O Papa Francisco nomeou este sábado três mulheres como consultoras da Congregação para a Doutrina da Fé, um dos organismos mais importantes da Cúria Romana.

As escolhas do Papa recaíram sobre a italiana Linda Ghisoni, susbcertária do Dicastério para os Leigos, Família e Vida (Santa Sé), especialista em Direito Canônico ( Abaixo)

 

Michelina Tenace, professora de Teologia na Universidade Pontifícia Gregoriana, de Roma (abaixo) 

 

 

e a belga Laetitia Calmeyn, professora de Teologia no Colégio dos Bernardinos, em Paris.

 

Em fevereiro, Francisco tinha nomeado a irmã Carmen Ros Nortes como nova subsecretária da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica (Santa Sé).

Em novembro de 2017, o Papa tinha nomeado duas mulheres como subsecretárias do novo Dicastério para os Leigos, Família e Vida (Santa Sé): a já referida Linda Ghisoni e e Gabriella Gambino, professora de Bioética.

A presença feminina na Santa Sé inclui responsabilidades nos departamentos da Cúria Romana e nas áreas dos arquivos, da história e da comunicação social.

Atualmente, a jornalista espanhola Paloma García Ovejero é vice-diretora da Sala de Imprensa da Santa Sé; Margaret Archer preside à Pontifícia Academia de Ciências Sociais; Barbara Jatta é a primeira diretora dos Museus Vaticanos desde janeiro de 2017.

Fonte: Cirios de Nazaré

O jornalista italiano Eugenio Scalfari, do jornal ‘La Repubblica’, assegurou que, em um recente encontro, o Papa Francisco disse que “não existe um inferno” e que “é uma honra ser chamado de revolucionário”. Mas, o que realmente é verdade nesta publicação? O Vaticano se pronunciou.

Scalfari admitiu há algum tempo que as suas entrevistas são feitas sem um aparelho de gravação, mas “tento entender a pessoa que estou entrevistando”, e depois disso escrevo “suas respostas com minhas próprias palavras”.

Na entrevista publicada em 28 de março, Quarta-feira Santa, Scalfari assegurou que o Papa disse que as pessoas que se arrependem “obtêm o perdão de Deus, mas as pessoas que não se arrependem, e portanto, não podem ser perdoadas, desaparecem”. “Não existe um inferno, existe o desaparecimento das almas pecaminosas”, disse o Santo Padre, segundo o jornalista italiano.

Scalfari intitulou o seu artigo atribuindo ao Papa Francisco a frase: “É uma honra ser chamado de revolucionário”.

Entretanto, a Sala de Imprensa da Santa Sé explicou que a publicação de Scalfari “é o resultado de sua reconstrução” de uma reunião privada com o Papa, que não era uma entrevista, e que não se trata de “palavras textuais”.

Em seu comunicado divulgado 29 de março, a Sala de Imprensa do Vaticano indicou que “o Santo Padre recebeu recentemente, o fundador do jornal italiano ‘La Repubblica’, numa reunião privada por ocasião da Páscoa, mas sem lhe dar nenhuma entrevista”.

“O que é relatado pelo autor no artigo de hoje é o resultado de sua reconstrução, em que as palavras textuais pronunciadas pelo Papa não são citadas”, acrescenta.

“Portanto, nenhuma citação do artigo mencionado deve ser considerada como uma transcrição fiel das palavras do Santo Padre”, disse o Vaticano.

De fato, as supostas declarações citadas por Scalfari se contradizem com repetidas exortações do Papa Francisco a não cair nas mentiras do diabo, e até mesmo explicações do que é o inferno.

Em março de 2015, o Papa Francisco se reuniu com um grupo de fiéis italianos e indicou: “O inferno é querer afastar-se de Deus porque não quero o amor dele”.

Assim “vai ao inferno somente aquele que diz a Deus: ‘Não preciso de você, eu me arranjo sozinho’, assim como fez o diabo que é o único que temos certeza que está no inferno”, disse o Santo Padre na ocasião.

ACI Digital

Uma entrevista com o cardeal Tarcisio Bertone, por ocasião da apresentação do seu livro I miei Papi [Os meus papas] (Ed. Elledici). 

Eminência, na noite de 11 de outubro de 1962, na Praça de São Pedro, depois do célebre “discurso da lua”, quais eram as suas sensações como estudante em Roma? E como descreve a Igreja hoje à luz daquela noite?

João XXIII tocou o coração de todos com aquele “façam uma carícia nos seus filhos”. Naquela noite, vibrávamos com as palavras do Papa Roncalli. Hoje, 56 anos depois, parece-me que a Igreja do Papa Francisco, que tenta ser “em saída”, que se empenha em estar perto das pessoas, se vincula novamente, se conecta diretamente com o coração palpitante, com o estilo do Papa João XXIII. A Igreja de Francisco tem um senso de compaixão, de misericórdia – pensemos na famosa expressão “hospital de campanha” – por essa humanidade de hoje que tanto precisa de compreensão, além de diretrizes e orientações de vida.

Para além dos milagres, por que, em sua opinião, Paulo VI é santo?

O Papa Montini merece ser proclamado santo porque, naquele momento tão complexo da história do mundo e da Igreja, ele sempre expressou seu amor por cada ser humano. Basta pensar na sua carta às Brigadas Vermelhas, ou no seu discurso comovente e muito humano nas exéquias de Moro em 1978. Certamente, não é por acaso que o Papa Francisco também se inspira nele. Ele era um homem particular. Desde criança, quando, nos bancos da escola fundamental, escreveu em uma folha “Eu amo”. Desde então, nunca deixou de “amar” a humanidade toda.

O segredo de Fátima foi revelado ou não? Por que, no prefácio de seu livro I miei Papo, o cardeal Gianfranco Ravasi fala de fake news?

Absolutamente sim, foi revelado. Há quem diga que existia um “envelope Capovilla” que revelava a presença de outro texto da terceira parte do Segredo, ou de uma parte escondida por mim, sabe-se lá por quais objetivos inconfessáveis. Mas o próprio cardeal Loris Capovilla me “inocentou” várias vezes, em particular escrevendo uma carta para esclarecer que não havia nenhuma contradição na minha exposição.

O pontificado polonês: o que o senhor escolhe como elemento, momento, acontecimento-símbolo dos 27 anos do Papa Wojtyla?

Primeiro de tudo, gosto de definir João Paulo II como combatente. Ele o foi desde sua juventude, desde suas batalhas ao lado dos operários de Cracóvia. E, com suas viagens, foi um grande comunicador do Evangelho, além de estar ao lado dos últimos. Além disso, ele transmitiu grandes emoções, mesmo quando não conseguia mais falar. E o seu maior presente para a Igreja foi inventar a Jornada Mundial da Juventude, que continua suscitando o entusiasmo de milhões de jovens. É um tesouro que ele nos deixou e que continua germinando.

Qual a importância que São João Bosco teve para o senhor, salesiano, nos anos em que ocupou cargos de responsabilidade na Igreja? Às vezes, o senhor não o “esqueceu” ou ignorou?

Eu nunca ignorei Dom Bosco! Eu sempre invoquei sua ajuda. E rezar as três Ave-Marias à noite ao pé da cama, como Dom Bosco recomendava, me pacificava e me fazia dormir mesmo nos momentos mais difíceis.

A renúncia ao pontificado de Bento XVI: como e quando o senhor soube da decisão de Ratzinger?

Ele fez uma menção fugaz a uma eventual possibilidade ainda em 30 de abril de 2012. Depois, falou novamente sobre isso em uma conversa confidencial no mês de agosto, enquanto estávamos em Castel Gandolfo.

E como o senhor reagiu? Qual foi o seu estado de ânimo naqueles meses que levaram ao 11 de fevereiro de 2013?

Eu estava incrédulo e inquieto. Posteriormente, apresentei-lhe uma série de raciocínios que eu considerava que eram fundamentados para o bem da Igreja e para impedir uma depressão geral do povo de Deus. Estávamos em pleno “Ano da Fé ”. Bento XVI estava escrevendo o terceiro volume sobre Jesus de Nazaré e prometera dar à Igreja uma encíclica sobre a fé, que completaria a trilogia das virtudes teologais, depois daquela sobre a caridade e a esperança. Comecei a minha resistência para obter pelo menos uma postergação na data do anúncio dessa decisão, que eu considerava tremenda e que eu carregava com grande sofrimento. Com o passar do tempo, o Santo Padre não só não recuava, mas se confirmava na decisão tomada com toda a consciência diante do Senhor. Primeiro, ele tinha a intenção de publicar a declaração de renúncia antes do Natal, mas eu lhe dizia que, para o Natal, ele devia nos dar o presente do seu livro sobre a infância de Jesus de Nazaré, e esse anúncio abalaria a opinião pública, perturbaria o clima natalício. Adiada a decisão para o Ano Novo, eu ainda tentava prorrogá-la de semana em semana. Mas em vão.

O senhor é amigo de Joseph Ratzinger e também foi secretário de Estado vaticano de Jorge Mario Bergoglio, além do próprio Bento XVI: como comenta as comparações que são feitas entre os pontificados, culminando com as polêmicas sobre a carta do Papa Emérito que veio à tona nos últimos dias?

Entre Bento XVI e Francisco, há continuidade na diversidade dos estilos e dos caráteres. É absurdo pô-los em contraposição, como se fossem, o primeiro, um intelectual abstrato que não entende os problemas das pessoas, e o outro, “apenas” o papa concreto, prático, amado por todos. Não corresponde à verdade. O impacto de Francisco com as pessoas é mais imediato, empático, enquanto o Papa Bento simplesmente tem outro caráter. Bergoglio tem uma enorme bagagem de estudos como jesuíta, uma formação intelectual robusta com um temperamento particular; Ratzinger sempre teve uma ótima comunicação com seus fiéis, basta pensar como ele falava com as crianças e nas suas visitas às prisões. Repito: entre eles, há continuidade na diversidade. Como é normal e bonito que seja. Não há mais nada a acrescentar. E as comparações não servem para nada. Ao contrário, são contraproducentes.

Como o senhor descreve os cinco anos do Papa Francisco?

Sobretudo, com o seu dom de si mesmo sem repouso! É incansável. É um pontífice que se doa totalmente aos outros, dos mais “altos” colaboradores a todas as crianças e os doentes que encontra nas audiências. Mesmo depois de algumas centenas de abraços e carícias, ele sempre sabe se doar e sorrir com intensidade. Para todos. É um milagre que ele resista a esses ritmos aos 81 anos de idade. Penso que o Papa Francisco, com esse espírito que estende a mão a quem tem necessidade, é um exemplo para toda a Igreja, particularmente para os eclesiásticos. Por isso, não tenho nenhum medo do futuro da Igreja. E, a propósito das reformas e dos desafios em curso, em particular a luta contra os abusos sexuais e o âmbito econômico, sublinho que Francisco os tomou nas mãos e os está levando adiante. E isso não é pouco. Ao contrário. Obviamente, existem dificuldades. Mas, na Cúria Romana – e eu a conheço bem –, não há uma hostilidade, uma oposição surda às iniciativas de Francisco, apenas problemas fisiológicos de uma estrutura tão complexa. Mas estou convencido de que Francisco seguirá bem em frente nas reformas. Digo isto: rezemos ao Senhor para que o conserve, o Papa Francisco. Rezemos por isso todos os dias!

O senhor não acha que exagerou ao atribuir a Francisco as decisões sobre seu apartamento?

No livro, eu considerei que devia citar o Papa Francisco para dar a entender que o pontífice não estava às escuras, mas sabia o que estava acontecendo. A verdade é essa. Mesmo que, especifico, o responsável pelos detalhes era o Governatorado. Aliás, há quem chame a minha residência de “cobertura”, enquanto é um apartamento com um grande terraço condominial. Foi o Papa Bergoglio quem me pediu para ficar no Vaticano e continuar cuidando do arquivo, e, naquele ponto, foi preciso procurar um apartamento. O papa acompanhou de perto todo esse processo. Os pagamentos são outra questão, sobre a qual não quero dizer nada, há um processo em curso no Vaticano, não cabe a mim dizer outra coisa agora. Como confirmação da minha boa-fé, sublinho que, até 2 de dezembro de 2018, quando vou completar 84 anos, continuarei trabalhando no Vaticano, também por um pedido expresso do Papa Francisco. E vou continuar com alegria e com grande proximidade com esse extraordinário papa. E, depois, pretendo permanecer no Vaticano: fiz tantas transferências na minha vida, espero estar em paz na minha velhice.

Por que muitos o definem, sobretudo, como “homem de poder e de intrigas”?

Eu sofri muitos ataques. A obstinação com que fui tornado alvo me parece impiedosa, exagerada. Nunca organizei intrigas ou complôs. Estou convencido de ter sido apenas um bode expiatório. Sempre me ative às indicações dos papas com quem colaborei. Sempre tentei desempenhar bem as minhas tarefas. Então, acho que o motivo é que, se tivessem atacado um cardeal desconhecido, isso talvez não teria virado notícia. Mas agora eu guardo esse rótulo, é como se estivesse expiando os pecados aqui na terra.

Qual é seu principal arrependimento ou remorso? E um mérito que o senhor atribui a si mesmo no governo da Igreja?

O maior erro é ter aceitado cargos demais. Se eu pudesse voltar atrás, não faria isso mais. Mas, agora, é tarde demais. Por exemplo, eu não aceitaria mais a presidência da Comissão Cardinalícia do IOR. Em vez disso, tenho orgulho de ter tentado ouvir e ajudar a todos, dedicar tempo a cada pessoa que pedia uma audiência. Muitos se lembram disso e me são gratos.

Fonte: Vatican Insider

Se um tal acordo muito comentado entre o Vaticano e a China para a nomeação episcopal for finalizado este ano, ele irá destacar a assertividade internacional que tem sido uma característica do pontificado do Papa Francisco. No entanto, irá também ser altamente polêmico, levantando uma dúvida sobre a distância em que Roma se encontra quanto a entender as dinâmicas contemporâneas de poder e até que ponto se pode confiar nelas.

Jonathan Luxmoore cobre notícias religiosas a partir de Oxford, na Inglaterra, e Varsóvia, na Polônia. “The God of the Gulag” (Gracewing, 2016) é um estudo seu publicado em dois volumes sobre os mártires da era comunista.

Nos cinco anos desde a eleição em março de 2013, como o primeiro papa do sul global Francisco deixou o mundo com uma pequena dúvida sobre onde a sua Igreja se posiciona em relação a temas contemporâneos fundamentais. Grande parte da cobertura da imprensa vem focando as divisões internas da Igreja, com os tradicionalistas católicos resistindo às reformas pastorais, mas a presença internacional do Vaticano viu um crescimento constante sob seu comando, naquilo que uns analistas chamam de a nova “diplomacia da misericórdia”.

Na mensagem para o Dia Mundial da Paz no começo de 2018, o papa recordou um dos grandes temas de seu pontificado ao pedir por compaixão para com os mais de 250 milhões de migrantes e refugiados no mundo. Mas o seu pedido por uma ação coordenada e por uma “gestão responsável de novas situações complexas” pareceu mudar o foco da defesa puramente moral para algo mais concreto. 

Observações semelhantes foram feitas quando o pontífice visitou o Chile e o Peru em meados de janeiro deste ano, quando defendeu os povos indígenas contra “interesses econômicos poderosos” e, em 2017, quando foi a Myanmar e Bangladesh. Em cada caso, embora tenha ganho elogios por defender os direitos humanos por princípio, aspectos práticos sobre o posicionamento de Francisco foram também questionados – como aconteceu ao não defender os Rohingya perseguidos em Myanmar citando-os pelo nome enquanto esteve no país.

A influência política da Igreja

Espera-se que um acordo com a China comunista deva ser igualmente contestado, com uns acolhendo-o como uma oportunidade de restauração da unidade com a Igreja chinesa e outros rejeitando-o como uma traição às comunidades católicas há tempos sofredoras.

Roma enfrentou dilemas parecidos na Europa Oriental comunista, quando esteve sob pressão constante para conceder aos regimes locais o prestígio e os benefícios dos laços diplomáticos em troca da promessa de eles pararem com as perseguições e normalizarem o status da Igreja em seus territórios.

Nestes casos, será que o Vaticano realmente compreendia a mentalidade comunista, os pontos fortes e fracos do regime? Ainda que o polonês São João Paulo II o entendia, sem dúvida alguma fica aberta a questão sobre se isso pode ser dito de Francisco.
Independentemente do que uns podem achar aqui, Roma tem certos ativos poderosos para acionar na busca de suas iniciativas.

A Santa Sé tem hoje uma presença permanente em aproximadamente 40 organizações internacionais, desde as Nações Unidas e suas agências até o Conselho da Europa, a Liga Árabe e a Organização dos Estados Americanos, no momento em que a Rádio Vaticano faz as suas transmissões em 47 idiomas – mais do que o Voice of America ou a BBC.

O próprio papa tem 40 milhões de seguidores no Twitter, e eles aumentam cerca de 25% ao ano; só a Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma tem alunos de, no mínimo, 150 países.

Enquanto isso, a população católica mundial dobrou nas últimas três décadas para perto do 1.3 bilhão de fiéis. No final de 2015, havia 5.304 bispos, 415.656 padres e 670.320 religiosas, segundo informou o Vaticano.

Mesmo em países com minorias católicas a Igreja exerce uma influência considerável. Em nível mundial, ela continua sendo um dos maiores provedores de educação e assistência à saúde não governamental. É também um dos maiores doadores de ajuda humanitária, com a Caritas Internationalis coordenando, de Roma, organizações católicas em uns 200 países.

Como um centro nervoso desta rede altamente organizada, o Vaticano está igualmente expandindo a sua presença diplomática. Quando Myanmar estabeleceu relações em maio passado, ele foi o 193º país a assim fazer e o 111º a hospedar uma nunciatura apostólica permanente.

Acadêmicos e jornalistas rotineiramente ignoram o papel do Vaticano, visto que ele não pode ser quantificado por critérios políticos, econômicos ou militares; não pode ser mensurado segundo a interação usual dos interesses de Estado. Afinal, é o menor Estado do mundo: apenas 110 acres com uma população oficial de 1.000.

Mesmo assim, há inúmeras evidências para sugerir que a sua influência e o seu trabalho social não devem ser subestimados.

O Tratado de Latrão, de 1929, que definiu o status moderno do Vaticano, veio após seis décadas de marginalização desde a perda dos Estados Papais, em 1870 – evento que acabou com 1.000 anos de poder temporal sobre a península italiana.

Os papas demoraram muito para responder aos problemas do mundo contemporâneo e testemunharam o desmantelamento do poder da Igreja na Alemanha de Bismarck e na Terceira República anticlerical da França, seguido por ataques brutais contra o clero e fiéis em novos Estados revolucionários como a Espanha e a Rússia.

O papel do Vaticano, porém, reafirmou-se quando se tornou parte do sistema internacional nos anos posteriores à Guerra Mundial. E na época do Concílio Vaticano II (1962-1965), Roma esteve inundada de agentes e espiões dos governos desejosos por antecipar onde a Igreja poria em prática a sua influência sob a política do aggiornamento, ou abertura, do Papa João XXIII.

Eles estavam certos em se manterem interessados.

Tendo se tornado o primeiro papa a deixar a Itália desde 1809, o Papa Paulo VI visitou 20 países, enquanto o seu sucessor, João Paulo II, visitou 129 – alguns, como os EUA, a França e a Polônia, seu país natal, foram visitados em múltiplas ocasiões.

Independentemente do que venham a pensar os críticos da ‘postura conservadora’ de João Paulo II no tocante à doutrina e no comando da Igreja, dificilmente se pode pôr em dúvida a importância dele no cenário mundial.

O pontífice polonês foi fundamental para a queda de ditaduras como as das Filipinas e do Paraguai. Ele interveio em numerosas disputas, opondo-se à doutrina da preempção na “guerra contra o terror” pós-11 de setembro, e se tornando uma força motriz nos contatos inter-religiosos, em particular com o Islã.

A maior façanha política de João Paulo II, ajudando a derrubar o regime comunista na Europa Oriental e na União Soviética, é amplamente ignorada pelos indispostos ou incapazes de reconhecer o lugar da religião nos eventos mundiais.

Mas ele foi reconhecido com fundamental pelos próprios chefes comunistas, entre eles o poderoso Gen. Wojciech Jaruzelski, que, tendo acionado o poder do Estado contra a Igreja, mais tarde confessou que os ensinamentos espirituosos do papa haviam “redespertado as esperanças e expectativas de mudança”.

Em 1997, o último governante do Partido Comunista da União Soviética, Mikhail Gorbachev, saudou João Paulo II como “o maior líder de esquerda do mundo”, citando a oposição deste à pobreza e à injustiça e reconhecendo que o fim do regime comunista teria sido “impossível” sem o papa.

Embora todo desafio político deva ser abordado em seus méritos, o papel do papa polonês na derrocada do comunismo europeu serviu como um modelo para ações de paz coordenadas pela Igreja em outros lugares.

Os precedentes de João Paulo II

João Paulo II viu mais claramente do que seus antecessores que a fidelidade espiritual poderia ter consequências políticas. Mas também ele concluiu que a violência não era a resposta certa, visto que regimes autoritários e totalitários emergiam mais fortes quando desafiados pela força.

Usando noções simples da tradição cristã, lembrou pessoas confusas e desmoralizadas sobre as verdades e os valores que sabiam mas que tinham esquecido. O que as fez decisivas foi a forma como foram faladas – não nos ambientes sedados das igrejas e conventos, mas sim no pleno funcionamento das praças das cidades, nos parques industriais e urbanos.

Isso tudo era uma reviravolta total às humilhações do século XIX, quando Marx e Engels denunciaram o papado no “Manifesto Comunista”, de 1848, como uma das “potências da velha Europa”, e o Papa Pio IX, no “Syllabus dos Erros”, de 1864, furiosamente se recusou a reconciliar-se “com o progresso, com o liberalismo e com a sociedade civil”.

Enquanto os pontífices anteriores, fascinados pelas imagens de destruição da Revolução Francesa ou da Comuna de Paris, temeram os movimentos sociais espontâneos, João Paulo II viu-os como aliados – uma energia criativa que a Igreja poderia aproveitar para finalidades divinas.

A Igreja precisava achar a sua própria solução para os problemas que o comunismo tinha salientado: as relações entre mão de obra e capital, trabalho e propriedade, exploração e alienação. E tinha de encontrar um estímulo positivo, libertador para contrapor os ressentimentos negativos e cativantes que os governantes comunistas usavam como ferramentas de poder.

“Os movimentos de solidariedade”, frase usada na encíclica de 1981, Laborem Exercens, poderiam ser amigos, não inimigos, do cristianismo – ao alcançar uma vitória moral contra o medo e o ódio que, em última instância, tornou-se uma vitória política.

O papa conhecia o poder das palavras, dos símbolos e das imagens. Numa era de globalização econômica e comunicação em massa, percebeu que o poder dos governos estava diminuindo.

Os caças, tanques e mísseis das superpotências poderiam destruir o mundo muitas vezes. Mas sem pessoas para voá-los, dirigi-los ou lançá-los, eram pedaços de metal sem serventia. Era com as pessoas e com a opinião pública onde o poder real da Igreja se encontrava.

O reconhecimento deste estender a mão sem precedentes à opinião pública, e a prontidão a mobilizá-la, refletiu-se nos líderes políticos que agora faziam do Vaticano um porto seguro.

Enquanto nenhum presidente americano se importou em encontrar-se com o papa durante 40 anos depois da visita a Roma do presidente Woodrow Wilson em 1919, João Paulo II teve duas reuniões com Jimmy Carter no espaço de meio ano, seguido de quatro com Ronald Reagan e quatro com Bill Clinton; o presidente George W. Bush visitou o Vaticano cinco vezes.

Uma tradição de diplomacia silenciosa

Quando o papa polonês morreu em abril de 2005, estiveram em seu funeral 7 mil jornalistas creditados e, pelo menos, quatro milhões de pessoas, a maior reunião de chefes de Estado e de governo da história fora da ONU. Era um sinal da importância atribuída ao Vaticano pelos tomadores de decisão e demais pessoas poderosas do mundo.

A influência vaticana está, agora, de pé e a todo vapor, quando Francisco se pronuncia contra a pena de morte, as guerras, as armas nucleares, a pobreza, a discriminação, a corrupção e o crime organizado. Ele exige uma ação mais firme, junto com a ONU, em nome dos oprimidos e excluídos do mundo.

Depois de expandir a composição global do Colégio Cardinalício, Francisco levou a sua mensagem a 30 países, inclusive a Israel e à Palestina, Turquia, Cuba, Egito e a República Centro-Africana; tem convites para visitar outros, incluindo o Sudão do Sul.

Enquanto isso, diplomatas vaticanos têm se envolvido pesadamente em negociações de paz em países como a Venezuela e a Colômbia e vêm tendo presença marcante em iniciativas internacionais como o Fórum Pacto Global 2018, da ONU.

Em Myanmar, no mês de novembro do ano passado, Francisco sabia que decepcionaria alguns ao não chamar pelo nome o povo Rohingya, duramente oprimido no país, dizendo aos jornalistas, no voo de volta para Roma, que “a porta teria se fechado” se tivesse agido de maneira diferente da que fez. A sua mensagem, porém, foi transmitida – e foi ouvida claramente.

Embora tenha negado o “prazer” de uma denúncia pública, explicou, o papa falou “tudo” nos encontros com autoridades do governo. E instruiu os bispos de Myanmar a se pronunciarem pela “dignidade e pelos direitos de todos, especialmente dos mais pobres e mais vulneráveis”.

Quando as feridas são “tanto visíveis quanto invisíveis”, uma busca austera por um denominador comum às vezes ajuda mais que condenações que saem bem nas manchetes. Eis uma área onde as tradições diplomáticas do Vaticano podem ainda se mostrar altamente efetivas.

O mesmo irá valer com a China?

Analistas experientes concordam que é essencial diferenciar claramente entre as circunstâncias locais, precisando-se estudar minuciosamente todas e entendê-las intimamente. No mundo onde é complexo a administração da Igreja, não pode haver uma abordagem do tipo “o que vale para um vale para todos”.

Parte do trabalho de Francisco já sofreu uma oposição amarga.

O encontro em fevereiro de 2016 em Cuba que teve com o Patriarca Ortodoxo Kirill, da Rússia, provocou dúvidas entre os católicos ucranianos e da Europa Oriental, que temeram ele que servisse de propaganda política em benefício do Kremlin – acusação também feita ao secretário de Estado do Vaticano, o Cardeal Pietro Parolin, quando visitou Moscou em agosto passado.

Se for para a “diplomacia da misericórdia” trabalhar, ela deve ir além da ajuda humanitária digna e também ter um fundamento firme na realidade.

Apesar de todos os ricos e perigos, no entanto, os esforços para a construção da paz feitos pelo Papa Francisco devem ser apreciados e seguidos atentamente. Eles demonstram como a religião pode fornecer uma base e uma orientação à ação efetiva e inovadora.

Também mostram que líderes católicos influentes e autoconfiantes podem desempenhar um papel importante na promoção da participação, cidadania, diálogo e reconciliação – também na oposição aos “Herodes de [hoje]”, como Francisco os descreveu na homilia de Natal de 24 de dezembro de 2017, que são os líderes que meramente buscam “impor o seu poder e aumentar as suas riquezas”.

Se o regime chinês se pôr a explorar isso, poderá esperar um retorno no futuro.

O artigo é de Jonathan Luxmoore- National Catholic Reporter.

A rede televisiva norte-americana ABC apresentou uma breve matéria com imagens do Instituto italiano Luce – Cinecittà, captadas na década de 1930.

As cenas mostram a dificuldade e os perigos que eram encarados pelos “sanpietrini”, trabalhadores e artesãos quase “acróbatas” que, por devoção, preparavam a iluminação exterior da Basílica de São Pedro, no Vaticano, para o Natal. Eram acesas cerca de 900 tochas e 5000 lanternas!

O resultado? Um espetáculo de luz e acolhimento!

Confira as imagens no seguinte vídeo, postado no YouTube pelo blog Senza Pagare

O Papa Francisco nomeou duas mulheres como subsecretárias do novo Dicastério para os Leigos, Família e Vida (Santa Sé), reforçando assim a presença feminina na Cúria Romana.

Gabriella Gambino, professora de Bioética, foi indicada para a secção para a Vida desde organismo, e Linda Ghisoni, especialista em Direito Canónico, recebeu a nomeação pontifícia para a secção da Família.

A primeira responsável é docente do Pontifício Instituto Teológico João Paulo II para as Ciências do Matrimónio e da Família, da Universidade Lateranense.

Linda Ghisoni era juíza instrutora do Tribunal de primeira instância para as causas de nulidade de matrimônio no Vicariato de Roma.

O Papa Francisco instituiu em 2016 o novo organismo da Santa Sé para os leigos, a família e a vida, em substituição dos antigos conselhos pontifícios que tratavam separadamente dessas áreas pastorais; o prefeito deste dicastério é o cardeal norte-americano D. Kevin Farrell.

Entre 2005 e 2015, o número de mulheres a trabalhar nas instituições da Cúria Romana e do Estado da Cidade do Vaticano aumentou em 90%; as mulheres representavam então cerca de 20% do total de funcionários ao serviço do Papa no Estado da Cidade do Vaticano.

A presença feminina na Santa Sé inclui responsabilidades nos departamentos da Cúria Romana e nas áreas dos arquivos, da história e da comunicação social.

Atualmente, a jornalista espanhola Paloma García Ovejero é vice-diretora da Sala de Imprensa da Santa Sé; Margaret Archer é a segunda mulher a ocupar o cargo de presidente da Pontifícia Academia de Ciências Sociais.

A irmã Nicoletta Vittoria Spezzati é subsecretária da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica e a leiga Barbara Jatta é diretora dos Museus Vaticanos desde janeiro de 2017.

Fonte: Ecclesia

O cardeal Oswald Gracias, membro do Conselho dos Cardeais encarregado de reformar a burocracia do Vaticano, diz que, acima de tudo, é necessária uma mudança de mentalidade, que levará mais tempo do que simplesmente a reforma das estruturas do Vaticano, mas, segundo ele, o grupo está “bastante confiante de que isso acontecerá, pois a liderança do papa tem sido muito eficaz”.

Quase quatro anos depois que o papa criou o Conselho de Cardeais Conselheiros para ajudá-lo na tarefa de reformar a Cúria Romana, um membro do grupo disse que o trabalho está quase concluído e talvez o grupo precise de apenas mais algumas reuniões para concluir o que pretende fazer.

O processo contínuo de reforma “está sendo feito em vários estágios de desenvolvimento, e espero que cheguemos a conclusões sobre todas essas questões em breve”, disse o cardeal Oswald Gracias, de Bombay, no dia 14 de setembro.
“Serão necessárias apenas mais duas ou mais três reuniões”, disse ele, acrescentando que “talvez até junho veremos o fim do túnel”.

Gracias também é presidente da Conferência Episcopal da Ásia e, em 2013, foi escolhido pelo papa junto com outros oito prelados de todo o mundo para aconselhá-lo em questões de governança e reforma da Igreja.

Ele uma longa entrevista depois que o conselho – também chamado de “C9” – concluiu sua última rodada de reuniões na semana passada.

Em relação à reforma, Gracias disse que “não haverá mudanças muito significativas; trata-se da governança da Igreja, não podemos simplesmente mudar tudo de uma hora para outra”. Será “uma mudança gradual, uma mudança de mentalidade, uma mudança de abordagem, reestruturando um pouco os departamentos para que estejam mais logicamente adequados às necessidades atuais”.

Ele disse que um dos principais objetivos do C9 é implementar a visão do Concílio Vaticano II, especificamente em relação à importância do papel dos leigos e das mulheres, incorporando maior sinodalidade e colegialidade às estruturas da Igreja.
Desde o início, o Papa Francisco “sabia muito bem o que queria que o grupo fizesse”, afirmou o cardeal. “Ele não hesitou, é um bom líder. Tinha uma visão clara.”

Gracias admitiu que, no início, não sabia se estavam no rumo certo e começaram a se preocupar com o que as pessoas de fora poderiam dizer, já que muitos frutos das reuniões não eram e provavelmente não serão imediatamente visíveis. Ele disse que também ficou angustiado com suas dúvidas sobre o ritmo do grupo e achava que as coisas estavam “muito lentas”.

“Confesso que no início cheguei a me questionar: ‘estamos no rumo certo?’ Mas agora vejo que sim”, afirmou, explicando que o discurso de Natal de Francisco à Cúria Romana no ano passado foi um ponto de virada para ele.

Acima de tudo, é necessária uma mudança de mentalidade, que levará mais tempo do que simplesmente a reforma das estruturas do Vaticano, mas, segundo ele, o grupo está “bastante confiante de que isso acontecerá, pois a liderança do papa tem sido muito eficaz”.

Além da reforma da Cúria que está em andamento, Gracias também falou sobre a recente libertação do sacerdote indiano Tom Uzhunnalil 18 meses depois de ser sequestrado no Iêmen. Também falou sobre a próxima viagem do papa a Myanmar e Bangladesh e sobre quando uma possível viagem papal à Índia pode ocorrer.

O senhor viu o Pe. Tom e vocês estavam nesse encontro com o papa Francisco. Como ele está?

Tive uma agradável surpresa com a calma com que saiu, porque ele não sabia, a meu ver, que estava sendo libertado. Ele disse ‘sei que as pessoas oraram por mim, agradeço às pessoas que oraram por mim’, mas dizia: “Jesus é maravilhoso, Jesus é maravilhoso”. E disse ao Santo Padre. Foi um momento muito emocionante. Assim que o Santo Padre chegou, ele se colocou diante dele, beijou seus pés e disse: “Obrigado, obrigado, obrigado. Obrigado, Santo Padre, mas só quero dar uma mensagem: Jesus Cristo é maravilhoso. Jesus estava comigo, eu sentia a presença de Deus comigo’… E cheguei a pensar que havia lágrimas nos olhos do Santo Padre. Quando Tom continuou falando sobre Jesus, o que disse ao Santo Padre foi: por favor, fale às pessoas que Jesus é maravilhoso!

Eu diria que ele saiu com uma experiência da presença do Senhor e acho que naquele momento havia lágrimas nos olhos do Santo Padre… Encontrei o Santo Padre naquela tarde e ele disse o quanto estava impressionado. Também ficou surpreso com sua calma, com Tom… É um homem cuja fé pode ter se fortalecido depois dessa experiência, não é amargo por nada. Particularmente por seus algozes, demonstrava muita compreensão.

Foi uma experiência especial, muito edificante. Ele precisa descansar, certamente. Fará exames e ficará com seus superiores, mas um dia vai voltar (para a Índia). Graças a Deus, realmente. Foi um momento de ansiedade para toda a Igreja na Índia. Nós não sabíamos o que estava acontecendo, mas entendemos que colocar mais pressão, na perspectiva do governo, poderia dificultar as coisas para ele. (Mas) não está tão estressado como se possa imaginar. Fisicamente fraco, mas espiritualmente forte. Quando encontrou o Santo Padre, ele estava chorando. E o Santo Padre ficou muito emocionado, beijou sua mão e o abençoou… Sentiu o conforto e a força de toda a Igreja. Como ele disse, nunca se sentiu abandonado, seja pela Igreja ou por Deus.

Continuou dizendo: “Jesus é maravilhoso”. Saiu espiritualmente fortalecido nesse sentido. Foi um grande alívio, uma grande benção, e o Santo Padre ficou muito feliz. Acho que o governo de Omã fez um trabalho esplêndido de assistência… Levaram até um salesiano para acompanhá-lo no último avião. Foi muito humano da parte deles, havia o conforto de um companheiro espiritual.

Que papel a Santa Sé desempenhou na sua libertação?

Eles apenas ofereceram ajuda, mantiveram a questão em aberto e continuaram compartilhando. A Santa Sé foi informada de que ele estava vivo e se comunicou com o governo indiano. No Iêmen, a situação política é muito frágil, e não se sabe quem está comandando a situação. Há bombardeios e todos os tipos de grupos estão assumindo o controle, então sempre havia o risco, acredito, de talvez prejudicá-lo ao tentar libertá-lo.

Mas sempre estiveram interessados, mantiveram-no vivo. Cada vez que eu vinha a Roma, alguém da Secretaria de Estado me atualizava. O Vaticano se certificou de que havia interesse. A Santa Sé compartilhava toda informação que obtivesse com o governo indiano, o governo omanense, isso era bom.

É interessante que ainda não se conhece o responsável…

Não é um ataque terrorista, é um sequestro. Eles não se vangloriariam por levá-lo. Isso não apareceu. Fiquei com ele durante cerca de meia hora diante do Santo Padre, e falou sem parar. Em momento algum tentei fazer perguntas, porque acho que isso seria estressante para ele. Ele tem que compartilhar… e quer compartilhar, então eu imagino que sinta-se mais leve. Deve precisar descansar muito, fisicamente e também mentalmente, tem que tirar isso da mente. Ele não saiu de lá totalmente destruído. Eu tinha medo disso, que saísse destruído, mas não… É um momento de graça, um momento de fé, uma experiência especial.

O ponto alto foi quando disse ao Santo Padre: “Diga a todos que Jesus é maravilhoso, Jesus é maravilhoso”. Apenas três palavras simples. Foi o resumo de toda a experiência, o que ele quis dizer e por que quis dizer isso… não se sentiu abandonado, imagino. Espero que se recupere. Imagino que ele precisa de alguns meses realmente, ou talvez mais, para realmente descansar. Precisa de tempo para estar com a família também, em circunstâncias normais… Não tenho certeza, mas tenho a sensação de que o governo de Omã decidiu trazê-lo para Roma porque queria entregá-lo ao Vaticano.

Acho que foi melhor para ele, porque acho que se tivesse ido para a Índia, todos ficariam à sua volta. Só precisa de espaço para se recuperar e para que os médicos o examinem. Fisicamente, para ver se está bem, e psicologicamente também, para se investigar. Acho que foi uma decisão sábia, mas acho que partiu mais do governo de Omã.

Não quero tomar muito o seu tempo, mas queria fazer algumas perguntas sobre o processo da reforma e sobre o C9. As últimas reuniões acabaram recentemente…

Sim, terminamos a última rodada, a 21ª reunião. Nem acredito que foram 21. Não me dei por conta que já eram 21. Acho que estamos trabalhando muito. O bom é que somos um grupo coeso agora. No começo, éramos [gestos]. Agora nos conhecemos bem e trabalhamos juntos e, claro, tentamos implementar a visão do Santo Padre sobre a Igreja. Além disso, uma das coisas que sempre dizemos, e que é muito clara, é que antes do conclave os cardeais haviam falado muito sobre sua visão da Igreja, e nós temos os textos do que cada um disse, e todos os cardeais expressaram sua visão. Tiramos daí, e o Santo Padre tirou daí sua própria visão.

Até agora, focamos em… é para um duplo propósito que o grupo foi formado: um é para ajudá-lo na governança da Igreja universal e o segundo é rever o Pastor Bonus, o documento papal de São João Paulo II que estabelece a Cúria e descreve os cargos e a visão de cada dicastério. É para revitalizar, imagino que seja isso que o Papa Francisco quer que façamos, e desenvolver uma nova mentalidade que também aplique o Vaticano II; como tornar a Cúria Romana mais eficaz a serviço do Santo Padre, as Igrejas locais, as Igrejas nas dioceses, como fazer a Cúria Romana ajudar as Igrejas locais a serem mais eficazes pastoralmente, para que possam ser mais vibrantes nesse sentido. Então acho que o Santo Padre está satisfeito com o que está acontecendo. Também estou satisfeito com a maneira como estamos caminhando.

Nos encontramos em três dias e trabalhamos intensamente, a partir das 9:00 do primeiro dia às 7:00 (da noite) no último, tentando chegar a uma conclusão sobre tudo, trabalhamos muito. Mas está chegando ao fim. Acho que precisaremos de mais duas ou três reuniões para poder chegar a conclusões sobre os dicastérios. Depois, é claro, o Santo Padre estudará o assunto e decidirá. Então estamos indo bem. O retorno que recebemos é que o Santo Padre está feliz, satisfeito e, às vezes, usa as mensagens de Natal para dar uma indicação, fazer um boletim do progresso, por isso a mensagem de Natal desse ano (2016). Não me dei por conta disso, mas quando li, percebi que era praticamente um boletim de progresso sobre o que o grupo tem feito. Espero que isso gere um impacto.

Não haverá mudanças muito significativas; trata-se da governança da Igreja, não podemos simplesmente mudar tudo de uma hora para outra. É uma mudança gradual, uma mudança de mentalidade, uma mudança de abordagem, reestruturando um pouco os departamentos para que estejam mais logicamente adequados às necessidades atuais e correspondam à visão do Concílio Vaticano II: a importância dos leigos, da sinodalidade, da colegialidade, depois a preocupação com as mulheres, envolver mais mulheres, dar valor às igrejas locais.

Também refletir sobre o papel das conferências episcopais nisso tudo, porque essa é outra grande questão. Tudo isso está sendo feito em vários estágios de desenvolvimento e espero que cheguemos a conclusões sobre todas essas questões em breve. Serão necessárias mais duas ou três reuniões. Penso que levará pelo menos até fevereiro, junho … Até junho, talvez veremos o fim do túnel.

É um processo longo…

Tem sido um processo muito longo, realmente, mas é bom. Participei de outros grupos desse tipo, em que, no começo, não sabemos o que estamos fazendo, por onde começar, e depois se encontra o caminho e a visão. Mas aqui estava muito claro, o Santo Padre tinha muito claro o que ele queria que este grupo fizesse… não sabíamos bem por que fomos chamados e o que ele queria fazer, mas gradualmente compreendemos o que estava em sua mente. “Ele não hesitou, é um bom líder. Tinha uma visão clara e seu povo estava com ele”.

Está lá conosco, realmente não marca outros compromissos. Ele está lá, exceto na audiência geral. Há emergências, claro, desta vez tinha muita coisa acontecendo, mas ele participa e escuta a discussão e, de vez em quando, levanta a mão quando quer falar. É muito estranho, mas agora estamos acostumados, o papa levantando a mão (risos)… É muito valioso, ele participa de toda a discussão, completamente inserido. Claro, ele não fala muito, porque acho que nos sentiríamos inibidos e tentaríamos ir pelo mesmo caminho. É na medida certa e no momento certo.

Bem, ele é muito a favor do processo, não é? Não quer interromper o processo que está acontecendo…

Com certeza! E fica feliz. Todo mundo diz o que pensa. Nós nos conhecemos muito bem e sabemos que o Santo Padre quer que falemos o que pensamos, então ninguém fica (excessivamente) alerta sobre o fato de o papa estar conosco, não… mas está indo bem, acho que está indo bem. “Confesso que no início cheguei a me questionar: ‘estamos no rumo certo?’ Mas agora vejo que sim.

Ele é um homem de fé profunda, o papa. Lembro de ter conversado com ele sobre o sínodo, estava compartilhando com ele minhas ansiedades sobre se estava indo bem, e ele me disse: ‘Cardeal, não estou preocupado’. Disse isso. Eu disse que estava preocupado, não sabia que rumo estávamos tomando, se conseguiríamos expressar sua visão em dois sínodos. (Ele disse) ‘Eu não estou preocupado. Vai dar certo.’ Ele sabe o que quer, é um bom jesuíta, e os jesuítas sabem exatamente o que querem.

Em que ponto você teve certeza de que as coisas estavam indo no rumo certo?

Depois de cerca de sete, oito ou nove reuniões, eu comecei a me questionar. Minha preocupação era ‘o que o mundo vai dizer?’. Todo mundo sabe que estamos tendo essas reuniões, mas somos muito limitados no que dizemos serem os frutos. O que esses oito homens – nove, nos tornamos nove depois que o Secretário (do Estado) passou a fazer parte também – nove cardeais estão vindo discutir aqui, o que está acontecendo? Não estão aqui apenas para debater. Estava preocupado que os frutos não fossem vistos, e o processo era muito lento.

Mas então, justamente depois de ouvir o discurso do Santo Padre (no Natal de 2016), para mim, tudo ficou claro. Fiquei assim: ‘nossa, realizou-se muito’. Isso foi totalmente… No Natal passado, foi como um boletim do progresso do grupo. Estou no grupo, certo, mas nunca percebi o quanto já discutimos. Além de modificar o documento, a proteção dos menores, a economia, as atualizações a respeito disso, princípios gerais de colegialidade, sinodalidade, estamos pensando nessas coisas. Cuidado da equipe da Cúria. É tudo que o Santo Padre… ele não é como nós, que quando voltamos para casa estamos inteiros na diocese, ele fica com isso na cabeça e continua trabalhando nisso de verdade depois. Voltamos para nossas dioceses e nos preocupamos com a igreja local, mas ele certamente acompanha o que dizemos. Já vi várias vezes. Ele leva o grupo muito a sério.

De vez em quando, ele pedia que discutíssemos um pouco um determinado assunto, sobre o qual queria um conselho. Acho que é um novo sistema, iniciado por ele, no qual ele recebe retorno de todo o mundo a partir das bases. Acho. E espero, na verdade. Somos de diferentes continentes e trazemos nossas próprias experiências. Mas está indo bem. Na verdade, eu realmente acho que há uma contribuição ao Santo Padre, e então o Santo Padre decide. Tenho a sensação de que isso é compartilhado por todos agora. Não tenho dúvidas de que é o sentimento geral.

O ponto de virada foi realmente o seu discurso, mas já antes disso, digamos cerca de seis ou sete meses antes, começamos a ver quando refletimos isso… talvez o Santo Padre soubesse que isso estava na nossa cabeça. Estava na minha cabeça, e talvez eu tenha expressado de forma indireta. E o Santo Padre também comentou uma vez: “já fizemos tudo isso, então não desanimem”.

Em um dado momento, ele meio que respondeu essa dúvida na minha cabeça.
O senhor mencionou que também é necessária uma mudança de mentalidade. Além das mudanças estruturais, parece que a mudança de mentalidade será a tarefa mais desafiadora…

Isso demorará mais. Mas esperamos que tenha penetração, porque depois de criar uma certa mentalidade, geralmente não se muda, a menos que as circunstâncias mudem, o ambiente mude. E, em certo sentido, não muda drasticamente. Acho que isso pode demorar mais. Mas acredito que vai acontecer.

Estamos muito, muito esperançosos. Estamos bastante confiantes de que vai acontecer, porque a liderança do papa tem sido muito eficaz, e de vez em quando vem uma mensagem clara dele. Mas vai acontecer e de repente vamos perceber: ‘olha, mudou!’ É assim que vai ser. Não será do dia para a noite, mas, em algum momento, vamos perceber que as coisas mudaram.

Ele sabe o que quer. E está feliz. Certamente, a indicação que posso ver mostra esse caminho; pelo relacionamento que tem com o grupo e a alegria que demonstra ao estar com o grupo. Ele diz que sente que o ajudou. Graças a Deus. Fazemos o possível. Eu não sei como ou por que ele nos escolheu, mas está feliz. Fiquei muito surpreso quando fui chamado. Disse: ‘por que eu? O que foi que eu fiz?’ Acho que ele sabe. Não sei por quê. Eu não conhecia o Santo Padre, nunca havia participado de nenhuma outra comissão. Somente no conclave. Nem lembro de ter conversado com ele durante ou antes do conclave. Após o conclave, sei que estive com ele. É verdade que, depois do conclave, estive com o papa em Santa Marta por alguns dias. Almoçamos juntos – café da manhã, almoço e jantar por quatro ou cinco dias. Foi quando nos conhecemos. Nos colocaram juntos por cerca de uma semana.

Fiquei impressionado que estava em Santa Marta depois da eleição, porque havia cinco ou seis cardeais. Todos os cardeais estadunidenses estavam lá, os cardeais europeus, todos os cardeais das proximidades saíram e voltaram (para a posse). Fiquei para a posse e voltei para a Índia. E aí se compartilha, conversa. Ele estava muito confortável conosco, muito confortável comigo. Mas, ainda assim, teve que escolher.

Ele mencionou alguma coisa sobre quando poderia ocorrer uma visita à Índia?

Ele está muito interessado. Estamos trabalhando, e tenho muita esperança. Ele gostaria de vir, nós gostaríamos de recebê-lo, e o governo também. Mas agora é preciso ver a agenda, a agenda do governo, mas tenho certeza de que virá. Não há detalhes por enquanto. Tenho bastante esperança de que conseguiremos trazer o Santo Padre. Ele tem interesse, e acho que cada vez mais. E as pessoas estarão ansiosas… mal podemos esperar por isso.

No começo, logo após sua eleição, perguntei: “quando vem à Índia?” E ele não estava muito (interessado), mas aos poucos começou a gostar da ideia. Nunca foi à Índia. Como jesuíta, acho que deveria ir ao Japão, foi o que me disse. Agora, vai ao Bangladesh e a Myanmar. Será muito emocionante. Bangladesh tem seus problemas, acredito que tenham eleições no próximo ano, e Myanmar tem problemas para resolver, também a questão dos refugiados no momento. Ultimamente, essa questão está em voga, acho que ontem ou hoje pela manhã eu vi na CNN, e a BBC está trazendo reportagens sobre isso. É um problema do mundo.

Eu já estive lá (Bangladesh) algumas vezes. É uma boa igreja, concentrada principalmente em Dhaka, uma fé viva. Estive em Myanmar também, fui como legado papal há alguns anos, e achei a igreja muito vibrante. Uma fé simples, mas estou feliz. Acho que isso terá muito significado para as pessoas. E também as fortalecerá. Acredito que a Igreja também é muito vibrante, não tem dificuldades específicas, na impressão que tive como legado papal há cerca de dois ou três anos, mas fiquei muito impressionado com a fé e a organização. Era vibrante. A igreja era pequena, mas forte e viva. Fará a diferença para as Igrejas e para os governos, espero.

O senhor estará lá?

Pretendo ir nos dois, sim. Estive em todas essas viagens à Ásia: Sri Lanka, Coreia, Filipinas. Atualmente, sou presidente da Conferência Episcopal da Ásia, então eu suponho que terei que ir por causa disso.

Fonte:  Crux

Na sequência da mais recente onda de violência na Europa, o Vaticano diz não estar tomando medidas extras de segurança, em parte porque a salvaguarda já era “muito forte”.

Normalmente os papas sentem um grau maior de calmaria com respeito à própria segurança do que outras figuras públicas, pois, do ponto de vista deles, os pontífices contam com a rede se segurança máxima que se pode ter.

A essa altura, um ataque com facas na Finlândia ocorrido sexta-feira deixou dois mortos. A polícia diz que passou a considerar o ato como terrorista e informou que prendeu um marroquino de 18 anos e outros cinco. Este incidente levou ao recrudescimento das medidas de segurança nos aeroportos e estações de metrô, além de uma maior presença policial em locais onde as pessoas se reúnem.

A Cidade do Vaticano, evidentemente, é também um alvo europeu, sendo um lugar onde muitas pessoas se reúnem. Na verdade, é provavelmente milagre que algo semelhantemente horrível não tenha ocorrido aí ainda. Afinal, para um jihadista esta cidade-Estado é o alvo perfeito: um símbolo imponente do cristianismo e da civilização ocidental, além de ser o lar do líder cristão mais conhecido do planeta.

Na sexta-feira, conversei com a porta-voz do Vaticano, Paloma García Ovejero, que me disse que o Vaticano não está tomando nenhuma precaução extra em se tratando de segurança à luz dos eventos recentes, em parte porque “não temos nenhum indício” de uma ameaça em específico.

“Não adotamos medidas extras de segurança, pois aqui o nível de vigilância já era muito forte”, disse García Ovejero. “A Basílica de São Pedro está sempre protegida, e a Via della Conciliazione [avenida que leva até a praça] permanece fechada para o tráfico”.

“Ou seja, estamos com o mesmo nível de alerta”, completou ela.

Então, resta saber se as ansiedades com a questão da segurança influirão em alguma atividade pública do papa, seja em Roma, seja quando ele pegar a estrada. (A sua próxima viagem está marcada para o começo de setembro, quando visitará a Colômbia.)

Na falta de indícios diretos de uma ameaça específica, a minha aposta é que o Papa Francisco não irá diminuir a sua exposição pública, e o mesmo eu diria quanto aos dois papas anteriores que cobri, Bento XVI e João Paulo II.

Em geral, os papas contam com uma preocupação com a questão da segurança muito menor em comparação com os outros líderes mundiais. Se olharmos o aparato de segurança em torno de um presidente americano ou do presidente da Rússia, as comparações com um papa sequer fazem sentido.

As equipes que trabalham para o papa são de alto nível, porém enfrentam limites no número de membros e no que podem fazer para manter o religioso longe de qualquer perigo.

Lembro certa vez de estar em uma viagem com João Paulo II na Grécia. Ele presidia uma missa em uma pequena avenida. Durante a procissão do ofertório, um homem não autorizado se juntou à fila e começou a se aproximar do papa. Ele estava talvez a meio passo do altar, a poucos metros de João Paulo, quando um segurança percebeu e o retirou.

As manchetes nos jornais do dia seguinte diziam: “Homem é atacado enquanto corria em direção ao papa!” Posso lhe garantir que ele “não corria”, pois usava muletas.

No final da missa, anunciou-se que o indivíduo era um sem-teto e estava doente, e que só queria dar a João Paulo uma amostra de seu trabalho. Por fim, foi trazido de volta, recebeu um abraço papal e posou para fotos. No entanto, é óbvio que essa história poderia ter acabado diferente.

Por que os papas se permitem correr perigos como este?

Além do aspecto pastoral de querer estar o mais próximo possível das pessoas, há uma outra dimensão que nem sempre entra nos cálculos para avaliar os níveis de segurança e que é, sem dúvida, real: os papas realmente acreditam que, no fim, o destino deles está nas mãos de um poder muito maior.

Eu não estava em Roma quando tentaram assassinar João Paulo, em 13-05-1981. Na verdade, eu cursava o ensino médio quando o fato ocorreu. No entanto, passei muito tempo ao longo dos anos conversando com quem estava lá, incluídos alguns dos assessores mais próximos do papa, os quais deixaram claro que João Paulo acreditava, com firmeza, que a Virgem Maria estendeu as mãos para ele naquele dia – era, lembremos, Dia de Nossa Senhora de Fátima – e o salvou.

Temos de concordar: João Paulo II era bem mais místico do que Bento XVI ou Francisco, mas todos estão convencidos de que o destino deles a Deus pertence.

Isso não quer dizer, é claro, que os papas são imprudentes ou que recusam medidas de segurança básicas. Mesmo o espontâneo Papa Francisco tornou-se um pouco mais disciplinado, geralmente permitindo que sua equipe de segurança faça barreiras à sua frente enquanto caminha entre as multidões.

Quando esteve na República Centro-Africana, Francisco quis parar próximo a uma igreja em que, diziam, cristãos haviam sido mortos recentemente. No entanto, ele acabou desistindo da ideia quando o núncio apostólico no país lhe explicou que era “perigoso demais”.

Da mesma forma, quando Francisco esteve nas Filipinas, um momento marcante aconteceu numa visita à ilha de Tacloban, local que tinha sido devastado por fortes tempestades. Mesmo assim, Francisco concordou em encurtar a sua programação quando os pilotos disseram que que uma tempestade tropical que se aproximava deixaria inseguro o seu retorno para casa.

Portanto, embora os papas não contem somente com a sorte – especialmente porque, onde quer que vão, a segurança de outras pessoas está em jogo também –, eles muitas vezes sentem uma calmaria maior quanto à própria segurança pessoal do que outras figuras públicas.

Novamente, temos de concordar: do ponto de vista deles, os papas contam com a rede de segurança máxima.

A reportagem é de John L. Allen Jr.- Crux

 

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Treze votos a favor do reconhecimento da sobrenaturalidade das primeiras sete aparições de Medjugorje, um voto contra e uma abstenção. A maioria dos votos suspensivos e muitas dúvidas sobre o prosseguimento do fenômeno das aparições que aconteceram entre o final de 1981 e hoje. Este é o resultado final do trabalho da comissão sobre Medjugorje instituída em 2010 por Bento XVI e presidida pelo cardeal Camilo Ruini.

O Papa Francisco mencionou esse relatório durante a conversa com os jornalistas durante o voo de retorno de Fátima, quando revelou a diferença entre as primeiras aparições e o fenômeno posterior, dizendo: “Uma comissão composta por bons teólogos, bispos e cardeais. A relação da comissão é muito, muito boa”. Como se sabe, a indicação das palavras do Pontífice é positiva sobre os frutos espirituais e as conversões (“pessoas que se convertem, que encontram Deus, que mudam de vida. E isto não graças a uma varinha mágica”), mas negativa sobre as aparições que continuam atualmente: “Eu, pessoalmente, sou mais malvado, prefiro a Nossa Senhora Mãe em vez da Nossa Senhora chefe de um escritório de telégrafos e que diariamente envia uma mensagem com hora marcada”.

Uma comissão instituída por Ratzinger

Entre 17 de março de 2010 e 17 de janeiro de 2014, por vontade de Bento XVI, foi instituída uma comissão presidida por Ruini. Além do ex-presidente da Conferência Episcopal da Itália, faziam parte dela os cardeais Jozef Tomko, Vinko Puljic, Josip Bozanic, Julián Herranz e Angelo Amato. Além disso, era integrada pelo psicanalista Tony Anatrella, os teólogos Pierangelo Sequeri, Franjo Topic, Mihály Szentmártoni e Nela Gaspar, o mariólogo Salvatore Perrella, o antropólogo Achim Schütz, o canonista David Jaeger, o relator das Causas dos Santos Zdzislaw Józef Kijas, o psicólogo Mijo Mikic e o oficial da Doutrina da Fé Krzysztof Nykiel.

Eles tiveram a tarefa de “reunir e examinar todo o material” sobre Medjugorje e apresentar “um relatório detalhado”, com a votação sobre a “sobrenaturalidade ou não” das aparições, além de indicar as “soluções pastorais” mais adequadas. A comissão reuniu-se 17 vezes, avaliou toda a documentação depositada no Vaticano, na paróquia de Medjugorje e nos arquivos dos serviços secretos da ex-Iugoslávia. Ouviu todos os videntes e testemunhas, e em abril de 2012 fez uma visita ao pequeno povoado da Bósnia-Herzegovina.

Juízo positivo sobre as primeiras aparições

A comissão identificou uma diferença muito clara entre o início do fenômeno e seu desenvolvimento posterior. E decidiu expressar-se com duas votações diferentes sobre duas fases diferentes: as primeiras sete supostas aparições, que aconteceram entre o dia 24 de junho e o dia 03 de julho de 1981, e tudo o que aconteceu depois disso. Os membros e os peritos se expressaram com 13 votos a favor do reconhecimento da sobrenaturalidade das primeiras visões. Um dos membros votou contra e um dos peritos se absteve. A comissão sustenta que os sete rapazes videntes eram normais psiquicamente, foram surpreendidos pela aparição e que não houve nenhuma influência externa (nem por parte dos franciscanos da paróquia nem de outros sujeitos) sobre o que disseram ter visto. Negaram-se a contar o que tinham visto apesar de a polícia tê-los detido e ameaçado de morte. A comissão também descartou a hipótese de origem demoníaca das aparições.

As dúvidas sobre a evolução do fenômeno

Em relação à segunda fase das aparições, a comissão considerou as fortes interferências provocadas pelo conflito entre o bispo e os franciscanos da paróquia, assim como pelo fato de que as aparições, pré-anunciadas e programadas singularmente para os videntes (e já não em grupo), tenham continuado com mensagens repetitivas. Estas continuam, embora os rapazes tenham dito que não, coisa que não se verificou. E depois há a questão dos “segredos” com requintes apocalípticos que os videntes afirmam ter recebido da aparição. Sobre esta segunda fase, a comissão votou em dois momentos diferentes. Uma primeira vez, considerando os frutos espirituais de Medjugorje, mas deixando de lado o comportamento dos videntes. Nesta votação três membros e três peritos afirmaram que havia efeitos positivos, quatro membros e três peritos indicaram que havia efeitos mistos, principalmente positivos, e outros três membros disseram que havia efeitos mistos (positivos e negativos). Se além dos frutos espirituais se considera o comportamento dos videntes, oito membros e quatro peritos consideraram que não se podia fazer um juízo, ao passo que outros dois membros votaram contra a sobrenaturalidade. 

A solução pastoral

Após constatar que os videntes de Medjugorje nunca foram acompanhados adequadamente do ponto de vista espiritual e observar que há muito tempo já não faziam parte de um grupo, a comissão pronunciou-se a favor da suspensão da proibição de organizar peregrinações a Medjugorje (com o voto de 13 membros e peritos dos 14 que estavam presentes) e votou a favor da criação, em Medjugorje, de “uma autoridade dependente da Santa Sé” e da transformação da paróquia em um santuário pontifício. Uma decisão motivada por questões pastorais (o cuidado dos milhões de peregrinos que chegam ali, evitar que se formem “igrejas paralelas”, esclarecer questões econômicas), mas que não implicaria o reconhecimento da sobrenaturalidade das aparições.

As dúvidas da Congregação para a Doutrina da Fé

O Papa Francisco também falou sobre isso durante a entrevista que o levava de volta a Roma de Fátima. A Congregação para a Doutrina da Fé, dirigida pelo cardeal Gerhard Ludwig Müller, manifestou suas dúvidas sobre o fenômeno e também sobre o relatório da comissão Ruini, considerado como um documento confiável, mas que deve ser comparado com outros pareceres e documentos. Em 2016, aconteceu a Feira IV, reunião mensal dos membros do dicastério, convocada para discutir o caso de Medjugorje e o relatório da comissão Ruini. Cada um dos cardeais e bispos membros recebeu o texto da comissão, mas também mais documentos que se encontram na Congregação para a Doutrina da Fé. Durante a reunião pediu-se aos membros que expressassem suas opiniões. O Papa Francisco, que não queria que o relatório da comissão Ruini fosse “leiloado”, estabeleceu que enviassem a ele, pessoalmente, todos os pareceres dos membros da Feira IV. E isso foi feito na hora.

A decisão do Papa Francisco

O Papa, após ter examinado o relatório da comissão Ruini e os pareceres dos membros da Congregação para a Doutrina da Fé, decidiu encomendar ao arcebispo polonês Henryk Hoser uma missão de “enviado especial da Santa Sé” e, “sobretudo, das exigências dos fiéis que para ali se dirigem em peregrinação” para “sugerir eventuais iniciativas pastorais para o futuro”. Antes que termine o verão deste ano de 2017, o enviado da Santa Sé entregará os resultados do seu trabalho ao Papa e este tomará uma decisão.

Andrea Tornielli – Vatican Insider

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O jesuíta estadunidense Padre James Martin, da revista América, e Michael Warsaw, presidente do conselho e diretor da EWTN Global Catholic Network, foram nomeados pelo Papa Francisco para ajudar a assessorar a Secretaria de Comunicação do Vaticano.

O Vaticano divulgou as novas nomeações em 12 de abril.

Francisco nomeou seis padres, seis leigos e uma leiga para serem os novos consultores ou conselheiros da equipe de comunicação, liderada pelo Monsenhor Dario Vigano, que coordena as diversas operações de comunicação e mídia do Vaticano. Eles formam um grupo consultivo separado dos membros da secretaria – um grupo de 16 cardeais, bispos e leigos nomeados pelo Papa no ano passado.

Entre os novos consultores estão:

– Padre Martin, editor-geral da revista jesuíta América. Editor prolífico, ele também é graduado em Administração e trabalhou com finanças corporativas antes de entrar na Companhia de Jesus. Ele frequentemente colabora com alguns dos principais meios de comunicação nos Estados Unidos e é membro de uma companhia de teatro Off-Broadway em Nova York.

– Warsaw entrou na EWTN em 1991 e ocupou posições de alto nível na produção televisiva, em operações de satélites e serviços técnicos. A rede, que inclui rádio, publicações impressas e o National Catholic Register, atinge mais de 140 países no mundo.

– Ann Carter, co-fundadora da Rasky Baerlein Strategic Communications de Boston, agora lidera a ACcommunication Partners, dando consultoria sobre desafios administrativos e questões de comunicação. Ela foi CEO da Rasky Baerlein quando a empresa abandonou seu papel de relações públicas externas da arquidiocese de Boston, período em que surgiu a crise de abusos sexuais na igreja. A empresa retomou seu trabalho depois que o chefe da arquidiocese, o cardeal Bernard Law, renunciou.

– Michael Unland, diretor executivo do Conselho Católico de Meios de Comunicação (CAMECO), que auxilia os meios de comunicação do mundo todo e busca contribuir com a presença da igreja na mídia, bem como destacar a importância da mídia dentro da igreja.

– Graham Ellis, vice-diretor da BBC Radio e presidente da comissão Euroradio com a União Europeia de Radiodifusão.

Dino Cataldo Dell’Accio, especialista em tecnologia da informação e da comunicação e segurança e principal auditor de TICs da sede das Nações Unidas, em Nova York.

Catholic News Service.

REUTERS2002736_ArticoloA última vez que a Capela Sistina foi fotografada integralmente para a posteridade, foi em tempos em que a fotografia digital estava em sua infância e palavras como “pixel” eram cogitados principalmente por nerds de computador e cientistas da NASA.

Agora, depois de décadas de avanços tecnológicos na arte de fotografar, salas escuras digitais e técnicas de impressão, um projeto que durou cinco anos  –  num total de 270.000 frames que mostram os afrescos de Michelangelo e outros mestres, em detalhes impressionantes – vai ajudar nas restaurações futuras.

O mestre renascentista terminou de pintar o teto em 1512 e o enorme painel do “Juízo Final” por trás do altar entre 1535 e 1541.

“No futuro, isso vai nos permitir conhecer o estado de cada centímetro da capela, como é hoje, em 2017”, disse Antonio Paolucci, ex-Diretor dos Museus Vaticanos e especialista de renome mundial.

A última vez que todos os afrescos da Capela Sistina foram fotografados foi entre 1980 e 1994, durante um projeto de restauração, que limpou-os pela primeira vez em séculos.

As fotos tiradas foram incluídas em um novo conjunto de três volumes, de 870 páginas, limitado a 1.999 cópias e comercializado para bibliotecas e colecionadores.

O conjunto, que custa cerca de 12.000 euros (US$ 12.700), foi uma produção conjunta dos Museus do Vaticano e Scripta Maneant editores, da Itália.

Na pós-produção foram usadas técnicas de computador, incluindo “stitching” de frames. Os fotógrafos que fotógrafos trabalharam durante 65 noites, das 19 horas às 2 da manhã, período em que a Sistina estava fechada aos visitantes.

O projeto era conhecido por poucas pessoas, até ter sido revelado na noite de sexta-feira  (24/02).

O trabalho contemplou toda a Capela, incluindo o mosaico do piso e os afrescos do século XV.

Mais de 220 páginas foram impressas em escala 1: 1, incluindo “A Criação de Adão” e o rosto de Jesus no Juízo Final.

Cada volume pesa cerca de 9 kg e páginas desdobráveis medem 60 por 130 cm.

As antigas fotos, tiradas durante a última restauração, ainda faziam uso de rolos de filme.

“Nós usamos um software especial de pós-produção para obter a profundidade, intensidade, calor e nuance de cores com uma precisão de 99,9 por cento”, revelou Giorgio Armaroli, chefe de Scripta Maneant.

“Futuros restauradores usarão estas como padrão”, disse ele, acrescentando que cada página foi impressa seis vezes.

Pinceladas são claramente visíveis como são as “bordas” que delineiam seções, conhecidas como “giornate”, ou dias.

Os fotógrafos utilizaram andaimes portáteis a 10 metros de altura e lente telescópica especial. Os resultados foram armazenados nos servidores do Vaticano, ocupando 30 terabytes de informação.

Rádio Vaticano

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Ele cuida de 2.797 chaves. De todas elas, 300 são usadas diariamente para abrir e fechar os Museus Vaticanos. Todas as manhãs, ele chega às 5h45 à Gendarmaria para retirar as chaves e abrir as portas das salas repletas de arte que são visitadas anualmente por 6 milhões de pessoas.

Gianni Crea, romano de 45 anos de idade, é o guardião das chaves dos Museus Vaticanos. Ao longo dos últimos cinco anos, ele tem exercido a função de chefiar os clavígeros, ou seja, os responsáveis por todas e cada uma dessas chaves.

O “bunker”

Eu cuido de todas as chaves do Museu do Papa. Trezentas são usadas todos os dias para abrir e fechar as diversas seções. As outras 2.400 chaves ficam guardadas em um bunker com ar condicionado para impedir a ferrugem e são vistoriadas semanalmente para verificar sua funcionalidade. Conheço as chaves tão bem quanto os meus bolsos“, afirma Gianni.

As três chaves mais antigas e preciosas são:

– A número 1, que abre o portão monumental, usado hoje como saída dos Museus do Vaticano;
– A número 401, que pesa nada menos que meio quilo e abre o portão de entrada do Museu Pio Clementino;
– E a famosa chave sem número…

A chave sem número

A maior e mais importante de todas é a chave sem número, que abre uma das máximas preciosidades da arte e da devoção cristã: a Capela Sistina, sede, desde 1492, do conclave que elege o Sucessor de Pedro.

Esta chave é mantida no bunker, dentro de um envelope fechado, selado e assinado pela direção. Seu uso deve ser expressamente autorizado e protocolado em um antigo registro, no qual também deve ser escrita a razão para cada uma das utilizações, junto com os horários de retirada e devolução da chave sem número.

Em tempos de conclave

E o que acontece quando há um conclave? “O clavígero“, explica Gianni, “é o herdeiro do Marechal do Conclave, que era quem selava todas as portas em torno à Capela Sistina para garantir o silêncio e o segredo de tudo o que acontecia no conclave“. A tarefa-mestra do clavígero é precisamente esta: fechar e selar todas as salas ao redor da Capela Sistina.

Chaves eletrônicas

Nos últimos anos, os novos setores dos Museus receberam também chaves eletrônicas, que nada têm a ver com as pesados e tradicionais chaves de ferro. Cada seção dos Museus tem uma numeração sequencial: por exemplo, o molho que abre o Museu Gregoriano vai da chave número 200 à de número 300; o que abre a Pinacoteca vai do 301 ao 400; o Museu Etrusco, do 501 ao 600, e assim por diante, para cada uma das doze seções.

E se o clavígero ficar doente?

Há substitutos, mas aconteceu raríssimamente”, conta Gianni, sorrindo. “Eu estou afeiçoado às minhas chaves”, completa, como quem diz que não tem tempo nem motivo para ficar doente.

Saiba mais sobre Gianni

O homem das chaves dos Museus Vaticanos deu uma interessante entrevista ao jornal italiano La Repubblica, que você pode conferir aqui (em italiano).

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O diálogo entre o Governo e a oposição vai ganhando forma lentamente na Venezuela. O Vaticano confirmou em agosto que aceita ser intermediário em eventuais negociações. O cardeal Pietro Parolín, secretário de Estado do papa Francisco, informou mediante carta ao secretário-geral da Unasul, Ernesto Samper, que a Igreja Católica concorda em intervir na crise e pede às duas partes um convite formal para começar o diálogo, circunstância que ainda não ocorreu.

A incorporação do Vaticano à comissão de facilitadores de um diálogo depende da solicitação e da instalação formal das negociações entre esses adversários políticos na Venezuela. O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, confirmou que o Vaticano enviou a carta à Unasul, mas não revelou se encaminhará uma petição oficial de mediação da Igreja Católica. Em julho, o Governo e a oposição aprovaram uma possível arbitragem da Santa Sé.

Até agora os facilitadores do diálogo são o ex-presidente de Governo da Espanha (primeiro-ministro) José Luis Rodríguez Zapatero, e os ex-presidentes Martín Torrijos, do Panamá, e Leonel Fernández, da República Dominicana. Jesús Torrealba, secretário-geral da coalizão oposicionista Mesa da Unidade Democrática (MUD), afirmou nesta quarta-feira que enviará uma resposta ao Vaticano. “A carta chega em um momento em que o governismo tentou empanar a imagem da oposição. Nós estamos dispostos a conversar com quem quer que seja para conseguir que sejam respeitados os cronogramas do referendo revogatório para mudar de presidente na Venezuela”, explicou a este jornal.

Na terça-feira, o chavismo revelou um segredo da oposição. Jorge Rodríguez, prefeito de Caracas, afirmou que o Governo manteve dois encontros privados com quatro representantes da MUD. “Foram reuniões preparatórias para um possível diálogo. Nunca deixamos de exigir que sejam respeitados os períodos de tempo do referendo revogatório na Venezuela”, confirmou Torrealba. O anúncio caiu como uma bomba nos meios políticos por causa da recusa do Governo de aceitar a exigência da oposição de sentar-se em uma mesa de diálogo se for realizado este ano o referendo revogatório para deporMaduro. Henrique Capriles, governador do Estado de Miranda e ex-candidato presidencial, respondeu que tinha “reservas” quanto às últimas decisões da MUD, mas as respalda por pertencer a esse partido. “Se há um milímetro de negociação turva que comprometa o país, eu vou dizer”, alertou.

Acesse aqui Carta enviada do Vaticano à Unasul

Maduro dá estratégicos passos na direção do diálogo como saída para a crise. Mas os possíveis acordos entre a oposição e o Governo desmoronaram por causa da resistência dos governistas de libertarem os presos políticos, reconhecerem a crise econômica e respeitarem os prazos de um referendo revogatório. Por isso, muitos opositores criticam as reuniões secretas com o Executivo. E embora a carta do Vaticano seja a primeira manifestação direta de sua disponibilidade para mediar um possível diálogo, o Governo da Venezuela precisa formalizar essa petição.

O conflito político não parece minguar. A oposição advertiu que não abandonará as ruas até obter uma data para a arregimentação dos 20% de assinaturas do eleitorado, necessárias para a ativação do referendo revogatório. Se a consulta se realizar depois de 10 de janeiro e a MUD obtiver mais votos do que os conseguidos por Maduro nas presidenciais, ocorridas em abril de 2013, o vice-presidente da República, Aristóbulo Istúriz, ficaria no comando do país até o final do mandato.

A popularidade de Maduro continua em queda por causa da crise econômica, as últimas prisões de dirigentes políticos, a escassez de remédios e alimentos e os empecilhos impostos pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) — controlado pelo chavismo — para realizar este ano o referendo revogatório. O prefeito Rodríguez, o encarregado pelo oficialismo da verificação das assinaturas do referendo, introduziu ações contra a MUD por cometer supostas fraudes no processo. A oposição respondeu com protestos multitudinários para pressionar o Poder Eleitoral. 

Fonte: El País