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A nomeação anunciada nesses dias do frei Gabriele Faraghini, romano, 51 anos, como novo reitor do Pontifício Seminário Romano Maior marca uma mudança de direção decidida na diocese confiada há poucos meses ao novo vigário Angelo De Donatis, sucessor do cardeal Agostino Vallini.

Confiar a responsabilidade pela formação dos seminaristas romanos a um seguidor dos Pequenos Irmãos de Jesus Caritas, instituto religioso da família espiritual de Charles de Foucauld, significa pedir que Roma fale uma única língua, a do Evangelho dos pobres e dos últimos. 

De Foucauld, bem-aventurado francês (1858-1916), explorador do Saara e missionário entre os tuaregues, foi apóstolo da fraternidade entre as diversas culturas, aquela mesma fraternidade que hoje Francisco pede que a Igreja assuma como própria. De Donatis, nesse sentido, interpretou bem os auspícios papais com uma primeira nomeação de traços inconfundíveis.

“A notícia sobre o pedido explícito do Papa Francisco de confiar ao frei Gabriele a orientação da formação dos futuros presbíteros no Seminário Romano foi, para a nossa pequena fraternidade, um ‘raio em céu azul’, sem dúvida, uma novidade que literalmente abalou a todos”, dizem os próprios Pequenos Irmãos de Jesus Caritas.

“A nomeação, que ocorreu no fim de junho, foi confirmada pelo Capítulo Geral da nossa congregação e anunciada oficialmente hoje, 31 de julho de 2017.”

O Seminário Maior de Roma desde sempre aspira a ser um farol na formação sacerdotal. Todo o mundo, em certa medida, tende a olhar naturalmente para Roma. E, assim, a chegada de Faraghini soa como um sinal muito claro. De Roma, aliás, partem muitos sacerdotes em missão pelo mundo, enquanto diversos padres saídos do Maior, depois, se tornaram professores universitários, bispos, responsáveis de dicastérios romanos e de escritórios da Conferência Episcopal Italiana.

A formação sacerdotal é um ponto-chave da revolução de Bergoglio, feita de caminhos que se abrem, de estradas para começar a caminhar. A entrada para os Pequenos Irmãos de Jesus Caritas, depois da ordenação no dia 16 de maio de 1992  em Latrão pelo então cardeal vigário Camillo Ruini, marcou o percurso de Faraghini.

Depois, a partida para a Terra Santa, em Nazaré, para o ano de noviciado. Em seguida, ele foi pároco em Limiti di Spello (1998-2005) e em Foligno (2005-2017). No Seminário Maior, ele sucede ao padre siciliano Concetto Occhipinti.

Durante o Capítulo Geral que acaba de concluir, ele apresentou uma conferência sobre ser um pequeno irmão presbítero na paróquia. “O segundo ponto – disse – é a gratuidade da presença. Viver em pura perda, sem compensações, apenas estando aí. O frei Charles de Jesus falava do anúncio do Evangelho com a vida, de evangelização por meio da amizade e da bondade. Imitar Jesus na vida cotidiana de Nazaré é estar em um lugar e compartilhar a vida com quem está lá. Fazer amizade com as pessoas: essa foi a atividade do frei Charles no deserto do Saara.”

La Repubblica

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Um novo artigo da revista TIME indaga-se sobre um fenômeno que está se tornando cada vez mais comum nos Estados Unidos: o aumento do número de seminaristas e sacerdotes “millennialls”.

De acordo com o Centro de Pesquisa Aplicada no Apostolado da Universidade de Georgetown, 1.900 homens menores de 30 anos se matricularam em seminários católicos em 2016, frente aos 1.300 em 2015.

“Os sacerdotes ‘millennialls’ são frutos da Igreja e do século XXI. Usam Facebook e Snapchat e conversam com seus amigos usando GIFs engraçados”, escreveu a jornalista Elizabeth Dias em seu artigo para TIME.

Além disso, indicou que “é mais provável que em público sua roupa clerical do que calças jeans” e “que compartilham mais rápido os detalhes de sua vida de oração do que as suas noites de sexta-feira assistindo Netflix”.

Além disso, acrescentou, falam abertamente com seus supervisores a respeito das suas lutas com relação à castidade.

Segundo a autora, esta mudança acontece em um momento no qual o Papa Francisco “está pedindo um novo tipo de sacerdote para servir nas paróquias de todo o mundo”.

“Seu pontificado tem apenas quatro anos e os sacerdotes ‘millennials’ não são um grupo homogêneo, mas já compartilham uma missão”, assegurou.

Para dar um exemplo, Dias disse que a próxima geração de sacerdotes que atendem ao apelo do Papa “será muito parecida ao Pe. Chris Seith”, (foto acima) vigário paroquial de Nossa Senhora da Misericórdia em Potomac, estado de Maryland.

“Seith, atualmente tem 28 anos, pratica CrossFit, anda de bicicleta nos corredores da escola católica da sua paróquia e cumprimenta todos os estudantes, com um bigode falso e um chapéu de gondoleiro. Também faz bolos nos dias religiosos a fim de incentivar as pessoas a celebrar as festas religiosas como verdadeiras festas”.

Finalmente, indicou que “a missão da misericórdia e a primeira Exortação Apostólica do Papa Francisco, A Alegria do Evangelho, orienta o seu propósito”.

“A alegria é contagiante, a energia é contagiante. Eu só quero ser o rosto dessa alegria”, disse o Pe. Seith.

ACI

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Devemos desconfiar dos sacerdotes “que sabem tudo”, aos quais as crianças poderiam chamar de “padres Google e Wikipedia”, porque fazem muito mal, assim como os padres “empresários”, que não estão abertos às surpresas de Deus. O Papa Francisco disse estas palavras na manhã do dia 27 de maio de 2017 na Catedral de São Lourenço da cidade de Gênova, onde se reuniu com os bispos da Ligúria, com o clero e os religiosos da região, com os colaboradores leigos da cúria e com representantes de outras confissões, na segunda etapa de sua visita à cidade. O Pontífice citou o cardeal Giovanni Canestri: “A Igreja é como um rio; o importante é estar no rio”.

Depois da saudação do arcebispo cardeal Angelo Bagnasco, o Bispo de Roma respondeu a algumas perguntas que lhe foram dirigidas pelos presentes. Mas, antes, ao tomar a palavra, pediu para “rezar juntos por nossos irmãos coptas egípcios que foram assassinados porque não queriam renegar sua fé. Junto com eles, junto com seus bispos, o meu irmão Tawadros, convido vocês para rezar em silêncio e, depois, juntos uma Ave-Maria. E não vamos esquecer que hoje os mártires cristãos são mais numerosos do que nos primeiros tempos da Igreja”.

Santo Padre, pedimos que nos indique os critérios para viver uma intensa vida espiritual em nosso ministério que, na complexidade da vida moderna e das tarefas administrativas, tendem a fazer que vivamos dispersos e fragmentados.

Penso que quanto mais imitarmos o estilo de Jesus, melhor será o nosso trabalho de pastores. Este é o critério fundamental: o estilo de Jesus. Jesus sempre estava a caminho, entre as pessoas, a multidão, diz o Evangelho, que distingue bem entre discípulos, multidão, doutores da Lei. Podemos intuir que Jesus passava a maior parte do tempo na rua: isso quer dizer proximidade com os problemas das pessoas; não se escondia. E depois, à noite, escondia-se para rezar. Isso é útil para nós, que sempre estamos com pressa, olhando para o relógio, porque devemos nos apressar; mas este comportamento não é pastoral. Jesus não fazia isso. Jesus nunca esteve parado, e, como todos os que caminham, está exposto a tensões.

O maior medo que devemos ter é de uma vida estática, do padre que tem tudo bem resolvido, em ordem, estruturado, tudo em seu lugar. Eu tenho medo do padre estático, inclusive quando é estático na oração, de tal hora a tal hora. Mas não tem vontade de passar uma hora com o Senhor? Uma vida tão estruturada não é uma vida cristã. Talvez esse pároco seja um bom empresário, mas é cristão? Pelo menos vive como cristão? Sim, celebra a missa, mas, e o estilo? É cristão ou empresário? Jesus sempre foi um homem da rua, do caminho, aberto às surpresas de Deus; pelo contrário, o sacerdote que tem tudo planejado, tudo estruturado, geralmente está fechado às surpresas de Deus, e  perde essa alegria da surpresa do encontro. O Senhor não o surpreende quando está à Sua espera, mas se está aberto.

Não devemos ter medo desta tensão que vivemos; nós estamos a caminho e o mundo é assim: um educador, um pai, um sacerdote está exposto a esta tensão; um coração que ama sempre viverá exposto a esta tensão.

Se olhamos para Jesus, os Evangelhos nos fazem ver dois momentos fortes, que são o fundamento: o encontro com o Pai e o encontro com as pessoas, todas, inclusive as mais incômodas, como os leprosos.

A oração: você pode rezar como um periquito, mas não é a maneira correta. Em vez disso, encontre o Senhor, cale-se, deixe-se ver, diga alguma coisa ao Senhor… Encontro. Com as pessoas, a mesma coisa. Nós sacerdotes, sabemos o quanto as pessoas que vem pedir conselhos sofrem e nós respondemos apressadamente: “Agora não tenho tempo”. Depressa e não a caminho.

Claro, estar com as pessoas cansa, mas é o Povo de Deus! Pensem em Jesus! Devemos nos deixar cansar pelas pessoas, não defender demais a nossa própria tranquilidade.

O sacerdote não deve falar demais de si mesmo, não deve sentir a necessidade de olhar-se no espelho. O cansaço que serve é o da santidade, e não deve ser auto-referência. Devemos nos perguntar: “Sou homem da rua? De ouvidos que sabem escutar? Deixo-me cansar pelas pessoas?” Assim era Jesus, não há outras fórmulas.

Fará bem a todos nós, sacerdotes, recordar que só Jesus é o Salvador, não há outros. E pensar que Jesus nunca se devotou às estruturas, mas sempre se vinculava às relações. Se um sacerdote vê que está devotado às estruturas, algo não funciona.

Certa vez ouvi um homem de Deus, possível beato, dizer que na Igreja devemos devotar o mínimo de tempo para as estruturas e o máximo de tempo para a vida, e não o contrário.

Sem a relação com Deus e com o próximo nada tem sentido na vida de um presbítero: fará carreira, irá a essa paróquia de que gosta, mas o coração ficará vazio, porque seu coração está devotado às estruturas e não às relações essenciais, com o Pai e com Jesus e com as pessoas.

Nós gostaríamos de viver melhor a fraternidade sacerdotal tão aconselhada por nosso cardeal arcebispo e promovida com encontros diocesanos, de vicariatos, peregrinações, retiros e exercícios espirituais, semanas de comunidade… O senhor pode nos dar alguma indicação?

Quantos anos você tem (“81 já completados”, foi a resposta, ndr.). Somos contemporâneos. Faço-lhe uma confissão: ouvindo-o falar assim, lhe teria dado 20 anos a menos (risos gerais, ndr.).

Fraternidade é uma bela palavra, mas não é cotada na Bolsa de Valores; é uma palavra, viver a fraternidade entre nós é muito difícil, é um trabalho diário na fraternidade presbiteral. Nós temos um perigo, o de ter criado essa imagem de padre que sabe tudo, que não necessita de conselhos. As crianças podem dizer: “Este é um padre Google e Wikipedia!” E isso faz mal à vida presbiteral.

Por que perder tanto tempo em reuniões? E quantas vezes nas reuniões eu estou em órbita e não escuto o meu irmão sacerdote que está falando? Se o bispo dissesse: “Vocês sabem que no ano que vem vai subir o 8X1000” (imposto, na Itália, destinado pelos contribuintes que o desejarem à Igreja católica, ndr.), aí sim passa a chamar a atenção!) (Risos gerais, ndr.) Há perguntas que devemos nos fazer se nas reuniões não escuto o outro que está falando: por que não me interessa? Por que não me interessa o que o meu irmão sacerdote está dizendo?

Devemos nos ouvir mutuamente, rezar juntos, fazer um bom almoço juntos, e fazer festa juntos; os sacerdotes jovens, um jogo de futebol juntos, isso faz bem: ser irmãos. A fraternidade é muito humana. Os “irmãos” são uma riqueza para o outro.

Os presbíteros e os bispos não são o Senhor, nós somos os discípulos do Senhor. Devemos nos ajudar, também discutir, como os discípulos que discutiam sobre quem era o maior dentre eles, mas não fazer fofocas, “dizer por trás”: “ouviu o que este idiota disse?” Não às murmurações e às competições.

Pensei três vezes se podia dizer isso, não sei se devo dizê-lo, mas posso dizê-lo (risos, ndr.). Para fazer uma nomeação de um bispo pede-se informações a sacerdotes, fiéis, consagrados. Às vezes, encontram-se calúnias ou opiniões que, sem serem graves, desvalorizam o sacerdote, e entende-se imediatamente que por trás estão os ciúmes. Quando não há fraternidade sacerdotal existe a traição da fé. Para seguir em frente, para crescer, depena-se o irmão.

Os grandes inimigos contra a fraternidade sacerdotal são a inveja e os ciúmes. Acontece que, às vezes, a ideologia é mais importante que a fraternidade, e até mesmo que a doutrina. Onde chegamos? Pode ajudar saber que ninguém de nós é o todo, todos somos parte de um corpo, a Igreja de Cristo. A pretensão de ter razão sempre leva-o a equivocar-se, mas isso se aprende já no seminário.

Um bom arcebispo daqui, o cardeal Canestri, dizia que “a Igreja é como um rio; o importante é estar no rio”, mas estar do lado direito ou esquerdo do rio é uma variedade lícita; o importante é estar no rio. E muitas vezes nós queremos que o rio fique pequeno e que esteja só do nosso lado, e condenamos os outros. Isso não é fraternidade. Todos dentro do rio!

Isso se aprende no seminário, e eu aconselho aos formadores: se veem um seminarista bom, inteligente, mas que é fofoqueiro, expulsem-no: será uma hipoteca para a fraternidade. Há um dito popular que diz: criam corvos e eles lhes arrancarão os olhos; se cria corvos no seminário, destruirão qualquer fraternidade no presbitério.

E existe também o pároco e o vigário paroquial. Às vezes estão de acordo, às vezes estão em lados diferentes do rio: façam um esforço para se compreenderem e se falarem. O importante é estar no rio e não fazer fofocas; precisamos criar unidade, devemos acolher os dons, os carismas, as luzes de cada um.

Certa vez, alguns monges foram ver o abade Pafnúncio, preocupados com os pecados de um deles e pediram-lhe ajuda: “Sim, vi na margem do rio um homem na lama até os joelhos. Alguns irmãos queriam dar-lhe uma mão, e, pelo contrário, afundaram-no até o pescoço. Há algumas ajudas que, na realidade, tratam de destruir, disfarçadas de ajuda”.

Uma coisa que vai nos ajudar muito quando estivermos diante dos pecados e das coisas ruins de nossos irmãos que tratam de romper a fraternidade é perguntar-se: quantas vezes eu fui perdoado?

O senhor viveu uma longa vida consagrada em diferentes situações e com diferentes cargos de responsabilidade. O que pode nos dizer para viver a nossa consagração com maior intensidade, fiéis ao nosso carisma, ao nosso apostolado e à diocese? (Pergunta da Irmã Rosangela Sala, presidenta da USMI da Ligúria, ndr.)

Irmã Rosangela, conheço-a há anos. É boa, mas tem um defeito: anda a 140 quilômetros por hora (risos, ndr.). A diocese é essa porção do Povo de Deus que tem rosto. Ela fez, faz e fará história. Todos estamos na diocese. Isso nos ajuda a fazer com que a nossa fé não seja teórica. E vocês, consagradas e consagrados, são um presente para a Igreja; cada carisma é um presente para a Igreja universal. Mas sempre é interessante ver como todos os carismas nascem em um lugar concreto que depois cresce e tem um caráter universal, mas na origem sempre tem uma concretude.

É bonito recordar como não há um carisma sem uma experiência fundadora concreta, raízes concretas. Pensemos nos franciscanos: o lugar que nos vem à mente imediatamente é Assis, “Mas somos universais”. Sim, é verdade, mas a origem concreta prevalece. O carisma é para ser encarnado, nasce em um lugar concreto e depois cresce. Mas sempre devemos buscar onde nasceu. Isso nos ensina a amar as pessoas nos lugares concretos. Concretamente. A concretude da Igreja é dada pela “diocesanidade”. Isso não quer dizer matar o carisma, não; ajuda para que o carisma se torne mais real, mais visível, mais próximo. Quando a universalidade de um instituto se esquece que deve se inserir nos lugares concretos, nas dioceses concretas, esta ordem final esquecerá onde nasceu. Universaliza-se, mas não há essa concretude da “diocesanidade”. Institutos religiosos voadores não existem, e se alguém tem essa pretensão, acabará mal.

E pensar na universalidade sem concretude leva à auto-referencialidade. E depois enfatizo a disponibilidade. Disponibilidade para ir para onde há mais riscos, necessidades; é preciso doar o carisma, inserir-se onde há mais necessidades, em todas as periferias. Estas periferias são o reflexo dos lugares em que nasceu o carisma primordial. E quando digo disponibilidade também digo revisão das obras: às vezes são feitas porque não há pessoal; mas também quando não há pessoal é bom perguntar: o nosso carisma é necessário aqui? Devemos estar disponíveis, com prudência de governo, mas sem medo dos riscos.

Fonte: Vatican Insider

Há várias semanas, durante as audições às cegas do programa “The Voice”, na Ucrânia, todos os jurados viraram a cadeira para conhecer quem estava por trás daquela voz angelical. Para surpresa de todos, descobriram um homem de batina!

O padre Alexandre Klimenjo escolheu o time da cantora ucraniana Tina Karol. “A missão de um sacerdote é transmitir alegria a todo o mundo”, comentou Klimenjo, associando o programa de entretenimento com a nova evangelização.

No dia 23 de abril passado, depois de várias semanas de competição, o sacerdote ortodoxo conquistou o grande prêmio do programa. Agora, terá a oportunidade de gravar seu primeiro single e seu primeiro videoclipe.

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No dia 16 de novembro de 2016, o padre Rosalino Santos, de 34 anos, publicou no Facebook uma foto de quando era garoto. O pároco da igreja de São Bartolomeu, em Corumbá (MS), parecia triste. Escreveu frases soltas na legenda, como “Dei o meu melhor” e “Me ilumine, Senhor”.

O que parecia ser um desabafo se tornou um bilhete de despedida. Dois dias depois, o corpo do sacerdote foi encontrado morto dentro de casa. O suicídio do padre Rosalino não foi um caso isolado. Oito dias antes, o padre Ligivaldo dos Santos, da paróquia Senhor da Paz, em Salvador (BA), já tinha colocado ponto final em sua história. Aos 37 anos, atirou-se de um viaduto.

Doze dias depois, outro caso. Pela terceira vez em menos de 15 dias, um sacerdote encerrava a própria vida. Renildo Andrade Maia, de 31 anos, era pároco da igreja de Jesus Operário, em Contagem (MG).

“A vida religiosa não dá superpoderes aos padres. Pelo contrário. Eles são tão falíveis quanto qualquer um de nós”, diz o psicólogo Ênio Pinto, autor do livro Os Padres em Psicoterapia (editora Ideias e Letras). “Em muitos casos, a fé pode não ser forte o suficiente para superar momentos difíceis”, afirma Pinto, que atua há 17 anos no Instituto Terapêutico Acolher, em São Paulo (SP), voltado ao atendimento psicoterápico de padres, freiras e leigos em serviço à Igreja.

Desde a fundação, em 2000, o instituto estima ter atendido cerca de 3,7 mil pacientes, com média de permanência de seis meses a um ano.

Estresse ocupacional

O eventual comportamento suicida de sacerdotes intriga clérigos e terapeutas. Para especialistas consultados pela reportagem, há vários possíveis fatores: excesso de trabalho, falta de lazer, perda da motivação.

“O grau de exigência é muito grande. Espera-se que o padre seja, no mínimo, modelo de virtude e santidade”, afirma o psicólogo William Pereira, autor do livro Sofrimento Psíquico dos Presbíteros (editora Vozes).”Qualquer deslize, por menor que seja, vira alvo de crítica e julgamento. Por medo, culpa ou vergonha, muitos preferem se matar a pedir ajuda”, diz.

Pesquisa de 2008 da Isma Brasil, organização de pesquisa e tratamento do estresse, apontou que a vida sacerdotal é uma das profissões mais estressantes. Naquele ano, 448 entre 1,6 mil padres e freiras entrevistados (28%) se sentiam “emocionalmente exaustos”. O percentual de clérigos nessa situação era superior ao de policiais (26%), executivos (20%) e motoristas de ônibus (15%).

A psicóloga Ana Maria Rossi, que coordenou o estudo, afirma que padres diocesanos, que trabalham em paróquias, estão mais propensos a sofrer de estresse do que monges e frades que vivem reclusos.

“Um dos fatores mais estressantes da vida religiosa é a falta de privacidade. Não interessa se estão tristes, cansados ou doentes, padres têm que estar à disposição dos fieis 24 horas por dia, sete dias por semana.”

Em 8 de janeiro de 2008, o padre José Chitumba ingressou na fazenda Santa Rosa, em Garanhuns (PE), uma das unidades do projeto Fazenda da Esperança, de recuperação de dependentes químicos em mais de 15 países. “Quando caí em depressão virei alcoólatra, pensei em suicídio, perdi o ânimo para rezar. Passei oito meses sem celebrar missa. Achei que aquela noite não teria fim”, recorda Chitumba, de 62 anos, hoje pároco da Igreja de Santo Antônio, em Chiador (MG).

A vida sacerdotal é mais atribulada do que se costuma imaginar. Inclui celebração de batizados e casamentos, visita a doentes, sessões de confissão, aulas em universidades, presença em pastorais.

Dados de 2010 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) ajudam a entender essa demanda: havia no Brasil naquele ano 22 mil padres para 123 milhões de católicos, uma média de um padre para cada 5,6 mil fiéis.

“Sobra trabalho e falta tempo. Se não tomar cuidado, o sacerdote negligencia sua espiritualidade e trabalha no piloto automático”, adverte o padre Adalto Chitolina, um dos diretores do centro Âncora, casa de repouso em Pinhais (PR) que atende padres e freiras com diagnóstico de estresse, ansiedade ou depressão. “Ao longo de 2016, nossa taxa de ocupação foi de 100%. Em alguns meses, tivemos lista de espera”, afirma.

O padre Edson Barbosa, da paróquia Nossa Senhora das Graças, em Andradina (SP), foi um dos religiosos atendidos no centro paranaense. Há dois anos, dormia pouco, comia mal, andava irritado. Mas o alarme soou quando começou a beber além da conta. Em julho de 2015, pediu dispensa de suas atividades paroquiais e passou três meses no centro Âncora, entre consultas médicas, palestras de nutrição e exercícios físicos.

“Não sei o que teria acontecido comigo se não tivesse dado essa parada. Demorei a perceber que não era super-herói”, afirma. Sóbrio há um ano e nove meses, o padre, de 36 anos, trocou o álcool por caminhadas e trajetos diários de bicicleta.

Reitor do seminário São José de Niterói, o padre Douglas Fontes diz estar atento à saúde mental dos colegas. Em pregações, costuma alertar os futuros sacerdotes para a necessidade de cuidarem mais de si mesmos.

Dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da comissão da CNBB que se ocupa da vida dos padres, diz que sacerdotes devem pedir ajuda ao bispo de sua diocese em caso de tensão psicológica ou esgotamento físicos. “Os padres não estão sozinhos. Fazemos parte de uma família. E nesta família cabe ao bispo desempenhar o papel de pai e, como tal, zelar pelas necessidades dos filhos”, afirma.

Outros locais do mundo também registram casos de padres com problemas psicológicos. Uma pesquisa da Universidade de Salamanca, na Espanha, ouviu 881 sacerdotes de três países (México, Costa Rica e Porto Rico) e identificou incidência alta de transtornos relacionados à atividade.

“Três em cada cinco experimentavam graus médios ou avançados de burnout, a síndrome do esgotamento profissional”, registrou a autora da pesquisa, Helena de Mézerville, no livro O Desgaste na Vida Sacerdotal (editora Paulus).

Naturalmente, sacerdotes católicos não são os únicos sob risco.

“A natureza do trabalho é a mesma. Logo, estamos sujeitos aos mesmos riscos”, avalia o rabino Michel Schlesinger, da Congregação Israelita Paulista (CIP). O sheik Ahmad Mazloum, do Centro Islâmico de Foz do Iguaçu (PR), faz coro.

“É preciso satisfazer, de maneira lícita e correta, as necessidades básicas do espírito, mente e corpo. Caso contrário, estaremos sempre em perigoso desequilíbrio”, alerta.

BBC Brasil

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Eles poderão ser abandonados por todos, mas não por Deus. Os pastores que seguem Jesus e não o poder, o dinheiro ou as corjas, mesmo se ficarem sozinhos e desolados, nunca ficarão “amargurados”, porque o Senhor sempre estará ao seu lado. Palavra do Papa Francisco.

Comentando a Segunda Carta a Timóteo na homilia da manhã dessa terça-feira, 18 de outubro de 2016, na Casa Santa Marta, o pontífice refletiu sobre o fim dos Apóstolos, que, como São Paulo no fim dos seus dias, devem enfrentar o drama da solidão em momentos de dificuldade.

Os Apóstolos são despojados, atacados, vítimas de fúria; até mesmo pedem esmola.

O bispo de Roma ressalta: “Sozinho, mendicante, vítima de fúria, abandonado. Mas é o grande Paulo, aquele que ouviu a voz do Senhor, o chamado do Senhor! Aquele que andou de um lado ao outro, que sofreu tantas coisas e tantas provas pela pregação do Evangelho, que fez com que os Apóstolos entendessem que o Senhor queria que os gentios também entrassem na igreja, o grande Paulo que, na oração, subiu até o Sétimo Céu e ouviu coisas que ninguém tinha ouvido antes: o grande Paulo, ali, naquele pequeno quarto de uma casa em Roma, esperando como vai acabar essa luta dentro da Igreja entre as partes, entre a rigidez dos judaizantes e aqueles discípulos fiéis a ele”.

Assim termina a existência “do grande Paulo, na desolação, não no ressentimento e na amargura, mas com a desolação interior”.

O mesmo destino foi o de São Pedro e de São João Batista, que, “na cela, sozinho, angustiado”, envia os seus discípulos para perguntar a Cristo se ele é o Messias e acaba decapitado pelo “capricho de uma bailarina e pela vingança de uma adúltera”.

No século passado, São Maximiliano Kolbe, “que fizera um movimento apostólico em todo o mundo e tantas coisas grandes”, morreu na prisão de um campo de concentração.

“O apóstolo, quando é fiel – destaca o Papa Bergoglio –, não espera outro fim senão o de Jesus.”

Justamente nesses momentos trágicos, Deus está particularmente perto, “não o abandona e ali encontra a sua força”. Assim, de fato, morrem São Paulo. Essa é a “lei do Evangelho: se a semente de trigo não morre, não dá fruto”.

Além disso, chega um momento decisivo, crucial: a ressurreição. Morrer assim “como mártires, como testemunhas de Jesus é a semente que morre e dá o fruto e enche a terra com novos cristãos”. Quando “o pastor vive assim não está amargurado: talvez tenha desolação, mas tem a certeza de que o Senhor está ao seu lado. Quando o pastor, na sua vida, se ocupou com outras coisas que não fossem os fiéis – por exemplo, está apegado ao poder, está apegado ao dinheiro, está apegado às corjas, está apegado a tantas coisas –, no fim, não estará sozinho, talvez estarão os sobrinhos, que vão esperar que ele morra para ver o que podem levar consigo”.

Depois, o papa contou: “Quando eu vou visitar a casa de repouso dos sacerdotes idosos, eu encontro muitos daqueles grandes, grandes, que deram a vida pelos fiéis. E estão lá, doentes, paralíticos, na cadeira de rodas, mas logo se vê aquele sorriso. ‘Está bem, Senhor; está bem, Senhor’, porque sentem o Senhor muito perto deles. E também aqueles olhos brilhantes que eles têm e perguntam: ‘Como vai a Igreja? Como vai a diocese? Como vão as vocações?’. Até o fim, porque são padres, porque deram a vida pelos outros”.

São Paulo, “sozinho, mendicante, vítima de fúria”, é “abandonado por todos, exceto pelo Senhor Jesus: ‘Só o Senhor ficou perto de mim!’. E o Bom Pastor, o pastor deve ter esta segurança: se ele vai pelo caminho de Jesus, o Senhor estará perto dele no fim”.

Francisco convida a rezar pelos “pastores que estão no fim da sua vida e que estão esperando que o Senhor os leve consigo. E rezemos para que o Senhor lhes dê a força, a consolação e a segurança de que, embora se sintam doentes e até mesmo sozinhos, o Senhor está com eles, perto deles. Que o Senhor lhes dê força”.

Domenico Agasso Jr., publicada no sítio Vatican Insider, 18-10-2016.

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No dia 4 de junho passado, tocou o telefone na hora do almoço na casa do sacerdote chileno Francisco Rencoret Mujica, doente de sarcoma pulmonar. Era o Papa Francisco.O padre de 35 anos, que estudava Direito Canônico em Roma, na Universidade Gregoriana, voltou a Santiago este ano para tratar de sua enfermidade.A mãe pensou que era outra pessoa“Alô Padre Arturo… Não é o Padre Arturo, é o Santo Padre. Sim, é Sua Santidade, é o Papa!”, disse Maria Isabel, mãe do Pe. Rencoret, que pensava estar falando com um sacerdote espanhol que liga com frequência para saber sobre o estado de saúde de seu filho.

Em declaração à imprensa, Pe. Rencoret explicou que o motivo do telefonema foi “para saber da minha saúde, para me dizer que rezava por mim, para dar-me o apoio, o ânimo e o carinho da Igreja”.

O encontro com o Pontífice no Vaticano

Entre outros assuntos, o sacerdote diocesano lembrou ao Papa que em outubro de 2015 lhe presenteou com um retrato dos pais do Pontífice.

Antes de terminar a conversa, o sacerdote disse a Francisco que “oferecia suas dores à sua vocação, dificuldades e penas” e que estavam “muito em comunhão, porque Deus é misericordioso”.

“Foi uma chamada preciosa, uma surpresa, uma emoção”, acrescentou.

O Pe. Francisco Rencoret Mujica é o quarto de cinco irmãos. Formou-se em direito em 2005 e naquele mesmo ano ingressou no Seminário Pontifício de Santiago do Chile.

Foi ordenado em 13 de abril de 2013.

Fonte: Rádio Vaticano

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Aproveitando as novas possibilidades de comunicação em tempo real, o Papa Francisco prega, desde ontem, quinta, 02 de junho, o primeiro dia de retiro pela televisão e a internet para sacerdotes de todo o mundo. O retiro consiste em três meditações de uma hora cada que serão transmitidas pela televisão e em “streaming” em sete idiomas, incluindo o espanhol.

Os seis mil sacerdotes que chegaram a Roma vindos de todas as partes do mundo como peregrinos no Ano Santo da Misericórdia poderão assistir ao vivo as meditações do Papa às 10h às 12h e às 14h nas grandes basílicas de Santa Maria Maior, São João de Latrão e São Paulo Extramuros. Um sacerdote espanhol definiu-o como “o primeiro retiro Urbi et Orbi”.

Francisco se deslocará de uma basílica a outra enquanto os sacerdotes participantes o escutam todo o dia no mesmo lugar, seja pessoalmente ou em telões.

As três sessões serão transmitidas ao vivo por televisões católicas de muitos países, com tradução simultânea. Qualquer sacerdote poderá acompanhá-las em qualquer lugar e em um dos sete idiomas graças ao “streaming” da página da internet oficial do Jubileu da Misericórdia (www.im.va).

O Jubileu dos Sacerdotes começou na quarta-feira à tarde, mas sua forte presença já era notada pela parte da manhã entre os 20 mil peregrinos que participaram da Audiência Geral. Utilizando uma linguagem forte, o Papa advertiu todos os fiéis que “quem se crê justo, mas julga e despreza os outros, é um corrupto e um hipócrita”.

Francisco precavia diante da falsa oração do fariseu da parábola que vai ao Templo de Jerusalém mas, em vez de falar com Deus, faz a memória de seus méritos: “é o exemplo do corrupto que finge rezar, mas está se comportando como um pavão na frente do espelho”.

À margem do texto escrito, o Bispo de Roma destacava esse erro com perguntas e respostas muito breves: “Pode-se rezar com arrogância? Não! Pode-se rezar com hipocrisia? Não!”

Pelo contrário, o publicano “que não tinha coragem de levantar os olhos e batia no peito” recorria a uma oração brevíssima: “Ó Deus, tem piedade de mim que sou pecador”.

O Papa convidou todos os peregrinos para repeti-la juntos três vezes, e acrescentou que “Deus sente uma fraqueza pelos humildes. Diante de um coração humilde, Deus abre totalmente o seu coração”.

A reportagem é de Vicente Boo e publicada por ABC.

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Desde que chegaram os primeiros missionários, a Igreja na República Democrática do Congo cresceu muito. Hoje é o país africano com o maior número de católicos, cerca de 41 milhões, e também, em proporção ao crescimento da Igreja, que tem a maior quantidade de seminaristas e seminários.

Existem 25 seminários maiores com 1.600 seminaristas próximos a sua ordenação. Há ainda 35 seminários propedêuticos e depois estão muitos seminários menores, mais os jovens que se preparam em suas próprias paróquias, antes de entrar para um seminário propedêutico.

Com estes números, pode-se dizer que é o país dos “cem seminários”, informa AICA.

Estes seminários e novas vocações sacerdotais necessitam de ajuda econômica e sustento por parte da Igreja universal.

A Obra de São Pedro Apóstolo é o organismo que sensibiliza o povo cristão sobre a importância das vocações sacerdotais e religiosas provenientes das Igrejas jovens; também sobre a necessidade de velar por elas – mediante bolsas e sustentando seminários e centros de formação –, a fim de que possam dispor dos recursos materiais sem os quais não poderiam seguir em frente.

Como parte das Pontifícias Obras Missionarias, a Obra de São Pedro Apóstolo organiza a generosidade dos fiéis do mundo inteiro para que “nenhuma vocação se perca por falta de ajuda econômica”. Sobretudo se forem tão necessárias como neste país onde a cada ano acontecem meio milhão de batismos, entre eles duzentos mil adultos.

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Sob o título de “Ônibus da Misericórdia”, a Diocese de Salford (Inglaterra)  transformou um ônibus de dois andares em um confessionário ambulante, como parte das ações do tempo da Quaresma para motivar o retorno dos fiéis que se distanciaram da Igreja. O ônibus conta com a presença de sacerdotes com os quais as pessoas podem dialogar próximos de Deus ou ter acesso ao sacramento da Penitência. O foco é nas pessoas distanciadas da Fé, que podem dialogar, receber uma bênção ou confessar-se, tem “superado as expectativas” nas palavras do Padre Frankie Mulgrew, um dos organizadores da iniciativa, a Catholic News Service. Nas primeiras duas semanas, mas de 400 pessoas visitaram o veículo. , comentou o sacerdote. “Estamos tratando de reconectar as pessoas com a Fé e dar um espaço de boas vindas para elas, de aceitação, um lugar onde vão encontrar a misericórdia de Deus de uma forma tangível”.

O Ônibus da Misericórdia está em serviço aos sábados, e é estacionado em lugares concorridos da cidade de Manchester e as povoações próximas. Enquanto os sacerdotes atendem aos fiéis, um grupo de voluntários convoca aos transeuntes, presenteando com medalhas religiosas abençoadas pelo Santo Padre. Os voluntários também oferecem informações sobre a Fé Católica e a organização da Igreja local, como a localização das paróquias e o horário das Missas.

O próprio Padre Mulgrew viveu na própria carne o processo que poderia ter um dos visitantes, já que sua conversão se produziu ao experimentar a misericórdia de Deus em uma confissão sacramental. Após o sucesso, mudou sua profissão de comediante para servir a Deus como sacerdote. Segundo o presbítero, alguns dos visitantes do Ônibus da Misericórdia se ausentaram da Igreja durante décadas.

O ônibus foi desenvolvido como uma das iniciativas do Ano Santo da Misericórdia para o tempo da Quaresma, e supõem um investimento de 330 dólares por dia tratando-se de um veículo alugado. No entanto, o amplo êxito da iniciativa motivou a Diocese a avaliar a possibilidade de continuar oferecendo este serviço durante o resto do Ano Jubilar, que culminará no mês de novembro.

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Foto dos 4 sacerdotes Missionários da Misericórdia da Comunidade Shalom, no Vaticano

O Papa Francisco recebeu em audiência no final da tarde de terça-feira (09/02), no Vaticano, os missionários da misericórdia.

Trata-se de sacerdotes indicados por várias dioceses do mundo por suas capacidades pastorais, espirituais e de escuta. A eles, o Papa confia a missão de serem anunciadores do Ano Santo em suas igrejas, um período para encontrar e experimentar a misericórdia de Deus. Os requisitos são: ser confessor humilde e sábio, capaz de perdoar a quem se aproxima deste sacramento.

Assim escreve Francisco na Bula de convocação do Jubileu: os missionários “serão um sinal da solicitude materna da Igreja pelo povo de Deus, para que entre em profundidade na riqueza deste mistério tão fundamental para a fé”.

“Serão, sobretudo, sinal vivo de como o Pai acolhe a todos aqueles que andam à procura do seu perdão. Serão missionários da misericórdia, porque se farão, junto de todos, artífices de um encontro cheio de humanidade, fonte de libertação, rico de responsabilidade para superar os obstáculos e retomar a vida nova do Batismo.”

Francisco pede aos bispos que convidem e acolham estes missionários, para que sejam, antes de tudo, pregadores convincentes da misericórdia. O Pontífice pede ainda que as dioceses organizem “missões populares”, de modo que estes missionários sejam anunciadores da alegria do perdão.

Aborto e pecados reservados à Sé Apostólica

A todos os sacerdotes, o Papa concedeu para este Ano Jubilar a faculdade de absolver do pecado do aborto. Aos missionários da misericórdia, deu a autoridade de perdoar também os pecados que são reservados à Sé Apostólica.

São cinco, de acordo com o Direito Canônico: a profanação das espécies consagradas, a violência física contra o Papa, a ordenação episcopal sem o mandato pontifício, a tentativa de absolvição do cúmplice num pecado contra o sexto mandamento e a violação direta do segredo da confissão.

Os missionários são mais de 1 mil e provêm de todos os continentes, inclusive de regiões de especial significado, como China, Líbano, Emirados Árabes Unidos e Egito.

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Flores, frutos, fungos e folhas secas. Depois: sacerdotes rígidos que “mordem”; seminaristas quase sádicos, porque, no fundo, “doentes mentais”; mães que dão “palmadas espirituais” e bispos que só viajam e se preocupam pouco dos problemas na diocese e que, talvez, fariam melhor em “se demitirem”. Essas são as imagens e as metáforas que pontilham o “compêndio” sobre a formação e o ministério dos sacerdotes que Francisco desenhou hoje durante a sua longa audiência aos participantes do Congresso na Pontifícia Universidade Urbaniana, promovido pela Congregação para o Clero por ocasião do 50º aniversário dos Decretos Conciliares Optatam totius e Presbyterorum ordinis. Dois decretos que – diz o papa – são “uma semente” lançada pelo Concílio “no campo da vida da Igreja” e que durante estas cinco décadas “cresceram, se tornaram uma planta vigorosa, embora com algumas folhas secas, mas, especialmente com muitas flores e frutos que adornam a Igreja de hoje”. Juntos, esses dois são “duas metades de uma realidade única: a formação dos sacerdotes, que dividimos em inicial e permanente, mas que constitui por si só uma única experiência de discipulado”.

Os padres são homens, não formados em laboratório

“O caminho de santidade de um padre começa no seminário!”, destaca Bergoglio, identificando três fases tópicas: “tomados dentre os homens”, “constituídos em favor dos homens”, presentes “no meio dos outros homens”. “Tomados dentre os homens” no sentido de que “o sacerdote é um homem que nasce em um certo contexto humano; ali aprende os primeiros valores, absorve a espiritualidade do povo, se acostuma às relações”. “Até mesmo os sacerdotes têm uma história”. Não são “fungos” que “surgem de repente na Catedral no dia da sua ordenação”, diz Francisco. É importante, por isso, que os formadores e os próprios sacerdotes tenham em conta tal história pessoal ao longo do caminho de formação. “Não se pode ser sacerdote acreditando que se formou em um laboratório”, acrescenta de improviso, “não, começa na família com a tradição da fé e todas as experiências da família”. É necessário, portanto, que toda a formação “seja personalizada, porque é a pessoa concreta que é chamada ao discipulado e ao sacerdócio”.

Família primeiro centro vocacional. “Não se esqueçam mães e avós”

Acima de tudo, devemos lembrar o fundamental “centro de pastoral vocacional” que é a família: “igreja doméstica e primeiro e fundamental lugar de formação humana”, onde pode germinar “o desejo de uma vida concebida como caminho vocacional”. “Não se esqueçam das vossas mães e das vossas avós”, exorta Francisco. Depois, elenca os outros contextos comunitários: “escola, paróquia, associações, grupos de amigos”, onde – diz – “aprendemos a estar em relação com pessoas concretas, nos fazemos modelar da relação com eles, e nos tornamos o que somos também graças a eles”.

“Um bom sacerdote”, portanto, “é antes de tudo um homem com a sua própria humanidade, que conhece a sua própria história, com as suas riquezas e as suas feridas, e que aprendeu a fazer as pazes com ela, alcançando a serenidade de fundo, própria de um discípulo do Senhor”, destaca Francisco. Por isso, “a formação humana” é necessária para os sacerdotes, “para que aprendam a não serem dominados pelos seus limites, mas, sim, a construir sobre os seus talentos”.

“Sacerdotes neuróticos? Não pode… Que passem por um médico para tomar remédio”

Além do mais um padre em paz consigo mesmo e com a sua história “saberá difundir serenidade ao seu redor, também nos momentos difíceis, transmitindo a beleza da relação com o Senhor”. Não é normal, de fato, “que um sacerdote seja triste muitas vezes, nervoso ou duro de caráter”, observa o Papa Francisco: “Não está bem e não faz bem, nem ao sacerdote, nem ao seu povo. Mas se você tem uma doença e é neurótico, vá a um médico! A um médico clínico que te dará um comprimido que te fará bem. Também dois! Mas, por favor, que os fieis não falem das neuroses dos padres. E não batam nos fieis”.

Os sacerdotes são, de fato, “apóstolos da alegria” e com a sua atitude podem “favorecer ou obstruir o encontro entre o Evangelho e as pessoas”. “A nossa humanidade é o vaso de barro’ onde guardamos o tesouro de Deus”; é necessário, por isso, cuidar “para transmitir bem o seu precioso conteúdo”. Nunca um sacerdote deve “perder a capacidade de alegria. Se a perde existe algo errado”, recomenda o Santo Padre.

E admite que “honestamente” tem medo dos rígidos: “é melhor ficar longe dos sacerdotes rígidos, eles mordem”, diz com ironia. “Lembro-me daquilo que disse Santo Ambrósio no século IV; onde há a misericórdia está o espírito do Senhor. Onde há a rigidez, estão só os seus ministros. E o ministro sem o Senhor se torna rígido. E isso é um perigo para o povo de Deus”.

“Nunca, jamais, perder as próprias raízes!”

Além disso, um padre – comenta Francisco – “não pode perder as suas raízes, é sempre um homem do povo e da cultura que o gerou”. “As nossas raízes nos ajudam a recordar quem somos e de onde Cristo nos chamou. Nós, sacerdotes, não caímos do céu, mas somos chamados por Deus, que nos tira ‘dentre os homens’, para constituir-nos em ‘favor dos homens’”.

A este respeito, o Papa contou uma anedota: “Na Companhia, alguns anos atrás, havia um bom padre, bom, jovem, dois anos de sacerdócio… entrou em crise, falou com o padre espiritual, com os superiores, os médicos: ‘vou embora, não aguento mais’. Eu conhecia a sua mãe, pessoa humilde, não uma dessas ‘mulherzinhas’… e lhe disse: ‘Por que você não vai até a sua mãe e lhe conta tudo?’. E ele foi, passou um dia com a mãe. Voltou assim. A mãe lhe deu dois tapas espirituais, lhe disse 3 ou 4 verdades, colocou-o no seu lugar, e seguiu adiante. Por quê? Porque voltou à raiz”.

“Ore como você aprendeu a rezar quando criança”

Assim, “no seminário – explicou o Papa – você deve fazer a oração mental. Sim, sim, isso deve ser feito, aprender. Mas, antes de tudo, reze como te ensinou a sua mãe, cmo aprende a rezar de criança. Até com as mesmas palavras. Comece a rezar assim, depois avançarás na oração”.

Pastores, e não os funcionários

As raízes, então. “Este é um ponto fundamental da vida e do ministério dos sacerdotes”, diz Francisco. O outro é que “se torna sacerdotes para servir os irmãos e as irmãs”. Porque “não somos sacerdotes para nós mesmos e a nossa santificação é intimamente ligada à do nosso povo, a nossa unção à sua unção”. Saber e recordar que somos “constituídos para o povo”, ajuda o sacerdote “a não pensar em si, a ser crível e não autoritário, firme mas não duro, alegre mas não superficial”. Em suma, “pastores, não funcionários”. Muito menos o sacerdote é “um profissional da pastoral ou da evangelização, que chega e faz o que deve – talvez bem, mas como se fosse um trabalho – e depois vai embora viver uma outra vida”. Não, não, “o que nasceu do povo, com o povo deve permanecer”. O sacerdote está sempre “no meio dos outros homens” e “vira-se sacerdote para estar no meio do povo”, reitera Bergoglio.

Bispos compromissados e viajantes: “Se você não está a fim de permanecer na diocese, peça demissão”

Portanto, a “proximidade” é um requisito básico, que também é necessário para os “irmãos bispos”. “Quantas vezes – diz o Papa – escutamos queixas dos sacerdotes: ‘Mas liguei para o bispo porque eu tenho um problema, a secretária me disse que ele está muito ocupado, que está viajando, que só pode me atender dentro de três meses! Um bispo sempre ocupado, graças a Deus. Mas se você, bispo, recebe o chamado de um padre e não pode encontra-lo porque tem muito trabalho, pelo menos pegue um telefone e ligue para ele. E pergunte ‘mas é urgente, não é urgente?’, de forma que ele sente que você está próximo”.

Infelizmente, porém “há bispos que parecem afastar-se dos sacerdotes”, onde “proximidade” também pode ser um telefonema”, um simples sinal “de amor paterno, de fraternidade”, mais prioridade do que uma conferência em tal cidade” ou uma viagem à América”.  do que a” conferência na cidade “ou” uma viagem na América. “” Mas escute, eh! “, diz Francisco, “o decreto de residência de Trento ainda está vigente e se você acha que não consegue ficar na diocese, peça demissão! E roda o mundo fazendo outro apostolado muito bom… Mas se você é bispo daquela diocese: residência”

O bem que padres e bispos podem fazer “vem principalmente da proximidade deles e de terno amor pelas pessoas”. Porque não são “filantropos ou funcionários”, na verdade, mas “pais e irmãos” que devem garantir “entranhas de misericórdia, olhar amoroso”. “A paternidade de um sacerdote faz muito bem” no sentido de “fazer experimentar a beleza de uma vida vivida segundo o Evangelho e o amor de Deus que se concretiza através de seus ministros.”

“Se não é possível absolver, pelo menos dê uma benção”

Porque “Deus não rejeita nunca”. E aqui uma outra “palmada” do Papa, tudo no improviso: “Penos nos confessionários – diz -, sempre e possível achar caminhos para dar a absolvição. Algumas vezes não é possível absolver. Mas tem padres que dizem: ‘Não, isso não se pode fazer, vá embora!’. Este não é o caminho… Se você não pode dar a absolvição explique: ‘Deus te ama muito. Para chegar a Deus existem muitos caminhos. Eu não posso te dar a absolvição, então, te dou a benção. Volte, volte sempre aqui que eu, cada vez, te darei a benção como sinal de que Deus te ama. E aquele homem, aquela mulher, sairá cheio de alegria porque encontrou o ícone do Pai que não rejeita nunca”.

Um padre não tem “espaços privados”

Francisco, portanto, convidou a um “bom exame de consciência” útil para orientar a própria vida e os próprio ministério a Deus: “Se o Senhor voltasse hoje, onde me encontraria? O meu coração está aonde? No meio das pessoas, orando com e para as pessoas, envolvido com as suas alegrias e sofrimentos, ou, no meio das coisas do mundo, dos trabalhos terrenos, dos meus ‘espaços’ privados?”. Atenção – diz ele – porque “um padre não pode ter um espaço privado ou está com o Senhor. Acho que os sacerdotes que conheci na minha cidade, quando não havia nenhuma secretária telefônica, dormiam com o telefone debaixo da mesa e quando as pessoas ligavam, se levantavam e iam dar a unção. Ninguém morria sem os sacramentos… Nem mesmo no descanso tinham um espaço privado. Isso é ser apostólico”.

“Olhos abertos nas admissões nos seminários. Atrás dos rígidos existem transtornos mentais”

Um último pensamento, antes de concluir, Francisco o faz também improvisando sobre o tema difícil do discernimento vocacional e a admissão ao seminário. Temos que “procurar a saúde daquele jovem”, recomenda, a “saúde espiritual, material, física, psíquica”. Outra anedota: “Uma vez, recém-nomeado mestre de noviços, ano ’72, fui levar pela primeira vez à psiquiatra os resultados do teste de personalidade que se fazia como um dos requisitos do discernimento. Ela era uma boa mulher e uma boa cristã, mas em alguns casos era inflexível: “Esse não pode”. “Mas, doutora, é um jovem tão bom!”. “Mas saiba, padre – explicava a psiquiatra ao futuro Papa – existem jovens que sabem inconscientemente que são psicologicamente enfermos e procuram para as suas vidas estruturas fortes para defende-los e assim poderem seguir em frente. E estão bem até o momento em que se sentem bem estáveis, depois, ali começam os problemas…”.

“Você não pensou no porquê existem tantos policiais torturadores?”, Perguntava a mulher, “entram jovens, parecem sadios, mas quanto se sentem seguros a doença começa a sair”. Polícia, exército, clero, são, de fato, “as instituições fortes que estes doentes inconscientes procuram”, observa o Papa Francisco, “e depois, muitas doenças que todos nós conhecemos”. “É interessante – acrescenta -: quando um jovem é muito rígido, muito fundamentalista, eu não confio. Detrás daquilo existe algo que ele mesmo não sabe”.

Portanto, uma clara advertência: “Cuidado com as admissões para os seminários, olhos abertos.”

Zenit

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Uma nova investigação sobre tendências na Igreja no mundo demonstrou que a população católica mundial está crescendo tão rapidamente que o número de sacerdotes e paróquias simplesmente já não é o suficiente.

Esta realidade expõe um desafio: com um crescimento global no número de católicos, especialmente na África e Ásia, mas com um crescimento insuficiente no número de paróquias e sacerdotes, os católicos têm menos oportunidades de receberem os sacramentos e de participarem da vida paroquial.

“A Igreja ainda enfrenta um problema global do século XXI, relacionado ao compromisso permanente dos católicos com a paróquia e a vida sacramental”, assinala a investigação realizado pelo Centro de Investigação Aplicada no Apostolado (CARA, na sigla em inglês) da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos.

A investigação intitulada Global Catholicism (Catolicismo global) recolheu estatísticas do Vaticano e outras pesquisas a partir de 1980, para indagar sobre os lugares nos quais a Igreja Católica cresceu ou diminuiu a nível paroquial e para divulgar os dados demográficos para a Igreja nas próximas décadas.

A investigação assinala que “este crescimento foi analisado a nível paroquial, pois em última instância a paróquia é o “tijolo e o cimento” da Igreja, a partir do qual os católicos recebem os sacramentos, relacionam-se com outros fiéis e levam uma vida de fé ativa.

A investigação destacou o crescimento no número de católicos, sacerdotes, religiosos, paróquias, recepção dos sacramentos, seminaristas e instituições católicas, como hospitais e escolas em cinco regiões: África, Ásia, Europa, Oceania e América.

A conclusão geral do relatório aponta a que a Igreja está em meio de um “dramático realinhamento”. Experimenta uma diminuição do número de católicos no centro histórico da Europa, depois passa por uma desaceleração na América e na Oceania, mas seu auge está concentrado na Ásia e na África.

Também é projetado um deslocamento católico longe dos centros tradicionais da Europa e da América para o “Sul Global”, majoritariamente aos países em vias de desenvolvimento, nos quais se incluem América Central e América do Sul, África subsaariana, Oriente Médio, Ásia do Sul, Oceania e grande parte do Extremo Oriente.

Em entrevista com o Grupo ACI, o Dr. Mark Gray, grande investigador associado ao CARA, explicou as implicações desta mudança.

Um problema destacado pela pesquisa é que a maioria das paróquias do mundo ainda está localizada na Europa e na América, lugares no qual a Igreja experimenta um declive ou estancamento populacional. O mundo em vias de desenvolvimento está somando mais católicos, mas não existem suficientes paróquias para servi-los.

“Existem paróquias lindas” na Europa, afirmou Gray. “Não podemos pegá-las e mudá-las de lugar de um lado do mundo a outro tão facilmente. Desse modo, em um lugar a Igreja vai ter que fechar paróquias e em outro vai ter que construir muitíssimas, além de ter que encontrar a maneira de organizar seu clero”.

Outra descoberta aponta que os católicos estão participando menos na Igreja à medida que ficam mais velhos, o que se observa claramente nas taxas de participação sacramental.

Em todas as regiões, o número de batismos infantis a cada mil católicos é maior que o número de primeiras comunhões, o qual supera o número de crismas e está acima do número de matrimônios celebrados dentro da Igreja.

Embora fosse inegável em regiões como a Europa, onde existe uma baixa geral de números de sacerdotes e religiosos, isto também acontece nas demais regiões, onde o número de membros da Igreja está em crescimento.

A América tem uma taxa de assistência à Missa e um número de matrimônios por cada mil católicos inferiores à Europa, apesar de a população católica no “continente da esperança” ser cada vez maior. Gray sublinhou que estes resultados ainda devem ser analisados.

Por outro lado, o número de sacerdotes, religiosos e religiosas diminuiu na América desde a década de 1980, apesar de o número de católicos e sacerdotes diocesanos ter aumentado nesta região.

Inclusive na África, continente que possui o mais alto crescimento da Igreja, existe uma forte queda na participação sacramental do batismo ao matrimônio. A taxa de matrimônio é, na realidade, muito pequena tanto na África como na América.

Isto pode explicar-se devido à rapidez do crescimento demográfico que supera rapidamente o crescimento das suas paróquias. Pois este continente é o líder mundial com mais de 13 mil católicos por paróquia.

“Na África, mais do que em qualquer outro lugar, a Igreja precisa estudar a possibilidade de que alguns renunciem ou atrasem a atividade sacramental devido à falta de acesso à uma paróquia próxima”, sustenta o relatório do CARA.

A Ásia, entretanto, lidera a participação sacramental e supera todas as outras regiões nas taxas de primeiras comunhões, crismas e matrimônios.

“Algo que acontece na Ásia é evidente. Pois a tendência deste continente é oposta as demais regiões”, assinalou Gray, que adicionou que os líderes católicos deveriam prestar atenção ao que está acontecendo ali.

Com exceção da China continental, região da qual o Vaticano não proporcionou dados, a população católica na Ásia aumentou em aproximadamente 63% desde 1980. Em geral, a assistência à Missa também diminuiu significativamente, embora alguns países asiáticos reportaram uma assistência à Celebração Eucarística mais alta do que nos outros.

O número de sacerdotes diocesanos aumentou em mais do que dobro na Ásia desde 1980 e o número tanto de sacerdotes, como de religiosos e religiosas, aumentou quase o dobro, durante este período.

Quais são as consequências de existirem poucos sacerdotes, religiosos e paróquias para responderem ao crescimento global dos católicos no mundo todo?

Em alguns lugares, o fenômeno de fechamentos e consolidações de comunidades paroquiais tiveram como consequência a existência de “grandes paróquias”. Sobretudo na Europa e na América do Norte, onde isto já acontece. Gray explicou que o resultado poderia ser uma crise da comunidade, nas quais muitos católicos experimentam o “anonimato” em meio a tantos paroquianos.

Estes católicos “anônimos” estariam menos entusiasmados na participação da vida paroquial: doariam e participariam menos nos sacramentos e trariam cada vez menos vezes os seus filhos à Igreja.

Particularmente, isto é mais difícil para a Europa e para a América do Norte, assinalou Gray, porque historicamente estas regiões eram bem atendidas com paróquias e sacerdotes e estão acostumados a terem comunidades locais menores ao invés de grandes paróquias missionárias.

Agora, as paróquias não seriam somente maiores, como também os sacerdotes serviriam a diversas paróquias, deixando os católicos com menos oportunidades para relacionar-se com seu pároco.

“Por muito tempo as pessoas esperavam ir à sua paróquia local quando quisessem, batiam na porta e lhes abria um sacerdote. Especialmente quando alguém estava muito doente”, recordou Gray. Agora isto parece ser difícil.

A Europa vai ter uma diminuição de cinco por cento no tamanho da sua população católica até 2050, prediz o relatório, mas é impressionante que o número de sacerdotes diocesanos e religiosos com votos tenha diminuído em cerca de 40% desde 1980, assim como diminuiu o número total de paróquias.

Por conseguinte, sacerdotes de outros continentes, como por exemplo a África, tiveram que   transladar-se para servir os católicos da Europa e da América. Isto põe uma pressão adicional sobre a Igreja na África, onde o crescimento significativo nas paróquias, sacerdotes e religiosos ainda não consegue responder ao maior auge da sua população católica.

“Enquanto alguns sacerdotes africanos servem internacionalmente em paróquias do mundo inteiro, isto pode chegar a ser mais difícil nas próximas décadas, pois existem necessidades mais urgentes no próprio continente”, assinala o relatório.

Das regiões incluídas no relatório, a África experimentou o maior aumento de católicos por paróquia desde 1980, passaram de 8.193 católicos por paróquia em 1980 a 13.050 em 2012.

Apesar de o número de sacerdotes e paróquias na África subirem mais de 100% durante este período de tempo, o número de católicos cresceu em 238%, o que aumenta a proporção entre o número de católicos e o número de sacerdotes e religiosos.

Segundo estas investigações, o esplendor católico pelo qual está passando o continente é uma consequência do auge da sua população, pois as taxas de fertilidade em qualquer região estão relacionadas diretamente com a vitalidade da Igreja nessa zona.

Quando a taxa de fecundidade está abaixo do nível de substituição de 2,1 filhos por casal – como acontece na maioria dos países europeus – a Igreja está numa situação complexa.

Quando a taxa de fecundidade é mais alta e está acima da taxa de substituição – como na África subsaariana com um 5,15 – a Igreja está crescendo rapidamente.

E quando a taxa de fecundidade se aproxima do nível da taxa de substituição – como na América Latina e no Caribe, onde diminuiu de 4,2 em 1980 a 2,18 em 2012 – o crescimento da Igreja está em desaceleração.

A explicação do Dr. Mark Gray para isto é simples: menos nascimentos “significa eventualmente um menor número de batismos, primeiras comunhões, menos matrimônios e populações menores”.

Fonte: ACI