Esses dias acompanhei o Padre Gabriel Vila Verde e o Padre Antônio Rebouças, ambos do estado da Bahia, em uma missão de dois dias aqui no Estado de Pernambuco. Confesso que, ao final da “minha parte ” na missão, eu estava completamente exausta, mas a parte deles continuou e eles foram até o fim.

Como alguns de vocês talvez saibam, o Padre Gabriel é conhecido nas redes sociais e eu fique bastante surpresa quando eu tentei poupá-lo do assédio das pessoas por perceber o seu extremo cansaço e ele respondeu: “Minha filha, eu quero atender todos que queiram se confessar”, ou quando eu disse que era melhor não divulgar que ele estaria em determinado lugar e em determinado horário porque iria encher de gente e ele respondeu: “A alegria de um Padre é estar perto das pessoas. Deixe que venham.”

Eu percebi que em muitos momentos ele e o Padre Antônio estavam indo além das suas forças e isso me levou a conversar sobre o assunto com outros Sacerdotes. Para minha surpresa, constatei que ir além das forças é algo que está para o Sacerdócio como escovar os dentes ou pentear o cabelo está para qualquer um de nós, ou seja, eles fazem (em silêncio) todos os dias.

Uma pesquisa de 2008 da ISMA Brasil¹ (organização de pesquisa e tratamento do estresse), apontou que:

A vida sacerdotal é uma das profissões mais estressantes.

Naquele ano, 448 dos 1.600 padres e freiras entrevistados, ou seja 28%, se sentiam “emocionalmente exaustos”. O percentual de clérigos nessa situação era superior ao de policiais (26%), executivos (20%) e motoristas de ônibus (15%) que se declararam exaustos emocionalmente.

Após a missa celebrada na cidade de Santa Cruz do Capibaribe (PE), ocasião na qual já acumulávamos duas noites mal dormidas e, no mínimo, uns 600 km de estrada, sem contar com a viagem de avião que os Padres fizeram, o cansaço já tinha despertado vários sentimentos em mim, como um botão que vai ligando coisas como irritabilidade, impaciência, dificuldade de raciocínio.

Eu tinha ido para o hotel com o Fillipp Cabral que servia conosco naquela ocasião. Tínhamos descansado cerca de uma hora, no ar condicionado, olhando as redes sociais e chupando balas de hortelã, enquanto nós descansávamos, os Padres celebravam a Santa Missa e, após a celebração, mesmo tendo atendido confissões anteriormente, se formava uma nova fila para confissões e esta era imensa. Após os Padres darem conta desta primeira fila, muitas outras pessoas os cercaram na saída da igreja. Cada um daqueles fieis traziam seus problemas, cada um levava um conselho, um afago, um encaminhamento. Eu observava tudo do alto da minha impaciência, mas não pude deixar de pensar em:

Quem ouvirá os problemas daqueles dois sacerdotes que haviam acabado de ouvir os problemas de tanta gente?

Como eles fazem para “descarregar” tanta coisa pesada ouvida consecutivamente? Quantas vezes estamos prontos e afiados para julgar e acusar os sacerdotes diante de qualquer falha? Quantas vezes nos escondemos diante desta máquina maravilhosa que é o computador para condená-los sem nos lembrar de quantas vezes eles nos absolveram de nossas culpas e aliviaram nossas dores com a linda frase “Vá em paz e que o senhor vos acompanhe”?

Em abril de 2012, a Revista Isto É publica uma intrigante matéria intitulada “Padres no Div┲ e traz o dado de que A Fazenda da Esperança, presente no Brasil e em outros dez países, tem nos dependentes de drogas o seu público-alvo, mas cerca de 3% de seus pacientes são religiosos. Mas o que levaria um Sacerdote ao alcoolismo? A falta da fé? Ele ser fraco? Não ter certeza de sua vocação? Nada disso, penso que o justo a dizer é que estes caminhos são trilhados pelo fato de serem humanos e, muitas vezes, pela falta de humanidade nossa (leigos) em relação a eles.

Antes desta missão eu ainda não tinha atentado para o fato de que o Sacerdote não é um “Super Herói” e não devemos esperar que ele fosse. Antes destes dias eu não tinha parado para pensar que o meu sacerdote precisa do meu sorriso, do meu carinho, dos meus dons tanto quanto eu preciso dos dele e que é justo que haja esta troca.

Olhe com carinho para o seu Sacerdote, esteja atento às suas necessidades e não entregue unicamente aos céus a responsabilidade de cuidar daquele que optou por cuidar de você. Lembre-se que a dor que dói em você e em mim, também dói nele.

Cada sacerdote é um presente de Deus!

Escreve: Ana Lígia Lira 

Fontes:

1 – ISMA Brasil (organização de pesquisa e tratamento do estresse) http://www.ismabrasil.com.br/

2 – Revista Isto É – “Padres no Divâ” – Em abril de 2012 – https://istoe.com.br/197721_PADRES+NO+DIVA/

(via Fundação Nossa Senhora de Cimbres)

Além de ser o país mais violento da América Latina, o México é o local onde mais se matam padres. Nos últimos quatro anos, 18 sacerdotes foram assassinados no país – a lista quintuplicou na última década. O aumento de assassinatos coincide com um pico de violência que atinge a todos e que até o momento deixou mais de 21 mil mortos apenas em 2017 até o momento – um dos anos mais violentos dentre os últimos.

Nos últimos quatro anos, foram denunciadas pelo menos 520 ameaças a padres, 17 assassinatos e 25 atentados contra seminaristas, segundo o Centro Católico Multimeios (CCM). O relatório ainda aponta que dois padres estão desaparecidos e dois foram vítimas de sequestros frustrados.

De acordo com Centro, pelo nono ano consecutivo, o México é considerado o país mais perigoso para exercer o sacerdócio. Ainda segundo o CCM, essa onda de violência é marcada pela falta de investimentos na segurança pública.

O texto do órgão ligado à Igreja diz que “os agentes pastorais no México são cada vez mais vulneráveis à crescente onda de agressões, assassinatos e sequestros, posto que as autoridades lhe entregam pouca ou nenhuma proteção contra atentados, sobretudo em zonas de alto risco onde prolifera a insegurança e operam grupos do crime organizado”.

Matéria publicada esta semana no jornal El País, atualiza os dados e relata que no último ano, os religiosos mexicanos receberam 800 ameaças de morte – 50% a mais em relação a 2016. Mas, entre os especialistas que há anos analisam a violência religiosa, chamam a atenção a crueldade e a brutalidade dos crimes.

Segundo Omar Sotelo, fundador do centro, que tem o aval da Igreja e se dedica a estudar o assunto, “os sacerdotes se somam às estatísticas porque são pessoas que incomodam o crime organizado, já que denunciam os políticos, ajudam os imigrantes, socorrem osferidos e conhecem bem as pessoas de seus vilarejos”. Ele diz ainda que “a figura do sacerdote se dessacralizou como o guia e o pastor da comunidade. Com o assassinato de um sacerdote, manda-se uma mensagem clara de que se eu mato um padre posso matar qualquer pessoa”, resume o religioso.

“Antes éramos intocáveis, diz Solalinde”

padre Alejando Solalinde é provavelmente o sacerdote mais ameaçado do México. “Nós, padres, antes éramos intocáveis, mas a violência se tornou mais democrática e se romperam todos os limites”. Um dos sacerdotes que corre risco de vida, o mexicano que ganhou Prêmio Nacional de Direitos Humanos de 2012, afirma que tem repetidamente denunciado as ameaças recebidas aos meios de comunicação, e agora com o livro I narcos mi vogliono morto (Os narcos me querem morto), também publicado na Espanha, com o título “Uma vida em risco”, quer mostrar ao mundo o que acontece com os migrantes, a conivência do crime organizado com o “crime autorizado”.

Na entrevista, ele explica que os padres são incômodos para o governo e os cartéis porque entram no meio negócios e dinheiro. “Os migrantes são mercadoria para eles. Se você defende os direitos humanos, apresenta denúncias e protege as vítimas, atrapalha os negócios. Eu tenho a sorte de ainda estar vivo, mas existem 106 ativistas de direitos humanos vítimas de assassinato, assim como muitos jornalistas, que no México foram assassinados. Estamos em perigo, mas quem tem consciência vai lutar enquanto estiver vivo”, declarou. 

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A nomeação anunciada nesses dias do frei Gabriele Faraghini, romano, 51 anos, como novo reitor do Pontifício Seminário Romano Maior marca uma mudança de direção decidida na diocese confiada há poucos meses ao novo vigário Angelo De Donatis, sucessor do cardeal Agostino Vallini.

Confiar a responsabilidade pela formação dos seminaristas romanos a um seguidor dos Pequenos Irmãos de Jesus Caritas, instituto religioso da família espiritual de Charles de Foucauld, significa pedir que Roma fale uma única língua, a do Evangelho dos pobres e dos últimos. 

De Foucauld, bem-aventurado francês (1858-1916), explorador do Saara e missionário entre os tuaregues, foi apóstolo da fraternidade entre as diversas culturas, aquela mesma fraternidade que hoje Francisco pede que a Igreja assuma como própria. De Donatis, nesse sentido, interpretou bem os auspícios papais com uma primeira nomeação de traços inconfundíveis.

“A notícia sobre o pedido explícito do Papa Francisco de confiar ao frei Gabriele a orientação da formação dos futuros presbíteros no Seminário Romano foi, para a nossa pequena fraternidade, um ‘raio em céu azul’, sem dúvida, uma novidade que literalmente abalou a todos”, dizem os próprios Pequenos Irmãos de Jesus Caritas.

“A nomeação, que ocorreu no fim de junho, foi confirmada pelo Capítulo Geral da nossa congregação e anunciada oficialmente hoje, 31 de julho de 2017.”

O Seminário Maior de Roma desde sempre aspira a ser um farol na formação sacerdotal. Todo o mundo, em certa medida, tende a olhar naturalmente para Roma. E, assim, a chegada de Faraghini soa como um sinal muito claro. De Roma, aliás, partem muitos sacerdotes em missão pelo mundo, enquanto diversos padres saídos do Maior, depois, se tornaram professores universitários, bispos, responsáveis de dicastérios romanos e de escritórios da Conferência Episcopal Italiana.

A formação sacerdotal é um ponto-chave da revolução de Bergoglio, feita de caminhos que se abrem, de estradas para começar a caminhar. A entrada para os Pequenos Irmãos de Jesus Caritas, depois da ordenação no dia 16 de maio de 1992  em Latrão pelo então cardeal vigário Camillo Ruini, marcou o percurso de Faraghini.

Depois, a partida para a Terra Santa, em Nazaré, para o ano de noviciado. Em seguida, ele foi pároco em Limiti di Spello (1998-2005) e em Foligno (2005-2017). No Seminário Maior, ele sucede ao padre siciliano Concetto Occhipinti.

Durante o Capítulo Geral que acaba de concluir, ele apresentou uma conferência sobre ser um pequeno irmão presbítero na paróquia. “O segundo ponto – disse – é a gratuidade da presença. Viver em pura perda, sem compensações, apenas estando aí. O frei Charles de Jesus falava do anúncio do Evangelho com a vida, de evangelização por meio da amizade e da bondade. Imitar Jesus na vida cotidiana de Nazaré é estar em um lugar e compartilhar a vida com quem está lá. Fazer amizade com as pessoas: essa foi a atividade do frei Charles no deserto do Saara.”

La Repubblica

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Um novo artigo da revista TIME indaga-se sobre um fenômeno que está se tornando cada vez mais comum nos Estados Unidos: o aumento do número de seminaristas e sacerdotes “millennialls”.

De acordo com o Centro de Pesquisa Aplicada no Apostolado da Universidade de Georgetown, 1.900 homens menores de 30 anos se matricularam em seminários católicos em 2016, frente aos 1.300 em 2015.

“Os sacerdotes ‘millennialls’ são frutos da Igreja e do século XXI. Usam Facebook e Snapchat e conversam com seus amigos usando GIFs engraçados”, escreveu a jornalista Elizabeth Dias em seu artigo para TIME.

Além disso, indicou que “é mais provável que em público sua roupa clerical do que calças jeans” e “que compartilham mais rápido os detalhes de sua vida de oração do que as suas noites de sexta-feira assistindo Netflix”.

Além disso, acrescentou, falam abertamente com seus supervisores a respeito das suas lutas com relação à castidade.

Segundo a autora, esta mudança acontece em um momento no qual o Papa Francisco “está pedindo um novo tipo de sacerdote para servir nas paróquias de todo o mundo”.

“Seu pontificado tem apenas quatro anos e os sacerdotes ‘millennials’ não são um grupo homogêneo, mas já compartilham uma missão”, assegurou.

Para dar um exemplo, Dias disse que a próxima geração de sacerdotes que atendem ao apelo do Papa “será muito parecida ao Pe. Chris Seith”, (foto acima) vigário paroquial de Nossa Senhora da Misericórdia em Potomac, estado de Maryland.

“Seith, atualmente tem 28 anos, pratica CrossFit, anda de bicicleta nos corredores da escola católica da sua paróquia e cumprimenta todos os estudantes, com um bigode falso e um chapéu de gondoleiro. Também faz bolos nos dias religiosos a fim de incentivar as pessoas a celebrar as festas religiosas como verdadeiras festas”.

Finalmente, indicou que “a missão da misericórdia e a primeira Exortação Apostólica do Papa Francisco, A Alegria do Evangelho, orienta o seu propósito”.

“A alegria é contagiante, a energia é contagiante. Eu só quero ser o rosto dessa alegria”, disse o Pe. Seith.

ACI

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Devemos desconfiar dos sacerdotes “que sabem tudo”, aos quais as crianças poderiam chamar de “padres Google e Wikipedia”, porque fazem muito mal, assim como os padres “empresários”, que não estão abertos às surpresas de Deus. O Papa Francisco disse estas palavras na manhã do dia 27 de maio de 2017 na Catedral de São Lourenço da cidade de Gênova, onde se reuniu com os bispos da Ligúria, com o clero e os religiosos da região, com os colaboradores leigos da cúria e com representantes de outras confissões, na segunda etapa de sua visita à cidade. O Pontífice citou o cardeal Giovanni Canestri: “A Igreja é como um rio; o importante é estar no rio”.

Depois da saudação do arcebispo cardeal Angelo Bagnasco, o Bispo de Roma respondeu a algumas perguntas que lhe foram dirigidas pelos presentes. Mas, antes, ao tomar a palavra, pediu para “rezar juntos por nossos irmãos coptas egípcios que foram assassinados porque não queriam renegar sua fé. Junto com eles, junto com seus bispos, o meu irmão Tawadros, convido vocês para rezar em silêncio e, depois, juntos uma Ave-Maria. E não vamos esquecer que hoje os mártires cristãos são mais numerosos do que nos primeiros tempos da Igreja”.

Santo Padre, pedimos que nos indique os critérios para viver uma intensa vida espiritual em nosso ministério que, na complexidade da vida moderna e das tarefas administrativas, tendem a fazer que vivamos dispersos e fragmentados.

Penso que quanto mais imitarmos o estilo de Jesus, melhor será o nosso trabalho de pastores. Este é o critério fundamental: o estilo de Jesus. Jesus sempre estava a caminho, entre as pessoas, a multidão, diz o Evangelho, que distingue bem entre discípulos, multidão, doutores da Lei. Podemos intuir que Jesus passava a maior parte do tempo na rua: isso quer dizer proximidade com os problemas das pessoas; não se escondia. E depois, à noite, escondia-se para rezar. Isso é útil para nós, que sempre estamos com pressa, olhando para o relógio, porque devemos nos apressar; mas este comportamento não é pastoral. Jesus não fazia isso. Jesus nunca esteve parado, e, como todos os que caminham, está exposto a tensões.

O maior medo que devemos ter é de uma vida estática, do padre que tem tudo bem resolvido, em ordem, estruturado, tudo em seu lugar. Eu tenho medo do padre estático, inclusive quando é estático na oração, de tal hora a tal hora. Mas não tem vontade de passar uma hora com o Senhor? Uma vida tão estruturada não é uma vida cristã. Talvez esse pároco seja um bom empresário, mas é cristão? Pelo menos vive como cristão? Sim, celebra a missa, mas, e o estilo? É cristão ou empresário? Jesus sempre foi um homem da rua, do caminho, aberto às surpresas de Deus; pelo contrário, o sacerdote que tem tudo planejado, tudo estruturado, geralmente está fechado às surpresas de Deus, e  perde essa alegria da surpresa do encontro. O Senhor não o surpreende quando está à Sua espera, mas se está aberto.

Não devemos ter medo desta tensão que vivemos; nós estamos a caminho e o mundo é assim: um educador, um pai, um sacerdote está exposto a esta tensão; um coração que ama sempre viverá exposto a esta tensão.

Se olhamos para Jesus, os Evangelhos nos fazem ver dois momentos fortes, que são o fundamento: o encontro com o Pai e o encontro com as pessoas, todas, inclusive as mais incômodas, como os leprosos.

A oração: você pode rezar como um periquito, mas não é a maneira correta. Em vez disso, encontre o Senhor, cale-se, deixe-se ver, diga alguma coisa ao Senhor… Encontro. Com as pessoas, a mesma coisa. Nós sacerdotes, sabemos o quanto as pessoas que vem pedir conselhos sofrem e nós respondemos apressadamente: “Agora não tenho tempo”. Depressa e não a caminho.

Claro, estar com as pessoas cansa, mas é o Povo de Deus! Pensem em Jesus! Devemos nos deixar cansar pelas pessoas, não defender demais a nossa própria tranquilidade.

O sacerdote não deve falar demais de si mesmo, não deve sentir a necessidade de olhar-se no espelho. O cansaço que serve é o da santidade, e não deve ser auto-referência. Devemos nos perguntar: “Sou homem da rua? De ouvidos que sabem escutar? Deixo-me cansar pelas pessoas?” Assim era Jesus, não há outras fórmulas.

Fará bem a todos nós, sacerdotes, recordar que só Jesus é o Salvador, não há outros. E pensar que Jesus nunca se devotou às estruturas, mas sempre se vinculava às relações. Se um sacerdote vê que está devotado às estruturas, algo não funciona.

Certa vez ouvi um homem de Deus, possível beato, dizer que na Igreja devemos devotar o mínimo de tempo para as estruturas e o máximo de tempo para a vida, e não o contrário.

Sem a relação com Deus e com o próximo nada tem sentido na vida de um presbítero: fará carreira, irá a essa paróquia de que gosta, mas o coração ficará vazio, porque seu coração está devotado às estruturas e não às relações essenciais, com o Pai e com Jesus e com as pessoas.

Nós gostaríamos de viver melhor a fraternidade sacerdotal tão aconselhada por nosso cardeal arcebispo e promovida com encontros diocesanos, de vicariatos, peregrinações, retiros e exercícios espirituais, semanas de comunidade… O senhor pode nos dar alguma indicação?

Quantos anos você tem (“81 já completados”, foi a resposta, ndr.). Somos contemporâneos. Faço-lhe uma confissão: ouvindo-o falar assim, lhe teria dado 20 anos a menos (risos gerais, ndr.).

Fraternidade é uma bela palavra, mas não é cotada na Bolsa de Valores; é uma palavra, viver a fraternidade entre nós é muito difícil, é um trabalho diário na fraternidade presbiteral. Nós temos um perigo, o de ter criado essa imagem de padre que sabe tudo, que não necessita de conselhos. As crianças podem dizer: “Este é um padre Google e Wikipedia!” E isso faz mal à vida presbiteral.

Por que perder tanto tempo em reuniões? E quantas vezes nas reuniões eu estou em órbita e não escuto o meu irmão sacerdote que está falando? Se o bispo dissesse: “Vocês sabem que no ano que vem vai subir o 8X1000” (imposto, na Itália, destinado pelos contribuintes que o desejarem à Igreja católica, ndr.), aí sim passa a chamar a atenção!) (Risos gerais, ndr.) Há perguntas que devemos nos fazer se nas reuniões não escuto o outro que está falando: por que não me interessa? Por que não me interessa o que o meu irmão sacerdote está dizendo?

Devemos nos ouvir mutuamente, rezar juntos, fazer um bom almoço juntos, e fazer festa juntos; os sacerdotes jovens, um jogo de futebol juntos, isso faz bem: ser irmãos. A fraternidade é muito humana. Os “irmãos” são uma riqueza para o outro.

Os presbíteros e os bispos não são o Senhor, nós somos os discípulos do Senhor. Devemos nos ajudar, também discutir, como os discípulos que discutiam sobre quem era o maior dentre eles, mas não fazer fofocas, “dizer por trás”: “ouviu o que este idiota disse?” Não às murmurações e às competições.

Pensei três vezes se podia dizer isso, não sei se devo dizê-lo, mas posso dizê-lo (risos, ndr.). Para fazer uma nomeação de um bispo pede-se informações a sacerdotes, fiéis, consagrados. Às vezes, encontram-se calúnias ou opiniões que, sem serem graves, desvalorizam o sacerdote, e entende-se imediatamente que por trás estão os ciúmes. Quando não há fraternidade sacerdotal existe a traição da fé. Para seguir em frente, para crescer, depena-se o irmão.

Os grandes inimigos contra a fraternidade sacerdotal são a inveja e os ciúmes. Acontece que, às vezes, a ideologia é mais importante que a fraternidade, e até mesmo que a doutrina. Onde chegamos? Pode ajudar saber que ninguém de nós é o todo, todos somos parte de um corpo, a Igreja de Cristo. A pretensão de ter razão sempre leva-o a equivocar-se, mas isso se aprende já no seminário.

Um bom arcebispo daqui, o cardeal Canestri, dizia que “a Igreja é como um rio; o importante é estar no rio”, mas estar do lado direito ou esquerdo do rio é uma variedade lícita; o importante é estar no rio. E muitas vezes nós queremos que o rio fique pequeno e que esteja só do nosso lado, e condenamos os outros. Isso não é fraternidade. Todos dentro do rio!

Isso se aprende no seminário, e eu aconselho aos formadores: se veem um seminarista bom, inteligente, mas que é fofoqueiro, expulsem-no: será uma hipoteca para a fraternidade. Há um dito popular que diz: criam corvos e eles lhes arrancarão os olhos; se cria corvos no seminário, destruirão qualquer fraternidade no presbitério.

E existe também o pároco e o vigário paroquial. Às vezes estão de acordo, às vezes estão em lados diferentes do rio: façam um esforço para se compreenderem e se falarem. O importante é estar no rio e não fazer fofocas; precisamos criar unidade, devemos acolher os dons, os carismas, as luzes de cada um.

Certa vez, alguns monges foram ver o abade Pafnúncio, preocupados com os pecados de um deles e pediram-lhe ajuda: “Sim, vi na margem do rio um homem na lama até os joelhos. Alguns irmãos queriam dar-lhe uma mão, e, pelo contrário, afundaram-no até o pescoço. Há algumas ajudas que, na realidade, tratam de destruir, disfarçadas de ajuda”.

Uma coisa que vai nos ajudar muito quando estivermos diante dos pecados e das coisas ruins de nossos irmãos que tratam de romper a fraternidade é perguntar-se: quantas vezes eu fui perdoado?

O senhor viveu uma longa vida consagrada em diferentes situações e com diferentes cargos de responsabilidade. O que pode nos dizer para viver a nossa consagração com maior intensidade, fiéis ao nosso carisma, ao nosso apostolado e à diocese? (Pergunta da Irmã Rosangela Sala, presidenta da USMI da Ligúria, ndr.)

Irmã Rosangela, conheço-a há anos. É boa, mas tem um defeito: anda a 140 quilômetros por hora (risos, ndr.). A diocese é essa porção do Povo de Deus que tem rosto. Ela fez, faz e fará história. Todos estamos na diocese. Isso nos ajuda a fazer com que a nossa fé não seja teórica. E vocês, consagradas e consagrados, são um presente para a Igreja; cada carisma é um presente para a Igreja universal. Mas sempre é interessante ver como todos os carismas nascem em um lugar concreto que depois cresce e tem um caráter universal, mas na origem sempre tem uma concretude.

É bonito recordar como não há um carisma sem uma experiência fundadora concreta, raízes concretas. Pensemos nos franciscanos: o lugar que nos vem à mente imediatamente é Assis, “Mas somos universais”. Sim, é verdade, mas a origem concreta prevalece. O carisma é para ser encarnado, nasce em um lugar concreto e depois cresce. Mas sempre devemos buscar onde nasceu. Isso nos ensina a amar as pessoas nos lugares concretos. Concretamente. A concretude da Igreja é dada pela “diocesanidade”. Isso não quer dizer matar o carisma, não; ajuda para que o carisma se torne mais real, mais visível, mais próximo. Quando a universalidade de um instituto se esquece que deve se inserir nos lugares concretos, nas dioceses concretas, esta ordem final esquecerá onde nasceu. Universaliza-se, mas não há essa concretude da “diocesanidade”. Institutos religiosos voadores não existem, e se alguém tem essa pretensão, acabará mal.

E pensar na universalidade sem concretude leva à auto-referencialidade. E depois enfatizo a disponibilidade. Disponibilidade para ir para onde há mais riscos, necessidades; é preciso doar o carisma, inserir-se onde há mais necessidades, em todas as periferias. Estas periferias são o reflexo dos lugares em que nasceu o carisma primordial. E quando digo disponibilidade também digo revisão das obras: às vezes são feitas porque não há pessoal; mas também quando não há pessoal é bom perguntar: o nosso carisma é necessário aqui? Devemos estar disponíveis, com prudência de governo, mas sem medo dos riscos.

Fonte: Vatican Insider

Há várias semanas, durante as audições às cegas do programa “The Voice”, na Ucrânia, todos os jurados viraram a cadeira para conhecer quem estava por trás daquela voz angelical. Para surpresa de todos, descobriram um homem de batina!

O padre Alexandre Klimenjo escolheu o time da cantora ucraniana Tina Karol. “A missão de um sacerdote é transmitir alegria a todo o mundo”, comentou Klimenjo, associando o programa de entretenimento com a nova evangelização.

No dia 23 de abril passado, depois de várias semanas de competição, o sacerdote ortodoxo conquistou o grande prêmio do programa. Agora, terá a oportunidade de gravar seu primeiro single e seu primeiro videoclipe.

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No dia 16 de novembro de 2016, o padre Rosalino Santos, de 34 anos, publicou no Facebook uma foto de quando era garoto. O pároco da igreja de São Bartolomeu, em Corumbá (MS), parecia triste. Escreveu frases soltas na legenda, como “Dei o meu melhor” e “Me ilumine, Senhor”.

O que parecia ser um desabafo se tornou um bilhete de despedida. Dois dias depois, o corpo do sacerdote foi encontrado morto dentro de casa. O suicídio do padre Rosalino não foi um caso isolado. Oito dias antes, o padre Ligivaldo dos Santos, da paróquia Senhor da Paz, em Salvador (BA), já tinha colocado ponto final em sua história. Aos 37 anos, atirou-se de um viaduto.

Doze dias depois, outro caso. Pela terceira vez em menos de 15 dias, um sacerdote encerrava a própria vida. Renildo Andrade Maia, de 31 anos, era pároco da igreja de Jesus Operário, em Contagem (MG).

“A vida religiosa não dá superpoderes aos padres. Pelo contrário. Eles são tão falíveis quanto qualquer um de nós”, diz o psicólogo Ênio Pinto, autor do livro Os Padres em Psicoterapia (editora Ideias e Letras). “Em muitos casos, a fé pode não ser forte o suficiente para superar momentos difíceis”, afirma Pinto, que atua há 17 anos no Instituto Terapêutico Acolher, em São Paulo (SP), voltado ao atendimento psicoterápico de padres, freiras e leigos em serviço à Igreja.

Desde a fundação, em 2000, o instituto estima ter atendido cerca de 3,7 mil pacientes, com média de permanência de seis meses a um ano.

Estresse ocupacional

O eventual comportamento suicida de sacerdotes intriga clérigos e terapeutas. Para especialistas consultados pela reportagem, há vários possíveis fatores: excesso de trabalho, falta de lazer, perda da motivação.

“O grau de exigência é muito grande. Espera-se que o padre seja, no mínimo, modelo de virtude e santidade”, afirma o psicólogo William Pereira, autor do livro Sofrimento Psíquico dos Presbíteros (editora Vozes).”Qualquer deslize, por menor que seja, vira alvo de crítica e julgamento. Por medo, culpa ou vergonha, muitos preferem se matar a pedir ajuda”, diz.

Pesquisa de 2008 da Isma Brasil, organização de pesquisa e tratamento do estresse, apontou que a vida sacerdotal é uma das profissões mais estressantes. Naquele ano, 448 entre 1,6 mil padres e freiras entrevistados (28%) se sentiam “emocionalmente exaustos”. O percentual de clérigos nessa situação era superior ao de policiais (26%), executivos (20%) e motoristas de ônibus (15%).

A psicóloga Ana Maria Rossi, que coordenou o estudo, afirma que padres diocesanos, que trabalham em paróquias, estão mais propensos a sofrer de estresse do que monges e frades que vivem reclusos.

“Um dos fatores mais estressantes da vida religiosa é a falta de privacidade. Não interessa se estão tristes, cansados ou doentes, padres têm que estar à disposição dos fieis 24 horas por dia, sete dias por semana.”

Em 8 de janeiro de 2008, o padre José Chitumba ingressou na fazenda Santa Rosa, em Garanhuns (PE), uma das unidades do projeto Fazenda da Esperança, de recuperação de dependentes químicos em mais de 15 países. “Quando caí em depressão virei alcoólatra, pensei em suicídio, perdi o ânimo para rezar. Passei oito meses sem celebrar missa. Achei que aquela noite não teria fim”, recorda Chitumba, de 62 anos, hoje pároco da Igreja de Santo Antônio, em Chiador (MG).

A vida sacerdotal é mais atribulada do que se costuma imaginar. Inclui celebração de batizados e casamentos, visita a doentes, sessões de confissão, aulas em universidades, presença em pastorais.

Dados de 2010 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) ajudam a entender essa demanda: havia no Brasil naquele ano 22 mil padres para 123 milhões de católicos, uma média de um padre para cada 5,6 mil fiéis.

“Sobra trabalho e falta tempo. Se não tomar cuidado, o sacerdote negligencia sua espiritualidade e trabalha no piloto automático”, adverte o padre Adalto Chitolina, um dos diretores do centro Âncora, casa de repouso em Pinhais (PR) que atende padres e freiras com diagnóstico de estresse, ansiedade ou depressão. “Ao longo de 2016, nossa taxa de ocupação foi de 100%. Em alguns meses, tivemos lista de espera”, afirma.

O padre Edson Barbosa, da paróquia Nossa Senhora das Graças, em Andradina (SP), foi um dos religiosos atendidos no centro paranaense. Há dois anos, dormia pouco, comia mal, andava irritado. Mas o alarme soou quando começou a beber além da conta. Em julho de 2015, pediu dispensa de suas atividades paroquiais e passou três meses no centro Âncora, entre consultas médicas, palestras de nutrição e exercícios físicos.

“Não sei o que teria acontecido comigo se não tivesse dado essa parada. Demorei a perceber que não era super-herói”, afirma. Sóbrio há um ano e nove meses, o padre, de 36 anos, trocou o álcool por caminhadas e trajetos diários de bicicleta.

Reitor do seminário São José de Niterói, o padre Douglas Fontes diz estar atento à saúde mental dos colegas. Em pregações, costuma alertar os futuros sacerdotes para a necessidade de cuidarem mais de si mesmos.

Dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da comissão da CNBB que se ocupa da vida dos padres, diz que sacerdotes devem pedir ajuda ao bispo de sua diocese em caso de tensão psicológica ou esgotamento físicos. “Os padres não estão sozinhos. Fazemos parte de uma família. E nesta família cabe ao bispo desempenhar o papel de pai e, como tal, zelar pelas necessidades dos filhos”, afirma.

Outros locais do mundo também registram casos de padres com problemas psicológicos. Uma pesquisa da Universidade de Salamanca, na Espanha, ouviu 881 sacerdotes de três países (México, Costa Rica e Porto Rico) e identificou incidência alta de transtornos relacionados à atividade.

“Três em cada cinco experimentavam graus médios ou avançados de burnout, a síndrome do esgotamento profissional”, registrou a autora da pesquisa, Helena de Mézerville, no livro O Desgaste na Vida Sacerdotal (editora Paulus).

Naturalmente, sacerdotes católicos não são os únicos sob risco.

“A natureza do trabalho é a mesma. Logo, estamos sujeitos aos mesmos riscos”, avalia o rabino Michel Schlesinger, da Congregação Israelita Paulista (CIP). O sheik Ahmad Mazloum, do Centro Islâmico de Foz do Iguaçu (PR), faz coro.

“É preciso satisfazer, de maneira lícita e correta, as necessidades básicas do espírito, mente e corpo. Caso contrário, estaremos sempre em perigoso desequilíbrio”, alerta.

BBC Brasil

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Eles poderão ser abandonados por todos, mas não por Deus. Os pastores que seguem Jesus e não o poder, o dinheiro ou as corjas, mesmo se ficarem sozinhos e desolados, nunca ficarão “amargurados”, porque o Senhor sempre estará ao seu lado. Palavra do Papa Francisco.

Comentando a Segunda Carta a Timóteo na homilia da manhã dessa terça-feira, 18 de outubro de 2016, na Casa Santa Marta, o pontífice refletiu sobre o fim dos Apóstolos, que, como São Paulo no fim dos seus dias, devem enfrentar o drama da solidão em momentos de dificuldade.

Os Apóstolos são despojados, atacados, vítimas de fúria; até mesmo pedem esmola.

O bispo de Roma ressalta: “Sozinho, mendicante, vítima de fúria, abandonado. Mas é o grande Paulo, aquele que ouviu a voz do Senhor, o chamado do Senhor! Aquele que andou de um lado ao outro, que sofreu tantas coisas e tantas provas pela pregação do Evangelho, que fez com que os Apóstolos entendessem que o Senhor queria que os gentios também entrassem na igreja, o grande Paulo que, na oração, subiu até o Sétimo Céu e ouviu coisas que ninguém tinha ouvido antes: o grande Paulo, ali, naquele pequeno quarto de uma casa em Roma, esperando como vai acabar essa luta dentro da Igreja entre as partes, entre a rigidez dos judaizantes e aqueles discípulos fiéis a ele”.

Assim termina a existência “do grande Paulo, na desolação, não no ressentimento e na amargura, mas com a desolação interior”.

O mesmo destino foi o de São Pedro e de São João Batista, que, “na cela, sozinho, angustiado”, envia os seus discípulos para perguntar a Cristo se ele é o Messias e acaba decapitado pelo “capricho de uma bailarina e pela vingança de uma adúltera”.

No século passado, São Maximiliano Kolbe, “que fizera um movimento apostólico em todo o mundo e tantas coisas grandes”, morreu na prisão de um campo de concentração.

“O apóstolo, quando é fiel – destaca o Papa Bergoglio –, não espera outro fim senão o de Jesus.”

Justamente nesses momentos trágicos, Deus está particularmente perto, “não o abandona e ali encontra a sua força”. Assim, de fato, morrem São Paulo. Essa é a “lei do Evangelho: se a semente de trigo não morre, não dá fruto”.

Além disso, chega um momento decisivo, crucial: a ressurreição. Morrer assim “como mártires, como testemunhas de Jesus é a semente que morre e dá o fruto e enche a terra com novos cristãos”. Quando “o pastor vive assim não está amargurado: talvez tenha desolação, mas tem a certeza de que o Senhor está ao seu lado. Quando o pastor, na sua vida, se ocupou com outras coisas que não fossem os fiéis – por exemplo, está apegado ao poder, está apegado ao dinheiro, está apegado às corjas, está apegado a tantas coisas –, no fim, não estará sozinho, talvez estarão os sobrinhos, que vão esperar que ele morra para ver o que podem levar consigo”.

Depois, o papa contou: “Quando eu vou visitar a casa de repouso dos sacerdotes idosos, eu encontro muitos daqueles grandes, grandes, que deram a vida pelos fiéis. E estão lá, doentes, paralíticos, na cadeira de rodas, mas logo se vê aquele sorriso. ‘Está bem, Senhor; está bem, Senhor’, porque sentem o Senhor muito perto deles. E também aqueles olhos brilhantes que eles têm e perguntam: ‘Como vai a Igreja? Como vai a diocese? Como vão as vocações?’. Até o fim, porque são padres, porque deram a vida pelos outros”.

São Paulo, “sozinho, mendicante, vítima de fúria”, é “abandonado por todos, exceto pelo Senhor Jesus: ‘Só o Senhor ficou perto de mim!’. E o Bom Pastor, o pastor deve ter esta segurança: se ele vai pelo caminho de Jesus, o Senhor estará perto dele no fim”.

Francisco convida a rezar pelos “pastores que estão no fim da sua vida e que estão esperando que o Senhor os leve consigo. E rezemos para que o Senhor lhes dê a força, a consolação e a segurança de que, embora se sintam doentes e até mesmo sozinhos, o Senhor está com eles, perto deles. Que o Senhor lhes dê força”.

Domenico Agasso Jr., publicada no sítio Vatican Insider, 18-10-2016.

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No dia 4 de junho passado, tocou o telefone na hora do almoço na casa do sacerdote chileno Francisco Rencoret Mujica, doente de sarcoma pulmonar. Era o Papa Francisco.O padre de 35 anos, que estudava Direito Canônico em Roma, na Universidade Gregoriana, voltou a Santiago este ano para tratar de sua enfermidade.A mãe pensou que era outra pessoa“Alô Padre Arturo… Não é o Padre Arturo, é o Santo Padre. Sim, é Sua Santidade, é o Papa!”, disse Maria Isabel, mãe do Pe. Rencoret, que pensava estar falando com um sacerdote espanhol que liga com frequência para saber sobre o estado de saúde de seu filho.

Em declaração à imprensa, Pe. Rencoret explicou que o motivo do telefonema foi “para saber da minha saúde, para me dizer que rezava por mim, para dar-me o apoio, o ânimo e o carinho da Igreja”.

O encontro com o Pontífice no Vaticano

Entre outros assuntos, o sacerdote diocesano lembrou ao Papa que em outubro de 2015 lhe presenteou com um retrato dos pais do Pontífice.

Antes de terminar a conversa, o sacerdote disse a Francisco que “oferecia suas dores à sua vocação, dificuldades e penas” e que estavam “muito em comunhão, porque Deus é misericordioso”.

“Foi uma chamada preciosa, uma surpresa, uma emoção”, acrescentou.

O Pe. Francisco Rencoret Mujica é o quarto de cinco irmãos. Formou-se em direito em 2005 e naquele mesmo ano ingressou no Seminário Pontifício de Santiago do Chile.

Foi ordenado em 13 de abril de 2013.

Fonte: Rádio Vaticano

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Aproveitando as novas possibilidades de comunicação em tempo real, o Papa Francisco prega, desde ontem, quinta, 02 de junho, o primeiro dia de retiro pela televisão e a internet para sacerdotes de todo o mundo. O retiro consiste em três meditações de uma hora cada que serão transmitidas pela televisão e em “streaming” em sete idiomas, incluindo o espanhol.

Os seis mil sacerdotes que chegaram a Roma vindos de todas as partes do mundo como peregrinos no Ano Santo da Misericórdia poderão assistir ao vivo as meditações do Papa às 10h às 12h e às 14h nas grandes basílicas de Santa Maria Maior, São João de Latrão e São Paulo Extramuros. Um sacerdote espanhol definiu-o como “o primeiro retiro Urbi et Orbi”.

Francisco se deslocará de uma basílica a outra enquanto os sacerdotes participantes o escutam todo o dia no mesmo lugar, seja pessoalmente ou em telões.

As três sessões serão transmitidas ao vivo por televisões católicas de muitos países, com tradução simultânea. Qualquer sacerdote poderá acompanhá-las em qualquer lugar e em um dos sete idiomas graças ao “streaming” da página da internet oficial do Jubileu da Misericórdia (www.im.va).

O Jubileu dos Sacerdotes começou na quarta-feira à tarde, mas sua forte presença já era notada pela parte da manhã entre os 20 mil peregrinos que participaram da Audiência Geral. Utilizando uma linguagem forte, o Papa advertiu todos os fiéis que “quem se crê justo, mas julga e despreza os outros, é um corrupto e um hipócrita”.

Francisco precavia diante da falsa oração do fariseu da parábola que vai ao Templo de Jerusalém mas, em vez de falar com Deus, faz a memória de seus méritos: “é o exemplo do corrupto que finge rezar, mas está se comportando como um pavão na frente do espelho”.

À margem do texto escrito, o Bispo de Roma destacava esse erro com perguntas e respostas muito breves: “Pode-se rezar com arrogância? Não! Pode-se rezar com hipocrisia? Não!”

Pelo contrário, o publicano “que não tinha coragem de levantar os olhos e batia no peito” recorria a uma oração brevíssima: “Ó Deus, tem piedade de mim que sou pecador”.

O Papa convidou todos os peregrinos para repeti-la juntos três vezes, e acrescentou que “Deus sente uma fraqueza pelos humildes. Diante de um coração humilde, Deus abre totalmente o seu coração”.

A reportagem é de Vicente Boo e publicada por ABC.

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Desde que chegaram os primeiros missionários, a Igreja na República Democrática do Congo cresceu muito. Hoje é o país africano com o maior número de católicos, cerca de 41 milhões, e também, em proporção ao crescimento da Igreja, que tem a maior quantidade de seminaristas e seminários.

Existem 25 seminários maiores com 1.600 seminaristas próximos a sua ordenação. Há ainda 35 seminários propedêuticos e depois estão muitos seminários menores, mais os jovens que se preparam em suas próprias paróquias, antes de entrar para um seminário propedêutico.

Com estes números, pode-se dizer que é o país dos “cem seminários”, informa AICA.

Estes seminários e novas vocações sacerdotais necessitam de ajuda econômica e sustento por parte da Igreja universal.

A Obra de São Pedro Apóstolo é o organismo que sensibiliza o povo cristão sobre a importância das vocações sacerdotais e religiosas provenientes das Igrejas jovens; também sobre a necessidade de velar por elas – mediante bolsas e sustentando seminários e centros de formação –, a fim de que possam dispor dos recursos materiais sem os quais não poderiam seguir em frente.

Como parte das Pontifícias Obras Missionarias, a Obra de São Pedro Apóstolo organiza a generosidade dos fiéis do mundo inteiro para que “nenhuma vocação se perca por falta de ajuda econômica”. Sobretudo se forem tão necessárias como neste país onde a cada ano acontecem meio milhão de batismos, entre eles duzentos mil adultos.

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Sob o título de “Ônibus da Misericórdia”, a Diocese de Salford (Inglaterra)  transformou um ônibus de dois andares em um confessionário ambulante, como parte das ações do tempo da Quaresma para motivar o retorno dos fiéis que se distanciaram da Igreja. O ônibus conta com a presença de sacerdotes com os quais as pessoas podem dialogar próximos de Deus ou ter acesso ao sacramento da Penitência. O foco é nas pessoas distanciadas da Fé, que podem dialogar, receber uma bênção ou confessar-se, tem “superado as expectativas” nas palavras do Padre Frankie Mulgrew, um dos organizadores da iniciativa, a Catholic News Service. Nas primeiras duas semanas, mas de 400 pessoas visitaram o veículo. , comentou o sacerdote. “Estamos tratando de reconectar as pessoas com a Fé e dar um espaço de boas vindas para elas, de aceitação, um lugar onde vão encontrar a misericórdia de Deus de uma forma tangível”.

O Ônibus da Misericórdia está em serviço aos sábados, e é estacionado em lugares concorridos da cidade de Manchester e as povoações próximas. Enquanto os sacerdotes atendem aos fiéis, um grupo de voluntários convoca aos transeuntes, presenteando com medalhas religiosas abençoadas pelo Santo Padre. Os voluntários também oferecem informações sobre a Fé Católica e a organização da Igreja local, como a localização das paróquias e o horário das Missas.

O próprio Padre Mulgrew viveu na própria carne o processo que poderia ter um dos visitantes, já que sua conversão se produziu ao experimentar a misericórdia de Deus em uma confissão sacramental. Após o sucesso, mudou sua profissão de comediante para servir a Deus como sacerdote. Segundo o presbítero, alguns dos visitantes do Ônibus da Misericórdia se ausentaram da Igreja durante décadas.

O ônibus foi desenvolvido como uma das iniciativas do Ano Santo da Misericórdia para o tempo da Quaresma, e supõem um investimento de 330 dólares por dia tratando-se de um veículo alugado. No entanto, o amplo êxito da iniciativa motivou a Diocese a avaliar a possibilidade de continuar oferecendo este serviço durante o resto do Ano Jubilar, que culminará no mês de novembro.

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Foto dos 4 sacerdotes Missionários da Misericórdia da Comunidade Shalom, no Vaticano

O Papa Francisco recebeu em audiência no final da tarde de terça-feira (09/02), no Vaticano, os missionários da misericórdia.

Trata-se de sacerdotes indicados por várias dioceses do mundo por suas capacidades pastorais, espirituais e de escuta. A eles, o Papa confia a missão de serem anunciadores do Ano Santo em suas igrejas, um período para encontrar e experimentar a misericórdia de Deus. Os requisitos são: ser confessor humilde e sábio, capaz de perdoar a quem se aproxima deste sacramento.

Assim escreve Francisco na Bula de convocação do Jubileu: os missionários “serão um sinal da solicitude materna da Igreja pelo povo de Deus, para que entre em profundidade na riqueza deste mistério tão fundamental para a fé”.

“Serão, sobretudo, sinal vivo de como o Pai acolhe a todos aqueles que andam à procura do seu perdão. Serão missionários da misericórdia, porque se farão, junto de todos, artífices de um encontro cheio de humanidade, fonte de libertação, rico de responsabilidade para superar os obstáculos e retomar a vida nova do Batismo.”

Francisco pede aos bispos que convidem e acolham estes missionários, para que sejam, antes de tudo, pregadores convincentes da misericórdia. O Pontífice pede ainda que as dioceses organizem “missões populares”, de modo que estes missionários sejam anunciadores da alegria do perdão.

Aborto e pecados reservados à Sé Apostólica

A todos os sacerdotes, o Papa concedeu para este Ano Jubilar a faculdade de absolver do pecado do aborto. Aos missionários da misericórdia, deu a autoridade de perdoar também os pecados que são reservados à Sé Apostólica.

São cinco, de acordo com o Direito Canônico: a profanação das espécies consagradas, a violência física contra o Papa, a ordenação episcopal sem o mandato pontifício, a tentativa de absolvição do cúmplice num pecado contra o sexto mandamento e a violação direta do segredo da confissão.

Os missionários são mais de 1 mil e provêm de todos os continentes, inclusive de regiões de especial significado, como China, Líbano, Emirados Árabes Unidos e Egito.