Os católicos na Alemanha são 28,2% da população (23.311.321 pessoas), distribuídos em 10.191 paróquias (em 2016 eram 10.280) e acompanhados por 13.560 sacerdotes (300 a menos em comparação com 2016). Esses são os dados estatísticos de 2017 divulgados no dia 20 de julho pelo Escritório de Imprensa da Conferência Episcopal Alemã (DBK).

Há 3.308 diáconos, 3.238 referentes pastorais e 4.557 referentes paroquiais. Em 2017, 2.647 pessoas passaram a fazer parte da Igreja, 6.685 voltaram a fazer parte dela, 167.504 pessoas a abandonaram.

“Há um grande potencial de ser comunidade, mesmo que caia a participação nos sacramentos: o Katholikentag de Münster demonstrou a força do cristianismo”, disse o padre Hans Langendörfer, secretário-geral da DBK, comentando os dados. Prova disso são os 50 mil jovens que participarão da peregrinação dos coroinhas a Roma.

As estatísticas dizem que 9,8% participam da missa, mas o sistema usado “não detecta os fiéis que, se não todos os domingos, vão à missa muitas vezes”, nem que as igrejas estão cheias no Natal e na Páscoa.

Como o número de sacerdotes cai, o Pe. Langendörfer informou que “as dioceses estão fazendo inúmeras mudanças estruturais”, mas que geram “mudanças drásticas” também na vocação sacerdotal. O número de “pessoas que nos deixaram em 2017 dói”: “Queremos entender por que as pessoas na Igreja não encontram a orientação para a sua vida e a sua fé, e que mudanças são possíveis, também em termos de credibilidade”.

 

Fonte: Servizio Informazione Religiosa

Mary McAleese, que foi a presidente da Irlanda entre 1997 e 2011, declarou recentemente que não vai participar do Encontro Mundial das Famílias, com o Papa Francisco, agendado para os dias 22 a 26 de agosto em Dublin.

Em entrevista ao Irish Times, o principal jornal do país, ela disse que o evento será apenas uma “manifestação política” voltada ao “reforço da ortodoxia“.

Além disso, ela opinou que, ao batizar crianças pequenas, a Igreja está criando “pequenos recrutas em obrigação vitalícia de obediência”, o que, a seu ver, seria “uma violação aos direitos humanos“. Disse ela:

“Você não pode impor obrigações às pessoas com apenas duas semanas de idade (…) Vivemos agora uma época em que temos o direito à liberdade de consciência, à liberdade de crença, à liberdade de opinião, à liberdade religiosa e à liberdade de mudar de religião. A Igreja Católica ainda tem que abraçar esse pensamento”.

Aplicando a mesma falta de lógica a outros contextos, poderíamos ampliar essa lista de declarações infundadas e afirmar, com igual leviandade e tergiversação, que os pais também violam os direitos humanos ao darem carne a seus filhos sem saber se eles um dia não vão preferir virar veganos; ao levá-los a um estádio ou ao teatro sem saber se eles um dia não vão declarar que o futebol é o ópio do povo e as artes pervertem os costumes; ao vesti-los com a roupa xis sem saber se eles um dia não vão tachar essas vestes de imposição cultural opressiva; ao medicá-los com remédios da indústria farmacêutica sem saber se um dia eles não vão preferir tratamentos exclusivamente homeopáticos, e um longo etcétera de possibilidades análogas.

O fato de as crianças serem criadas conforme as convicções religiosas dos pais não as impede de, ao crescerem, optar por outras formas de viver a espiritualidade – ou mesmo por nenhuma, caso assim decidam. Não faz o menor sentido proibir os pais de criarem os seus filhos de acordo com as suas crenças e conforme o seu discernimento, desde que, obviamente, essa criação não implique qualquer ilegalidade ou patente abuso. Existe alguma comprovação científica ou pelo menos algum indício sério de que batizar um filho venha a constituir um abuso de qualquer espécie? Não.

Em 16 de junho de 2018, durante um evento em Dublin, a ex-presidente também afirmou que tinha votado a favor do aborto no referendo de 25 de maio. A respeito da declaração de um bispo irlandês de que os católicos que votaram a favor precisariam se confessar, ela retrucou que o seu voto “não foi um pecado“.

Apesar das incoerências, Mary McAleese se diz católica praticante. Ela é licenciada em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma e publicou em 2012 um livro intitulado “Quo Vadis? Collegiality in the Code of Canon Law” (Quo Vadis? A Colegialidade no Código de Direito Canônico).

Como ela própria está demonstrando com seus atos e palavras, o batismo não suprime a liberdade humana de confirmá-lo ou rejeitá-lo: o fato de ter sido batizada quando criança não a impediu de exercer hoje o “direito” de proferir as mais descabeladas e apelativas acusações contra a fé que diz ter – e que, ao mesmo tempo, deseja proibir.

Aleteia

Os políticos podem mudar a lei, mas não podemos mudar a natureza da confissão’.

O arcebispo de Adelaide (foto) afirmou que a Igreja não irá aderir às novas leis que obrigam padres informados sobre abuso infantil dentro do confessionário a relatarem aquilo que ouviram à polícia.

Sob as novas leis definidas para entrar em vigor em outubro no Sul da Austrália, padres que falharem em denunciar abuso de criança à polícia serão multados em até US $10.000 (cerca de R$28 mil, nde).

“Os políticos podem mudar a lei, mas não podemos mudar a natureza da confissão, que é um encontro sagrado entre um penitente, alguém buscando perdão e um padre que representa Cristo”, disse o bispo Greg O’Kelly, arcebispo interino de Adelaide, a rádio ABC Adelaide em 15 de junho.

“Não nos afeta. Temos um entendimento em relação ao sigilo da confissão que é do domínio do sagrado”, continuou.

“O direito canônico estabelece que ‘é absolutamente proibido um confessor trair de alguma forma um penitente em palavras ou em qualquer forma e por qualquer motivo’”, acrescentou.

Bispo O’Kelly disse que a Igreja não tinha sido notificada da mudança até a quinta-feira (14 de junho). A legislação foi sancionada no ano passado.

A lei faz parte da resposta do governo australiano do sul à Comissão Real para Respostas Institucionais a Casos de Abuso Sexual Infantil, lançado pelo procurador-geral Vickie Chapman na terça-feira.

“Onde há provas claras para indiciar um ministro da religião… não se conseguiu cumprir os requisitos de informação obrigatórios. Assim, o assunto precisa ser investigado pelas autoridades, com medidas efetivas – incluindo acusação – tomada conforme a necessidade do caso”, diz um comunicado divulgado pelo porta-voz do departamento do procurador-geral.

A cidade de Camberra deve seguir a decisão da Austrália do Sul após o governo da capital da nação votar para abolir o sigilo do confessionário para casos de abuso infantil a partir de março.

Mark Coleridge, o arcebispo de Brisbane e presidente da conferência de bispos católicos australiano, descreveu a mudança como “prematuro e imprudente, aparentemente motivado por um desejo de penalizar a Igreja Católica, sem considerar devidamente a ramificações da decisão”.

A reportagem é de Rose Gamble, publicada por The Tablet, 

O governo da Austrália vem trabalhando na promulgação de uma lei que obrigaria os sacerdotes católicos a romperem o segredo do sacramento da confissão.

A nova lei é apresentada como um modo de forçar os padres a denunciarem abusadores de crianças. Esta suposta lógica, no entanto, é muito frágil: não garante a segurança das crianças e ainda atropela o direito elementar à liberdade religiosa e de consciência, porque, além de atingir os padres, atinge também os penitentes católicos, que deixariam de ter garantido o segredo daquilo que confessam a Deus mediante o sacerdote. Como se não bastasse, a medida que desvia do governo a responsabilidade principal de zelar pelas crianças e pelo seu bem-estar é na prática infiscalizável, o que a torna inefetiva.

No fim das contas, é apenas mais um dos inúmeros assédios governamentais contra a Igreja no mundo, enquanto medidas realmente eficazes deixam de ser implementadas. A grande maioria dos abusos sexuais, na Austrália e no planeta inteiro, acontece dentro das residências, perpetrada por familiares. O que o governo da Austrália pretende fazer a este respeito?
A Igreja católica vem adotando medidas cada vez mais duras, impulsionadas pela política de tolerância zero dos Papas Bento XVI e Francisco, julgando e condenando de padres até arcebispos por esse crime e por várias outras formas de abuso.
O governo da Austrália tem tomado medidas do mesmo calibre em relação às suas próprias estruturas? E em relação a outros ambientes em que também proliferam abusos sexuais, de poder econômico e de autoridade, como o mundo dos espetáculos, as grandes instituições financeiras, os clubes esportivos, as agências de modelos e as entidades ligadas a outras religiões, para citar apenas alguns exemplos mais notórios?
É evidente que a existência de abusos em outros contextos não reduz em nada a gravidade de cada um dos escândalos que ocorreram e ocorrem dentro da Igreja: eles devem ser rigidamente punidos e coibidos e isto não se discute. O que não é nada evidente é o porquê de haver tanta ênfase em colocar a Igreja na berlinda enquanto outras instituições com escândalos em proporção maior e mais habitual parecem despertar bem menos “preocupação” e “indignação” de governos e da mídia.

Dom Christopher Charles Prowse, arcebispo de Canberra, a capital do país, escreveu em artigo publicado pelo jornal Camberra Times:

“Os padres são obrigados por voto sagrado a manterem o segredo da confissão, já que, sem esse voto, quem estaria disposto a se livrar dos seus pecados?

O governo ameaça a liberdade religiosa ao tentar mudar o sacramento da confissão em vez de melhorar a segurança das crianças. Infelizmente, romper o segredo da confissão não impedirá o abuso e não ajudará em nossos esforços contínuos para melhorar a segurança das crianças nas instituições católicas”.

Entre os membros do poder legislativo, há vários que reconhecem que o arcebispo tem razão.

O deputado Andrew Wall, por exemplo, concorda que a obrigatoriedade de denunciar abusadores à polícia não pode ser estendida ao confessionário, porque isso “interfere significativamente na liberdade de associação de um indivíduo, na liberdade de expressão e na liberdade de direitos religiosos“.

A deputada Vicki Dunne, católica, chega a recordar que o sacerdote que viola o sigilo da confissão incorre em excomunhão automática (“latae sententiae“), que só pode ser levantada pelo Papa.

Aleteia

Nota Oficial da Diocese de Campina Grande sobre a Ideologia de Gênero

Estimados irmãos e irmãs, Fiéis desta Diocese.
“Homem e mulher ele os criou” (Gn 1,27)

Considerando que ‘ser homem’, ‘ser mulher’ é uma realidade boa e querida por Deus e que as pessoas humanas, iguais em dignidade, no seu ‘ser homem’ e no seu ‘ser mulher’, refletem a sabedoria e a bondade do Criador;1

Considerando que ao criar o homem e a mulher Deus instituiu a família humana e dotou-a da sua constituição fundamental, e que a autoridade, a estabilidade e a vida de relações no seio da família constituem os fundamentos da liberdade, da segurança, da fraternidade no seio da sociedade;”2

Considerando que a sociedade doméstica tem sobre a sociedade civil uma prioridade lógica3, que a autoridade civil deve considerar como seu grave dever o de reconhecer e proteger a verdadeira natureza do matrimônio e da família4, de assisti-la e nomeadamente lhe garantir: a liberdade de fundar um lar, ter filhos e educá-los de acordo com as suas próprias convicções morais e religiosas; a liberdade de professar a sua fé, de a transmitir, de educar nela os seus filhos, com os meios e as instituições necessárias.

Considerando ainda as palavras do Santo Padre, o Papa Francisco, de que “existem verdadeiras colonizações ideológicas. E uma delas – digo-a claramente por «nome e apelido» – é o gênero! Hoje às crianças – às crianças! –, na escola, ensina-se isto: o sexo, cada um pode escolhê-lo”;

Fazemos saber a todos os fiéis desta diocese que a teoria de gênero, por determinar que o gênero é uma construção radicalmente independente do sexo, por sua obstinada luta para desconstruir a ideia de ‘ser masculino’ e ‘ser feminino’, por sua encarnada necessidade de demolição do conceito de família biológica tal qual a concebemos, é incompatível com os princípios cristãos, e, por isso, não goza do apoio, acolhimento ou incentivo desta Igreja Particular Diocesana.

Fraternalmente em Cristo Jesus,

Dom Dulcênio Fontes de Matos
Bispo Diocesano de Campina Grande – PB

1 Catecismo da Igreja Católica, § 369.
2 Catecismo da Igreja Católica, §2203, §2207.
3 Leão XIII, Carta encíclica “Rerum Novarum”, 6.
4 II Concílio do Vaticano, Const. past. “Gaudium et spes”, 52.
5 São João Paulo II, Ex. ap. “Familiaris Consortio”, 46; II Concílio do Vaticano, Declaração “Gravissimus Educationis”, 7.

Essa interrogação e as variações e implicações que dela derivam são respondidas agora por uma nova pesquisa longa e precisa realizada pelo Pew Research Center, entre abril e agosto de 2017, e tornada pública no original em inglês nos últimos dias.

O Pew Research Center é um think tank estadunidense, com sede em Washington, que fornece informações sobre problemas sociais, opinião pública e tendências demográficas sobre os Estados Unidos e o mundo em geral. Realiza sondagens de opinião pública, pesquisas demográficas, análises de conteúdo das mídias e outras pesquisas no campo das ciências sociais empíricas.

O texto que aqui publicamos é uma síntese elaborada pelo próprio centro e é tirada de um relatório acompanhado no original por inúmeros gráficos ilustrativos.

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A Europa ocidental, berço do protestantismo e historicamente sede do catolicismo, tornou-se uma das regiões mais seculares do mundo. Embora a grande maioria dos adultos afirme que recebeu o batismo, hoje muitos deles não se definem como cristãos. 

Porém, na maioria dos casos, os adultos entrevistados se consideram cristãos de fato, mesmo que raramente frequentem a Igreja.

A pesquisa mostra que os cristãos não praticantes (como são definidas no relatório as pessoas que se declaram como cristãs, mas que participam nas funções religiosas apenas algumas vezes por ano) representam a cota mais ampla da população na região em questão.

Em todos os países, exceto na Itália, são mais numerosos do que os cristãos praticantes (ou seja, aqueles que participam das funções religiosas pelo menos uma vez por mês). Os cristãos não praticantes são mais numerosos do que aqueles que não se reconhecem em nenhuma religião (ou seja, pessoas que se identificam como ateias, agnósticas ou “de nenhuma religião em particular”) na maioria dos países incluídos na pesquisa.

Com a palavra, os dados

O estudo do Pew Research Center, realizado sobre mais de 24.000 entrevistas telefônicas com adultos selecionados aleatoriamente, incluindo cerca de 12.000 cristãos não praticantes, revela que a identidade cristã continua sendo uma marca significativa na Europa ocidental, mesmo entre aqueles que raramente frequentam a Igreja.

Não se trata simplesmente de uma identidade “nominal” sem relevância prática. Ao contrário, o ponto de vista dos cristãos não praticantes sobre a religião, a política e a cultura é muitas vezes diferente do dos cristãos praticantes e/ou adultos que não se reconhecem em nenhuma religião.

A identidade cristã na Europa ocidental, de fato, está associada a opiniões mais negativas em relação aos imigrantes e às minorias religiosas. No geral, aqueles que se professam cristãos, frequentam a igreja ou não, são mais propensos a expressar opiniões negativas contra os imigrantes, assim como aos muçulmanos e aos judeus, em comparação com aqueles que não se reconhecem em nenhuma religião.

Por exemplo, 63% dos cristãos praticantes na Itália afirmam que o Islã é fundamentalmente incompatível com a cultura e os valores italianos, opinião compartilhada por 51% dos cristãos não praticantes. Entre os adultos que não se reconhecem em nenhuma religião, ao contrário, a porcentagem de entrevistados que considera que o Islã é fundamentalmente incompatível com a cultura e os valores do próprio país é inferior (29%).

Na Europa, observa-se uma distribuição análoga em relação às limitações para o vestuário das mulheres muçulmanas em público: os cristãos são mais propensos do que as pessoas com “nenhuma religião” a afirmar que as mulheres muçulmanas deveriam poder não usar qualquer indumentária religiosa.

Os cristãos praticantes, os cristãos não praticantes e as pessoas que não se reconhecem em nenhuma religião também diferem em termos de atitude em relação ao nacionalismo.

Os cristãos não praticantes são menos propensos do que os cristãos praticantes a expressar pontos de vista nacionalistas. Porém, são mais propensos do que os entrevistados com “nenhuma religião” a afirmar que a própria cultura é superior às outras e que é necessário ter pais de um país para compartilhar sua identidade nacional (por exemplo, é necessário ter uma tradição familiar espanhola para ser realmente espanhóis).

Na Itália, por exemplo, a maioria dos cristãos praticantes (57%) concorda com a afirmação “os meus compatriotas não são perfeitos, mas a nossa cultura é superior às outras”. Esse percentual cai para 49% entre os cristãos não praticantes, mas, contudo, permanece superior aos 14% dos italianos adultos que não se reconhecem em nenhuma religião que compartilha esse ponto de vista.

Imigrantes e minorias

A pesquisa, que foi realizada após uma escalada dos fluxos migratórios dirigidos à Europa e provenientes de países de maioria muçulmana, fez muitas outras perguntas sobre a identidade nacional, o pluralismo religioso e a imigração.

A maioria dos europeus ocidentais se declara disposta a aceitar muçulmanos e judeus no seu bairro e na própria família, e, em grande parte, não concorda com as afirmações negativas sobre esses grupos. Além disso, no geral, o número de entrevistados que afirmam que os imigrantes são honestos e trabalham duro é maior do que os da opinião contrária.

No entanto, existe um modelo que emerge de modo claro e coerente: os cristãos, tanto praticantes quanto não praticantes, são mais propensos do que os adultos que não se reconhecem em nenhuma religião na Europa ocidental a expressar opiniões desfavoráveis em relação aos imigrantes e às minorias e pontos de vista nacionalistas.

Há também outros fatores que estão fora da identidade religiosa e que estão intimamente ligados a essas posições. Por exemplo, o nível de educação mais alto e o conhecimento direto de uma pessoa muçulmana tendem a se associar a uma maior abertura em relação à imigração e às minorias religiosas.

Além disso, a identificação com a direita política está fortemente conectada com posições anti-imigração. Dito isso, mesmo empregando técnicas estatísticas para levar em conta esses e muitos outros fatores, incluindo idade e sexo, os europeus ocidentais que se identificam como cristãos são mais inclinados a expressar sentimentos negativos sobre os imigrantes e sobre as minorias religiosas do que aqueles que não se reconhecem em nenhuma religião.

Pontos de divergência

Os cristãos não praticantes, os cristãos praticantes e os adultos que não se reconhecem em nenhuma religião mostram outros pontos divergência importantes nessa área geográfica:

– embora afirmando não acreditar em Deus “como descrito na Bíblia”, muitos cristãos não praticantes tendem a acreditar em algum outro poder superior ou força espiritual. Pelo contrário, a maioria dos cristãos praticantes afirmam acreditar na descrição bíblica de Deus. E uma clara maioria dos adultos que não se reconhecem em nenhuma religião não acredita em nenhum tipo de poder superior ou força espiritual no universo.

os cristãos não praticantes tendem a expressar posições mais positivas do que negativas em relação às Igrejas e a outras organizações religiosas, declarando que desempenham uma função socialmente útil, ajudando os pobres e fortalecendo os laços dentro das comunidades. Suas atitudes em relação às instituições religiosas não são favoráveis como as dos cristãos praticantes, mas, em comparação com os europeus que não se reconhecem em nenhuma religião, os cristãos não praticantes são mais propensos a afirmar que as Igrejas e as outras organizações religiosas contribuem positivamente com a sociedade.

– a grande maioria dos cristãos não praticantes, como aquela das pessoas que não se reconhecem em nenhuma religião na Europa ocidental, é favorável ao aborto legal e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Os cristãos praticantes são mais conservadores sobre essas questões, embora, dentro desse segmento, haja um apoio substancial (em alguns países, majoritário) ao aborto legal e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.

– quase todos os cristãos praticantes que são pais ou tutores de menores (com menos de 18 anos) afirmam criá-los de acordo com os princípios cristãos. Entre os cristãos não praticantes, um percentual ligeiramente inferior, que ainda representa a imensa maioria, afirma criar os próprios filhos como cristãos. Por outro lado, os pais que não se reconhecem em nenhuma religião geralmente criam seus filhos sem religião.

Esses são alguns dos principais resultados da nova pesquisa do Pew Research Center. O estudo, financiado pelo The Pew Charitable Trusts e pela John Templeton Foundation, faz parte de um projeto maior do Pew Research Center voltado a compreender a mudança religiosa e o seu impacto nas sociedades em todo o mundo.

Fonte: Settimana News

Os jovens que não creem em Deus nem praticam qualquer religião chegaram, em 2017, a 53,5%, superando pela primeira vez o número daqueles que creem. E em relação ao conjunto da população, um de cada quatro espanhóis não é religioso, segundo o estudo ‘Laicismo em números 2017’, da Fundação Ferrer i Guàrdia.

Este ano, no entanto, o percentual de não crentes caiu 0,8%, mesmo que, de acordo com a diretora da Fundação, Sílvia Luque, isso “não represente propriamente uma mudança de tendência”, segundo declarou à agência Efe, mas um aspecto estatístico, uma vez que de 1980 para cá, a população não religiosa aumentou de forma constante.

Segundo Luque, a diminuição do número de pessoas crentes ocorreu de maneira “marcada” entre 1980 e 2010, uma tendência que teria dado lugar agora a uma “estagnação”, porque “são mudanças lentas”.

“A não religiosidade entre os jovens, sim, continua crescendo, mas seu peso populacional é menor e, portanto, tem menos impacto na estatística geral”, disse Luque.

Jovens se afastam da religião

Atualmente, a idade é um dos fatores que mais incide sobre a probabilidade de professar uma religião: enquanto 53,5% dos com menos de 25 anos não creem, essa proporção diminui para cada faixa etária, até chegar a 6,7% nos maiores de 65 anos.

O relatório também inclui “grandes diferenças” territoriais, já que enquanto 39% dos catalães se declaram não religiosos, apenas 9% de murcianos compartilham essa característica.

A Catalunha é seguida, com maior número de não religiosos, pelo País Basco, as Ilhas Baleares e Navarra, enquanto que seguindo Múrcia, com menor número de não religiosos, estão Aragão, Castela-La Mancha e Extremadura.

“Os territórios mais urbanizados e industrializados mais cedo mostram uma secularização mais avançada, porque as áreas rurais mantiveram mais as tradições, incluindo aquelas de natureza religiosa”, explicou Luque.

Outro dado que se destaca no relatório é o declínio sustentado da importância da religião na vida, que, pela primeira vez em 2014, foi ultrapassada pela política, tendência que perdura até hoje.

No ofício dos ritos de passagem (batismo, casamento e exéquias) também há uma tendência de secularização acentuada, já que a proporção de casamentos civis e religiosos “inverteu-se completamente” em 20 anos: se em 1996, 76,7 % das uniões eram confessionais, agora elas representam apenas 27,5%.

Outra tendência das últimas décadas é o aumento das crianças nascidas de pais não casados, que em 1990 representavam 9,6% e hoje chegam a 44,4%.

Uma faceta que o relatório também analisa é o impacto da religião na educação, e destaca que 18% dos estudantes espanhóis estão matriculados em um centro privado de confissão religiosa, em comparação com 68% dos alunos matriculados em escolas públicas e 14% em uma escola privada laica.

Quanto à opinião sobre o aborto, 79% dos ateus e 72% dos não crentes mostram-se a favor, em comparação com 40% dos católicos e 26% dos crentes de outras religiões, porcentagens que se repetem de maneira similar na avaliação da igualdade do direito de adoção para casais homossexuais.

Os sociólogos Hungría Panadero e Josep Mañé são os autores do relatório, que é publicado anualmente há sete anos para “fazer um Raio-X do laicismo em um sentido amplo”, segundo Luque, incluindo a profissão de fé da população, mas também a análise das relações entre Igreja e Estado.

Fonte: Religión Digital

Um terço dos americanos adultos acredita em algum tipo de poder superior, mas não em Deus conforme descrito na Bíblia (Foto: Pew Research center)

Uma nova pesquisa da Pew Research descobriu que um terço dos americanos — tanto aqueles que dizem acreditar como aqueles que dizem não acreditar em Deus — crê em um poder superior ou força espiritual.

Este grupo interpreta a transcendência de uma maneira mais flexível. Alguns chamam de Deus, outros não.

A pesquisa ouviu 4.729 entrevistados e foi feita on-line em dezembro. Ela apresenta alguns insights sobre a diversidade das crenças dos Estados Unidos. E como pesquisas anteriores sobre a década passada, sugere o número de americanos que creem em Deus está declinando lentamente.

“Uma das questões-chave que motivou a pesquisa foi obter um estudo mais detalhado sobre aqueles que dizem não acreditar em Deus” disse Gregory Smith, diretor de pesquisa associado da Pew. “As pessoas que simplesmente respondem ‘não’ quando perguntadas se acreditam em Deus, rejeitam também a crença numa força superior?”

Na pesquisa, quem respondeu que não acredita em Deus foi perguntado se acredita em “algum outro poder superior ou força espiritual do universo.”

Para ser exato, a maioria, — 56% — , disse acreditar no convencional benevolente, onisciente, todo-poderoso Deus da Bíblia.

Depois, há os descrentes convictos: cerca de 10% disse não acreditar no Deus da Bíblia ou num poder superior.

Mas entre os chamados “nenhuns” — uma categoria ampla de ateus, agnósticos e aqueles que respondem “nenhuma das respostas acima” em perguntas sobre religião — um total de 72% acredita num poder superior de algum tipo.

Duas pesquisas anteriores do Pew descobriram que a crença em Deus está caindo. Um estudo de 2007 indicou que a crença e Deus chegava a 92%; até 2014, o percentual caiu para 89%. Esta pesquisa mais recente, embora metodologicamente diferente — foi uma enquete on-line em oposição a uma pesquisa por telefone — aponta 80%.

A crença em Deus conforme descrito na Bíblia é mais alta entre os cristãos — 80% segundo a pesquisa. Os evangélicos e protestantes negros tinham as maiores taxas de crença em um Deus da Bíblia — 91 e 92% respectivamente. Por outro lado, apenas um terço dos judeus diz acreditar. (A pesquisa não incluiu suficiente entrevistados muçulmanos ou pessoas de outras religiões).

A pesquisa também mostrou que:

– A crença no Deus da Bíblia muda com a idade.

– Aqueles como menos de 50 anos veem Deus menos potente e menos envolvido nos assuntos terrenos do que os americanos mais velhos.

– Entre os graduados, apenas 45% acredita no Deus da Bíblia.

A visão de Deus também tende a diferir por raça e partido político. 70% dos Republicanos acredita no Deus bíblico, e dos Democratas, 45%. Mas entre os Democratas, existem grandes diferenças nas exibições de Deus quando se trata de uma corrida; 70% dos Democratas não-brancos acreditam no Deus da Bíblia — número comparável ao dos Republicanos.

A crença num poder superior foi encontrada em todos os segmentos da população que não possui uma religião. Em geral, 70% dos ‘nenhuns’ disse que acredita em alguma força espiritual. Entre agnósticos, 62%.

Mesmo entre os ateus, uma em cada cinco (ou 18%) disse acreditar num poder superior.

Saber por que tantos agnósticos, e até mesmo ateus, acreditam em um poder superior é uma questão digna de debate.

Ryan Cragun, um sociólogo da Universidade de Tampa que estuda os sem-religião, disse que algumas pessoas podem dizer que eles acreditam em um poder superior para evitar o estigma social.

“Em que medida estão dizendo isso para evitar algum prejuízo é um questionamento interessante,” disse Cragun. Ele apontou para estudos que sugerem que homens brancos heterossexuais são os mais prováveis de se dizerem ateus porque eles têm um certo privilégio social que os outros não possuem e, portanto, têm menos a perder ao fazer tal declaração.

Outros dizem que a categoria de crença com suas opções binárias — sim ou não — não dá conta da diversidade da experiência humana. A Transcendência, por exemplo, pode ser uma experiência sobrenatural, mas também natural, disse Elizabeth Drescher, professora de estudos religiosos na Universidade de Santa Clara e autora de “Choosing Our Religion: The Spiritual Lives of America’s Nones.”

Algumas pessoas podem ter fé na força que anima a vida ou no espírito humano, disse ela.

“Há muitas pessoas que experimentam coisas em suas vidas que são misteriosas ou inexplicáveis, mesmo sem acreditarem em nada, mas que, no entanto, entendem que não sabemos tudo,” disse Drescher. “A realidade da experiência das pessoas é muito mais complexa e matizada.”

A margem de erro da pesquisa é de 2,3 pontos percentuais para mais ou para menos.

Fonte: Religion News Service, via IHU

Números mostram que uma maioria de jovens adultos em 12 países não tem religião, com os tchecos sendo os menos religiosos.

A marcha da Europa em direção a uma sociedade pós-cristã está nitidamente ilustrada numa pesquisa que mostrou que uma maioria de jovens em uma dezena de países não segue religião alguma.

Um estudo com os jovens de 16 a 29 anos descobriu que a República Tcheca é o país menos religioso na Europa, com 91% deste grupo etário dizendo não ter nenhuma filiação religiosa. Entre 70 e 80% dos jovens adultos na Estônia, Suécia e nos Países Baixos também se classificam como não religiosos.

O país mais religioso é a Polônia, onde 17% dos jovens adultos se definem como não religiosos, seguido pela Lituânia com 25%.

70% dos jovens do Reino Unido se identificam como sem religião. O gráfico mostra como os jovens de 16 a 29 anos se identificam em termos religiosos.

No Reino Unido, apenas 7% dos jovens adultos se identificam como anglicanos, número abaixo dos 10% que se categorizam como católicos. Os jovens muçulmanos, 6%, estão próximos de ultrapassar os que se consideram parte da Igreja estabelecida do país.

Estes números estão publicanos no relatório intitulado “Europe’s Young Adults and Religion” [Os jovens adultos da Europa e a religião], de Stephen Bullivant, professor de teologia e sociologia da religião na St Mary’s University, em Londres. Os números se baseiam em dados tirados da Pesquisa Social Europeia 2014-2016.

Segundo se lê no texto do relatório, a religião está “moribunda”. Com algumas “notáveis exceções, os jovens adultos estão cada vez mais deixando de se identificar como religiosos e de praticar a sua religião”.

A tendência é a de estes números ficarem mais acentuados no futuro. “O cristianismo como padrão, como norma, se foi, e é provável que se foi de modo permanente – ou pelo menos para os próximos 100 anos”, escreveu Bullivant.

Mas houve também variações significativas. “Os países que são próximos uns dos outros, com fundos culturais e histórias parecidos, têm perfis religiosos amplamente diferentes”.

59% dos jovens no Reino Unido nunca frequentaram cerimônias religiosas. O gráfico mostra a frequência a templos religiosos, fora de ocasiões especiais, entre os jovens de 16 e 29 anos.

Os dois países mais religiosos (a Polônia e a Lituânia) e os dois menos religiosos (a República Tcheca e a Estônia) são Estados pós-comunistas.

A tendência da filiação religiosa se repetiu quando se perguntou aos jovens sobre a prática religiosa. Somente na Polônia, em Portugal e na Irlanda mais de 10% dos jovens disseram frequentar cerimônias religiosas pelo menos uma vez por semana.

Na República Tcheca, 70% dizem que nunca foram à igreja ou a algum outro local de adoração, e 80% diz que nunca rezam. No Reino Unido, na França, Bélgica, Espanha e Países Baixos, entre 56 e 60% disseram nunca ir à igreja, e entre 63 e 66% falaram que nunca rezam.

Entre os que se identificam como católicos, houve uma grande variação nos níveis de comprometimento. Mais de 80% dos jovens poloneses dizem que são católicos, com cerca da metade indo à missa pelo menos uma vez por semana. Na Lituânia, onde 70% dos jovens adultos dizem ser católicos, somente 5% afirmam ir à missa semanalmente.

Quase dois terços dos jovens do Reino Unido nunca rezam. O gráfico mostra a frequência de oração, fora das cerimônias religiosas, entre os jovens de 16 e 29 anos.

Segundo Bullivant, muitos jovens europeus “serão batizados e, depois, nunca entrarão numa igreja novamente. As identidades religiosas culturais simplesmente não estão sendo passadas adiante de pais para filhos”.

Os números concernentes ao Reino Unido explicam-se parcialmente pelo alto índice de imigração, acrescentou o autor o relatório. “Um em cada 5 católicos no Reino Unidonão nasceu aqui”.

“E sabemos que o índice de natalidade dos muçulmanos é mais alto do que a população geral, e eles possuem índices de retenção [religiosa] muito mais elevados”.

Na Irlanda, houve um declínio significativo na religiosidade ao longo dos últimos 30 anos, mas comparado a qualquer outro lugar da Europa ocidental, ele ainda parece bastante religioso”, explicou Bullivant.

“O novo cenário padrão é ‘sem religião’, e os poucos que são religiosos se veem como nadando contra a maré”, completou.

“Em 20 ou 30 anos, as igrejas tradicionais/predominantes estarão menores, mas as poucas que restarem serão altamente comprometidas”.

Harriet Sherwood – The Guardian, 21-03-2018

Vi na televisão um programa sobre a Chapada dos Veadeiros. Surpreso, fiquei sabendo de quantas pessoas vivem ali à espera de um contato com extraterrestres. Um desses devotos dos ETs vive numa verdadeira disciplina ascética, preparando-se para o encontro com os seres de outros planetas; é vegetariano, vive na pobreza e fez voto de castidade; chega mesmo a rezar para eles…

Como é louca a humanidade! Como é desorientada a nossa civilização ocidental! Primeiro, a partir do século XVIII, declaramos que o homem se tornara adulto e emancipado. Era necessário matar toda verdade religiosa e tudo quanto não coubesse na cachola miúda da razão humana. Assim, negou-se toda religião sobrenatural, toda revelação de Deus a Israel e inventou-se, no Ocidente, um deus distante, teórico, Arquiteto do Universo, distante, frio e inútil… Depois, nosso Ocidente negou Deus de vez: era preciso matar Deus – dizia-se – para que o homem vivesse de verdade. Assim, esta nossa civilização ocidental, colocou o homem no trono que pertence somente a Deus.

Esta razão endeusada e este homem no centro de tudo (na escola no ensinaram o absurdo que foi um ótimo negócio passar do teocentrismo medieval para o antropocentrismo do renascimento, como se o homem fosse Deus e Deus fosse apenas um detalhe…) levaram o Ocidente a duas guerras crudelíssimas, com mais 70 milhões de mortos… Depois das guerras (do nazismo em nome da razão, do fascismo em nome da racionalidade, do marxismo em nome da ciência e da história), veio a ressaca: não se crê mais em nada: nem no Deus revelado, nem na razão, nem nas instituições, nem nos grandes projetos…

Agora, não é mais o homem no centro; é somente o indivíduo, sozinho, fechado, egoísta, com uma ilusãozinha, uma moralzinha, um projetozinho, um deusinho segundo a sua imagem e semelhança medíocre e escrava de mil paixões…

No vazio de Deus, na negação do cristianismo, o Ocidente encontra-se perdido – alegremente perdido, bebadamente iludido e inconsciente de sua perdição! Procura-se desesperadamente encher o vazio existencial e encontrar um sentido para a vida no consumismo, no poder a qualquer custo, nas drogas, no endeusamento da natureza, no turismo desenfreado, nas seitas, na promiscuidade, na busca frenética pelo prazer e a autoafirmação… É assim: tire Deus, apague o Cristo da consciência do nosso Ocidente e fica somente o vazio, um homem infantilizado, presa das velhas práticas pré-cristãs…

Era para ser claro, palpável: sem Deus, o homem definha, o homem torna-se menos homem. Fomos, todos nós, feitos para o Infinito, para o Absolutamente Outro, o Eterno, e somente nessa abertura encontramos o Sentido, a Direção, o Eixo da nossa existência. O homem não é fruto da natureza; o homem é fruto do Autor na natureza, que nela impregna um desígnio, um sonho de amor: o homem é imagem de Deus, criado para Deus, com um coração que não se contenta com menos que Deus! Tire Deus e endeuse o que não é Deus; elimine o Deus verdadeiro e torne-se escravo de mil ídolos mentirosos!

O cristianismo, na Antiguidade, vencendo o paganismo, deu ao Ocidente a firmeza conceitual e a clareza de visão da vida e do mundo que permitiram o surgimento de uma civilização que tornou-se planetária. Esse Ocidente volta as costas para o Cristo e torna-se presa de todos os infantilismos e escravidões dos quais o cristianismo o havia libertado: desprezo pela vida humana, adoração infantilóide na natureza, falta de sentido para a existência, angústia, medo do sofrimento e da morte…

Que você, meu Amigo, tenha certeza: ainda haveremos de ver muita coisa! A tolice tem ares de sabedoria; a superstição tem pose de religião; a loucura tem fama de profunda lucidez…

Pobre homem, pobre Ocidente! Quanto precisamos de Deus; quantos temos necessidade daquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida!

Dom Henrique Soares da Costa

Bispo de Palmares, PE

Via Aleteia

Ex-médico, Michel Aupetit sucedeu, em 6 de janeiro, a André Vingt-Trois como arcebispo de Paris. “Não temos o direito de falar de Deus; se o fizermos, ficamos envergonhados”, diz ele em entrevista concedida ao Le Monde. Aos 66 anos, aquele que “não gosta da exposição” será agora uma das vozes mais ouvidas desta instituição. Este ex-médico, que entrou no seminário aos 39 anos e tornou-se bispo de Nanterre em 2014, é o sucessor de dom André Vingt-Trois.

Como estudante, ele odiava ter que ir ao quadro negro e preferia rir de seus colegas de longe. Nomeado arcebispo de Paris pelo Papa Francisco em 7 de dezembro de 2017 e tendo tomado posse em 6 de janeiro, o bispo Michel Aupetit o centro das atenções de muitos católicos. Se, em teoria, o bispo de Paris é um bispo entre os outros, na prática ele ocupa um lugar proeminente na Igreja católica.

Você trabalhou durante 11 anos como clínico geral antes de entrar no seminário. Como essa vida de leigo influencia sua maneira de ser padre?

Como leigo, eu era aquilo que se chamava na Igreja de “consumidor”. Eu chegava em casa às 22h e estava muito pouco enfronhado na vida da Igreja. Este é o meu pecado! Quanto ao resto, a medicina me ensinou a gostar das pessoas, independentemente de quem sejam. Quando se é médico, você cuida de pessoas agradáveis e não agradáveis, todos os tipos de pessoas.

Isso faz com que você esteja aberto para acolher a todos e a Igreja está aberta a todos. Não pedimos os papéis ou o certificado de batismo àqueles que chegam. No inverno, os sem-teto vêm se aquecer e não os importunamos. Outros vêm simplesmente para ter um tempo de repouso e silêncio. Não há muitos lugares como esse, onde você pode ficar, gratuitamente, de forma pacífica. E a medicina já me ensinou isso: acolher incondicionalmente as pessoas que batem à sua porta.

Você cresceu em uma família onde a prática religiosa não era a regra. Isso lhe dá uma visão particular da transmissão da fé?

Isso é bastante surpreendente, porque nunca me incomodou. Minha mãe era uma mulher de fé, ela ia à missa com bastante frequência, não necessariamente comigo. Mas eu sei que ela tinha uma fé profunda e eu via a influência que isso poderia ter em sua vida. Ao passo que, no lado “masculino”, éramos bastante descrentes. Meus amigos também não eram praticantes. Então, eu vivi durante muito tempo a minha fé de maneira isolada.

Eu penso que a transmissão se faz pela oração. Porque na oração, aprendemos a falar com Deus. Estabelecemos uma relação. Ao passo que em uma relação de catecismo, aprende-se a falar “de” Deus; é intelectual. A única coisa que minha mãe me ensinou foi o Pai-Nosso e a Ave-Maria. A partir dessas duas orações, aprendi a falar com Deus. Mas em segredo: ninguém sabia nada sobre isso.

Quando eu deixei o meu consultório de médico, eu disse o porquê aos meus pacientes. Muitos me disseram que rezavam há 30 anos pela manhã e pela noite, sem mesmo que sua esposa soubesse! Eu me dei conta de que muitas pessoas tinham uma vida espiritual, mas que não a exibiam. Há espontaneamente no ser humano essa propensão a entrar em relação com uma transcendência. (…)

Parte dos católicos teme a chegada de migrantes em números muito altos. Os bispos devem falar com mais clareza?

Há um medo da insegurança cultural. Quando eu era médico em Colombes [Hauts-de-Seine], inicialmente, nas cidades, as pessoas viviam muito bem juntas. Não se olhava para quem era muçulmano ou cristão. Prestavam-se serviços entre as pessoas. Hoje, isso virou guetos. As prefeituras tentam promover a diversidade social, mas ainda estamos muito comprometidos com o comunitarismo.

Certo dia, um imã me disse: “Já não temos mais o controle sobre os nossos jovens, não somos mais aqueles que os formam na religião. Eles vão se formar em outros lugares”… (…)

Os católicos são agora uma minoria religiosa na França?

Muitas pessoas se dizem católicas mesmo se não frequentam mais a Igreja. O que é ser católico? Qualquer pessoa que é praticante? Ou quem se reconhece nesta religião, porque nasceu nesta cultura, faz seus os valores evangélicos, enquanto sua relação com Deus ou a Igreja é mais do que tênue? O que isso quer dizer? Não sei, deixo isso para Deus. Se contarmos apenas aqueles que são praticantes, os católicos são, sem dúvida, uma minoria. Muitos estão envolvidos em questões de solidariedade, não necessariamente com o rótulo de “católico”, mas fazem isso em nome da sua fé.

A “guerra de laicidades” traduz, na sua opinião, uma rejeição da religião em geral ou uma desconfiança em relação ao Islã?

Meus dois avós eram anticlericais até a ponta das unhas, por isso eu conheço o sistema um pouco. Hoje, são defendidas duas formas de secularismo. A de Jean-Louis Bianco[presidente do Observatório da Laicidade] e de Emmanuel Macron, que deve permitir que todos possam praticar a sua religião. A outra é a de uma religião relegada à esfera privada, que não deve aparecer em qualquer lugar.

A sociedade francesa está dividida. A questão do Islã provoca medo por causa dos ataques e de determinados discursos que afirmam que a França se tornará uma terra do Islã – voltamos a encontrar a questão da insegurança cultural. Mas nós já vivemos, no passado, outras inseguranças culturais! Santa Genoveva, padroeira da cidade de Paris, viveu na época de Átila e Childéric, rei dos francos. Os alemães e os francos que chegaram não eram da cultura galo-romana nem da cultura cristã. Era uma transição colossal. Na época, a Igreja privilegiou a cultura cristã, mesmo que isso significasse sacrificar a cultura romana. Esse período, muito pior do que o nosso, também contribuiu para o que somos atualmente… (…)

O governo quer expandir o ensino religioso nas escolas. Que papel ele pode ter?

O papel do Estado é controlar o que podemos fazer, especialmente se diz respeito à religião. Há o fato religioso visto sob a perspectiva histórica. Muitas vezes, é por aí que vamos. Mas acho que devemos ir mais longe, para o espaço teológico. No RER, os muçulmanos me fazem perguntas como sacerdote. No final, eles me dizem: “Obrigado por ter falado de Deus”. Os muçulmanos que colocam seus filhos em uma escola católica fazem-no porque ali se pode “falar de Deus”… (…)

Fonte: Le Monde

“Star Wars: Os Últimos Jedi” estreou mundialmente esta semana, gerando um interesse renovado pela franquia mais bem-sucedida do cinema. Embora para a maioria dos espectadores, o oitavo capítulo da saga intergaláctica seja garantia de entretenimento, para alguns fãs radicais, é quase uma “revelação”.

Já existem seguidores do jediismo, um grupo religioso que prega a influência da “força” na vida fora das telas. O que era apenas devoção pela série de filmes se manifesta como fé religiosa.

O documentário “American Jedi”, dirigido pelo cineasta Laurent Malaquais, aborda o quanto esse movimento filosófico/religioso vem crescendo. A Igreja Jedi, ou Jediismo afirma possuir 500 mil membros em todo o mundo. Curiosamente, no último censo do Reino Unido, foi a sétima maior religião mencionada.

Em 2001, nove mil moradores do Canadá afirmaram seguir a “Ordem de Jedi” como religião. No mesmo ano, 53 mil moradores da Nova Zelândia se identificaram assim. A República Tcheca contabiliza mais de 15 mil adeptos. Há inclusive brasileiros que dizem ser parte do movimento.

O fundador desse movimento religioso no Reino Unido, Daniel Jones deu uma entrevista recentemente, onde questionou a fé dos cristãos em Jesus. Ele afirma como o Jediismo está buscando o reconhecimento do governo como religião. Segundo ele, o site do movimento tem recebido, em média, 30.000 visitas em seu site todos os dias desde que o novo filme foi lançado.

Curiosamente, tanto nos filmes “Rogue One” (2016) quando em “Os Últimos Jedi” (2017), os jedis são tratados claramente como um movimento religioso, com direito a templos, Escrituras Sagradas e sacerdotes. Sem esquecer, claro, da onipresente “força” que mantém o equilíbrio no universo.

O documentário de Malaquais mostra como algumas pessoas que eram fãs dos filmes de Star Wars passaram a se designar seguidores de Jedi, representantes do “lado da luz” e apresentando-se como os guardiões da paz e da justiça na galáxia.

Eles possuem inclusive o que chamam de “Código Jedi”, que funciona como um credo, onde estabelecem suas crenças.

“Jedi americano”, mostra como um jovem chamado Opie Macleod se dedica a essa busca pela “força”.  Ele ajuda a treinar novos seguidores, como o ex-soldado da marinha Perris Cartwright.

“O Jediismo não é como uma varinha mágica. Trata-se de um processo de aprendizagem”, diz Cartwright. Para pessoas como Macleod e Cartwright, o Jediismo é um estilo de vida. Após acompanhar as reuniões dos jediistas por meses, o documentarista conclui: “Eu acredito que o Jediismo é uma religião. Afinal, é inspirado por práticas religiosas antigas e definitivamente oferece uma opção de religião para quem busca um sentido de vida”. 

 The Mirror Huff Post

“Algumas sociedades secularizadas perderam o sentido cristão do domingo iluminado pela Eucaristia. Isto é uma lástima”.

Papa Francisco respondeu à pergunta “por que ir à missa aos domingos?”, durante a Audiência geral deste dia 13 de dezembro de 2017, durante a qual recordou que, no princípio, “foi o sentido cristão do viver como filhos e não como escravos, animado pela Eucaristia, o que fazia do domingo (quase universalmente) o dia de repouso”. 

“Retomando o caminho da catequese sobre a Missa”, disse o Papa, “hoje, perguntamo-nos: Por que ir à Missa no domingo?”. A celebração dominical da Eucaristia “está no centro da vida da Igreja”, disse Jorge Mario Bergoglio, recordando que os discípulos de Jesus “celebraram o encontro eucarístico com o Senhor no dia da semana em que os judeus chamavam “o primeiro da semana” e os romanos “dia do sol”, porque nesse dia Jesus havia ressuscitado dos mortos e havia aparecido aos discípulos, falando com eles, comendo com eles, doando a eles o Espírito Santo.

É a missa, insistiu o Papa, “que faz o domingo cristão! O domingo cristão gira ao redor da Missa”, mas “algumas sociedades secularizadas perderam o sentido cristão do domingo iluminado pela Eucaristia. Isto é uma lástima. Neste contexto, é necessário reavivar esta consciência, para recuperar o significado da festa – não perder o sentido da festa -, o significado da alegria, da comunidade paroquial, da solidariedade, do descanso que repõe a alma e o corpo. De todos estes valores, a Eucaristia é nossa mestra, domingo após domingo. Por isso, o Concílio Vaticano II quis reafirmar que “o domingo é a festa primordial, que deve se apresentar e inculcar à piedade dos fiéis, de modo que seja também dia de alegria e de libertação do trabalho”.

“A abstenção dominical do trabalho não existia nos primeiros séculos: é uma contribuição específica do cristianismo. Por tradição bíblica, os judeus descansam o sábado, ao passo que na sociedade romana não estava previsto um dia semanal de abstenção dos trabalhos servis. Foi o sentido cristão do viver como filhos e não como escravos, animado pela Eucaristia”, destacou o Papa, que é o que “faz do domingo (quase universalmente) o dia de descanso. Sem Cristo somos condenados a ser dominados pelo cansaço do cotidiano, com suas preocupações, e pelo temor do amanhã. O encontro dominical com o Senhor nos fortalece para viver o hoje com confiança e coragem e seguir adiante com esperança. Por isso, nós, cristãos, vamos ao encontro do Senhor no domingo, na celebração eucarística”, que também antecipa o domingo sem ocaso, quando não existirá mais fadiga, nem dor, nem luto e nem lágrimas, mas apenas alegria de viver plenamente e para sempre com o Senhor. Também deste abençoado descanso nos fala a Missa do domingo, ensinando-nos, no correr da semana, a nos entregarmos nas mãos do Pai que está nos céus”.

O Papa também apontou que há comunidades cristãs que, “infelizmente, não podem ter a missa todos os domingos. No entanto, também elas, neste dia santo, são convidadas a se recolher em oração em nome do Senhor, escutando a Palavra de Deus e mantendo vivo o desejo da Eucaristia”.

“O que podemos responder a quem diz que não adianta ir à Missa, nem sequer no domingo – questionou-se o Papa -, porque o importante é viver bem, amar ao próximo? É verdade que a qualidade da vida cristã se mede pela capacidade de amar, como disse Jesus: “Nisto todos reconhecerão que vocês são meus discípulos: no amor que tenham uns aos outros”; mas, como podemos praticar o Evangelho sem tomar a energia necessária para isto, um domingo após outro, da fonte inesgotável da Eucaristia? Não vamos à Missa para dar algo a Deus, mas para receber dele o que, de verdade, temos necessidade”. 

Vatican Insider.