitudes, especialmente como a própria Marie Collins diz em uma das entrevistas concedidas, e que eu li há pouco tempo. Isso não acontece da noite para o dia.

Geralmente, reconhece-se ao Papa Francisco, até mesmo por parte de meios de comunicação nada próximos da Igreja, um forte compromisso contra essa chaga da pedofilia. Ultimamente, porém, alguns meios de comunicação criticaram o papa por não ser suficientemente severo com os sacerdotes que abusaram de menores. O que o senhor acha?

Em uma das notícias, foi apresentado um caso que, depois, foi extrapolado como se fosse uma mudança geral de atitude do papa para com aqueles que cometeram abusos. Isso não só não é verdade, quanto é exatamente o contrário! A principal linha daquela notícia sugere que há uma diluição da severidade… Não, o papa também disse isso há duas semanas no prefácio que escreveu para o livro de uma das vítimas [Daniel Pittet]. Ele diz claramente qual é e continua sendo a sua posição.

A reportagem é de Alessandro Gisotti, publicada no sítio da Radio Vaticana, 02-03-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

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Mentes pequenas discutem pessoas enquanto grandes mentes debatem idéias. Trata-se de um lugar comum; mas todo lugar comum encerra importantes verdades. As pessoas passam e seu horizonte de atuação é muito restrito; as idéias permanecem, transcendem os homens e modificam o mundo. Discutir pessoas, destarte, é mesquinho, é pequeno, é insignificante. Quem detém pretensões um pouco mais ambiciosas precisa voltar-se para as idéias que levam as pessoas a agirem de tal ou qual maneira.

As idéias, contudo, para produzirem os seus efeitos no mundo, precisam de tempo. Raras vezes os primeiros propagadores de uma nova ideia verão todas as consequências de sua disseminação. Talvez não fosse claro, por exemplo, aos adeptos entusiasmados da revolução sexual da década de 60 que, poucos anos depois, crianças de 12 anos estariam fazendo filmes pornográficos. Por esses dias eu ouvia uma professora comentar que os anos 80 foram estranhos — eu já o comentei aqui. De fato foram tempos sinistros aqueles; considerá-los imprevisíveis, contudo, parece-me excessiva ingenuidade. O abuso sexual infantil é uma lástima sob quaisquer aspectos deplorável. Creditá-lo à Igreja Católica, no entanto, é de uma hipocrisia avassaladora . Ora, não é possível esquecer — para ficar só no exemplo talvez mais paradigmático — que, há bem pouco tempo, a sexualidade infantil mereceu o apoio entusiasmado e aberto do cinema nacional (veja foto abaixo); e de uma maneira tão constrangedora que a protagonista do filme, posteriormente, empregou sem sucesso a sua fortuna para tentar removê-lo de circulação.

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Não se diga que foi apenas uma excentricidade isolada da época: hoje mesmo, em pleno terceiro milênio, não falta quem chame de “cultura” o funk que estimula o estupro de meninas. Ora, as idéias têm consequências, por mais que o ignorem os seus propagadores. Nos dias de hoje parece haver um certo consenso de que o abuso sexual de crianças é uma coisa condenável. No entanto, somente a Igreja Católica o tem consistentemente condenado com a devida coerência! Ninguém faz mais que a Igreja contra a pedofilia. Recentemente se noticiaram novas medidas tomadas pela Santa Sé para facilitar a responsabilização de bispos que forem lenientes em casos de abusos infantis. Fui procurar; o documento que o Papa Francisco promulgou no último 4 de junho chama-se Come una madre amorevole— assim, em italiano mesmo, fugindo ao latim com que se costuma dar título aos documentos pontifícios. A Mãe Amorosa revela-se aqui implacável logo no primeiro artigo: os bispos podem ser legitimamente removidos de suas dioceses se a sua negligência provocar ou não impedir que seja provocado um grave dano a alguém.

Parágrafo primeiro: este dano pode ser físico, moral, espiritual ou patrimonial.

Parágrafo segundo: o bispo pode ser removido ainda que sua negligência não constitua culpa pessoal grave.

Parágrafo terceiro: em casos de abusos sexuais, basta que a indiligência seja grave (em oposição à molto grave do parágrafo antecedente).

Fico pensando em que hipótese um bispo pode ser negligente em matéria de abuso infantil e, ao mesmo tempo, não ser moralmente réu de culpa grave. Porque é evidente que a negligência pode configurar pecado mortal — e, para afastá-lo, é preciso que o agente ou não tenha visto com clareza a dimensão do problema, ou não dispusesse de plenas condições para o evitar. Em uma palavra: a negligência só não implica em pecado mortal se ela não for exigível. Mas, ora, se a atitude que se omitiu não era exigível, é ainda possível dizer que subsiste a própria negligência? Afinal, ser negligente é precisamente deixar de fazer algo que devia ser feito. Se devia ser feito, como é possível que não importe em culpa pessoal? Se não devia, como se pode falar ainda em negligência?

Penso que a novidade do documento reside precisamente nesta possibilidade de responsabilizar pessoas sobre as quais não é possível formar com segurança um juízo moral negativo. Fui olhar o Sacramentorum Sanctitatis Tutelae, nele, não encontrei semelhante previsão; a Graviora Delicta — que afirma ser «Congregationi pro Doctrina Fidei reservata» , entre outros, o «delictum contra sextum Decalogi praeceptum cum minore infra aetatem duodeviginti annorum a clerico commissum» — tampouco a traz. Não me recordo de a ter já visto em algum lugar — e, no entanto, ei-la reluzindo no frontispício da Madre Amorevole do Papa Francisco!

No Direito Penal secular isso provavelmente seria considerado responsabilidade objetiva — a possibilidade de se punir pessoas sem que lhes esteja caracterizado o dolo ou a culpa — e os doutrinadores contemporâneos, ciosos das garantias individuais contra a hipertrofia punitiva estatal, esmerar-se-iam por pintá-la aos olhos de todos como uma excrescência odiosa, não sossegando enquanto não a lograssem proscrever do Ordenamento Jurídico. No entanto, a justiça de Deus não deve prestar contas à justiça dos homens e, se é verdade que Leviathan não pode aplicar uma pena sem um fato típico, antijurídico e culpável, a Esposa de Cristo pode, sim, prescindir dessa culpabilidade na hora de desferir os golpes necessários à proteção dos Seus filhos.

É evidente que pode. Mais até: deve. Em se tratando de uma matéria grave como o abuso sexual de menores, mais do que estabelecer a culpa dos responsáveis importa fazer cessar o abuso e tomar medidas para que ele não se repita. Se determinado bispo não foi capaz de impedir a lepra da pedofilia de apodrecer parte do seu clero, é evidente que este bispo precisa ser substituído independente de sua culpa própria na propagação da epidemia — porque o papel do bispo é proteger os fiéis a ele confiados, e este dever é grave demais para que alguém possa eximir-se dele simplesmente dizendo “não consigo”. Ora, uma pessoa pode, perfeitamente, ser pessoalmente incapaz de enfrentar pervertidos sem que isso lhe acarrete culpa particular alguma. No entanto, tal pessoa não pode ser bispo católico. Não pode, porque de um bispo se exige mais do que de um católico comum. É bom que seja assim. Não pode não ser assim.

O abuso sexual de crianças é uma coisa terrível; nossa sociedade doente, no entanto, encontra e sempre encontrou mil modos de condescender com essa mácula! Lembremo-nos, o cinema brasileiro já filmou Amor Estranho Amor. Os nossos programas de auditório infantis já estiveram repletos de mulheres seminuas. As músicas cantadas ainda hoje por nossas crianças e adolescentes incentivam o sexo mais animalesco. O STF já há alguns anos flexibilizou a presunção de violência no estupro de vulnerável. O MEC há muito propõe aulas de educação sexual para crianças e jovens. Somente a Igreja é de uma intolerância obstinada, medieval, contra o sexo infantil. Somente a Igreja afirma, sozinha, que o sexo é sagrado e que o seu lugar é dentro do Matrimônio com vistas à formação de uma família. Somente a Igreja prega, sozinha, que é preciso fugir do pecado e das ocasiões de pecado, e que é preciso mortificar os sentidos, e que a pornografia é pecado grave, e que certas modas imodestas muito ofendem a Nosso Senhor. Somente a Igreja ensina, sozinha, que o consentimento mútuo não elide o pecado contra a castidade, e que as depravações sexuais exaltadas pelo mundo moderno não deixam de ser depravações quando são consentidas. E, agora, somente a Igreja, sozinha, determina punição independente de culpa para quem não faz cessar os abusos sexuais sofridos por menores que de algum modo estavam sob sua responsabilidade.A pedofilia é uma desgraça que cresce assustadoramente no mundo sob o impulso das concepções modernas a respeito do sexo. E somente a Igreja a combate com a coerência exigida. Somente à luz d’Ela este mal poderá ser vencido. Apenas esta Mãe Amorosa é capaz de proteger verdadeiramente os pequenos e indefesos.

Fonte Original http://www.deuslovult.org/

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Há mentiras que são ditas usando a verdade como instrumento. Os que usam a verdade para conduzir à mentira são mais criminosos do que os que usam a mentira como instrumento de trabalho. A verdade não se rende à mentira; ela é conduzida até certo ponto, onde fica ancorada, mas a exploração da mentira fica a cargo dos aventureiros.

A revista Veja trouxe na capa desta semana um caso de pedofilia cometido por um padre em Goiás. Conta a reportagem que Fabiano Santos Gonzaga, 28 anos, abusou de um adolescente de 15 anos numa sauna de um clube. O garoto tem retardo mental e  sua compreensão do mundo é próxima à de uma criança de 9 anos de idade. Segundo a denúncia, o padre, ao ficar sozinho com o menino, obrigou-o a fazer sexo. Ao que consta, sem entender bem a gravidade do ocorrido, o menino pediu à mãe para lavar a boca e justificou o motivo. A mãe foi atrás do abusador e descobriu posteriormente que, embora vestido de “civil”, ele era, na verdade, um padre católico. O padre nega que o fato tenha ocorrido, mas, como o seu celular foi apreendido,  já se sabe que ele não vivia a castidade e mantinha relações homossexuais.

É um caso escandaloso! Como o Fides Press me dá liberdade para dizer o que desejo, então vamos ver não somente os fatos, mas os bastidores da notícia. Pois bem: dessa notícia resumida acima, a revista Veja cria uma capa em letras garrafais: “Pedofilia na Igreja”. Acompanha o título a imagem de um falso padre, vestido de batina, segurando um terço e tapando a boca de uma criança assustada.

Ora, ora, pois, pois. Nesta capa, a revista Veja deu uma aula de vigarice. Nunca se devem usar termos genéricos em casos específicos, nem se associarem instituições a delitos de membros quando estes agem por orientação própria. O que se pretende com isso? É evidente que atacar um padre específico seria trabalho de amador. O que a grande imprensa deseja é atacar a Igreja, afugentar novas vocações e afastar dela as crianças. A Veja, mesmo tendo a foto do acusado, não pôde fazer seu terrorismo plenamente porque lhe faltava uma batina e um terço nas mãos. Coube à edição da revista fazer a montagem criminosa. Não era mais o padre Fabiano, mas sim a Igreja católica. Notou o truque? Definitivamente, não estou preparado para um mundo onde não existe culpa individual e sim pecados sociais.

O famosíssimo sociólogo italiano Massimo Introvigne analisou, em 2010, o panorama da pedofilia na Igreja visto a partir da imprensa. A conclusão dele é que se trata de um caso de pânico moral. Segundo Introvigne, o objetivo da imprensa é usar de uma famosa técnica de repetição discreta. A insistência em palavras-chaves leva o grande público a aderir a uma tese mesmo sem ter razões para isso. O público é induzido a crer que se trata de algo de tal obviedade que só pode ser visto como autoprovante. “Sempre vejo padre pedófilo na TV. Eureca: o clero é todo pedófilo”. Bocejando o seu clichê, o povo guiado pela grande mídia não poderá mais desassociar a Igreja da pedofilia.  Aqueles que ousarem analisar o problema serão taxados de “religiosos fanáticos”. Na prática, o problema material desaparece e começa uma discussão que previamente esvaziou o significado da palavra que deveria estar ao centro da questão: “pedofilia”. Por mais que se insista, o problema não vai ser posto na devida métrica.  Jamais será justificado o salto olímpico entre um sacerdote delinquente e um clero indecente. Sim, existem padres pedófilos. Mas quantos são? Pouco importa. Essa análise é típica de fiéis fanáticos, dizem.

Introvigne mostrou que, num período de várias décadas, cem (100) padres foram denunciados e condenados na Itália, enquanto 6 mil professores de Educação Física sofriam condenação pelo mesmo delito. Na Alemanha, desde 1995, existiram 210 mil denúncias de abusos. Dessas 210 mil, 300 estavam ligadas ao clero, ou seja, menos de 0,2%. Por que só nos ocupamos das 300 denúncias contra a Igreja? Sim, um caso que fosse seria um absurdo, mas negar a proporção dos fatos é render-se à mentira. Não, não desejo justificar nenhum crime. Padres que se envolveram em pedofilia devem ser imediatamente expulsos do clero e presos. A Igreja tem hoje mais de 400 mil padres no mundo.

Alguém poderia contra-argumentar que o importante é saber que existe o crime, não quantos são. Por que não? Ora, qual instituição não tem pedofilia? Definitivamente é uma vergonha que exista um membro da Igreja envolvido nisso, mas negar as devidas proporções dos crimes é lógica de psicopata.

Neste vendaval, alguém perguntará: “Até quando a Igreja manterá o celibato sacerdotal?”. Respondo com uma indagação: por que um homem que se abstém do sexo começaria a sentir atração por crianças? Enquanto não obtiver uma resposta, continuarei defensor do celibato. Mas, como perguntar não ofende, gostaria de indagar à editora Abril, dona da revista Veja, se a erotização das crianças ou o bombardeio sexual em revistas como Nova Escola pode gerar algum tipo de fomento da pedofilia. Quer brincar de apontar a promoção da pedofilia, dona Abril? Vamos brincar!

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Para bater na Igreja, qualquer instrumento serve. No Brasil, a CPI da Pedofilia, por exemplo, considerou como prova de crime de pedofilia um vídeo em que o monsenhor Luis Marques Barbosa, falecido em 2014, mantinha uma relação homossexual com uma “criança” de 20 anos (sic). Claro que é contestável. Afinal, quem estava sendo abusado? O “bebê” de 20 anos ou o monsenhor de 83? “Ah, mas ele deveria seguir o celibato”, retruca um espertão. É evidente! Mas não venha chamar de pedofilia o que não é.

Na verdade, temos uma imagem associada a esta palavra que ajuda a destruir os fatos concretos que deveriam ser analisados. A palavra “pedofilia” traz a imagem de uma pobre criança sem ter o que fazer enquanto um adulto, que detém todos os meios de ação, a obriga a manter relações sexuais. Neste caso poderíamos dizer isso? Acho que não.

Enquanto qualquer argumento for válido para atacar a honra da Igreja, não haverá discussão séria.

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Renato Aquino, em Fides Press

Bispos - foto de costas

A Sala de Imprensa do Vaticano publicou nota sobre o Motu Proprio que decreta a remoção do cargo dos bispos que ocultem casos de abusos sexuais (explicada embaixo, em preto)

O Papa Francisco divulgou novas orientações legislativas que preveem a remoção do cargo de bispos que sejam considerados negligentes na gestão de casos de abusos sexuais de menores e adultos vulneráveis.

Os responsáveis por dioceses católicas dos vários ritos podem ser “legitimamente” removidos do seu encargo, caso se determine que tenham “por negligência, realizado ou omitido atos que tenham provocado dano grave a outros”, tanto a pessoas como à comunidade.

O Motu Proprio (documento legislativo de iniciativa pessoal do pontífice), intitulado ‘Como uma mãe amorosa’, sublinha que “a missão de proteção e do cuidado” diz respeito à toda Igreja, mas envolve em particular os bispos.

“O bispo diocesano ou o eparca pode ser removido apenas quando tenha objetivamente falhado de maneira grave à diligência que lhe é pedida pelo seu ofício pastoral, ainda que sem grave culpa moral da sua parte”, precisa.

No caso de abusos sobre menores ou adultos vulneráveis “é suficiente que a falta de diligência seja grave”.

“O dano pode ser equilíbrio físico, moral ou espiritual”, especifica o documento assinado por Francisco.

O Papa sublinha que “empregar uma particular diligência” em proteger aqueles que são “os mais vulneráveis entre as pessoas a eles confiadas” é dever dos bispos diocesanos e dos superiores maiores de Institutos Religiosos e das Sociedades de Vida Apostólica de Direito Pontifício.

Francisco indica também que quando os indícios são “sérios” a autoridade competente da Cúria Romana pode começar “uma investigação” e informar a pessoa que tem a oportunidade de defesa “com os meios previstos pela lei”, através de depoimentos e documentos.

Após essa apresentação, o organismo da Santa Sé pode “decidir” fazer “uma investigação suplementar” mais aprofundada.

O artigo seguinte explica que, antes de decidir, a Congregação competente deve reunir-se, se necessário, com outros bispos da Conferência Episcopal à qual o investigado faz parte.

Francisco indica que se o organismo Cúria Romana considerar que o bispo em causa deve ser afastado há duas possibilidades: através de “decreto de destituição, no menor tempo possível” ou fraternalmente convidar o prelado a “apresentar a renúncia num período de 15 dias”, após o qual se pode “emitir um decreto de destituição”.

O quinto e último artigo estabelece que a decisão final deve ser apresentada “à aprovação específica” do Papa antes da “decisão definitiva” é assistido por um “colégio de juristas”.

Francisco recorda que o Direito Canônico já prevê “a possibilidade da remoção do ofício eclesiástico por ‘causas graves’” e com o Motu Proprio ‘Como uma mãe amorosa’ quer “precisar” que nessas causas está incluída “a negligência dos bispos” relativas “aos casos de abusos sexuais contra menores e adultos vulneráveis”, como já era previsto pelo Motu Proprio do Papa São João Paulo II ‘Sacramentorum Sanctitatis Tutela’, que foi atualizado por Bento XVI.

A Carta apostólica insiste sobre a importância do cuidado vigilante da proteção dos menores e dos adultos vulneráveis, exigindo uma “diligência particular”.

Assim, precisa que entre as “causas graves” que justificam a remoção dos Cargos eclesiásticos, também dos Bispos, é a negligência no que diz respeito aos casos de abusos sexuais cometidos contra menores ou adultos vulneráveis.

Trata-se de uma Lei que estabelece um Procedimento a ser seguido pela atuação do Cânone já presente no CIC e CCEO (193§1 CIC, 975§1 CCEO).

Não se trata de um procedimento penal, porque não se trata de um “delito” realizado, mas de casos de “negligência” por parte dos Bispos ou Superiores religiosos.

A “instrutória” dos casos de negligência cabe às Congregações competentes, que são 4:

– Bispos
– Evangelização dos Povos
– Igrejas Orientais
– Institutos de Vida Consagrada e Sociedade de Vida Apostólica

A Congregação para a Doutrina da Fé não é chamada em causa porque não se trata de delitos de abuso, mas de negligência no ofício.

Junto às Congregações já existem os  Escritórios disciplinares ou análogos.

Chama a atenção dois pontos:

– A falta de diligência pode existir também “sem grave culpa moral” por parte do Bispo (artigo 1§2).

– Para a remoção, no caso dos abusos de menores “é suficiente que a falta de diligência seja grave” (artigo 1§3), enquanto nos outros casos se requer falta de diligência “muito grave” (artigo 1§2).

Tratando-se de decisões importantes sobre Bispos, a aprovação específica depende do Santo Padre.

Nova é a constituição de um “Colégio de juristas” que assessorará  o Santo Padre antes que tome uma decisão definitiva. Se pode prever que tal Colégio seja constituído por Cardeais e Bispos.

Nota: Tratando-se de uma normativa sobre Procedimentos não se põe a questão da retroatividade ou não, porque a lei sobre a possibilidade de remoção “por causas graves” já existia. De agora em diante, o procedimento para a aplicação do Cânone 193§1 é a que foi estabelecida.

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Foi no final de outono de 2001. A cobertura de notícias sobre os ataques de 11 de setembro perdia a sua força e meia dúzia de jornalistas de investigação trabalhavam juntos em uma sala de imprensa em Boston. Estavam reunidos em torno da seguinte grande história:

Desde o começo do verão, a equipe havia rastreado evidências acreditáveis de abusos sexuais cometidos por mais de 70 sacerdotes nessa Arquidiocese. Nenhum dos casos havia sido divulgado. A história era grande, mas ainda não era suficiente.

Segundo o filme “Spotlight”, o qual relata como Boston Globe divulgou o escândalo de abusos sexuais do clero em 2002, o editor Marty Baron não só estava interessado em dar um golpe na Igreja. Ele queria fazer mais dano.

Em uma cena chave, Baron disse a sua equipe: “Provem que os sacerdotes estavam sendo protegidos de ser processados e que eram designados uma e outra vez”.

O filme termina quando a primeira edição de Globe sobre o escândalo chega nas ruas no domingo, 6 de janeiro de 2002. A propaganda diz: “Igreja permite abusos dos sacerdotes durante anos: Consciente dos antecedentes de Geoghan, a Arquidiocese o designa de paróquia em paróquia”.

Como o título do filme sugere, o filme “destaca” (spotlights) o trabalho dos jornalistas para evidenciar a má gestão das denúncias de abusos sexuais em Boston ao mais alto nível. Entretanto, o que o filme não fez foi contar a história do que aconteceu depois disso.

Depois das revelações sobre as investigações de Globe, o Bispo de Belleville, Wilton Gregory, então presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos da América, emitiu uma declaração formal expressando uma “dor profunda pela responsabilidade destes abusos cometidos por alguns de nossos sacerdotes sob nossa vigilância”.

Em junho daquele ano, os bispos dos Estados Unidos decidiram que seria necessária uma política coordenada e uma resposta da conferência episcopal, e aprovaram por unanimidade a “Carta para a Proteção de Crianças e Jovens”.

É importante compreender que, antes de 2002, a maneira pela qual uma diocese investigava as acusações de abusos sexuais estava nas mãos do bispo local (a Arquidiocese de Denver emitiu primeiro seu Código de Conduta em 1991).

Com a nova Carta, iniciaram procedimentos uniformes para administrar as acusações de abusos sexuais não só do clero, mas também de professores leigos, funcionários das paróquias e qualquer outro adulto que tivesse contato com a juventude em nome da Igreja. Em uma ação sem precedentes, comprometeram-se a prover um “ambiente seguro” para todos as crianças nas atividades patrocinadas pela Igreja.

Outros componentes importantes foram uma política de “tolerância zero” para abusos sexuais, investigação de antecedentes para todos os funcionários da Igreja, obrigação de informar às autoridades civis, a retirada imediata dos acusados de seus ministérios, melhoramento na formação dos seminaristas e, o mais importante, ajuda às vítimas.

Em 2015, a Conferência Episcopal dos Estados Unidos da América informou que 2,4 milhões de adultos e 4,4 milhões de crianças foram formados para identificar e denunciar abusos. Quase todas as dioceses estabeleceram um escritório para coordenar a formação acerca de um ambiente seguro e para proporcionar apoio às vítimas de abusos. Cada diocese faz as denúncias às autoridades civis e trabalha com a lei em casos de conduta sexual imprópria. De acordo com as cifras divulgadas pelos bispos dos Estados Unidos, a Igreja gastou 2,8 bilhões de dólares para indenizar às vítimas.

Desde 2003, o primeiro ano de aplicação da carta, a Arquidiocese de Denver formou a mais de 65.000 adultos e continua treinando cerca de 4.000 a 5.000 a cada ano. 23.000 crianças estão capacitadas e são treinadas a cada ano, em seu nível de grau correspondente.

A Arquidiocese de Denver também colabora com o Estado do Colorado em seu esforço a fim de combater o abuso de crianças em todo o estado. A novidade deste ano é um número de telefone para todo o estado (1-844-CO-4-KIDS) que qualquer pessoa pode utilizar para informar casos de negligência ou abuso de menores.

A série do Boston Globe sobre o escândalo de abusos por parte do clero foi exatamente o que todo jornalista espera que seja seu trabalho – o estímulo que cause a mudança em um sistema que está falhando.

Por que o filme “Spotlight” ignorou os efeitos duradouros que continuaram sendo feitos após a investigação do Globe? Não se sabe, mas é evidente que fizeram muito bem para corrigir os erros do passado e isso é uma vitória para o Globe, para as vítimas e para todos nós.

Este artigo foi publicado originalmente por “El Pueblo Católico” em novembro de 2015. Outro dos dados que o filme não conta é que o ex-sacerdote John Geoghan, acusado de abusar de dezenas de menores, foi condenado à prisão em 2002 e morreu assassinado dentro do cárcere um ano depois.

ACI

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O Cardeal Sean P. O’Malley divulgou a seguinte nota depois de o filme Spotlight vencer o prêmio da cerimônia do Oscar deste ano em Los Angeles. O filme descreve a investigação do jornal Boston Globe sobre os abusos sexuais na Arquidiocese de Boston e que levaram a uma série de histórias publicadas em 2002.

Nota:

” Spotlight é um filme importante para todos os que foram impactados com a tragédia dos abusos sexuais clericais. Ao fornecer reportagens em profundidade sobre a história da crise de abuso sexual clerical, a mídia levou a Igreja a reconhecer os crimes e pecados de seus funcionários e a começar a encarar os seus erros, o dano feito às vítimas e suas famílias e as necessidades dos sobreviventes.

Numa democracia tal como a nossa, o jornalismo é essencial. O papel da mídia em revelar a crise de abusos sexuais abriu uma porta através da qual a Igreja caminhou nas respostas às necessidades dos sobreviventes.

A proteção às crianças e a garantia de apoio aos sobreviventes e suas famílias devem ser uma prioridade em todos os aspectos da vida da Igreja. Estamos comprometidos com a implementação vigilante das políticas e dos procedimentos no intuito de evitar a recorrência da tragédia dos abusos infantis.

Estes incluem programas educacionais, checagens obrigatórias de antecedentes e ambientes formativos seguros, relatar e cooperar obrigatoriamente com as autoridades civis no tocante às acusações de abuso, e o cuidado dos sobreviventes e seus familiares por meio do Office of Pastoral Support and Outreach, órgão da Arquidiocese para o trabalho junto a estas pessoas.

A Arquidiocese de Boston fornece, de forma consistente, serviços de aconselhamento e serviços médicos aos sobreviventes e membros familiares que buscam ajuda, e permanecemos firmes neste compromisso.

Continuamos a buscar pelo perdão de todos os que foram prejudicados pela tragédia dos abusos sexuais clericais e rezamos todos dias para que o Senhor possa nos guiar no caminho em direção à cura e à renovação”.

The Pilot

Spotlight

O jornal oficial do Vaticano, L’Osservatore Romano, se pronunciou sobre o triunfo do filme Spotlight na premiação do Oscar e a mensagem que um de seus produtores dirigiu ao Papa Francisco ao receber o prêmio por melhor filme do ano.

“Este filme deu voz aos sobreviventes. E este Oscar amplifica essa voz, a qual esperamos que se converta em um coro que chegue até o Vaticano. Papa Francisco, é hora de proteger as crianças e restabelecer a fé”, disse o produtor Michael Sugar ao receber o prêmio.

O filme Spotlight trata sobre a investigação jornalística que revelou o escândalo de abusos sexuais na Arquidiocese de Boston, Estados Unidos, em 2002. Além do Oscar de melhor filme, ganhou o prêmio de melhor roteiro original.

Em um artigo assinado por Lucetta Scaraffia, LOR explica que o filme Spotlight não ataca à fé católica e inclusive considera como um sinal positivo que seus produtores confiem na gestão do Papa Francisco acerca deste tema delicado.

Spotlight “não é anticatólico como escreveram, pois expressa a comoção e a profunda dor que os fiéis enfrentam ao descobrir estas realidades terríveis”, indica Scaraffia.

Entretanto, esclarece que a narrativa do filme “não aprofunda na longa e perseverante batalha que Joseph Ratzinger, como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e como Papa, empreendeu contra a pedofilia na Igreja”.

Scaraffia admite que “um filme não pode contar tudo” e “as dificuldades que Ratzinger enfrentou somente confirmam o tema do filme, que é que com muita frequência as instituições eclesiásticas não souberam reagir com a determinação necessária para enfrentar estes crimes”.

A autora recorda que “as crianças são seres vulneráveis e, portanto, principais vítimas de abusos, inclusive nas famílias, círculos esportivos e escolas seculares. Nem todos os monstros usam batinas. A pedofilia não necessariamente surge do voto de castidade”.

“Entretanto, ficou claro que na Igreja alguns estão mais preocupados com a imagem da instituição do que com a gravidade dos fatos”, acrescentou.

Em seguida, Scaraffia precisa que “isto não pode justificar a gravíssima culpa dos que, enquanto eram vistos como representantes de Deus, usaram sua autoridade e prestígio para explorar os inocentes”.

A autora destaca o valor do filme ao contar estes detalhes e dar espaço “à devastação interior que estes atos geram nas vítimas, que já não têm um Deus a quem pedir ajuda”.

Sinal positivo

Para a autora, o chamado do produtor Sugar ao Papa na cerimônia do Oscar “deve ser visto como um sinal positivo: ainda há confiança na instituição, há confiança em um Papa que continua a limpeza iniciada por seu predecessor, que então ainda era cardeal. Ainda há confiança na fé que tem como centro a defesa das vítimas e a proteção dos inocentes”.

Em outro artigo publicado pelo LOR e assinado por Emilio Ranzato, destaca-se que Spotlight “não é um filme anticatólico, pois não se refere em si ao catolicismo, mas é provável que seja visto como um filme contra a Igreja porque seu tom normalmente tende a generalizar e generalizações são inevitáveis quando contam histórias em apenas duas horas”.

Segundo Ranzato, “é um filme que indiscutivelmente tem o valor de reportar os casos que, sem dúvida, devem ser condenados. E o faz em detalhe, sobre a base de uma documentação substancialmente séria e crível”.

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A Conferência dos Bispos da Argentina publicou um protocolo sobre como as autoridades eclesiásticas devem proceder “no caso de denúncias de abusos sexuais nos quais os acusados são clérigos e as supostas vítimas sejam menores de idade (ou pessoas a eles equiparados)”. O texto, aprovado na Assembleia Plenária que a Conferência dos Bispos da Argentina realizou em abril de 2013, foi apresentado na quarta-feira pelo secretário-geral da entidade, Carlos Malfa, em um curso de atualização que aconteceu na Universidade Católica Argentina.

Durante o encontro, Malfa disse que a Igreja “destruiu sua credibilidade e sua confiança” por sua administração das denúncias de abusos sexuais cometidos por padres, e acrescentou que “é preciso ter coragem e humildade, como pede o Papa Francisco, para pedir perdão”. O secretário-geral da entidade dos bispos disse, além disso: “Não se deve subestimar nenhuma denúncia. Nenhuma. Se tivéssemos agido dessa maneira, teríamos economizado muitos problemas”.

Durante a apresentação, no curso A atuação da cúria nos crimes cometidos por clérigos e religiosos, promovido pela Faculdade de Direito Canônico da Universidade Católica Argentina, Malfa assinalou que o protocolo servirá para “ajudar as vítimas a encontrar apoio e reconciliação”. O texto das “Diretrizes de atuação” indica que os bispos “aderem aos critérios de transparência e de responsabilidade expressados (…) pela Santa Sé com relação aos abusos sexuais de menores”. Por isso, “é máxima a disposição de cooperar com o conjunto da sociedade e com as autoridades nacionais e provinciais competentes”. O documento, que denomina os denunciantes como “supostas vítimas”, ordena as autoridades eclesiásticas para cooperarem “com a autoridade judicial secular segundo corresponder”.

O protocolo detalha os termos da prescrição da ação penal: “Os delitos de abuso sexual de menores cometidos por clérigos depois de 21 de maio prescrevem após 20 anos, contados a partir do dia em que o menor completou 18 anos”. Detalha, além disso, as diferenças de definição entre “abuso sexual simples” (com seus agravantes de “gravemente ultrajante” e “com acesso carnal”), “estupro”, “corrupção de menores”, e explica que só no caso do último delito, “tanto a ação como a instância são públicas”. “É preciso ter presente que, em princípio, as pessoas que cooperarem para a perpetração destes delitos estarão sujeitas à mesma pena de seus autores”, assinalam as diretrizes. Quando a ação penal for de instância privada, indica o texto, a autoridade eclesiástica explicará “aos interessados que cabe a eles a decisão de mover ou não esta ação penal”.

O protocolo foi aprovado em 2013, ampliando as disposições estabelecidas em 2011 pelo então Papa Bento XVI. Recentemente, recebeu a aprovação do Vaticano.

O documento define o abuso sexual como um “delito (que) reveste uma particular gravidade”, em relação ao qual o Protocolo orienta “para uma atuação adequada às circunstâncias locais” dos bispos “nos casos em que devem intervir, em suas respectivas jurisdições, por ter recebido notícias verossímeis sobre o cometimento de algum dos delitos aqui contemplados”. No capítulo sobre “aspectos jurídicos”, o Protocolo indica que o delito de abuso sexual, “que consiste em um pecado contra o sexto mandamento do Decálogo realizado por um clérigo contra um menor de 18 anos” configura-se independentemente do sexo da vítima e de que “tenha consentido ou não na ação”. Para as indicações aos bispos, por outro lado, como vítimas menores de idade “ficam equiparados (…) os sujeitos que habitualmente têm um uso imperfeito da razão”. Além disso, “equipara-se ao abuso sexual de menores a aquisição, retenção ou divulgação, com uma finalidade libidinosa, de imagens pornográficas de menores, de idade inferior a 14 anos por parte de um clérigo”.

A Conferência dos Bispos da Argentina indica que as autoridades eclesiásticas devem informar os fiéis sobre a “quais instâncias devem recorrer no caso de terem conhecimento da eventual comissão dos delitos” de abuso; as denúncias devem ser feitas “por escrito” e estar assinadas. A Igreja deverá levar adiante uma investigação “inicial” que “só pode ser omitida no caso de que seja supérflua ou desnecessária em virtude da certeza sobre o delito cometido e de sua autoria”.

Se da investigação “se desprende que existem elementos suficientemente consistentes para iniciar um processo penal”, os relatórios serão enviados à Congregação para a Doutrina da Fé, em um dossiê que detalhe, entre outras coisas: “se houve escândalo na comunidade”, “se as acusações saíram na imprensa”, a situação do padre acusado “diante do ordenamento jurídico secular”, o resultado de “eventuais exames periciais efetuados no acusado e nas supostas vítimas”

Fonte: Página/12